Uma Longa Estagnação Portuguesa

O mercado de capitais de um país reflecte em grande medida o desempenho da sua economia, sendo que a qualquer instante incorpora não só os resultados registados, mas sobretudo as expectativas futuras.

Analisemos então o desempenho por exemplo da bolsa americana nos últimos 20 anos através do índice S&P500. Durante os últimos 10 anos, o índice valorizou uns impressionantes 244%. Quem tivesse investido 1000 dólares no índice S&P500 há 10 anos atrás, teria hoje 3440 dólares.

Vejamos um país europeu mais próximo – a Estónia. Em 10 anos o índice OMX Tallinn passou de 286 para 1262 valorizando uns fenomenais 341%! Quem tivesse investido 1000 euros há 10 anos atrás no índice OMX Tallinn (sendo que a Estónia só aderiu ao Euro em 2011), teria hoje 4410 euros!

Analisemos também a Irlanda. Em 10 anos,o índice ISEQ20 passou de 2044 para 6825, valorizando uns admiráveis 234%. Quem tivesse investido 1000 euros há 10 anos atrás  no índice ISEQ20, teria hoje 3340 euros.

E em Portugal, um país que nem sequer 20 empresas consegue colocar no índice PSI-20? Em 10 anos, o PSI-20 passou de 5680 para 5181, uma desvalorização de 9%. Quem tivesse investido 1000 euros no PSI-20 há 10 anos atrás, teria hoje… 910 euros!

Imagino que a esquerda – que tanto odeia o capital – esteja radiante com esta desvalorização do índice bolsista português. Sempre existirão menos ricos. O objectivo da esquerda é que sejamos todos igualmente pobres para assim acabar com as desigualdades.

As políticas socialistas conduziram e mantiveram-nos presos a esta longa estagnação, com um país incapaz de atrair e reter talentos e capital – absolutamente essenciais para o desenvolvimento. Com as políticas fiscais que se avizinham, esta estaganação continuará por muito mais tempo.

Deus vem ao Parlamento no início de Dezembro

“Deus morreu”. E agora é só pseudo religiões a tentarem oferecer algum propósito à humanidade. Basicamente alguma ordem que substitua a religião. Exemplo principal: o ambientalismo.

A lógica é a seguinte (vejam lá se vos lembra algo). O mundo era o paraíso da natureza. Depois, os humanos foram greedy (maçã) e estragaram tudo. Agora vai haver um dia em que o planeta acaba, dia esse que os fiéis estão sempre a dizer que é daqui a 10 anos (dizem é isto de 10 em 10 anos, claro). É basicamente o grande dia do julgamento final.

Daqui resulta que precisamos de salvar o planeta a todo o custo, espalhar a palavra da sustentabilidade contra o pecado poluidor e o aquecimento global. Resulta que temos de não comer certas coisas, não produzir/consumir outras, usar produtos como as palhinhas de bambu, ir às procissões das manifestações/greves climáticas e, o principal acto da missa, reciclar sempre. Resulta que temos de respeitar e espalhar os seus símbolos, como o logo da reciclagem, os quais devem entrar na cabeça de todos desde muito pequeninos na escolinha.

Depois temos também os apóstolos ou profetas, que podem ser mais locais como algumas influencer digitais aqui da praça ou globais como o DiCaprio e a Greta. Todos andam a espalhar a palavra de Deus… do ambiente, desculpem.

Isto tudo a propósito da vinda da jovem ativista sueca Greta Thunberg (ainda não sei se é Deus, mas imagino que pelo menos para alguns seja), a qual prevê chegar a Lisboa no início de Dezembro (com direito a ir ao Parlamento e até a falar mais tempo que os deputados dos novos partidos).

Realmente nem todas as crianças têm o privilégio de passar férias a dar a volta ao mundo de barco para ir falar em eventos, enquanto as outras estão na escola a estudar, brincar e a fazer amigos. Infelizmente para ela, parece-me bastante mais saudável ser uma dessas outras crianças.

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PS: Não sou anti-ambientalismo, pelo contrário. É uma causa importante à qual os países devem dar importância, sobretudo depois de atingirem um certo estágio de desenvolvimento e riqueza que já lhes permita terem essas preocupações. Sou é contra fiéis extremistas, seja neste “religião” ou noutra qualquer.

