O caso Raríssimas e o Estado

Raríssimas: o Estado é parte do problema. Por Rui Ramos.

Mais do que por uma “vida de luxo”, a direcção da Raríssimas foi atraída por uma “vida de Estado”. Libertar a sociedade deste Estado gordo e promíscuo seria um meio de a libertar das piores tentações.

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Compreender o putinismo LXXXI

Guião natalício do inquilino do Kremlin.

Os alemães ficaram espertos

Se o verdadeiro esperto é aquele que conta com a esperteza dos outros, então podemos concluir que os alemães foram espertos em escolher Mário Centeno para presidente do Eurogrupo. A minha crónica no i.

Os alemães ficaram espertos

Até há uns dias, o presidente do Eurogrupo era uma pessoa horrível. Esse socialista, ministro das Finanças de um pequeno país europeu (outrora potência comercial), não passava de um pau-mandado de Wolfgang Schäuble, o ainda ministro das Finanças alemão. O nome de Jeroen Dijsselbloem, o dito, pronunciava-se de uma maneira ainda mais horrível que a pessoa: ye-rohn dai-sell-bloom.

Já Mário Centeno, não. Este socialista, ministro das Finanças de um pequeno país europeu (outrora potência comercial), eleito presidente do Eurogrupo, é um génio que mudou o próprio Eurogrupo. E, o que é mais impressionante, convenceu o próprio Schäuble, o tal ainda ministro das Finanças alemão, outra pessoa horrível, mais culpado ainda que José Sócrates pela bancarrota de Portugal, a mudar de rumo. É que, bem vistas as coisas, não só Schäuble comparou Centeno a Ronaldo e o escolheu para presidente do Eurogrupo como ainda vai deixar de ser ministro das Finanças. Com Centeno, ou Ronaldo, e um Mourinho no Eurogrupo, compreende-se que Tsipras tenha ficado satisfeito. Tudo mudou.

Para que tudo fique na mesma. Aquela frase, daquele Don Fabrizio, daquele livro “O Leopardo”, daquele italiano Giuseppe Tomasi di Lampedusa, assenta aqui que nem uma luva. A mestria do aristocrata italiano que conduz a família pelos tortuosos caminhos da decadência é, essa sim, igual à dos mestres da política portuguesa. Porque, se Portugal tem grandes políticos, entendendo por grande político aquele que domina a arte de algo mudar para que tudo fique igual, esses são Costa, Catarina Martins e Jerónimo de Sousa. Atrevo-me até a escrever algo que jamais julguei ser possível: Portas, ao pé deles, é um aprendiz.

É que o Eurogrupo não mudou, a política monetária do euro não mudou e, pior que isso, com Macron e a ajuda daquele outro socialista de nome Martin Schulz, ainda vai ficar pior. Na verdade, estou bastante curioso para ver o que é que Costa, Catarina e Jerónimo vão mudar no discurso que Centeno vai adoptar, e que trata da criação do ministro das Finanças europeu e do orçamento europeu, cujos fundos apenas beneficiam os bons alunos, para que tudo fique igual.

Estou curioso porque é interessante ver como é que profissionais da mudança enganam um povo. É certo que é um povo fácil de levar. É um povo que não gosta que lhe digam o que deve fazer; disso, não gostamos. Agora, com um elogio gratuito acompanhado de umas migalhas, e a boa e velha palmadinha nas costas, com isso, a gente já lá vai. Os alemães aprenderam e ficaram espertos à portuguesa. Somos tão felizes.

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(via MAL)

O PSD que não se iluda com o PS

O PSD acha que, com Santana Lopes ou com Rui Rio, pode trazer o PS para centro, mas está enganado. A minha crónica no Jornal Económico.

O PSD que não se iluda com o PS

É provável que a nova liderança do PSD tente alterar os equilíbrios até aqui existentes. Rio quer um PSD mais ao centro, e Santana Lopes, apesar de se dizer de direita, quer colaborar com os socialistas. A intenção é pressionar o PS, forçando-o a quebrar com o PCP e o BE. Com um PS desgastado, o PSD teria espaço para se apresentar como uma alternativa de governo.

