Os restantes são Franciscanos do Alasca

A imbecilidade não respeita títulos académicos.

Inspecção de Educação convoca pais

Isto é algo surreal quando os tribunais têm dito sucessivamente que não há limites territoriais nas inscrições. E sobretudo porque não falta aí escola do estado em que as famílias inventam moradas para arranjar uma escola mais conveniente (usando os legítimos critérios que cada família encontra de acordo com o seu projecto educativo).
Eu se fosse fã destas técnicas pidescas poderia indicar casos concretos.

Licenciatura em Ciência Política e Relações Internacionais – IEP-UCP

Apresentação Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa

Está em curso a 1ª fase de candidaturas à melhor Licenciatura em Ciência Política e Relações Internacionais em Portugal – a do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa, em Lisboa.

O concurso aos cursos da UCP é local, pelo que a opção “Universidade Católica Portuguesa” não está incluída no concurso nacional, devendo a candidatura ser feita directamente junto da UCP.

Entretanto na Alemanha e arredores

Um jovem refugiado afegão enquanto grita Allahu Akbar,  ataca e fere pelo menos duas dezenas de passageiros de um comboio em Wuerzburg. No Reino Unido, a BBC noticía que a polícia alemã matou o pobre atacante.

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Imagem nacionalizada ao Romeu Monteiro.

Mais tarde, a BBC emenda o título para um informativo Germany axe attack: Assault on train in Wuerzburg

O atentado terrorista em Nice visto por et’s revolucionários

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Persononificados no PCTP/MRPP, pela facção Arnaldo Matos, o eterno educador do proletariado português.

(…) Há um ano que os factos têm sobejamente demonstrado a absoluta incapacidade das forças armadas e policiais da França para impedir o sucesso dos franceses nos actos de guerra que têm estado a praticar em França.

Existe em França uma guerra civil larvar, de franceses contra franceses, promovida por elementos do povo francês contra o imperialismo e os imperialistas da França.

Essa guerra civil vai crescer cada vez mais e vai mundializar-se. Hollande e os maoistas franceses chamam-lhe terrorismo. Mas a verdade é que essa guerra é cada vez mais a guerra que os maoistas do Partido Comunista de França (m-l-m) se recusam a reconhecer como a guerra do povo contra a guerra imperialista, guerra imperialista esta que o imperialismo francês levou e leva a cabo em África e no Médio Oriente, e que, quer queiram os maoistas da França quer não queiram, está a chegar a França, ao covil dos imperialistas.

Há em França dois milhões de imigrantes portugueses e seus descendentes. Mais cedo ou mais tarde, de um lado ou do outro, esses dois milhões de portugueses vão estar envolvidos na guerra imperialista, como carne para canhão dos imperialistas franceses, ou na guerra do povo contra a guerra dos imperialistas.

De que lado é que estarão então os maoistas do Partido Comunista de França (marxista-leninista-maoista)? Em Portugal, os seus amiguinhos liquidacionistas já estão do lado do imperialismo francês e das polícias secretas portuguesas… Pobre canalha!

A guerra dos tronos dos direitos humanos progressistas

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A ditadura dos irmãos Castro continua de boa saúde e recomenda-se.

Cuba criticized the policy of singling out countries for censure, protesting against the “endless allegations against the South by the industrial North.” The delegate asked the Council, “have any countries criticized or said a word against the warmongering of the North around the world?” before providing his own answer: “No.” He continued, asking “why aren’t we hearing about the xenophobia or glorification of fascism in the North?” Contrasting Cuba’s human rights record with that of the developed world, he told delegations that “we continue to work for the promotion and protection of human rights in our nation”

Venezuela, Egipto, Coreia do Norte, Irão, China, Bielorrússia, Eritreia e Portugal, sigam os melhores exemplos e apostem tudo no aprofundamento do modelo socialista que tão bons resultados origina.

Histerismo na geringonça

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Emigração de professores: “Há semelhanças entre Costa e Passos”, diz BE

Porta-voz Catarina Martins sublinha que o partido “dispensaria a similitude” entre as palavras do atual e do ex-primeiro-ministro

Passos e Costa sobre a emigração de professores

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Há diferenças entre o que disse agora Costa e o que disse Passos em 2011?

Um em 2011, outro há dois dias, ambos juntaram na mesma frase demografia, professores, ensino da língua portuguesa e emigração. E a polémica instalou-se. Mário Nogueira defende Costa, mas preocupado.

Alexandra Leitão e os contratos de associação

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Por acaso, um acaso sem acaso algum. Por Helena Matos.

Este sistema escolar que a senhora secretária de Estado defende – com os filhos dos outros nas escolas públicas e os nossos numa escola privada por causa de uma circunstância que não suscita polémica como os horários ou a segunda língua – tornou-se em Portugal um mecanismo que não só reproduz como acentua as fragilidades e as vantagens comparativas do meio de origem dos alunos. E foi nesta engrenagem que, qual grão de areia, entraram os contratos de associação.

