Fake News

A AFP errou. Aparentemente publicaram uma notícia debaixo do título de “#BREAKING More than 100,000 children in migration-related US detention: UN” que era fake. Afinal, após clarificação pelo autor do estudo, concluiu-se que esse número dizia respeito ao total número de crianças detidas por questão relacionadas com migração em 2015 – não sei se não é novamente fake e o número se refere às detenções desde 2015. “We will delete the story”.

2019-11-20 09_42_49-(1) AFP news agency on Twitter_ _AFP is withdrawing this story. The author of th

A AFP é transparente com o seu erro, e isso é de aplaudir.

Pessoalmente, no entanto, preferiria uma rectificação na história original. É que abre-se aqui o flanco para teorias das conspiração que não ajudam nada ao estado de desconfiança para com os media: então o relatório era notícia se fosse debaixo da acção de Trump, mas já não vale se afinal foi nos tempos de Obama? É certo que há um valor no “BREAKING” da notícia, ou seja se os dados se referirem a uma situação actual isso pode ter valor diferente do que um relatório sobre uma situação de há 4 anos. Mas dadas as circunstâncias de se ter publicado, não seria de manter a notícia no ar, devidamente corrigida?

A imprensa está debaixo de fogo constante nos tempos que correm. Narrativas de conspiração são muito mais fáceis de construir com deslizes deste tipo.

Between a rock and a hard place (2)

blue and yellow round star print textile

O problema do Reino Unido continua bicudo. Depois de repetidamente ter rejeitado o acordo de saída negociado por Theresa May, o parlamento britânico está agora a debater o acordo de saída negociado por Boris Johnson. A diferença entre os dois é essencialmente que no primeiro o cenário por defeito (isto é, na falta de um acordo comercial de acesso ao mercado único) seria uma união aduaneira RU-UE para garantir a continuidade da fronteira aberta entre a República da Irlanda e a Irlanda do Norte. No segundo, essa fronteira continua aberta através de um truque ilusionista que torna a Irlanda do Norte parte de uma união aduaneira britânica de jure, mas na verdade parte de uma união aduaneira com a UE de facto. Ou seja, o cenário por defeito do acordo negociado por Johnson é uma saída sem acordo a prazo (após o final do periodo de transição previsto até ao fim de 2020) para a Grã-Bretanha e uma união aduaneira com a UE para a Irlanda do Norte. Há um provisão que permite ao parlamento local em Belfast terminar essa ligação, mas não é previsível que tal aconteça tendo em conta o equilíbrio de forças entre nacionalistas, unionistas e outros.

Para tornar a coisa mais indigesta para a maioria que não pretende um hard brexit (composta pelos que querem permanecer na UE e os que aceitam sair mas querem continuar com uma ligação sólida à UE), o acordo de Johnson exclui cenários de ligação sólida como os que a Noruega ou Suiça têm presentemente, pois define que em situação alguma o Reino Unido fará parte de uma união aduaneira com a UE. Isto significa, em tese, que se o acordo for ratificado agora, havendo depois eleições, o novo governo, se assim o entender, não poderia negociar um acordo para o RU fazer parte da Área Económica Europeia, para dar um exemplo. Evidentemente, nada no mundo das relações políticas é impossível de mudar com tempo, mas o leque de decisões no curto a médio prazo fica bastante limitado com a aprovação do segundo acordo.

É por esta última razão que existe tanta renitência no parlamento britânico em dar luz verde aos planos de Boris Johnson. Na prática, estes são uma saída sem acordo com um periodo de transição até Dezembro de 2020. Não havendo maioria parlamentar para uma saída sem acordo, havendo inclusivamente uma maioria que rejeita essa saída, o plano em cima da mesa é a forma encontrada pelos chamados hard brexiters para levarem adiante a sua vontade. Para o conseguirem, necessitam de somar uma conjunto de apoios que são contraditórios entre si, o que não é fácil. Precisam de prometer vagamente aos trabalhistas disponíveis para apoiar que irão manter determinadas regras laborais da UE, do mesmo modo que precisam de prometer à ala “espartana” dos conservadores que vão eliminar regulações europeias. As duas coisas não podem ser verdade; e é provável que nos próximos tempos essas contradições se tornem transparentes para todos os envolvidos.

