Portugal: Um país a caminho da auto-extinção

Número de filhos nascidos de pais que não vivem juntos duplica em seis anos

Portugal continua com um saldo natural negativo. Ou seja, confirmando as tendências dos últimos anos, em 2016 houve mais gente a morrer do que a nascer, fazendo com que a população diminua pelo oitavo ano consecutivo. Do total de 87.126 crianças nascidas, 52,8% são filhos “fora do casamento”, ou seja, de pais que não estão casados. Aumentou a proporção de filhos nascidos de pais que não vivem juntos: quase duplicou em seis anos, passando de 9,2% em 2010 para 17,1% em 2016. No ano passado, 35,7% dos nascidos eram filhos de casais que coabitam.

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Self-five insurgente!

Hoje, no Jornal de Negócios:

As equipas de funcionários públicos que consigam poupanças podem ter direito a uma recompensa junto com o vencimento. O bónus salarial será uma percentagem da redução da despesa e terá um tecto máximo. Finanças publicam portaria nas “próximas semanas”.

Wow!!! É admirável ler isto 6,5 anos depois de escrever aqui exactamente(!) o mesmo (pontos 1, 2 e 3). Agora fiquei com a esperança de um dia ver implementados os pontos 4 e 5. 🙂

 

Forbidden Knowledge: Sam Harris entrevista Charles Murray

Vale a pena ouvir com atenção: Forbidden Knowledge – A Conversation with Charles Murray

In this episode of the Waking Up podcast, Sam Harris speaks with Charles Murray about the controversy over his book The Bell Curve, the validity and significance of IQ as a measure of intelligence, the problem of social stratification, the rise of Trump, universal basic income, and other topics.

Charles Murray is a political scientist and author. His 1994 New York Times bestseller, The Bell Curve (coauthored with the late Richard J. Herrnstein), sparked heated controversy for its analysis of the role of IQ in shaping America’s class structure. Murray’s other books include What It Means to Be a Libertarian, Human Accomplishment, and In Our Hands. His 2012 book, Coming Apart: The State of White America, 1960-2010 describes an unprecedented divergence in American classes over the last half century.

25 Abril de 2017: 43 anos de défices

Ontem comemorou-se os 43 anos da Revolução dos Cravos, que trouxe, no ano seguinte, a “liberdade” dos portugueses votarem nos políticos que os governam. Usei aspas porque, apesar da democracia ter sido uma importante conquista, o direito de voto livre não nos dá total liberdade. Grande parte da nossa vida ainda é regida pelas classes políticas, mesmo que exista agora a possibilidade destas elites se revezarem através de eleições. Nesse aspecto somos apenas um pouco mais livres…

Para mim, a maior conquista do 25 de Abril de 1974 foi a liberdade de expressão (verdadeiramente garantida somente com a rejeição dos projectos políticos da extrema-esquerda nas eleições para a Assembleia Constituinte em 25 de Abril de 1975 e, depois, no golpe falhado de 25 de Novembro de 1975). Sem liberdade de expressão, este blog nem sequer existiria; sem ela, não poderia hoje aqui escrever que os socialistas (PS, PSD, CDS), comunistas (PCP, PEV) e neo-comunistas (BE) que nos garantiram/garantem liberdade de opinião são os mesmos que nos levaram (e querem continuar a levar) à crescente escravidão perante o Estado.

Como podem discernir pelo título deste post, quando falo de escravidão estou a referir-me à dívida acumulada por sucessivos défices, durante 43 anos de democracia. Para o efeito, o Jornal de Negócios apresentou no mês passado um revelador gráfico:

Muitos portugueses sentem que esses défices (linha vermelha) foram úteis, por terem permitido ao Estado fornecer mais serviços e prestações sociais que nas gerações anteriores. Mas a dívida foi subindo…

Claro que, anos atrás, um ilustre(!) estudante português em França – seu nome José Sócrates – disse:

“pagar a dívida é uma ideia de criança. As dívidas dos Estados são por definição eternas. As dívidas gerem-se. Foi assim que eu estudei. (…) para um país como Portugal, é essencial financiamento para desenvolver a sua economia”.

