A guerra dos tronos dos direitos humanos progressistas

castrochavez

A ditadura dos irmãos Castro continua de boa saúde e recomenda-se.

Cuba criticized the policy of singling out countries for censure, protesting against the “endless allegations against the South by the industrial North.” The delegate asked the Council, “have any countries criticized or said a word against the warmongering of the North around the world?” before providing his own answer: “No.” He continued, asking “why aren’t we hearing about the xenophobia or glorification of fascism in the North?” Contrasting Cuba’s human rights record with that of the developed world, he told delegations that “we continue to work for the promotion and protection of human rights in our nation”

Venezuela, Egipto, Coreia do Norte, Irão, China, Bielorrússia, Eritreia e Portugal, sigam os melhores exemplos e apostem tudo no aprofundamento do modelo socialista que tão bons resultados origina.

O ‘Brexit’ e a Europa

Paris já disse que se o Reino Unido sair da UE acaba-se o acesso ao mercado comum. Como é que um país doente como a França se vai aguentar na Europa sem o Reino Unido? A minha crónica hoje no Diário Económico.

O ‘Brexit’ e a Europa

O Reino Unido vota amanhã a sua permanência na União Europeia. O governo britânico alertou várias vezes para os prejuízos económicos caso a opção seja sair. As instituições europeias, e até Obama, repetiram-no vezes sem conta: as grandes empresas sairão de Londres, o investimento estrangeiro cairá e o Reino Unido levará anos para recuperar o que pode perder numa noite. Nas últimas semanas o aviso tornou-se ameaça e o efeito pode ser contrário ao pretendido. Afinal, estamos a falar dos britânicos que não gostam de ser ameaçados. Mas e a Europa?

A Europa pode perder muito mais do que o Reino Unido. É a história que nos diz. Nos mostra quando olhamos para o passado e deparamos com o caótico autoritarismo que grassou pela Europa fora quando a Inglaterra ou, num sentido mais alargado, o Reino Unido se afastou do Velho Continente, deixando-o à deriva com uma das suas maiores nações doente.

Como já referi numa outra crónica para este jornal a 25 de Maio último, as ondas de choque provadas pelo ‘Brexit’, com a ajuda de um bom resultado da coligação Unidos Podemos, já este domingo em Espanha, darão força aos governos dos países com contas públicas mais deficitárias nas suas negociações com Bruxelas. Qualquer cedência nessa matéria enfraquecerá o euro que é o maior sustentáculo da União. Pior que isso: dará força aos governos despesistas, facilitando a vida à classe política que favorece interesses à custa dos cidadãos.

E assim chegamos ao grande doente europeu que é a França. Uma França que perdeu o norte e que, sem o Reino Unido na Europa, ficaria entregue a si mesma, aos seus fantasmas e terrores. Os franceses sabem-no, estão confusos e no meio de um debate intelectual e político que esperam lhes mostre uma luz ao fundo do túnel.

Apesar do actual presidente ser socialista, e da Frente Nacional ser uma ameaça ao equilíbrio político da actual República, os últimos anos têm sido marcados por uma forte actividade intelectual por parte de autores que situam entre a direita francesa. Não me refiro apenas ao livro Le Suicide français, de Éric Zemmour, saído em Outubro de 2014 e que tem mais de 300 mil exemplares vendidos, mas também às intervenções de Alain Finkielkraut. Os dois são fortes críticos do Maio de 68 e da forma como esse movimento debilitou o Estado francês. Mas o mais importante é que estes autores estão a influenciar uma nova geração de intelectuais, nascidos depois de 1968, sob os efeitos desse movimento que o pretendem contrariar.

A França tem sido vista como um país irreformável, título que podia ostentar com orgulho quando de Bruxelas, ao invés de obrigações, fluía dinheiro para os países periféricos, o que se compensava através de um cuidado especial com Paris. Nesta segunda década do século, a unanimidade já era e os efeitos na paragem no tempo sentem-se nas cidades francesas. A França já não faz par com a Alemanha na Europa e uma saída do Reino Unido desequilibraria ainda mais essa discrepância.

Infelizmente o debate francês que referi em cima pode ter vindo tarde demais. Com as dificuldades financeiras, a crise dos refugiados, que os atentados islâmicos não ajudam, os tempos serão de radicalização. O êxito de Zemmour vem de ser mais mediático e legível que Finkielkraut, mas também de alertar para a decadência do Estado e a transformação da Frente Nacional num partido de esquerda que vai convencer o eleitor funcionário público que vota no partido socialista.

A tendência será, infelizmente, para uma valorização do papel do Estado com os entraves que tal política implicou no passado. Sem o Reino Unido, com a França estatizada e enfraquecida perante uma Alemanha unida à volta da sua força comercial, que foi um dos pilares para a sua unificação no século XIX, não estou a ver outra forma de a União Europeia sobreviver que não seja através de uma reforma das suas instituições. Em que sentido, é muito difícil, senão impossível, dizê-lo.

Tal como há semanas era difícil prever o ‘Brexit’, hoje é arriscado avançar com as suas consequências. Uma certeza a história nos mostra: a Europa pode perder mais que o Reino Unido.

Clap, clap, clap

Viva o progresso social e humano provado na pequena reportagem da Vice News  intitulada Grocery shopping during Venezuela’s food shortages.

