Parabéns Wikileaks

FREE ASSANGE

A Wikileaks decidiu revelar ao mundo informações pessoais e financeiras de centenas de bandidos. De entre os expostos contam-se algumas vítimas de abusos sexuais, relatórios médicos  de crianças e adultos e gays.

O caso já seria muito grave e revelador do encanto da organização de Julian Assange mas o detalhe da exposição ter como palco a Arábia Saudita – esse oásis – da democracila liberal e dos direitos humanos -, apimenta a coisa.

A organização informativa está, uma vez mais, de parabéns. Nem imagino o que o jornalismo-cidadão e a polícia religiosa local serão capazes de fazer com tamanha quantidade e qualidade de informação. O mundo respirará melhor quando a liberdade da verdade completar o seu caminho.

Private lives are exposed as WikiLeaks spills its secrets.

WikiLeaks’ global crusade to expose government secrets is causing collateral damage to the privacy of hundreds of innocent people, including survivors of sexual abuse, sick children and the mentally ill, The Associated Press has found.

In the past year alone, the radical transparency group has published medical files belonging to scores of ordinary citizens while many hundreds more have had sensitive family, financial or identity records posted to the web. In two particularly egregious cases, WikiLeaks named teenage rape victims. In a third case, the site published the name of a Saudi citizen arrested for being gay, an extraordinary move given that homosexuality is punishable by death in the ultraconservative Muslim kingdom.

“They published everything: my phone, address, name, details,” said a Saudi man who told AP he was bewildered that WikiLeaks had revealed the details of a paternity dispute with a former partner. “If the family of my wife saw this … Publishing personal stuff like that could destroy people.” (…)

Desconstruindo a Agenda Revolucionária Global

marguerite_peeters

É o título da recensão que escrevi conjuntamente com o meu colega Hugo Chelo, relativa ao livro A Globalização da Revolução Cultural Ocidental: Conceitos-Chave e Mecanismos Operacionais (Principia, 2015) de Marguerite A. Peeters, em boa hora publicado em Portugal pela Principia em parceria com a Fundação A Junção do Bem.

A recensão foi publicada no mais recente número da Gaudium Sciendi, a revista da Sociedade Científica da Universidade Católica Portuguesa. Aqui ficam os links para os conteúdos do Nº10 da Revista Gaudium Sciendi e para a recensão.

A “ética republicana” e a perseguição aos juízes

O Governo que persegue juízes. Por Alexandre Homem Cristo.

O governo plantou no JN uma notícia falsa, que atingiu o bom nome de um juiz (que o Ministério da Educação tentou afastar). Num país e num regime que se dessem ao respeito, isto seria um escândalo.

Leitura complementar: “Ética republicana”, versão geringonça.

Sim, Podemos e em igualdade

PI

Quatr@ membr@s d@ P@dem@s expuls@s por agredirem vári@s membr@s d@ P@dem@s. Será, talvez, necessário aplicar um código de conduta aos bravos militantes do Podemos.

El Círculo Joven de la Comunidad de Madrid de Podemos ha expulsado a cuatro de sus miembros tras ser acusados por varias integrantes de esta agrupación de haberlas acosado y agredido verbal y físicamente, según han confirmado a Europa Press fuentes de la formación morada.

Las expulsiones se produjeron el pasado lunes en la asamblea de carácter extraordinario y urgente que celebró este grupo de militantes madrileños para tratar este asunto; encuentro en el que las afectadas denunciaron públicamente los supuestos abusos y anunciaron su abandono del Círculo, como consecuencia.

En dicha reunión, las militantes leyeron un comunicado en el que aseguraban que estaban “siendo constantemente acosadas y agredidas por algunos integrantes” del Círculo. “Estas actuaciones completamente machistas han provocado que el Círculo no sea seguro para nosotras y hemos decidido tomar medidas para cambiarlo”, rezaba el texto, tal y como consta en el acta de la asamblea que ha publicado Ok Diario.

Fuentes de la dirección de Podemos han asegurado a Europa Press que la dirección del partido en Madrid ya ha tomado las riendas del asunto y ha abierto una investigación, promovida desde el Area de Igualdad, para estudiar la expulsión del partido de los acusados, porque la formación no tolera el tipo de comportamientos denunciados. (…)

 

Da ética republicana, laica, socialista

Afinal, o pide fiscal que foi pago pela GALP para ir até França assistir a jogos da bola, quer reverter a doação.

