Por terras dos Ayatollahs

Imagem: Atta Kenare/AFP/Getty
Imagem: Atta Kenare/AFP/Getty

Depois de chafurdar no jornalismo de referência reverência português, nada como um banho de realidade em que a liberdade de expressão lhes sai do corpo.

Récit de la répression contre la liberté de l’information en Iran depuis le 1er janvier 2017

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Mas já não sobra nada entre o politicamente correto histérico e a boçalidade?

O meu texto desta semana no Observador.

‘A culpa primeira pertence à esquerda progressista histérica, que canonizou o politicamente correto como a bitola para se aferir a decência de uma pessoa. Aos que, perante cada dúvida mínima sobre os dogmas esquerdistas, rasgavam as vestes, eriçavam-se-lhes os cabelos e, sobretudo, insultavam. Aos que ficaram roucos de tanto gritar xenofobia, racismo, homofobia, islamofobia, fascismo sempre que encontravam alguém que, estando a milhas do extremismo de direita, cometia o gravíssimo pecado de não coincidir inteiramente no credo progressista.

Um atrevido quer discutir a permissibilidade de os gays darem sangue (mesmo se por desconhecimento técnico)? Bom, há cabelos arrancados, caixas inteiras de ansiolíticos tomadas de uma vez e, acima de tudo, insultos abundantes.

Um pobre infeliz (evidentemente afirmando que a maioria dos muçulmanos são gente pacífica que não sonha com explodir as entranhas dos crentes de outras religiões) constata ligação entre terrorismo e islão, convencido por minudências como muitos clérigos islâmicos usarem os seus púlpitos religiosos para radicalizarem e apoiarem o terrorismo? Ou pelo facto de os terroristas muitas vezes seguirem literalmente o corão, incluindo a parte das escravas sexuais ou a de garantirem que nem todas as cabeças de infiéis estejam ligadas aos corpos em que nasceram? Ultraje. Há choro e ranger de dentes com a indignação. Evidentemente que o islão é uma religião de paz e os terroristas uns apóstatas. Se se quer insultar uma religião, façam o favor de se dirigirem para os facínoras da Igreja católica.

Ah, ainda o islão. É carregar nos insultos aos machistas conservadores, essa escória abjeta que a evolução das espécies não solucionou devidamente (com o extermínio). E, a seguir, defender a burka e o burkini como símbolos da libertação feminina. E fingir que os abusos sexuais na passagem de ano em Colónia não ocorreram e os autores não eram islâmicos. Quem é que liga a uns apalpões valentes a umas louras alemãs? Os imigrantes podem apalpar, só Trump é que não.’

O resto do texto está aqui.

O retorno de Deus

Será que a Europa vai reagir ao islamismo retornando a Deus? O meu artigo no ‘i’.

O retorno de Deus

“Le retour du religieux (…) je le savais pour ma part inéluctable dès l’âge de quinze ans.” “Soumission”, Michel Houellebecq, p. 267.

Esta frase é proferida pelo director da Universidade de Sorbonne, um belga convertido ao islamismo numa França, em 2022, com um presidente muçulmano. Em “Soumission”, Michel Houellebecq retrata a escolha que uma França adormecida se vê forçada a fazer entre uma Frente Nacional radicalizada e um partido islâmico moderado.

Como todas as histórias futuristas, esta parece fantasticamente implausível para ser possível. Mas, se Houellebecq não quis descrever avanços tecnológicos que não antevê – a forma de comunicar é hoje mais evoluída que a do livro –, acerta num ponto que deixa qualquer um de sobreaviso: os partidos tradicionais estão em crise e, na vida real, já em 2017, podem não ir à segunda volta das presidenciais.

Quem nos conta o que se passa é François, um académico estudioso de Joris-Karl Huysmans, escritor francês do século XIX, expoente maior do decadentismo e que se converteu ao catolicismo. François é um francês deste século, sem ligações nem ao país nem a ninguém, que se interroga perante a submissão inevitável que os homens terão de aceitar para se elevarem acima do que são.

