O que a Greve dos enfermeiros nos ensina sobre as outras greves?

Os Enfermeiros estão em greve. Não sendo eu favorável a greves, algo que eu não aceito é a campanha de desinformação espalhada pelo governo, pela comunicação social que age como cão de guarda ao governo, e por uma certa parte da classe médica que apoia o actual entendimento político.

O curioso desta greve é que, para atacar os enfermeiros, um dos vectores de ataque escolhidos pela esquerda no poder pode ser usado para criticar muitas outras greves. Afinal, se os enfermeiros são “selvagens” e “assassinos” (na verdade nunca se fizeram tantas cirurgias urgentes como durante esta greve!), então…

… os médicos grevistas serão o mesmo que acusam os enfermeiros de serem.

… os juízes grevistas serão criminosos, pela não aplicação da lei ou pelo menos pelo atraso desta, e ainda pelo benefício ao infractor.

… os polícias grevistas serão criminosos e ladrões, senão de forma directa, pelo menos como cúmplices.

… os pilotos da TAP e os funcionários da CP grevistas odeiam os respectivos utentes e serão mesmo sociopatas porque impedem as famílias de se reunirem.

… os professores grevistas odeiam as crianças, não têm paixão pela educação, e serão contra o futuro do país – certamente não devem querer receber reformas.

Greve.jpeg… os estivadores em greve serão obviamente contra as exportações do país em geral e contra trabalhadores como os da Autoeuropa e respectivas famílias em concreto.

… os funcionários públicos em greve serão contra o serviço público – incluindo o SNS – e os cidadãos que é suposto servirem.

… obviamente então as inter-sindicais e os comunistas e bloquistas serão selvagens, assassinos, pelo atraso do país, pela perda de empregos, criminosos, ladrões, sociopatas, odeiam as crianças e cospem em muitos dos pratos que lhes dão de comer.

Se a lógica da geringonça contra os enfermeiros se aplica, então tudo isto é verdade.

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Caixa: o Banco é de todos, a culpa de ninguém ?!

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FASE 1

A Caixa Geral de Depósitos (CGD) reconheceu perdas de quase 1.200 milhões de euros num conjunto de 46 financiamentos de risco, concedidos entre 2000 e 2015. Sucessivas administrações do banco público aprovaram operações de crédito a grandes devedores sem que fossem cumpridas regras de concessão de crédito e sem qualquer justificação adicional.

Para além disso, sabemos que os administradores da Caixa receberam bónus e “voto de confiança” mesmo com resultados negativos. O que nos mostra que não era o mérito que comandava a gestão do banco, mas sim “outros factores”.

FASE 2

A somar a isto também já era público que entre 2010 e 2016, a Caixa registou imparidades totais de aproximadamente 6,6 mil milhões de euros (mais de 4.500 milhões corresponde a imparidades de crédito e quase 2 mil milhões resultaram de perdas reconhecidas sobretudo em participações financeiras).
FASE 3

Em 2017, a Caixa foi recapitalizada em cerca de 4 Mil milhões de euros vindos dos nossos impostos, cerca de 2% do PIB (que mais uns instrumentos e alguma dívida ascende a cerca de 5 mil milhões de recapitalização). A Caixa apenas trouxe custos brutais aos pagadores de impostos, sendo a sua função de “estabilidade do sistema” apenas uma bandeira para evitar a sua privatização e assim poder continuar a funcionar como um instrumento de poder político para financiamento de uma elite empresarial amiga, sem garantias e com muitos riscos. É preciso separar o Estado dos negócios. Quanto mais o Estado interfere na economia, mais clientelismo e corrupção teremos.

É de recordar ainda que foi contra a vontade do governo PS e dos partidos que o apoiam (PCP e BE) que se iniciou a Comissão Parlamentar de Inquérito à Caixa Geral de Depósitos. Iniciada a comissão, os partidos da Geringonça fizeram os possíveis para limitar o período e o âmbito da análise. No entanto, agora estes mesmos querem mostrar-se como reis da transparência.

Racismo, segundo a cartilha do bloco de esquerda

O dilema dos prisioneiros (2)

As dificuldades do Reino Unido neste seu processo de saída da União Europeia podem ser entendidas recorrendo a um enquadramento de teoria de jogos. Como escrevi uns tempos depois do referendo de 2016, a decisão de permanecer ou não na União é uma espécie de Dilema do Prisioneiro (DP). O que parece ter ocorrido é que o Reino Unido optou pela estratégia não dominante (a que resulta sempre pior). Correndo o risco de tentar atribuir racionalidade a uma decisão que provavelmente teve muito pouco de racional, como se milhões de motivações individuais pudessem realmente levar a uma vontade geral coerente, podemos explicar a decisão de duas formas alternativas:

  1. A fleuma britânica resultou numa escolha sub-óptima por uma questão de princípio (mais vale mais pobre mas mais livre para decidir localmente sem restrições pan-continentais); ou
  2. A decisão seria o prólogo numa série de decisões sequenciais que terminaria no cenário de cooperação mútua do DP (aposta numa queda de dominós na União).

O presente bloqueio parlamentar sugere que nem a questão de princípio era tão forte, nem o tecido comunitário tão fraco.

Abaixo deixo uma explicação mais detalhada do DP para os interessados.

Continue a ler “O dilema dos prisioneiros (2)”

A aldrabice é a luz que guia o bloco de esquerda

Segundo o diário digital “DN”,  a agremiação também conhecida como bloco de esquerdaavança com (um) código de conduta. No horizonte estão as próximas campanhas eleitorais, em que os bloquistas temem que as notícias falsas assumam relevância no contexto dessas eleições.”

jv

Regressado à realidade, recordei-me de um post no Facebook de um grupo intitulado Algarve Político do deputado bloquista João Vasconcelos – que subiu ao poleiro da casa da democracia por se ter destacado como dinamizador e porta-voz da Comissão de Utentes da Via do Infante (CUVI), na luta contra as portagens nesta via e aprovados todos os orçamentos desta legislatura, continua a bater-se com invulgar heroicidade contra as portagens algarvias e a aprovar todos os orçamentos que as mantêm -, em que escreve sobre os apoios às vítimas dos incêndios que afectaram boa parte do Barlavento algarvio e Odemira:

Orçamento de Estado para 2019: PS votou contra e PSD/CDS abstiveram-se, o que levou ao chumbo da proposta bloquista – uma vergonha! E PS, PSD e CDS ainda dizem que são a favor das populações do Algarve – neste caso as vítimas dos incêndios de Monchique, Silves, Portimão e Odemira! Cada um que retire as suas ilações!
A proposta do Bloco alargava às vítimas dos incêndios de Monchique, Silves, Portimão e Odemira, ocorridos em agosto passado, os mesmos critérios nos apoios concedidos às vítimas dos incêndios que tiveram lugar em junho e outubro de 2017!
Mas PS, PSD e CDS preferiram discriminar as populações do Algarve, vítimas dos incêndios. Ainda por cima, grande parte pessoas idosas e com mais dificuldades.Uma vergonha mesmo.

Ora, uma vez mais, transportado para a realidade, o que na verdade se passou foi que a Proposta 372C do BE Artigo 261-A, foi votada e aprovada às 18 horas do dia 28 de Novembro de 2018 d.C., um dia após o post aldrabão do deputado caviar.

A favor, votaram: be, PSD, PCP e CDS. Contra, votou o PS.

Parece-me muito transparente e com muita margem de progressão o código de conduta para a “campanha nas redes sociais” idealizado pelo agremiação a que pertence o deputado algarvio.  Parece-me reposta a superioridade moral, o suposto humanismo do gang da extrema esquerda.