2016 EYC Freedom Summit – Porto

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A quinta edição da EYC Freedom Summit começa hoje no Porto e serei um dos oradores convidados num painel que terá lugar amanhã de tarde e onde se discutirá a relação entre conservadorismo e liberalismo.

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Narcosoe

A deliciosa vida política de Pedro Sánchez, o grande líder do PSOE.

 

Quão miserável é Corbyn

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O fim de um partido? por Paulo Tunhas, n’ Observador.

(…) Corbyn representa, como se sabe, a “esquerda dura” do trabalhismo, no seguimento do seu mentor Tony Benn, que, de resto, começou na ala direita do partido. As tradições são o que são, e a “esquerda dura” trabalhista tem uma longa tradição e sempre foi mais ou menos activa. Mas esta nova encarnação vegetariana, abstémia e pacifista oferece um radicalismo que não parece ter tido antes uma tão plena oportunidade de se manifestar na chefia partidária. E Corbyn anda bem acompanhado, como por exemplo por um seu importante e muito próximo ministro-sombra, John McDonnell, que recentemente se recusou a pedir desculpa por ter apelado ao linchamento da deputada conservadora Esther McVey. McDonnell tem de resto uma longa história no capítulo: em 2003 elogiou, lembra a Economist, “as bombas, as balas e o sacrifício” do IRA.

O velho radicalismo da “esquerda dura” trabalhista – nacionalizações extensas, desarmamento nuclear unilateral, eliminação das bases americanas, anti-europeísmo manifesto ou mais ou menos disfarçado, etc. – encontra-se devidamente complementado em Corbyn por outras posições próprias ao presente. Tal como o antigo mayor de Londres, Ken Livingstone, Corbyn elegeu Israel como o seu ódio de estimação. Defendeu, por exemplo, os autores do atentado bombista de 1994 à embaixada israelita em Londres. E, naturalmente, é dotado de uma vasta complacência para com o islamismo radical. Corbyn, de resto, e só superficialmente há incoerência nisto (é unicamente Israel que se quer atacar), não vê grande diferença entre Israel e o Estado Islâmico.

A nova mentira

O meu artigo no ‘i’ é sobre a arte dos novos mentirosos.

A nova mentira

A “Economist” tinha há dias um artigo sobre a nova arte da mentira na política. Se, até agora, um político mentia falsificando a verdade, actualmente o que sucede é que a verdade se tornou secundária. Um político que mente já não quer convencer os outros da existência de um mundo paralelo, mas realçar os sentimentos das pessoas em detrimento dos factos.

A revista menciona Donald Trump. Neste jornal, dou o exemplo do nosso governo. Porque o que temos presenciado é uma tentativa sistemática de desvalorizar factos realçando intentos, propósitos, com base em impressões. A aposta na susceptibilidade das pessoas, nos seus sentimentos e vontades que, se devidamente alimentados, como que validam dados incorrectos, baralhando a verdade que se desfigura ao ponto de se tornar irreconhecível.

Assistimos a isso todos os dias na forma como o primeiro–ministro deprecia as críticas, de modo a que a jocosidade substitua a verdade como tema da discussão, que se torna rasteira. Vemo-lo quando afirma que a execução orçamental vai bem apesar de o OE 2016 ter sido feito com base num crescimento do PIB superior ao alcançado. E também no debate quinzenal no Parlamento da semana passada. Aqui, Costa apresentou gráficos sobre a economia e as exportações, sem indicação de fontes, de tal forma enviesados que, em vez de se debater o tema em si, se discutiram os gráficos. A verdade remetida para segundo plano. Para que interessa a verdade se baralhamos os dados, lançamos poeira e saímos de fininho?

Lindos e sem make-up

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PCP e Rússia, no Avante.

(…) Na explosiva confrontação em curso, o capitalismo russo não pode prescindir do legado da época soviética. Mas as contradições entre a política interna e externa da Rússia, expressão da complexidade da luta de classes, continuam a pairar perigosamente sobre o futuro do país da Revolução de Outubro no século XXI.