Há uma probabilidade significativa de que durante a apreciação do acordo de Johnson no parlamento se formem duas maiorias conjunturais que aprovem emendas que vão contra a vontade do governo. A primeira imporia a existência de uma união aduaneira RU-UE. Depois de tanto tempo seria uma ironia tremenda que saísse aprovado um acordo que no fundo tinha os mesmos efeitos práticos do acordo original de Theresa May. A segunda aprovaria o acordo na condição de o mesmo ser colocado ao eleitorado num referendo, com a alternativa a ser a permanência na união e a revogação do artigo 50. Qualquer das duas emendas seria inaceitável para o governo e para os deputados que o apoiam. Antes de aceitar que isso fosse promulgado como lei, Boris Johnson provavelmente ver-se-ia forçado a retirar o diploma da votação, arrastando a novela.

A incerteza é enorme e há outros eventos que podem forçar uma solução para o impasse. Pode haver um estado membro da UE que vete o adiamento do prazo limite do artigo 50. Johnson pode aceitar um referendo de ratificação do seu acordo, apostando que consegue impedir os remainers de desfazerem o resultado do primeiro referendo. A oposição pode chegar a um acordo para colocar um governo de transição que negoceie um soft brexit, liderado por Jeremy Corbin, se o liberais democratas e os ex-conservadores cederem, ou por uma figura independente sem ambições de ficar no cargo, por exemplo Kenneth Clarke, se os trabalhistas cederem.

 

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Social Credit System chega à América

Uh-oh: Silicon Valley is building a Chinese-style social credit system

In China, scoring citizens’ behavior is official government policy. U.S. companies are increasingly doing something similar, outside the law.

SesameCredit.jpgEste artigo depois descreve em detalhe como seguradoras podem fazer os prémios cobrados depender de fotos nas redes sociais, o software de um bar pode recusar entrada a um cliente que tenha dado problemas num outro bar a milhares de quilómetros de distância, os condutores Uber agora classificam passageiros, e claro podem ser excluídos de redes de comunicação como WhatsApp, Facebook, …

O que fica a faltar é um acordo entre os grandes (Google, Apple, Fb, Amazon, Microsoft,…) para fazer um sistema como o Chinês para nos excluir a todos (sim, ler este blog vai dar uma pequena penalização por cada dia de acesso) de fazer actividades como: compras on-line, compras em lojas com cartão Visa ou MasterCard, aceder a Netflix ou tv cabo, usar um smartphone, …

Fiquem agora com uma pequena descrição do sistema chinês, e por inerência do que nos espera no futuro se no ocidente não houver oposição suficiente ao sistema.

In China, Your Credit Score Is Now Affected By Your Political Opinions – And Your Friends’ Political Opinions

China just introduced a universal credit score, where everybody is measured as a number between 350 and 950. But this credit score isn’t just affected by how well you manage credit – it also reflects how well your political opinions are in line with Chinese official opinions, and whether your friends’ are, too.

 

 

Universidade atribui bónus de 10 pontos a um dos sexos. Adivinhe qual…

Um dos sexos está a ser beneficiado por uma universidade de Sidney para conseguir atingir a paridade entre os seus candidatos. Quem será o beneficiado? Qual será o sexo que está a ser beneficiado e qual é o que está a ser vítima de discriminação? Qual será o sexo fraco que precisa de benefícios e qual será o sexo forte que tem de entrar na universidade apesar de ser prejudicado?

University of Technology Sydney makes 10-point adjustment in hope to address gender imbalance in engineering, computing and construction

O que será um maior risco para uma pessoa que entre num arranha-céus em Sidney em 2119: uma torre construída por uma mulher com 20 pontos de benefício (imagino que não se fiquem por aqui), ou um sismo? Outra questão: quanto tempo mais até ser proibido divulgar o sexo (ou o nome) de quem desenhou um prédio na Austrália, por isso “potenciar discriminação de género”?

Notícias por várias perspectivas

Site All Sides

Há já algum tempo que acompanho as notícias sobre a política americana pelo site “All Sides”, cuja proposta de valor é simplesmente classificar todos os principais media em 5 categorias (duas de esquerda, uma central, e duas de direita) e depois apresentar todas as histórias na sua página com os cabeçalhos as 3 perspectivas (esquerda, centro, direita) e permitir às pessoas seguir os links para poderem ler a história completa se tiverem essa inclinação.

