Explicando o conceito de produtividade

Frequentemente encontro por aí boas explicações sobre o que significa produtividade. É o caso de um curto vídeo, divulgado no Jornal Económico, da autoria do professor Nadim Habib, da Nova School of Business and Economics. Nesse vídeo o professor Nadim dá três boas dicas para as organizações melhorarem a sua produtividade, todas elas derivadas da mesma ideia: é fundamental descentralizar a decisão para que ela esteja presente em todos os níveis da hierarquia. Todos, na sua esfera de responsabilidade, devem ser capazes de decidir.

A discussão sobre a suposta (não) produtividade dos portugueses ganhou nos últimos dias algum mediatismo, quando uma personalidade da política europeia reduziu aquilo que é a nossa pretensa atitude enquanto povo, a uma versão adulta da fábula da formiga e da cigarra, em versão redlight district, que é como quem diz, por cá a malta gosta é de de copos e gajas.

O problema de vídeos como este – e não é uma crítica, na medida em que tudo o que lá se afirma me parece muito bem dito e explicado -, é que por vezes criam a sensação falsa que a produtividade depende apenas do fator trabalho, e da capacidade de nos organizarmos enquanto empresas dotadas de pessoas. E não estarei longe da verdade se afirmar que, com elevada frequência, na discussão comum, as análises sobre a produtividade no trabalho são motivo de forte incompreensão, porque existe a convicção – certa – que os portugueses investem mais horas a trabalhar que os seus congéneres europeus mais desenvolvidos. Culpam-se patrões, o colega do lado, a função pública, sem contudo se identificar aquela que é a razão que mais contribui para o nosso atraso relativo. E se há, sem dúvida, em alguns setores da nossa economia (em particular, nos serviços), uma má organização do trabalho, uma fraca gestão da empresa (por comparação com outras zonas económicas), ou um peso desmesurado dos gastos públicos face ao PIB, a raíz fundamental da nossa falta de produtividade não resulta, na minha leitura, do fator trabalho, ou do número de horas que a generalidade dos portugueses dedicam à sua profissão (o mesmo já não direi do peso dos gastos públicos, logo, dos impostos, no PIB, que penalizam a acumulação de capital, mas isso fica para outras núpcias).

Se olharmos para os dados da produtividade do trabalho na UE, ficamos espantados quando constatamos que a mais elevada taxa de produtividade se situa no Luxemburgo, país onde residem e trabalham centenas de milhares de portugueses. E a explicação não é, como muitos possam pensar, que o emigrante se esforça mais no estrangeiro do que em Portugal (o que não quer dizer que isso não possa acontecer, mas não explica a diferença colossal de produtividade do trabalho, entre o Luxemburgo e a Alemanha, por exemplo, e Portugal).

A produtividade resulta da adequada combinação de todos os fatores de produção. Na definição de Say, serão fatores de produção a terra (terras aráveis, floresta, minérios), o trabalho (mão-de-obra) e o capital (máquinas, equipamentos, instalações, matérias-primas). A produtividade neste sentido mais simplista pode ser definida, assim, como uma medida de eficiência na combinação dos diversos fatores de produção. O problema está em que para que uma empressa – ou um país – sejam produtivos, devem ser capazes de combinar todos estes fatores da forma relativamente mais eficiente.

Imaginem o seguinte caso. Uma determinada companhia aérea do país A possui três aviões, voando sempre com quatro pilotos, três chefes de cabine e oito funcionários de cabine. Uma empresa concorrente, do país B, para o mesmo número de aviões, viaja apenas com dois pilotos, um chefe de cabine e cinco funcionários de cabine. Em terra, as malas no país A são todas elas descarregadas à mão, demorando em média mais 30 minutos a ser carregadas e descarregadas do que no país B, que dispõe de um moderno aeroporto, construído sem luxos mas bem pensado do ponto de vista logístico. No país A a carga fiscal é 15% superior ao país B, porque é necessário pagar salários a pessoas ocupadas em funções menos eficientes (como carregar malas). Os aviões da companhia do país A, como esta dispõe de pouco capital, são mais antigos, consomem mais combustível, e passam mais tempo na manutenção em virtude da idade, voando assim menos horas (daí os aviões operarem com mais pessoal). O que acaba por acontecer é que a empresa do país B é muito mais produtiva do que a do país A, apesar dos trabalhadores da empresa do país A trabalharem mais horas, não só em pleno voo, mas na manutenção e na logística – para não falar das vezes que o avião avaria, e o pessoal fica preso num país distante, por vezes, durante 24 horas. Se o problema do excesso de pessoal a bordo resulta de má organização do trabalho, já os restantes, associados à logística e à antiguidade das aeronaves, são fruto de uma ineficiência relativa ao nível do capital.

Desde longa data que o nosso atraso não resulta do facto dos portugueses trabalharem pouco, ou poucas horas – antes pelo contrário – mas de termos pouco capital: o que obriga a desvalorizar o preço do trabalho. Se pensarmos bem, quando dispomos do capital adequado, e fazemos o mix correto entre terra, capital e trabalho, as nossas empresas são competitivas. Pouca maquinaria, má matéria-prima, pouco investimento, perpetuam a baixa produtividade. É por essa razão que muitos criticam as atuais opções governativas, e não estão entusiasmos com aquilo a que se assiste na política económica da geringonçanomics. Num país que precisa de crescer, o governo optou por reduzir o investimento, subindo as pensões e os salários. O cumprimento nominal da meta do défice é positiva, na medida em que onera menos as gerações futuras. Ao privilegiar, de forma radical, porém, a reposição salarial em sacrifício da redução fiscal e do aumento do investimento, estagna-se o crescimento, adiando o país. O mesmo acontece com muitas empresas que, estando hoje exclusivamente preocupadas com a produção atual, estão a conseguir bons resultados, sem contudo acautelarem a sua reestruturação e o investimento. É isso que os obervadores externos nos dizem, há mais de um ano, penalizando violentamente os juros da nossa dívida nas maturidades mais longas. Porque são muitos os que, fora daqui, com uma visão imparcial, estão convictos que a nossa economia, com reduzido investimento em alguns fatores críticos na área do capital, e com uma política apenas focada  na manutenção de direitos e na sobrevivência política do Governo, não vai conseguir crescer o suficiente para dar sustentabilidade à dívida e alimentar, no futuro, o país. E isto devia preocupar os portugueses, sobretudo os mais jovens. Pouco falta para que Portugal seja um país interessante, sim, mas para os que não são portugueses, ou seja, para aqueles que não têm de suportar o ónus da dívida do país, nem as suas profundas desigualdades.

