Definição Técnica de Cara de Pau

Ora bem. Depois do que sucedeu nas eleições legislativas de 2015 com o Partido Socialista a criar um precedente na história da democracia portuguesa, é preciso ter muita cara da pau para proferir estas declarações (notícia retirada daqui):

José Gomes Mendes, Secretário de Estado do Governo PS, Ameaça Camilo Lourenço e Defende a Censura

À esquerda, tudo é permitido, tudo é tolerado. Na passada Sexta-Feira, José Gomes Mendes, professor universitário (* suspiros *) e secretário de estado do planeamento, escreveu no facebook do Camilo Lourenço em resposta a um post muito crítico sobre a ministra da saúde o seguinte:

Basta. Nem tudo é possível em democracia. E o meu recado não é só para ele, é também para aqueles que lhe dão espaço nos seus canais informativos. Estou para ver se assobiam para o lado.

Não sei o que é pior: se a ameaça não só para o Camilo Lourenço mas para os meios de comunicação social; se a defesa em pleno século XXI da censura em Portugal.

À esquerda, tudo é permitido, tudo é tolerado. Imaginem se um episódio igual a este tivesse acontecido durante o governo de Passos Coelho, e certamente os leitores se recordarão de toda a espécie de insultos por parte da esquerda e da comunicação social ao governo de direita da altura.

Leitura complementar: Coisas que um secretário de Estado não pode dizer

O Chucha-lismo Continua Em Grande Em Portugal

Bem dizia Frédéric Bastiat há mais de cem anos atrás, que entre trabalhar e viver do seu próprio trabalho; ou viver do trabalho alheio, o homem preferia viver do trabalho alheio. E desde que o homem descobriu que o podia fazer de forma “legal” influenciando as leis, o homem tem se tornado mais sofisticado na apropriação (aka saque) do trabalho do outro, sempre em nome de grandes valores e do bem estar da sociedade geral.

Não obstante terem conseguido a introdução da lei da cópia privada, de terem obrigado as empresas de streaming a incluir no seu catálogo 30% de conteúdo local, como a a chucha-lice não tem fim, eis que conseguiram agora obrigar as empresas de streaming a pagar uma taxa de 1% dos respectivos proveitos, taxa essa que reverterá para os parasitas do Instituto do Cinema e Audiovisual (ICA) e que servirá para “a financiar a escrita, produção, distribuição e exibição de obras de cinema e televisão em Portugal” – portanto, artistas de grande gabarito cujas obras ninguém pretende sustentar de livre vontade.

Certamente continuarão a tentar enganar o papalvo, dizendo que quem paga a taxa são as empresas e não os clientes – como se as empresas tivessem outra fonte de rendimento.

De realçar que as empresas de streaming são principalmente estrangeiras, e cuja adesão é inteiramente voluntária.

Vai ficar tudo mal: a vertigem do Covid-19

Anunciar a evolução do número de novos casos sem associar o crescimento no número de testes realizados é uma má prática que continuamos a difundir diariamente.

Estranharia que no mundo hoje não estivéssemos a conseguir fazer muito mais testes do que em Abril deste ano. A consequência de se fazerem mais testes é que, necessariamente, há mais casos positivos identificados, por comparação com o pico da crise em Abril. Do mesmo modo, não é líquido que o aumento da testagem a nível mundial não tenha sido acompanhado de uma perda de eficácia, resultante da (má) qualidade de alguns testes, ou até, das suas características (rapidez e simplicidade por vezes implica menos rigor na testagem), com necessário impacto nos chamados “falsos positivos”, ou seja, pessoas que tendo testado positivo, efetivamente não estão com o vírus.

Não me interpretem mal: é importante monitorar a evolução da doença, e rastrear é fundamental; sou totalmente a favor da testagem massiva. Os testes são uma componente essencial da gestão duma pandemia.

Agora, estar diariamente a endeusar estes números e a difundi-los de forma alarmista e até à náusea, sem os interpretar à luz de outros dados bem mais relevantes – como o número de mortos, a sua faixa etária, morbilidade, internados, internados em UCI – é próprio de uma sociedade masoquista dominada pelo pânico.

