A Líder da Oposição

PSD: 37.º Congresso Nacional

Escrevi aqui em Março, na minha Reflexão Pré-Congresso, que o CDS padece, desde a sua génese, de uma lamentável disposição a ser bengala. Esta disposição, originada, a meu ver, por um medo de parar, permite-lhe ir andando, mas também o impede de correr”. Disse também que devia “ambicionar para si o centro-direita, aproveitando a mudança de ciclo do PSD e a jacobinização progressiva do PS”.

Há uns meses, o país político fazia chacota de Assunção Cristas, desde os comentadores do costume, com a profundidade que lhes conhecemos, até aos notáveis de diversos partidos. Tudo porque se havia atrevido a admitir aspirar a liderar a oposição. Hoje lidera-a, sem sombra de dúvida. Em parte, e o seu a seu dono, por mérito próprio, em parte por falta de comparência de Rui Rio. O CDS tem estado na linha da frente do combate à geringonça, mobilizando-se sucessivamente e alcançando vitórias como o chumbo da eutanásia ou a pirueta a que forçou o PCP no caso dos combustíveis. Também o vemos no terreno, aprecie-se mais ou menos o formato.

Quanto ao PSD, pelo que ouvimos das suas raras tomadas de posição, podemos quase que encarar o seu silêncio como sábia prudência, quiçá evitando acrescentar demérito à asneira. O cinzentismo fatal da direita portuguesa, acrescido da típica disfunção ideológica de que vem habitualmente acompanhado e de que Cavaco foi o maior exemplo, vê-se consumado neste mandato onde se fica a crer, até pelo seu último artigo de opinião, que o Presidente do PSD foge do legado da finada coligação como quem foge do tifo, culminando na proeza de finalmente conduzir Santana Lopes a cumprir a eterna promessa de levar consigo o PPD e formar novo partido – ainda que a todos nos tenha desiludido por não apostar numa sigla com as suas iniciais.

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Tesla pode ser Privatizada!

Musk pondera tirar a Tesla de bolsa

Elon Musk, CEO da fabricante norte-americana de veículos eléctricos Tesla, escreveu na sua conta de Twitter que está a pensar privatizar a empresa. E a 420 dólares por acção.

Elon Musk escreveu num tweet que está a pensar retirar a Tesla de bolsa, a 420 dólares por acção.

O mercado está a reagir em alta, com as acções a dispararem 5,44% para 360,59 dólares.

A esse preço, a empresa vale 71,6 mil milhões de dólares. Musk, que nos últimos tempos tem tido atitudes e declarações controversas, disse que tem financiamento garantido para a operação.

tesla-oc-banner.pngNota – Em países capitalistas há 3 tipos de firmas:
1. Estatais – pertencem ao Estado
2. Públicas – cotadas na bolsa, podendo ser compradas pelo público
3. Privadas – não cotadas, pelo que o público não pode investir
A privatização será passar do estado 2 para o 3. Outras realidades…

Ricardo Robles e rendas “acessíveis”

Ricardo Robles, engenheiro civil de formação e – agora sabemos – de profissão em part-time, tem um investimento no sector imobiliário que lhe está a causar algum mal-estar político e mediático. Catarina Martins, coordenadora do partido Bloco de Esquerda, já veio em defesa do seu único vereador na Câmara de Lisboa.

Resultado imediato será a desistência de voltar a colocar prédio no mercado (inicialmente com preço de venda de € 5,7 milhões). Ricardo Robles pretende, agora, dividir com a irmã (co-proprietária) o imóvel de 11 apartamentos e 3 lojas, cabendo a cada um dar destino que melhor entender. Para os apartamentos de Robles fala-se de aluguer a rendas acessíveis. Mas quão acessíveis?

Assumindo Robles metade do valor em dívida, € 500.000 [(350.000+650.000)/2], o custo de financiamento para, por exemplo, empréstimo a 30 anos (vereador tem já 41 anos de idade) e spread de 5%, será de € 2.710,48/mês. A este terão de ser adicionados custos com seguros, manutenção, IRS (sobre os rendimentos dos contratos de arrendamento) e IMI.

Estimo que rendas, para Robles não ter prejuízo, terão de ficar a um valor mínimo de € 750/mês. Dado que ele e irmã optaram por remodelar prédio com apartamentos entre 25 e 41 metros quadrados julgo que poucas pessoas terá disponibilidade para pagar tanto por residência permanente tão pequena. Rendas acessíveis? Talvez não…

Celebrar Ricardo Robles, especulador imobiliário

A polémica recente cabe a um vereador da Câmara Municipal: Ricardo Robles, do Bloco de Esquerda.

Resumindo: em 2014, comprou, em parceria com a irmã, prédio à Segurança Social por € 347.000, fizeram obras de cerca € 650.000, arrendaram um (1) apartamento a antigos moradores por €170/mês e em 2018 colocaram o dito prédio à venda por € 5.700.000.

Se não fosse Ricardo Robles um neo-comunista do Bloco de Esquerda, hoje todos estaríamos a celebrar o feito de mais um empreendedor português. Vá… nem todos. E é aqui que se centra o interesse da notícia: se prédio fosse, por exemplo, de militante de partido à direita, estariam já socialistas, comunistas e neo-comunistas a lançar acusações de especulação imobiliária, sendo o próprio Robles dos primeiros a atirar umas “pedras”.