A ideia deste e de todos socialistas (comunistas e neo-comunistas incluídos) passa por acreditar que défices públicos estimulam o crescimento económico. É que se este for superior à taxa de crescimento da dívida, o pagamento daquela não é prioritário, dado que o rácio Dívida/PIB tenderia a descer. Simples matemática: se o denominador (PIB) crescer mais que o numerador (Dívida), o rácio diminui. Voltem a olhar para o gráfico acima (linha azul) e digam se assim foi nos últimos 43 anos de democracia.

Sim, em Portugal temos uma qualidade de vida superior aos dos nossos pais e avós. Mas também temos maior factura! E essa é, por via da crescente carga fiscal, a corrente que nos escraviza cada vez mais perante o Estado.

Nota final: endividamento público não resultou e, no entanto, há quem queira voltar à mesma cartilha, mas a partir de patamar mais baixo, recorrendo à reestruturação da dívida (por outras palavras não a pagar, total ou parcialmente). Sobre este tema já aqui escrevi.

“Espaço Orçamental no Espaço Europeu”, amanhã no ISCTE

Amanhã a partir das 14:30 participarei na quarta edição do Economics Day do ISCTE-IUL, num debate sobre “Espaço Orçamental no Espaço Europeu”, juntamente com João César das Neves, da CLSBE, João Duque, do ISEG, Nuno Teles, do CES-UCoimbra e Rui Martinho, Bastonário da Ordem dos Economistas. A moderação estará a cargo de Rui Peres Jorge, do Jornal de Negócios.

Par toutatis, os vencedores gauleses

Cartoon de Olivier Ménégol.

O candidato da extrema-esquerda, poderá aguardar pelo Carnaval para vestir o traje de Presidente.

Bênoit Hamon, candidato socialista alcança uns honrosos seis por cento dos votos e o apoio do camarada António Costa. Este último terá sido fundamental na apresentação dos equilíbrios que geraram satisfação incontida no eleitorado em geral e no Partido socialista francês, em particular.

Euro, dívida, banca

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A minha recensão ao livro do PCP — Euro, dívida, banca, publicada no jornal ECO.

A proposta do PCP para “romper com os constrangimentos” e “desenvolver” Portugal está condensada em oitenta e nove páginas de tamanho A5, o que é uma pechincha literária dado o desiderato económico a que se propõe. O livro “Euro, dívida, Banca” remete de imediato para panfletos políticos de igual espécie, como o incontornável Manifesto Comunista. Mas esta parecença é casual, esvanecendo-se logo na primeira página. É que, se Marx e Engels fazem um uso irrepreensível da escrita, construindo uma narrativa que, discordando-se da ideia, é possível seguir com interesse, o livro do PCP é a este respeito sofrível, sendo sofrível o qualificativo a que alguma comiseração obriga.

Pat Buchanan e Donald Trump

Uma leitura muito interessante: ‘The Ideas Made It, But I Didn’t’ – Pat Buchanan won after all. But now he thinks it might be too late for the nation he was trying to save.

“Pat was the pioneer of the vision that Trump ran on and won on,” says Greg Mueller, who served as Buchanan’s communications director on the 1992 and 1996 campaigns and remains a close friend. Michael Kinsley, the liberal former New Republic editor who co-hosted CNN’s “Crossfire” with Buchanan, likewise credits his old sparring partner with laying the intellectual groundwork for Trumpism: “It’s unclear where this Trump thing goes, but Pat deserves some of the credit.” He pauses. “Or some of the blame.”

(…)

Less memorably, the 2000 campaign also brought Buchanan into contact for the first time with Trump. The New York real estate tycoon and tabloid favorite was also mulling a run for the Reform Party’s nomination at the urging of Jesse Ventura, the former professional wrestler who had won Minnesota’s governorship on the third-party ticket in 1998. Trump never followed through, but true to the form he would display 16 years later, the future president took pleasure in brutalizing his potential competition. Trump devoted portions of a book to highlighting Buchanan’s alleged “intolerance” toward black and gay people, accused him of being “in love with Adolf Hitler” and denounced Buchanan while visiting a Holocaust museum, telling reporters, “We must recognize bigotry and prejudice and defeat it wherever it appears.”

The irony today is unmistakable.

Continue reading “Pat Buchanan e Donald Trump”

Cegueira socialista

Fotografia: Juan Barreto, AFP.

O que vê o ilustre deputado Miguel Tiago, do pcp, nesta imagem? Uma senhora em frente a um blindado sem ninguém lhe fazer mal.

Por falar em cegueira, vale a pena recuperar o legado de Hugo Chávez ao mundo, segundo o chefe dos socialistas britânicos.

