O complexo político-financeiro

O dinheiro dos portugueses e o poder dos políticos. Por Rui Ramos.

A banca é uma das actividades privadas mais reguladas e supervisionadas por entidades públicas em todo o Ocidente. Em Portugal, tem sido também uma das mais instrumentalizadas pelo poder político. (…) O complexo político-financeiro desenvolvido a partir dos anos 90 promoveu uma explosão de crédito barato, permitida pelos recursos externos disponíveis com a entrada no euro e incentivada pelas bonificações e benefícios fiscais dos governos. Foi assim que a oligarquia compensou a quebra do crescimento económico. A banca garantiu os consumos que fizeram a felicidade dos eleitores, ao mesmo tempo que serviu aos governos para inventar “projectos” e mandar nas empresas. Basta lembrar o ataque ao BCP ou a defesa da PT, organizados a partir da CGD e do BES durante a situação Sócrates-Salgado. A propriedade da banca foi irrelevante. A CGD correu mais riscos que os bancos privados, e alguns bancos privados estiveram tão alinhados com os governos como a CGD.

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A minha mãe não faz anos todos os dias

Como nem todos os dias são festa, o meu desejo político para 2017 limita-se a que, aos com discernimento, lhes seja permitido não contrair mais dívida dos outros; consigam ser responsáveis pelos seus actos, sem que isso seja considerado egoísmo, mas mera justiça. Já seria muito. Para muitos até demais. O meu artigo no Jornal Económico.

A minha mãe não faz anos todos os dias

A Europa enfrenta três ameaças em 2017: racismo, proteccionismo e populismo. Três que têm origem numa só: dívida. Ou encarado de outra forma, falta de capital, de dinheiro para atender ao comércio que não pára de crescer num mundo globalizado. É o mercantilismo de outrora, quando se desvalorizava moeda para incentivar a produção nacional, que regressa agora entre os que querem uma Europa diferente.

Enquanto a acumulação de dívida não criou problemas de maior, o projecto europeu foi-se alargando e aprofundando sem entraves. Tirando um ou outro aviso, como os de Margaret Thatcher, que no célebre discurso de Bruges deu a conhecer a sua visão da Europa que precavia os povos europeus dos problemas que vivemos agora, ninguém se preocupou muito com o futuro. A Europa andava e isso era o que interessava.

A moeda única europeia, que tantos entenderam como fulcral para a Europa e que hoje consideram um entrave às suas políticas, é o principal alvo das três ameaças acima referidas. Com o euro, moeda que pressupõe políticas orçamentais rigorosas, o capital, o dinheiro, só surge com poupança, investimento e aquele risco em que apenas os prudentes sabem incorrer. Prudentes, porque comedidos; comedidos, porque é o seu dinheiro que está em causa.

É esta ligação entre o dinheiro e quem investe que se perde quando os Estados entram na equação. É desta forma que surge a dívida que não se paga, se acumula e nos afoga anos mais tarde. E qual é a solução que nos é apresentada? Não a difícil que é pagar, mas a fácil que é ignorar. Quem ignora segue em frente, embora com um preço: é preciso justificar o não querer saber. Como? Com a imigração, a globalização e o ataque às instituições. A livre circulação de pessoas, de bens, de capitais, e as organizações que as permitem, combatem-se com racismo, proteccionismo e populismo. As ameaças que atacam a Europa e que nasceram da dívida que, há muitos anos, a mina.

Por que motivo é que a visão europeia de Thatcher foi ignorada? Porque era demasiado pragmática. Porque antevia problemas que poucos quiseram ver quando tudo corria bem. E porque o pragmatismo na política obriga a explicar devidamente as escolhas que, quando feitas com o coração se justificam por si mesmas. O tal populismo. Foi assim em 1988, em 1998, 2008, 2016 e será em 2017. Para quê doutra forma se há um caminho mais fácil?