O que está em causa, o que irrita nos contratos de associação é que milhares de famílias viram naqueles contratos algo em que muitos já desistiram de acreditar na rede pública: a escola enquanto factor de inclusão e ascensão social. Por outras palavras, eles não podem colocar os filhos na Escola Alemã mas também não os querem nas madrassas do senhor Nogueira.

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#NogueiraBem

Vejo muita gente indignada por Mário Nogueira ainda não ter saltado à jugular de António costa quando o fez perante iguais declarações de Passos Coelho sobre as – aliás, evidentes – oportunidades no estrangeiro para os professores que cá não obtêm colocação.

Queria defender aqui um pouco o nosso ministro da educação: Mário Nogueira sabe comportar-se com lisura política. Discordará em privado e di-lo-á ao seu líder, mas não fará em público a desfeita de atacar o seu primeiro-ministro. É o que se espera dum soldado disciplinado.

Os malandros dos privados

porcosUma empresa é a forma legal como um conjunto de pessoas se organiza para levar a cabo uma actividade económica. Um sindicato é a forma legal como um conjunto de pessoas se organiza para levar a cabo uma actividade económica. O primeiro caso é motivado pelo benefício da organização e união de esforços para atingir objectivos. O segundo pelo benefício da força negocial resultante da união de esforços dos seus membros. Ambas são organizações de origem eminentemente privada, enquadradas na legislação.

Curiosamente, quando algumas pessoas defendem a “escola pública”, defendendo implicitamente os interesses privados dos sindicatos de professores e dos seus membros, usam argumentos de oposição a interesses privados (neste caso dos colégios com contrato de associação). Os animais são todos iguais, mas uns são mais iguais que os outros.

Uma investigação conveniente

Era muito conveniente esclarecer-se por que razão a direção-geral de educação está a investigar as escolas com contratos de associação. Recebeu alguma queixa dos pais? Quantas? Com que conteúdo? Onde estão? Ou recebeu ordens – ou sugestões ou ‘já sabes o que fazer quando eu pisco três vezes o meu olho esquerdo’ – do ministro Brandão Rodrigues ou da secretária de estado Leitão para investigar quem tem de forma audível por todo o país contestado as políticas do governo?

É esta investigação uma vingança e uma perseguição do governo? É que não vamos esquecer que a geringonça nem tem vergonha de fazer ameaças públicas.

Recordar é viver

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O que dizer do Louçã – o Palhaço –, segundo os camaradas do PCTP/MRPP? Apenas que é o contributo possível para a indispensável união das esquerdas em geral e do Bloco em particular.

Nos últimos vinte e cinco anos, nunca houve ninguém em Portugal que fosse tão mimado, tão incensado, tão elogiado, tão lambido, tão levado ao colo e tão carregado em ombros de tudo o que é jornalista e órgão de comunicação social como esse tal de Francisco Louçã.

Com toda a imprensa burguesa, reaccionária em extremo como se sabe, a empurrar por trás, Louçã foi posto à cabeça de um bloco de oportunistas, baptizado de Bloco de Esquerda, de que se safou logo que pôde, foi levado a deputado da Assembleia da República e até foi colocado numa cátedra ali para os lados de São Bento, no Instituto Superior de Economia e Gestão, sem que ninguém se tivesse apercebido a tempo de que o homem não só não era de esquerda como não passava de um ignorante em matéria de economia e de finanças.

A imprensa tem andado tão babada com o seu menino-prodígio que, no mês passado, enquanto celebrava os quarenta anos do golpe de Otelo e dos seus capitães, foi ao ponto de transformar à sorrelfa o paizinho de Louçã num dos heróis de Abril, quando toda a gente sabe que foram os marinheiros e sub-oficiais da fragata Almirante Gago Coutinho, por um lado, e os obuses da bateria de artilharia de Vendas Novas, colocada no Cristo Rei, em Almada, por outro, quem impediu o comandante – capitão de fragata Seixas Louçã – de bombardear os homens e os carros de Salgueiro Maia no Terreiro do Paço.

Mas a basbaquice da imprensa por Louçã é de tal ordem que não lhe custa nada homenagear como herói de Abril um fascista do antigo regime, desde que seja familiar do sobredito Louçã…

Ora, este produto acabado do jornalismo português de pacotilha – Louçã – de forma indirecta, e durante a presente crise, levantou-se contra o PCTP/MRPP aí por 2012, ao acusar uma das fracções do Bloco de ter cometido o crime de seguir o nosso Partido, ao defender o não pagamento da dívida e a saída do euro.

Desde que, em 16 de Junho de 2012, atacámos, numa conferência realizada na cidade do Porto, o Syrisa e o seu aliado português – o BE -, por não se atreverem a defender a saída do euro e o não pagamento da dívida, Louçã não tem feito outra coisa senão escrever, só ou acompanhado, resmas de papel que têm um único objectivo: explicar como se deve pagar honradamente a nossa dívida, de modo a mantermo-nos no Euro e na União Europeia a todo o custo.

