A geringonça vista de Espanha

Aqui fica um artigo espanhol para o qual contribuí com alguns breves comentários sobre a situação política portuguesa e o funcionamento da geringonça até ao momento: Portugal y Alemania, la gran esperanza de los socialistas europeos.

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Le Pen e Macron: sinais

Macron Jeered by Hometown Crowd After Le Pen’s Ambush

Emmanuel Macron was booed and whistled at by striking factory workers in his hometown of Amiens, northern France, after an ambush by his nationalist rival Marine Le Pen forced him into a confrontation with some of her hardcore supporters.

Le Pen made a surprise visit to the Whirlpool Corp. plant on the edge of Amiens while election front-runner Macron was meeting with union leaders from the plant in the center of town. Le Pen told reporters on the picket line that Macron’s decision to meet the workers’ representatives behind closed doors showed his “contempt” for their plight, forcing her rival to change his plans and engage with the demonstrators live on television.

With the black smoke of burning tires whipped up by a cold wind and cries of “Marine! President!” punctuating his remarks, Macron tried to mount a defense of the European trade regime in the factory parking lot as angry demonstrators crowded round.

“When she tells you the solution is to turn back globalization, she’s lying,” Macron told the workers, his comments picked by the microphones of more than 100 reporters witnessing the clash. “We cannot outlaw firing. We must fight to find a buyer.”

(…) Although the 39-year-old rookie in his first political campaign is the strong favorite to win the presidential runoff on May 7, he needs to regain the initiative after stumbling at the start of the week. A survey by Harris Interactive released Wednesday showed 61 percent of voters thought Le Pen had started the final stretch of campaigning well and 52 percent thought Macron had done badly.

Viagem pela memória: Chavez e Hollande esperanças do socialismo

O meu texto de hoje no Observador.

‘Recordemos ainda o affair venezuelano. Neste caso, em boa verdade, a tentativa de assobiar para o lado vem só de PS e BE. O PCP, mais genuíno, continua a defender o regime chavista da Venezuela. Mesmo depois das manifestações massivas, das mortes dos manifestantes, das cargas policiais sobre quem protesta, dos inúmeros atropelos à liberdade e à democracia, da supressão de opositores, da fome e da pobreza a alastrar apesar das reservas petrolíferas, das filas para os supermercados onde escasseiam os bens básicos, da nacionalização das padarias. João Ferreira – o candidato à Câmara de Lisboa pelo PCP – fez a 6 de abril uma intervenção no Parlamento Europeu defendendo os ‘factos reais’ da maravilhosa situação na Venezuela. Que, de resto, só vive sobressaltos graças à ‘ingerência’ dos vilões imperialistas. (E verbalizam tudo isto sem a ajuda de estupefacientes.)

Mas se PS e BE fingem que nunca se cruzaram com o regime chavista, avive-se a memória. O reincidente Soares, criticando Maduro, elogiou Chavez. Depois, note-se, de Chavez abrir caminho para o estrondoso Maduro, que Soares criticava, e patrocinar referendos manhosos para manutenção do crescente poder presidencial, ou encerrar compulsivamente, em várias levas, rádios e televisões privadas pouco obedientes. Bom, calar órgãos de comunicação social hostis é o sonho de qualquer socialista português. Talvez também por isto Sócrates decretou Chavez um ‘amigo de Portugal’. Em 2016 – repito, em 2016, quando o regime chavista já tinha descambado na catástrofe ditatorial e produtora de miséria – a câmara socialista da Amadora teve a falta de vergonha de inaugurar uma Praça Hugo Chavez. Diz-me quem celebras, dir-te-ei quem és.

E o Bloco? É amigo de coração do regime chavista desde sempre. Lembro-me de ver Louçã (aqui em mais um elogio) na televisão declarando que a vitória de Chavez, em referendo, significava a vitória do socialismo e da população mais pobre. A queda dos preços do petróleo é que minou o sucesso venezuelano – há sempre uma desculpa, não é? Também defendem, quase sem tirar nem por, as políticas económicas que cozinharam a calamidade venezuelana.’

O texto completo está aqui.