É assim em Portugal e na Europa. Em todo o lado. Não tenhamos, pois, ilusões: 2017 não será o ano em que deixamos o passado lá atrás. A resposta é chutar para a frente. Que não funciona é tão certo como a minha mãe não fazer anos todos os dias. Mas a maioria quer e é o que vamos ter. Assim, o meu desejo limita-se a que, aos com discernimento, lhes seja permitido não contrair mais dívida dos outros; consigam ser responsáveis pelos seus actos, sem que isso seja considerado egoísmo, mas mera justiça. Já seria muito. Para muitos até demais.

As opções editoriais sobre crianças III

baldaia

A correr desde o início de Dezembro do ano passado nas redes sociais e nalguns orgãos de comunicação social estrangeiros, o DN resolver publicar hoje com destaque da primeira página uma fotografia de um menino morto e com direito a editorial de Paulo Baldaia.

Na altura, as informações que acompanhavam a imagem relatavam que a criança terá sido uma das dezenas de vítimas mortais e que resultaram dos disparos contra barcos na fronteira entre Bangladesh e Myanmar, por guardas fronteiriços deste último país.

E o que “extraio” do editorial do director do DN? Isto “dito” de modo mais rústico quando comparado com a pena progressista do director do DN:

O centenário DN publica a 5 de Janeiro de 2017, algo que foi difundido nas redes sociais e nalguma imprensa internacional a 5 de Dezembro de 2016 e que ao contrário do que afirma Paulo Baldaia não foi publicada em primeira mão pela CNN.

Mais. Apesar “dos riscos de manipulação que deixaram o jornalismo ficar mal” (alguém se lembra de Pallywood?), a publicação pelo DN serve para de algum modo defender a minoria muçulmana de Myanmar e “expor” as vítimas do terrorismo religioso de qualquer ponto do planeta.

A crer nessa missão, estarão asseguradas para todas as restantes edições do diário de referência português a publicação de pelo menos uma fotografia chocante, de preferência de um corpo de uma criança, o respectivo editorial justificativo e um dossier sobre o tema do dia mas sem banalizar ou aborrecer os leitores do jornal.

Talvez esteja encontrada a solução para acabar com a decadência nas vendas do DN e tirar da miséria franciscana a secção de Internacional do jornal que até à publicação da imagem do corpo de um menino nunca se interessou verdadeiramente por conflitos que não nos são próximos e que matam inocentes. Até porque o Engº Guterres irá salvar o Mundo a partir da secretaria-geral da ONU e o DN não podia deixar de cumprir o seu papel.

Sugestão de leitura complementar: As opções editoriais sobre crianças e As opções editoriais sobre crianças II.

Enquanto seguimos cantando e rindo…

Juros da dívida superam os 4%, o limite do “conforto” da agência DBRS

Os juros da dívida portuguesa superaram esta quinta-feira os 4% no prazo a 10 anos, o nível mais elevado desde fevereiro do ano passado e que supera o nível que a agência de rating DBRS, a que segura Portugal nas compras de dívida do BCE, considerou em entrevista ao Observador que seria o limite a partir do qual deixaria de estar confortável com a notação atribuída à dívida portuguesa (a única acima de lixo).

(…)

Depois de um pequeno alívio na sessão de quarta-feira, os juros da dívida a 10 anos voltaram hoje a subir e estão a aumentar 12 pontos-base para 4,02%. Em contraste, a dívida espanhola a 10 anos está com juros de 1,5% e a italiana com taxas inferiores a 2%.

Inflação regressa à Alemanha?

Até agora o problema era a deflação, que não ajudava ao investimento. Qualquer dia, quando nos recordarmos que inflação é subida de preços (o PCP lembrou-se disso ontem), a razão para a crise será outra que não o dirigismo político da economia.

Lula da Silva, o eterno Presidente do Brasil

Faltam-me as palavras para classificar Lula da Silva.

A/c da administração Trump

Se a indústria francesa não importasse, o preço final seria 27 por cento mais caro.  Alguém faça um tweet ao homem.