Mas eis que, no último domingo, na Mesa Nacional do Bloco de Esquerda, Louçã terá admitido, segundo notícia circulada pelo jornal i, que “a saída do euro pode mesmo tornar-se na única solução para o País”.

Não acredito! Será possível que o animal tenha dito semelhante coisa?!

Mas acho que sim. Disse mesmo!

É que Louçã não passa de um palhaço! Até domingo passado, Louçã sempre defendeu a permanência de Portugal no euro e o pagamento honradinho e integral da dívida pública.

Começou, aliás, por defender, no consulado de Guterres, a adesão de Portugal à moeda única, muito embora criticasse as negociações da adesão, que teriam prejudicado o País. “Mas essa entrada era inevitável”, alegou então o catedrático Louçã.

Em Maio de 2011, fez agora três anos, numa troca pública de ideias com Jerónimo de Sousa, Louçã, com aquele ar de convicta certeza que nunca abandona mesmo quando diz as maiores alarvidades do planeta, pretendeu ter esmagado, com a sua autoridade professoral, o pouco ilustrado Jerónimo, atirando-lhe a matar: “Recuso a saída do euro, porque isso seria catastrófico”; “Ficaria tudo mais caro, desvalorizaria salários e pensões e faria com que as pessoas que têm créditos à habitação passassem a pagar muito mais“.

Não se encontraria em parte alguma da Europa um pequeno-burguês mais explícito… (…)

A cegueira ideológica e corporativa da “geringonça” na educação

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O meu artigo de hoje no Observador: O despotismo iluminado da “geringonça” na educação.

O que está em causa é, portanto, bastante mais abrangente do que os meros contratos de associação. Ainda que estes possam e devam ser defendidos no actual contexto, seria importante aproveitar a oportunidade para alargar o âmbito da discussão sobre a liberdade de educação. (…) Mais do que a defesa dos contratos de associação existentes, é a promoção da liberdade de educação que precisa de ser colocada no topo da agenda política. Só com passos decisivos no sentido de uma maior liberdade de educação e abertura à concorrência será possível evitar que a cegueira ideológica e corporativa leve a que más escolas continuem abertas enquanto outras reconhecidamente melhores são encerradas.

Marxismo, fascismo e a importância de estudar o pensamento político

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Na sequência do muito feedback suscitado pelo meu artigo De Marx a Mussolini – mais de 1.000 partilhas nas redes sociais e algumas centenas de comentários por vários meios – gostaria, na impossibilidade de responder individualmente, de agradecer por esta via o interesse de todos quantos partilharam e reagiram. Ficam também várias ideias, críticas e sugestões como mote para eventualmente regressar ao assunto de forma mais desenvolvida no futuro.

Sobre o tema abordado, gostaria de destacar dois textos adicionais. O primeiro, de Alexandre Franco de Sá (Fascismo é quando a esquerda quiser), por ser o mais sustentado e interessante contributo teórico adicional para esta discussão que tive oportunidade de ler. Recomendo a leitura integral do artigo, mas parece-me especialmente relevante destacar este parágrafo:

É no contexto deste uso e abuso do “fascismo” por alguma da nossa esquerda que o clamor suscitado pelas afirmações de José Rodrigues dos Santos pode ser explicado. Qualquer evocação das relações históricas entre socialistas e fascistas, ou qualquer comparação conceptual entre marxismo e fascismo, ofende imediatamente uma mentalidade dicotómica que vê o mundo político como uma batalha do bem contra o mal; uma mentalidade que, neste esquema simples, não permite que se toque nas “sagradas escrituras” do marxismo, incensadas como “progressistas”, “emancipatórias”, “defensoras da justiça e direitos humanos” e outros epítetos anacrónicos.

O segundo texto, de Francisco Louçã, não inclui nenhum contributo teórico relevante para a discussão e está escrito no estilo grosseiro e pedante a que o ex-líder do BE nos habituou, mas creio que deve ser destacado por evidenciar a incomodidade que o tema provoca junto da extrema-esquerda e a mentalidade dicotómica típica dos revolucionários monistas, aspectos que como abordei no meu artigo no Observador e que me parecem fundamentais para compreender o que está em causa. Pelo proeminente perfil público do seu autor como referência intelectual da extrema-esquerda em Portugal e por ser, de entre todos os textos que li, o que melhor ilustra os aspectos referidos tenho pena que fique remetido à relativa obscuridade do blogue do Público onde foi publicado.

Por fim, não posso deixar de manifestar o meu agrado pelo interesse que temas de teoria e filosofia política suscitaram em tanta gente, ainda que o nível da discussão tenha frequentemente deixado a desejar. Como refere Alexandre Franco e Sá na conclusão do seu excelente artigo: “(…) Portugal precisa de uma escola em que se forme para o conhecimento, para a cultura, para a verdadeira discussão e para a crítica; não uma escola que promova as ideias feitas ou as “gargalhadas” que há poucos meses faziam as preferências de certa dirigente partidária”.