Sucede que todas as estratégias têm um senão e nesta, o pormenor que pode estragar as contas é a realidade. Do país, da Europa e do mundo. Quando ouço, por exemplo, Santana Lopes sinto-me nos anos 80. Não é apenas a constante referência ao PPD/PSD, mas o achar que o PS regressa ao centro político como se este PS fosse o mesmo que em 1983-85 governou com o PSD. Ora, o PS de Costa não é o PS de Soares. E não é porque nem Portugal, nem a Europa, nem o mundo de hoje são os mesmos.

Portugal não é mesmo porque o montante da dívida, pública e privada, não o permite. A Europa não é a mesma porque a URSS já não existe, a UE alargou-se para leste, e encontra-se hoje num nível em que a sua falta de flexibilidade pressupõe que Portugal estivesse melhor preparado para a moeda única, que criou imensas oportunidades que os nossos governos destruíram. O mundo está diferente, com os EUA afastados da UE e mais preocupados com a China.

O que os candidatos à liderança do PSD parece ainda não terem percebido é que o PS também mudou. E muito. Este PS não se aproximou do PCP e do BE por questões meramente estratégicas; a aliança entre os três partidos de esquerda é mais ideológica que oportunista. Resulta da defesa dos mesmos interesses perante um Portugal, uma UE e um mundo muito diferentes. Perante as mudanças ocorridas, o PS, que viu o que sucedeu aos partidos socialistas europeus, percebeu que para sobreviver tem de se radicalizar na defesa de um sistema democrático eleitoralmente estatizado.

O país desenvolveu-se com um Estado que dá emprego, apoia empresas de empresários amigos e politicamente próximos. Como nem todos se chamam Belmiro de Azevedo, muitos se vendem por um baixo preço. Ou alto, como aconteceu com Ricardo Salgado. Este PS sabe que não pode trair o seu eleitorado que vive por conta deste sistema. Se o fizer, desaparece. Assim, percebem-se melhor os últimos orçamentos, com impostos altos, cativações, mas ordenados e pensões por inteiro. E agora, até com algum investimento público devidamente escolhido, devidamente direccionado.

Se o PS vier para o centro, acaba. Foi ao percebê-lo que Costa engendrou a coligação social-comunista que sustenta o seu governo. O PSD deve perceber que o estado da economia portuguesa destruiu a esquerda moderada e pouco mais há a fazer.

Em defesa do consumismo

O meu texto de hoje no Observador.

‘Desde a bendita black friday que tenho apanhado alguns vídeos assaz perspicazes sobre o consumismo do mundo desenvolvido. O meu preferido alterna imagens de multidões a entrar em lojas, passagens de modelos e gente com roupa e sapatos (provavelmente uma ofensa em si mesma; quem não se veste como Gandhi é um globalista explorador) com imagens de bairros de lata, campos a levarem pesticidas, camiões de caixa aberta apinhados de gente, uma mulher com a pele do rosto descolorada.

A mensagem implícita? É o consumismo do mundo rico que provoca todas estas atrocidades.

Como se sabe, se não fosse o consumismo desenfreado dos ricos explorando os países pobres, estes teriam sistemas de transportes públicos irrepreensíveis, limpos, com lugar sentado para todos os utentes, muito mais pontuais do que o metro de Lisboa. Os ataques com ácido às mulheres não ocorreriam. Todas as famílias viveriam, pelo menos, num T3 com ar condicionado. Os malvados desenvolvidos, que desataram a consumir sem parar, é que estragaram este paraíso que eram os países mais pobres antes da última vaga de globalização.

Agora um bocadinho de realidade. A China, desde as reformas económicas de Deng Xiaoping em 1978, que tornaram a China na tal ‘fábrica do mundo’, já tirou entre setecentos e oitocentos milhões de chineses da pobreza. A taxa de pobreza extrema (atualmente menos de 1,90USD/dia) caiu de 84% em 1981 para 15,9% em 2005; anda agora na casa dos 10%. Entre 1994 e 2012, cento e trinta e três milhões de indianos saíram da extrema pobreza. Nas duas décadas entre 1990 e 2010, mil milhões de pessoas saíram da pobreza. Repito: mil milhões de pessoas pelo mundo. Nove zeros: 1.000.000.000 de pessoas.’

O texto completo aqui.