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Dar graças pela propaganda ao défice

Eu compreendo que alguns amigos do PSD e do CDS se queixem de que fizeram o esforço quase todo de descida do défice desde os píncaros de 2010 e que sejam agora os do PS a proclamar o défice mais baixo em democracia. Eu compreendo que digam que foram feitos cortes dificilmente sustentáveis, como os cortes em reparação e manutenção de infraestruturas. Compreendo, para quem viveu a era Sócrates (que também reclamou para si, o menor défice em democracia), que suspeite de artimanhas contabilísticas que só descobriremos daqui a uns anos. Compreendo também aqueles que mencionam a injustiça de que durante anos houve queixas sobre o declínio da qualidade dos serviços públicos, quando a única coisa que estava a cair eram os salários da FP, e que em 2016, quando aconteceu o maior declínio dos últimos anos graças às 35 horas e aos cortes de custos intermédios, já ninguém se queixe. Compreendo tudo isso. Mas parece-me que estão a esquecer o ponto essencial: nós temos um governo de socialistas, apoiado por comunistas e bloquistas, que apregoa aos sete ventos que um baixo défice público é sinal de sucesso governativo. É claro que a importância dada pelo PS ao défice é resultado do facto de a população portuguesa também estar hoje mais atenta do que estava há uns anos. Mas este enfoque do PS nos números do défice apenas vem reforçar essa percepção. Quanto mais propaganda o PS fizer ao défice de 2016, maior será a percepção da importância do défice público, mais este passará a ser um indicador de sucesso governativo ao qual nem partidos de “direita” nem de esquerda poderão escapar. Tome o exemplo deste post do deputado socialista Porfírio Silva (um dos ideólogos da esquerda Costista):

Há 2 ou 3 anos era impensável ver um deputado do PS dizer estas coisas evidentes. O défice de 2016 trouxe a esquerda mais à esquerda para o clube dos que acham que um défice baixo é sinal de sucesso. Tudo isto ficará gravado para a história. Em quarenta anos de democracia, esta deve ser a primeira vez que há um consenso em relação aos méritos de ter contas públicas equilibradas. E isto é um enorme avanço para o qual a propaganda socialista está a contribuir bastante. Quando o ciclo político mudar e vierem socialistas queixar-se do excessivo enfoque no défice público, bastará lembrar-lhes das centenas de cartazes como este que cobriram o território nacional, por muito enganadora que a mensagem seja.

Da Atouguia a Teixoso

“A CGD é um banco público para quê? E as regras europeias condenam os bancos públicos a uma gestão privada? O exemplo da Caixa responde a estas perguntas.”

Destaque do meu artigo de hoje no ECO – Economia Online. Sobre a CGD e o significado de banco público.

Sobre fugas de informação e outras coisas

Imagine o leitor que era um juiz ou um procurador a investigar alguém muito poderoso. Possivelmente, uma das pessoas que mais poder e influência acumulou em 40 anos de democracia. Essa pessoa tem uma rede de contactos que se estende do mundo empresarial à imprensa, passando, claro está, pelo poder político. O leitor sabia que, mais tarde ou mais cedo, essa rede de contactos iria começar a funcionar no sentido de impedir a sua investigação. Sabia também que quando os amigos do investigado voltassem ao poder, haveria muitas pressões no sentido de acabar com a investigação. O que fariam nessa situação se quisessem blindar o caso? Simples: patrocinariam fugas de informação para que a opinião pública entendesse a gravidade da situação, tornando assim muito mais difícil que o caso viesse a ser arquivado por pressões externas. Tendo que optar entre a justiça e o segredo de justiça, qual deve ser a escolha?

Offshores e a Caixa Geral de Depósitos

De acordo com a notícia do Expresso, as obrigações subordinadas que fazem parte do plano do governo para aumento de capital da Caixa Geral de Depósitos, e que andam a ser vendidas a investidores pelo Professor Rebelo de Sousa, serão colocadas no Luxemburgo por forma a fugir aos impostos e despesas de colocação em Portugal. Serão ainda utilizadas duas participadas nas ilhas Caimão, tal como aconteceu em colocações anteriores. Isto não será título no Acção Socialista Jornal Público amanhã, mas serão largos milhões que, por escolha dos gestores do Banco Público, passarão por offshores nos próximos meses. E uns milhares de impostos que ficarão por pagar em Portugal. Estamos a falar do banco público, com uma administração escolhida directamente pelo governo apoiado pelo BE e PCP. Como diz o ditado: offshores no bancu dos outros é refresco.

O Efeito Centeno

Esta semana, Mário Centeno em entrevista ao Financial Times, alertou os mercados que “[Portugal] não estava a ser tratado de forma justa”.

Três dias depois destas declarações de Mário Centeno, as taxas de juro da dívida pública portuguesa a 10 anos no mercado secundário encontram-se em grande subida, superando o valor de 4,2% (na altura em que escrevo este post) e aproximando-se de máximos de três anos.

É caso para falar do “Efeito Centeno”.

E que tal mexerem-se?

“A regulação bancária deve definir regras pela negativa, que delimitem o que não se pode fazer, e relativas a práticas concretas. Seria muito mais útil do que muitas micro medidas.”

Destaque do meu artigo de hoje no ECO – Economia Online. Sobre a regulação bancária em Portugal.

LSE ranked top university in the UK and second in the world for social sciences

LSE ranked second in the world for social sciences

For the fifth year running LSE has been rated as the top university in the UK and second in the world for social science and management subjects.

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Aos 15 anos era federalista, agora já não acredita

“Foi assim que Jean-Claude Juncker, qual vencido da vida, se assumiu há dias sobre o futuro federalista da União Europeia.”

Destaque do meu artigo de hoje no ECO – Economia Online. Sobre o livro branco da Comissão Europeia quanto ao futuro da UE.

Um possível B. Bretch dos nossos dias

Primeiro levaram os passistas,

Mas eu não me importei

Porque não era nada comigo.

Em seguida levaram alguns dirigentes,
Mas a mim não me afectou
Porque eu não sou dirigente.

Depois prenderam os que tinham dinheiro,
Mas eu não me incomodei
Porque nunca fui rico.

Logo a seguir chegou a vez
De alguns jornalistas, mas como
Nunca estive ligado ao jornalismo, também não liguei.

Agora levaram-me a mim
E quando percebi,
Já era tarde

Socialistas à beira de um ataque de nervos ameaçam o Conselho de Finanças Públicas

O que deixou os socialistas e seus anexos à beira de um ataque de nervos com as declarações da presidente do Conselho de Finanças Públicas, a prestigiada economista Teodora Cardoso?

Em maio a Comissão Europeia poderá propor ao Conselho Europeu, que analisará e decidirá sobre essa recomendação em junho/julho, que seja revogado o procedimento dos défices excessivos aberto em 2009 contra Portugal.

Digo poderá e até creio que é o que vai acontecer. Mas não é forçoso que aconteça. Não basta a um estado reduzir o défice para 3% do PIB ou menos para o conseguir. É preciso, para além disso, que a Comissão entenda que o estado em causa adoptou medidas correctivas que garantem uma redução duradoura do défice excessivo, que se possa presumir que ele não volta a furar o limite no horizonte mais próximo.