Marine Le Pen é de extrema-esquerda

Como? Pois é. Longe vão os tempos em que o pai de Marine Le Pen, Jean-Marie, defendia a redução dos impostos, a eliminação das 35 horas de trabalho semanais, recusava a reforma aos 60 anos de idade e queria uma França desregulamentada, desestatizada e sem muçulmanos. Esta Frente Nacional liderada por Marine Le Pen mudou não apenas porque Marine matou politicamente o pai, mas porque a essência do discurso deste partido extremista passou da direita para a esquerda. Enquanto Jean-Marie era essencialmente racista, Marine é anti-Europa. Uma mudança que está a dar excelentes resultados à senhora Le Pen e que se deve a um homem: Florian Philippot.

Vice-presidente do partido desde 2012, conselheiro próximo de Marine Le Pen, Philippot é o grande responsável pela estratégia da Frente Nacional e também pela sua comunicação. Com ele a FN foi bem sucedida nas municipais de 2014, venceu as europeias desse ano e prepara-se para a presidência que, não espera alcançar agora, mas em 2022. Aí, sim. Nessa altura é que, nas contas de Philippot, serão elas.

Este homem todo poderoso é profundamente contrário às privatizações e fez constar no programa eleitoral de Marine Le Pen propostas como o aumento do salário mínimo nacional, a redução das tarifas de gás e electricidade em 5%, o aumento dos salários da função pública, a reindustrialização da França (muito à semelhança do que o PCP pretende em Portugal), a associação da indústria e do Estado numa cooperação que privilegie a economia real (ou o que quer que isto signifique) e a fixação da idade legal da reforma nos 60 anos, com 40 anos de quotizações.

Há outro aspecto muito importante nesta viragem à esquerda e que a grande maioria não vê: esta FN considera como principal inimiga da França, a União Europeia (UE). É Bruxelas a culpada pelos inúmeros muçulmanos a viver em França, porque foi Bruxelas que abriu as fronteiras e impôs a livre circulação de pessoas dentro da UE. A protecção dos interesses da França, já não se faz apenas, como pretendia Jean-Marie Le Pen, ostracizando as minorias étnicas e religiosas. Para Marine, tal só é possível saindo da Europa. Da mesma forma, o programa económico mencionado em cima só é possível se a França sair do euro. Um discurso muito idêntico ao de Mélenchon, que entretanto ajustou ao tempo presente a posição que tinha em 2012 relativamente aos refugiados, e daí a similitude das propostas, a mesma identidade no caminho a seguir.

Vistas as coisas deste prisma não é difícil compreender por que motivo Jean-Luc Mélenchon não disse, na noite eleitoral, em quem vota na segunda volta. Mélenchon sabe que o seu eleitorado se revê no programa económico de Le Pen e não o quer trair. Mais: o líder da França Insubmissa, aliança política que une vários partidos de extrema-esquerda, entre os quais o partido comunista francês, sabe que uma vitória de Marine Le Pen ditará o fim do euro, do projecto europeu, ou seja, dos alicerces que sustentam o modo de vida do continente. Com Marine virá o caos e é no caos que vingam as ideologias como as que Mélenchon propugna. O melhor para a extrema-esquerda é a vitória de um extremismo disfarçado de direita.

Um último ponto a salientar é que esta mudança na Frente Nacional não é pacífica dentro do próprio movimento. Marion Maréchal-Le Pen, sobrinha de Marine, neta de Jean-Marie, tem a mesma perspectiva do avô. Não que seja europeísta, mas porque entende que a principal ameaça à França reside, não no modelo económico seguido até agora, mas no excesso de imigrantes que, não se integrando na cultura francesa, ferem de morte a identidade da França que é necessário proteger. Ou seja, uma derrota de Marine Le Pen a 7 de Maio será, à semelhança do que está a suceder no PS e entre os Republicanos, um motivo para um ajuste de contas, que aqui será não apenas partidário, mas também familiar. Se Florian Philippot resiste e convence a FN que o seu objectivo é para daqui a 5 anos, as próximas semanas o dirão.

Uma perspectiva optimista sobre o Brexit

Brexit is not nationalism. It is not extremism. It is our defence against both those things. Por Tim Stanley.

Last Sunday, England celebrated its national saint’s day with face paints and bell ringing. Meanwhile, France went to the polls and gave nearly half its vote to a fascist and a communist. The contrast between the politics of our two countries is stark, and it’s one of the reasons why Britain voted for Brexit last year – to inoculate ourselves against European extremism.