Outras razões para termos de meter mais 4 mil milhões na Caixa Geral de Depósitos


Há 4 anos herdei uma dívida de €250.000 à CGD. Há 4 anos que a CGD não recebe um tostão dessa dívida. Há 4 anos que tento resolver este assunto com a CGD. Há 4 anos que nada acontece.

Ou seja, não precisamos de entrar na estratosfera dos empréstimos de centenas de milhões sancionados politicamente para perceber como é que a CGD chegou aqui e as vantagens (para alguns) de se ser dono de um banco público: a conta pode ser dividida por 10 milhões e ninguém precisa de resolver nada porque ninguém pode ser, nem precisa de ser, responsabilizado por nada.

Como é que esta minha dívida aparece?

Com um empréstimo a uma empresa sem actividade mas com sócios em comum com outras empresas que, essas sim, tinham actividade (mas não dinheiro). Com um empréstimo feito a contar que o património pessoal dos sócios poderia responder por um incumprimento, sem que a CGD se preocupasse em perceber se seria realmente assim (não era). Com um empréstimo contra garantias reais que, como era prática comum, foram valorizadas no que era preciso para ser possível financiar os montantes pedidos em vez de se ajustar o montante do financiamento ao valor das garantias (não funciona).

Como é que esta minha dívida ainda existe?

Boa pergunta. É certo que havendo uma fonte sempre disponível de capital, aparentemente não há grandes limites para o número de buracos deste tipo que é possível cavar dentro de um mesmo banco. Mas deveria haver limites para a falta de capacidade administrativa em lidar com milhares de processos idênticos quando há centenas de funcionários e prestadores de serviços em departamentos de recuperação de crédito e de contencioso. Deveria haver limites para a inércia dos serviços de um banco que não responde a ninguém, especialmente quando os clientes se disponibilizam repetidamente para tentar resolver a situação. Deveria até haver limites para a criatividade contabilística que permite adiar, transferir, evitar tudo e mais alguma coisa, quando ao fim de 4 anos todas as imparidades já foram (ou deviam ter sido) reconhecidas e provisionadas. Pelos vistos não há. Prova disso é que, ao fim de 4 anos, a CGD nem as garantias reais foi capaz de executar. E acreditem que há algo de muito errado quando a melhor esperança que alguém tem de resolver um problema com um banco é por via de uma execução.

Podemos argumentar que estes empréstimos que não cumprem os mínimos são o custo de se fazer negócios num país do terceiro mundo. Se os bancos não se adaptassem à trampa do micro, pequeno e médio tecido empresarial que temos não conseguiriam emprestar dinheiro a ninguém. Se os bancos públicos não se adaptassem à política que temos não seriam bancos públicos.

Também podia estar aqui contente por estarem 10 milhões de portugueses a pagar o que eu não consigo pagar. Mas não estou. Não estou porque vou acabar por pagar duplamente: como contribuinte, por mais um aumento de capital, como devedor da CGD, por anos de absoluta indolência na gestão do meu processo que me sairão do bolso com juros, custas e honorários.

Outros empréstimos, grandes e pequenos, serão feitos à toa. Outros “serviços públicos bancários” serão prestados. Outros aumentos de capital virão. Pelo menos enquanto a CGD for pública. Neste cenário, eu já só peço que alguém da CGD me ligue ou que vendam o meu crédito a quem tenha de trabalhar para pagar contas. O que eu dispenso, como contribuinte e devedor da CGD, são os trostkistas providenciais que me garantem que desta vez é que é, desta vez é que a CGD vai transformar-se, também ela, numa vaca com asas.

Portugal bom e barato

Acresce a tudo o que o Rodrigo aqui escreveu que o ministro ou é completamente ignorante, ou acha que os empresários são, ou acha isso da imprensa e de quem a lê.

É que como é por demais evidente para quem tenha dois dedos de testa económica, o valor pago em salários em Portugal é relativamente irrelevante para os empresários. O que importa é o valor acrescentado da mão-de-obra. Há salários, digamos assim, que poderiam ser literalmente zero que não compensavam um determinado investimento.

Fiquei sem perceber se é estupidez pessoal, se má-fé, mas registo o silêncio sepulcral de quem se indignaria se declarações análogas fossem proferidas noutros tempos pelos detentores do mesmo cargo. E registo mais um prego na credibilidade do Czar das Finanças.

E agora, Catarina Martins?

“A banca é um assunto sério demais para ser deixado nas mãos de banqueiros privados.” – Catarina Martins não se referia à Caixa Geral de Depósitos.

Histerismo na geringonça

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Emigração de professores: “Há semelhanças entre Costa e Passos”, diz BE

Porta-voz Catarina Martins sublinha que o partido “dispensaria a similitude” entre as palavras do atual e do ex-primeiro-ministro

Quem afundou a Caixa?

A extrema-esquerda da “geringonça” não se cansa de dizer que toda a banca deve ser pública. E os partidos mais ao centro na Assembleia da República, sendo um pouco mais brandos no grau de socialismo, defendem, mesmo assim, presença  estatal neste sector de actividade.