Compreender o putinismo LXVI

Testemunhas de Jeová, alvo de perseguição por parte do estado de Vladimir Putin.

Russia bans Jehovah’s Witnesses deeming it an ‘extremist’ organisation after prosecutors said it ‘destroys families and fosters hatred’

Russia’s Supreme Court has banned Jehovah’s Witnesses on Thursday It ruled the organisation was ‘extremist’ and shut down its headquarters

Authorities have put several publications on the banned extremist literature list

Russia’s Supreme Court has banned the Jehovah’s Witnesses, deeming them an ‘extremist’ organisation.

The ruling means the religious group’s 175,000 followers in Russia are equated to Islamic State members.   (…)

Vacarias de todo o mundo, uni-vos

As vacas que voam são um valor seguro.

O espírito construtivo que reina no país e na Geringonça que é capaz de colocar vacas a voar é o mesmo que no progressista Zimbabwe, um dos expoentes do socialismo de rosto africano, tem feito milagres nos sectores económico e financeiro.

Commercial banks in Zimbabwe will soon be compelled to accept livestock such as cattle, goats and sheep as collateral for cash loans to informal businesses under a new law presented to parliament Tuesday. (…)

Vehicles, television sets, refrigerators, computers and other household appliances will become acceptable as collateral once they are evaluated and registered in the central bank’s register, according to Chinamasa.

“As minister in charge of financial institutions, I feel there is need for a change of attitude by our banks to reflect of our economic realities,” he said. Banks are “stuck in the old ways of doing things and failing to respond to the needs of our highly informalized economy.”

Uma saudação especial para o Ministro das finanças português, por se recusar -apesar das oito tentativas de cariz fascizante- a revelar o valor actual líquido do empréstimo ao Fundo de Resolução. Ao não responder, o sondado-para-o-Eurogrupo, Mário Centeno reforçou a confiança dos portugueses em relação às instituições, à democracia e ao Universo. Afinal de contas, para quê que os contribuíntes desejariam saber qual foi o perdão de dívida ao certo quanto dinheiro emprestaram à banca e qual o montante que esta irá pagar? Aprendamos que o gado em forma de contribuínte passivo, não tem preço.

The new age of Ayn Rand?

The new age of Ayn Rand: how she won over Trump and Silicon Valley

As they plough through their GCSE revision, UK students planning to take politics A-level in the autumn can comfort themselves with this thought: come September, they will be studying one thinker who does not belong in the dusty archives of ancient political theory but is achingly on trend. For the curriculum includes a new addition: the work of Ayn Rand.

It is a timely decision because Rand, who died in 1982 and was alternately ridiculed and revered throughout her lifetime, is having a moment. Long the poster girl of a particularly hardcore brand of free-market fundamentalism – the advocate of a philosophy she called “the virtue of selfishness” – Rand has always had acolytes in the conservative political classes. The Republican speaker of the US House of Representatives, Paul Ryan, is so committed a Randian, he was famous for giving every new member of his staff a copy of Rand’s gargantuan novel, Atlas Shrugged (along with Freidrich Hayek’s Road to Serfdom). The story, oft-repeated, that his colleague in the US Senate, Rand Paul, owes his first name to his father Ron’s adulation of Ayn (it rhymes with “mine”) turns out to be apocryphal, but Paul describes himself as a fan all the same.

Not to be left out, Britain’s small-staters have devised their own ways of worshipping at the shrine of Ayn. Communities secretary Sajid Javid reads the courtroom scene in Rand’s The Fountainhead twice a year and has done so throughout his adult life. As a student, he read that bit aloud to the woman who is now his wife, though the exercise proved to be a one-off. As Javid recently confessed to the Spectator, she told him that if he tried that again, he would get dumped. Meanwhile, Daniel Hannan, the Tory MEP many see as the intellectual architect of Brexit, keeps a photograph of Rand on his Brussels desk.

So the devotion of Toryboys, in both their UK and US incarnations, is not new. But Rand’s philosophy of rugged, uncompromising individualism – of contempt for both the state and the lazy, conformist world of the corporate boardroom — now has a follower in the White House. What is more, there is a new legion of devotees, one whose influence over our daily lives dwarfs that of most politicians. They are the titans of tech.

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França submersa em ódio

Rotina, um grande artigo de Helena Matos no Observador.