“Soumission” não é apenas o adivinhar da falência política de um regime, mas a indicação de um caminho: a crença em algo mais forte que nós para que sejamos mais que uma decadência adormecida. Assim, ou Houellebecq, que disse já não ser ateu, se engana, ou a reação europeia será religiosa.

Perca peso agora, pergunte-nos como!

Maduro Chavez

É certo que a dieta é rigorosa, (ma)dura mesmo, mas permite perder mais de 8kg num ano!

Compreender o putinismo LXIV

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Coisas  que acontecem de forma inexplicável na santa mãe Rússia de Vladimir Putin.

Nada a reportar em Paris…

Paris protesters set police car on fire with 2 officers inside

Police car smashed & set on fire during Paris protest

Nada a reportar na Suécia…

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SWEDEN RIOT: Police forced to shoot at protesters as violence erupts – yet PM is in denial

SWEDEN’S capital was plunged into chaos on Monday as police were forced to fire at rioters after a violence erupted in an area described as high risk.

The Trump impeachment trap

Democrats seek to quell Trump impeachment talk: Party leaders caution against rushing into a political trap.

Democratic officials in Republican-dominated Washington view the entire subject as a trap, a premature discussion that could backfire in spectacular fashion by making the party appear too overzealous in its opposition to Trump. Worse, they fear, it could harden Republican support for the president by handing his party significant fundraising and political ammunition when the chances of success for an early impeachment push are remote, at best.

The Democrats who are helping Trump

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Are Liberals Helping Trump?

Mrs. O’Connell is a registered Democrat. She voted for Bill Clinton twice. But she has drifted away from the party over what she said was a move from its middle-class economic roots toward identity politics. She remembers Mr. Clinton giving a speech about the dangers of illegal immigration. Mr. Trump was lambasted for offering some of the same ideas, she said.

“The Democratic Party has changed so much that I don’t even recognize it anymore,” she said. “These people are destroying our democracy. They are scarier to me than these Islamic terrorists. I feel absolutely disgusted with them and their antics. It strengthens people’s resolve in wanting to support President Trump. It really does.”

Polling data suggest many center-right voters feel the same way. The first poll by the Pew Research Center on presidential job performance since Mr. Trump took office showed last week that while he has almost no support from Democrats, he has high marks among moderates who lean Republican: 70 percent approve, while 20 percent disapprove.

% of all votes in the 14 European countries with continuous democracy since 1949

Voting and non-voting in the 14 European countries with continuous democracy since 1949

100 years of European politics in one figure

Michael Novak (1933-2017)

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Hoje regresso, ocasionalmente, ao Observador para recordar a vida e legado de Michael Novak: Michael Novak (1933-2017): capitalismo, liberdade e verdade.

Michael Novak, que morreu esta sexta-feira, foi um dos mais esclarecidos e influentes estudiosos católicos do capitalismo democrático e em particular das suas dimensões moral, cultural e espiritual.

Trump and DeVos on School Choice

Betsy DeVos foi sem dúvida uma das mais promissoras escolhas de Trump. Veremos o que consegue realizar numa área onde os interesses instalados são poderosíssimos e as reformas são extraordinariamente difíceis.

Trump promises education overhaul in meeting with Betsy DeVos, teachers

A geringonça e o fim da Europa

Passos conta com o risco financeiro para tramar Costa, mas Costa conta com o risco europeu para tramar Passos (e Marcelo). Quem é que vai ganhar? O meu artigo no Jornal Económico.

A geringonça e o fim da Europa

É cada vez mais evidente que o Governo não tem agenda: satisfeitos os interesses que a sustentam, pouco mais há a fazer que não seja esperar. Passos Coelho viu aqui uma oportunidade quando afirma que 2017 é o ano dos riscos financeiros. E se o líder do PSD vê confirmadas a suas projecções nos juros da dívida portuguesa que atingem valores preocupantes, tem também razão num ponto: os cidadãos que pagam os interesses protegidos pela geringonça não aguentam muito mais. O país perdeu a capacidade de se financiar lá fora conseguida no período da troika. Mas há um senão; um problema com que Passos parece não contar, mas que Costa espera seja a sua salvação.

