O criminoso Fidel

Justificar os actos de Fidel Castro é uma falta de respeito para com as suas vítimas. Se elas sofreram o que sofreram o mínimo que nos cabe fazer é não irmos na onda dos que branqueiam as história. O meu artigo de ontem no ‘i’.

O criminoso Fidel

O ditador Fidel Castro morreu e muitos teceram-lhe elogios. Como é  possível que tantos se tenham rendido à imagem falsa de um lutador romântico? Perante o que li e ouvi nos últimos dias sou forçado a perguntar se, caso seja necessário, essas pessoas estarão do lado certo no combate à opressão.

Fidel matou, prendeu, torturou um povo que, apesar de tudo e com muito medo à mistura, o aguentou durante 57 anos. Mais de um milhão de cubanos fugiu, não de Cuba, mas de Fidel. Fugiram em barcaças, preferindo o mar infinito à prepotência, arrogância, autoritarismo e crueldade do ditador.

Muitos morreram na viagem. Mais ainda morreram porque ficaram. De fome, na miséria, perseguidos. E os que viveram, fizeram-no com medo. Em silêncio. O tempo ensina a esconder as lágrimas e 57 anos são tempo de sobra para se aprender a esconder as emoções e a verdade.

A morte de Fidel é uma esperança para os cubanos. Esta conclusão, por muito triste que seja, diz tudo sobre a personagem. Sublinhar quem foi verdadeiramente Fidel não é apenas impedir que este passe incólume, como pretendem tantos que por aí andam a apregoar a justiça mas que admiram ditadores. É o mínimo de respeito que nós, que tivemos a sorte de não sofrer às mãos de um Fidel Castro, devemos ter para com as suas vítimas. Eles sofreram e nós não somos capazes de contar a verdade? Porque se não formos capazes de o fazer agora, quem nos garante que estaremos presentes quando for preciso?

Vergonha em tons multiculturais IV

Foi condenada a  rede que abusou de crianças em Rotherham.

Ringleader of Rotherham child sexual abuse gang jailed for 35 years

Judge praises ‘immeasurable courage’ of victims as three brothers are jailed for between 19 and 35 years for leading exploitation of girls

Leitura complementar: Leituras recomendadas, Vergonha em tons multiculturaisVergonha em tons multiculturais IIVergonha em tons multiculturais III e Rotherham, socialismo e multiculturalismo.

Fidel Castro e as ditaduras fofinhas

O meu texto de hoje no Observador.

‘As reações dos políticos foram igualmente repugnantes. Do PCP veio o gozo descarado costumeiro. Jorge Sampaio, essa insignificância política de que não rezaria a história se um dia Cavaco não tivesse perdido umas eleições, deu um testemunho (e porquê, Deus meu, alguém se lembra de pedir um testemunho a Jorge Sampaio?) onde aplaudiu a simpatia do hirsuto Castro, entre outras qualidades adoráveis. Do atual Presidente, que há pouco tempo se fez fotografar sorridente ao lado do tirano, também nada de tragável veio.

Mas o pior chegou na forma dos votos de pesar que o parlamento aprovou pela morte da criatura. E se do PS extremista se espera todos os enlevos com as ditaduras comunistas, já não se perdoa que o PSD tenha escolhido abster-se nesta votação. É por estas e por outras que a suposta direita parlamentar merece todas as geringonças que a atropelem: os eleitores não respeitam quem não se dá ao respeito.

Enfim. Para terminar com uma nota de humor, depois das entranhas revolvidas com as reações portuguesas à morte de um carrasco das Caraíbas, podemos pelo menos reconhecer que ninguém por cá foi tão ridículo como Trudeau – deu azo a uma das hashtags mais divertidas dos últimos tempos –, que produziu um tributo a Fidel Castro que até a canadiana CBC chamou de ‘deliberadamente obtuso’. Parece que Fidel amava de amor profundo o povo cubano (matou e prendeu uns tantos, mas o que interessa isso?) e criou um maravilhoso mundo com boa saúde e educação.

O que é verdade. Quem não aprecia um destino de turismo sexual com oferta de gente muito escolarizada a prostituir-se? Também me lembro do filme Guantanamera, dos idos dos anos 90, onde uma professora universitária e um seu antigo aluno referiam áreas do saber cubanas, utilíssimas em qualquer curso superior, da estirpe de ‘marxismo dialético’ ou ‘socialismo aplicado’. Quem não saliva pela oportunidade de estudar isto?’