As melhores frases durante/sobre a crise pandémica


(edição revista e aumentada até 8.10.2020)

“Há baixíssima probabilidade de vírus em Portugal. A OMS está a exagerar um bocadinho.”
Graça Freitas

“Apelo para que visitem os lares: sejam solidários.”
Graça Freitas

“Não usem máscaras. As máscaras dão falsa sensação de segurança.”
Graça Freitas

“Testes? Testes negativos dão falsa sensação de segurança.”
Graça Freitas

“Esta semana chegam 500 ventiladores. Outros tantos após a Páscoa.”
Lacerda Sales

“Então nós íamos mascarados para o 25 de Abril?”
Ferro Rodrigues

“Não é necessário usar máscara. A AR é um edifício grande.”
Graça Freitas

“Admito a possibilidade de celebração do 13 de Maio.”
Marta Temido

“Já tenho um esquema para ir à praia.”
Marcelo Rebelo de Sousa

“Senhor Presidente, isso não é permitido.”
Elemento da segurança de Marcelo Rebelo de Sousa

“Não vai haver austeridade.”
António Costa

“Tracei as linhas gerais para um plano a 10 anos em 2 dias.”
António Costa e Silva

“Comigo ninguém falou sobre qualquer plano.”
Mário Centeno

“Nos aviões não é necessário distanciamento porque as pessoas só olham para a frente.”
Graça Freitas

“A realização da fase final da Champions em Lisboa é um prémio para os profissionais de saúde.”
António Costa


“O que nós queremos é que venham muitos estrangeiros.”
Graça Freitas

“Que bom que foi poder ver o Algarve sem as filas e as enchentes de sempre.”
António Costa

“A pandemia pode ser uma oportunidade para a agricultura portuguesa.”
Maria do Céu Albuquerque

“Que cada um de nós recorra à horta de um amigo. Não açambarquem.”
Graça Freitas

“Admitimos retaliar contra países que impedem entrada de portugueses.”
Augusto Santos Silva

“Aparecem mais casos porque estamos a testar mais.”
António Costa

“A Câmara Municipal de Arcos de Valdevez, como forma de proteger as crianças que regressaram esta segunda-feira ao jardim de infância, criou um dispositivo que ajuda a manter sempre o distanciamento social. A solução surgiu sob a forma de um chapéu com quatro héllices.”
CMAV

“A Junta de Freguesia de São Martinho do Porto levou a cabo uma acção de desinfecção do areal da praia com um tractor e uma solução que continha hipoclorito, no início de Maio.”
JFSMP

“Vá, dentro do elevador cada um virado para o seu lado.”
Graça Freitas

“Até agora não faltou nada no SNS e não é previsível que venha a faltar.”
António Costa

“É muito difícil fazer previsões quando o mundo mudou em 360 graus em dois meses”
António Costa

“População menos educada e mais pobre poderá estar a potenciar uma maior incidência da epidemia no norte.”
TVI

“Existe, de facto, um produto muito eficaz, um produto que mata todos os micro-organismos e, portanto, bactérias e vírus, e que consegue durante um mês essa mesma segurança. Há uma película que é formada em torno das superfícies onde ele for aplicado.”
Matos Fernandes

“Estou aqui sem nenhuma proteção porque tenho a certeza que nem a Cristina nem nenhum dos adjuntos que estão aqui, que aliás são muitos, não representam qualquer tipo de problema para a minha saúde. Sei disso olhando para eles.”
Francisco George

“Por que é que aquilo só afeta os chineses?”
Cristina Ferreira

“Se isto é um milagre, o milagre chama-se Portugal.”
Marcelo Rebelo de Sousa

“Não é patriótico atacar agora o governo.”
Rui Rio

“Confinamento é para manter diga a Constituição o que diga”
António Costa

“Nesta guerra, ninguém mente nem vai mentir a ninguém. Isto vos diz e vos garante o Presidente da República.”
Marcelo Rebelo de Sousa

“É menos perigoso do que a gripe”.
Jorge Torgal

“Vai ficar tudo bem.”
Sem autor atribuído

“Quero felicitar o Senhor Presidente da República neste 4º aniversário da sua tomada de posse, com votos de que o ano que agora se inicia seja assinalado pelo mesmo nível de sucesso, aproveitando para o congratular pelos resultados negativos no teste efetuado.”
António Costa