CGD_afundaMas a situação financeira da Caixa Geral de Depósitos (CGD) começa a mostrar-nos os perigos de tal política. Tal como muitos outros bancos, a CGD foi obrigada a assumir imparidades referentes a créditos incobráveis. Conjugando os factos de i) se tratar do maior banco a operar em Portugal e ii) de estar mais vulnerável à gestão política do dinheiro depositado, podemos esperar que o volume dessas imparidades seja… gigantesca (entre 2011 e 2015 já atingiram 6,1 mil milhões de euros e, provavelmente, não ficará por este valor). Que o contribuinte pagará.

Ainda, como o André Abrantes Amaral ontem afirmou no EconómicoTV, a existência de um banco público com uma agenda política (se objectivo fosse apenas lucro, seria privado!) já desvirtua a concorrência ao competir no mercado por recursos limitados, sabendo que terá sempre a “costas cobertas” pelos impostos dos portugueses.

O jornal Correio da Manhã revelou-nos hoje a lista dos maiores devedores (“Crédito a Amigos Afunda Caixa”), entre eles o grupo espanhol Artland, que o Carlos Guimarães Pinto aqui muito bem nos elucidou sobre  a relação destes com a CGD. Fala-se agora da abertura de inquérito parlamentar para investigar os erros(!) de gestão no banco público. Contudo, se qualquer ser humano não está isento de erros (muito menos aqueles que escolhem uma carreira política), a mais importante conclusão ficará muito provavelmente fora do documento final: é o sistema de reserva fraccionária que permite aos bancos arriscarem o dinheiro dos depositantes sem o seu conhecimento. E prolongando-se o status quo, continuará no horizonte que quanto maior o erro dos gestores bancários, maior a factura para os contribuintes.

 

A lenta gestação de uma catástrofe anunciada (2)

Juros portugueses sobem e risco da dívida dispara para máximos de Fevereiro
Bancos portugueses mais dependentes do BCE pelo segundo mês

E tudo isto, recorde-se, num contexto de QE por parte do BCE…

CGD, Brexit e sanções a Portugal no Económico TV

A Caixa Geral de Depósitos precisa de 4 mil milhões de euros, para se manter; Portugal pode ser punido por défice excessivo e o Brexit terá consequências gravissímas para o nosso país. Enquanto isso, Marcelo e Costa riem e tiram selfies em Paris. É verdade que o povo gosta de ser entretido (Salazar percebeu isso muito bem), mas há limites. Os meus comentários hoje às 12 horas no Económico TV.

As 35 horas e a Constituição

Deixar violar a Constituição. Por Alexandre Homem Cristo.

As 35 horas para os funcionários públicos e a nova administração da CGD

O meu artigo desta semana no Observador: O fim da austeridade: das 35 horas à administração da CGD

A “geringonça” prometeu. A “geringonça” cumpre. O fim da austeridade está mesmo a concretizar-se, ainda que só para alguns e durante algum tempo. Dois casos em análise: as 35 horas semanais de trabalho para funcionários públicos e a nova administração – com mais administradores e remunerações mais elevadas – da Caixa Geral de Depósitos. Nenhuma das duas medidas faz sentido no contexto de um país que continua numa grave situação económica e financeira, mas ambas fazem todo o sentido à luz dos objectivos políticos de curto prazo da “geringonça”.

A lenta gestação de uma catástrofe anunciada

Até agora, tudo bem. Por João César das Neves.

Vivemos hoje em Portugal uma das situações mais terríveis e perturbadoras da humanidade: a lenta gestação de uma catástrofe. No futuro, quando olharem para o nosso tempo, as pessoas terão muita dificuldade em entender a apatia nacional que conduziu ao colapso de 2017-2018. Nessa altura muitos perguntarão como foi possível tal cegueira, ignorando os verdadeiros problemas, até se cair na ruína? Nós temos a resposta a este terrível enigma em directo e ao vivo.

Sim, podemos aguardar

podemos

Irão financiou Podemos com esquema, pelo menos, manhoso e que envolve as sinistras contas offshore. Aguardo o tratamento noticioso por parte do Esquerda.Net.

Como conciliar turismo e habitação

A propósito do debate intitulado “Quem vai poder morar em Lisboa?” que ocorreu anteontem (um relato completo e fidedigno do evento), gostaria de aproveitar para fazer alguns comentários ao discurso das pessoas como as que estavam neste evento e que agora andam a sair dos buracos, transbordantes de indignação, a queixarem-se da expulsão por turistas de residentes do centro histórico de Lisboa.

Em primeiro lugar, o enquadramento do debate está completamente errado, o que explicará (espera-se) muitas das barbaridades que se têm dito. Por exemplo, de acordo com os Censos, entre 1991 e 2011, as 12 freguesias que agora fazem parte da freguesia de Santa Maria Maior, onde fica o centro histórico da cidade (a zona do Castelo, Alfama e Baixa), perderam 40% da sua população residente. A tese agora é que uma lei de 2012 (lei das rendas) e outra de 2014 (alojamento local) são responsáveis pelo “processo de saída dos bairros históricos”. O problema é que essa saída se deu nas décadas que antecederam a entrada em vigor desses dois diplomas e não desde então. Aparentemente desde 2012/2014 o que se passa é precisamente o contrário: toda a gente quer voltar para o centro histórico e o centro histórico não consegue acomodar essa ânsia. Ou seja, o problema é outro que não a tal “sangria que é preciso estancar” porque essa, pelos vistos, já foi estancada.