O texto com princípio, meio e fim está aqui.

Era um humano

Foto: Kevin Stankiewicz | Oller Reporter
Foto: Kevin Stankiewicz | Oller Reporter

A criatura que não dominou o carro e que experimentou uma faca de talhante noutras criaturas, frequentou um ATL virado para o sucesso.

Vale a pena ler uma pequena mas emotiva entrevista ao humano Abdul Razak Ali Artan.

(…) “I just transferred from Columbus State. We had prayer rooms, like actual rooms where we could go pray because we Muslims have to pray five times a day.

“There’s Fajr, which is early in the morning, at dawn. Then Zuhr during the daytime, then Asr in the evening, like right about now. And then Maghrib, which is like right at sunset and then Isha at night. I wanted to pray Asr. I mean, I’m new here. This is my first day. This place is huge, and I don’t even know where to pray.

“I wanted to pray in the open, but I was scared with everything going on in the media. I’m a Muslim, it’s not what the media portrays me to be. If people look at me, a Muslim praying, I don’t know what they’re going to think, what’s going to happen. But, I don’t blame them. It’s the media that put that picture in their heads so they’re just going to have it and it, it’s going to make them feel uncomfortable. I was kind of scared right now. But I just did it. I relied on God. I went over to the corner and just prayed.”

Este homem também ganhou hoje

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Conforme indicam as primeiras projecções, François Fillon venceu as primárias da direita francesa.

O politicamente correcto não permite excepções

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Numa entrevista ao Journal du dimanche, o primeiro-ministro francês, Manuel Valls, diz estar pronto para se apresentar às primárias do partido socialista. Para Valls, o livro dos dois jornalista do Monde, Gérard Davet e Fabrice Lhomme, “Un président ne devrait pas dire ça”, que conta as inconfidências de Hollande no decorrer de conversas privadas tidas entre o ainda presidente da França e os dois jornalistas no decorrer do seu mandato, pode ter sido a gota de água que o força a decidir-se.

Não deixa de ser curioso que possa ser este livro a pôr um termo final na carreira de Hollande. Na verdade, e como ainda este mês referiu Patrick Besson, Hollande mostrou-se neste livro tal qual ele é, um homem inteligente e apaixonante, e não como pareceu ser durante 5 anos, um pateta vazio. Alguém que pensa os assuntos e fala deles sem receio das palavras. O politicamente correcto fez mais uma vítima neste ano de 2016: Hollande. Ao homem que quis ser normal não é permitido ser excepcional. Mesmo que tenha capacidades para isso.

Um palhaço é um palhaço

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Justin Trudeau, Primeiro-Ministro do Canadá sobre a morte do facínora Fidel Castro.

“It is with deep sorrow that I learned today of the death of Cuba’s longest serving President.

“Fidel Castro was a larger than life leader who served his people for almost half a century. A legendary revolutionary and orator, Mr. Castro made significant improvements to the education and healthcare of his island nation.

“While a controversial figure, both Mr. Castro’s supporters and detractors recognized his tremendous dedication and love for the Cuban people who had a deep and lasting affection for “el Comandante”.

“I know my father was very proud to call him a friend and I had the opportunity to meet Fidel when my father passed away. It was also a real honour to meet his three sons and his brother President Raúl Castro during my recent visit to Cuba.

“On behalf of all Canadians, Sophie and I offer our deepest condolences to the family, friends and many, many supporters of Mr. Castro. We join the people of Cuba today in mourning the loss of this remarkable leader.”

Fidel e a Comissão Europeia a que temos direito…

Trump e a esquerda

Qual é o problema da esquerda com Trump? Por Rui Ramos.

Qual é, afinal, o problema das esquerdas com Trump? Trump propôs-se rasgar tratados de comércio, reduzir compromissos militares, aumentar o défice. Não é isso, num mesmo patamar de demagogia, que desejam os inimigos do “neoliberalismo” e da “austeridade”? Muitos eleitores da esquerda americana não viram onde estava o problema, e votaram Trump. São racistas, diz-se agora. Mas em 2008, quando elegeram Obama, também foram racistas?

25 de Novembro de 2016 na Venezuela

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Hungry Venezuelans Flee in Boats to Escape Economic Collapse, por Nicholas Casey (texto) e Meridith Kohut (fotografias).

(…) “I’m leaving with nothing. But I have to do this. Otherwise, we will just die here hungry.” (…)

Espera-se, a todo o momento,  que o governo revolucionário venezuelano coloque em marcha um conjunto de medidas mágicas que resolverá de vez a escassez de bens essenciais e que potenciará os bons resultados do modelo socialista.