E esse problema, que para Costa é um trunfo, é a desintegração da UE. Todos o sabemos, e Costa melhor que nós, que o calendário eleitoral europeu favorece o actual Governo: eleições na Holanda em Março, em França em Abril/Maio, ambas com a extrema-direita à frente nas sondagens, e na Alemanha, em Setembro, com o risco de a extrema-direita impor uma derrota a Merkel.

Para que a Europa sobreviva é preciso que Macron vença em França e Merkel ganhe na Alemanha. Se um deles falhar, a UE corre o sério risco de desaparecer. É isto: o projecto europeu está por um fio e depende de duas pessoas, uma das quais, apesar de pejados de méritos, é um desconhecido com pouca prática política.

O politicamente correcto, que impediu o debate político sério, amordaçou a Europa a soluções não questionadas e que agora, sem discussão séria, de forma dolorosa, são postas em causa por populistas de esquerda e de direita. Não houve seriedade nas questões religiosas, na imigração, no emprego, na protecção social concedida a quem não merecia e nada fez pela comunidade, nas políticas laborais, apesar do trabalho ter mudado radicalmente nos últimos 15 anos. Proibindo-se a discussão com medo de se afrontar, de se ofender, quem quer que fosse, criou-se uma panela de pressão que pode rebentar este ano.

E se Passos espera que os ventos soprem a seu favor, Costa, o BE e o PCP vêem no sucesso eleitoral do extremismo a sua tábua de salvação. O fim do euro, que acontecerá caso Marine Le Pen vença em França, o regresso tão desejado do escudo, que trará inflação, reduzirá salários, aumentará a pobreza, trará aflição para muitos. Mas servirá também de pretexto. As causas facilmente se apontarão ao estrangeiro. Seremos pobres, estaremos aflitos, não em virtude do Governo da geringonça mas por responsabilidade da Europa que se auto-liquidou. É desta forma que Tsipras sobreviverá na Grécia, Costa em Portugal e Rajoy pode cair em Espanha. O caos será amigo de um populismo de tal forma demagógico que o que vimos até agora é uma brincadeira de crianças.

O regresso às origens nos EUA

Com Trump, vamos dar graças à democracia que passa pela separação dos poderes. Com Trump, ainda bem que há Congresso e tribunais. O meu artigo no ‘i’.

O regresso às origens nos EUA

Com Trump na presidência, são muitos os que esperam que o congresso e os tribunais equilibrem a influência do presidente norte-americano. E esperam bem, porque Trump defende políticas desastrosas, como o proteccionismo, que boa parte da esquerda entre nós também advoga.

Infelizmente, não tem sido sempre assim. Nos últimos anos, os presidentes têm sido vistos como seres iluminados que deviam vencer a cegueira dos congressistas para que os EUA evoluíssem. Com Obama, esta tendência chegou mesmo a assumir contornos graves, com o presidente a ser encarado como um novo Messias libertador contra os poderes instalados em Washington. Um pouco como Trump, mas com mais souplesse.

A centralização do poder na pessoa do presidente foi um processo longo, com Andrew Jackson, Lincoln, Teddy Roosevelt, Wilson e FDR a darem o mote. E se antes eram poucos os que, na senda de George Washington, não repetiam o mandato, no pós-guerra só se ficaram por quatro anos os que ou morreram ou foram desastrosos.

Com Trump podemos assistir ao reconhecimento, por parte da população, de como a separação de poderes é importante; que um Congresso forte que reprime decisões não é uma falha da democracia, mas a sua força; e que os tribunais devem exercer devidamente as suas funções. Quem sabe não assistimos a um regresso às origens do sistema norte-americano. Recordar como é importante desconfiar do homem providencial, e restringir, na medida do possível, os poderes do presidente, pode vir a ser o legado de Trump.