Em segundo lugar, se há coisa que é evidente é que estas pessoas não estão preocupadas com o preço da habitação em Lisboa. Se fossem sensíveis ao preço, e não ao facto do centro histórico ser uma estrumeira, ter-se-iam mudado para lá antes de 2011, quando os bancos emprestavam dinheiro a toda a gente e as casas eram baratas porque ninguém as queria. Estas pessoas estão, isso sim, em negação por aparentemente terem descoberto que o Pai Natal afinal não existe e que, assim, não vão encontrar uma casa no Chiado (de 2016) no sapatinho em Dezembro.

Neste estado de negação, há sempre a tentação de tentar clonar parcialmente o Pai Natal recorrendo a uma teia judiciosamente urdida de proibições, suspensões, limitações, taxações e redistribuições (consulte-se a última página do documento que serviu de base ao dito debate, por exemplo). Essa teia garantiria que nenhum turista que não fosse bonito, culto e bem cheiroso se aproximasse da “nossa” Lisboa e que nenhum estrangeiro compraria ou arrendaria uma casa no centro de Lisboa, pelo menos enquanto existissem portugueses refugiados num qualquer outro bairro da cidade ou, imagine-se, num concelho limítrofe. Urge repor a autenticidade dos bairros históricos importando residentes de nacionalidade portuguesa criteriosamente seleccionados de acordo com os mais altos padrões de progressismo social, garantindo assim que não haveria qualquer confusão entre esse jardim zoológico e a Disneyland em que Lisboa se está a transformar.

No mínimo, veríamos finalmente assegurado o nosso “direito democrático à habitação”, em que poderíamos viver onde queremos, pagando o que é “justo”, porque a realidade teria sido revogada e o Chiado (de 2016) seria de todos. Só fiquei espantado por ninguém ter pensado nos quartos adicionais que íamos precisar de “prever na legislação” para receber sírios e outros desvalidos. Talvez até para receber portugueses que não conseguissem aceder ao direito adquirido a viver no Chiado (de 2016) mas cujo direito ao direito adquirido não pode ser negado. Presumo que essa proposta de revisão constitucional vá ser incluída na agenda da próxima reunião.

Esta pulsão reaccionária de progressistas encartados e auto-intitulados cosmopolitas contra gente que não é como nós e que nos quer roubar as casas e a alma também se alastrou ao painel de convidados do debate, dignos representantes dos “especialistas” que por aí andam a discorrer sobre este assunto.

O que nos leva ao terceiro aspecto que é importante realçar: andamos à procura de soluções no sítio errado.

Apesar de o painel incluir economistas, geógrafos, urbanistas (um dos urbanistas, em bom rigor, era um engenheiro florestal com uma paixão pelo sistema financeiro, mas não sejamos niquentos) e arquitectos discutiu-se precariedade, offshores, conspirações internacionais, desigualdade, os méritos do Chavismo, e o facto de tudo isto ser culpa das bestas dos políticos, algo que só pode ser resolvido mandatando as bestas dos políticos para resolver a situação, dando-lhes ordens expressas para, desta vez, serem bonzinhos e, sobretudo, ignorarem a dissonância cognitiva dos mandantes.

Pelos vistos não passou pela cabeça de nenhum dos painelistas/especialistas recorrer a coisas que eventualmente conhecem, como a lei da oferta e da procura ou até a políticas de urbanismo, para analisar este alegado aumento “exponencial” dos preços da habitação em Lisboa. Se o tivessem feito, talvez tivessem chegado à conclusão muito simples de que se os preços das casas sobem é porque – prepararem-se – há mais procura do que oferta.

Se assim é, em vez de olharmos para o turismo como se fossemos uns miseráveis a quem sai o Euromilhões e que devolvem o prémio, preferindo continuar na miséria porque não sabem o que fazer com o dinheiro, devíamos estar a tentar descobrir como é que conseguimos continuar a ter cá turistas a darem-nos dezenas de milhares de milhões de euros todos os anos E (e não OU) termos preços de habitação relativamente estáveis. Ou seja, devíamos tentar descobrir como é que se aumenta a oferta de habitação em Lisboa, se é que isso não está já a acontecer.

Se formos ao INE e olharmos para a evolução dos fogos concluídos em construção nova (que representarão cerca de 60%-65% do total de fogos concluídos) na Área Metropolitana de Lisboa nos últimos 12 anos, podemos ver que no final do ano passado estávamos no nível mais baixo de todo esse período.

Fogos Concluídos

Olhando para o licenciamento de edifícios para percebermos se a situação se irá alterar num futuro relativamente próximo, podemos ver que, também aqui, estamos em níveis historicamente baixos.

Edificios Licenciados

Olhando finalmente para os fogos licenciados vemos uma tendência ligeira de recuperação desde o final de 2014/início de 2015 mas ainda assim muito abaixo dos níveis pré-crise.

Fogos Licenciados

Tendo isto em conta, devíamos estar a tentar perceber porque razão a oferta de habitação não se ajusta a um aumento da procura, ainda para mais a um aumento de procura com a expressão que este supostamente tem e que, ainda por cima, já começou há vários anos.