Pela minha parte – e pese embora a necessária declaração de interesses pela minha ligação ao Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa – não resisto a aproveitar a oportunidade para fazer publicidade recomendando a todos quantos desejem aprofundar conhecimentos sobre teoria política e história do pensamento político o Mestrado em Ciência Política e Relações Internacionais do IEP-UCP. Além de um plano curricular com forte ênfase na história do pensamento político e na teoria política contemporânea, o programa beneficia de um corpo docente de inegável qualidade e pluralismo.

Aproveito também para recordar que estão abertas as inscrições para o Estoril Political Forum 2016, este ano realizado em parceria com o International Forum for Democratic Studies e dedicado ao tema “Democracy and its Enemies: New Threats, New Possibilities”.

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Estoril Political Forum 2016: “Democracy and its Enemies”

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The title of this year’s meeting is reminiscent of the famous book by Karl Popper, The Open Society and Its Enemies, published in 1945. The book was an energetic defense of liberal democracy and Western civilization against its totalitarian enemies, both from the revolutionary left and the revolutionary right, communism and national-socialism.

(…)

The registration for the ESTORIL POLITICAL FORUM 2016, the XXIV International Annual Meeting in Political Studies is now open!

XXIV International Meeting in Political Studies – Estoril Political Forum 2016, on “Democracy and its Enemies: New Threats, New Possibilities”, this year in association with the International Forum for Democratic Studies, Washington, D.C.

Please see the Programme here»

For registrations click here»

For more information please contact: summerschool.iep@iep.lisboa.ucp.pt

Em defesa da liberdade de educação: o caso de Famalicão e Santo Tirso

De que lado vai estar, no dia da morte do Colégio das Caldinhas? Por Manuel Araujo.

Na nossa região (Famalicão e Santo Tirso), até agora, 32% dos alunos estudam em escolas privadas. São gratuitas, abertas a todos os alunos e com verdadeira autonomia. Não podemos desperdiçar esta grande vantagem. Competências administrativas do Ministério que passem para o Município nunca compensariam a falta de “liberdade de educar” que, hoje, é real e que as famílias usam para escolher a escola de que mais gostam.

O Município deve agir na defesa da “liberdade de educar”. Os alunos não podem ser transferidos à “força” por decisão administrativa do Ministério da Educação que, aliás, deve deixar de gerir escolas, a partir de Lisboa. Mesmo os estabelecimentos públicos devem funcionar com autonomia de gestão para cativarem alunos pelo que a escola vale por si mesma e não porque são forçados a matricular-se ali, contra a vontade das famílias.

(…)

Quando se permite que se retire às famílias a possibilidade que tinham de escolher o melhor para os seus filhos é porque deixamos de acreditar ou não temos força. É sinal que, apesar de sermos um concelho empreendedor, na educação desistimos das pessoas e do futuro porque deixamos que levassem a nossa liberdade. A isto, chama-se decadência.

Nas cerimónias da morte do “Colégio das Caldinhas” (e das outras escolas privadas da região do Ave) vão aparecer dois grupos: os heróis ainda vestidos simbolicamente de amarelo que lutaram até ao fim e várias pessoas de vestido, fato e gravata preta que vêm para a circunstância. Nesse dia, de que lado vai querer estar?

Confesse, Isabel: o seu problema são os traumas com o catolicismo

Eu nunca poria os meus filhos num colégio da Opus Dei, e sempre me apresentaram o Deus misericordioso, que toma conta de mim mesmo (ou sobretudo) no meio dos turbilhões e que nunca desiste de mim – e que até se diverte com esta minha maneira heterodoxa de me relacionar com ele. Mas eu não sou (nem quero ser) exemplo para ninguém, nem pretendo impor os meus pontos de vista sobre a fé.

Isto a propósito da nova fatwa da fanática Isabel Moreira contra a suposta falta de laicidade de Assunção Cristas, que infelizmente julga todos pela bitola do seu fanatismo. Isabel Moreira nunca superou os traumas de infância no colégio Mira Rio. Não tenho nada a ver com isso. O que não aceito é que apoie políticas – como o fim dos contratos de associação – e profira insanidades no parlamento na tentativa de exorcizar os seus traumas. Há toda uma gama de alternativas terapêuticas mais salutares para a vida em sociedade, desde psicofármacos a velas de aromaterapia, dependendo do tamanho do dano sofrido.

Denúncias justiceiras (e sandálias)

O meu texto de hoje no Observador.

‘Este fim de semana algo assombroso aconteceu. Ou, melhor, não aconteceu. Foi fim de semana de campanha do Banco Alimentar e não vi um único dos espíritos da esquerda-progressista-laica-o-voluntariado-é-uma-treta com quinze achaques seguidos contra o papel da odiosa caridade na ajuda aos mais pobres. Fiquei à espreita e não vislumbrei um único comentário verrinoso a Isabel Jonet.

Não, não ocorreu nenhum atentado terrorista que desviasse as atenções. Foi algo muito mais catastrófico: uma manifestação participadíssima a reclamar pela continuação dos contratos de associação onde já existem e pela continuidade da vida escolar dos alunos que os frequentam.