Sim, Ricardo Robles é especulador imobiliário. E devemos celebrá-lo! Não só porque poderá lucrar da iniciativa. Até podia perder dinheiro e mesmo assim deveríamos bater-lhe palmas. É que apenas alguns estão dispostos a arriscar o seus rendimentos e património em negócios com incerto retorno financeiro. Muitos preferem o conforto de rendimento estável e relativamente certo (mesmo que pouco), conjuntamente com a verborreia de opiniões anti-capitalistas. Especialmente a “esquerda caviar” do Bloco de Esquerda.

Ricardo Robles e irmã especularam que comprando um prédio degradado e investindo na sua recuperação poderiam ter retorno superior aos custos dos empréstimos necessários para financiar o projecto. Mesmo com a intenção inicial de arrendamento, o objectivo foi sempre de especular que as futuras rendas obtidas superariam o valor da prestação bancária. Por outras palavras, Robles entrou neste negócio com a expectativa de lucrar. Ele e seus colegas neo-comunistas não o percebem (aliás, a sua retórica é completamente contrária) mas acções falam mais que palavras.

Ricardo Robles agiu para benefício pessoal e da sua família. Muito bem! Aqui vemos umas das maravilhas do capitalismo: beneficia até os seus maiores críticos.

A cruzada anti-especulação da extrema-esquerda caviar

Ricardo Robles é vereador do bloco de esquerda de Lisboa e é um cruzado contra a especulação imobiliária.

A mesma criatura que luta como poucos contra o lucro, ganha milhões em especulação imobiliária. Com “compaixão”, presume-se.

De acordo com o Jornal Económico, o capitalista caviar Ricardo Robles fez parte da compra de um prédio  à Segurança Social a um preço acessível – enganam-se todos aqueles que julgam que este tipo de excelentes negócios apenas acontecem porque um dos intervenientes tem e usa informação priviligiada-, utiliza em seu benefício a lei que combate, desalojando de imediato  os inquilinos (com excepção de um, que deverá ser despejado a médio prazo). As mais-valias ultrapassam os 4 milhões de euros. Nada mau para um comunista envergonhado.

Uma breve história do Portugal recente

O meu obrigado ao Jornal Económico pelo cuidado na edição da última crónica (quem quiser saber porquê que compre a edição em papel). Cesso hoje a colaboração enquanto colunista com o jornal que acompanho desde que nasceu (que acompanho desde que era Diário Económico). A maiores felicidades para todos.

Uma breve história do Portugal recente

Nos tempos de José Sócrates dizia-se que o país precisava de mais investimento público para a economia crescer. Em consequência, o Estado só não faliu devido à ajuda internacional. Nessa altura já não se falava de investimento público; a “espiral recessiva” era a expressão da moda. Dizia-se que as políticas seguidas por Passos Coelho conduziriam Portugal a uma recessão cada vez mais profunda. Que sem o investimento público, que tinha conduzido o Estado português à quase falência, o país se afundaria sem salvação possível.

Entretanto, as reformas do governo PSD/CDS lá foram dando frutos; o crescimento económico, que já estava estagnado, regressou, o desemprego baixou e a dívida pública, face ao PIB, desceu. Nesse momento preciso e único da história do Portugal recente, a esquerda portuguesa não teve discurso. Por isso, perdeu as eleições de 2015.

Foi então que a esquerda dona disto tudo reagiu. Tinha de o fazer. Se o governo PSD/CDS continuasse, a direita colheria os frutos do seu trabalho, as reformas (parcas, é certo, mas reformas) mostrar-se-iam correctas e o país exigiria mais. A continuação do governo PSD/CDS em 2015 ditaria o fim do monopólio ideológico que a esquerda impôs a Portugal, com os resultados conhecidos. Seria o fim da narrativa dominante. Algo impensável, inimaginável e não possível para pessoas como António Costa, Jerónimo de Sousa e Catarina Martins.

Perante esta eventualidade, esta esquerda uniu-se e aprovou um governo de um partido em quem os portugueses não votaram. Para não se comprometerem em demasia, BE e PCP decidiram protestar, em voz alta e zangada, nos encontros que tinham com os seus militantes, enquanto votavam favorável e silenciosamente, no Parlamento, as políticas do PS. O Governo de Costa lá se aguentou com o crescimento da economia advindo das reformas do governo de direita e do milagre económico europeu sustentado pelo BCE e o cada vez maior endividamento dos EUA.

Mas nada dura sempre. Os efeitos do que foi feito entre 2011 e 2015 acabam. A fórmula do BCE, porque não estrutural mas provisória, um dia termina. O balão de oxigénio que foi a retoma destes três últimos anos esvazia-se. A 12 de Julho último, a UE reviu em baixa o crescimento europeu e alertou para “riscos significativos” para a nossa economia. A dívida pública portuguesa atingiu novo recorde em Maio, apesar do crescimento de que todos se orgulham. Há dez anos não havia dinheiro para investimento público; há cinco nem para isso nem para pagar salários; agora já nem sequer para contratar enfermeiros. Não se aprendeu nada e, por isso mesmo, esta breve história do Portugal recente continuará igual a ela própria.

Se estes dois não forem bem-sucedidos estamos lixados