Ora: Portugal terá reduzido, vai dizendo o governo, o défice para 2,1%. Isso não é conclusivo. Como é que o fez? A minha estimativa muito prudente, muito prudente mesmo é a de que as medidas extraordinárias e irrepetíveis, como tal a serem classificadas pela Comissão Europeia, portanto sem real significado do ponto de vista da correcção do défice, ascenderam a cerca de 800 milhões de euros, o que equivale a 0,4% do PIB. Repito: trata-se de uma estimativa muito prudente. Joaquim Sarmento, em artigo que recomendo vivamente anteontem publicado no Observador, estima um pouco mais: 0,5% do PIB. O défice que conta já vai em 2,5/2,6%. O esmagamento do investimento público, para níveis totalmente insustentáveis, ascendeu, nas minhas contas, a 0,5% do PIB (0,6% segundo Joaquim Sarmento), o que, tendo em consideração que insustentável era já o nível em que o investimento público se encontrava (o investimento que tem sido feito não repõe, nem de perto, o consumo de capital), recomenda que se considere como normal um défice acrescido pelo menos em mais 0,5% do PIB. Neste momento, ainda a procissão vai no adro, e estamos já com um défice de 3,0% a 3,1%.

Como é óbvio, a consolidação orçamental em 2016 foi um embuste total. A Drª Teodora Cardoso, que é paga para dizer que é isso que se passa, quando é isso que se passa, veio dizer que é isso que se passa. Sucede que a opinião da Drª Teodora Cardoso não é uma opinião qualquer: é a opinião da Presidente do Conselho de Finanças Públicas, que tem por lei, entre outras missões, a de vigiar o cumprimento das regras orçamentais relevantes e a solidez da gestão orçamental. Ela disse implicitamente que Portugal não cumpre as regras e os resultados obtidos não valem um caracol.

A Comissão Europeia até pode, como tem feito, vazar os olhos, assobiar para o lado, fingir que não se passa nada. Mas ficou mais difícil, a partir das suas declarações de anteontem.

A ideia de que patrioticamente a Drª Teodora se deveria ter calado é uma ideia de pulhas encartados. Patriótico é reduzir o défice a sério, evitar o desastre que se aproxima. Patriótico é denunciar o que só pode contribuir para a ocultação grave do desmando orçamental que foi o ano de 2016, para evitar que ele se repita, ou tornar difícil a quem governa cometer a repetição.

A Portugal não interessa a ausência de vigilância e não interessa a falta de pressão dos mercados. Somos governados por bestas, que só conhecem a linguagem do chicote.

As reações do Partido Socialista são no mínimo alarmantes. Vivemos num ambiente que lembra bem a era dos saneamentos do PREC. Aparentemente, o Partido Socialista e os seus aliados não recuarão enquanto a totalidade das instituições que formam a arquitetura do regime não estiver sovieticamente alinhada com a facção que se instalou no poder.

Onde é que isto vai parar? Se a atual maioria se atrever a passar das ameaças aos atos, liquidando ou esvaziando ou limitando o Conselho de Finanças Públicas, podemos bem dizer que o regime entrou em nova e adiantada fase de decomposição.

Isto está realmente muito perigoso. Como não estava há 42 anos.

Núncio mentiu

A direita tem este extraordinário super-poder para amplificar, pela trapalhada, casos que deveriam ser menores. Paulo Núncio fez isso hoje mesmo ao desdizer aquilo que afirmou na sua primeira reacção ao caso das offshores.

Dia 24 de Fevereiro de 2017
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Dia 1 de Março de 2017
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Fica lançada assim a dúvida sobre o porquê da primeira reacção. E torna-se cada vez mais importante saber de quem eram as transferências não tratadas. Agora, qualquer que tenha sido a intenção inicial, ficará sempre a pairar a sombra da mentira. Teremos o caso bolota por mais uns dias. Agora com um pouco mais de justificação.

Tapar o cometa com a bolota

Publico aqui o pequeno texto que o jornlista Bruno Faria Lopes escreveu no Twitter. Curto, mas revelador:

Desde 2010, com omissões pelo meio, que os relatórios de combate à fraude e evasão fiscais mostram dados relevantes para o caso das offshores. A receita que resulta de acções inspectivas a transferências para offshore é muito baixa: 4500 euros em 2010, um milhão em 2015. A inspecção do Fisco às transferências declaradas pela banca é por amostragem – são milhões de transferências, não se pode ver tudo. A escassa atenção do Fisco tem razões: vale mais focar inspecções onde se descobre mais receita fugidia: IVA é melhor exemplo. Isto não exclui investigação sobre este caso: porque não se publicitou, se houve favor a alguém, quanto imposto se perdeu, mas sugere que se terá perdido pouco imposto. E alarga perguntas: que critérios usa o Fisco para amostragem das inspecções? Repare-se que podemos (e devemos) fazer esta pergunta para qualquer acção inspectiva sobre qualquer imposto. Sobre resultados: combate à fuga no IVA rendeu 600 milhões em 2015. Inspecções a transferências para offshores deram um milhão.

4500 euros foi o montante de impostos obtidos com inspecção a offshores no último ano do governo Sócrates. 1 milhão de euros foi o obtido em 2015. O montante obtido com as inspecções mal deve ter dado (em 2010 certamente não deu) para pagar os salários dos inspectores envolvidos na inspecção. É disto que falamos no caso das offshores. No entanto, este caso serviu para desviar as atenções de um outro caso onde os contribuintes estão prestes a meter 5,9 mil milhões de euros. Para termos a noção das dimensões, ficam aqui os números por extenso:

Impostos obtidos com fiscalização a offshores em 2010: 4.500
Impostos obtidos com fiscalização a offshores em 2015: 1.000.000
Dinheiro dos contribuintes que será injectado na Caixa: 5.900.000.000

Mas talvez isto não chegue para perceber a diferente dimensão dos problemas. Para quem ainda assim não percebeu, a diferença de impacto nas finanças públicas de um problema e outro é a diferença de tamanho entre o cometa Halley e esta bolota:

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Mas não continuará a faltar quem nos queira alimentar bolotas, enquanto alguns as deglutirem com satisfação para fingirem que o cometa não está a cmainho. Continuemos então a deixar-nos alimentar por isto.

financiar a inovação ou os lobbies?

“O ‘Interface’ é um novo programa de apoio à inovação. Vai o Governo realmente financiar a inovação ou estará o executivo a enredar-se numa armadilha de captura?”

Destaque do meu artigo de hoje no ECO – Economia Online. Sobre o financiamento da inovação em Portugal e a captura do Estado.

A subserviência às “razões de Estado”

O Rui Ramos e a Graça, no Observador e no i, aqui e aqui, ambos publicam colunas de opinião onde, de uma forma que parece quase combinada, articulam as inconsistências inerentes ao suposto escândalo das offhores, ao silêncio da CGD, à incongruência do regime fiscal para residentes não habituais, e à resiliência da Zona Franca da Madeira. A Graça toca num ponto que, para mim, é particularmente caro, o da moralidade subjacente às narrativas dos aduladores do Regime. É chocante pensar quantas pessoas estão disponíveis para não verem as contradições que existem nas posições acima avaliadas, rasgando as vestes em defesa das “razões do Estado”, em vez de se colocarem ao lado da defesa intransigente do interesse de cada um dos cidadãos. País estranho este, em que o Bem-Comum já não é o que resulta da soma dos interesses individuais de cada um dos cidadãos, esgotando-se apenas no interesse do Estado e das suas soluções corporativas, em dissonância completa com valores básicos de uma sociedade saudável.