Mentiu, demitiu-se

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Outras realidades, outros padrões: Conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, Michael Flynn, demite-se

Michael Flynn, renunciou ao cargo ontem à noite, após informações de que teria enganado o vice-presidente, Mike Pence, sobre os seus contactos com a Rússia.

Emmanuel Macron

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Um artigo interessante sobre a mais promissora esperança de renovação da esquerda francesa: Who’s behind the mysterious rise of Emmanuel Macron?

Until recently, he had no visible record of political commitment. But he might be about to destroy the Socialist party

Donald Trump e a base das Lajes

Lajes: O que quer Trump dos Açores?

O Ministério dos Negócios Estrangeiros confirmou esta semana ao PÚBLICO que o futuro da Base das Lajes tem sido aflorado nos contactos que têm acontecido entre os dois países. O assunto foi abordado, antes ainda da tomada de posse de Donald Trump, pelo embaixador português em Washington, Domingos Fezas Vidal, num encontro que manteve na embaixada portuguesa com Walid Phares, o conselheiro para política internacional do novo presidente norte-americano. A reunião aconteceu no mesmo dia em que Marcelo Rebelo de Sousa telefonou a Trump a felicitá-lo pela eleição. A base na Terceira foi um dos temas da conversa, mas o teor não foi pormenorizado por Belém.

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Compreender o fenómeno Trump

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Trump is no fascist. He is a champion for the forgotten millions. Por John Daniel Davidson.

America is deeply divided, but it’s not divided between fascists and Democrats. It’s more accurate to say that America is divided between the elites and everybody else, and Trump’s election was a rejection of the elites.

That’s not to say plenty of Democrats and progressives don’t vehemently oppose Trump. But the crowds of demonstrators share something in common with our political and media elites: they still don’t understand how Trump got elected, or why millions of Americans continue to support him. Even now, recent polls show that more Americans support Trump’s executive order on immigration than oppose it, but you wouldn’t know it based on the media coverage.

Support for Trump’s travel ban, indeed his entire agenda for immigration reform, is precisely the sort of thing mainstream media, concentrated in urban enclaves along our coasts, has trouble comprehending. The fact is, many Americans who voted for Trump, especially those in suburban and rural areas across the heartland and the south, have long felt disconnected from the institutions that govern them. On immigration and trade, the issues that propelled Trump to the White House, they want the status quo to change.

Leitura complementar: O Presidente Trump, as sondagens e o futuro.

Particularidades da política francesa

Sex and the French Elections

Mr. Macron and his wife met when he was a 15-year-old 10th grader at a Jesuit high school in Amiens, and Ms. Trogneux was a 40-year-old married mother of three children, one of whom was in Mr. Macron’s class. Then known by her married name, Auzière, she taught French literature and ran the theater club.

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O primeiro Presidente dos EUA anti-americano

