Da Ética e da Érica

kafka2Este é um Mundo complicado, calculo que nem os gigantes a que se referiu Newton tenham imaginado quanto isto se podia complicar. É claro que há uma forma ética de um gajo se conduzir na vida e é uma discussão tão antiga como a civilização (desde que foi possível às pessoas ter outras preocupações além da próxima refeição e da próxima queca e de como evitar ser morto inopinadamente), seja como for, hoje em 2016 e mesmo que mais ninguém o faça, eu disputo que essa forma Ética de viver seja superior a uma forma outra  Érica de viver.
Se a Ética nos diz o que deve ser, a Érica diz-nos o que é e o que é tem muita força (embora usualmente apenas durante alguns minutos, com sorte). A Ética não é uma categoria superior à Érica e se há muitas interpretações da Ética (de Platão a Aristóteles a Kant a Rand a Hegel e assim), se há milénios de discute este ramo da filosofia, quiçá o mais importante, Érica há só uma. A Érica é a fonte de si mesma, aliás é todas as Fontes de si mesma e alheias.
Assim, decidi em plena e sã consciência abdicar da Ética objectivista/aristotélica e passar a conduzir-me como as Fontes da Érica nos ensinam: de acordo com os pressupostos da Érica vale tudo menos arrancar olhos. E assim é que está bem.

Do Trumpismo

Vejo muita gente preocupada com o populismo que produziu luminárias no poder como Donald Trump e promete produzir mais, talvez já nas próximas eleições presidenciais francesas – na Alemanha aposto hoje que Merkel continua na frente do governo. 

Tem alguma graça que muitos desses preocupados sejam eles próprios campeões do populismo-os-bons-somos-nós-quem-é-contra-nós-é-fascista, mas adiante. 

Eu propunha que, em vez de olhar para as consequências depois do caldo entornado, olhassem para as causas. Pensem bo preço a pagar pelo politicamente correcto do “boa noite a todas e todos” que pinta de racista para baixo quem ouse fazer uma piada que comece por “um cristão, um judeu e um muçulmano entram num talho”. Pensem no que dá quando toda a gente que pensa que o salário mínimo pode ser mau para o emprego ou para os menos qualificados é carimbada de esclavagista. Ou pensem no que possivelmente pode correr mal quando parte da estratégia política é simplesmente interromper sessões, reuniões, debates onde falam aqueles que assinalámos como indesejáveis para “grandolar” e não permitir que terceiros tenham a seu liberdade de expressão por serem dos maus. 

Quando o “debate” político passa maioritariamente por chamar fascistas, racistas, misóginos, esclavagistas, homofóbicos,colonialistas, opressores, neo-feudalistas ou eu sei lá o quê ao adversário em vez de de facto assumir que há opiniões diferentes das nossa que podem ser honestas e válidas, então podem crer que o Trumpismo se vai espalhar e com muito sucesso. Tomem a palavra deste fascista. 
P.S.: E já agora podemos assumir que as migrações deste século trazem legítimos medos de perda de emprego (de que discordo) ou assimilação cultural (de que não discordo totalmente) à maioria das pessoas e que responder “és um racista se discordas da nossa solução la-la-land” só dá gás a quem reconhece e trabalhar esses medos e aparenta ter uma solução?

Retrospectiva de sofrimento

Há quinze dias, parei de fumar. Não fumava cigarros, fumava cigarrilhas (20 a 25 por dia) e a última que fumei faz amanhã 15 dias cerca das 20:00. Entretanto tem sido giro. Fica abaixo a descrição destes dias que fui publicando na rede sociopata aqui ao lado. À medida que ia fazendo copy-paste percebi que escrevi muito mais do que imaginava. Mas é a única solução: ser teimoso como um burro e escrever, escrever todos os dias. A saga continua. A história até agora aqui abaixo. Continue a ler “Retrospectiva de sofrimento”

ALA, ALA! Arriba!