O colapso do sistema estatal de saúde na Grécia

Felizmente, o Syriza está no poder e austeridade acabou pelo que nada disto interessa: ‘Patients who should live are dying’: Greece’s public health meltdown

Seven years of austerity have seen hospitals become ‘danger zones’, doctors say, with many fearing worse is to come

Since 2009, per capita spending on public health has been cut by nearly a third – more than €5bn (£4.3bn) – according to the Organisation for Economic Co-operation and Development. By 2014, public expenditure had fallen to 4.7% of GDP, from a pre-crisis high of 9.9%. More than 25,000 staff have been laid off, with supplies so scarce that hospitals often run out of medicines, gloves, gauze and sheets.

In early December Giannakos, a nurse by training, led a protest march, which started at the grimy building housing the health ministry and ended outside the neoclassical office of the prime minister, Alexis Tsipras. At the ministry, hospital technicians erected a breeze-block wall and from it hung a placard with the words: “The ministry has moved to Brussels.”

Few advanced western economies have enacted fiscal adjustment on the scale of Greece. In the six years since it received the first of three bailouts to keep bankruptcy at bay, the country has enforced draconian belt-tightening in return for more than €300bn in emergency loans. The loss of more than 25% of national output – and a recession that has seen ever more people resorting to primary health care – has compounded the corrosive effects of cuts that in the case of public hospitals have often been as indiscriminate as they are deep.

Pressure to meet creditor-mandated budget targets means that in 2016 alone, expenditure on the sector has declined by €350m under the stewardship of Syriza, the leftist party that had once railed against austerity, said Giannakos, citing government figures.

More than 2.5 million Greeks have been left without any healthcare coverage. Shortages of spare parts are such that scanning machines and other sophisticated diagnostic equipment have become increasingly faulty. Basic blood tests are no longer conducted at most hospitals because laboratory expenditure has been pared back. Wage cuts have worsened the low morale.

As feiras de gado e a concertação social

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O meu artigo desta semana no Observador: Em defesa de Augusto Santos Silva (e das feiras de gado).

As feiras de gado – à semelhança das feiras em geral – têm também a seu favor o facto de assentarem em transacções voluntárias. A exigência do livre consentimento das partes envolvidas constitui aliás uma muito melhor garantia dos efeitos socialmente benéficos das trocas do que a realocação de recursos por via centralizada com base na tomada de decisões colectivas na esfera política. É certo que, como em outras actividades, também no comércio há negociantes desonestos. E que, em casos nos quais haja fraude, má fé ou outras práticas não éticas os benefícios do comércio ficam em causa.

Mas, como já há alguns séculos atrás assinalava o escolástico Domingo de Soto, devemos ter presente que os vícios dos comerciantes não são próprios do comércio, mas das pessoas que o exercem. Nessas situações é importante que o sistema judicial actue de forma célere e eficaz e também que os mecanismos de sanção reputacional sejam potenciados ao máximo para penalizar os maus comerciantes. Em qualquer caso, é geralmente menos difícil penalizar e responsabilizar os comerciantes desonestos do que os políticos desonestos. Também por isso não seria necessariamente mau que a concertação social e outros processos de decisão colectiva por via política fossem mais parecidos com feiras de gado.

Votos para 2017

Caros leitores, caso não arranjem um amigo como o do Engenheiro José Sócrates, desejo que cultivem um pouco do espírito indomável de Jerónimo de Sousa.

Síria: back to basics XXIX

Pára tudo: a guerra acabou e a santa mãe rússia retira as tropas de uma Síria pacificada.

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Ah esperai é uma notícia do renovado Pravda.

O BCE está a gerar subprime político

Um artigo que chama a atenção para o essencial: O BCE é uma ameaça maior do que o populismo. Por Rui Ramos.

Há anos que o BCE usa dinheiro barato para poupar Estados, bancos e empresas à realidade da falência e à necessidade de reformas. O resultado tem sido perverso. Em 2008, explicaram-nos que o capital financeiro erguera um castelo de cartas. Mas como descrever o actual castelo europeu de dívidas e de défices alimentados pelo BCE? Sabemos como o abuso do crédito acabou da última vez. Irá agora acabar de maneira diferente? O BCE está a gerar na Europa uma espécie de subprime político, cuja ruptura, um dia, poderá precipitar a primeira grande viragem do século.