A direita geométrica

Diz o Nuno Garoupa no seu artigo no DN hoje:

Uma possibilidade é que, simplesmente, não haja direita em Portugal. Ou havendo, seria apenas uma direita geométrica, um eleitorado que, declarando-se centrista ou social-democrata nos inquéritos de opinião, não se identifica com os partidos de e da esquerda. Mas, segundo o Portal de Opinião Pública (da Fundação Francisco Manuel dos Santos), o valor médio da orientação ideológica está ao centro (4,8 numa escala de 1/esquerda a 10/direita no final de 2012), ainda que a evolução tenha sido ligeiramente para a esquerda (5,5 em 1985). E está em linha com muitos países da Europa. O mito de os portugueses estarem mais à esquerda do que os seus parceiros europeus não tem grande fundamento nos inquéritos de opinião. Portanto, existe mesmo uma direita sociológica que, em conjunto com a tal direita geométrica, representa cerca de dois milhões de votos desde 1975.

Sendo eu um defensor desse tal “mito” de os portugueses estarem mais à esquerda do que os seus parceiros europeus, fiquei com curiosidade de ir ver o que é que os dados mencionados pelo Nuno Garoupa diziam. Em baixo podem ver o valor médio das respostas dos eleitores nos diferentes países ao Eurobarómetro (últimos dados são de 2012):

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Como podem ver pelo gráfico acima, Portugal é o 3º país da Europa onde, em média, os eleitores se colocam mais à esquerda, o que contraria a conclusão do Nuno Garoupa. Podemos sempre argumentar que, de facto, os números não são substancialmente diferentes de outros países europeus. Mas não nos podemos esquecer que estes valores são auto-declarados. Sabendo isto, o eleitor de cada país terá sempre em conta a situação específica do país onde mora. Por exemplo, um eleitor do SPD alemão anto-posicionar-se-à mais à esquerda, de acordo com o contexto político-partidário alemão. Já um eleitor típico do PSD, com uma ideologia semelhadante à do SPD alemão (eu sei que o PSD português pertence ao PPE), já se posicionaria um pouco à direita porque para si, ser de esquerda é apoiar o PS, o BE ou o PCP. Sendo um posicionamento auto-declarado, será de esperar que a resposta tenha sempre em conta o contexto específico do país e por isso a média esteja sempre muito próximo do 5. No entanto, mesmo considerando estes factores, Portugal continua a ser um dos países onde os eleitores mais se posicionam à esquerda. Isto tem, obviamente, reflexos no sistema partidário.

O resto do artigo de Nuno Garoupa, apesar da premissa que me parece errada, tem alguns pontos interessantes. Os partidos de direita têm vergonha de o ser. Pior do que isso, por terem medo de os combater, alimentam muitos dos preconceitos que existem em relação à direita, contribuindo para que o país continue a ser de esquerda.

Mais preocupante do que isto, Portugal é um dos países mais à esquerda no contexto europeu. Mas no contexto mundial, a Europa já é, de si, uma região bastante à esquerda. Não existe nenhuma região do mundo desenvolvido mais politicamente à esquerda do que a Europa: EUA, Japão, Oceania e Sudoeste asiático, todas estas regiões estão politicamente à direita da Europa. Ou seja, Portugal está à esquerda da região mais à esquerda em todo o mundo. E, cereja no topo do bolo, tem o governo mais à esquerda que o país teve nos últimos 40 anos. Tudo para dar certo.

Última hora: saíram 10 milhões de euros por dia da Caixa Geral de Depósitos desde que Mário Centeno tomou posse

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Desde que Mário Centeno tomou posse como ministro das finanças saíram cerca de 10 milhões de euros por dia para offshores do banco público. Nenhuma destas transferências pagou imposto. Mário Centeno sabe de tudo isto, conhece os valores e mesmo assim decidiu não fazer nada, deixando que 10 milhões de euros saiam todos os dias do banco público. Mais surpreendentemente, BE e PCP nunca questionaram o governo sobre esta fuga de capitais do banco público.

Tanto o título deste post como o primeiro parágrafo são factuais (quer dizer, podem ser 9 ou 11 milhões de euros a sair por dia, mas andará nestes valores). O leitor mais perspicaz terá ficado surpreendido por a informação ser dada como notícia. Os números são o que são (leia-se, normais) e não se alteraram muito nos últimos anos. Na medida em que existem mais de 80 países no Mundo que Portugal considera paraísos fiscais, é normal que se transfira dinheiro para esses países, esmagadoramente para pagar por bens e serviços que adquirimos a esses países. No entanto, a combinação da expressão “milhões” e “offshores” será sempre explosiva, qualquer que seja o contexto. Talvez por isso o governo tenha achado por bem divulgar esta informação agora na altura mais complicada do mandato. Se o português médio tivesse capacidade crítica, não ligaria nada a um caso que consiste na não publicação de estatísticas tão importantes que ao longo de 4 anos ninguém se apercebeu que não estavam a ser publicadas, ou pelo não tratamento de transferências legais, que quase nunca tinham sido tratadas antes (a lei é de 2010) e cujo pouco tratamento anterior nunca tinha resultado em consequências relevantes. Pelo menos, não se deixaria levar no engodo de esquecer um caso como a Caixa Geral de Depósitos, onde foi aplicado dinheiro dos contribuintes e efectivamente perdido em empréstimos que o banco público se recusa a divulgar. Não se deixaria levar no engodo de esquecer um caso em que presidente da República, Primeiro-ministro e ministro das finanças entraram em conluio para violar uma lei de transparência, enganar a comissão europeia e depois mentiram repetidamente sobre isso. A classe política sabe que pode distrair os portugueses de questões fundamentais com engodos irrelevantes, desde que esses engodos incluam a combinação certa de palavras para criar indignações. Desde que esses engodos joguem com preconceitos e a iliteracia económica da população.
O governo, e possivelmente o presidente da República, conseguiram isso. Mais uma vez, a máquina de comunicação do PS fez um excelente trabalho. Para o bem e para o mal, a máquina de comunicação do PS é que mais próximo existe de profissionalismo a sério na actividade política em Portugal. De longe.

Deve Ser Isto O Virar Da Página Da Austeridade

No ano de 2016 registou-se a maior carga fiscal de sempre em Portugal – 34,7% do PIB. Ainda bem que está virada a página da austeridade!

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No gráfico, a carga fiscal inclui impostos diretos, indirectos e contribuições sociais efectivas.

Nacionalizado ao facebook e twitter do Jorge Costa.

Trump e o fim da imprensa livre

O Presidente Trump – numa ruptura com aquela alínea da constituição que o obriga a aturar jornalistas que dissertam abundantemente sobre a sua saúde psicológica e a sua vida sexual – restringiu hoje, de várias formas, o acesso a alguns elementos da imprensa americana, no que podemos interpretar como um passo dado na estrada do totalitarismo.

O passo seguinte, como lemos ao longo da história, passará pela criação de uma entidade ao serviço do estado, sob a farsa do serviço público, entidade essa que beneficiará políticos e compadres e que servirá para, além de derreter dinheiro do povo, enfeitiçar as vulneráveis mentes da população.

Mais gravoso – e a derradeira estocada na imprensa livre – seria que o Presidente Trump usasse a sua influência e a dos seus amigos ricos para, além de controlar através do estado essa tal entidade pública, encetar um plano de domínio dos mídia privados, pondo assim termo a qualquer esperança que a civilização ocidental e os homens livros por este mundo fora pudessem guardar.