(…) Já não há velas, nem flores, nem lágrimas. Entrou na rotina. Por rotina também tento confirmar se já saíram notícias sobre a morte de Lucie Sarah Halimi. Não encontro nada. O silêncio, o faz de conta que não tem interesse, o não é bem assim ou quiçá falar nisso seja “anti-islão” predominam há largo tempo nesta matéria. Por isso a morte de Lucie Sarah Halimi passou como se tivesse sido o caso de uma senhora sexagenária assassinada por um jovem vizinho prontamente classificado como desequilibrado. (…)

Lucie Sarah Halim foi agredida por um jovem seu vizinho de 27 anos. Segundo alguns vizinhos este gritava Allah ou-Akhbar enquanto a atirava pela janela. A confirmar-se esta versão dos factos Lucie Sarah Halimi é a última vítima da violência crescente exercida sobre os judeus em França. (…)

Os agressores regra geral são muçulmanos que os vizinhos dizem radicalizados mas que as autoridades começam por apresentar como doentes mentais, pequenos traficantes ou ladrões tão inofensivos que até acreditam que todos os judeus são ricos. (…)

O recente assassínio de Lucie Sarah Halimi, os gritos “porcos judeus” e as garrafas atiradas aparentemente por magrebinos sobre as pessoas que integraram a manifestação de pesar pela sua morte a par da quase invisibilidade mediática deste caso só surpreendem quem não segue a realidade francesa.

O desinteresse com que as redacções europeias começaram por olhar para as agressões aos judeus em França transferiu-se em seguida para a Suécia: os ataques aos judeus em Malmo foram um dos primeiros sinais de que no paraíso oficial da multiculturalidade algo estava correr muito mal. Depois veio a fase da negação. Agora temos uma fé: acredita-se que os factos não ocorrem se não os referirmos.

Mas por mais que isso nos custe a admitir os judeus partem porque os fundamentalistas já estão aqui. E estão a mudar o nosso modo de vida. (…)

Trumpices e putinismos

Os EUA atacaram com 59 mísseis Tomahawk a base aérea síria de al-Shayrat, localizada perto da cidade de Homs como resposta ao uso de armas químicas em Idlib. Para lá dos aspectos militares, o ataque norte-americano representa uma enorme mudança da política da Administração Trump, facto que irritou o Primeiro-Ministro russo e que terá dado novos contornos à curvatura da espinha dos trumpistas portugueses.

“That’s it. The last remaining election fog has lifted. Instead of an overworked statement about a joint fight against the biggest enemy, Isis (the Islamic State), the Trump administration proved that it will fiercely fight the legitimate Syrian government, in a tough contradiction with international law and without UN approval, in violation of its own procedures stipulating that the Congress must first be notified of any military operation unrelated to aggression against the US. On the verge of a military clash with Russia. (…)

Lidas as palavras de Dmitry Medvedev, fica uma vez mais demonstrado que as guerras da santa mãe Rússia contra a Geórgia e a Ucrânia respeitaram e respeitam na íntegra as aprovações da ONU e demais códigos legais e de conduta internacionais.

 

 

Escalpelizando os números do défice

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O menor défice em democracia é, em boa parte e em bom português, um embuste. O fenómeno não é recente, e historicamente a aldrabice tem sido tanta que a Eurostat, a entidade estatística da Comissão Europeia, se viu forçada a rever as regras de contabilidade nacional, incorporando na última revisão, a ESA2010, dívida que esteja no perímetro das Administrações Públicas, redefinindo inclusivamente esse mesmo perímetro (Empresas Públicas do Estado estavam fora, por exemplo). Passou a incluir também compromissos futuros, ainda que estes não gerem fluxos de caixa no momento presente. A tramóia foi tão criativa que foi necessário criar um indicador exótico, o défice estrutural, para remover o efeito de medidas não-estruturais, não-repetíveis, ou one-off, como o eram a repatriação de capitais ou a incorporação de fundos de pensões de empresas como a PT, ainda que no futuro representem uma despesa adicional para o Estado, ou receitas de privatizações.

Por regra todos os governos fazem isto. O fenómeno, aliás, não se limita ao défice. O economista Charles Goodhart, professor na LSE, disse mesmo que a partir do momento em que um determinado indicador se torna um objectivo de política, então deixa de ser um bom indicador. A falcatrua reporta a tempos longínquos, mas talvez o exemplo seminal seja o da adesão da Grécia ao Euro. Coadjuvada pela Goldman Sachs, conseguiu maquilhar as contas para garantir a entrada. A recorrência é tanta que a conjectura virou lei — lei de Goodhart.

