A noiva de Charles Manson

CHARLES-MANSON_2742357bPodem ler sobre os 6 anos de relacionamento no Telegraph. Quando Manson morrer (ele tem 79, ela 25…), aconselho-a um especialista em tortura deste lado do Atlântico…

 

Fazer as contas com menos deputados

Com base nas contas deste quadro, se o parlamento fosse constituído por 180 deputados nas últimas legislativas, a sua composição, hoje, seria a seguinte:

PS: 77 deputados;
PSD: 62 deputados;
CDS: 15 deputados;
BE: 15 deputados;
CDU: 11 deputados.

Com esta configuração, o CDS e a CDU seriam os mais afectados, com perdas de 29% e 25% respectivamente. O PS e PSD veriam a sua bancada reduzida em cerca de 20%. A grande excepção à regra, no que a perdas diz respeito, seria o Bloco de Esquerda que perderia apenas um deputado, apesar de ser, curiosamente, o partido que mais tem contestado esta ideia.

Ainda estica mais?

É certo que nas legislativas o BE perdeu sobretudo para as expectativas que criou e por ter sido ultrapassado pelo CDS, já que aumentou o nº de votantes e os deputados eleitos. No entanto, para um partido que pretendia ser governo, estes aumentos tiveram um sabor a derrota. Acrescido o sabor pelo facto de haver grande descontentamento com a governação de Sócrates e, logo, muitos votos de protesto, colheita preferencial do BE; dito de outra forma, em circunstâncias mais pacificadas o BE dificilmente terá mais votos.

Junte-se a isto o resultado do BE nas autárquicas e torna-se possível especular se este partido não terá já esgotado as possibilidades de crescimento. Esperemos que sim e trabalhemos para que de futuro encolha.

Abstenção

A abstenção das eleições autárquicas foi bem menor do que a abstenção de há quinze dias, deitando por terra o discurso com que todos os comentadores se quiseram descansar de que havia mais de 600.000 eleitores, o número de votantes seria mais ou menos o mesmo de há quatro anos, bla, bla, bla. Por um lado os eleitores sentem que a intervenção dos autarcas tem mais influência directa na sua vida e, logo, participam mais. Por outro lado, os partidos mais votados nas legislativas não foram bem sucedidos na persuasão dos seus potenciais votantes, que muitos ficaram em casa (recordemos que até o PS vencedor entusiasmou tão pouco que as celebrações de vitória foram canceladas por falta de comparência de massas contentes).

Uma conclusão, contudo, se tira: teríamos ganho com a coincidência das eleições autárquicas e legislativas, sobretudo quanto à participação nestas últimas. O PR devia ter seguido a sua opinião, ainda que assim parecesse favorecer o PSD.

Adenda: No fim da noite, os valores da abstenção verificaram-se ser semelhantes aos das legislativas.

Hoje às 18 horas, Bernardo Pires de Lima e Francisco Proença de Carvalho

jazzamemuito1

Esta semana estarei com a Antonieta Lopes da Costa em conversa com Francisco Proença de Carvalho e Bernardo Pires de Lima.

Os temas em cima da mesa são:

1) O pós-eleições – Com uma vitória relativa do PS, os únicos partidos que permitem uma maioria absoluta no Parlamento, são o CDS e o PSD. Os socialistas terão de fazer concessões à direita, sem alienar ainda mais a esquerda.

2) Eleições na Alemanha – Ângela Merkel venceu na Alemanha e a CDU vai coligar-se com os liberais do FDP. Irá Merkel ser uma nova Thatcher?

3) Guerra aberta – Cavaco Silva acusou o PS de manipulação política. Assim se vê a força do semi-presidencialismo?

4) PSD – Está o PSD preparado para ser um partido de direita?

O “Descubra as Diferenças” tem podcast disponível aqui.

“Descubra as Diferenças”… Um programa de opinião livre e contraditório, onde o politicamente correcto é corrido a quatro vozes e nenhuma figura é poupada. No final de cada emissão, fique para ouvir a já clássica “cereja em cima do bolo”: uma música, em irónica dedicatória, ao político/figura/situação em destaque na semana.

Virar a página

O PSD tem de esquecer Cavaco Silva. Esta guerra, de que as escutas são mais um episódio, é entre o governo e o Presidente da República. Nela o PSD não é tido nem achado. Os socialistas venceram as eleições e o PSD não pode cair no erro da vitimização política, número para o qual já nos bastou o episódio Sampaio/Santana Lopes.

O PSD tem de virar a página e seguir em frente. Preparar-se para ser uma oposição dura, assertiva e eficaz a este governo, enquanto prepara um novo projecto, estuda um novo programa de governo, verdadeiramente ambicioso e reformador.