Licenciatura em CPRI

Termina amanhã a 1ª fase de candidaturas à Licenciatura em Ciência Política e Relações Internacionais do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Catolica Portuguesa, em Lisboa.

O concurso aos cursos da UCP é local, pelo que a opção “Universidade Católica Portuguesa” não está incluída no concurso nacional, devendo a candidatura ser feita directamente junto da UCP.

A importância da liberdade de escolha

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A maioria dos pais em Portugal não tem capacidade para colocar os filhos num colégio privado. A única opção que lhe resta é a escola pública. Dentro da escola pública existe muito pouca liberdade de escolha, e toda ela é garantida pelas escolas com contrato de associação que ainda vão tendo alguma independência, com o benefício acrescido de até serem mais baratas para o erário público. Num misto de inveja e ignorância sobre os custos da escola pública, uma maioria de portugueses concordou que se eliminasse parte da pouca liberdade de escolha que existe. O argumento falacioso da duplicação de custos convenceu mesmo aqueles que não costumam alinhar com os extremismos de PCP e BE.

A partir do próximo ano haverá menos liberdade de escolha. Mais alunos não terão outra opção que não o ensino estatal. Se esta política continuar, a hegemonia do ensino estatal deixará a esmagadora maioria sem outra opção que não a escola estatal controlada politicamente por quem estiver no governo e nos sindicatos. O artigo de há dois dias sobre a forma como o BE educa os seus jovens talvez sirva de aviso. Um dia, as filhas e as netas pré-adolescentes daqueles que hoje aplaudem os “cortes aos colégios” irão chegar a casa e informar os pais que agora tomam banho no mesmo balneário que os meninos. Um dia, os filhos e os netos pré-adolescentes chegarão a casa e informarão os pais que o professor lhes pediu para beijar e tocar outros meninos para provar que o afecto não conhece género. Um dia, filhos e netos chegarão a casa e dirão aos pais que desejam mudar de sexo depois de uma aula sobre identidade de género dada por activista transgénero. Um dia, filhos e netos chegarão a casa felizes e sorridentes, mas sem saber ler nem escrever porque agora a escola não se importa com esse tipo de coisas. Quando isto acontecer, já será tarde para querer de volta escolas independentes na rede pública. Elas já terão desaparecido. Quem não tiver dinheiro, vai-se sujeitar à visão de educação do partido ou grupo de partidos que governar, por mais extremista que seja. A do BE já sabemos qual é.

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(nota: tal como a imagem do post sobre o acampamento, esta é da peça teatral “Macaquinhos”, que representa de forma sublime a visão do Mundo e da natureza humana partilhada por pessoas como as que organizam o acampamento de jovens do BE.)

The Closing of the Liberal Mind – Kim Holmes

The Closing of the Liberal Mind How Groupthink and Intolerance Define the Left

Livros para Férias: O “fechamento” de certa esquerda… e de certa direita. Por João Carlos Espada.

O tema central do livro é a emergência de um novo tipo de esquerda na América, a que o autor chama — quanto a mim, muito apropriadamente — “esquerda pós-moderna”. Esta “nova esquerda” está patente nas entusiásticas hostes de jovens com educação universitária (sempre sem gravata e preferencialmente de T-shirt, jeans, ténis ou chinelos) que aclamaram (e continuam a aclamar) o ex-candidato Bernie Sanders. São eles que dominam hoje os campus universitários norte-americanos (e britânicos, para não vir mais perto).

Continue reading “The Closing of the Liberal Mind – Kim Holmes”

O sonho venezuelano

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Depois da fome, chega a escravidão.

Ya no es suficiente con los soldados movilizados para plantar tomates en el Valle de Quibor. Según una resolución adoptada en el marco de la emergencia económica vigente en el país, las compañías privadas en Venezuela estarán obligadas a ceder a sus trabajadores para reforzar los planes del chavismo en el sector agrícola. La medida del Ministerio de Trabajo, publicada en la gaceta oficial ayer, dispone que las empresas públicas y privadas deberán darle al Gobierno la mano de obra requerida para «fortalecer la producción» agroalimentaria. Con ese fin, la cartera estableció un régimen especial para «todas las entidades de trabajo del país, públicas, privadas, de propiedad social y mixtas». La resolución, de carácter transitorio, no detalla los mecanismos para la cesión de los empleados, ni los períodos en los que podrán ser reasignados. (…)

 

Onde já se viu?