Numa entrevista com Bill O’Reilly, Donald Trump disse que “respeita” Vladimir Putin, embora tenha acrescentado que “respeita muita gente” e nada garante que se vá dar bem com o presidente russo. De seguida, O’Reilly perguntou-lhe como podia Trump respeitar Putin, tendo em conta que ele “matou pessoas”. Perante a pergunta, Trump respondeu que “há muitos assassinos. Nós temos muitos assassinos. Acha que o nosso país é assim tão inocente?” Ou seja, como qualquer adolescente apaixonada por um rapaz de comportamento duvidoso confrontada com carácter deste, Trump logo se apressou a defender o objecto da sua paixão, não hesitando para o efeito fazer uma equivalência moral entre o país a que preside e o regime de um criminoso brutal, que assassina regularmente os seus críticos e terá até conduzido um ataque a cidadãos do seu próprio país para, ao levar os russos a crerem que havia sido um atentado terrorista, consolidar o seu poder interno. No fundo, Trump faz aquilo que, ao longo de anos, todos os esquerdistas e simpatizantes de carniceiros fizeram, para defender os regimes mais abomináveis ou porque o seu antiamericanismo visceral para isso os empurrou: dizer que os EUA são tão moralmente condenáveis como um ditadura. Foi isso que disseram na II Guerra, foi isso que disseram na Guerra Fria, foi isso que defensores do papel fundamental dos EUA no mundo – como eu – tiveram de ouvir aquando da guerra do Iraque ou – de forma bem mais nojenta – enquanto cidadãos inocentes estavam a morrer nos atentados de 11 de Setembro. Hoje, é o próprio presidente dos EUA que, ou por dever algo a Putin ou aos seus oligarcas, ou porque pura e simplesmente tem uma profunda admiração pelo seu brutal autoritarismo, papagueia este aspecto central da propaganda com que o Kremlin justifica internamente esse mesmo autoritarismo: os EUA, a sua democracia e o seu papel no mundo não são diferentes da nossa corrupção, repressão e brutalidade. Barack Obama foi um mau presidente, e a sua política externa, em particular, foi desastrosa. Mas Donald Trump é o primeiro Presidente dos EUA antiamericano, que acredita profundamente, e repete incessantemente, os chavões que jovenzinhos do Bloco de Esquerda ou comentadores da RT têm sempre na ponta da língua. Pelos vistos, há quem tolere, e até quem goste. Não é o meu caso.

Como o Islão matou a laicidade do Estado

O meu artigo no Jornal Económico.

Como o Islão matou a laicidade do Estado

Nas presidenciais francesas é importante compreender as razões para o estado do partido socialista, cujas primárias tiveram agora lugar. É que depois de cinco anos no Eliseu os socialistas arriscam-se a não ter um candidato na segunda volta. Nem Valls lhes vale, e o único com hipóteses de fazer um brilharete, Macron, saiu do partido e diz-se de esquerda, sim, mas não socialista. Por favor, não o confundam.

Há quem diga que é o resultado do mandato de Hollande. Sem dúvida. Mas, mais que isso convém perceber que a má prestação de Hollande não advém das suas incapacidades políticas, mas da armadilha em que os socialistas caíram.

Lembra a Le Point que tudo começou no Outono de 1989. Nesse ano, mais precisamente a 18 de Setembro, Fatima e Leila, duas raparigas de 13 e 14 anos, são impedidas de continuarem na escola que frequentam. A decisão é do director do estabelecimento de ensino que argumenta que o véu que utilizam é incompatível com o bom funcionamento da escola. Foi um escândalo e o PS dividiu-se entre os que eram favor da proibição do véu, entre eles Valls, e os que foram contra, entre os quais, Hollande. E também, como agora, houve quem não tivesse tomado partido, como foi o caso de Mitterrand. Aquele grande político do tempo em que os políticos tomavam decisões.

Os que eram contra a exclusão das alunas alegaram que a laicidade do Estado não permitia proibir. “Il est exclu d’exclure”, nas palavras de Jospin. E como esta esquerda não tinha referências religiosas, era laica, achou que o problema se resolvia proibindo os cristãos de se dizerem cristãos, por serem muitos, e permitir os muçulmanos de serem muçulmanos, porque eram poucos.

Mas já não são. São muitos e em muitos lugares a maioria. E os socialistas continuam a não saber como lidar com o fenómeno. O falhanço do socialismo em França, ao contrário do que está a suceder noutros locais do mundo, veremos como vai ser em Portugal quando rebentar a bolha em que vivemos, prende-se tanto com a destruição do conceito de laicidade do Estado como com a crise económica. A França perdeu a sua identidade e o Estado Republicano e Laico, que era o seu garante, traiu-a.

