O que poderá acontecer em caso de Grexit

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Uma infografia muito interessante e esclarecedora.

A Lesson In Money Printing

Como se a emissão de moeda a partir do ar alguma vez pudesse gerar riqueza.

Zimbabwe offers new exchange rate: $1 for 35,000,000,000,000,000 old dollars.

Central bank discards local currency after years of hyperinflation which at one point reached 500,000,000,000%.

Bank accounts with balances of up to 175 quadrillion Zimbabwean dollars will be paid $5. Those with balances above 175 quadrillion dollars will be paid at an exchange rate of $1 for 35 quadrillion Zimbabwean dollars.

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A fuga de capitais da Grécia…

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… é, surpreendentemente, positiva para a Grécia, independentemente de ser premeditada ou não.

Quando um grego retira o seu dinheiro do banco e o transfere para outro país, o banco local solicita liquidez ao Banco Central da Grécia, que por sua vez solicita liquidez ao Banco Central Europeu, que a concede ao abrigo do programa de emergência de liquidez (ELA). Esse dinheiro é então transferido para fora, quer através de um depósito numa conta estrangeira, quer através da aquisição de activos no estrangeiro (acções, etc.).

Aqui surge a parte interessante: quando a transferência ocorre, os bancos centrais dos membros da Zona Euro criam esse dinheiro, que fica registado ao abrigo do Target2 (é um activo para o investidor, um passivo para quem o recebe). Quando operações financeiras no sentido oposto ocorrem — por exemplo, quando um português investe na Grécia — ou quando a dívida é liquidada, estas operações cancelam-se vis-à-vis com as operações que tenham ocorrido em sentido oposto (investimento dos restantes membros da Zona Euro na Grécia).

E agora vem o catch. Diariamente, a dívida TARGET da Grécia aumenta cerca de mil milhões de Euros, tendo já atingido cerca de 100 mil milhões. Se a Grécia entrar em default e sair do Euro, o que é cada vez mais provável, o Banco Central da Grécia entra em falência e renuncia essas obrigações em Euros. Quem efectivamente regista esses prejuízos é o Banco Central Europeu e os restantes bancos centrais da Zona Euro, que cederam a liquidez. Os gregos? Esses têm os seus activos seguros em países da Zona Euro.

Daí que seja do interesse do Governo grego que esta situação de indefinição se protele o máximo tempo possível, permitindo assim que os gregos retirem o seu dinheiro, minimizando o impacto de uma saída do Euro.

Se tudo isto for premeditado, em particular: a intenção original de sair do Euro, o adiamento das negociações causando a fuga de capitais e colocando o ónus do lado dos restantes europeus, então isto faz de Machiavelli um amador em matéria de calculismo político.

Ler também isto e isto.

Uma bolha?

QE

Já escrevi algumas vezes sobre o Quantitative Easing (aqui, aqui e aqui). Em síntese, enquanto a liquidez não for canalizada para a economia real, enquanto os mecanismos de transmissão da política monetária continuarem débeis, e enquanto essa liquidez continuar a ser investida nos mercados de capitais, não existe um problema substantivo com o QE. Ou seja, o problema não é o início do QE. O problema é o seu fim. O tapering do QE implicará secar a liquidez, absorvendo-a dos mercados. Excepto se existir poupança suficiente para ser reinvestida nos mercados será uma queda abrupta, e alguém perderá muito dinheiro.

Adenda: talvez seja interessante recordar que a crise financeira de 2007-08 foi em muito impulsionada pela reversão da política monetária acomodatícia e com o aumento das taxas de juro, que secaram liquidez e começaram a por um travão na insanidade que varria o mercado imobiliário. E o resto é o que se sabe.

Contracção da economia americana?

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O PIB dos EUA contraiu -0.7% no 1º trimestre de 2015. Olhando para os componentes do PIB, destacam-se os seguintes factores:

  1. Valorização do USD, gerando um défice na balança comercial fruto da perda de competitividade: em particular, exportações caíram 8% e importações subiram 6%. Esta tendência iniciou-se com o anúncio do QE por parte do BCE, depois do Fed, do BoJ e do BoE terem já iniciado programas de compra alargada de activos. Um eventual problema é um cenário de beggar-thy-neighbour, com a política monetária a ser conduzida por forma a causar sucessivas desvalorizações cambiais (QE25?).
  2. Queda do preço do petróleo. Se a queda do preço do petróleo aumentou o rendimento disponível dos países consumidores líquidos de petróleo, o que é o caso do EUA, reduziu também as perspectivas de rentabilidade de produtores de petróleo, o que também é o caso dos EUA. Isto afecta particularmente os EUA porque o aumento da produção de petróleo registada nos últimos anos foi feita graças ao fracking, uma técnica inovadora, mas que acarreta custos bastante superiores à extracção normal. O efeito foi uma contracção da formação bruta de capital fixo (investimento) no sector não-imobiliário. Investimento em estruturas (poços para extracção, etc.) contraiu mais de 20%.
  3. Crescimento incipiente do consumo interno. Se o sector do imobiliário começa a recuperar, com o preço das casas a subir, o consumo interno regista um crescimento tépido. As razões são várias, entre as quais o facto da liquidez disponibilizada via QE estar a ser redireccionada para os mercados de capitais, e não para os mercados de produto através do crédito ao consumo, provavelmente porque as famílias ainda estão a desalavancar da última crise financeira.