First Presidential Debate – Trump vs. Clinton

FULL Presidential Debate – Donald Trump vs. Hillary Clinton

Trump e Clinton: os candidatos menos estimados de sempre

Trump e Clinton: não podem perder os dois? Por Rui Ramos.

Quais são as suas hipóteses? Trump e Clinton são os candidatos menos estimados de sempre. A esperança de cada um deles é que o rival inspire um pouco mais de repulsa. Desenvolveram, por isso, uma original sociedade de demonização mútua. Para Trump, Clinton é corrupta e mentirosa; para Clinton, Trump é racista e imita Putin. Ambos sabem que, sem o outro, já estariam fora de jogo. Perante um candidato republicano menos afectado por demagogia, Clinton já teria sido vítima da desconfiança que suscita; perante um candidato democrata sem tanta bagagem de escândalos, talvez Trump tivesse parecido demasiado arriscado para subir tão alto.

Uma história que nos explica a Europa

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Porque estamos num canto da Europa sabemos pouco da Europa. Até podemos saber alguma coisa pelos livros, mas temos pouco contacto com a diversidade cultural deste continente, que se pode agora atenuar com a chegada de estrangeiros. Outro dia um notário contou-me um episódio engraçado que aconteceu no seu cartório.

Um casal de dois homens holandeses de mais de 1m90 ia comprar uma casa a um italiano de metro e meio. Os dois holandeses pouco abriam a boca enquanto o italiano falava por eles. A determinada altura os holandeses, muito fleumaticamente, referiram-se ao cofre que existia na casa. É que esse cofre tinha uma lâmpada com uma pilha que durava 5 anos. Ora, como a casa tinha três anos, a pilha duraria mais dois. Após alguma pesquisa eles souberam que uma pilha como aquela custava 25 euros. Assim, queriam deduzir cerca de 10 euros no preço total de compra que rondava os 200 mil.

Enquanto eles falavam o italiano ia abrindo os olhos de espanto. Levantou-se de repente e começou a barafustar dizendo que aquilo era inaceitável. Para um latino raiava a falta de educação, mas os holandeses, imperturbáveis, mantiveram-se na sua. Como o meu amigo notário tem jeito para contar histórias foi com dificuldade que deixei de rir imaginado o italiano baixinho aos saltos enquanto os outros dois continuavam sentados muito direitos nas cadeiras como se nada fosse com eles.

Mas o que interessa tirar daqui é a diferença cultural. Holandeses e italianos. Séculos de história em comum e se ainda têm surpresas como esta quando assinam um contrato, como não será nas reuniões da UE? A Europa é isto: diversidade, desentendimentos, murros na mesa, gritaria e guerras. Podemos conhecê-la dos livros, mas nada melhor que senti-la na pele para a compreender.

Guterres e Durão Barroso

Se Guterres vier a ser SG da ONU, vai ser engraçado assistir às explicações sobre a relevância de ter um português nesse cargo de prestígio por parte daqueles que, durante anos, insistiram na irrelevância de ter um português na presidência da Comissão Europeia.

– Alexandre Homem-Cristo, via Facebook.

As razões pelas quais o socialismo fracassa

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Una guía para principiantes sobre la economía socialista, de Marian L. Tupy.

Para acompanhar

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Os descontentes com os partidos socialistas podem e devem reservar na sua agenda o final da tarde de 7 de Outubro (uma Sexta-feira). O motivo é nobre e trata-se da primeira Iniciativa Liberal Unconference, subordinada ao tema The future of the european project: Portugal’s role, que terá como convidado Hans Van Baalen,  Presidente do ALDE  e  moderação assegurada pelo Nuno Roby Amorim.

Mais informações e incrições na página do evento.

Leitura complementar: Manifesto Liberal Portugal 2016.