Diabos em duas rodas e provavelmente com selim. Imagem: AFP/Getty Images
Diabos em duas rodas e provavelmente com selim. Imagem: AFP/Getty Images.

O mulherio a andar de bicicleta fora do recato caseiro.

Qualquer dia ganham vontade própria.

Socialismo cria novas espécies de animais em Caracas

O zoo Caricuao, em Caracas reduz a ração de carne aos leões, introduzindo na dieta dos carnívoros manga e abóbora. A imagem é de CARLOS JASSO / REUTERS
O zoo Caricuao, em Caracas reduz a ração de carne aos leões, introduzindo na dieta dos carnívoros manga e abóbora. A imagem é de CARLOS JASSO / REUTERS.

Leões tornam-se vegetarianos.

Compreender o putinismo XLII

Na casa dos trolls de Putin, uma curiosa reportagem do The Guardian.

 

Sansão e Dalila

Onde está a Professora Edite Estrela?sansao

Pás, pás, pás

É de pequenino que se torce o pepino.

Na Tunísia, a juventude anseia pelas festas que celebram o final dos exames. O senhor com o bigode ridículo é um professor muito querido e afamado.
Na Tunísia, a eterna pátria da Primavera Árabe, a juventude anseia pelas festas que celebram o final dos exames. O senhor com o bigode ridículo é um professor muito querido e afamado, presente em muitas festas locais.

 

A aposta na formação, o passar à prática de conhecimentos milenares que os mais brutos chamariam de islamo-fascistas (ou islamo-nazis) que norteiam o percurso profissional de uma pessoa terrorista, passa pela compreensão de um extenso conjunto de conteúdos e matérias de um curso para a vida.

 

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Dados às artes, os jovens dão largas à criatividade e representam um bravo do Estado Islâmico que convive, de acordo com as regras de etiqueta e boas maneiras, com duas pessoas que se vestem de cor de laranja e que apresentam curiosas expressões faciais.

Dar o terreno e a outra face

Tem um preço.

The mosque in Saint-Etienne-du-Rouvray was inaugurated in 2000, built on a plot of land that was donated by Saint-Etienne’s sister parish, Saint Theresa’s.

Os restantes são Franciscanos do Alasca

A imbecilidade não respeita títulos académicos.

Inspecção de Educação convoca pais

Isto é algo surreal quando os tribunais têm dito sucessivamente que não há limites territoriais nas inscrições. E sobretudo porque não falta aí escola do estado em que as famílias inventam moradas para arranjar uma escola mais conveniente (usando os legítimos critérios que cada família encontra de acordo com o seu projecto educativo).
Eu se fosse fã destas técnicas pidescas poderia indicar casos concretos.

Licenciatura em Ciência Política e Relações Internacionais – IEP-UCP

Apresentação Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa

Está em curso a 1ª fase de candidaturas à melhor Licenciatura em Ciência Política e Relações Internacionais em Portugal – a do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa, em Lisboa.

O concurso aos cursos da UCP é local, pelo que a opção “Universidade Católica Portuguesa” não está incluída no concurso nacional, devendo a candidatura ser feita directamente junto da UCP.

Entretanto na Alemanha e arredores

Um jovem refugiado afegão enquanto grita Allahu Akbar,  ataca e fere pelo menos duas dezenas de passageiros de um comboio em Wuerzburg. No Reino Unido, a BBC noticía que a polícia alemã matou o pobre atacante.

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Imagem nacionalizada ao Romeu Monteiro.

Mais tarde, a BBC emenda o título para um informativo Germany axe attack: Assault on train in Wuerzburg

O atentado terrorista em Nice visto por et’s revolucionários

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Persononificados no PCTP/MRPP, pela facção Arnaldo Matos, o eterno educador do proletariado português.

(…) Há um ano que os factos têm sobejamente demonstrado a absoluta incapacidade das forças armadas e policiais da França para impedir o sucesso dos franceses nos actos de guerra que têm estado a praticar em França.

Existe em França uma guerra civil larvar, de franceses contra franceses, promovida por elementos do povo francês contra o imperialismo e os imperialistas da França.

Essa guerra civil vai crescer cada vez mais e vai mundializar-se. Hollande e os maoistas franceses chamam-lhe terrorismo. Mas a verdade é que essa guerra é cada vez mais a guerra que os maoistas do Partido Comunista de França (m-l-m) se recusam a reconhecer como a guerra do povo contra a guerra imperialista, guerra imperialista esta que o imperialismo francês levou e leva a cabo em África e no Médio Oriente, e que, quer queiram os maoistas da França quer não queiram, está a chegar a França, ao covil dos imperialistas.