BrasaoRE3Tenho andado aqui calado com a cagada dos incêndios porque não percebo nada do assunto nem tenho opinião que valha a pena. Mas há merdas que, chegados a este ponto de imbecilidade, já me tiram do sério.
Anda por aí muito ignorante indignado por causa da (não) participação dos militares no combate aos incêndios. Meus queridos, vocês ou são ignorantes, ou não sabem do que falam, ou são umas bestas.
No meu tempo no Regimento de Engenharia 3 enquanto Oficial de Dia, recebi várias vezes de madrugada equipas de militares desfeitos, negros de cinza, esfomeados, sedentos e com fardas queimadas por andarem 36, 48, 72 horas a abrir corta fogos no meio de incêndios com máquinas de engenharia sem pregar olho. Os Regimentos de Engenharia devem ser das poucas instituições que fazem prevenção de incêndios o ano todo, limpam estradas florestais e abrem corta-fogos, por exemplo. Quando são solicitados pelas Câmaras Municipais respondem sempre com os meios que têm e no âmbito da missão que lhes foi destinada de apoio ao bem-estar das populações, não porque lhes tenha sido atribuída uma missão específica para incêndios, mas porque se preocupam e colaboram a tempo e horas. Quando ainda ninguém pensa em incêndios já eles andam a preveni-los como podem. E para os políticos, tanto nacionais como autárquicos, é muito conveniente, mostram obra quase de borla (só pagam combustíveis, manutenção das viaturas e máquinas, alimentação e dormida aos militares, mais nada) e ganham votos à custa dos militares. O RE3 de Espinho trabalha, sem alarido nem mediatismo, 365 dias por ano em frentes de trabalho por todo o Norte. Perguntem às pessoas de Castanheira de Pêra, Arouca, Vagos, Cabeceiras de Basto, etc. só que como não fazem publicidade, os betos bem pensantes urbanos e os ardinas dos merdia acusam-nos de não fazerem nada e aos Governos de não os utilizarem. E se esses merdia se lembrassem de dar um salto a Espinho e falar com o CMDT do Regimento? Como nos podem informar se eles próprios não se informam? Já tentaram integrar uma equipa da Engenharia Militar neste combate? Continue a ler “ALA, ALA! Arriba!”

No Future

kafka2Eu no Diário Económico de ontem sobre défices, Sex Pistols, futuro, falta dele, filhos e netos.

 

Enquanto os nossos pastores se entretêm na AR e no Governo a discutir de quem é a responsabilidade daquela décima a mais ou a menos no défice, cá fora estamos nós e os nossos filhos, e estes em particular condenados a perder o futuro.

O resto aqui

 

Mitómanos e progressistas

kafka2Qual é a dificuldade em perceber que sem capital não há emprego? Eu, hoje no Diário Económico

As reacções às palavras do actual primeiro-ministro sobre a possibilidade de emigração dos professores por comparação com as reacções às mesmas palavras do anterior, dizem o suficiente sobre a distorção do debate político à esquerda.

Mas enfim, a eterna e juvenil luta do Bem contra o Mal faz parte da visão socialista do mundo e, quanto a isso, não há grande coisa que possa ser feita. O importante nesta proposta de António Costa não é a hipocrisia ou a ausência de indignação, é o facto de revelar algum bom senso e realismo.

 

O resto aqui

 

Novo layout, ainda mais fascista

Nós aqui, nos raros momentos de concordância em prol do bem-comum e do colectivo, momentos esses rapidamente interrompidos pelo malhete — virtual — dos grandes timoneiros, que criaram e gerem a casa, chegamos a um consenso: o anterior layout não era fascista o suficiente, não criava pobreza, faltando-lhe retoques barrocos de Louis XIV, ou XVI. Como os socialistas bem sabem, antes de sermos fascistas éramos absolutistas, pelo que recriar o Palácio de Versailles, ainda que virtualmente, é um desígnio de qualquer neoliberal que se preze, especialmente os obesos.

Assim, fazendo o gosto à Isabel do Carmo, criamos um novo layout ainda mais fascista. Como não fomos agraciados pela infalibilidade do senador da ética republicana é provável que existam ainda alguns erros nos diversos sistemas operativos, computadores, tablets e iPhones que o socialismo e o «Tempo Novo» criaram. Por conseguinte, agradecemos a vossa voluntariosa colaboração no processo de correção de bugs (nós tentamos corrigir ratos, mas com manifesto insucesso), que ficará plasmada — neoliberais não sentem — para sempre nos nossos corações fascistas. Pagamos em brioches porque, como qualquer bom neoliberal demagógico sabe, não existem almoços gratuitos. E porque Maria Antonieta também nunca disse isso.

11 anos

Faz em Maio deste ano onze anos, estava eu na minha cidade favorita, San Diego, e recebi um mail do meu irmão a dizer: “big blogging news”. Na altura ambos escrevíamos num falecido blog chamado “A Baía dos Lobos” e éramos leitores ávidos d’O Insurgente. Não perdia o que escreviam o Miguel Noronha, o André Azevedo Alves, o Fernando Cruz Gabriel, o Manuel Sequeira e mais quem não me lembro agora. Nesse dia em Maio fomos convidados a fazer parte desta família nascida poucos meses antes. Desde aí tem sido one hell of a ride. Conheci pessoas interessantíssimas, do melhor que este pobre país produziu, ganhei amigos para a vida e para mim O Insurgente é um clã. Neste 11º  que se celebra hoje, parabéns aos fundadores, a nós todos e a esta extraordinária família de insurgentes que, sempre à pancada uns com os outros, se estima e acima de tudo se respeita.

E um obrigado pessoal aos leitores que nos têm acompanhado quer concordando quer discordando de nós, bem hajam. Venham mais onze.