 

O recurso do Lula

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A lula (ou calamar), ao contrário de outros animais do mesmo filo, não possui uma casca externa dura, mas um corpo externo macio e uma casca interna. Além disso, fazem parte ainda da classe dos cefalópodes (“pés na cabeça”), um grupo que também inclui o polvo, o choco e o náutilo.[1] A maioria das lulas não tem mais que 60 cm de comprimento, mas já foram identificadas lulas-colossais com catorze metros.

Fonte: Wikipédia.

De “um novo modelo de desenvolvimento” a “evitar um segundo resgate”

Já só queremos perder por poucos? Por Paulo Ferreira.

Se o governo reverteu uma série de medidas dos últimos anos, mudando a estratégia da política económica e orçamental, à espera de obter resultados e benefícios que tardam em aparecer, alguma coisa está a falhar.
Confirmamos isso quando ouvimos o ministro das Finanças admitir que evitar um novo resgate é a sua “principal tarefa”.

Ora, isto é uma mudança radical no principal objectivo do governo. De “um novo modelo de desenvolvimento” passámos para “evitar um segundo resgate”. Achamos que já não conseguimos ganhar e entrámos na fase de tentar perder por poucos? A última vez em que o grande objectivo da governação passou a ser evitar o desastre e fazer o controlo de danos possível foi em 2010. E não correu bem, como sabemos. O país dispensa a repetição do filme mas o caminho está a tornar-se cada vez mais estreito e a margem de manobra cada vez mais escassa.

Clinton ‘Basket of Deplorables’ Remark

Clinton ‘Basket of Deplorables’ Remark Draws Fire

Trump: Clinton ‘Mocks and Demeans’ Americans

Campaign 2016 updates: Republicans pounce upon Clinton ‘deplorables’ remark. She apologizes. Sort of.

The consequences of Clinton’s ‘deplorables’ and Obama’s ‘clingers’

Socialismo, versão africana

Foto: : NEWSSCAN
Foto: : NEWSSCAN

Quase quatro metros de Robert Mugabe.

(…) “I wanted to make it as big as possible,” he said. “This is our number one so I wanted to give it a strong impression.”

But his work was ridiculed by Zimbabweans on social media, who characterised it as: “Superman in the style of The Simpsons”.

Others suggested that Mr Benhura had committed “career suicide”. “The poor chap is probably at Chikurubi prison by now,” another wrote, referring to Zimbabwe’s best-known jail.

The unveiling came after Patrick Chinamasa, the Zimbabwean finance minister, completed a tour of Europe in a bid to secure agreement for an International Monetary Fund bail-out. The government has also announced a plan to axe 25,000 public sector jobs.  (…)

9/11 2016

How the 9/11 attacks would have been reported based on how Islamic attacks are reported now ….

911

Merkel, a AfD e o rumo da Europa

O meu artigo de hoje no Observador: Em busca de alternativas para a Europa.

Numa União Europeia mais preocupada com a “harmonização” fiscal — expressão de código para eliminação da concorrência e maximização do saque fiscal — do que com os europeus não surpreende o ressurgimento dos nacionalismos e, em alguns casos, a ascensão de movimentos extremistas.

Mao Zedong: ‘A revolução não é uma festa’

cultural_revolutionMao Zedong morreu fez ontem quarenta anos, e escrevi um texto para o Observador sobre Mao e a sua liderança do Partido Comunista Chinês e da China. Enjoy.

‘Quando na manhã de 9 de setembro de 1976, há quarenta anos, os altifalantes espalhados pelas ruas das cidades chinesas informaram, “com a mais profunda tristeza, que o Camarada Mao Zedong, o nosso estimado e amado grande líder”[i] morrera durante a madrugada, dias depois do seu terceiro ataque cardíaco em quatro meses, os chineses não ficaram surpreendidos. Durante os milénios da história chinesa os fenómenos naturais haviam sido sempre obedientes a informar as populações sobre a manutenção, ou não, do mandato do Céu pelos governantes. Inundações, terramotos e colheitas destruídas? Eram sinal inequívoco de que a dinastia perdera o favor do Céu e que as populações, seguindo os ensinamentos de Mêncio, poderiam substituir os governantes que tinham perdido a virtude.