 

A esquerda não socialista

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Foto: Ed Alcock / M.Y.O.P.

Quem é Emmanuel Macron? O meu artigo no Jornal Económico sobre o candidato de esquerda não socialista às presidenciais francesas, que pode pôr um ponto final nos preconceitos da esquerda.

A esquerda não socialista

‘La bataille qui est la notre, c’est de rendre les individus capables’

Emmanuel Macron, L’Obs, 10/11/2016

Emmanuel Macron é, a par com François Fillon, a figura política francesa mais interessante do momento. Conselheiro de Hollande, ex-ministro da Economia, Macron foi responsável pela lei com o seu nome que visava desregulamentar a lei do trabalho, mas que caiu porque Hollande e Valls não aguentaram a pressão dos sindicatos.

Macron tem 38 anos e, como lembra a cantora Françoise Hardy, além de cortês é alguém de esquerda que se define como não socialista. É o primeiro de muitos que estão para chegar. Em França, Espanha e em Portugal. A esquerda não tem de ser socialista e Macron está a mostrar o que isso significa. Os efeitos na política francesa serão imensos, agora que as sondagens colocam o PS na mão de Arnaud Montebourg, que é contra a globalização, é proteccionista e tem uma visão da economia que se situa entre Donald Trump e Marine Le Pen.

A 10 de Novembro, o L’Obs publicou uma entrevista com Macron em que este elencava as suas propostas para a lei laboral e para o ensino. Criticando o modelo actual, regulamentador, injusto e ineficaz, que favorece os que trabalham no Estado ou nas grandes companhias, em detrimento dos que o fazem por conta própria ou nas pequenas empresas, Macron propõe uma lei laboral que, não esquecendo o que considera ser essencial para a esquerda, difira de sector para sector de acordo com as suas especificidades. Para ele, diálogo social passa por nem tudo ter de ser prescrito por lei. Empresas e trabalhadores devem ter espaço de manobra para acordarem as regras de trabalho que mais lhes aprazem.

O mesmo raciocínio tem relativamente ao ensino. Neste domínio, defende um tratamento diferenciado entre as escolas, com o Estado a compensar financeiramente os professores que queiram leccionar nos estabelecimentos situados em zonas sensíveis. Ao mesmo tempo, suprime a carta escolar e o determinismo que o local de residência tem na escola que um aluno deve frequentar. O direito de escolha dos indivíduos é finalmente aceite por alguém de esquerda.

As presidenciais francesas vão ser muito importantes devido à possibilidade de Marine Le Pen vencer. De acordo com as últimas sondagens, esta dificilmente não passará à segunda volta, a não ser que Emmanuel Macron se consiga explicar. Se o fizer, a esquerda, depois de Hollande, Tsipras, Corbyn e Iglésias, verá, finalmente, uma luz ao fundo do túnel.

Christophe Guilluy é um geógrafo francês que alertou há dias na Le Point para a percepção comum de abandono que trabalhadores, agricultores e empregados de escritório, que tanto votam à esquerda como à direita, têm dos problemas. O sentimento de abandono puxa-os para a extrema-direita. E neste desafio de os fazer regressar, Macron à esquerda, tal como François Fillon à direita, pode ter um papel fulcral. Esperemos que consiga.

Católico e liberal

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«Je suis profondément laïque dans ma conception du pouvoir, mais j’ai un engagement religieux, j’ai une foi et je n’accepterai pas que l’État m’empêche de la pratiquer»
François Fillon, Le Point, 23/08/2016.

Caso Fillon seja o candidato da direita às presidenciais francesas muito se falará do seu liberalismo económico e do seu catolicismo. É possível ser-se liberal e católico? A resposta está aí em cima.

A violência simpática da esquerda que nos salva da barbárie

O meu texto de hoje no Observador.

‘Apoiar assassinos, ditadores, protoditadores e catalisadores de pobreza generalizada, sendo estes de esquerda, é bom. Visitar um evento na única democracia decente do Próximo Oriente é mau.

Vai daí, um blogue anarquista decide punir o chefe português provocador que ousou associar-se ao extorsionário cubano, perdão, aos guerrilheiros terroristas colombianos, perdão, (muito pior!), aos israelitas. Fizeram muito bem. Pintalgaram-lhe o restaurante de tinta encarnada. É para o chefe aprender. Deixo aqui a justificação do ato:

‘O vermelho que escorre no vidro é o sangue que Avillez avilta com a sua colaboração culinária. A cola que veda a fechadura é a fome provocada que Avillez quer gourmet. As ementas recheadas de realidade são a face visível de que ‘o destino das nações depende da forma como elas se alimentam.’

