Vítor Gaspar pede mais Impostos, mais Despesa Pública e mais Dívida

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Vítor Gaspar retorna às manchetes, o que constitui sempre uma infelicidade. O único motivo que nos pode deixar felizes por ler uma nova observação de algum membro daquele fatídico governo será, porventura, o estado de coisas em que o país se encontra, com Costa e os Jovem Turcos de um lado e Rio e a Brigada do Reumático do outro. Mas é sempre um perigo tomar como bom o menos mau. A minha teima com Gaspar é antiga. Recordar-se-ão alguns daqueles violentos ataques que lancei, juntamente com muitos dos meus colegas, contra Vítor Gaspar, que uns quantos amigos meus me tentavam assegurar tratar-se de um génio, um milagreiro, uma dádiva divina.
Escrevi, em O Efeito Teixeira dos Santos, que:

Ora parece que o Efeito Teixeiro dos Santos se está a repetir na figura do reputado Vítor Gaspar. Um homem tão capaz, tão capaz, que alinha na estratégia de nos taxar até à morte. Tão sério, tão sério que Governa 2kms ao lado do Programa do Governo. As finanças continuam em cacos e a economia não dá ares de se erguer, portanto falhou. Todas as previsões sobre a receita falharam consecutivamente, falhou portanto. Ainda hoje aparecem buracos e buracos que o próprio não soube encontrar a tempo, falhou portanto. Foi o replay da fanfarra dos modelos matemáticos e do cálculo aplicado. A Tecnocracia no seu esplendor. E nada, zero. O Governo continua a alinhar na estratégia de assalto fiscal e festinhas na despesa. E a crise vai-se agravando, como aquela doença em que,  sem as necessárias cirurgias e tratamentos, meia dúzia de remédios mais não fazem que atrasar a hora da morte. 

Em  Já Basta 2.0 complementei:

Os Tecnocratas perderam o jogo. Tomaram a economia por uma ciência matemática e não uma ciência social. No fim de contas, as contas estavam erradas. Não era preciso ser doutor para prever que o aumento de impostos ia fazer baixar a receita. Não era preciso ser sociólogo para prever que, especialmente, o aumento dos impostos indirectos iria criar uma inflacção de preços que depauperaria famílias e criaria um clima de instabilidade social, até nos mais fiéis apoiantes dos partidos do governo. Não precisamos de génios para prever que o défice ia derrapar. Não foram os buracos, os tais desconhecidos buracos – hoje – mas de que Passos já falava – em eleições. Foi a maneira leviana como foram aplicadas as mais importantes medidas do Memorando. Assegurando um interesse aqui, protegendo um interesse acolá. Foi a incapacidade para cortar despesa. Não umas migalhas, mas o pão inteiro. E foi, repito, esta sádica, anti-social, anti-crescimento ideia de aumentar os impostos até o país morrer de fome. Para trás ficam outros momentos menos felizes que fizemos questão de recordar. 

E como estes, outros tantos. Portugal tem um fascínio messiânico pela figura do contabilista, o que também explica a fervorosa adoração das equivocadas políticas econômicas do Dr. Salazar e do seu suposto milagre na Fazenda – coisa que em ditadura qualquer dona de casa conseguiria. Mas Sotor Gaspar, que asfixiou a economia portuguesa bem para lá do absurdo, trabalhou assim por consentimento do seu chefe.

O chefe de Gaspar, actual figura de proa no mais recente fenómeno sebastiânico da direita portuguesa, foi um sujeito que encheu a administração de compadres, o parlamento de incompetentes e colocou o próprio programa numa gaveta. Por outro lado, o maior adversário de Gaspar dentro do governo foi alguém que nos proporcionou os mais allenescos momentos da alta governação recente – digo allenescos porque como nos filmes de Woody Allen são dramas que nos fazem desatar à gargalhada. E foi isto.

 

Recordo-me que à data, quem à direita não subscrevia a ditadura fiscal do Sotor Gaspar era um traidor à pátria, sem sentido de estado, sem compaixão pelo Dr. Coelho, pobrezinho, que comandava os destinos da nação à mercê da falta de fé do indigenato, cujo estado da barbárie não lhe permitia entender os trâmites da finança internacional e da macroeconomia,. O Dr. Coelho que pouco fez para facilitar o investimento – e baixar impostos não é o único caminho – e apontava sempre para o futuro próximo luz ao fundo do túnel. O Dr. Coelho que substitui Gaspar pela sua alma gémea, irritando o Dr. Portas.