Mário Centeno é o novo presidente do Eurogrupo (4)

Os meus comentários de ontem sobre a eleição de Mário Centeno para a presidência do Eurogrupo, no jornal das 20h do Porto Canal, podem ser vistos (ou revistos) aqui.

Mário Centeno é o novo presidente do Eurogrupo (3)

Centeno no Eurogrupo, a direita num beco. Por Alexandre Homem Cristo.

A vitória do ministro das Finanças na corrida ao Eurogrupo surge como o prego que faltava no caixão do discurso de PSD-CDS desde que se sentaram na oposição: aquele que defende que apenas à direita se garantem finanças em ordem, défices controlados e contas certas. Sim, foi assim durante muitos anos, com particular intensidade nos anos de desastre dos governos Sócrates. Mas, com Centeno, deixou de ser assim: a contenção orçamental é imposta sem cedências e as metas do défice são cumpridas à risca. Isto não quer dizer que, por exemplo, o orçamento para 2018 seja bom e esteja isento de críticas – muito longe disso. Ou que as opções políticas deste governo, algumas bastante prejudiciais para o sector privado, sejam acertadas e responsáveis. Nada disso. Isto quer simplesmente dizer que, da perspectiva do debate público, a associação entre a esquerda liderada pelo PS e o descontrolo na gestão das contas públicas deixa de ser plausível – e ainda menos o será com Centeno a dar rosto à ortodoxia orçamental da Zona Euro.

Ora, a extinção dessa associação expõe finalmente, no discurso da direita, o grande vazio de ideias com que tem feito oposição desde 2015: se não puder acusar a geringonça de ser irresponsável na gestão das contas públicas, que alternativa propõe a direita ao país? Nenhuma. Não se percebe qual é o projecto do CDS e percebe-se que o PSD não tem projecto. É, aliás, essa a nota dominante da actual campanha interna dos sociais-democratas – cujo partido, pela dimensão, tem a responsabilidade de liderar um projecto alternativo à frente de esquerda. Nem Rui Rio nem Santana Lopes são capazes de se definirem de direita, nenhum trouxe propostas para modernizar a política portuguesa, e a ambos falta a capacidade para desencostar o PSD ao Estado, abrindo as portas à sociedade civil – como bem notou Henrique Monteiro. Eis, portanto, a direita num beco. Em parte, porque lá se colocou a si mesma. Em parte, porque a vitória de Mário Centeno representa a derrota final do seu discurso político. E agora? Agora o tempo acabou: o que nos próximos meses a direita fizer para sair deste beco vai definir onde chegará nas eleições legislativas de 2019.

Mário Centeno é o novo presidente do Eurogrupo (2)

A redefinição política imposta por Centeno. Por Adolfo Mesquita Nunes.

Há anos a fazer dois discursos, um na Europa, austeritário, rigoroso, mostrando os orçamentos a executar e não a aprovar, e outro em Portugal, expansionista, de fim de austeridade, não admitindo qualquer corte, o Governo terá de adaptar-se agora à circunstância de não poder ter um ministro e presidente do Eurogrupo a dizer coisas contraditórias, sob pena de tal duplicidade ser escancarada, comprometendo a autoridade do presidente do Eurogrupo e a credibilidade do ministro das Finanças. Governo e Eurogrupo terão simultaneamente de aproximar os seus discursos, algo que em bom rigor convém a ambos.

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Recordando Francisco Suarez (1548-1617)

Recordando Francisco Suarez (1548-1617). Por João Carlos Espada.

Recordar Francisco Suarez consiste também em recordar que a civilização ocidental da liberdade sob a lei não começou com as ideologias revolucionárias do século XVIII.

Mário Centeno é o novo presidente do Eurogrupo

Estarei a comentar a eleição de Mário Centeno para a presidência do Eurogrupo mais logo a partir das 20:00 no Jornal Diário do Porto Canal (emissão deve poder ser seguida online aqui).