Jean-Marie Le Pen elogia decisão de Mélenchon

Jean-Marie Le Pen juge «très digne» l’absence de consigne de vote de Mélenchon

“Espaço Orçamental no Espaço Europeu”, amanhã no ISCTE

Amanhã a partir das 14:30 participarei na quarta edição do Economics Day do ISCTE-IUL, num debate sobre “Espaço Orçamental no Espaço Europeu”, juntamente com João César das Neves, da CLSBE, João Duque, do ISEG, Nuno Teles, do CES-UCoimbra e Rui Martinho, Bastonário da Ordem dos Economistas. A moderação estará a cargo de Rui Peres Jorge, do Jornal de Negócios.

Sim, a noite eleitoral de ontem foi positiva

Podem quanto quiserem lembrar que Macron pode ter dificuldades a eleger deputados, sendo que não tem partido. E que houve 40% de alminhas eleitoras francesas que recusaram a União Europeia (que estes 40% assustem quando vários referendos já se fizeram e perderam sobre questões europeias, sem que tenha havido levantamento para abandonar a UE, já acho que é alguma tendência para o susto). Podem aventar todos os cuidados. Que, mesmo assim, a maior votação de Macron, e a sua provável eleição, é uma boa notícia: Macron provou que o anti establishment – que ganhou a noite eleitoral francesa, depois de ganhar outros lados – não tem de estar capturado por maluquinhos da estirpe de Trump, Melechon, Le Pen, Farage, o inimigo do banho e da higiene pessoal que manda no Podemos, Wilders. E isto, caríssimos, é de grande significado.

Quanto ao resto, sem embarcar em messianismos e vendo as dificuldades, Macron não é um tevolucionário que quer deitar às urtigas o bom da UE – as quatro liberdades, desde logo, a paz europeia, a prosperidade que traz fazermos parte de um espaço maior com trocas intensas de todo o género – para defender projetos pessoais de poder (que não se alcançam sem inventar um demónio). É economicamente sensato. E, cereja no topo do bolo, a criatura laranja – que, tal como os comunistas não consegue conceber que todas as relações dos humanos e das instituições humanas não são um jogo de soma zero, e se esforça por criar uns Estados Unidos fortaleza num mundo de escombros, sem entender (porque mede tudo com o seu ego e precisa de se ver como o líder cimeiro do universo) que uma UE resistente e sólida não é nenhum perigo para os EUA, pelo contrário – apoiou Marine Le Pen (como se um presidente de um aliado tivesse de dar palpites sobre os candidatos franceses). Pelo que também se tratou de os franceses mandarem Trump dar uma volta. Em suma, já vi noites eleitorais bem piores.

(Mais logo digo umas coisas sobre o voto em Marine Le Pen.)

Sobre sondagens e projecções em França

Acertaram quase ao milímetro (espantosamente considerando as naturais margens de erro, o facto de haver quatro candidatos à passagem à segunda volta e uma situação altamente volátil), ainda que quase ninguém fale disso.

A persistência do Estado-nação e do sentimento nacional

Eleições em França: A ilusão pós-nacional. Por João Carlos Espada.

(…) os dois partidos centrais da democracia francesa — os Republicanos, ao centro-direita, e os Socialistas, ao centro-esquerda — ficaram em ruínas. Nenhum dos seus candidatos estará na segunda volta. Em conjunto, não terão alcançado 30% dos votos. Isto merece uma análise ponderada, pois terá necessariamente consequências muito sérias para a democracia em França. E deve ser olhado em perspectiva comparada com o que sucedeu no Reino Unido e nos EUA.

No Reino Unido, uma ruptura política radical — a decisão de sair da UE — não afectou a solidez dos partidos tradicionais. O partido político que associou essa decisão a uma revolta popular contra “o sistema” — o Ukip de Nigel Farage — tem hoje 7% nas sondagens e não detém neste momento nenhum deputado no Parlamento britânico (o único que tinha acabou de se demitir).

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O que há a festejar na (quase certa) eleição de Macron?

Macron, um Presidente sozinho. Por Alexandre Homem Cristo.