Resta-nos combater Trump em todas as frentes, não vão os seus sucessivos atentados à liberdade de imprensa culminar num modelo totalitário, directamente retirado das distopias ficcionais e replicado no mundo real.

Alguém sugere exemplos? Eu conheço um.

E assim vamos, em pequenos passos, de Obama a Hitler. São as tácticas do salame. Insultam-se os jornalistas em horário nobre, afirma-se que eles não podem continuar a “mentir”, até se criam páginas de facebook, tomadas por assessores, a fim de desmistificar os “truques da imprensa”. Se este é, de facto, o caminho que o Presidente Trump quer seguir, devemos socorrer-nos de todos os meios para o travar. Não vão os EUA transformar-se no exemplo que, por esta altura, todos temos na cabeça. E não, não me refiro a Hitler.

CEO da Ryanair sobre a ANA, a aposta em Lisboa e o novo aeroporto do Montijo

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O CEO da Ryanair é, obviamente, parte interessada no tema, pelo que as suas declarações devem ser interpretadas sob esse prisma. No entanto, vale a pena ler o que ele tem para dizer sobre a nova base aérea do Montijo e o monopólio da ANA (a privatização da ANA em bloco foi um dos grandes erros do governo anterior). Está aqui tudo: desde o potencial desaproveitado na Portela, aos problemas com o monopólio da ANA, à possibilidade de crescer nos aeroportos de Porto e Faro e ao excesso de investimento planeado para o Montijo. Uma entrevista muito elucidativa.

A ANA já pegou no telefone para vos perguntar se estão interessados em voar para o Montijo?
Não. Porque a ANA não nos quer a voar no Montijjo.

Acha?
Sei que é assim

Como assim? Os estudos apontam para o facto de haver uma certa dependência da Ryanair para que o projecto funcione.
A sério? E o que fazem é adiar a decisão? O Montijo deveria estar aberto já no Verão do próximo ano. É possível construir um terminal low cost em menos de 12 meses, por cerca de 25 milhões de euros. Mas a ANA está a falar em gastar 250 milhões, em demorar quatro anos, e em fazer estudos. O que é que vão andar a estudar? Os aviões já lá estão.

Há questões ambientais por determinar, por exemplo, o impacto nas aves.
O caso dos pássaros….É só pegar em duas shotguns e o problema dos pássaros resolve-se… A sério, já lá levantam e pousam aviões.

Que condições exige a Ryanair para voar para o Montijo?
Essencialmente taxas mais baixas, muito mais baixas do que as que são cobradas na Portela. E imagino que estas são condições exigidas pela maioria das companhias de aviação. O meu receio é que a ANA diga: olhem, tivemos de gastar 250 milhões para fazer o Montijo, por isso as taxas vão ser as mesmas do que na Portela. Ninguém vai querer voar para lá.

Já se refere que a mobilização das companhias para o Montijo será feita com taxas aeroportuárias mais baixas.
Então aí estaremos para ajudar a crescer a região. Mas esse é outra questão que é preciso desmitificar: a ANA anda a dizer que a Portela está cheia quando isso não é verdade. Eles dizem que os terminais estão cheios, mas a maior parte do dia estão vazios.

A Ryanair tem conseguido fazer todos os voos que quer? Tem slots para isso?
Na verdade, não. O problema é que já não podemos estacionar mais aviões, pô-los em Lisboa durante a noite, para levantarem às primeiras horas da manhã. Mas se tivermos o avião estacionado noutro sítio qualquer, podemos chegar à vontade, a meio da manhã ou a meio da tarde.

E isso não é bom para a Ryanair?
Sim, vivemos bem com isso. Mas significa que não podemos operar mais voos de manhã cedo para o segmento de negócios, e para os passageiros que querem sair de Lisboa de manhã cedo e regressar ao fim do dia. Essa é uma maneira com que a ANA está a proteger a TAP, e a limitar-lhe a concorrência.

Quando acha mesmo que vai conseguir bater a TAP?
Acredito mesmo que vai acontecer. Com o crescimento que anunciámos esta quinta-feira, de três novas rotas em Lisboa, e uma nova no Porto, eu acredito que nos próximos dez anos chegaremos aos dez milhões de passageiros. A TAP movimenta 11,5 milhões.

E não precisa do Montijo para isso?
Não. Podemos crescer no Porto ou em Faro. Também queríamos crescer na Portela, mas a verdade é que temos estado a ser bloqueados. Por isso, sim, gostávamos de ter o Montijo. Vamos receber em breve os primeiros dos 250 aviões que encomendámos para aumentar a nossa frota de curta distancia. Até 2023 vamos passar dos actuais 120 milhões de passageiros transportados por ano para os 200 milhões. Será uma média de dez milhões de passageiros por ano, um crescimento que poderemos oferecer a aeroportos como Portela, Porto ou o Montijo

O que é mais importante para a Ryanair quando está a negociar com as autoridades aeroportuárias?
Coisas simples, as mesmas que pedimos em todos os aeroportos: taxas baixas e instalações eficientes. Se não conseguirmos fazer a rotação em 25 minutos, não voamos para esse aeroporto.

Conseguem fazê-lo sem problemas na Portela?
Sim. Usamos o terminal 2, que eles deviam expandir. Mas não querem fazê-lo. A ANA está sempre a inventar problemas.

A ANA é mais problemática dos que as outras autoridades aeroportuárias com que lida?
Sim, muito mais. Primeiro porque são um monopólio. Segundo porque estão a crescer. Enquanto conseguir limitar o crescimento da Portela a 4% ou 5% ao ano podem continuar a subir os preços das taxas. É o que vão fazer, no próximo ano, apesar de gerir os aeroportos que mais estão a crescer na Europa. Como é que as taxas estão a aumentar quando o tráfego está a crescer? Olhe à volta. Schipool, em Amesterdão, est a reduzir as taxas 7% este ano, os aeroportos espanhóis comprometeram-se abaixar 2% ao ano, nos próximos 5 anos. O que se passa em Portugal. Nada. É um monopólio. E francês.

(Nota: numa entrevista com tanto conteúdo interessante, no link originalo Público decide destacar a única frase que é claramente a brincar na entrevista. Péssima escolha)

The Fountainhead​ – versão castelhana

País sem governo tem crescimento económico que supera as melhores expectativas (via Público):

Espanha cresceu 3,2% e superou todas as expectativas – PIB da maior economia ibérica cresceu em 2016 mais do que era antecipado por toda a gente, incluindo o Governo.