Ora a 26 de julho daquele ano, um terramoto violento destruíra a cidade de Tangshan, perto (segundo a perceção das distâncias na China) de Pequim, onde também se sentira o abalo. Evidentemente a informação dada à população foi escassa – sobretudo sobre o número de mortos (estimados entre quinhentos e setecentos mil), sobre a incompetência do Exército de Libertação Popular a procurar sobreviventes entre os escombros e sobre as valas comuns onde se enterraram os cadáveres cobertos de lixívia – mas a notícia foi passando, bem como a claríssima mensagem da natureza: a morte de algum poderoso aproximava-se.

Pelo que aquando do anúncio da morte de Mao, o pesar oficial foi registado e o luto público foi estritamente observado. No entanto, para a população chinesa, bem como para a hierarquia do Partido Comunista Chinês, a reação foi mais de alívio do que de dor. A notícia chegava ao fim dos dez terríveis anos da Revolução Cultural – que proporcionou os animadores números de uns estimados (números de Andrew Walder e Yang Su) um milhão e meio de mortos e cem milhões de chineses perseguidos e punidos. A China estava exausta.

A ausência de tristeza e de choros com a morte de Mao foi mais sintomática por ter ocorrido meses depois da morte do primeiro-ministro Zhou Enlai, a 8 de janeiro de 1976. Zhou era tido pela generalidade dos chineses como a imagem da moderação – por oposição a Mao e aos radicais a quem este, a espaços, dava rédea solta para atormentar as populações – se não mesmo do humanismo no meio da loucura da Revolução Cultural. Quando morreu, maciças manifestações foram espontaneamente organizadas pelos chineses (e meticulosamente reprimidas pelas autoridades) em cidades do norte e do sul da China, do litoral e do interior. Coroas de flores acumulavam-se nas praças das cidades, pessoas choravam, e houve até o desafio ostensivo às autoridades com a ocupação da praça Tian’anmen a 4 e 5 de abril, por altura do Festival Qingming (em que tradicionalmente se prestava honras aos mortos), com direito a carga militar sobre os manifestantes.’

O resto está aqui.

(Um dia destes conto a história da fotografia.)

Síria: back to basics XXVII

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Algumas das razões pelas quais o regime de Assad não ganha a guerra, por Mikhail Khodarenok.

Um escudo chamado euro

Os Portugueses já têm um escudo: chama-se euro. O meu artigo no i.

Um escudo chamado euro

Joseph Stiglitz disse há dias que Portugal deve sair do euro. Como Stiglitz é um Nobel da economia que critica as medidas de contenção da despesa com uma linguagem fácil, a imprensa dá-lhe mais atenção que a outros economistas, com um palavreado mais técnico e, porventura, mais aborrecido.

Para Stiglitz, o problema da moeda única é que os países deixaram de poder alterar as taxas de juro e de câmbio para ajustarem as economias. E ficando o BCE limitado à contenção da inflação, não se fixando no crescimento e no emprego, aos Estados restou controlar os orçamentos. Por considerar que tal não é suficiente, Stiglitz diz que Portugal deve sair do euro, dando lugar à política para que se resolvam problemas económicos.

Ora, se erro houve na criação do euro foi com a entrada de países como Portugal e a Grécia. Estes não tinham condições económicas, mas aderiram na mesma. Foi uma decisão política que criou o erro. Uma decisão política como aquela que Stiglitz considera ser capaz de resolver o problema criado.