Centeno conquista presidência do Eurogrupo em segunda votação

Para já, além de dar os parabéns a Mário Centeno (independentemente das leituras políticas que se possa fazer, a eleição é uma inequívoca vitória pessoal sua), gostaria de recordar dois artigos que escrevi há algum tempo no Observador, sendo que ambos me parecem relevantes para interpretar e ajudar a compreender a eleição de Centeno e suas implicações:

Os sectários

Não há dinheiro para pagar mais socialismo

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Questões em aberto na Macroeconomia moderna

Há uma série de questões de investigação na área da Macroeconomia, em particular da Política Monetária e da Moeda, que me deixam sobejamente curioso. A primeira tem que ver com a forma como a inflação é medida. A forma mais usual é usar um índice de preços do consumidor (geralmente a versão harmonizada, o HICP). Isto ignora por completo as variações dos preços dos activos financeiros, o que não é de todo despiciendo, especialmente quando NASDAQ e S&P500 sobem 20% yoy, e os preços do imobiliário estão também em forte ascensão. Tudo isto pode ter um impacto muito grande na condução da política monetária por parte dos bancos centrais. Há argumentos interessantes de ambos os lados. Por um lado, faz sentido não incluir activos, se por inflação entendermos variações da unidade de conta (o que leva a variações absolutas nos preços nominais, isto é, no nível de preços), e não variação dos preços relativos. Neste segundo caso, um bem fica mais caro em relação a outro, o que não significa necessariamente que seja por efeito da alteração da unidade de conta (pode ser porque a procura por aquele bem aumentou consideravelmente; vide aumento do preço do imobiliário em Portugal). A questão é se as autoridades monetárias devem ou não estar atentas a estas variações. A criação de sistemas macroprudenciais que monitorizem estas apreciações nos preços dos activos indica que sim, mas isto depois não é plasmado nos objectivos dos bancos centrais (desconheço uma regra de Taylor que considere preço dos activos).

A segunda questão é bem mais interessante. Qual o impacto das cryptocurrencies no mercado das moedas, no mercado interbancário, e como isso interferirá na condução da política monetária e fiscal. As cryptos criam, antes de mais, concorrência no mercado das moedas. Se por um lado era caro e pouco prático ter uma conta em USD ou em CHF, as cryptos tornam tudo isso obsoleto. Ainda mais quando começam a surgir startups que permitem usar meios de pagamento tradicionais (Visa e Mastercard) para pagar com cryptos (TenZ, Monaco). Isto tem várias implicações. A primeira é que as pessoas já não dependem de bancos para depositarem os seus bens nem para pedirem crédito, o que quebra por completo o canal de transmissão de política monetária. Os bancos centrais são (mais ou menos) eficazes porque conseguem afectar a taxa de juro no mercado interbancário. Ora, tal deixa de acontecer. Segundo, os bail ins criaram um moral hazard grave: em caso de crise, a probabilidade de um bank run aumentou. Se dantes levantar o dinheiro e guardá-lo em casa era impraticável (embora tal tenha acontecido na Grécia), em meia dúzia de cliques pode comprar uma cryptocurrency e usá-la em qualquer lugar do mundo. Se a procura por moeda cai, estaremos permanentemente na ZLB.

Enfim, questões interessantes a analisar. Davam um belo PhD.

Coisas fantásticas no reino da ONU

Trumpices

Há circos com espectáculos mais pobres.

Trump diz que Michael Flynn não fez nada de ilegal, mas que teve de o despedir por mentir ao FBI.

Emails Dispute White House Claims That Flynn Acted Independently on Russia.

Kushner Told Flynn to Sabotage U.S. Policy With Russia’s Help.

 

 

Pós-Graduação em Escola Austríaca de Economia 2018

Apresentação do Curso 2018

Trata-se de um curso de Pós-Graduação, com a duração de um semestre (120 horas), que versará sobre o pensamento económico, filosófico e político da Escola Austríaca de Economia, e os seus principais autores e representantes, onde se destacam Carl Menger, Eugene Bohm-Bawerk, Ludwig von Mises, Friedrich Augus von Hayek e Murray Rothbard.

O curso incidirá sobre aspetos de Economia, Direito e Filosofia Política, assim como versará temas relacionados com o liberalismo político e económico, o libertarianismo, fazendo o contraponto com as doutrinas e o pensamento marxista e keynesiano.

É um curso inspirado noutros que existem em Universidades europeias e americanas, entre elas a Universidade Rey Juan Carlos, em Madrid, a Universidade Francisco Marroquín, na Guatemala, a George Mason University, nos EUA e a Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo.