Geringonça Expulsa 100 Mil Portugueses Em Três Anos, Dos Quais 37 Mil Licenciados

Usando a erudita, apurada e sofisticada linguagem de sucateiro (sem intenção de insultar os sucateiros) do actual secretário de estado do lítio João Galamba (ver imagem abaixo) e usando dados oficias do INE retirados daqui, podemos concluir que apenas entre 2016 e 2018 a Geringonça expulsou do país 100 mil portugueses em três anos, dos quais 37 mil são licenciados.

Os dois gráficos abaixo revelam a evolução em termos absolutos e relativos da emigração por grau de escolaridade entre 2014 e 2018 (último ano com dados conhecidos).

Curiosidades:

  • Eu ainda sou do longínquo tempo de 2015 em que António Costa afirmava que “a austeridade pôs em causa a dignidade do país porque obrigou os portugueses a emigrarem” (fonte)
  • Eu ainda sou do longínquo tempo do governo PSD-CDS em que as televisões davam longas reportagens nos aeroportos a cobrir os dramas familiares dos emigrantes; ou cobriam os discursos emocionados das mães de emigrantes nos comícios socialistas (fonte).
  • Eu ainda sou do longínquo tempo de 2018 quando António Costa se vangloriava ao criar um programa de apoio aos emigrantes que sairam do país especificamente entre 2011 e 2015 (quem emigrou durante o período da geringonça que morra longe!) que consistia num apoio de realocação de até 6536 euros e na redução de 50% no valor do IRS durante cinco anos (milagre! o PS reconhece que os impostos baixos servem para fixar e atrair talentos) (fonte). Por curiosidade, dos 500 mil emigrantes que o João Galamba refere acima, a este programa que teve o custo de 10 milhões de euros para o IEFP, candidataram-se apenas 481 pessoas… *suspiros* (fonte).
  • As pessoas licenciadas representam a maior parte fatia da emigração em 2018 (12640 pessoas ou 40% do total), um valor maior em termos absolutos e relativos do que se registou em 2015 (12073 ou 30% do total).
  • Como o João Miranda refere no twitter, 12000 licenciados que emigraram em 2018 representam cerca de um quinto (20%!) de todas as pessoas que se licenciaram em Portugal nesse ano.

Considerando este brain drain terrível para o páis – a perda de pessoas muito valiosas que poderiam dar um grande contributo a Portugal, qual é a estratégia do governo socialista?

Numa altura em que Portugal já tem a quarta maior taxa marginal máxima de todos os países da OCDE no valor de 72% e a quarta maior taxa sobre as empresas  no valor de 27,5% (fonte), o governo prepara-se para aumentar os impostos – com particular violência e agressividade às pessoas mais valiosas, mais talentosas e mais produtivas através: 1) do aumento da progressividade do IRS (fonte); e do englobamento obrigatório (fonte).

Infelizmente com os socialistas, seremos sempre um país cada vez mais pobre.

Fake News

A AFP errou. Aparentemente publicaram uma notícia debaixo do título de “#BREAKING More than 100,000 children in migration-related US detention: UN” que era fake. Afinal, após clarificação pelo autor do estudo, concluiu-se que esse número dizia respeito ao total número de crianças detidas por questão relacionadas com migração em 2015 – não sei se não é novamente fake e o número se refere às detenções desde 2015. “We will delete the story”.

2019-11-20 09_42_49-(1) AFP news agency on Twitter_ _AFP is withdrawing this story. The author of th

A AFP é transparente com o seu erro, e isso é de aplaudir.

Pessoalmente, no entanto, preferiria uma rectificação na história original. É que abre-se aqui o flanco para teorias das conspiração que não ajudam nada ao estado de desconfiança para com os media: então o relatório era notícia se fosse debaixo da acção de Trump, mas já não vale se afinal foi nos tempos de Obama? É certo que há um valor no “BREAKING” da notícia, ou seja se os dados se referirem a uma situação actual isso pode ter valor diferente do que um relatório sobre uma situação de há 4 anos. Mas dadas as circunstâncias de se ter publicado, não seria de manter a notícia no ar, devidamente corrigida?

A imprensa está debaixo de fogo constante nos tempos que correm. Narrativas de conspiração são muito mais fáceis de construir com deslizes deste tipo.

