PBN: o partido sem representação

O Partido dos Brancos e Nulos aproxima-se perigosamente do Bloco de Esquerda, o último partido com representação parlamentar.

E, mais uma vez, ninguém fala neles, mas os votos brancos e nulos continuam a crescer. Hoje somaram 223.338 votos. Não são eleitores que encolheram os ombros e preferiram ir para a praia. São os votos, tão legítimos como quaisquer outros, de mais de duzentos e vinte mil de eleitores portugueses que não se revêem em nenhum dos partidos que se candidataram a estas eleições.

Quando se pensa sobre a democracia em Portugal, este é um número que não pode ser esquecido.

E a maioria sociológica de esquerda?

É certo que PSD defende sobre si próprio com assertividade (pelo menos) que não é de direita, mas os seus eleitores fiéis serão, de facto, de direita e vai buscar (a espaços) o eleitorado de centro que tanto vota à esquerda como à direita. Em todo o caso, nos tempos de Cavaco Silva, PSD e CDS somados tinham cerca de 56% dos votos. Esta noite, e com um líder do PSD que não entusiasmou, PSD e CDS somados (e com proporções totalmente diferentes), têm mais de 50% dos votos. Cavaco Silva, no seu tempo, era visto (erradamente) como um reaccionário; PPC é visto (erradamente) como um liberal. Lamento, mas é conveniente informar os jornalistas e comentadores políticos – esses sim em maioria absoluta de esquerda – que os eleitores tanto votam à esquerda como à direita e que talvez devam deixar de apresentar o país como um espelho seu.