Se achamos que saindo do euro Portugal encontra o caminho, é porque nos esquecemos que, antes de entrar na zona euro, o caminho era precisamente aderir à moeda única. Este regime estabeleceu-se com esse projecto político. Sair é pôr o regime em causa. É reconhecer que não é possível um desenvolvimento sem salários baixos. É reduzir os cidadãos à vontade ilimitada dos governantes que, quando lhes aprouver, retirarão valor ao nosso dinheiro. Porque o euro é um escudo contra os caprichos dos políticos.

O dilema dos prisioneiros

Há cerca de 10 anos, o comissário europeu alemão Günter Verheugen afirmou que o custo de cumprimento das regulações da união custava às empresas cerca de 600 mil milhões de euros anuais. Na altura, argumentei que com base na regra G > H – L (onde G são os custos da UE, H os ganhos económicos por fazer parte da UE e L os ganhos económicos fora da UE), existiria um ponto a partir do qual os custos de existência da união seriam tais que a lógica para esta existir desapareceria. De certa forma, este argumento foi usado pelo defensores da campanha “Brexit”, ao afirmarem que o Reino Unido teria a ganhar em ficar fora da burocracia europeia. Foi maior o ênfase na questão da imigração, mas o tema do “eurocratas não-eleitos” foi importante no debate eleitoral.

Acontece que esta análise dificilmente pode ser feita de forma tão simples. A regra aplica-se à totalidade da união e não a um estado-membro individual. Os custos de exclusão do bloco, isto é, a diferença entre o cenário de pertença e o cenário de estar de fora (H – L), são maiores na saída individual do que seriam na quota-parte de uma saída de todos. Ou seja, a decisão de saída da UE é um dilema de prisioneiro. Todos os estados-membros poderiam ganhar com a redução dos custos burocráticos caso a UE fosse substituída ou reformada no sentido de manter as suas vantagens e eliminar as suas desvantagens. Mas cada estado-membro perde tremendamente se tomar essa decisão sem coordenação com os outros. A estratégia dominante é permanecer.

Este entendimento tem um corolário potencial preocupante. À medida que a integração económica aumentar, os custos de saída tenderão também a aumentar. Isso liberta a união e as suas instituições no sentido de criarem nova burocracia, com a previsibilidade que a teoria da escolha pública mostra, sabendo que os recipientes da mesma são prisioneiros da união.

Ordem e Progresso

O meu artigo de hoje no Observador: Não teve golpe: o triunfo da ordem constitucional no Brasil

O significado do afastamento de Dilma da Presidência sem ruptura com a ordem constitucional vigente não deve ser subestimado, já que a máquina de poder do PT instalada em torno do Estado foi abrangente, meticulosa e absorvente. Face a essa máquina, só o facto de o Brasil continuar a contar com algumas importantes instituições independentes e com uma vigorosa sociedade civil possibilitou que o processo de impeachment de Dilma Rousseff pudesse decorrer de forma pacífica e ordeira.

Respeito pelas “disposições constitucionais brasileiras”

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Muito bem, neste aspecto, Augusto Santos Silva e António Costa ao não deixarem os pilares extremistas da “geringonça” influenciarem uma vertente fundamental da política externa portuguesa: Costa vai ao Brasil e tem encontro com Michel Temer na quarta-feira

Do ponto de vista diplomático, a linha do Governo português é “afastar-se em absoluto” das questões políticas internas brasileiras, que conduziram à destituição de Dilma Rousseff do cargo de Presidente do Brasil na passada quarta-feira.

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Harmonização fiscal: suicídio económico para países ineficientes

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É certo e sabido. Sempre que sai uma notícia de um qualquer país que oferece condições fiscais vantajosas, como foi o caso do Luxemburgo ou agora da Irlanda, surgem meia dúzia de arautos a exigir harmonização fiscal na União Europeia, e outra meia com iguais teorias que conjecturam entre passas de cigarro, um expresso e dois finos.