Mas – agradeçamos aos espíritos dos participantes na segunda internacional comunista – há quem esteja bem atento às manobras desta gente que defende os contratos de associação, que é mais perigosa que os meliantes (infelizmente praticantes de infrações ainda não tipificadas na lei) que se voluntariam para os supermercados a distribuir sacos ou dividir os alimentos doados no armazém do BA. E estes vigilantes têm feito denúncias escabrosas.

Por exemplo. Uns justiceiros, agora em voga no twitter, que uma noite sonharam com Engels e acordaram no dia seguinte com a missão de escancarar os horrorosos truques da comunicação social contra o nosso admirável e venerável governo, revelaram uma conspiração de dimensões quase internacionais. A manifestação prática era o uso, por duas apresentadoras da RTP e da TVI, de roupa amarela, numa clara e poderosa mensagem subliminar de apoio aos colégios com contratos de associação. Valentes pessoas que denunciam tais ignomínias.’

O resto está aqui.

Do Kremlin, com humor

Vlad

Gozar com criaturas divinas não dá bom resultado.

Professores: há que separar o trigo do joio

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Fonte: Our World In Data

O gráfico acima, aparentemente complexo mas de simples interpretação, ilustra bem a importância do professor na performance dos discentes, uma observação muitas vezes contestada pelos romeiros do eduquês, que insistentemente se resguardam no contexto sócio-económico, Santo Graal para os fatídicos resultados da escola pública — os republicanos-laicos-excepto-para-construir-mesquitas-em-Lisboa que me perdoem a referência pia.

Vejamos. O gráfico no canto superior esquerdo ilustra o efeito da entrada de um bom professor. Existe claramente um aumento significativo da apreciação escolar dos alunos, medida no eixo vertical, criando um gap com a média. Em contraste, a entrada de um mau professor, cujo efeito está ilustrado no gráfico do canto inferior esquerdo, gera uma clara degradação dos resultados dos alunos.

Se este efeito causal é consistente, então o efeito nos resultados dos alunos deverá verificar-se também quando um bom ou um mau professor abandona a turma. Efectivamente, este efeito verifica-se. No canto superior direito temos o efeito da saída de um bom professor, que diminui o gap positivo existente, e no canto inferior direito temos o efeito análogo no caso de um mau professor, que revela que os resultados recuperam face à média.

Posto isto, deveria parecer claro que o sistema educativo deverá estar montado de forma a que os pais e as próprias escolas consigam identificar os bons e os maus professores, separando o trigo do joio, e criando também incentivos a que os maus se esforcem e melhorem a sua prestação. Certo? Errado.

Existe um motivo claro pelo qual a FENPROF não quer a avaliação dos professores: porque não quer a heterogeneidade, não quer a diferenciação, não quer a distinção dos bons profissionais dos maus profissionais, porque isso quebra a uniformização da classe operária, da unidade sindical. E a FENPROF permite-se a isso porque o objectivo do sindicato não é obter o melhor sistema de ensino possível, público ou privado, mas salvaguardar única e exclusivamente os interesses dos seus professores — em particular os maus, que os bons não precisam dos sindicatos para rigorosamente nada. E os interesses desses estão melhor garantidos dentro de um sistema público e estatal, centralizado e controlado pela FENPROF.

O desfecho dos contratos de associação, mecanismo que, não obstante alguns deméritos (uma solução ancorada no cheque-ensino seria claramente preferível), permite às escolas escolherem os seus professores, os melhores — único garante que lhes garante os alunos. Uma coisa boa para os alunos, boa para os pais, e por efeito das externalidades positivas que gera, bom para todos. Excepto, claro, para a FENPROF. Assim, continuaremos com os concursos de professores via 5 de Outubro, manietados, claro está, pelo verdadeiro Ministro da Educação, Mário Nogueira.

Sobre a instrumentalização de criancinhas em manifestações

Manifestação que instrumentaliza criancinhas:
Manifestação em defesa dos contratos de associação
Escola5

Manifestação que não instrumentaliza criancinhas:
Estudantes do básico e secundário manifestam-se em defesa da Escola Pública
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(ideia roubada à Maria João Marques)

José Rodrigues dos Santos sobre fascismo e marxismo

O meu artigo de hoje no Observador: De Marx a Mussolini.

Mas porventura o mais estranho no artigo de Paulo Pena é que se insira numa rubrica intitulada “Prova dos Factos”. Se se tratasse apenas – e assumidamente – de um artigo de opinião, seriam de lamentar as imprecisões e inconsistências (algumas das quais bastante grosseiras) mas pelo menos não estaria em causa a natureza do texto (apenas a sua falta de rigor e qualidade). Ao tentar apresentar-se como algo que notoriamente não é nem poderia ser, o artigo assume natureza mais gravosa por se inserir numa campanha de propaganda dirigida contra José Rodrigues dos Santos. Num contexto de hegemonia quase absoluta da esquerda e extrema-esquerda nas redações da comunicação social portuguesa, Rodrigues dos Santos – goste-se ou não do estilo – é uma presença incómoda. Mais ainda por não ser facilmente intimidável e por ter uma posição que lhe garante alguma autonomia.