O que há a festejar na (quase certa) eleição de Macron, na segunda volta, para além do facto de ele não ser Le Pen? Nada. Ele é um homem sozinho e sem força política para reformar uma França decadente

O principal resultado da noite eleitoral em França (2)

Metade dos franceses votaram contra o euro e a UE. Por Rui Ramos.

Esta primeira volta das eleições presidenciais não trouxe boas notícias para a Europa da integração. Com Marine Le Pen e Jean-Luc Mélenchon , mais de 40% dos eleitores franceses manifestaram-se contra o euro e a União Europeia: quase tantos como os que, através de Emmanuel Macron, François Fillon e Benoit Hamon, se manifestaram a favor. A França revelou-se tão dividida acerca da questão europeia como o Reino Unido estava o ano passado, aquando do Brexit. Mas no Reino Unido, os partidos tradicionais mantiveram a iniciativa política (o Brexit é conduzido pelo Partido Conservador, não pelo UKIP), enquanto em França, os grandes partidos do regime, representados por Fillon e Hamon, ficaram pela primeira vez ambos de fora de uma segunda volta das presidenciais.

Macron, um fenómeno político

Passei a dar particular atenção à actuação política de Emmanuel Macron, quando este foi escolhido para suceder a Arnaud Montebourg na pasta da economia. Foi nesse cargo que o jovem ministro apresentou uma lei de liberalização da actividade económica, a conhecida Lei Macron, que tanta celeuma deu entre a esquerda. A lei foi, aliás, para parte do PS, uma das muitas traições de François Hollande que os seus camaradas não perdoaram.

Quando há um ano Macron fundou o movimento En Marche!, era difícil ignorar que o homem queria ser presidente da França. Manuel Valls e Hollande ficaram estupefactos, mas aquele ministro, o único que tinha mostrado coragem em mudar alguma coisa no meio do marasmo francês, tornara-se altamente popular. Demasiado popular para ser afrontado.

Em Agosto de 2016, Macron abandona o governo e lança-se na corrida ao Eliseu. As sondagens colocavam-no em terceiro lugar atrás de Marine Le Pen e de quem viesse a ser o candidato dos Republicanos. A partir daí foi sempre a subir, não de forma abrupta, mas consistente resistindo a tudo e a todos.

Macron não é um homem providencial. Tal coisa não existe. Mas não deixa de ser estimulante e encorajador, como foi para mim, acompanhar ao longo de todos estes meses, a carreira fulgurante de um homem vendo nele um possível vencedor ou, na pior das hipóteses, alguém que iria marcar a eleição presidencial francesa. A minha intervenção ontem na TVI 24 foi o culminar de um processo de análise, que foi sendo desenvolvido nos artigos que escrevi sobre o tema ao longo destes meses. Só por isso tenho a dizer que valeu a pena assistir ontem à vitória de Emmanuel Macron. O rei ia nu e ele foi o único que o disse em voz alta.

O principal resultado da noite eleitoral em França

Présidentielle 2017 : un revers inédit dans la Ve République pour les deux grands partis français

Leitura complementar: uma vitória de pirro.

Par toutatis, os vencedores gauleses

Cartoon de Olivier Ménégol.

O candidato da extrema-esquerda, poderá aguardar pelo Carnaval para vestir o traje de Presidente.

Bênoit Hamon, candidato socialista alcança uns honrosos seis por cento dos votos e o apoio do camarada António Costa. Este último terá sido fundamental na apresentação dos equilíbrios que geraram satisfação incontida no eleitorado em geral e no Partido socialista francês, em particular.

França: uma nova república?

Com o PS reduzido a pó e a eliminação na primeira volta do candidato da direita tradicional, a França está a assistir ao nascimento de uma nova república, com novos protagonistas principais e novas ideologias.

A derrota de Fillon, que se esperava, pode significar um novo arranjo partidário da direita. Veremos isso, nas legislativas. Por agora, depois de Hamon ter apelado ao voto em Macron, é provável que Fillon faça o mesmo. Os programas são relativamente próximos e Macron conseguiu levar para a sua candidatura alguns antigos apoiantes de Fillon, políticos e empresários próximos deste que, ao longos dos últimos anos, se cruzaram com a nova estrela da política francesa.