Das duas, uma: ou os malandros dos construtores, promotores imobiliários e bancos preferem continuar falidos em vez de se porem a ganhar dinheiro com esta massa de gente desesperada por um cantinho em Alfama, ou então temos um problema mais de fundo nas políticas de urbanismo e seria precisamente por aí que devíamos começar.

Até porque, se fizermos algumas contas veríamos que, por exemplo, o Alojamento Local representa, quanto muito, 2%-3% das 324.000 casas que existiam em Lisboa em 2011. Desde essa altura, e apesar da crise, em toda a Área Metropolitana de Lisboa já terão sido construídas/reabilitadas mais 10.000-15.000. Ou seja, se é realmente o Alojamento Local que está a estragar a vida a quem quer desesperadamente viver no centro da cidade, deveria ser relativamente fácil corrigir esse problema sem o transformarmos numa espécie de kolkhoz urbano. Li algures que é um modelo que não funciona. Por exemplo, em Berlim, medidas restritivas que à primeira vista pareciam ter resolvido o problema do aumento dos preços dos arrendamentos, passados uns meses afinal já não estavam a funcionar.

O que não devíamos fazer era usar argumentos, vá, estéticos para justificar, essas sim, verdadeiras políticas de empobrecimento. Especialmente quando esses argumentos estéticos são usados de forma pueril por pessoas que têm dificuldade em aceitar que, chegados a adultos, temos de fazer escolhas, abdicar de algumas coisas para termos acesso a outras, que não podemos ser todos acima da média, que não podemos ser todos ricos, e coisas assim.

Sendo que o único bem verdadeiramente finito (e escasso) que está envolvido em toda esta discussão são os metros quadrados no centro da cidade, o que devíamos estar a discutir era como é que conseguimos fazer mais com cada um desses metros quadrados. Mais, neste caso, significa:

  1. Reduzir o tempo que se leva a construir ou reabilitar em cada um desses metros quadrados;
  2. Reduzir os custos impostos por lei do que se constrói ou reabilita em cada um desses metros quadrados e que depois acabam a ser pagos por quem compra/arrenda;
  3. Construir mais em cada um desses metros quadrados, ou seja, construir mais em altura;
  4. Flexibilizar alterações de utilização dos espaços;

Se acham que tudo está feito nestas matérias, tenho algumas expressões que gostaria de pôr em cima da mesa: qualificação do espaço urbano, sistema de vistas, condicionantes de infraestruturas, servidões administrativas, restrições de utilidade pública, etc. Podia juntar outras como Regulamento Geral das Edificações Urbanas, Regime Jurídico da Urbanização e Edificação, Regime Legal de Acessibilidades, Regulamento dos Requisitos Acústicos dos Edifícios, Regulamento de Desempenho Energético dos Edifícios de Habitação, regulamentos sobre instalações de gás, eléctricas e infraestruturas de telecomunicações, normas de segurança estrutural, normas de gestão dos resíduos de construção e demolição; etc.

Tudo isto é exigido a quem quer construir habitação em Lisboa. Na prática, a tal teia de proibições, suspensões, limitações, taxações e redistribuições que nos querem impingir já existe. Talvez fosse altura de tentar outro caminho.

Em todas estas vertentes há bons (e muitos e muito maus) argumentos para termos as leis e os entraves que temos a um aumento da oferta de habitação que acompanhe razoavelmente o aumento da procura. Mas se queremos de facto tentar fazer alguma coisa para aumentar o número de casas no mercado e contrariar o aumento de preços é por aqui que temos de ir. 

O elefante

elephantNos últimos 10 anos, o buraco da Caixa foi maior do que o do BES e BANIF juntos. Num momento em que se preparam para levar mais uma injecção de 4 mil milhões, o Bloco de Esquerda não vê razões para comissão de inquérito à Caixa e o governo vai decidir hoje o fim do tecto salarial aos administradores da Caixa. Mais umas semanas, e lá virão os do costume defender que a banca deve ser gerida pelo Estado, que nas mãos de privados é um perigo para os cofres públicos.

Hoje às 12 horas no ETV

Bruxelas admite a recapitalização da CGD se o investimento do Estado for considerado como privado. Estranho? Nem por isso, agora que as vacas voam. O governo é contra as sanções de Bruxelas a Portugal porque o anterior governo deve ter feito um bom trabalho. Isabel dos Santos na Sonangol, para controlar o BCP e comprar o Novo Banco? E por fim, as 35 horas no sector público. Porque as vacas voam e tudo se suporta e se paga. Sem dramas.

Estes são os temas para os meus comentários na Edição das 12 de hoje do Económico TV.

 

A sanidade suiça

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O plebescito confere ao homem comum o poder de decisão. Platão — não Sócrates — arguiria contra tal desplante: o poder deve estar conferido à razão de um filósofo-rei, justo e racional, que tomaria a decisão pela plebe, não fosse a plebe votar mal. Mas quando assim não é, o homem comum pode mesmo decidir: decidir até transformar-se no homem novo socialista. Dado que os suíços têm decidido o oposto, um homem novo socialista admoestaria bruta e grosseira infâmia, clamando enfim por um iluminado.

Um pavilhão repleto de militantes do BE aplaudiria em êxtase, quando não em lágrimas, o homem, mulher ou trans- que vindicasse tal caminho. Para o socialismo, entenda-se. Meio palmo de juízo poria as mãos à cabeça. Muitos palmos de juízo e estamos fora do pavilhão.