Ainda sobre os contratos de associação: um piadista que atira sempre ao lado (com acrescento da aldrabice seguinte)

Anda por aí a circular uma imagem de um dito de Pedro Marques Lopes, presumo que do seu facebook, onde este afirma que no Colégio São João de Brito andam pelas aulas psicólogas a atormentar as criancinhas para as constrangerem a ir à manifestação de amanhã. Porque uma das conversas de treta dos partidários do fim dos contratos de associação é ‘ai jesus que instrumentam as criancinhas’. (Como o Filipe Nunes Vicente notou no twitter, só se podem exibir criancinhas para as causas progressistas.) Ora como o São João de Brito é uma realidade que conheço muito bem – andei lá uma catrefada de anos, os meus irmãos andaram lá, os meus sobrinhos andaram lá, os meus filhos não andam lá porque o colégio é muito longe, grande parte dos meus amigos faz parte do grupo que lá formei, faço parte da direção da associação de antigos alunos, tenho amigos que são ou foram lá professores, tenho imensos amigos com filhos que lá estudam, e mais uns pozinhos semelhantes – esclareço alguns pontos.

1. Qualquer pessoa que dê a entender, mais ou menos explicitamente, que o SJB é um colégio com contrato de associação devia ter vergonha da falta de seriedade argumentativa a que se entrega. Por outro lado, quem acredita que o SJB – ou qualquer outro colégio prestigiado (ou não) em Lisboa – tem alunos cuja propina é paga pelo estado ao abrigo dos contratos de associação, devia ir entregar-se ao serviço de neurologia mais próximo para que lhe façam tratamento de choques elétricos a fim de estimularem os circuitos cerebrais.

2. Não tenho notícia, de entre todos os meios de onde as poderia receber, que haja alguém, psicóloga ou contínua, professor ou auxiliar, a forçar os alunos a fazerem o que quer que seja neste processo da extinção dos contratos de associação.

3. As psicólogas? No SJB há inúmeros jesuítas, a maior parte com um relacionamento próximo com os alunos. São os professores de religião, são professores de filosofia, são professores de música, são diretores de turma, etc. Costuma haver inclusive os jesuítas in the making, que no seu período de magistério vão frequentemente para os colégios; como são novinhos, são em tão grande parte amigos dos alunos como membros da autoridade. Sempre que há algum assunto importante que os jesuítas entendem ser necessário transmitir aos alunos, são os jesuítas que o transmitem. Só quem não conhece nada de funcionamento de jesuítas supõe que delegam em psicólogas qualquer mensagem que julgam relevante. A ter acontecido alguma coisa, nunca poderá ter sido mais que alguma conversa informal.

4. No SJB sempre notei um escrupuloso respeito pela liberdade dos alunos. Nos anos que lá estive, não participava em nenhuma das atividades espirituais, não me crismei (na minha turma um primo do Miguel Botelho Moniz e eu fomos os únicos), nem sequer fazia a oração da manhã. (Respeitava muito quem fazia isso tudo, evidentemente.) O único evento em que participei, levada pelo Colégio, foi na missa de João Paulo II no estádio do Restelo, e motivada pela melhor razão: poder faltar às aulas nessa tarde. Passei a missa a fumar virada de costas para o altar, um contínuo pôs-me às cavalitas para eu ver o Papa a passar, depois desatou a correr atrás do papamóvel e eu ia caindo e morrendo. Foi tudo. Nunca tive qualquer constrangimento ou qualquer repreensão pela minha escolha. Em sentido oposto, nunca – repito: nunca – houve qualquer tentativa de nos forçarem a tomar posição sobre qualquer assunto politicamente em voga.

5. Isto dito, acho que os alunos adolescentes do SJB têm idade para, querendo, participar na manifestação contra o fim dos contratos de associação. Ao contrário dos hipócritas de esquerda – que colocam os filhos em colégios enquanto retiram a outros menos endinheirados a possibilidade de fazer o mesmo – de facto sempre fomos doutrinados na ideia de que a melhor educação deve estar disponível para ricos e pobres.

6. Nunca estive no colégio dos jesuítas de Santo Tirso, e mal conheço o de Cernache. Mas conheço os jesuítas, tenho amigos jesuítas que andam por estes dois colégios, e posso dizer sem exagero que é um crime fecharem-nos para entregarem os alunos à Fenprof e à vontade de os doutrinar na ideologia mata-frades de Alexandra Leitão, Tiago Brandão Rodrigues e António Costa. Luís Froes lembrava no outro dia no facebook a expulsão dos jesuítas, que provocou uma hecatombe na população escolarizada em Portugal. Não é uma comparação descabida.