Há em França dois milhões de imigrantes portugueses e seus descendentes. Mais cedo ou mais tarde, de um lado ou do outro, esses dois milhões de portugueses vão estar envolvidos na guerra imperialista, como carne para canhão dos imperialistas franceses, ou na guerra do povo contra a guerra dos imperialistas.

De que lado é que estarão então os maoistas do Partido Comunista de França (marxista-leninista-maoista)? Em Portugal, os seus amiguinhos liquidacionistas já estão do lado do imperialismo francês e das polícias secretas portuguesas… Pobre canalha!

A guerra dos tronos dos direitos humanos progressistas

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A ditadura dos irmãos Castro continua de boa saúde e recomenda-se.

Cuba criticized the policy of singling out countries for censure, protesting against the “endless allegations against the South by the industrial North.” The delegate asked the Council, “have any countries criticized or said a word against the warmongering of the North around the world?” before providing his own answer: “No.” He continued, asking “why aren’t we hearing about the xenophobia or glorification of fascism in the North?” Contrasting Cuba’s human rights record with that of the developed world, he told delegations that “we continue to work for the promotion and protection of human rights in our nation”

Venezuela, Egipto, Coreia do Norte, Irão, China, Bielorrússia, Eritreia e Portugal, sigam os melhores exemplos e apostem tudo no aprofundamento do modelo socialista que tão bons resultados origina.

Histerismo na geringonça

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Emigração de professores: “Há semelhanças entre Costa e Passos”, diz BE

Porta-voz Catarina Martins sublinha que o partido “dispensaria a similitude” entre as palavras do atual e do ex-primeiro-ministro

Passos e Costa sobre a emigração de professores

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Há diferenças entre o que disse agora Costa e o que disse Passos em 2011?

Um em 2011, outro há dois dias, ambos juntaram na mesma frase demografia, professores, ensino da língua portuguesa e emigração. E a polémica instalou-se. Mário Nogueira defende Costa, mas preocupado.

Alexandra Leitão e os contratos de associação

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Por acaso, um acaso sem acaso algum. Por Helena Matos.

Este sistema escolar que a senhora secretária de Estado defende – com os filhos dos outros nas escolas públicas e os nossos numa escola privada por causa de uma circunstância que não suscita polémica como os horários ou a segunda língua – tornou-se em Portugal um mecanismo que não só reproduz como acentua as fragilidades e as vantagens comparativas do meio de origem dos alunos. E foi nesta engrenagem que, qual grão de areia, entraram os contratos de associação.

O que está em causa, o que irrita nos contratos de associação é que milhares de famílias viram naqueles contratos algo em que muitos já desistiram de acreditar na rede pública: a escola enquanto factor de inclusão e ascensão social. Por outras palavras, eles não podem colocar os filhos na Escola Alemã mas também não os querem nas madrassas do senhor Nogueira.

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#NogueiraBem

Vejo muita gente indignada por Mário Nogueira ainda não ter saltado à jugular de António costa quando o fez perante iguais declarações de Passos Coelho sobre as – aliás, evidentes – oportunidades no estrangeiro para os professores que cá não obtêm colocação.

Queria defender aqui um pouco o nosso ministro da educação: Mário Nogueira sabe comportar-se com lisura política. Discordará em privado e di-lo-á ao seu líder, mas não fará em público a desfeita de atacar o seu primeiro-ministro. É o que se espera dum soldado disciplinado.

Os malandros dos privados

porcosUma empresa é a forma legal como um conjunto de pessoas se organiza para levar a cabo uma actividade económica. Um sindicato é a forma legal como um conjunto de pessoas se organiza para levar a cabo uma actividade económica. O primeiro caso é motivado pelo benefício da organização e união de esforços para atingir objectivos. O segundo pelo benefício da força negocial resultante da união de esforços dos seus membros. Ambas são organizações de origem eminentemente privada, enquadradas na legislação.

Curiosamente, quando algumas pessoas defendem a “escola pública”, defendendo implicitamente os interesses privados dos sindicatos de professores e dos seus membros, usam argumentos de oposição a interesses privados (neste caso dos colégios com contrato de associação). Os animais são todos iguais, mas uns são mais iguais que os outros.