Eu não percebi nada do que queriam dizer, ofereço um bombom a quem traduzir a algaraviada, mas em boa verdade as sequências de palavras e frases vindas das pessoas de extrema-esquerda costumam gritar falta de lógica formal e conteúdo revelador de um autor com QI aí, no máximo, 79. Pelo que não me espantei. Como de resto considerei a lambuça pretensiosa a armar ao poético refrescantemente consistente com o que esperamos da extrema-esquerda. Gosto sempre que não me desfaçam as desilusões.

E o chefe nem pode argumentar que não estava avisado, que estes anarquistas, perdão, anjinhos, que destroem propriedade privada são leais e avisam atempadamente o mundo das consequências das suas aleivosias. Depois do chefe ter ignorado os avisos feitos na ‘imprensa dos monopólios’ (e quem ousa ignorar avisos de maluquinhos deste calibre?), os criminosos, perdão, os justiceiros decretaram ‘que não nos encheu os olhos, deixando um travo amargo nos nossos estômagos de poetas, que apenas um copo de ação direta – essa forma máxima de poesia – mitigará’. Mais uma vez não se percebe nada, mas dá para rir com o estilo de escrita adolescente. E para nos questionarmos se os ‘estômagos de poetas’ não estarão a necessitar de transplante à conta da ingestão de comprimidos com substâncias alucinogénias.’

O texto completo está aqui.

Polícia chavista em grande plano

Pela captura e exibição do inimigo número 1 da Venezuela, apanhado na posse de cinco abóboras ogivas nucleares, com as quais pretendia destruir o caminho de glória do socialismo.

venezuela

A derrota do populismo

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A vitória de François Fillon não é apenas uma surpresa ou uma vingança do ‘colaborador’, como o chamava Sarkozy. Fillon é a personificação do político rigoroso e sério que os novos tempos pareciam ter posto de parte. É um anti-Sarkozy, um anti-Trump, como tantos referiram ontem, em França.

É também mais um xeque ao presidente que ainda contava com a probabilidade de se defrontar com Sarkozy e, dessa forma, se manter mais 5 anos no Eliseu.

Uma surpresa, não só por Fillon não ter sido apontado como favorito pelas sondagens, mas porque o seu programa, sendo de mudança, não choca nem é populista. A França está em crise e os franceses, ao contrário do que se julga à primeira vista, não estão resignados. Há anos que se discutem as razões para o sucedido e as soluções que os tirem da situação onde se encontram. Sarkozy e Hollande foram duas decepções porque não estiveram à altura dos desafios. A expectativa é que à terceira seja de vez.

Quem diria que seria de França que se veria o primeiro sinal de bom senso, direcção e rumo num Ocidente que parece virado do avesso.

Sim, podemos

Foto: EFE
Foto: EFE

La gran incoherencia de Podemos: hijos de la ‘casta’, especuladores y millonarios

Los líderes de la extrema izquierda española son comunistas, pero su ideología no se corresponde con la dolce vita de la que disfrutan. (…)

La moraleja de todo esto es clara: vive como tú quieras y deja que los demás vivan como tú quieras también. Y, sobre todo, haz lo que yo diga, no lo que yo haga.

Episódio de uma teocracia exemplar

cool

As leis são para cumprir na terra dos Ayatollahs. Yaser Mosibzadeh, Saheb Fadayee e Mohammed Reza Omidi estiveram presos por ofensas às leis da religião da pás. Saíram da prisão após o pagamento da fiança, detalhe que não impede a execução do resto da sentença – 80 chicotadas, em espectáculo público.

Ninguém os manda converter ao cristianismo, blasfemar nem beber o vinho da Comunhão no Irão moderado.

Episódio de uma democracia popular

A face visível do comunismo, versão chinesa.

Nacionalizado ao Romeu Monteiro.

Steve Bannon sobre cristianismo e capitalismo

How Donald Trump’s chief strategist thinks about capitalism and Christianity

Soon after winning the election, President-elect Donald Trump created waves of controversy by naming Steve Bannon, his former campaign CEO, as chief strategist and Senior Counselor in the new administration.