Acrescento: agora mesmo no fb Pedro Morgado me informou de que afinal PML diz que não eram psicólogas, mas que alguém ‘doutrinou mesmo as crianças’. Esta denúncia tem, claro, a mesma credibilidade que a anterior. Porque, convenhamos, os alunos e pais de alunos do SJB não costumam confundir os jesuítas – que é quem fala em nome dos jesuítas – com as psicólogas do colégio.

(Retirei o acrescento nº 2 sobre o ensino noturno que o SJB teve durante muito tempo, de adultos que não haviam terminado a escolaridade, porque este já não existe precisamente por dificuldades de financiamento, segundo esclarecimento que me fez um jesuíta. Logo não interessa nada para esta discussão dos contratos de associação.)

Contratos de associação, o processo da sua extinção e o bem comum

Vale a pena ler o José Maria Brito sj no Observador sobre os contratos de associação. Dá uma perspetiva de quem conhece o que se passa, em vez de fazer avaliações com o google maps. Quando o vi no facebook pedi ao Zé Maria para o postar aqui, esta semana não tive tempo para isso, pelo que fica agora.

‘Falo dos contratos de associação a partir da realidade que conheço: Colégio da Imaculada Conceição (CAIC), em Cernache, Coimbra e o Instituto Nun’ Alvres (INA) em Santo Tirso. Estas duas escolas fazem parte da lista daquelas com que o Governo deseja terminar o contrato de associação. Conheço-as não apenas por ser jesuíta e por estas escolas pertencerem à Companhia de Jesus, mas por ter trabalhado numa delas e por ter acompanhado de perto o trabalho que cada uma delas faz em termos de intervenção social. Não quero com isto desconsiderar nenhuma outra escola, mas falar com conhecimento de causa.

O que se passa então nestas escolas? Estas escolas aceitam todos os alunos de acordo com regras do Ministério, havendo umapercentagem elevada a beneficiar de apoios socias. Nesses e noutros casos, é feito um acompanhamento das famílias que vai para além do estipulado na Ação Social Escolar. Estas escolas integram alunos institucionalizados e alunos com necessidades educativas especiais. Pontualmente, aceitam a transferência de estudantes a pedido de escolas públicas estatais devido a questões disciplinares ou dificuldades de integração. Não se nega a participação em atividades extracurriculares por razões económicas. Existe uma real colaboração com diferentes entidades na resposta às necessidades da população. Sejam elas a comissão de proteção de menores, os municípios ou uma escola primária do estado cujos alunos utilizam o refeitório da escola com contrato de associação.

Nenhum destes estabelecimentos de ensino vive desinserido da sua realidade local ou fechado ao mundo. Basta para isso pensar nos projetos de educação para o desenvolvimento e para a cidadania (crise dos refugiados; acesso à educação; comércio justo, justiça social global), no projeto de educação para a afetividade e sexualidade e no trabalho que se faz no acompanhamento e crescimento – também espiritual – dos alunos ou nos acampamentos realizados no verão.

Nada disto seria possível sem um corpo comprometido de educadores: gratuidade; preocupação de acompanhamento pessoal, de sinalizar situações de risco; dúvidas e desabafos sem hora marcada; o desejo das direções para que se vá mais longe; a insistência dos educadores de ensino especial para que se integre cada vez melhor e mais plenamente; visitas domiciliárias de técnicos de Serviço Social.’

O texto todo – onde também se faz uma boa descrição da má-fé (palavra escolhida por mim) do governo neste processo – está aqui.

Zilu

Zilu e o traidor. Por José Miguel Pinto dos Santos.

Basta folhear os Analectos para perceber que ninguém recebeu tantas críticas de Confúcio como Zilu. Criticas que, algumas, mordazes que eram, Zilu legitimamente poderia ter tomado como ataques pessoais e insultos. Apesar de impulsivo, nunca se deu por ofendido, e aceitou-as todas com elegância porque, na sua grandeza de caráter percebia a importância do diálogo e do debate, mesmo quando ríspidos, não só para o crescimento pessoal, nem tão pouco apenas para a boa gestão da coisa pública, mas também para o polir das ideias e o avanço do conhecimento. Foi esta abertura ao debate, na procura do que é ético e do que é verdadeiro, que manteve florescente o Confucionismo durante dois milénios e meio, mesmo sem nunca ter envergado as vestes diáfanas dos ideais democráticos. A crítica, ensinava Confúcio, é para o bem de quem a recebe se este a recebe bem: “O Mestre disse: ‘Se os estimas, não os corriges? E se lhes és leal, não os instróis?’” (Analectos 14, 7)

Escândalo: tortura e manipulação nas escolas particulares

1051688 Nas últimas horas surgiram vários relatos, sempre de pais não identificados, de que as crianças andam a ser manipuladas, torturadas psicologicamente e os pais obrigados a participar em manifestações. É curioso que em 90 mil pais não tenham conseguido encontrar um disposto a dar a cara para descrever a tortura a que está sujeito, para que não se levante a suspeita de que estas histórias são todas inventadas (quero crer que, eventualmente, a máquina de propaganda encontrará um qualquer militante de base do PCP entre os 90 mil disposto a dar cara a troco de ser cabeça de lista numa junta qualquer ou um tachito na FENPROF).
Agora, honestamente, espero que isto não seja verdade. E não é só pelas escolas públicas de gestão particular ou cooperativa: é mesmo pelas escolas estatais. Pois se estas escolas particulares têm 27 escolas estatais ao lado, e mesmo assim os pais preferem inscrevê-los numa escola onde os filhos são torturados e manipulados, é preciso analisar muito bem a qualidade dessas 27 escolas estatais.