Uma investigação conveniente

Era muito conveniente esclarecer-se por que razão a direção-geral de educação está a investigar as escolas com contratos de associação. Recebeu alguma queixa dos pais? Quantas? Com que conteúdo? Onde estão? Ou recebeu ordens – ou sugestões ou ‘já sabes o que fazer quando eu pisco três vezes o meu olho esquerdo’ – do ministro Brandão Rodrigues ou da secretária de estado Leitão para investigar quem tem de forma audível por todo o país contestado as políticas do governo?

É esta investigação uma vingança e uma perseguição do governo? É que não vamos esquecer que a geringonça nem tem vergonha de fazer ameaças públicas.

Recordar é viver

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O que dizer do Louçã – o Palhaço –, segundo os camaradas do PCTP/MRPP? Apenas que é o contributo possível para a indispensável união das esquerdas em geral e do Bloco em particular.

Nos últimos vinte e cinco anos, nunca houve ninguém em Portugal que fosse tão mimado, tão incensado, tão elogiado, tão lambido, tão levado ao colo e tão carregado em ombros de tudo o que é jornalista e órgão de comunicação social como esse tal de Francisco Louçã.

Com toda a imprensa burguesa, reaccionária em extremo como se sabe, a empurrar por trás, Louçã foi posto à cabeça de um bloco de oportunistas, baptizado de Bloco de Esquerda, de que se safou logo que pôde, foi levado a deputado da Assembleia da República e até foi colocado numa cátedra ali para os lados de São Bento, no Instituto Superior de Economia e Gestão, sem que ninguém se tivesse apercebido a tempo de que o homem não só não era de esquerda como não passava de um ignorante em matéria de economia e de finanças.

A imprensa tem andado tão babada com o seu menino-prodígio que, no mês passado, enquanto celebrava os quarenta anos do golpe de Otelo e dos seus capitães, foi ao ponto de transformar à sorrelfa o paizinho de Louçã num dos heróis de Abril, quando toda a gente sabe que foram os marinheiros e sub-oficiais da fragata Almirante Gago Coutinho, por um lado, e os obuses da bateria de artilharia de Vendas Novas, colocada no Cristo Rei, em Almada, por outro, quem impediu o comandante – capitão de fragata Seixas Louçã – de bombardear os homens e os carros de Salgueiro Maia no Terreiro do Paço.

Mas a basbaquice da imprensa por Louçã é de tal ordem que não lhe custa nada homenagear como herói de Abril um fascista do antigo regime, desde que seja familiar do sobredito Louçã…

Ora, este produto acabado do jornalismo português de pacotilha – Louçã – de forma indirecta, e durante a presente crise, levantou-se contra o PCTP/MRPP aí por 2012, ao acusar uma das fracções do Bloco de ter cometido o crime de seguir o nosso Partido, ao defender o não pagamento da dívida e a saída do euro.

Desde que, em 16 de Junho de 2012, atacámos, numa conferência realizada na cidade do Porto, o Syrisa e o seu aliado português – o BE -, por não se atreverem a defender a saída do euro e o não pagamento da dívida, Louçã não tem feito outra coisa senão escrever, só ou acompanhado, resmas de papel que têm um único objectivo: explicar como se deve pagar honradamente a nossa dívida, de modo a mantermo-nos no Euro e na União Europeia a todo o custo.

Mas eis que, no último domingo, na Mesa Nacional do Bloco de Esquerda, Louçã terá admitido, segundo notícia circulada pelo jornal i, que “a saída do euro pode mesmo tornar-se na única solução para o País”.

Não acredito! Será possível que o animal tenha dito semelhante coisa?!

Mas acho que sim. Disse mesmo!

É que Louçã não passa de um palhaço! Até domingo passado, Louçã sempre defendeu a permanência de Portugal no euro e o pagamento honradinho e integral da dívida pública.

Começou, aliás, por defender, no consulado de Guterres, a adesão de Portugal à moeda única, muito embora criticasse as negociações da adesão, que teriam prejudicado o País. “Mas essa entrada era inevitável”, alegou então o catedrático Louçã.

Em Maio de 2011, fez agora três anos, numa troca pública de ideias com Jerónimo de Sousa, Louçã, com aquele ar de convicta certeza que nunca abandona mesmo quando diz as maiores alarvidades do planeta, pretendeu ter esmagado, com a sua autoridade professoral, o pouco ilustrado Jerónimo, atirando-lhe a matar: “Recuso a saída do euro, porque isso seria catastrófico”; “Ficaria tudo mais caro, desvalorizaria salários e pensões e faria com que as pessoas que têm créditos à habitação passassem a pagar muito mais“.