Yet while Bannon’s harsh and opportunistic brand of political combat and questionable role as a catalyst for the alt-right are well-documented and rightly critiqued, his personal worldview is a bit more blurry. Much has been written of Bannon’s self-described “Leninist” political sensibilities and his quest to tear down the GOP establishment, but at the level of more detailed political philosophy (or theology), what does the man actually believe?

Offering a robust answer to that question, BuzzFeed recently unearthed a transcript from an extensive Skype interview Bannon gave to a conference held inside the Vatican in 2014. Though the topics range from ISIL to Russia to the racial tensions within the conservative movement, Bannon spends the bulk of his initial remarks on the intersection of economics and Christianity, offering what’s perhaps the most detailed insight to Bannon’s own thinking that I’ve found.

Given the growing mystery of the man and his newfound position of influence in the next administration, it’s well worth reviewing his views on the matter.

Nojo

Violadores de crianças, casai-vos com as vítimas. Assunto arrumado.

Turkey’s governing party has sparked an outcry after putting forward a bill that would pardon up to 3,000 child rapists if the perpetrator married his victim.

Critics have warned that such a law would encourage sexual abuse, while the government has defended the bill as an attempt to deal with legal complications arising from child marriage.

The controversial proposal would apply to statutory rape cases without use of “force, threat, or any other restriction on consent” involving girls aged 15 or younger.

Men convicted in such cases between 2005, when a similar law was abolished, and Nov 16 this year would be eligible to have their sentences “deferred” if they married their victims.

In case of a divorce that is the “fault of the perpetrator”, the sentence would once again come into effect.

The bill — which was brought forward by President Recep Tayyip Erdogan’s conservative AKP — was approved on Thursday night, but did not reach the number of votes required for it to be passed into law. Parliament will vote on the proposal again on Tuesday.  (…)

As presidenciais francesas

Porque é minha intenção acompanhar as presidenciais francesas da melhor forma que me for possível, não posso deixar de, antes de mais nada, revelar as minhas preferências:

  1. François Fillon;
  2. Emmanuel Macron, e
  3. Alain Juppé.

François Fillon, além de ser o mais liberal, é o único que não esqueça o combate ao défice das contas públicas e ao endividamento crónico do Estado. Fillon, ao contrário dos outros candidatos (à direita o pior de todos nesta matéria é Sarkozy), não se tem esquecido de afirmar que com endividamento não há recuperação económica.

Até muito recentemente Fillon tem surgido em 3.º nas sondagens das primárias à direita, logo, de fora da segunda volta (que terá lugar a 27 de Novembro) e, por esse motivo, uma carta fora do baralho. No entanto, as últimas sondagens indicam o contrário: Fillon pode bater Sarkozy na primeira volta e Juppé na segunda. Se tal acontecer, será o candidato da direita contra Macron, Le Pen e quem quer que os socialistas apoiem.

 

Sobre o alarmismo anti-Trump

Casa Branca 2016: Afinal, o “sistema” não estava “viciado”. Por João Carlos Espada.

Não há por isso, em meu entender, motivo para todo este alarme que vai por aí.

Em primeiro lugar, não vejo motivo para auto-críticas do chamado “establishment” que era contra Trump: o facto de alguém ganhar eleições não implica que todos os derrotados passem a concordar com ele. Apenas têm de aceitar a derrota e… continuar a criticá-lo, se acharem que ele merece ser criticado. Só nas ditaduras é que a vitória de um candidato implica a unanimidade nacional em torno do vencedor.

Pelo mesmo motivo, em segundo lugar, são descabidos os ataques ao presidente eleito que o descrevem como fascista e que anunciam a iminente conversão da América ao fascismo.

Esses ataques com efeito fazem recordar os ataques que as esquerdas americana e europeia lançaram contra Ronald Reagan, em 1980. Também nessa altura foi dito que o presidente eleito era ignorante, populista e até mesmo fascista. Reagan provou ser um grande presidente. E, com Margaret Thatcher, derrubou pacificamente o comunismo, promovendo uma ordem mundial fundada no comércio livre e inspirada pelo ideal democrático.

O dedo na ferida

Interessante entrevista de um homem polémico em França. Que os seus avisos de hoje não sejam as nossas lamentações amanhã.

If everyone is Hitler, then no one is Hitler (2)

Uma ajuda imprescindível para compreender o “debate” na generalidade da comunicação social portuguesa (e não só!…).