Muita gente nos avisa, com alguma razão, contra os riscos do populismo e do proteccionismo. Mas neste momento, os mecanismos inventados para impedir que alguma coisa aconteça são talvez uma ameaça maior: são eles, ao acumular problemas, que podem verdadeiramente abrir a porta ao proteccionismo e ao populismo. Porque quando alguma coisa tiver de cair, cairá de mais alto.

Augusto Santos Silva em alta no mercado bovino

Fotografia Rui Carmo. Reunião da concertação social, realizada em Odiáxere, Lagos.
Fotografia Rui Carmo. Reunião da concertação social, realizada em Odiáxere, Lagos.

Já recordei aos membros do governo que, enquanto membros do Governo, nem à mesa do café podem deixar de se lembrar que são membros do Governo e, portanto, devem ser contidos na forma como expressam as suas emoções, e se é assim à mesa do café quanto mais nestes novos espaços comunicacionais que hoje não são de conversa privada nem reservada e tornam-se naturalmente públicos”.

António Costa, o chefe da geringonça sobre a polémica que levou ao afastamento de João Soares.

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“Ali o Vieira da Silva conseguiu mais um acordo! Ó Zé António, és o maior! Grande negociante… Era como uma feira de gado! Foram todos menos a CGTP? Parabéns…”

Geringonça de verdade

Trump: um presidente dos trabalhadores

E se Trump for o presidente de todos os trabalhadores? Como é que fica a esquerda? O meu artigo no Jornal Económico.

Trump: um presidente dos trabalhadores

Quem diria? Donald Trump, o homem de negócios, o especulador que faliu empresas tirando daí proveitos próprios; o arrogante e execrável Trump vai ser um presidente das massas trabalhadoras. Quem o refere é Rich Lowry, editor da National Review, num artigo publicado este mês na Politico Magazine, com o sugestivo título de “The Party of Workers”.

Atenção que falar de trabalhadores não é falar de pobres. As políticas de Trump não visam reduzir a pobreza, mas subir os salários. Aproveitando um mal-estar cujas razões poucos conseguem expor, Trump simplificou o problema explicando que os salários não têm aumentado devido à imigração. O seu raciocínio é ajudado porque a população de imigrantes nos EUA aumentou, desde o início deste século até 2014, de 31 para 42 milhões.

A solução de Trump para este problema é reduzir a entrada de estrangeiros. Com menos pessoas a trabalhar os salários sobem. E se, com a subida dos ordenados, as empresas pensarem em se instalar nos países onde a mão-de-obra seja mais barata, Trump pune-as com impostos e tarifas aduaneiras sobre os seus produtos. É assim que Trump se transforma, de um homem do capital num defensor dos trabalhadores. Juntemos a esta política as obras públicas de renovação das infra-estruturas dos EUA, que a sua administração conta para criar empregos, e está visto como vão ser, caso Trump cumpra o que diz, os próximos anos na América.

Muitos comentadores norte-americanos estão excitadíssimos com a perspectiva de um novo Roosevelt. Mas há problemas. Um país não se desenvolve, não enriquece, só com menos impostos e mais despesa pública. É preciso progresso tecnológico e inovação. A redução dos impostos e o aumento dos gastos públicos origina dívida que obriga a racionar o futuro. Aquele momento em que Trump já não será presidente e, por isso, por ora não interessa nada.

O proteccionismo de Trump até pode criar um aumento temporário dos salários e do emprego. Mas um país fechado não inova e, mais cedo ou mais tarde, é ultrapassado por outros que produzem melhor e mais barato. A que se junta a inflação, um risco natural para qualquer país que feche as portas à globalização. A inflação: essa forma de austeridade que tantos desejam e que afecta especialmente os que ganham menos e que têm mais dificuldade para fazer frente ao aumento dos preços. Para a evitar, a Reserva Federal já anunciou o aumento das taxas de juros e promete mais em 2017.