Horário:
Sextas-feiras, 18,30 – 21,30
Sábados, 9,00 – 13,00 (de 15 em 15 dias intervalando com as 5ª feiras)

Podem saber mais e candidatarem-se nesta página da Univ. Lusófona do Porto.

PGEAE

O vício corporativo e o próximo colapso

O cancro da democracia. Por João César das Neves.

A doença mortal da nossa democracia volta a manifestar-se. É a maleita que arruinou liberalismo e Primeira República, gerou as várias ditaduras que suportámos, causou a dívida que hoje nos oprime e a recessão de que ainda recuperamos. É ela que gerará o próximo colapso que, após as manifestações recentes, está cada vez mais próximo. O vírus é o corporativismo exacerbado, com grupos poderosos esquartejando o país a seu favor, exigindo condições acima das possibilidades, destruindo o desenvolvimento, justiça social e equilíbrio nacional.

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A ética republicana da geringonça e as casas ardidas que pagam IMI

Costa a abraçar uma contribuinte passiva cuja casa ardeu num incêndio florestal e que acaba de chegar da repartição das finanças, onde pagou o IMI.  A contribuínte não tem casa mas cumpiu o dever patriótico e cívico. Não tem nada a ver com os figurantes, a Aximage e o focus group. 

 

Ontem choquei de frente com este tweet da Margarida B. Lopes.  E pensei: mesmo para a evidente falta de nível político, ético e moral da geringonça, é mau demais para ser verdade. Erro meu.
Pelo menos 110 pessoas morreram, vítimas de incêndios florestais. Milhares ficarem sem sustento, sem nada. E o que fazem o PS, o BE e o PCP a propósito de uma iniciativa do PSD de isentar de IMI (referente a este ano e ao próximo) as pessoas que perderam as casas (prédios urbanos, rústicos e industriais)? Chumbam a proposta dos sociais-democratas, obrigando estas vítimas a pagarem IMI sobre imóveis que foram destruídos pelos fogos.
Por uma questão de higiene, vale a pena seguir a discussão na página da Margarida B. Lopes.
E para os mais distraídos em geral e em particular, aos deputados nacional-socialistas de rosto humano, a autora do tweet relembra que existem várias propostas da geringonça para isenções de IMI no OE 2018 e aprovadas na Assembleia da República.
Em resumo: a geringonça não aprovou a medida proposta pelo PSD porque entendeu não o fazer. Em jeito de conclusão: a decisão da geringonça mesmo levando em linha de conta os baixos padrões da geringonça, é monstruosa.
Às criaturas do PS, Bloco de Esquerda e do Partido Comunista que de livre vontade o fizeram, desejo que seja insuportavelmente pesada a terra que levarão em cima.

Colóquio Francisco Suarez – 29 de Novembro em Lisboa

No próximo dia 29 de Novembro, na Universidade Católica Portuguesa em Lisboa, serei um dos oradores no Colóquio que assinala os 400 anos da morte de Francisco Suarez.
Mais informações aqui.

The EU budget after Brexit

Commission gets glimpse of post-Brexit EU budget horrors

In the worst-case scenario, radical budget cuts would mean no more cohesion funds in most of Western Europe.

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A desigualdade salarial entre homens e mulheres e entre regiões em Portugal

O sexo e as cidades: uma visão regional das disparidades salariais. Por Carlos Guimarães Pinto.

Curiosamente, a diferença salarial de uma mulher no Norte em relação a um homem com as mesmas características (9,3%) é ligeiramente inferior do que em relação a uma mulher que trabalhe na Área Metropolitana de Lisboa (9,9%). Para uma mulher a trabalhar no Norte do país, a região onde vive tem um efeito mais negativo no seu salário do que o sexo com que nasceu.

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Sobre o fim anunciado do ensino vocacional

O triste fim anunciado do ensino vocacional. Por Inês Gregório.

(…) a erradicação dos cursos vocacionais contribui para perpetuar o desprestígio social relativamente a esta via de ensino. Uma imagem negativa que se reflecte principalmente na ideia de que estes cursos se destinam apenas aos menos capazes, àqueles que não conseguem ter aproveitamento nas vias académicas de ensino. Um estigma que penaliza duramente quem mais precisa: os alunos com mais dificuldades no sistema actual e os provenientes de contextos sociais menos favorecidos, que são deixados para trás por um ensino que não os acompanha e que não acomoda as suas motivações e necessidades particulares.