Execução da Derrama no Porto no periodo 2010-2015 – correção de erro

Pedido de desculpas aos leitores d’O Insurgente: Não gosto de não corrigir aquilo que sejam as minhas assunções erradas. Não me refugio no “INE”, nem em supostas “faltas de informação”, nem em argumentos redondos para esconder a fragilidade dos meus argumentos – deixo isso para o MPCEnganei-me ao assumir os mapas de orçamento para os valores da Derrama, em vez de procurar os valores da execução, fragilizando com isso a minha argumentação. Se a memória não me falha, foi a primeira vez que isso me aconteceu, em 15 anos de blogosfera, o que me deixa particularmente chateado. Mais irritado fico porque, o que é que se esperava que MPC fizesse como contraponto? Que demonstrasse, com base nos valores da execução orçamental, que as minhas conclusões estavam erradas, e as suas, certas. É para isso que servem os números, para sustentar conclusões. Este blogue existe para debater, e esclarecer as pessoas. Mas não foi isso que aconteceu. Tomando apenas por base os valores de 2013, e sem os comparar com aquilo que são os valores nacionais, MPC extrapolou uma conclusão que lhe fosse benéfica, sem fazer uma demonstração sustentada. Isso causou perturbação, criou uma nebulosa que não me agrada. Não gosto que um erro meu seja motivo para especulação e manipulação da realidade. Não vos vou maçar mais com este debate, mas não posso deixar de retificar o meu erro, para não ficar, por minha culpa, uma ideia errada no ar. Junto assim os dados corretos. Cada um que tire as suas conclusões.

Abaixo divulgo os dados da execução da Derrama no Porto no período 2010-2015, com base naquilo que são os valores apurados pela entidade oficial competente, a DGAL, comparando-os, como se exige, com os valores da receita nacional neste tipo de imposto:

comportameno-da-derrama

O que estes dados nos dizem – e penso não estar errado nesta leitura – é que a receita com a Derrama, no Porto, nos anos 2014-2015, está em linha com aquilo que foi a receita com a Derrama nos anos 2010-2012, apesar de, em 2014-2015, a Autarquia ter desagravado a taxa reduzida, para 1%. Nota-se que esta taxa de 1% em 2014-2015 compara, em 2010 e 2011, com uma taxa de 1,40%. Em termos absolutos, o ano de 2015 nesta amostra é o segundo pior, em termos de receita, mas se comparado com o que é o comportamento da receita em termos nacionais, e se assumirmos que houve um desagravamento de taxa, é razoável assumir que o ano de 2015 está em linha com os anos de 2010 e 2011, e bastante acima do ano horribilis de 2012.

Nota 1: Por uma questão de simplicidade, não vos apresento os valores da derrama desde 2003, mas o que esses números mostram é que a receita do Município do Porto em sede de Derrama sofreu uma queda gradual, entre 2003 e 2012, mas que em termos percentuais, face ao total nacional, foi tendo um comportamento estável. Na verdade, entre 2003 e 2009, o ponto máximo de receita da Derrama do Porto face ao valor nacional, foi atingido em 2004 (6,03%), sendo o pior registo o de 2006 (4,99%). Em todos os restantes anos, a receita cifrou-se entre os 5 e o 6%. Importa agora perceber se desde 2013 há um ponto de inflexão, ou não. Para isso teremos de esperar pelos resultados de 2016 e 2017, para ter mais elementos para assumir uma tendência.

Os dados relativos a 2016 (que, nos termos legais, deverão ser aprovados, diria, até finais de Abril de 2017), ajudarão a perceber se o crescimento da Derrama no Porto, verificado em 2013 e 2014, é consistente, ou se, pelo contrário, estes dois anos foram extraordinários no universo da amostra 2003-2015.

Nota 2: Convém notar que a Lei n.º 2/2007, de 15 de Janeiro, alterou significativamente o modo de apuramento da Derrama, que passou a incidir sobre o lucro tributável, e  não sobre a colecta, o que nos deve levar a usar de prudência nas comparações entre os exercício anteriores e posteriores à aprovação desta Lei.

Fui igualmente tentar perceber se o desvio entre os valores orçamentados e executados, em sede de Derrama, verificados em 2015, resultariam de um eventual “optimismo” da atual edilidade (o que poderia dar suporte à ideia de que se pratica uma política de “anúncios”), ou se seriam um padrão próprio daquilo que são as dificuldades de previsão deste tipo específico de receita, e o resultado é o seguinte:

orcamentado-vs-executado

Nota 3: A razão pela qual só comparo a partir de 2011, resulta do facto de não estarem disponíveis online os mapas de orçamento anteriores a esse exercício. Penso, em qualquer caso, que a amostra poderá ser considerada razoavelmente consistente.

Cada um retire agora as suas conclusões, sobre se faz sentido ou não acenar com um declínio do Porto com base nestes números, ou dissertar sobre uma suposta falta de rigor da atual liderança da Câmara face às anteriores.

Nota final: Apesar de ser amigo do Rui Moreira desde longa data, não o apoiei na última eleição, tendo aliás manifestado inúmeras críticas e reservas à sua candidatura, exclusivamente por causa de alguns dos seus compagnons de route. Deixei isso bem claro num texto que publiquei aqui, no Insurgente, “Pela derrota política de Torquemadas, calimeros, e das suas vizinhas do bairro”. As razões que me levaram a não apoiar Rui Moreira em 2013 são exactamente as mesmas que me levam a não apoiar Álvaro Almeida, em 2017. Como em 2013, nada me move contra o candidato, neste caso, AA (que, aliás, nem sequer conheço). Eu é que continuo no mesmo sítio de sempre – não idolatro ninguém, mas sei bem quais são os meus limites: não contem comigo nem para campanhas negras, nem para mistificações da realidade para agradar a cliques partidárias e outros grupos de índole gastronómica e lúdica. É uma pena, poderia ter tido uma grande carreira, mas nunca fui uma boa sopeira partidária.

Voltar ao manifesto dos 74

“O presidente da CIP recuperou a ideia da reestruturação da dívida pública. A ideia de reestruturar a dívida é tentadora. Mas muito cuidado com o efeito de ricochete.”

Destaque do meu artigo de hoje no ECO – Economia Online. Sobre a necessidade de perceber quem detém a dívida pública antes de discutir a sua reestruturação.

Notícias Sobre Transferências Para Offshores: Descubra as Diferenças

Jornal Público28 de Abril de 2016, há cerca de quase um ano atrás.

offshores_abril_2016

Jornal Público, 20 de Fevereiro de 2017, há três dias atrás.

offshores_fevereiro_2017

Quanto ao timing desta notícia e as proporções que a mesma tem tomado, deixo as razões à imaginação dos caros leitores.

Alternative Facts

No dia 1 de Setembro de 2015, Antóno Costa afirmava que era uma ilusão que a resolução do BES não acarretaria custos para os contribuintes (fonte).

costa_setembro_2015

Já o mesmo António Costa, no dia 22 de Fevereiro de 2017 (ontem) contradizia o António Costa de Setembro de 2015 (fonte), afirmando com a mesma cara de pau expressão que o estado em caso algum perderá qualquer parcela dos 3900 milhões de euros.

costa_fevereiro_2017

Tudo normal, portanto.

Quando o erro de percepção se agudiza…

Caro RAF, os dados económicos que usei do INE são a prova do erro das tuas afirmações no teu post inicial sobre a entrevista do candidato do PSD à Câmara do Porto . 

Admito que até possam não  ser os únicos, mas nesse caso era bom que nos desses outros valores e indicadores para sustentar a tua ideia . 