Em condições normais e este tipo de atoardas seriam ignoradas, como são ignorados os treinadores de bancada que se queixam do 4-3-3, amplamente penalizador da frente ofensiva quando a equipa pode simplesmente jogar em 4-1-3-2. Basta lá botar um trinco, um 10 e a coisa resolvia-se — sentenciam. Tão simples.

O problema é que muitos destes connoisseurs volta e meia chegam a ministros e deputados europeus, incomodando não apenas quem os rodeia no café, mas todos nós. E, quando assim é, o custo é elevado. Importa, portanto, desmistificar a ideia da harmonização fiscal.

A harmonização fiscal pressupõe nivelar as taxas de imposto entre diferentes países. Quer isto dizer que, a título de exemplo, Portugal, Espanha ou Alemanha teriam, por exemplo, o mesmo IRC. À primeira vista, como quem sentencia aquele pénalti ainda o replay não passou, parece excelente: deixa de haver competição fiscal entre países, as empresas não andam à procura de paraísos fiscais, e vivemos felizes para sempre. Certo? Errado.

Acontece que a harmonização fiscal tem um outro efeito muito simples, mas altamente perverso: torna os países que são mais produtivos, em particular aqueles que têm mais capital humano, muito mais atractivos do que os restantes, drenando (ainda mais) investimento para esses países.

Nota para economistas: não precisamos de modelos complicados para ver este efeito. Consideremos uma função produção Cobb-Douglas que produz um bem Y e que usa três factores de produção, trabalho L , capital K e capital humano H, e tem rendimentos constantes à escala em todos os factores, ou seja, a soma das potências é menor ou igual a 1. Temos ainda tecnologia A que potencía o factor trabalho. Admitamos, por exemplo, Screen Shot 2016-09-01 at 16.13.32

O produto marginal do capital, MPK, isto é, dY/dK, que em equilíbrio será igual à taxa de retorno, r, é igual a

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É fácil ver que a taxa de retorno depende positivamente do capital humano. Tudo o resto constante, países com mais capital humano (logo, menos trabalhadores de mais baixas qualificações) têm taxas de retorno superiores.

 

Resultado: os países menos eficientes, como é o caso de Portugal no contexto europeu, perdem dos poucos factores que justificam que uma empresa venha para cá e não para a Irlanda — é mais barato. Por sua vez, países com trabalhadores altamente qualificados tornam-se, de forma relativa, mais atractivos.

Antecipando o que alguns dirão, que não podemos competir por baixos salários, e não sendo isso falso, a verdade é que a estrutura produtiva de um país não se altera num par de anos, demora décadas. A formação de pessoas mais qualificadas demora tempo, a importação de capital e de tecnologia de ponta demora tempo, pelo que serão alguns anos até que consigamos produzir mais produtos de alta intensidade tecnológica. Até lá, a harmonização fiscal garantiria que demoraríamos ainda mais tempo a fazê-lo. É frequente a esquerda querer, em nome de ideais em que acredita, sacrificar a economia e o crescimento económico. A harmonização fiscal, porém, não é um sacrifício, é suicídio.

Dilma e Temer

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Uma vitória para a democracia no Brasil

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É oficial: Dilma afastada da Presidência do Brasil

Dilma Rousseff é afastada da Presidência do Brasil por 61 votos favoráveis e 20 contrários. Não houve abstenções. Senadores favoráveis ao impeachment cantam o hino nacional brasileiro, enquanto os defensores da ex-Presidente permanecem calados.

Michel Temer vai assumir como Presidente efetivo do Brasil e vai terminar o mandato de Dilma Rousseff até 31 de dezembro de 2018.

Nos nossos Trumps

Apresento-vos Catarina Martins e Jerónimo de Sousa. O meu artigo no Económico.

Os nossos Trumps

Anda meio mundo pasmado com a candidatura de Donald Trump à presidência dos EUA e poucos reparam na estupefacção política que é viver sob os auspícios de Catarina Martins e de Jerónimo de Sousa. E não, não é só a negligência para com erário público. Nesse domínio o PS bate qualquer um aos pontos, já que enquanto os socialistas só querem governar sem que se prestem contas, tanto o BE como o PCP vêem no desequilíbrio das contas do Estado, não apenas uma forma de financiarem a sua base eleitoral, mas um modo de minarem a União Europeia contra a qual sempre se insurgiram.