O Dr. Portas que cobiçava a pasta da economia com a qual nada se fez. Nunca comprei a cantiga do governo da coligação como um gestor de insolvência, limitando-se a cumprir ordens de fora. A prova disso foram as inúmeras medidas e recomendações da Troika alteradas ou trocadas a pedido deste ou daquele ministro, a meio de constante gritaria dos barões dos dois partidos. A gestão que foi feita da crise quase aniquilou a classe média e um governo medíocre foi promovido, por base de comparação com governos desastrosos, a um oásis de competência, honestidade e estadismo.

E o Dr. Gaspar, que recompensado pelos seus serviços de bom aluno ingressou na tecnocracia internacional, fazendo agora carreira impondo as suas asneiras a outros países, vem exigir mais impostos. Acha também que é preciso gastar mais de forma significativa e quiçá recorrer a dívida. Quer o Dr. Gaspar prosseguir as políticas que levaram o país a um ponto em que teve que recorrer ao próprio Dr. Gaspar? Não entendo. Mas estas coisas nunca foram de se entender e os técnicos do FMI nunca foram gente de confiança. .

 

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Calado, não asneirava

Perante a identificação de Rui Rio com a proposta bloquista em tornar mais socialista o sector imobiliário, sugiro ao líder social-democrata a leitura do artigo de Adolfo Mesquita Nunes: Taxa Robles (disponível para assinantes).

 

Para onde migram internamente Americanos? The Krugman Factor

People Love to Move to States Paul Krugman Hates Most

Ou seja, os Estados que Krugman odeia mais e que critica constantemente nos seus artigos, são os estados para onde as pessoas vão. Os estados que Krugman elogia, são de onde as pessoas fogem.

Se virem aqui a ordenação da Liberdade Económica…

2018.08.29 Krugman scatter plot (1).png

… e aqui o saldo migratório interno…

2018.08.29 Domestic Migration.png

… realmente parece haver aqui uma certa correlação 😉

Aparentemente as pessoas não gostam de ser expropriadas do que construíram de forma justa – ou de não chegarem sequer a conseguir construir riqueza devido à elevada burocracia de alguns estados nos EUA. Quem diria…

 

 

A Líder da Oposição

PSD: 37.º Congresso Nacional

Escrevi aqui em Março, na minha Reflexão Pré-Congresso, que o CDS padece, desde a sua génese, de uma lamentável disposição a ser bengala. Esta disposição, originada, a meu ver, por um medo de parar, permite-lhe ir andando, mas também o impede de correr”. Disse também que devia “ambicionar para si o centro-direita, aproveitando a mudança de ciclo do PSD e a jacobinização progressiva do PS”.

Há uns meses, o país político fazia chacota de Assunção Cristas, desde os comentadores do costume, com a profundidade que lhes conhecemos, até aos notáveis de diversos partidos. Tudo porque se havia atrevido a admitir aspirar a liderar a oposição. Hoje lidera-a, sem sombra de dúvida. Em parte, e o seu a seu dono, por mérito próprio, em parte por falta de comparência de Rui Rio. O CDS tem estado na linha da frente do combate à geringonça, mobilizando-se sucessivamente e alcançando vitórias como o chumbo da eutanásia ou a pirueta a que forçou o PCP no caso dos combustíveis. Também o vemos no terreno, aprecie-se mais ou menos o formato.

Quanto ao PSD, pelo que ouvimos das suas raras tomadas de posição, podemos quase que encarar o seu silêncio como sábia prudência, quiçá evitando acrescentar demérito à asneira. O cinzentismo fatal da direita portuguesa, acrescido da típica disfunção ideológica de que vem habitualmente acompanhado e de que Cavaco foi o maior exemplo, vê-se consumado neste mandato onde se fica a crer, até pelo seu último artigo de opinião, que o Presidente do PSD foge do legado da finada coligação como quem foge do tifo, culminando na proeza de finalmente conduzir Santana Lopes a cumprir a eterna promessa de levar consigo o PPD e formar novo partido – ainda que a todos nos tenha desiludido por não apostar numa sigla com as suas iniciais.

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Tesla pode ser Privatizada!

Musk pondera tirar a Tesla de bolsa

Elon Musk, CEO da fabricante norte-americana de veículos eléctricos Tesla, escreveu na sua conta de Twitter que está a pensar privatizar a empresa. E a 420 dólares por acção.