De Hillary a Marine

Em Novembro passado, muitos defendiam a eleição de Hillary Clinton com o argumento de que seria um grande avanço ter pela primeira vez uma Presidente mulher nos EUA.

Aplicando o mesmo critério, o que acharão das opções nestas eleições presidenciais em França?

They seem quieter today…

Presidenciais francesas na TVI24

Hoje, às 23.30, vou estar na TVI24 a comentar os resultados da primeira volta das presidenciais francesas. Até lá.

França: e se hoje ganharem os extremos?

Nestas eleições presidenciais francesas, tal como noutras recentes, é evidente a desilusão nos usuais partidos de poder. Candidatos populistas como Marine Le Pen (extrema-direita) e Jean-Luc Mélenchon (extrema-esquerda) sobem nas intenções de voto. Com ainda muitos indecisos (segundo sondagens), além de haver possibilidade de “voto envergonhado” (alguns eleitores não admitem em público votar nos populistas), e se hoje os dois extremistas forem os vencedores desta primeira volta?

Pode acontecer…

No Observador: Quem é quem nas eleições presidenciais?

Pat Buchanan e Donald Trump

Uma leitura muito interessante: ‘The Ideas Made It, But I Didn’t’ – Pat Buchanan won after all. But now he thinks it might be too late for the nation he was trying to save.

“Pat was the pioneer of the vision that Trump ran on and won on,” says Greg Mueller, who served as Buchanan’s communications director on the 1992 and 1996 campaigns and remains a close friend. Michael Kinsley, the liberal former New Republic editor who co-hosted CNN’s “Crossfire” with Buchanan, likewise credits his old sparring partner with laying the intellectual groundwork for Trumpism: “It’s unclear where this Trump thing goes, but Pat deserves some of the credit.” He pauses. “Or some of the blame.”

(…)

Less memorably, the 2000 campaign also brought Buchanan into contact for the first time with Trump. The New York real estate tycoon and tabloid favorite was also mulling a run for the Reform Party’s nomination at the urging of Jesse Ventura, the former professional wrestler who had won Minnesota’s governorship on the third-party ticket in 1998. Trump never followed through, but true to the form he would display 16 years later, the future president took pleasure in brutalizing his potential competition. Trump devoted portions of a book to highlighting Buchanan’s alleged “intolerance” toward black and gay people, accused him of being “in love with Adolf Hitler” and denounced Buchanan while visiting a Holocaust museum, telling reporters, “We must recognize bigotry and prejudice and defeat it wherever it appears.”

The irony today is unmistakable.

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3 mulheres polícia Suecas… 1 refugiado… Resultado: humilhação

A realidade impõe-se na Suécia:

Quando ao fim de 2:50 ele pega numa pedra final e a atira contra o vidro do carro sem qualquer oposição, lembro-me dos jogos da juventude e parece-me ouvir “Humilliation”. Patético. No que a Suécia se tornou…

Este vídeo faz-me lembrar da grande diferença entre Bill Maher (esquerdista mas não mangina) e Michael Moore (total mangina) neste vídeo histórico (ver aos 8:43):

Todo o vídeo é muito revelador e se apreciam o género recomendo.

Hoje é feriado no Brasil: Tiradentes

O dia de amanhã, 22 de abril, é o dia em que Pedro Álvares Cabral descobriu o Brasil. Por aqui, não é nem nunca foi feriado, embora de alguns anos para cá tenha passado efetivamente a ser, porque ao menos no estado do Rio de Janeiro foi criado o “dia de São Jorge”, que todos sabem efetivamente ser o dia de Ogum. E é verdade que, devido à mistura que o povo faz, mantendo a tradição dos escravos, entre entidades do catolicismo e do candomblé, as igrejas dedicadas a São Jorge ficam lotadas de fiéis do orixá africano.

Mas eu queria mesmo era falar de Tiradentes. Será que é conhecido em Portugal? Não faço a menor ideia. No Brasil, Tiradentes é um personagem talvez melhor conhecido do que o próprio imperador Pedro II. Isso porque, como Tiradentes opôs-se à monarquia portuguesa, virou ícone da república brasileira. Isso porque Tiradentes, enquanto acontecia a Revolução Francesa (foi degolado em Minas Gerais em 1792), queria instaurar uma república no Brasil.