Serve isto para dizer que não sendo o fenómeno recente, é particularmente gravoso neste caso. Por vários motivos: (i) para este nível de défice, 0.6 pp representam mais de 20% do ajuste; (ii) o PS vangloria-se destes valores, que, em termos estruturais, representam um ajuste de 0% em relação ao ano transacto; (iii) isto coloca pressão adicional sobre os anos subsequentes. Isto porque não é possível continuar a congelar investimento público quando este está em níveis historicamente baixos, não é possível continuar a congelar cativações, promover PERES, vender F-16, reavaliar activos (embora o Governo se prepare para reavaliar artigos rurais…) ou recuperar pre-paid margins.

A comparação correcta é olhar para o défice sem medidas one-off em 2015 e compará-lo com o alcançado em 2016. Em 2015, descontado o efeito BANIF, o défice foi de 2.9%. Em 2016, descontadas as medidas one-off, terá sido de 2.7%. Ou seja, um ajustamento efectivo de 0.2 pp, que foi, com efeito, conseguido à custa de duas medidas que embora não sejam consideradas one-off para a Eurostat são-no de facto: (i) a redução drástica do investimento público de €4.3 mil milhões para €2.9 mil milhões; (ii) 100 milhões de Euros de poupança em juros da dívida, rubrica esta também irrepetível, pois a taxa de emissão média aumentou consideravelmente em 2016. Quer isto dizer que o ajustamento estrutural se afigura nulo, se é que não piorou†.

Posto isto, torna-se evidente que este défice é alcançado sobretudo à custa da receita do costume: ganhos imediatos de curto prazo em detrimento do longo prazo. Seja como for, não deixa de ser positivo que o PS, com a extrema-esquerda a reboque, escolha o baixo défice como um marco da sua legislatura. Uma evolução notável face a anos anteriores, em que o défice, aliás, até deveria ser maior — a acreditar nas palavras de alguns palavrosos deputados do Partido Socialista. Se por nada mais, um bem haja pelo menos por isso.

† – Os detalhes podem ser encontrados no relatório do CFP (Relatório 1/2017) ou na nota mensal de Março do Fórum para a Competitividade.

Salvem os cardumes do Mar Morto, Jeremy Corbyn e o ódio a Israel

Mar Morto, fotografado por David Shankbone (Wikipedia)

Se pensa que a  salinidade extrema do Mar Morto impede o desenvolvimento de vida  pescável nas suas águas, está enganado. A petição intitulada Stop Israeli apartheid against Dead Sea fishermen – make Israel give them a fair deal, dirigida ao chefe dos socialistas britânicos, prova a existência de uma invejável existência de cardumes. E de passagem um sintomático e hilariante ódio a Israel.

#SaveTheDeadSeaFish #SaveJeremyCorbyn

Hayek taught us humility

Excelente artigo de Philip Booth: Hayek was not a conservative. But conservatives should be Hayekians

We often hear Conservatives such as Dan Hannan praise the UK system of common law. Such praise is due. Unfortunately, the recent move away from common law principles has been so dramatic that reclaiming the ground may prove impossible – though it is still a battle worth fighting.

Especially since the 1980s (ironically under Mrs. Thatcher), there has been a replacement of both common law and primary statute law principles by the use of secondary legislation and statutory bodies producing regulation at will. These are exactly the sort of trends Hayek thought dangerous.

Common law involves judges applying established legal principles to new situations as they arise. The judge does not invent the law, of course, but applies accepted legal principles to new cases. This has been replaced by bodies of ‘experts’ who believe they know in advance, and in extraordinary detail, what rules and regulations will better our lives.

(…)

There is much more that could be discussed. What would Hayek have thought of the ‘Big Society’? What would have been his attitude to Brexit? But each one of the above points is relevant to the future direction of the country. The implications of Hayek’s thought are rich, but the starting point is simple. As Hayek put it: “The curious task of economics is to demonstrate to men how little they really know about what they imagine they can design.”

Hayek taught us humility. We should continually remind politicians, church leaders, and economists that the one thing that we do know is how much we don’t know.

Compreender o putinismo LXV

O putativo agente da CIA.