Uma discussão séria e alargada sobre a estruturação de percursos de ensino com formação de natureza profissional, nomeadamente no que diz respeito a questões éticas mais sensíveis como o momento de introdução desta diferenciação ou o regresso a percursos de natureza académica, é bem-vinda em qualquer momento. Já a eliminação em absoluto dos cursos vocacionais (e a sua substituição por uma opção que se revelou pouco estruturada e incapaz de responder aos desafios do elevado abandono escolar e da falta de qualificação dos jovens portugueses) parece ser uma opção meramente ideológica e baseada num preconceito intelectual que vai contra a generalidade das recomendações das instituições internacionais e contra as melhores práticas de outros países da União Europeia.

Salvem o socialismo africano

Parece que Robert Mugabe não terá muitas condições para para continuar a realizar obra.
O ditador africano há mais tempo no poder instaurou um regime violento, autoritário e sobre o qual pendem múltiplas violações grosseiras da liberdade.
As reformas socialistas implantadas à força e acompanhadas pela banda sonora do racismo foram a via verde para o precipício, com os ataques à propriedade privada, a nacionalização de propriedades e o abandono forçado das terras, sob a ameaça de armas.
Para o regime de Robert Mugabe, a democracia pouco mais é do que um mecanismo processual onde são eleitos os seus representantes. E o até agora eterno Presidente sempre venceu as eleições e com resultados estratosféricos, com as consequências devastadoras que estão à vista de todos.

Festa no Panteão: a culpa é do Passos, da Cristas e dos eucaliptos com dois anos

Entretanto, o site www.patrimoniocultural.gov.pt recolheu ao Panteão Nacional. Acreditemos que a culpa é do governo anterior.

Adenda “eu não fui”: (…)Quanto à presença de membros do Governo no polémico jantar, o gabinete do primeiro-ministro só esclarece que António Costa não participou. O mesmo gabinete não esclarece se qualquer outro membro do executivo esteve presente.

António Costa, o novo Odorico Paraguaçu

Festa rija no Panteão Nacional. Descubra as diferenças entre a personagem de ficção e um ser desprovido de vergonha o Primeiro-Ministro de Portugal.

Candidato a prefeito da cidade fictícia de Sucupira, elegeu-se com a promessa de construir o cemitério da cidade.[2] Apesar de corrupto e demagogo, era adorado pelos eleitores e exercia fascínio sobre as mulheres.[2][1] Era pai de Telma (Sandra Bréa) e Cecéu (João Paulo Adour).[2]

Dono de uma retórica vazia, gostava de citar filósofos e políticos, como Platão e Rui Barbosa, ou inventava frases que atribuía a personalidades.[2]

O problema de Odorico é que, após a inauguração do cemitério, ninguém mais morreu. Desesperado com a situação, tomou iniciativas macabras para concretizar sua promessa, provocando situações cômicas.

Para o futuro fica a ideia para mais eventos: só em Lisboa existem outros sete locais -Cemitério Alto de São João, Cemitério da Ajuda, Cemitério de Benfica, Cemitério de Carnide, Cemitério do Lumiar, Cemitério dos Olivais e o promissor Cemitério dos Prazeres-, que podem ser usados de uma forma moderna, festiva e progressista.  O poder local recentemente eleito promete e a Geringonça que é incapaz de cuidar dos vivos e de respeitar os mortos governa o país a cantar e a rir, de uma forma nunca antes vista. Não estranhem.

A Web Summit e Portugal

Os novos beatos do Web Summit. Por Rui Ramos.

Duas coisas detestáveis do Web Summit: a importância que a si próprios se dão estes profetas do écran, e o delírio governamental com a ideia de replicar Silicon Valley numa Albânia.

Antes o paraíso que o inferno fiscal

A minha cróninca no i. Sobre os paraísos, porque o bom agora são os infernos fiscais.

Antes o paraíso que o inferno fiscal

Veio a lume mais uma investigação sobre os paraísos fiscais, revelando uma lista de pessoas muito ricas e famosas que têm dinheiro, ou fizeram investimentos, em empresas offshore. Claro está que a notícia foi dada como sendo um mal a que se tem de pôr termo. Seguindo-se a conclusão mortífera: se não fugissem, pagávamos menos impostos, como se o problema fosse a pouca receita e não a excessiva despesa.