Taxas de juros mais altas podem ser um problema para países como Portugal. Mas como é habitual, será algo que o Governo vai empurrar com a barriga. Entretanto, vai ser muito difícil à esquerda dizer mal de Trump depois de tantas críticas lançadas à austeridade de Angela Merkel. Até porque, apesar de ainda nem sequer ter tomado posse, os anúncios de Trump já estão a estimular a economia e as bolsas fervilham na Europa. Como o socialismo, tão avesso à especulação, tanto queria.

Pedaços de cultura entre vampiros

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Vale a pena ler o artigo de opinião de José António Cerejo, jornalista do Público, intitulada: Inês Pedrosa, os seus 38 amigos e “um insignificante episódio burocrático“.

Assim percebe-se melhor porque é que a tolerância face aos fenómenos do clientelismo, do nepotismo e, no fundo, do tráfico de influências e da corrupção é tão generalizada na sociedade portuguesa.

É um exercício tão curioso observar as movimentações dos seres que têm como  habitat o espectro cultural português.

 

Doce de maçã

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Uma conversa que tive hoje sobre a importância do contexto sócio económico dos estudantes enervou-me ligeiramente. Antes de mais, trabalho por necessidade desde os onze anos e não recebo lições de pobreza de ninguém, sei bem o que é ser pobre. Depois, estou-me cagando nos estudos nas ciências sociais, dão para tudo mais um par de botas e são o melhor exemplo de tortura de dados para dar o resultado que o “cientista” quer. Chegam a meter carne de um lado e do outro sai doce de maçã. Até nas ciências duras já é assim (ver o “hockey stick” do Michael Mann), nas ciências sociais é um fartar de vilanagem. Cansado que estou de trinta anos a ler “estudos” e papers sobre assuntos que me interessam só há uma conclusão possível: não conheço nenhum grupo onde haja tanta corrupção intelectual como nos grupo dos “cientistas sociais”. Não conheço um estudo, um sequer em que possa confiar, por cada um que chega a uma conclusão há dois que chegam à conclusão oposta exactamente com os mesmos dados. A única coisa em que confio é na minha experiência pessoal (que já é alguma) e capacidade dedutiva, mais nada. “Cientistas sociais” e “estudos” não passam, todos, rigorosamente todos, de venda de banha da cobra e prostituição pura e dura.

Dito isto, quando se fala no contexto sócio económico dos miúdos, misturam sempre correlação com causalidade, como se um puto pobre fosse obrigatoriamente um idiota filho de imbecis, como se os “cientistas sociais” soubessem melhor que o puto e respectivos pais o que é melhor para ele, como se os pobres não quisessem melhorar de vida, como se ser pobre fosse uma deficiência genética que condena as pessoas a serem falhas de inteligência, honra e ambição. Como se por ser pobre não se possa ser inteligente, trabalhador ou ter vontade. Mais que qualquer outra coisa é um insulto aos milhões de pobres que são gente trabalhadora, que lutam para melhorar de vida, que cuidam dos filhos e se sacrificam por eles. Não, para os bem nascidos, pobre é um untermensch, alguém inferior a eles próprios, um diminuído ao sabor das circunstâncias, sem as capacidades que reconhecem neles mesmos. Pois agarrem nos “estudos” que “provam” os vossos preconceitos de bem nascidos, façam um rolinho e enfiem-nos no recto, de resto, quanto aos pobres, saiam-lhes da frente, não os estorvem.

Falta de travões em mercado islamofóbico de Berlim

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Estado Islâmico Ordem dos Padres Carmelitas Descalços reclama a responsabilidade pela falha mecânica.

Compreender o putinismo LXIII

O putinismo no seu pior: declarações de um camarada  do Embaixador Karlov,  hoje brutalmente assassinado na Turquia.