Como Destruir Uma Economia Numa Lição

Genial! O caminho da prosperidade sempre esteve à frente dos nossos narizes e nós nunca até hoje o conseguimos vislumbrar. Felizmente, por graça divina, o governo de António Costa, seguindo a cartilha do Bloco de Esquerda (esse partido amigo da liberdade, do desenvolvimento e do crescimento económico com grandes exemplos de successo como a União Soviética, Cuba, Venezuela e a Coreia do Norte) descobriu que o caminho para a prosperidade é aumentar os impostos sobre as famílias!

Em particular, o caminho da prosperidade passa por tributar com particular agressivididade e violência as pessoas que mais investem, mais trabalham, mais produzem, mais emprego criam e mais riqueza geram.

E isto, numa altura em que Portugal já é o quarto país da OCDE com a maior taxa marginal máxima – uns inacreditáveis 72%. Para colocar em perspectiva estes 72%, é como se estas pessoas trabalhassem todos os dias desde o dia 1 de Janeiro até meados de Setembro apenas para pagar impostos para o estado… …e isto todos os anos.

Consequências óbvias que qualquer pessoa com um neurónio minimamente funcional consegue inferir: menos trabalho, menos produção, menos emprego, menos riqueza, menos investimento e maior emigração – e isto, afectando sobretudo as pessoas mais talentosas, mais qualificadas, mais engenhosas e mais empreendedoras que são precisamente as que o país mais necessita.

Mas pronto, se a António Costa e a Catarina Martins lhes foi revelado num sonho esta profecia de que o caminho da prosperidade é este, deve ser mesmo porque é. Boa sorte lá com isso!

IRS – Um Imposto Que Para A Esquerda Nunca Será Suficientemente Progressivo

Em matéria de IRS não há “princípio da igualdade” que valha. A constituição no seu artigo 104º refere que “o imposto sobre o rendimento pessoal visa a diminuição das desigualdades e será único e progressivo, tendo em conta as necessidades e os rendimentos do agregado familiar.“. Isto é, em nome do combate à “desigualdade”, o princípio é tirar mais a quem mais tem (mais produziu) de modo a ficarem mais próximos de quem tem menos (menos produziu)  – a chamada “nivelação por baixo”.

Serve este post para demonstrar a irracionalidade, extremismo, populismo e demagogia de António Costa que ao mesmo tempo que aumenta a carga fiscal para níveis recorde, repete como um disco riscado que quer “aumentar a progressividade do IRS” para “aliviar a classe média”. Os dois clips abaixo são retirados de 2015 e 2019 respectivamente.

No primeiro grafico, elaborado com dados a partir daqui (dados de 2015) podemos constatar que o top 0,1% das famílias em Portugal paga 8,4% de todo o IRS (pagando em média 304.118€); o top 1,1% paga 28,3% de todo o IRS (pagando em média 58.497€); o top 3,4% paga 47,7% (quase metade) de todo o IRS (pagando em média 34.573€); o top 5,4% paga 57,7% (quase dois terços) de todo o IRS (pagando em média 21.768€); e o top 16,1% paga 84% de todo o IRS (pagando em média 10.267€).

IRS_Pago_Familias_Mais_Rendimentos

Analisando pelo lado das famílas com menos rendimentos, o bottom 65,6% das famílias no seu conjunto pagam apenas 4% de todo o IRS (pagando em média 111€) e o bottom 83,8% das famílas pagam 16,1% de todo o IRS (pagando em média 350€).

IRS_Pago_Familias_Menos_Rendimentos

Juntando os dois gráficos, observa-se que 84% de todas as famílias (aquelas com rendimentos menores) pagam apenas 16% de todo o IRS enquanto que apenas 16% das famílas (aquelas com maiores rendimentos) pagam 84% do total de IRS; sendo que 0,1% das famílias (precisamente 2.343 famílas) com maiores rendimentos paga em IRS mais do dobro do conjunto do IRS pago por 65,6% das famílas (precisamente 3.034.586 famílas) com menores rendimentos. 

Isto não é progressivo o suficiente?

Distribuicao_Populacao_IRS_Pago

Enfim, para a esquerda a progressividade do IRS nunca será suficiente. A esquerda só ficará satisfeita quando toda a população for igualmente pobre.

Nota: Este post é baseado em dois posts que escrevi sobre o mesmo assunto em 2015 e 2016. Uma vez que o o tópico permanece pertinente e actual (afinal de contas, António Costa é um disco riscado), optei por republica-los de forma ligeiramente adaptada. Os dados já têm alguns anos, mas se alguma coisa mudou durante o período da geringonça foi no sentido do agravamento da progressividade.