Seja como for, o socialismo nunca precisou do voto popular. Falhando a cruz, um qualquer indigente apregoa a boa-nova e força-a aos restantes; quem não tem cão caça com gato, e faltando um filósofo-rei charmoso e sábio, um pelintra de rabo de cavalo terá de servir — socialismo pela guela. Como os tempos são outros, a coisa agora diz-se socialismo democrático, ou simplesmente social-democracia, que no fundo é a mesma trampa: socialismo assinado de cruz.

E voltamos aos suíços. Sem rei ou iluminado que os guie, ou talvez por isso, os suíços são um dos países mais ricos e prósperos do mundo, sob qualquer indicador. Por aí não vão lá. Resta o voto para trilhar a rota para o socialismo. Capitosamente, os suíços insistem em recusar o sonho socialista. A Venezuela à distância de uma cruz, e o suíço vota ao lado.

Os malandros dos privados

porcosUma empresa é a forma legal como um conjunto de pessoas se organiza para levar a cabo uma actividade económica. Um sindicato é a forma legal como um conjunto de pessoas se organiza para levar a cabo uma actividade económica. O primeiro caso é motivado pelo benefício da organização e união de esforços para atingir objectivos. O segundo pelo benefício da força negocial resultante da união de esforços dos seus membros. Ambas são organizações de origem eminentemente privada, enquadradas na legislação.

Curiosamente, quando algumas pessoas defendem a “escola pública”, defendendo implicitamente os interesses privados dos sindicatos de professores e dos seus membros, usam argumentos de oposição a interesses privados (neste caso dos colégios com contrato de associação). Os animais são todos iguais, mas uns são mais iguais que os outros.

O teu dinheiro é nosso

Através do Jornal de Negócios chega a notícia de mais um passo no caminho da servidão: «Os socialistas avançaram com um projecto de Lei onde proíbem toda e qualquer transacção em dinheiro vivo sempre que o seu valor exceda os 3.000 euros.» Segundo o jornal, o incumprimento da proibição acarreta «uma multa correspondente a 25% do valor pago em dinheiro. Caso haja fuga ao Fisco, a multa cresce mais 5%.» Por fim, a medida visa «reagir ao escândalo dos Panamá Papers.»

O valor punitivo da multa e o impacto relativamente inócuo da majoração em caso de evasão fiscal mostram que apesar da retórica fiscalista o objectivo da medida é verdadeiramente outro. A medida visa essencialmente obrigar o dinheiro a estar no circuito bancário. Se nos lembrarmos das ideias que foram veiculadas num passado recente sobre a dificuldade de impôr taxas de juro negativas, por um lado, ou da necessidade de financiar o estado e os bancos por via de taxas extraordinárias sobre os depósitos bancários, por outro, a “coisa” ganha outra inteligibilidade.

A menção aos Panama Papers é hilariante. Como é que os donos das contas off-shore trarão o dinheiro das Caraíbas para efectuar pagamentos em numerário em Portugal? Na mala? E se em vez de “euros” forem “fotocópias”? Ou “daquilo que eu gosto muito”? Ou “robalos”? Também há multa?

O congresso do PS e os extremismos de que depende para mudar a Europa

António Costa já afirmou que Bruxelas deve fazer tudo para manter o Reino Unido na União Europeia, mas que há limites. No fundo, o Reino Unido é desejável, mas não sem muito espaço para a concepção britânica de uma Europa de mercados livres e menor centralização política. Porque a União que este PS defende é uma Europa politicamente centralizada, embora permissiva a nível orçamental. É como que uma troca: Bruxelas existe, envia dinheiro, garante a estabilidade possível, uma moeda forte, claro está, mas deixa que a classe política que o PS considera legítima possa gastar o dinheiro dos contribuintes como bem lhe aprouver. Foi assim desde 1986. Para quê mudar?

Leia-se este artigo de Porfírio Silva, defendendo uma geringonça para a Europa. Ou ouça-se Pacheco Pereira dizendo no Congresso do PS que é necessário rasgar o Tratado Orçamental sob pena de os partidos socialistas e sociais-democratas, bem como o projecto europeu desaparecerem. É óbvio que com o euro o socialismo devia ter mudado, mas não mudou. O socialismo devia ter deixado de encarar a governação como um mero meio de distribuição de dividendos, mas não o fez. Ora, para Pacheco Pereira, e para o PS, o que é que está mal? A Europa que criou uma moeda forte que dá estabilidade de preços e, se em aproveitada, empregos, ou o socialismo que não se adaptou aos novos tempos? Infelizmente já conhecíamos a reposta.

O problema do PS é que não está refém do extremismo político apenas em Portugal. Para mudar a União, o PS precisa de contar com um bom resultado do Podemos em Espanha. Precisa de contar com a colaboração do Syriza e da extrema-direita grega; conta com bom resultado do movimento 5 estrelas em Roma; necessita de uma vitória de Marine Le Pen, em França. O PS está refém do extremismo em toda a Europa, seja este de esquerda ou de direita.

Não se adaptando, o socialismo precisa de destruir. E para destruir, urge unir-se não apenas aos comunistas do PCP e do BE. Costa terá de fazer uma frente comum com outros extremismos europeus. O socialismo é uma corrente político-ideológica muito ampla; já deu para tudo. Assim, o que o governo de António Costa andar a defender na Europa nos tempos mais próximas até pode ser socialismo. Mas não será, de certeza, aquilo que foi, noutros tempos, o PS.