Na vanguarda

A imagem da Reuters é de duas médicas num hospital em Riade mas à primeira vista, uma delas poderia ser o Dr. Mohannad al-Zubn a evitar chatices.
A imagem da Reuters é de duas médicas num hospital em Riade mas à primeira vista, uma delas poderia ser o Dr. Mohannad al-Zubn a evitar chatices.

Um novo e aliciante desafio à medicina ou apenas uma forma de agradecimento local.

A doctor working at a hospital in Saudi Arabia has been shot for helping a woman deliver a baby.

Jordanian obstetrician Dr Mohannad al-Zubn helped a Saudi woman give birth at the King Fahad Medical City in the Saudi capital, Riyadh, last month.

The new father went to the hospital, saying he wanted to thank the doctor – but, after meeting him outside in the garden, withdrew a concealed gun and shot him at close range.

The unnamed attacker was reported to have carried out the shooting because he did not believe a man should have helped his wife give birth.  “The husband came to the hospital looking for the doctor and shot him in the chest in an attempt to kill him for helping his wife deliver a baby,” said a hospital spokesperson.

Do enorme peso dos contratos de associação no orçamento da Escola Pública

Chegados a este ponto da discussão sobre contratos de associação, talvez valha a pena dar alguma perspectiva. Fala-se muito nas poupanças com contratos de associação e no que esse dinheiro representará para a melhoria da escola estatal. O governo até fez umas contas, muito optimistas como habitual, sobre as poupanças que espera. O mais provável é que o estado até acabe por ter mais despesa por transferir estas turmas. Mas vamos assumir que os cálculos do governo estão correctos. Qual será então o peso destas poupanças no orçamento do estado para a educação? Qual o peso destes fundos extras que ajudarão a melhorar a escola pública? No gráfico abaixo podem ver exactamente isso:

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Se estiver a ler este post no seu telemóvel provavelmente verá apenas uma grande bola vermelha. Esse é o orçamento estatal para educação. Faça zoom-in e encontrará uma pequena linha amarela, quase imperceptível. Essa é a poupança que o governo espera e que justifica a mudança de milhares de crianças de escolas e o arruinar de projectos educativos de décadas, apenas por serem geridos por privados. Este é o dinheiro, mais 0,11%, que segundo alguns irá transformar para melhor as escolas públicas estatais. Oito mil milhões de euros todos os anos não conseguiram escolas estatais de qualidade, mas estes 0,11% extra irão fazê-lo.

As alternativas laicas e o relatório da incompetência

O Ministério da Educação publicou um relatório onde analisa o número de escolas públicas no perímetro de cada escola com contrato de associação, bem como a utilização de capacidade dessas escolas. Esse relatório parece-me ser o argumento final contra o fecho de turmas nas escolas com contrato de associação.

No início da discussão, quando ainda era assumidamente ideológica, o Luis Aguiar-Conraria num artigo no Observador defendia que escolas públicas de pior qualidade deveriam manter-se abertas porque o estado é laico e as crianças devem ter uma alternativa laica. Um argumento com o qual discordo, mas ideologicamente respeitável. O Ministério da Educação veio agora arrumar de vez com esse argumento. Segundo o relatório publicado não faltam alternativas laicas em torno das escolas com contrato de associação. Se, num acto de boa gestão, uma dessas escolas onde os pais evitam colocar os filhos, fechasse, não faltariam opções laicas para os pais que se preocupassem com essa possibilidade. Bem sei que a discussão já ultrapassou esse ponto há vários dias, mas fica aqui a nota.

Mas vale a pena ler o relatório, que ficará para os anais da história económica portuguesa com a maior prova da má gestão estatal dos recursos públicos, a maior evidência de como os gestores públicos são péssimos. O relatório exibe em todo o seu esplendor escolas estatais vazias situadas lado-a-lado (algumas das quais ainda há pouco tempo beneficiaram de obras caras da Parque Escolar). Demonstra também a qualidade e a boa gestão nas escolas com contrato de associação, que mesmo com a concorrência pública vasta ao lado, consegue oferecer melhores serviços, atrair mais alunos e tudo ao mesmo custo para os contribuintes que as escolas estatais vazias ao lado. Mas, justificando a sua fama, o estado prepara-se para desviar fundos precisamente para as escolas piores geridas, na esperança que atirando dinheiro para o problema elas passem a ser bem geridas.