Recomendo para quem quiser ver como a perspectiva sobre uma mesma história pode ser tão diferente. E, claro, para quem quiser ter uma melhor visão da política americana do que a proporcionada por Luís Costa Ribas e outros sovietes de serviço.

Ficam alguns exemplos do que podem encontrar:

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Gloria Alvarez, Universidade Francisco Marroquín, e como avançar o Liberalismo

Hoje estive no lançamento do livro Juntos Somos Quase um 31 na FNAC e na Casa do Vinho Verde, e uma das conversas que surgiu foi sobre a única mulher que aceitou participar no livro das que foram convidadas: Gloria Álvarez.

Conhecendo a Gloria dos tempos em que eu participava em conferências de jovens por toda a Europa, creio que há aqui uma história que interessa contar pela lição que pode passar para Portugal: é que a Gloria não surgiu por acaso, sendo o resultado de um processo que interessa conhecer e divulgar.

Manuel Francisco Ayau nasceu na Guatemala em 1925 mas prosseguiu os estudos nos EUA onde em 1950 se formou como engenheiro mecânico pela Louisiana State University. Nesse período na América contactou com o mercado livre e achou que o socialismo tão presente nas economias latinas em geral e na da Guatemala em particular mantinha estes países subdesenvolvidos. Assim, em 1959 funda na Guatemala o CEES – Centro de Estudos Económicos-Sociales (wiki, site) para “estudar e difundir as ideias da liberdade”. Em 1971 funda a Universidade Francisco Marroquín, uma universidade privada e secular com o objectivo de “ensinar e disseminar os princípios éticos, legais e económicos de uma sociedade de pessoas livres e responsáveis”. Milton Friedman considerou esta uma das universidades líderes na América do Sul e no IREF considerava-se esta como a maior fonte de liberais na América Latina.

Foi assim que eu conhecia a Gloria no Liberty Seminar 2009 do IREF, em Leuven (Bélgica), onde ela se destacava como uma das melhores participantes do evento.
A apresentação dela foi focada na literatura que ela considerava importante (uma boa seleção, vários dos quais ela tinha levado na mala) e no caso concreto de como criar um grupo de jovens enérgicos e liberais, baseado no caso da Guatemala e da Universidade Francisco Marroquín.

Gloria Alvarez.JPG(ela é a 2ª na foto, eu sou o 6º)

Na altura fiquei amigo dela de Fb (perfil pessoal) e tenho também seguido a página profissional dela. É incrível como ela e o seu grupo têm crescido desde 2009. Criou o programa rádio, o podcast, 3 livros e em 2019 será candidata a presidente da Guatemala!
Os livros são uma leitura interessante: um é sobre o engano esquerdista e como o seu canto de sereia seduz os incautos, o 2º é sobre como falar com um progressista, e o 3º é como falar com um conservador – para os trazer para o Liberalismo.
Vejam a página profissional dela: está cheia de vídeos explicativos, analogias úteis e argumentos que podem usar nas vossas discussões pessoais. A maioria em Espanhol.

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As ideias contam. A sua transmissão conta. A caneta é mais forte que a espada.

Resultados Eleitorais: Europa & La La Land

Por toda a Europa, os cidadãos já acordaram para o lero lero do Socialismo: Gente rica, sempre a mesma, a pedir cada vez mais, para depois distribuir a seu belo prazer. Dizem que é pelos pobres, pelas crianças, e mais recentemente pelos cãezinhos. Na verdade é pelos amigos, pelos propagandeiros (“jornalistas”) e pelos grandes grupos económicos (hoje alinhados com a esquerda e a imprensa; o último foi o Pingo Doce, que hoje também já pode abrir no 1º de Maio e ter sede na Holanda sem a mínima crítica nos media). Um discurso “correcto” e “amigo” permite todo o tipo de abusos e roubos.
Itália e Grécia já arrepiaram caminho, mas nós na Ibéria é que continuamos a acreditar nos unicórnios, nas fadas e nos cantares da revolução.

Eu dizia “acordem”, mas creio que ou vamos pelo caminho alemão (inflação de Weimar tornou aquele país imune a esses erros), ou pelo caminho grego (Syriza já perdeu o lustro), ou teremos de passar por mais um ciclo PS – Bancarrota – PSD. Parece que este povo só aprende com catástrofes, e entretanto até conseguimos ver os socialistas a envelhecer perante os nossos olhos. Parece que é o nosso Fado.

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