Não vi nenhuma refutação quantificada, nem nenhuma contra-prova factual nos teus dois últimos posts dos dados que aqui apresentei. O declínio dos dois dados apresentados pelo INE é um facto. Em nenhum momento explicas como queres suportar a tese de que o candidato do PSD à CM Porto estivesse “fora da realidade” quando falou do declínio económico da cidade no mandato de Rui Moreira. Esse era o ponto de partida, ou a tua pós-verdade sobre o candidato do PSD, do teu post inicial que convinha recordar e esclarecer.  

Passando um pano sobre o tema das insinuações, que não existem no meu post, pois faço uma pergunta directa sobre as fontes, respondes então que, e passo a citar-te:

” Quantos aos dados da Derrama, recorri à informação disponível no site da CMP relativa mapas dos orçamentos: 2013 – 2014 – 2015 – 2016Informação pública e disponível.”

Esta era a tua prova factual e numérica, que tinhas trazido para a discussão no teu segundo post incluindo um gráfico. Mas destróis o teu próprio único argumento factual com dados que estão errados, como te demonstrei pela consulta do relatório de Gestão da Câmara do Porto no meu post anterior que não contestas (na prática houve declínio e não subida da Derrama no municipio do Porto). E a razão do erro é porque confundes mapas de orçamentos com  relatórios de gestão e essa forma de baralhaqr os eleitores e leitores deste blog já a vi ser praticada pelo Ministro das Finanças da Geringonça. 

Escuso de explicar a diferença entre os dois tipos de documentos, acredito que a conheças, mas que por qualquer lapso não tenhas reparado.

Para além dos eventuais dados úteis da Pordata ou da DGO , aproveita para consultar também os dados da evolução do emprego no Porto vs a Região Norte ou vs o País no site do IEFP nestes últimos 3 anos. Eu já o fiz mas não te quero maçar com mais números . Eventualmente ficarás surpreendido como o Porto fica mal na fotografia relativamente à Região Norte e ao País.  Não ficarias tão suprendido se acreditasses mais em mim e no Álvaro Almeida em vez de acreditares na Politica dos Anúncios do Rui Moreira que segue a cartilha da Geringonça.

Por mim, partilho da tua convicção sobre este ser um assunto encerrado com estes 3 posts, à la RAF e à la MPC. Quando jantamos?

Guia básico para procurar informação na net

Meu caro amigo, fico surpreendido que alegues que os critérios que escolheste – que, pela tua resposta, concluo que até tu já os abandonaste, uma vez que não refutaste nenhum dos argumentos que sustentei – resultam de falta de informação, refugiando-te no INE.

Dizes que recorreste ao INE, e cito, “(…) porque são os únicos números que nos permitem ter uma análise relativa do Porto no contexto nacional e da Região Norte (…)”. Os números do INE são “os únicos números?”. Por amor da Santa!

Ora então, nunca ouviste falar no PORDATA? Até têm uma secção específica para dados relativos aos Municípios portugueses. Se quiseres ainda mais dados, no site da DGO estão publicados todos os fluxos financeiros da administração central para as autarquias, o que inclui a cobrança das receitas fiscais que lhe são devidas. Mas a melhor fonte de todas, é  o Portal Autárquico, com informação exaustiva sobre as contas de gerência dos Municípios todos. O que não falta é informação. O próprio site da CMP é rico em informação. Toda a que necessitas, e mais alguma. Sem necessidade de insinuares teorias da conspiração, e falta de dados, para justificares as tuas escolhas.

Quantos aos dados da Derrama, recorri à informação disponível no site da CMP relativa mapas dos orçamentos: 2013201420152016. Informação pública e disponível.

Não vislumbro assim motivos para que te refugies em “teorias da conspiração”,  no argumento da “falta de fontes e de informação”, ou no discurso da insinuação. Isso, não. Da minha parte, a la Marcelo, dou este capítulo por encerrado por aqui, pois está já a ficar desinteressante para os leitores. O que não significa que não o continuemos, os dois, à volta de uma mesa, sem maçarmos quem por aqui passa.

Fontes credíveis s.f.f., ou falta de Rigor com Rigor se paga

Meu caro amigo Rodrigo Adão da Fonseca (RAF) como reparaste e destacaste no teu último post eu usei os números do INE. O Instituto Nacional de Estatística. Usei uma fonte credível. 
Fi-lo porque são os únicos números que nos permitem ter uma análise relativa do Porto no contexto nacional e da Região Norte. E fi-lo também porque são os únicos possíveis ter para o Município do Porto apresentando o disclaimer, como pessoa intelectualmente honesta que me considero ser, de que eram dos poucos valores que havia disponíveis para fazer o contraponto da tua acusação de falta de rigor do candidato à Câmara do PSD. Se outros dados existissem te-los-ia usado, para relativizar o declínio (ou não) da minha cidade natal.

Mas se as exportações e o número de edifícios construídos/licenciados não satisfazem a realidade alternativa a este declínio “factual” que pretendes construir, não faças posts com o erro de não citar a fonte dos números da Derrama Municipal no gráfico usado (que enferma dos meus pseudo-defeitos de formatação).  

Poderias partilhar connosco, ávidos leitores d’O Insurgente, de onde retiraste estes números da Derrama que aparecem no teu post? Qual é a fonte? Não deve ser o INE …

É que eu fui à net e consultando o Relatório de Gestão da CM Porto de 2014 e de 2015,  que já são mandatos do Rui Moreira, descobri na página 68 do primeiro destes relatórios, que a Derrama Muncipal cobrada no ano de 2013 , último mandato de Rui Rio, tinha sido de 16.654 milhares de Euros.

Mas, ooops , “surprise”, o valor de 2016 afinal é um valor … abaixo do cobrado em 2013 ! 

E fica cerca de 10% abaixo do orçamentado para 2016 (coincidente com o último ponto do teu gráfico), ao contrário do crescimento que afirmas no teu post.

Ou seja em vez de crescer 41,86% acumulados no período, afinal a verdade (sem truques e com uma fonte credível como deve ser um relatório de Gestão Anual da Câmara) é que a Derrama que nas tuas palavras dizem “…alguma coisa de relevante” e que “…não discrimina o tipo de actividade económica…” mostra uma descida de 10% após 3 anos de gestão de RM. 

Talvez também seja interessante entender se no contexto nacional e da Região Norte tal evolução negativa da Derrama no Porto tem algum paralelo para contextualizar esta queda.

Recuso-me a aceitar que tenhas cometido, como pessoa competente que és, este lapso. Esta minha forma de pensar acerca das tuas capacidades, está nas antípodas da tua forma algo deselegante de argumentar . 

Mas cá estou eu para encaixar o “fogo amigo”, como bom cristão e teu amigo, dou-te a outra face. 

Quando a ansiedade conduz à falta de rigor, e a amizade a trocar os pés

O texto que publiquei aqui teve o condão de levar o Manuel Puerta da Costa (“MPC”) a tirar as mãozinhas da beira da lareira para vir dedilhar um pouco ao Insurgente. É de saudar o primeiro post do ano (palavras do próprio no FB). Infelizmente, não sei se por falta de prática, ansiedade de vir defender o amigo Álvaro Almeida (palavras do próprio no FB), ou adesão aos maus hábitos da pós-verdade, o que é certo é que o resultado produzido é penoso, apesar de tentar esconder a falta de acerto num suposto “rigor estatístico”. Esclareço.