Elon Musk escreveu num tweet que está a pensar retirar a Tesla de bolsa, a 420 dólares por acção.

O mercado está a reagir em alta, com as acções a dispararem 5,44% para 360,59 dólares.

A esse preço, a empresa vale 71,6 mil milhões de dólares. Musk, que nos últimos tempos tem tido atitudes e declarações controversas, disse que tem financiamento garantido para a operação.

tesla-oc-banner.pngNota – Em países capitalistas há 3 tipos de firmas:
1. Estatais – pertencem ao Estado
2. Públicas – cotadas na bolsa, podendo ser compradas pelo público
3. Privadas – não cotadas, pelo que o público não pode investir
A privatização será passar do estado 2 para o 3. Outras realidades…

Ricardo Robles e rendas “acessíveis”

Ricardo Robles, engenheiro civil de formação e – agora sabemos – de profissão em part-time, tem um investimento no sector imobiliário que lhe está a causar algum mal-estar político e mediático. Catarina Martins, coordenadora do partido Bloco de Esquerda, já veio em defesa do seu único vereador na Câmara de Lisboa.

Resultado imediato será a desistência de voltar a colocar prédio no mercado (inicialmente com preço de venda de € 5,7 milhões). Ricardo Robles pretende, agora, dividir com a irmã (co-proprietária) o imóvel de 11 apartamentos e 3 lojas, cabendo a cada um dar destino que melhor entender. Para os apartamentos de Robles fala-se de aluguer a rendas acessíveis. Mas quão acessíveis?

Assumindo Robles metade do valor em dívida, € 500.000 [(350.000+650.000)/2], o custo de financiamento para, por exemplo, empréstimo a 30 anos (vereador tem já 41 anos de idade) e spread de 5%, será de € 2.710,48/mês. A este terão de ser adicionados custos com seguros, manutenção, IRS (sobre os rendimentos dos contratos de arrendamento) e IMI.

Estimo que rendas, para Robles não ter prejuízo, terão de ficar a um valor mínimo de € 750/mês. Dado que ele e irmã optaram por remodelar prédio com apartamentos entre 25 e 41 metros quadrados julgo que poucas pessoas terá disponibilidade para pagar tanto por residência permanente tão pequena. Rendas acessíveis? Talvez não…

Celebrar Ricardo Robles, especulador imobiliário

A polémica recente cabe a um vereador da Câmara Municipal: Ricardo Robles, do Bloco de Esquerda.

Resumindo: em 2014, comprou, em parceria com a irmã, prédio à Segurança Social por € 347.000, fizeram obras de cerca € 650.000, arrendaram um (1) apartamento a antigos moradores por €170/mês e em 2018 colocaram o dito prédio à venda por € 5.700.000.

Se não fosse Ricardo Robles um neo-comunista do Bloco de Esquerda, hoje todos estaríamos a celebrar o feito de mais um empreendedor português. Vá… nem todos. E é aqui que se centra o interesse da notícia: se prédio fosse, por exemplo, de militante de partido à direita, estariam já socialistas, comunistas e neo-comunistas a lançar acusações de especulação imobiliária, sendo o próprio Robles dos primeiros a atirar umas “pedras”.

Sim, Ricardo Robles é especulador imobiliário. E devemos celebrá-lo! Não só porque poderá lucrar da iniciativa. Até podia perder dinheiro e mesmo assim deveríamos bater-lhe palmas. É que apenas alguns estão dispostos a arriscar o seus rendimentos e património em negócios com incerto retorno financeiro. Muitos preferem o conforto de rendimento estável e relativamente certo (mesmo que pouco), conjuntamente com a verborreia de opiniões anti-capitalistas. Especialmente a “esquerda caviar” do Bloco de Esquerda.

Ricardo Robles e irmã especularam que comprando um prédio degradado e investindo na sua recuperação poderiam ter retorno superior aos custos dos empréstimos necessários para financiar o projecto. Mesmo com a intenção inicial de arrendamento, o objectivo foi sempre de especular que as futuras rendas obtidas superariam o valor da prestação bancária. Por outras palavras, Robles entrou neste negócio com a expectativa de lucrar. Ele e seus colegas neo-comunistas não o percebem (aliás, a sua retórica é completamente contrária) mas acções falam mais que palavras.

Ricardo Robles agiu para benefício pessoal e da sua família. Muito bem! Aqui vemos umas das maravilhas do capitalismo: beneficia até os seus maiores críticos.