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Every Republican Presidential Candidate Is Hitler

McGovern had set a record for comparing Nixon to Hitler, which made him very popular with the left, but he hadn’t originated it. Comparing any Republican presidential candidate to Hitler had been a standard Democratic political tactic for some time no matter how inappropriate it might be.

Before McGovern was comparing Nixon to Hitler, he was comparing Barry Goldwater to Hitler. Goldwater had a Jewish father and a distaste for Socialism, which would have made him unwelcome in the ranks of the racially and politically pure National Socialists, but that didn’t stop the Hitler accusations from being hurled by the Democratic party and its political allies in the press.

Governor Pat Brown of California said, “Goldwater’s acceptance speech had the stench of fascism. All we needed to hear was Heil Hitler.” Mayor Jack Shelley of San Francisco claimed that Goldwater strategists got all their ideas from Mein Kampf.

Even though Goldwater had been an early NAACP member, NAACP leader Roy Wilkins warned, “Those who say that the doctrine of ultra-conservatism offers no menace should remember that a man come out of the beer halls of Munich and rallied the forces of rightism in Germany. All the same elements are there in San Francisco now.”

Leitura complementar: If everyone is Hitler, then no one is Hitler.

If everyone is Hitler, then no one is Hitler

Seguindo uma tradição com décadas na esquerda, o novo Presidente dos EUA já foi oficialmente declarado como o “novo Hitler”. Como em todos os casos passados, quem se atreva a colocar em dúvida a nova verdade oficial chamando a atenção para factos e argumentos só pode ser, naturalmente, um fascista.

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(via Daniel Hannan)

#EleiçõesEUA2016: dividir uma América dividida

Com a eleição de Donald Trump para a presidência dos EUA, reanimaram os esforços de secessão na Califórnia e Oregon. O mesmo tinha acontecido no Texas durante o governo de Barack Obama.

Em qualquer democracia haverá sempre descontentamento nos governantes. Até mesmo de quem neles votou. Nestas eleições americanas mais de metade dos eleitores (cerca de 53%) não votou em Trump (apesar de contagem dos votos não estar ainda finalizada, Hillary Clinton, a candidata democrata, obteve uma ligeira vantagem sobre o adversário republicano e os representantes dos restantes partidos obtiveram quase 5%). É caso para dizer que a América (EUA) está dividida. Mas isso não é novidade. Mesmo durante a presidência de Obama (que ganhou com maiores diferenças de votos) o sentimento era semelhante.

Se por vezes numa reunião de condomínio há dificuldades de entendimento imaginem então um “condomínio” de milhões!

Como refere o artigo linkado acima, conseguir a secessão da Califórnia é extremamente difícil. Mas seria o melhor para todos. É que, a acontecer, nenhum candidato democrata conseguiria, num futuro próximo, vencer as eleições presidenciais sem os 55 votos do colégio eleitoral atribuídos àquele Estado (passava a ser necessária uma maioria de 242 votos do colégio eleitoral, em vez dos actuais 270). E isso significaria a saída de ainda mais Estados “democratas”, o que só ajudaria a reduzir o número de descontentes em cada eleição presidencial.

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Se processo constitucional de secessão nos EUA é complicado/improvável/impossível, a redução dos poderes presidenciais já não tanto. Os californianos deviam é começar por defender a eliminação de muitos dos departamentos (“ministérios”) federais como, por exemplo, a Educação, Transportes, Habitação, Segurança Social, Saúde, etc. Em contrapartida, cada Estado implementava soluções governativas diversas, contribuindo para a melhoria da democracia americana ao limitar poder do presidente e, consequentemente, atenuando o descontentamento actual. Mas tal nunca será bem visto por estatistas.

PS: Reduzindo-se o tamanho do “condomínio” americano, diminuíam os conflitos. Sim, mas porquê ficar no nível estadual? Até mesmo dentro da Califórnia há “divisões”. Veja-se a distribuição dos votos vencedores por condado.

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A culpa já será do Trump?

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Juros da dívida entram na “zona de perigo” da DBRS

Juros voltaram a superar a fasquia dos 3,5%, reentrando no intervalo em que o nível de preocupação da agência DBRS aumenta. A partir dos 4%, agência já disse que ficará desconfortável com o “rating”.

A Fortaleza Europa

Augusto Santos Silva afirmou hoje que os valores da Europa são contrários a deportações em massa. Percebe-se. Na Europa privilegia-se o impedimento da entrada. Daí as vedações na Grécia e na Bulgária, os campos de prisioneiros na ilha de Lampedusa, e os inúmeros cadáveres no fundo do Mediterrâneo.