Obama vai ser reeleito

Por incompetência ou necessidade de manter o suspense, a comunicação social portuguesa diz que as eleições presidenciais americanas estão em empate técnico. Ainda explicam que o importante são os resultados do colégio eleitoral, não do voto popular. Mas, depois, referem apenas as sondagens sobre o voto popular em que, nestas sim, existe um empate.

Porém, tendo em conta as sondagens nos vários swing states, a vitória de Barack Obama é altamente provável. Por exemplo, o conceituado estatístico Nate Silver atribuiu uma probabilidade de 91,6% à vitória de Obama.

Asim vai a qualidade do jornalismo em Portugal :\

O maldito colegio

Fatal como o destino. Em altura de presidenciais americanas temos artigos como este acerca da utilizaçao de um “pouco democratico” colegio eleitoral nos EUA. Conviria pensar um pouco antes de emitir tais sentenças. Como recorda o Luciano, os EUA (notem o plural) nao sao um unico pais mas uma federaçao de 50 estados bastante menos homogenos do que se julga deste lado do Atlantico. Logo a começar pela demografia. Alias, seria interessante saber o que pensariam os detratores do colegio eleitoral se (esperemos que nao) viermos ter a algum tipo de poder executivo eleito na UE.

MSNBC Vs Fox – Quem é mais ideológico?

Que a Fox era injusta com o Obama, qualquer Português já sabia (rácio de 7,67 notícias negativas por cada positiva)

Agora o enviesamento da MSNBC contra Romney (rácio de 23,67!) até a mim me surpreendeu!

Podem ler o artigo completo aqui.

Opinião do The Baltimore Sun:

That’s not a news channel. That’s a propaganda machine, and owner Comcast should probably change Phil Griffin’s title from president to high minister of information, or something equally befitting the work of a party propaganist hack in a totalitarian regime. You wonder how mainstream news organizations allow their reporters and correspondents to appear in such a cauldron of bias.

I thought show host Sean Hannity of Fox News defined party propagandist. But while his channel was bad, it wasn’t as bad-boy biased as MSNBC.

O fim do messias – ou um momento I told you so

Há quatro anos um dos maiores divertimentos públicos que havia era observar a loucura e as certezas sobre a genialidade e as qualidades políticas de Obama. O homem fazia descursos melhores do que os do Churchill (e quem permanecia convencido da superioridade da finest hour e do never so much was owed by so many to so few e do we shall never surrender – cito de memória – era um geriátrico precoce). O ideário de Obama era riquíssimo e apenas por mestria eleitoral estava resumido a ‘hope’, ‘change’ e ‘yes, we can’. O mundo viveria uma era de amizade e prosperidade sem igual se Obama fosse eleito e as divisões entre republicanos e democratas atenuar-se-iam; Obama era imaparável trabalhando across the isle. E por aí adiante.

Quem visse que Obama não tinha experiência política, que tinha tido um passado profissional difuso, que tivera apenas um mandato no Senado passado na maioria do tempo a trabalhar para a sua candidatura para a presidência, que – como Palin tão bem descreveu – tinha escrito duas autobiografias mas nem uma peça de legislação, que tinha um record de votos contrastante com a moderação que preconizava, que os seus apoiantes iniciais eram a extrema-esquerda liberal americana e os que afirmavam como maiores preocupações a guerra do Iraque e o aquecimento global, que Hillary Clinton fora sempre considerada a mais capaz para lidar com os problemas económicos, que discursos não chegam para uma boa governação, enfim, que Obama era uma aposta arriscada que indiciava trouble – essa gente, como eu, estava definitivamente do lado errado da História.

Depois foi o que se sabe. Obama começou a implementar a sua política inclinado à esquerda, usando e abusando da arrogância de quem se vê predestinado, nas relações com o GOP, levando a uma distância entre democratas e republicanos nunca vista e a uma impossibilidade de concensos. Na política externa sucederam-se os desaires: o discurso do Cairo, qualificado de ‘histórico’ antes de ser proferido, foi uma dos mais abjectos discursos de apaziguamento e desrespeito pelos direitos humanos das mulheres do mundo muçulmano jamais ditos; a inicial tentativa de aproximação ao Irão foi ridícula e mostrou como Obama não conseguia entender os problemas do mundo fora de uma moldura de culpa americana e europeia; a revolta após as eleições presidenciais iranianas deixou a Casa Branca como uma barata tonta, uma vez que baseavam a sua política numa efectiva legitidade democrática de Amhadinejad e amigos; a China, que Obama tanto criticou, reforçou a sua influência tanto regional como mundial; a intervenção americana na Líbia não se entende perante a não-intervenção na Síria; etc., etc., etc.. Não conseguindo ver qualquer alternativa a estímulo à economia atrás de estímulo, face a uma situação económica difícil a prioridade de Obama foi, em todo o caso, uma reforma na saúde de que os americanos – e Obama sabe que sabe o que é melhor para os americanos do que os próprios – detestaram. Guantanamo continuou, ataques com drones mataram muita gente, a reforma da imigração morreu e outros troféus liberais tiveram o mesmo caminho. Obama conseguiu até destruir aquilo que a sua eleição teve de melhor: mostrar que a raça não é um factor determinante para um candidato, numa espécie de redenção de um país com história de escravatura.

Obama, com taxas de aprovação risíveis e sem certeza de vitória, tem ainda assim mais probabilidades de ganhar amanhã do que Romney, um candiato com inúmeros anticorpos na direita americana. Mas continuará a ser o que foi e sempre foi visível que seria: um presidente medíocre.

Mapa Eleitoral – EUA 2012

O Huffington Post tem um mapa eleitoral muito interessante.

Basicamente, combina centenas de sondagens para gerar as cores num mapa em que cada estado está representado não pela sua dimensão geográfica mas sim pelo número de representantes no colégio eleitoral. Podem ir ao site e fazer as vossas próprias previsões. As padrão são estas:

A fraqueza do Obama é um pouco surpreendente, mas continuo a prever a vitória dele…

Curioso o facto de todas as últimas alterações serem a favor de Romney…