O que nos dá o que pensar, talvez um pouquinho mais em Portugal do que no Brasil, é que o principal motivo do ressentimento contra os portugueses na região das minas era a cobrança de impostos. A Coroa portuguesa ficava com intoleráveis VINTE POR CENTO da produção de ouro. O marquês de Pombal, agravando a situação, decidira estabelecer metas de produtividade para o Brasil, e as autoridades deram início à “derrama”, que era o equivalente ao midnight knock on the door para ver se o sujeito tinha algum ouro em casa para enviar ao marquês de Pombal.

O que aliás me lembra que o prefeito de São Paulo, tão louvado como “gestor” quanto o velho marquês, acaba estabelecer uma multa de 100% sobre impostos sonegados — e na definição dele de “sonegação” estão honest mistakes da contabilidade. Suponho até que, em Portugal, como no Brasil, também aconteça esta maravilhosa inversão do ônus da prova: quando o Estado acusa você de não ter pago imposto, você é que tem de provar sua inocência, não o Estado que tem de provar a culpa do sonegador.

Mas divago. Talvez pudesse divagar mais, lembrando de George W. Bush prometendo em sua primeira campanha que “ninguém terá de pagar mais do que um terço de sua renda…” Imaginem isto, um sujeito em Minas Gerais, em 1792, sendo morto e esquartejado por ressentir-se de 20% de impostos, e de cotas de arrecadação.

Compreender o putinismo LXVI

Testemunhas de Jeová, alvo de perseguição por parte do estado de Vladimir Putin.

Russia bans Jehovah’s Witnesses deeming it an ‘extremist’ organisation after prosecutors said it ‘destroys families and fosters hatred’

Russia’s Supreme Court has banned Jehovah’s Witnesses on Thursday It ruled the organisation was ‘extremist’ and shut down its headquarters

Authorities have put several publications on the banned extremist literature list

Russia’s Supreme Court has banned the Jehovah’s Witnesses, deeming them an ‘extremist’ organisation.

The ruling means the religious group’s 175,000 followers in Russia are equated to Islamic State members.   (…)

Revolução francesa

A grande maioria dos comentadores está pasmada com o que se passa nas presidenciais francesas. Na verdade, entre os quatro candidatos com possibilidades de passarem à segunda volta apenas um, François Fillon, pertence a um dos partidos tradicionais. Dos restantes três, Jean-Luc Mélenchon e Marine Le Pen, apesar de estarem na política há muito tempo, pertencem a partidos charneira e propugnam políticas radicais, em grande parte contrárias às seguidas nas últimas décadas. Já quanto a Emmanuel Macron, apesar de estar mais dentro do sistema do que quer fazer crer, Macron tem vários padrinhos políticos fortemente posicionados na estrutura do Estado e no sector empresarial francês, não seguiu os trâmites normais do processo de ascensão política.

No entanto, para um espectador atento, nada disto é uma surpresa. Há alguns anos que a França está a passar por um profundo processo de transformação política. Em 2015 tive oportunidade de escrever precisamente sobre isso para o Diário Económico e, entretanto, muita mais água correu de baixo da ponte. Foi o livro de Éric Zemmour, ‘Le suicide français’, publicado em 2014, um sucesso de vendas e no qual o autor culpa o Estado republicano e laico pelo enfraquecimento do poder político, mas também Alain Finkielkraut, cujo livro ‘L’identité malheureuse’ tem dado que falar. Já dei conta de Finkielkraut aqui no Insurgente, aquando do seu episódio com a Nuit Dedout, quando este filósofo francês apelidou de fascista o movimento de extrema-esquerda. Finkielkraut é tão ou mais crítico que Zemmour, embora procure soluções mais razoáveis. ‘L’identité malheureuse’ aborda de um modo politicamente incorrecto a imigração e a ferida que esta provocou na identidade francesa. O capítulo sobre o laicismo é sublime na forma como defende o ensino público e na crítica ao mau uso que a hipocrisia dele fez.