Não se encontraria em parte alguma da Europa um pequeno-burguês mais explícito… (…)

A cegueira ideológica e corporativa da “geringonça” na educação

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O meu artigo de hoje no Observador: O despotismo iluminado da “geringonça” na educação.

O que está em causa é, portanto, bastante mais abrangente do que os meros contratos de associação. Ainda que estes possam e devam ser defendidos no actual contexto, seria importante aproveitar a oportunidade para alargar o âmbito da discussão sobre a liberdade de educação. (…) Mais do que a defesa dos contratos de associação existentes, é a promoção da liberdade de educação que precisa de ser colocada no topo da agenda política. Só com passos decisivos no sentido de uma maior liberdade de educação e abertura à concorrência será possível evitar que a cegueira ideológica e corporativa leve a que más escolas continuem abertas enquanto outras reconhecidamente melhores são encerradas.

Marxismo, fascismo e a importância de estudar o pensamento político

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Na sequência do muito feedback suscitado pelo meu artigo De Marx a Mussolini – mais de 1.000 partilhas nas redes sociais e algumas centenas de comentários por vários meios – gostaria, na impossibilidade de responder individualmente, de agradecer por esta via o interesse de todos quantos partilharam e reagiram. Ficam também várias ideias, críticas e sugestões como mote para eventualmente regressar ao assunto de forma mais desenvolvida no futuro.

Sobre o tema abordado, gostaria de destacar dois textos adicionais. O primeiro, de Alexandre Franco de Sá (Fascismo é quando a esquerda quiser), por ser o mais sustentado e interessante contributo teórico adicional para esta discussão que tive oportunidade de ler. Recomendo a leitura integral do artigo, mas parece-me especialmente relevante destacar este parágrafo:

É no contexto deste uso e abuso do “fascismo” por alguma da nossa esquerda que o clamor suscitado pelas afirmações de José Rodrigues dos Santos pode ser explicado. Qualquer evocação das relações históricas entre socialistas e fascistas, ou qualquer comparação conceptual entre marxismo e fascismo, ofende imediatamente uma mentalidade dicotómica que vê o mundo político como uma batalha do bem contra o mal; uma mentalidade que, neste esquema simples, não permite que se toque nas “sagradas escrituras” do marxismo, incensadas como “progressistas”, “emancipatórias”, “defensoras da justiça e direitos humanos” e outros epítetos anacrónicos.

O segundo texto, de Francisco Louçã, não inclui nenhum contributo teórico relevante para a discussão e está escrito no estilo grosseiro e pedante a que o ex-líder do BE nos habituou, mas creio que deve ser destacado por evidenciar a incomodidade que o tema provoca junto da extrema-esquerda e a mentalidade dicotómica típica dos revolucionários monistas, aspectos que como abordei no meu artigo no Observador e que me parecem fundamentais para compreender o que está em causa. Pelo proeminente perfil público do seu autor como referência intelectual da extrema-esquerda em Portugal e por ser, de entre todos os textos que li, o que melhor ilustra os aspectos referidos tenho pena que fique remetido à relativa obscuridade do blogue do Público onde foi publicado.

Por fim, não posso deixar de manifestar o meu agrado pelo interesse que temas de teoria e filosofia política suscitaram em tanta gente, ainda que o nível da discussão tenha frequentemente deixado a desejar. Como refere Alexandre Franco e Sá na conclusão do seu excelente artigo: “(…) Portugal precisa de uma escola em que se forme para o conhecimento, para a cultura, para a verdadeira discussão e para a crítica; não uma escola que promova as ideias feitas ou as “gargalhadas” que há poucos meses faziam as preferências de certa dirigente partidária”.

Pela minha parte – e pese embora a necessária declaração de interesses pela minha ligação ao Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa – não resisto a aproveitar a oportunidade para fazer publicidade recomendando a todos quantos desejem aprofundar conhecimentos sobre teoria política e história do pensamento político o Mestrado em Ciência Política e Relações Internacionais do IEP-UCP. Além de um plano curricular com forte ênfase na história do pensamento político e na teoria política contemporânea, o programa beneficia de um corpo docente de inegável qualidade e pluralismo.

Aproveito também para recordar que estão abertas as inscrições para o Estoril Political Forum 2016, este ano realizado em parceria com o International Forum for Democratic Studies e dedicado ao tema “Democracy and its Enemies: New Threats, New Possibilities”.

estoril_political_forum 2016