Algumas horas após o atentado terrorista que teve lugar em São Petesburgo, está encontrado o culpado: a CIA.  Não entendo a razão de existir da interrogação do mítico Pravda.

CIA engaged in St. Petersburg terror act?

Carrega Portugal II


Conhecem a dívida acumulada pela instituição que preside a pessoa que está entre o Ministro das Finanças e o Primeiro Ministro da República da Portugalândia? 

Sabem que a CGD e o Novo Banco são dois importantes credores desta instituição? Mesmo que não o saibam, conhecerão  certamente as perdas e prejuízos destas duas instituições bancárias e as recapitalizações a que foram ou vão ser sujeitas , de largos milhares de milhões de Euros. 

Sabem que existem “garantias” dadas pelo fundo de Resolução ao comprador do Novo Banco, a Lone Star (ver post Carrega Portugal),  que caso certos créditos malparados não sejam pagos, os contribuintes (o Fundo de Resolução para ser mais preciso) entram com massa? E se a instituição que preside o senhor que está entre o MoF e o PM da República da Portugalândia não pagar, lá vão os contribuintes contribuir para o perdão da dívida,  sejam eles adeptos do Sporting, do FCP, do Guimarães ou do Arouca…

No Europeu Pedro Passos Coelho sentou-se no meio da bancada no Estádio de Paris , enquanto o Sec. Estado dos Assuntos Fiscais, Rocha Andrade, e outros, iam a convite da Galp.

A separação entre politica e futebol é higiénica e saudável , em especial quando os conflitos de interesses são enormes, e as tentações dos milhões  (que se podem perdoar à custa do contribuinte) são ainda maiores .
#CarregaPortugal

Uma Europa a duas velocidades

Uma Europa a duas velocidades é importante para a Europa e bom para Portugal. Com o Brexit, e ficando Portugal para trás na integração europeia, permitiria ainda uma aproximação ao nosso aliado tradicional, que é a Inglaterra. O meu artigo no Jornal Económico.

Uma Europa a duas velocidades

Foi no fim do mandato, numa cimeira em Versalhes, que François Hollande decidiu ser presidente da França. No dia 6 deste mês, Hollande recebeu os líderes da Alemanha, Itália e Espanha e disse-lhes que, ou a Europa corre a duas velocidades ou explode. As simple as that. Aquele presidente socialista que, em nome dos fracos, ia fazer frente a Merkel, acabou por afirmar, ao lado da chanceler alemã, o que ela nunca ousou dizer.

E fez bem, há que o reconhecer. Tivesse Hollande sido nos últimos cinco anos o que foi naquela segunda-feira, em Versalhes, e as nossas vidas seriam diferentes para melhor. Como é que um português pode dizer uma coisa destas? Como é que um português pode aceitar uma Europa a duas velocidades sabendo que, à partida, Portugal não estará no pelotão da frente? A resposta é simples e passa por uma pergunta.

 Preferimos uma Europa a duas velocidades, em que os países mais fortes se unam e se protejam, ou uma Europa desunida e em conflito permanente? Quem olhe para a História do nosso continente não terá dúvidas que a primeira opção é a preferível. E quem dê atenção ao que está a acontecer nos últimos anos na Europa reconhece que a união forçada dos diferentes países é uma das causas para a tensão permanente e para o conflito entre as nações europeias.

Em destaque está o euro. A união monetária, quando foi pensada, devia incluir os países europeus em condições de suportar uma moeda forte. Foi por isso que se estabeleceram limites ao endividamento público e aos défices orçamentais. Por muito que nos custe admitir, sabemos hoje que Portugal não devia ter aderido à moeda única europeia. Na altura, a classe política apresentou a adesão como um feito, mas é essa mesma classe política que hoje, porque o euro lhe tira margem para governar sem escrutínio, que em surdina o lamenta, culpando-se não a si por ter falhado, mas à Alemanha por ter sido exigente.

Sabemos que tanto a imigração como as questões da defesa e da segurança se resolvem, num mundo globalizado, com união e acordos entre os países. Ora, tal só é possível se as ainda potências europeias tiverem margem para o fazer. O que só terão se os países periféricos, e dependentes da solidariedade dos europeus, os deixarem deixando-se de lamentar e de travar qualquer passo mais que outros entendam como crucial.