Recordar é viver

louca

O que dizer do Louçã – o Palhaço –, segundo os camaradas do PCTP/MRPP? Apenas que é o contributo possível para a indispensável união das esquerdas em geral e do Bloco em particular.

Nos últimos vinte e cinco anos, nunca houve ninguém em Portugal que fosse tão mimado, tão incensado, tão elogiado, tão lambido, tão levado ao colo e tão carregado em ombros de tudo o que é jornalista e órgão de comunicação social como esse tal de Francisco Louçã.

Com toda a imprensa burguesa, reaccionária em extremo como se sabe, a empurrar por trás, Louçã foi posto à cabeça de um bloco de oportunistas, baptizado de Bloco de Esquerda, de que se safou logo que pôde, foi levado a deputado da Assembleia da República e até foi colocado numa cátedra ali para os lados de São Bento, no Instituto Superior de Economia e Gestão, sem que ninguém se tivesse apercebido a tempo de que o homem não só não era de esquerda como não passava de um ignorante em matéria de economia e de finanças.

A imprensa tem andado tão babada com o seu menino-prodígio que, no mês passado, enquanto celebrava os quarenta anos do golpe de Otelo e dos seus capitães, foi ao ponto de transformar à sorrelfa o paizinho de Louçã num dos heróis de Abril, quando toda a gente sabe que foram os marinheiros e sub-oficiais da fragata Almirante Gago Coutinho, por um lado, e os obuses da bateria de artilharia de Vendas Novas, colocada no Cristo Rei, em Almada, por outro, quem impediu o comandante – capitão de fragata Seixas Louçã – de bombardear os homens e os carros de Salgueiro Maia no Terreiro do Paço.

Mas a basbaquice da imprensa por Louçã é de tal ordem que não lhe custa nada homenagear como herói de Abril um fascista do antigo regime, desde que seja familiar do sobredito Louçã…

Ora, este produto acabado do jornalismo português de pacotilha – Louçã – de forma indirecta, e durante a presente crise, levantou-se contra o PCTP/MRPP aí por 2012, ao acusar uma das fracções do Bloco de ter cometido o crime de seguir o nosso Partido, ao defender o não pagamento da dívida e a saída do euro.

Desde que, em 16 de Junho de 2012, atacámos, numa conferência realizada na cidade do Porto, o Syrisa e o seu aliado português – o BE -, por não se atreverem a defender a saída do euro e o não pagamento da dívida, Louçã não tem feito outra coisa senão escrever, só ou acompanhado, resmas de papel que têm um único objectivo: explicar como se deve pagar honradamente a nossa dívida, de modo a mantermo-nos no Euro e na União Europeia a todo o custo.

Mas eis que, no último domingo, na Mesa Nacional do Bloco de Esquerda, Louçã terá admitido, segundo notícia circulada pelo jornal i, que “a saída do euro pode mesmo tornar-se na única solução para o País”.

Não acredito! Será possível que o animal tenha dito semelhante coisa?!

Mas acho que sim. Disse mesmo!

É que Louçã não passa de um palhaço! Até domingo passado, Louçã sempre defendeu a permanência de Portugal no euro e o pagamento honradinho e integral da dívida pública.

Começou, aliás, por defender, no consulado de Guterres, a adesão de Portugal à moeda única, muito embora criticasse as negociações da adesão, que teriam prejudicado o País. “Mas essa entrada era inevitável”, alegou então o catedrático Louçã.

Em Maio de 2011, fez agora três anos, numa troca pública de ideias com Jerónimo de Sousa, Louçã, com aquele ar de convicta certeza que nunca abandona mesmo quando diz as maiores alarvidades do planeta, pretendeu ter esmagado, com a sua autoridade professoral, o pouco ilustrado Jerónimo, atirando-lhe a matar: “Recuso a saída do euro, porque isso seria catastrófico”; “Ficaria tudo mais caro, desvalorizaria salários e pensões e faria com que as pessoas que têm créditos à habitação passassem a pagar muito mais“.

Não se encontraria em parte alguma da Europa um pequeno-burguês mais explícito… (…)

O Brexit pode salvar a geringonça

Com o alerta da UTAO, a realidade começa a abater-se sobre a geringonça. Mas real é também o risco do Reino Unido sair da União Europeia e as consequências que daí advirão para Bruxelas e as suas relações directas com países como a Grécia e Portugal.

É que o Brexit pode ser pior para a Europa que para o Reino Unido, mas excelente para a esquerda que sustenta a geringonça.

Venezuela: «Tenemos hambre!»

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«Tenemos hambre!», gritam, em desespero, as vítimas do socialismo.

O preço do socialismo é elevado. No seu estágio terminal, termina em fome. Dos panfletários a soldo do Governo, a resposta é a do costume: isto não está lá muito bem, culpa do neoliberalismo e dos especuladores, mas vamos corrigir isto. Como? Com ainda mais socialismo. O desfecho? Pois.