Russian ambassador’s assassination in Turkey was organised by ‘NATO secret services’ and was ‘a provocation and challenge to Moscow’ claims Kremlin senator

Franz Klintsevich claimed a NATO government was probably behind the hit Klintsevich is a key ally of Vladimir Putin and a defence and security expert

He said the involvement of NATO secret services in the hit was highly likely

The Russian government has branded the hit an act of terror and vowed revenge

 

Menos TAP, mais passageiros, novo recorde

Excelentes notícias para o Porto e para o Norte do país: Aeroporto do Porto bate recordes e já transportou em 2016 mais de 9 milhões de passageiros.

Pela primeira vez, o Aeroporto Francisco Sá Carneiro atingiu os 9 milhões de passageiros transportados no mesmo ano, depois de, em 2015, ter pela primeira vez passado a meta dos 8 milhões. O passageiro número 9 milhões chegou num avião da companhia alemã de bandeira, Lufthansa, às 11,30 horas. Este recorde acontece no ano em que a TAP diminuiu o número de passageiros transportados do Porto para a Europa, passando a ser a terceira companhia, atrás da Ryanair e da EasyJet, agora primeira e segunda, respetivamente.

Isto ao mesmo tempo que a TAP é, cada vez mais, uma companhia aérea concentrada em Lisboa: 93,4% dos passageiros da TAP em Novembro embarcaram e/ou desembarcaram em Lisboa

O Aeroporto de Lisboa, com 903.832 passageiros de voos da TAP em Novembro, foi a origem/destino de 93,4% dos passageiros da companhia aérea portuguesa neste mês, o que evidencia um reforço da preponderância do Humberto Delgado na sua operação, uma vez que há um ano essa percentagem era de 91,5%.

Sem palavras

Uma cabala de sangue

Que está a atingir a tralha socrática da geringonça.

O concurso internacional realizado chegou a tribunal. Mas apesar da polémica e dos protestos, foi a farmacêutica Octapharma que acabou por ganhar o contrato para aproveitar o plasma do Hospital de S. João no Porto.

Apesar de haver cinco concorrentes, a farmacêutica com a exclusividade de fornecimento de plasma às unidades de saúde em Portugal, era a única que reunia diretamente os dois principais requisitos. Definidos nas regras do concurso.

Fernando Araújo, atual secretário de Estado da Saúde, era então diretor do serviço de Imunohemoterapia. E “esteve diretamente envolvido” no concurso, segundo relata a investigação da TVI. (…)

Abram alas para a herança da geringonaça

fidel

O PSD apresentou na Assembleia da República um voto de protesto relativo à detenção de três jornalistas do Expresso e da SIC em Cuba.

A votação foi o que se esperava: o CDS votou a favor. O PCP votou contra e o BE e o PS abstiveram-se. Está explicada, uma vez mais, a geringonça e o afastamento do PS do bom senso e da dignidade.

Leitura complementar: Abram alas para a herança de Fidel.

 

Compreender o putinismo LXII

Não faço ideia do número de almas que continuam na libertada cidade síria de Allepo mas o porta-voz do Ministro da Defesa russo, o general Igor Konashenkov  nega tudo, cambada de russofóbicos.

The Russian Defense Ministry’s spokesman Maj. Gen. Igor Konashenkov has refuted allegations of “250,000 trapped” Aleppo civilians.

“All dramatized outcries allegedly in defense of ‘trapped 250,000’ Aleppo civilians, especially loudly voiced by representatives of Britain and France, are nothing more than russophobic chatter,” he said.

Konashenkov underscored that terrorists had used more than 100,000 civilians as human shields in Eastern Aleppo.

CGD: a (in)utilidade de um banco público

CGD_afundaÉ hoje notícia no jornal Público que o governo PSD/CDS, chefiado por Pedro Passos Coelho, escondeu informação sobre agravamento do buraco na Caixa Geral de Depósitos (CGD), para evitar, meses antes das eleições, comunicar aos contribuintes que teriam de meter dinheiro neste banco público:

Durante seis meses, o Ministério das Finanças liderado por Maria Luís Albuquerque teve na gaveta pelo menos dois pareceres da Inspecção-Geral das Finanças relativos a relatórios trimestrais da Comissão de Auditoria da Caixa Geral de Depósitos de 2014 que mostravam um agravamento das imparidades do banco público.

