Um bom começo

Uma perspectiva histórica das eleições presidenciais (Brancos + Nulos):

  • 1976: 63.495
  • 1980: 60.090
  • 1986 (1ª volta): 64.043
  • 1986 (2ª volta): 54.280
  • 1991: 180.914
  • 1996: 132. 791
  • 2001: 127.901
  • 2006: 102.785
  • 2011: 277.702

Enquanto que na abstenção se pode usar várias – e válidas – justificações para não se ter ido votar (frio, desinteresse, problemas com o cartão do cidadão, etc), os votos em branco e nulos mostram o real descontentamento de muitos eleitores pois estes tiveram o trabalho de se dirigir às urnas para dizer que nenhum dos candidatos mereceu o seu voto. Como o jtcb já referiu: “estamos conversados quanto à dimensão e ao crescendo do protesto”.

E tendo em conta o geral desinteresse do eleitorado nas políticas defendidas pelos diferentes candidatos, estou tentado a também categorizar a votação em Fernando Nobre e Manuel Coelho como “votos de protesto”…

O vencedor, além de Cavaco: Pedro Passos Coelho

Um dos vencedores da noite foi, sem dúvida, Pedro Passos Coelho. Não apenas por ter apoiado o candidato vencedor, mas sobretudo por o ter feito na medida certa e – e ao contrário de tantos outros dossiers que conduziu – nos tempos certos e com sensatez e ponderação. Desde os tempos da candidatura das directas, quando havia quem esperasse (e desejasse) que PPC emulasse o fogo-fátuo Menezes, que anos antes havia manifestado o desagrado com Cavaco Silva, declarou o seu apoio a uma eventual recandidatura. Depois disso, apesar do incómodo de inúmeros dos mais vocais apoiantes passistas, ficou serenamente a aguardar a esperada recandidatura e, quando esta chegou, apoiou-a sem equívocos. E, para não ficar excessivamente na sombra de Cavaco e não aparentar querer associar-se a uma vitória de Cavaco Silva, compareceu com parcimónia na campanha, ainda que as estruturas do PSD e da JSD se tenham empenhado nesta candidatura, discreta mas eficazmente. Fê-lo ao arrepio de simpatias pessoais, o que só aumenta o mérito das acções, que o país não está para aguentar enfados pessoais. Muito bem – e eu que tanto tenho criticado PPC não posso deixar de o reconhecer.

Cavaco atira a toalha ao chão

Cavaco desafia a comunicação social a revelar quem orquestrou a campanha que o associou ao BPN e à SLN antes das eleições. O DN, estou certa, e dada a apetência que tem por revelar fontes alheias, certamente acederá. Já na sexta-feira, na SICN, Ricardo Costa afirmava que o caso da vivenda de Cavaco havia chegado a todas as redacções ao mesmo tempo e com os documentos todos prontinhos.

Seria, de facto, interessante sabermos quem entregou estas informações à comunicação social. Até para percebermos se estiveram fundos públicos envolvidos na preparação desta documentação.

Caro Professor

Agora vamos lá esquecer os eleitoralismos esquerdistas de sugerir aumentar os impostos em vez de diminuir os salários da função pública, ou de pretender que os privados (que pagam há alguns anos com salários congelados, redução nos prémios e nos benefícios, desemprego,…) devem ser ainda mais sacrificados agora que os funcionários públicos também foram penalizados. Tiradas destas são indignas da pessoa sensata que alertou para o crescimento d’O Monstro’, que previu que nos colocaríamos numa ‘situação explosiva’, que entende perfeitamente como o despesismo estatal sufoca os agentes económicos e que, além disto, se comprometeu a falar verdade aos portugueses.

Lições para a direita para combater a reeleição de um presidente de esquerda

É inventar candidaturas presidenciais como se não houvesse amanhã. Como se viu nesta campanha, não interessa que sejam estapafúrdias, com candidatos de uma inépcia jamais vislumbrada em eleições em Portugal (sim, o Francisco Lopes, dado o resultado, também se incluiu no grupo) que sejam um vazio de ideias e que se deleitem em exclusivo em enlamear o favorito.

Brancos e Nulos duplicam o resultado!

Gostava aqui de salientar um ponto que me parece muitíssimo relevante na análise destas eleições: o da expressão dos votos Brancos e Nulos.

Em 2001, aquando de uma outra re-eleição, o número de votantes foi sensivelmente o mesmo: 4,44 milhões em 2001, 4,48 hoje.

Mais, na altura, o PR re-eleito obteve 2,4 milhões de votos. Agora, ficou-se pelos 2,2 milhões.

Até aqui, nada de muito diferente. O que é diferente é a expressão dos Brancos e Nulos.

Em 2001, tivemos 82 mil votos brancos e 45 mil nulos.

Hoje foram 191 mil Brancos e 86 mil Nulos.

Os outros dados mantêm-se estáveis. Estes duplicaram!

Estamos conversados quanto à dimensão e ao crescendo do protesto.