Seguindo a ordem do texto, caro MPC, os investimentos que enunciei não são, nem “anúncios”, nem “futuros”. A Critical Software já funciona com normalidade no antigo edifício dos CTT, o mesmo ocorrendo com a Euronext, cujo processo de instalação termina até Junho de 2017. O próprio Natixis, cujo projeto de instalação se estende por três anos, está já em execução, tendo arrancado em 2016. Não são “anúncios”, são projetos reais, em funcionamento, tendo a CMP, por razões diversas, tido intervenção na sua atração.

Bola para bingo, leio um MPC muito agarrado aos números, tendo para o efeito – pasme-se a sofisticação! – recorrido ao INE – fascinante! E que “dados” selecionou para mostrar que “as coisas estão muito mal?”: o das “exportações de bens por localização geográfica”, e os dos “edifícios licenciados para obras de edificação”.

O primeito aspecto que me cumpre destacar é que, para quem está TÃO preocupado com o rigor, o intervalo temporal selecionado seja o de “2012-2016”. Ora, sabido, como se sabe, que Rui Moreira foi apenas eleito em Outubro de 2013, tendo tomado posse já próximo do final do ano, diria que o intervalo a selecionar seria “2014-2016” ou pelo menos, “2013-2016”, o que torna desde logo a posição de MPC muito confusa – e pouco amiga do rigor com que se unge. Mas adiante. Infere-se pelas escolhas dos indicadores, que MPC defende que um centro urbano como o Porto mede a sua pujança económica pelo nível de atividade industrial concentrada no concelho (já que a atividade industrial é o que verdadeiramente define o volume de exportações). Ora então, devemos ignorar que o concelho do Porto é um centro urbano com uma área muito limitada, integrado numa área metropolitana que tende a crescer a sua zona de influência para as regiões limítrofes? Devemos ignorar que por questões legais e ambientais o Porto, enquanto concelho, está condenado a esvaziar-se de indústria? Que a sua vocação enquanto centro habitacional e de serviços, convida a que se planifique em integração com os concelhos que lhe são adjacentes, com outras condições para a atividade industrial e logística? MPC facilmente poderia ter percebido que este indicador não faz sentido nenhum na avaliação daquilo que é o Porto, hoje, se tivesse resistido às tentações, bastava ter olhado para as ditas estatísticas do INE, e constatado que na rubrica “exportações de bens por localização geográfica”, os concelhos pujantes são, imagine-se, concelhos como Azeitão e Famalicão, e não Porto, Lisboa, Coimbra, ou cidades de características semelhantes. A menos que MPC defenda uma fábrica de automóveis em Campanhã, ou chaminés de fábricas de pneus no meio do Parque da Cidade, ou indústria têxtil a debitar resíduos para o Douro, ou panificadoras no meio do Marquês, com entradas e saídas de matérias-primas e mercadorias para uma cidade de morfologia complexa, necessidade de tratamento de resíduos, armazenamento de stocks, entre outras operações próprias da atividade industrial. A sério, não se compreende, que não para enganar pavalvos, a escolha de semelhante indicador. Para concluir, neste contexto, não vejo nenhum problema que a Philips (com a manufatura que pratica) se mude para Gaia, onde faz muito mais sentido que funcione, e que o Porto se vocacione para outro tipo de atividades, como a que desenvolve a Critical Software. Feitas as contas, é toda a região que beneficia, sendo para mim, e para a generalidade dos cidadãos, indiferente que cor política governa o Porto ou Gaia.

Não satisfeito com a vontade de esgotar o espaço urbano com fábricas, e não vendo nisso uma contradição insanável, MPC considera que o declínio na rúbrica “edifícios licenciados para obras de edificação” é também sinónimo de crise. Pois tenho opinião diversa. Longe vão os tempos em que o Porto se fazia da edificação. O que importa hoje fazer é recuperar património e as áreas degradadas da cidade. Ora, não é preciso ir ao INE, nem alongar-me em palavras, para sustentar que a tendência marcada na cidade, hoje, é a recuperação do património, e aí sim, a CMP tem cumprido o seu papel: basta dar um curto passeio na cidade, e observar a realidade que entra pelos olhos dentro, mesmo para quem tenha umas certas dioptrias de origem política.

Mas que não me acusem de não gostar de números. No meu caso, porém, prefiro outros números, que digam alguma coisa de relevante. Por isso, se o objetivo é medir o valor da atividade económica no concelho (se é que faz algum sentido avaliar as coisas assim, dadas as limitações das autarquias), meu caro MPC, há um indicador bastante mais completo, rigoroso e objetivo que as estatísticas do INE que escolheste, de seu nome, “Derrama”. A avaliação com base na Derrama tem inúmeras vantagens: não discrimina o tipo de atividade económica, e é além do mais resultado da geração de lucros – todos eles conceitos bastante simpáticos para malta liberal como nós. Na análise da Derrama, o teste que interessa, o do algodão, não engana – é o chamado dinheirinho em caixa. Ora então, o que nos diz a Derrama, o dinheirinho em caixa? Entre 2013 e 2016 a receita do Município com a Derrama cresceu, em termos acumulados, 41,86%:

derrama-2

Por fim, e sintetizando – que desconstruir pós-verdades ansiosas dá trabalho -, tenho de dizer que não sou fã de parquímetros, mas que aceito a contragosto que sejam necessários para a regulação do trânsito nas cidades. Ora, MPC poderia ter referido que nada neste mandato foi feito neste âmbito que não em continuação da política definida por Rui Rio, e que todas as medidas entretanto tomadas tiveram votação favorável do PSD na Assembleia Municipal. Poderia, também, referir que a única rectificação à política de Rui Rio que foi assumida por Rui Moreira visou desonerar os residentes de zona, que passaram a pagar taxas desagravadas, de apenas 25 euros por ano, introduzindo equilíbrio numa medida que asfixiava os moradores, a quem não se destinam os parquímetros.

MPC puxou dos galões de “economista” e de uma suposta paixão por números para sustentar a sua tese. Depois de analisar o que escreveu, fiquei com vontade de recordar uma famosa anedota, que reza:

Um matemático, um engenheiro e um economista candidataram-se ao mesmo emprego. O entrevistador chamou o matemático e perguntou-lhe, “Quanto é 2+2?”. O matemático respondeu. “4”. “Mas 4 exatamente?”, indagou o entrevistador. O matemático olhou surpreso para o entrevistador e disse “Sim, 4 exatamente”. Chamou o engenheiro e perguntou-lhe a mesma questão: “Quanto é 2+2?”. O engenheiro disse-lhe: “Em média, 4, acrescente ou tire 10%, mas em termos médios, é 4”. Por último chamou o economista e perguntou-lhe, com mais reverência, “Senhor Economista, quanto é 2+2?”. O economista levantou-se, trancou a porta, fechou a cortina, sentou-se ao pé do entrevistador e perguntou-lhe baixinho: “Diga-me uma coisa, amigo … o que é que você quer igualar?”.

Pois é, MPC, o resultado não é famoso, quando arranjamos uns números à pressa só para  ajudar os amigos. Para a próxima, vê se te esforças: até porque como teu amigo, também mereço mais como contraditório, do que umas pós-verdades amanhadas num post sem links nem formatação adequada.