Há umas semanas atrás, a SIC explicava o fenómeno na Venezuela com a queda no preço do petróleo. Pobres noruegueses. Ou mexicanos. Mexicanos que, embora produzam mais petróleo do que a Venezuela, nem se dignam a ir para as ruas gritarem que têm fome. O mundo contra Maduro. Só pode ser golpe. Contra o socialismo.

É irónico que Marx tenha encontrado um determinismo na evolução da história, que evolui, segundo o materialismo dialético que propõe como teoria, do conflito entre classes. Por muito estapafúrdia que tal teoria seja, não deixa de ter o seu mérito: se há coisa que é certa é a falência do socialismo.

Para a próxima é que é.

O regresso de Darth Putin

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A seguir o Darth Putin’s Blog que promete “a reunificação soviética“.

 

Transcript of note from the 146% legitimate President of Russia!

Citizens!!

Your 146% legitimate President is being unjustly held in Twitter’s gulag! However, through a trusted, loyal courtier I have managed to smuggle a message to the outside world. (Ok, I scribbled note this on a spare copy of the Minsk Agreement in my pocket when I was arrested and jammed it up Medvedev’s backside for him to smuggle).

Appeals against this kangaroo court and travesty of justice have begun and the USA’s lickspittles have indicated that a compromise is possible.  However, be warned, I still have neighbors I have yet to invade in order to distract my citizens from shitty roads and falling wages.

With this in mind I urge the CIA’s stooges in Russia’s illegally annexed California Oblast to release me from this unjust detention.

In the mean time, please keep tweeting your support with the hashtag #NoTwitterGulagForDarthPutinKGB to remind the fascists that this will not stand.

Yours, topless

VVP

E saúde-se o regresso ao activo de @DarthPutinKGB.

Como a realidade tende a ultrapassar a ficção e a comédia, Konstantín Dolgov, o responsável pelos direitos humanos do Ministério das Relações Exteriores russo aponta o neoliberalismo agressivo como a mãe de todos os males.

Felizmente que à humanidade resta Vladimir Putin – o verdadeiro porteiro do Kremlin.

Leitura complementar: Do Kremlin, com humor.

Geringonçanomics

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Faz nem 2 meses. No Programa de Estabilidade de 2016, Secção I.2.3, constava uma previsão para a evolução da economia no quadriénio 2016 – 2020. Em particular, sobre o efeito da devolução dos rendimentos no consumo privado, e, dentro deste, no consumo de bens duradouros (carros, etc.). Recordemos:

Fruto da melhoria das condições do mercado de trabalho e de medidas de política com impacto no rendimento disponível das famílias, antevê-se uma recomposição da dinâmica de crescimento do consumo privado. O consumo de bens duradouros desacelera, contrastando com o dos bens correntes e serviços (com menor conteúdo importado)

Mais ainda, quantificavam o efeito global sob a procura interna (consumo privado e público + investimento):

A redução do contributo da procura interna resulta de uma ligeira desaceleração do consumo privado (0,2 p.p. para 2,4%), em particular no consumo de bens duradouros, bem como do consumo público (0,4 p.p. para 0,2%), apesar da aceleração da FBCF (de 3,9% para 4,9%).

Em suma, as previsões são: o consumo de bens duradouros — os tais carros — cai, o consumo de bens não duradouros aumenta e a Formação Bruta de Capital Fixo, jargão técnico para investimento, acelera.

Agora os números reais. Marginalmente errados? Um problema de precisão decimal? Quase lá?

Fechado o 1º trimestre de 2016, o que aconteceu ao consumo de bens duradouros?

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Cresce a 12.8% face ao período homólogo. Período homólogo que foi um recorde no consumo de bens duradouros, com o crescimento das vendas de automóveis a crescer a dois dígitos.

E o investimento? O investimento certamente disparou.

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Também não. Mas foi por pouco. No 1º trimestre caiu -2.2%, face a +8.6% no período homólogo.

Esta era a teoria da Gerigonçanomics:  vamos devolver rendimentos aos mais pobres, que dado o seu parco rendimento não têm nem capacidade para poupar, nem para comprar bens caros e duradouros; vão a correr ao Pingo Doce comprar bifes, coisa que já não comiam desde Junho de 2011. Consumo dispara, multiplicador sai de órbita, PIB explode — viramos a página da austeridade.

Uma tese simples, que está simplesmente errada. A devolução dos rendimentos não foi aos mais pobres, mas sim aos funcionários públicos que ganham mais de 1500€; aos pensionistas que ganham mais de 1500€; e a sobretaxa foi reduzida para quem aufere bem mais do que 1500€. Para os pensionistas mais pobres o seu rendimento aumentou o suficiente para mais um café ao fim do mês. Ora, quem ganha mais de 1500€ por mês está sensivelmente nos 20% mais ricos do país (em rendimentos), pelo que a devolução de rendimentos foi, com efeito, para os portugueses mais ricos.

Não fosse trágico e era cómico.

Do Kremlin, com humor

Vlad

Gozar com criaturas divinas não dá bom resultado.

No país dos sovietes

Os contratos de associação dos colégios e a vontade da 5 de Outubro controlar o ensino e os professores; a greve dos estivadores e o controlo que os sindicatos, nas mãos do PCP, não querem perder. Entretanto, Marcelo visitou Berlim e diz-nos que Merkel nos compreende. Os meus comentários hoje, às 12 horas, no Económico TV. Afinal, também compreendo o que se está a passar.