Fala-se em reformar a UE e, em Portugal, ouvimos dizer que é preciso corrigir erros. Ora, um dos erros foi o excessivo alargamento do projecto europeu porque era politicamente incorrecto uma Europa a duas velocidades. Já não é. Já não pode ser. A Europa precisa de um rumo para enfrentar a Rússia, a Turquia, a China e o mundo árabe. Para tal, França e Alemanha, e outros, devem entender-se. Para nosso bem.

O défice mais baixo… em democracia

Quero aqui complementar o post do CGP, onde ele escreveu:

«Em quarenta anos de democracia, esta deve ser a primeira vez que há um consenso em relação aos méritos de ter contas públicas equilibradas».

Esse consenso limita-se, claro, aos partidos do “arco da governação” (PS, PSD e CDS) em períodos de dificuldades orçamentais e sob pressão de compromissos externos (credores ou acordos internacionais). Caso contrário, nem pio sobre o défice. Por qualquer um deles!

Porém, no PS, este discurso de rigor orçamental só é feito enquanto está no Governo. E, como diz CGP, há que lembrar-lhes do que agora defendem quando mudar o ciclo político. É que já o esqueceram no passado recente. Relembro não só os PEC (1, 2, 3 e 4) e o Memorando de Entendimento que PS negociou com “troika” mas também, esta frase incluída na moção de estratégia política do PS em 2011, então coordenada por António Costa e aprovada no XVII Congresso do partido:

[A consolidação orçamental] é um esforço que tem de ser feito para garantir o nosso empenhamento na criação de condições de financiamento da economia portuguesa, indispensável à actividade económica.

Agora que PS voltou à cadeira do poder executivo não é de admirar que haja novo “empenhamento” em atingir metas orçamentais definidas em Tratados Europeus. Têm, contudo, um grande problema: apesar do continuado apoio parlamentar pelos partidos da extrema-esquerda (a dita “Geringonça”), estes – principalmente BE e PCP – clamam por maiores défices:

Durante as suas interpelações ao ministro das Finanças, Bloco de Esquerda e Partido Comunista mostraram o seu desagrado com o valor de défice anunciado pelo ministro das Finanças, argumentando que existia margem para mais medidas de reposição de rendimentos.

Não fossem as pressões da União Europeia e/ou PS estivesse na oposição, certamente o discurso político de António Costa e seus acólitos estaria mais de acordo com bloquistas e comunistas. Aliás, foi assim que ganhou o apoio destes a seguir às eleições legislativas de 2015.

Com a necessidade de continuar a descida do défice (em 2017 esperam voltar a ter o «défice mais baixo de sempre em democracia»), o descontentamento dentro da “Geringonça” tenderá a agravar-se. A “bengala” de António Costa tem sido – e será cada vez mais – desviar culpas para Comissão Europeia, Eurogrupo, Banco Central Europeu, credores internacionais, conjuntura económica, sistema bancário, etc. Deste modo, conseguiu manter BE e PCP como… “cordeiros em pele de lobo”. A ver se continuam assim.

Is Democracy Logic? – Dia 30 de Março na UCP

Na próxima Quinta-feira, dia 30 de Março, será tempo de recordar os contributos de Kenneth Arrow. Uma iniciativa conjunta da Católica Lisbon School of Business and Economics e do Instituto de Estudos Políticos, juntamente com os respectivos centros de investigação. Entrada livre.

Rácio de verborreia orçamental

ACREDITE SE QUISER: Rácio de verborreia

Orçamento de Estado português 2017

Despesa total 57 mil milhões de euros
Número total de páginas 270 (Lei 233 + Normas de Execução 37)

Orçamento do Reino Unido 2017

Despesa total 784 mil milhões de libras (900 mil milhões de euros)
Número total de páginas 68

Número de páginas por cada milhão de euros

Portugal 4,7 / Reino Unido 0,076
Rácio de verborreia 1 para 62

#CGD: emissão de dívida subordinada

Aos que pensam ser demasiado alta a taxa de juro de 10,75%, obtida pela Caixa Geral de Depósitos [CGD] na recente emissão de dívida subordinada (€500 milhões agora, outros tantos ainda para vir), considerem a possível notícia no ano de 2020:

“Em 2017 CGD recebeu 1.000 milhões de euros mas só teve de pagar 300 milhões em juros”

Este cenário é possível. Basta que conjuntura económica subjacente ao negócio​ da CGD se degrade e/ou que imparidades (perdas com créditos) sejam muito superiores ao agora estimado. A acontecer, subscritores teriam perdas de 70% do capital investido.