Um ano depois das eleições PSD acusa o governo PS, chefiado por António Costa, de adiar injecção de capital na CGD, para evitar que este valor tenha influência no cálculo do défice orçamental do Estado para 2016.

É notório ainda que muitas daquelas imparidades se referem a empréstimos efectuados a empresas/indivíduos a operar em actividades que políticos designam de “sectores estratégicos”. E agora os contribuintes terão de pagar a factura dessas más apostas.

Mesmo assim, a classe política continua a afirmar que a CGD deve permanecer pública, para que seja um importante factor no estímulo ao crescimento económico. Estas notícias dizem o contrário: a CGD seria mais útil à economia portuguesa se fosse privatizada.

Purga envergonhada no Bloco de Esquerda

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Imagino que na vida interna dos partidos existam episódios dignos de uma comédia que acaba muitas vezes por se  transformar em drama e nos piores casos, em tragédia e horror. E se até agora pensavam que a purga era um exclusivo do PCP – o mais moscovita-estalinista dos partidos comunistas da Europa Ocidental, estão enganados, de uma forma mais ou menos envergonhada o Bloco de Esquerda  lá vai percorrendo o seu caminho.

O Bloco de Esquerda é mais do que uma experiência, uma vivência de um conjunto de partidos inovadores de esquerda, com maioria absoluta nas  redacções, cujo primeiro líder foi o actual Senador da Rrrépública Francisco Anacleto Louçã. Depois dele, a gerência passou por uma direcção bicéfala que respeitou a quota dos sexos e acabou com Catarina Martins a chefe, a apoiar a Geringonça e a engolir uma generosa quota de sapos, rãs e demais batráquios.

Podemos estar gratos tanto à sua existência como à sua dissidência. É ao BE que devemos a existência de um MAS (Joana Amaral Dias durante umas eleições e gravidez), do Livre unipessoal de Rui Tavares, de um 3D (do Daniel Oliveira que não pergunta o que nos dizem os nossos olhos) ou qualquer outra agremiação que entretanto tenha nascido ou venha a nascer da força  imaginativa dos homens, mulheres e restantes criaturas da esquerda que se quer diferente mas igual. O BE para além dessa tarefa hercúlea de procura e  dissimulação envergonhada do comunismo,  sonha com a “transformação social, e a perspectiva do socialismo como expressão da  luta emancipatória da Humanidade contra a exploração e a opressão”. Ao que parece,o BE oprimiu impediu  Francisco Raposo,ex-dirigente da agremiação de regressar. O curioso é que até ao momento ninguém sabe muito bem as razões do boicote. Para já, existe uma carta aberta de solidariedade com o socialismo, com uma peculiar lista de subscritores nacionais e estrangeiros e um manifesto de Solidariedade dos membros da Moção B da Mesa Nacional do BE, naquilo que é considerado como um golpe inaceitável na democracia interna do Bloco de Esquerda.

De regresso ao PCP, enquanto partido conservador-comunista aproveitou a derrocada do comunismo na Europa de Leste,  para purgar os elementos menos ortodoxos, cabendo a alguns deles a abertura de novos movimentos de participação cívica-comunista- na-realidade- mas-com- outro-nome. Ou na integração dos dissidentes sobreviventes em partidos como o PS ou o PSD.