Há muitos mais autores como Pascal Bruckner e a sua defesa da liberdade individual. Outro, é Michel Onfray. A forma como Onfray foi ostracizado pelas correntes políticas de esquerda é muito importante para se perceber o descalabro da esquerda moderada francesa. Há precisamente um ano, desta vez no Jornal ‘i’, referi-me a este homem que, apesar de esquerda, foi por esta banido porque, como Onfray depois explicou, está dominada pelo ódio. Onfray pôs o dedo na ferida e se dermos um pouco de atenção ao que ele escreve, percebemos Benoît Hamon, Jean-Luc Mélenchon, Arnaud Montebourg e, sim é verdade, Marine Le Pen.

Como a esquerda se pôs à margem deste debate político é de realçar que a transformação política ocorrida se fez à direita. Unicamente à direita. Esta revolução de pensamento ocorreu na direita e faz-se agora notar nas eleições presidenciais de 2017. Como? Com o descalabro do PS francês, com o discurso de Fillon, que só não vencerá devido ao caso dos empregos fictícios e com o surpreendente surgimento de Macron. Este, com um discurso relativamente moderado pode, caso vença e imponha o seu partido nas legislativas, ser o novo De Gaulle francês, que ele tanto admira. A esquerda, com o PS de Mitterrand reduzido a pó, Mélenchon com propostas de um mundo antigo e uma Marine Le Pen (sim outra vez, de esquerda, como referiu Zemmour) representa um risco sério à França e à Europa precisamente por não ter evoluído.

Macron e Fillon até podem não passar à segunda volta. Mas se tal suceder, não é porque não tenham ouvido as críticas feitas à orientação política seguida nos últimos anos. Se ficarem de fora no Domingo é porque vieram demasiado tarde. Se Marine Le Pen e Mélenchon passarem à sua segunda volta, com um programa político e económico preconceituoso e a cheirar a mofo será porque a esquerda não quis fazer parte deste debate. Se colocou à margem e, à margem, ficou parada no tempo. Como Portugal, a França está dividida: de um lado, encontram-se muitos dos que estão protegidos por leis que prejudicam os que ficaram ou querem ficar de fora do feudo; de fora do domínio dominado por um conjunto de políticos que vêem neste sistema uma forma simples de garantir votos, vencer eleições e governar com a legitimidade que dizem ser democrática.

A revolução francesa a que assistimos é prova de que um verdadeiro debate político pode mudar o cenário partidário de um país. Se vem a tempo é o que ficaremos a saber já no Domingo.

26 Manifestações em Caracas na “Mãe de Todas as Marchas”

Se ouvirem a peça da EuroNews, ficam a saber que na “Mãe de todas as Marchas” houve manifestações nas principais cidades Venezuelanas e que só na capital houve 26 pontos de partida que depois confluíram no centro da cidade onde uma massa humana de várias dezenas de milhar exigiram eleições antecipadas. Já na CBS Miami podem ouvir sobre os protestos de venezuelanos em Miami em solidariedade com os compatriotas, explicando aos repórteres os motivos de tal protesto. Já neste artigo da Globo podem ler os protagonistas e as causas da crise (incluindo o “desabastecimento”).

Reações em Portugal: na imprensa, foca-se a morte dos manifestantes. Suponho que para que os leitores/ouvintes depois tolerem melhor a repressão das GNB, MNB e FAB quando esta se intensificar; nos partidos à esquerda, PCP lidera a revolta contra a intromissão imperialista (ler original), enquanto o Bloco faz um relato desapaixonado e rigoroso do PREC Venezuelano como se achasse este tipo de acontecimentos normais e banais.

A sério, em que tipo de país é que eu vivo!

No Hay Comida

(imagem de Maio de 2016, em protestos contra as filas em Caracas)

 

A Turquia e a democracia como negação do direito

Turquia: democracia (constitucional)? Por Catarina Santos Botelho.

Os traços de forte presidencialismo executivo, a existência diminuída do poder judicial, o intermitente perigo da violação da separação de poderes, a restrição dos freios e contrapesos (checks and balances) democráticos, não auguram boas notícias. Concomitantemente, num cenário de grande polarização mundividencial e política, o risco de populismo é exacerbado.

Resta-nos esperar que não se confirme o pior dos cenários: que esta revisão constitucional seja uma encenação, uma máscara diáfana que visa a perpetuação no poder de uma ideologia político-partidária. Sem a espada de Dâmocles da separação dos poderes, a democracia nada mais é do que a negação do direito.