Perceber Catarina Martins e Jerónimo de Sousa obriga-nos a tomar atenção ao que verdadeiramente dizem. Vejamos bem: relativamente ao Orçamento de Estado para 2017, Catarina Martins disse em Santa Maria da Feira, na passada sexta-feira 26 de Agosto, que “O nosso compromisso é com o fim do empobrecimento”, acrescentando que as “prioridades orçamentais do BE deverão ser o aumento do salário mínimo nacional, a actualização das pensões e das prestações sociais, a justiça fiscal e o combate ao abuso laboral e à precariedade.”

Nesta parte do discurso tomamos contacto com um Bloco do lado dos mais pobres; o BE solidário, o Bloco que combate as injustiças e os interesses. A ovação na sala é imensa. Todos deliram, num daqueles delírios massificados que permite a Catarina Martins, poucos segundos mais tarde, durante a leitura do mesmo discurso, dizer que “a recapitalização pública da Caixa é respeito pela democracia, é respeito pela soberania do nosso país.” Um delírio contagiante invade novamente a sala porque neste momento já não interessam os interesses que os políticos e os empresários dependentes do poder estatal têm na CGD. Já é indiferente que os interesses que alguns portugueses têm na Caixa sejam confundidos com o país e com a democracia. Para Catarina Martins tudo e o seu contrário é possível.

A Catarina Martins que defende os cidadãos, que pugna para que se lhes pague melhor, é mesma que defende que o dinheiro desses mesmos cidadãos seja entregue a um banco utilizado pelo poder político para favorecer empresários que beneficiam com as directivas políticas do modelo de desenvolvimento socialista que Catarina Martins aprova. E se para o PS a Caixa Geral de Depósitos deve ser pública, porque dela precisa para financiar os seus projectos, para a líder do BE, tal como para Jerónimo de Sousa, a razão de ser das suas posições está no objectivo ideológico de, através do banco público, ter os empresários no bolso e ditarem, tal qual sucedia nos regimes comunistas, tal qual sucede na Venezuela, as regras por eles impostas, a que todo o país, sem excepção, se deve submeter.

Donald Trump quer expulsar os imigrantes ilegais criminosos sem que nos diga previamente o que entende por ilegal e criminoso. É atroz. Como é atroz o que defendem Catarina Martins e Jerónimo de Sousa, sob a capa do discurso do político profissional. O líder do PCP está à frente de um partido que domina sindicatos, cujo poder sobre os trabalhadores o PCP não quer prescindir. A capacidade de mesmo assim apresentar um discurso limpo, solidário, desinteressado e responsável impressiona o mais cínico dos homens. Estamos perante um partido que nunca pediu desculpa por ter defendido regimes hediondos como os comunistas. Porque seria diferente agora? Não foi, não é, nunca será.

A facilidade com que esta esquerda discursa e aplaude, julga e celebra, sem contraditório nem consideração pelas suas incongruências, a displicência pela exactidão dos factos, a submissão dos que, num país livre, possam refrear os impulsos das suas vontades, é em tudo igual à verborreia de Donald Trump. O milionário norte-americano preocupa-nos, mas tudo leva a crer que será remetido ao seu lugar no início de Novembro. Já por cá, continuamos a ouvir Catarina Martins, Jerónimo de Sousa e outros que tais, os nossos Trumps, a pregar solidariedade com a mão direita ao mesmo tempo que, com a esquerda, alimentam os interesses que há décadas tomam conta deste país.

… e porque é que em Agosto colapsou?

O mesmo especialista analisa agora o mês de Agosto:

O modo como o povo escolhe os seus líderes/opressores é deveras curioso.