Este era um problema que De Gaulle anteviu difícil de resolver: como é que um Estado laico não se imiscui na religião se, por exemplo, ao financiar escolas públicas laicas, dificulta o acesso às religiosas? E se em 2017, Valls, categoricamente laico perante todos, perdeu para Benoît Hamon, que defende que os muçulmanos sejam compensados do ostracismo a que pretensamente estão sujeitos, é porque assistimos ao culminar da desintegração de um conceito a que nos habituámos.

Não deixa de ser interessante que Fillon se defina como cristão, a Frente Nacional discuta se o inimigo é a União Europeia ou o Islão e Macron recuse a laicidade como religião. A Europa recristianiza-se e, de certa forma, o laicismo para combater o catolicismo foi derrotado pelo islamismo.

Vergonha em tons multiculturais V

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De alguma forma, fez-se justiça.

Rotherham child sex gang shout ‘Allahu Akbar’ in court as they are jailed for 80 years for abusing girls, including one who became pregnant at just 12, after being groomed with alcohol and drugs

Members of a Rotherham sex gang today yelled ‘Allahu Akbar’ in court as they were jailed for abusing a girl who fell pregnant aged 12 after being groomed with alcohol.

Six men were given sentences between 10 years and 20 years – and totalling more than 80 years – by a judge who heard details of how two young girls were sexually abused in the South Yorkshire town between 1999 and 2001.

Judge Sarah Wright described how one of the girls was plied with alcohol and drugs and was having sex with a number of men from the age of 11.

The victim, in a statement read to the court, said: ‘There’s evil and truly evil people in the world. I feel my child was the product of pure evil.’

The sentencing marks the end of a series of three major trials after a report on child sexual exploitation in Rotherham revealed that more than 1,400 youngsters had been groomed, trafficked and raped in the town over a 16-year period.

It has led to 18 people being jailed for sentences totalling more than 280 years.

Leitura complementar: Leituras recomendadas, Vergonha em tons multiculturaisVergonha em tons multiculturais IIVergonha em tons multiculturais IIIVergonha em tons multiculturais IV e Rotherham, socialismo e multiculturalismo.

Trump, Costa e Le Pen

De Trump a Costa, por Paulo Tunhas.

Se quisermos manifestar a nossa virtude e a excelência dos nossos princípios (uma pessoa fica surpreendida coma quantidade de gente que aparentemente os tem ininterruptamente presentes ao espírito) há objectos de oposição bem mais urgentes do que Trump, até porque os americanos sabem tomar muito bem conta de si, como tomaram durante muito tempo conta de nós. Em França, por exemplo. Uma vitória de Marine Le Pen nas presidenciais francesas seria incalculavelmente mais nociva para nós do que a vitória de Trump nos Estados Unidos. A ideologia e a tradição são completamente diversas, e é disso que se deve ter medo. Gritar “populismo, populismo” como se a palavra abarcasse tudo e quisesse dizer sempre o mesmo não adianta nada. E esse medo tem mesmo uma razão de ser razoavelmente definida, até porque as trapalhadas em que se encontra François Fillon por causa dos supostos pagamentos chorudos à mulher, bem como a escolha socialista de Benoît Hamon, um esquerdista absurdo, facilitam, e muito, a vida à filha de Jean-Marie. Não se compare isto, por favor, com Trump ou o Brexit. A vitória de Marine Le Pen e da velhíssima tradição que, por mais camuflada que seja, ela traz consigo seria, de facto, o fim do mundo como nós, os europeus, o conhecemos.

Ou então, por razões mais comezinhas, Portugal. Costa e os seus, na ficção incongruente que construíram, estão a levar-nos disciplinadamente para o precipício. It’s a way of life. Os juros da dívida a dez anos, que para Marcelo parecem suaves prestações mensais, são um entre muitos outros sinais. Vai uma aposta? Mais depressa Trump fará coisas boas pelos Estados Unidos, e até pelo mundo, do que Costa o fará por Portugal. Mais depressa? Muito mais depressa.

My kind of debate

Em 1980, as Primárias do Partido Republicano, George Bush (pai) e Ronald Reagan responderam a uma pergunta sobre imigração ilegal.
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