O surrealismo purgatório é lei para o comum dos traidores e o desfecho natural da militância no Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses (PCTP/MRPP ). Um dia depois do Natal de  1976, após seis anos de luta, nasceu o PCTP/MRPP, um partido “com uma linha política verdadeiramente revolucionária, assente na  aplicação da teoria e doutrina marxistas à situação portuguesa.” Sempre consideraram os outros comunistas como uns betinhos e de valor residual. O camarada Arnaldo Matos atingiu o  estatuto de figura pública apesar de não ter o culto das multidões proletárias e camponesas de um Ribeiro Santos – abatido pela PIDE – ou de um Alexandrino de Sousa, assassinado pelos social-fascistas da UDP  (facção do actual BE) . E depois de um afastamento a que os ousados apelidariam de burguês, acabou recentemente por purgar o Secretário-Geral o mediático advogado Garcia Pereira e os membros do comité permanente do comité central. O  único partido capaz de fazer “a aliança operária-camponesa” e num momento de  reflexão profunda reconhece-se a si próprio como “o único partido que, desde o início da mais  recente e grave crise do sistema capitalista em Portugal, definiu que a questão central que se coloca  à classe operária para não ser esmagada pela contra-revolução é a do não pagamento da dívida.”  É esta a abrangência que os camaradas têm direito,  sem coligações burguesas, de preferência sem pagar aos credores e em perpétuas histórias de higienização interna.

Alguém alinha nas pipocas?

Abram alas para a herança de Fidel

fidel

O comunismo é um reconhecido sistema inventivo, daí as aparentes dificuldades que os três  jornalistas do Expresso e da SIC terão sentido quando foram detidos pela polícia cubana quando se preparavam para ir trabalhar, graças a uma dica do dono da casa em que estavam hospedados.

No domingo de manhã, as cinzas de Fidel iriam a ‘enterrar’ no cemitério de Santa Ifigénia, em cerimónia privada, reservada apenas a alguns convidados, incluindo alguns estrangeiros como Dilma Rousseff e Lula da Silva.

Ficara, por isso, combinado entre os enviados do Expresso e da SIC uma saída às 4 e meia da manhã, para poder registar o final da vigília que decorria na Praça da Revolução, em Santiago de Cuba, e o derradeiro cortejo em que povo cubano poderia participar ao fim de nove dias de luto.

Nunca lá chegaríamos, porém.

Minutos depois de sair da casa onde estávamos hospedados encontrámo-nos na insólita situação de detidos pela polícia cubana e obrigados a recorrer à diplomacia portuguesa.

Foi nesse momento que percebemos a importância do telefonema que o dono da casa recebera já depois da meia noite, e ao qual apenas respondera: “Três jornalistas portugueses, dois homens e uma mulher. Vão sair muito cedo”.

As mentes maldosas dirão que é algo típico de uma ditadura, resultado de um sistema opressivo e que premeia a bufaria. Não acreditem, oiçam os votos de louvor a Fidel do PS, PCP e Bloco de Esquerda.

 

É de pequenino que se atira ao pepino

Neste recreio para a educação dos mais que tudo, a entrada, a anizade, a partilha e o amor são grátis.
Neste recreio para a educação dos mais que tudo, a entrada, a anizade, a partilha e o amor são grátis.

Mesmo no moderado Irão.

WAR GAMES Iran opens chilling kids’ military theme park with AK47s where children as young as 8 fire bullets at US flags and effigies of the Israeli PM

THE Iranian government has opened a sinister kids’ war-based theme park which instead of roller-coasters and roundabouts has military checkpoints and AK47s.  The City of Games for Revolutionary Children park lets youngsters dress up in full combat gear and pretend to be attacking Iran’s enemies like Israel and the West. (…)

Tiago Barbosa Ribeiro merece uma comenda

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Deus e a concelhia distrital do PS do Porto abençoaram-nos pela existência, vivência, visão analítica e obra política do deputado Tiago Barbosa Nogueira consubstanciados num tweet de 2013.

pisa

Outras luzes do Tiago Barbosa Ribeiro: O PS é uma Grécia?; Prémio hot para o deputado socialista da legislaturaO PS, as portagens e a nova geração de socialistasO Casillas que se cuideQuando a vergonha muda de corUma homenagem aos lutadores pela imparcialidade da imprensa e Tiago Barbosa Ribeiro – para compreender o novo PS.