Em retrospectiva, tendo em conta que o balanço do Fed expandiu mais de 2 triliões, o crescimento de -0.7% PIB é tudo menos meritório. Seja como for, uma contracção da economia americana não auguraria nada de bom.

On Debt and Taxes

No Portuguese Insurgent: On Debt and Taxes.

The stated objective of The Economist’s piece is to make the case for eliminating incentives to excessive leverage that undermine the financial system. This ignores the simple fact that the system’s instability stems from its design rather than from the amount of credit it grants. Over the last hundred years, the total leverage of the financial system – particularly banking – has increased constantly as required reserves progressively decreased; to the point where at the beginning of the ongoing crisis many of the world’s largest banks, especially in America, had reserve ratios close to 2%.

Curso de preparação para o acesso à carreira diplomática

10950655_10153841895360663_1689449590085120497_nEstão a decorrer as inscrições para um breve curso de preparação para a carreira diplomática, a ser ministrado na Faculdade de Direito da Universidade Nova. Eu irei leccionar o capítulo referente a conceitos de Política Económica, em particular aflorarei temas como a crise financeira (e as várias teorias explicativas) e as suas repercursões; efeitos da política monetária, orçamental e cambial no curto e no longo-prazo; reformas estruturais; impacto dos fundos estruturais europeus; competitividade e crescimento da economia portuguesa; etc.

A inscrição poderá ser feita até ao dia 8 de Maio.

O regulador: sempre um passo atrás

carrothO FMI prepara mais um conferência, intitulada “Rethinking Macro Policy III: Progress or Confusion?”, que, para lá do notável feito de admitir o elevado grau exploratório da actual política monetária, tudo resumido, serve para justificar a sua própria existência. Olivier Blanchard deu o mote, lançando algumas questões no blog do FMI.

Talvez mais interessante do que as questões lançadas sejam as respostas implícitas: as actuais políticas monetárias são tão experimentais que o próprio FMI não as entende bem. Note-se que a ideia de taxas de juro negativas era nada mais que um limite inferior teórico, teoricamente inalcançável, cujo único propósito era caracterizar uma armadilha de liquidez, ou em parlance menos keynesiana, a Zero Lower Bound (ZLB). Sem grandes teorias explicativas, os Bancos Centrais, entre os quais o BCE, avançaram, ainda assim, nesse sentido.

Outro ponto igualmente interessante é a questão da regulação financeira. Desta vez é diferente, ou assim acredita o planeador central. Para seu desaire, e tal como a experiência bem comprova, a tarefa do regulador é análoga à do burro atrás da cenoura — sempre um passo atrás, mas sempre ali tão perto. Isto porque de nada serve a acção do regulador quando os incentivos não estão alinhados. Colocar um chocolate no quarto de uma criança e pedir-lhe que não o coma é naif, isto para ser brando. A regulação eficaz não é decretada, monitorizada ou supervisionada por uma qualquer entidade que se julga omnisciente — é o resultado da inexorável acção das regras de mercado, onde se inclui a falência e a tomada de risco. Assim como são os limites da tomada de risco: se os bancos desejam arriscar, que o façam com os seus próprios capitais. Não se pode criar um mecanismo que dependa da boa fé e esperar que ninguém o explore para seu próprio proveito. Que o FMI ainda não tenha percebido isto, e que, em 2015, ainda tente encontrar o Santo Graal da regulação sob a forma de melhores instituições regulatórias, revela o nível de desorientação da instituição.

Galamba School of Economics

Sem o padrão da Burberry’s que tão diligentemente cumpre a tarefa de abrigar as cordas vocais que vociferam com húbris repetido disparate, terá de servir a gola alta por ajeitar ao nosso distinto «deputado excitado» que nos traz um bocadinho de Varoufakis, pese embora longe do original. E porque a altura é propícia, recordemos basilares conceitos da sua defunta teoria económica:

Screen Shot 2015-01-21 at 15.28.33E depois bafejêmo-los com a desavinda realidade, essa grilheta impiedosa do sonho socialista e lavradora da opressão neoliberal:

Galamba_School_EconomicsE mais um mito desfeito.

Seia e Gouveia. E Vitor Bento.

imagem1_5210No meu artigo de hoje no Observador faço um pequeno remoque ao ensaio que Vitor Bento publicou, tentando explicar a arquitectura monetária europeia através de queijos da Serra, e com queijos da Serra mostrar porque discordo de Vitor Bento na narrativa que tece à volta da sua análise económica.

Terras frias das Beiras, Seia e Gouveia há muito que competem entre si. Seia produz o seu conhecido e apreciado queijo amanteigado de ovelha, ou Queijo da Serra, assim como queijo de cabra. Gouveia usa os derivados da ovelha de uma outra forma, tecendo casacos, mantas e sapatos de lã. Ambas as cidades trocam produtos entre si — de Seia saem os queijos, de Gouveia os casacos. Entretanto, porque do boca-em-boca se enche o granel — assim corre o adágio popular, ou assim creio que corra —, Seia começou a vender os seus famigerados queijos para outras localidades também. Rezam os boatos que até para as terras distantes do Porto os queijos viajavam, deliciando e contentando os ougados por uma tosta bem barrada. Com tanta procura externa, Seia começou a enriquecer, e os preços acompanharam esta tendência. Gouveia, em comparação, por lá continuava.