Entretanto, leio estas notícias e pergunto-me: quando é que nos tornámos tão amigos dos cobradores de impostos? Atenção, caro leitor, não vá por aí, não caia na esparrela de me confundir com os que defendem a fuga aos impostos, as fraudes fiscais e os crimes económicos. Nem todas as ligações a offshores são crime ou sequer eticamente reprováveis. Claro que há paraísos fiscais ligados a atividades criminosas, mas ligados a atividades criminosas também estão vários Estados e não é por isso que o conceito de Estado deve ser posto em causa.

Ademais, há Estados falidos porque mal governados. E, porque mal governados, Estados que se tornaram verdadeiros infernos fiscais. Nesses locais, o cidadão tornou-se um suspeito permanente que é preciso fiscalizar por tudo e por nada, a torto e a direito, não vá ele não entregar a dízima, perdão, não pagar o imposto. Até porque o imposto é muito mais alto que a maldita dízima contra a qual essa ideia peregrina que foi a liberdade dos cidadãos se insurgiu e através da qual se estabeleceram os valores que (ainda) regem a nossa sociedade.

E veja-se ainda isto: existem infernos fiscais, como é o caso de Portugal, para os nacionais, que são paraísos fiscais para estrangeiros. Não deixa de ter graça, mas é bastante demonstrativo da forma como se condiciona a informação, que o governo português seja contra as offshores, para onde foge dinheiro que podia ir para o seu bolso, mas já incentive regimes jurídicos para outros cidadãos não pagarem cá impostos.

Porquê, então, tanto barulho? Porque, e esta é fácil, os Estados estão endividados. Portugal é dos piores, mas poucos escapam. Assim, as offshores, que antigamente até eram aceitáveis, tornaram-se um inimigo. Primeiro, porque há nelas muito dinheiro a que é preciso deitar a mão; segundo, porque é preciso um culpado. Falta dinheiro? Claro que a resposta não é a má gestão de maus governos, mas a fuga de capitais. Uma hipocrisia múltipla. Os Estados faliram porque somos mal governados; os ricos vão sempre fugir porque podem; e os remediados, a nova classe média, é que cá ficam presos para pagar a dízima, perdão, para suportar a carga fiscal.

Quando a ausência é o maior sinal

Há um sinal político, em Portugal tudo é política, a reter no Web Summit: contrariamente ao conjunto Costa/Medina, Marcelo Rebelo de Sousa não esteve na abertura, nem parece que vá aparecer na festa. O facto é relevante porque Marcelo, depois de surfar na onda durante os primeiros meses, percebeu finalmente que a euforia deste governo, a época das vacas voadoras, tem o seu fim à vista. E é com esse fim à vista que Marcelo preside agora ao país.

Legionella: governo admite culpa

Leio que Governo vai fazer uma “avaliação e gestão do risco” de todas as unidades de cuidados de saúde públicas. Esta acção traduz-se numa de admissão de culpa.

É que i) não sabem se foram realizadas manutenções regulares aos sistemas de ar-condicionado (negligência), ii) têm informação que tudo foi feito mas querem gastar uns euros para mostrar alguma resposta activa (populismo) ou iii) cativações orçamentais para compensar aumentos salariais reduziram os gastos em serviços de manutenção (crime). Espero que seja só populismo.

Lisboa Vs Interior no OE2018

Governo quer tirar fundos do “interior” para cumprir promessas em Lisboa.

O debate do Orçamento do Estado tem permitido perceber os truques que o governo de António Costa tem na manga para conseguir cumprir as promessas eleitorais que andou a fazer quer aos seus autarcas quer ao PCP e ao BE. O mais recente e talvez o mais chocante de todos é a tentativa do Ministro Pedro Marques de renegociar as verbas do PT2020, retirando 1.000 milhões de euros que estavam previstas para as regiões de convergência, as mais pobres e desertificadas (Alentejo, Norte e Centro), para poder investir na construção de mais estações de metro em Lisboa e Porto, na remodelação da Linha de comboio de Cascais, entre outros.

FTSE 100 new record high