Ainda pensam que emissão foi cara?

Um pequeno ensaio sobre a grande estagnação

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O motto foi dado por uma partilha do sempre recomendável Pedro Romano. O link apontava para um artigo do Simon Wren-Lewis, um pós-keynesiano indefectível de Oxford, que, à semelhança de outros economistas como Larry Summers, acham que a grande estagnação económica, particularmente visível no século XXI, se deve a um problema crónico, ou estrutural, de falta de procura agregada.

A posição tem alguns argumentos válidos, embora, em última análise, se trate mais de um problema de método: como os modelos keynesianos dão muito ênfase à procura agregada (basta ver que o modelo IS/LM de Hicks nem inclui oferta agregada; foi necessária uma alteração tardia, que, de forma mal amanhada, resultou no modelo AS/AD), então tudo é um problema de procura agregada. Parece-me — e isto é uma perspectiva pessoal, pois a questão está longe de estar encerrada — que existem outros factores, especialmente do lado da oferta, que poderão explicar este declínio no PIB, ou mesmo na percepção do crescimento do PIB (uma outra teoria é que muitos dos ganhos actuais não são contabilizados no PIB).

Seja como for, escrevi um pouco sobre o assunto. O pouco alongou-se, e de pouco virou um (pequeno) ensaio, que recua ao século XVIII para fazer compêndio para o que temos hoje. Um pequeno ensaio sobre a grande estagnação.

PdVeC* de vento em popa

Depois do insuportável peso do estado e da interferência deste na vida de pessoas e empresas, agradeçamos ao governo da geringonça o *Processo de Venezuelização em Curso. Graças ao bizarro governo, a república portuguesa tem uma página na internet que marca o dia internacional da felicidade e que, imagine-se dá pelo nome de “FELICIDADE” – assim mesmo, a gritar.

Aos poucos mas de forma consistente, enganam-se todos aqueles que julgam que Portugal ainda possuí uma cultura democrática ligeiramente acima da Venezuela.

Adenda: Como bem assinala a leitora c3lia na caixa de comentários, o Presidente venezuelano criou o vice-ministério para a suprema felicidade do povo, com os resultados conhecidos.

(in)segurança na CGD?

Já pensaram na razão da CGD eventualmente pagar a investidores internacionais taxa de juro de 10% por dívida subordinada enquanto remunera portugueses com depósitos a prazo em 1-2%?

Certamente os nossos leitores rapidamente chegam à resposta: o risco é diferente.

É admissão (implícita) do governo do Estado accionista que existe probabilidade da CGD não cumprir o pagamento desses títulos. Sendo assim, é compreensível que a emissão seja realizada além-fronteiras. Não só permite a investidores menor carga fiscal, como também evita futuros”lesados da Caixa” portugueses. É que, por cá, há muita iliteracia financeira. Veja-se, por exemplo, o recente regozijo com os números da execução orçamental de 2016…

Francisco Veloso no Imperial College London

Uma perda importante para a Universidade Católica mas também (mais) um significativo reconhecimento internacional de como a UCP, em várias áreas, difere para melhor do triste panorama do ensino superior em Portugal: Francisco Veloso troca Católica por Imperial College em Londres

Francisco Veloso vai deixar a direção da Católica-Lisbon para liderar a Business School do Imperial College London, uma das mais prestigiadas universidades e escolas de gestão do mundo, a partir do próximo dia 1 de Agosto. O académico português, com 47 anos, deixa a universidade portuguesa ao fim de cinco anos como ‘dean’ (diretor) da Católica Lisbon School of Business and Economic, anunciou o vice-diretor, Guilherme Almeida e Brito, num comunicado enviado aos antigos alunos da instituição.

A seleção de Francisco Veloso “decorre, em larga medida, da trajetória de sucesso que a Católica-Lisbon tem evidenciado ao longo destes anos”, explicam no mesmo comunicado. “O compromisso com a excelência académica, a visão global, a aposta na investigação e um foco crescente na inovação e empreendedorismo, têm vindo a afirmar a nossa escola a nível internacional”, reforçam, o que justificou que a escola atingisse “a 23ª posição no ranking das Top European Business Schools do Financial Times, a melhor de sempre para uma faculdade nacional.”

António Costa, retratos de um não-aficionado

Nacionalizado ao