“As Câmaras Municipais do Porto e de Vila Nova de Gaia informam que a noite de São João se comemora a 23 de junho, ontem.”
CMP/CMVNG

“Cerca sanitária no Porto? Neste momento, e provavelmente hoje será tomada uma decisão nesse sentido, a ser equacionada entre a autoridade de saúde regional e nacional e o Ministério da Saúde, obviamente.”
Graça Freitas

“É mentira, é mentira.”
António Costa

“Se o primeiro-ministro puxou as orelhas à ministra teria certamente razão.”
Marta Temido

“A falsa frágil como as orquídeas que ama.”
Fernanda Câncio

“Existe nas últimas semanas uma ligeira subida numa tendência que é de estabilização da descida.”
Marcelo Rebelo de Sousa

“No se trata de Lisboa, sino de algunos barrios de municipios vecinos. No existe ninguna relación con el centro de la ciudad de Lisboa donde se celebrará la Champions.”
António Costa
“O antibiótico é para combater o vírus.”
António Costa

“Temos uma enorme dificuldade em pronunciar o nome das pessoas, uma enorme dificuldade em comunicar.”
Rui Portugal

“Ir assim para a rua mamar copos sem máscara sem nada, hum…, não é boa ideia.”
Marta Temido

“As vacas não deixaram de existir e a poluição baixou.”
Maria do Céu Albuquerque

“Um dia será o Reino Unido a precisar de quem agora está em baixo.”
Marcelo Rebelo de Sousa

“Com maus chefes e pouco exército não conseguimos ganhar esta guerra.”
Fernando Medina

“Ministério da Saúde não se pode deixar capturar pela crítica fácil e pela má-língua.”
Marta Temido

“Pandemia pode ser oportunidade para resolver problemas no acesso à habitação em Lisboa”.
Fernando Medina

“A questão do Estado de Direito não deve ser relacionada com as negociações sobre o plano de recuperação”.
António Costa

“Nós não estamos aqui para festas de anos de ninguém.”
Mark Rutte

“Ponto mais crítico da contração económica já ficou para trás.”
Siza Vieira

“Vamos beber o drink de fim de tarde.”
Graça Fonseca

“A melhor forma de dar a volta a esta crise é o crescimento económico.”
Siza Vieira

“O meu objetivo não é apurar a responsabilidade de surtos nos lares.”
Ana Mendes Godinho

“Não o li, mas a Ordem dos Médicos fez-me chegar o relatório e já pedi que o analisassem.”
Ana Mendes Godinho

“É fácil ficar no nosso consultório e passar o dia a falar por videoconferência para as televisões.”
António Costa

“É que o presidente da ARS mandou para lá os médicos fazerem o que lhes competia. E os gajos, cobardes, não fizeram.”
António Costa

“O Senhor Primeiro-ministro não reproduziu integralmente e fielmente aquilo que minutos antes tinha reconhecido à Ordem dos Médicos.”
Ordem dos Médicos

“Diga aos portugueses para votarem noutro Governo.”
Marcelo Rebelo de Sousa

“Nunca pensei que chegássemos a cinco dias da Festa do Avante sem conhecer as regras do jogo.”
Marcelo Rebelo de Sousa

“O encerramento das escolas não se devem ao facto de as escolas serem um local de contaminação mas pelo contrário a escola deve-se ao facto de a escola ser um local de contacto ser um local que favorece naturalmente a contaminação.”
António Costa

“A escola, em si, não transmite o vírus.”
António Costa

“O estudo do Instituto de Saúde Pública UPorto concluiu que não existe ligação direta entre as infeções da covid-19 e utilização do transporte ferroviário na Área Metropolitana de Lisboa.”
Pedro Nuno Santos

“É altura de deixarmos de pôr o país nas bocas do mundo, dizendo que a informação não é boa. Isso até nem é patriótico.”
Graça Freitas

“Uma vez que estive na reunião do Conselho de Estado a aplicação STAYAWAY COVID devia-me ter alertado. E não alertou.”
Rui Rio

“De acordo com estudo preliminar, o excesso de mortes em 2020 poderá dever-se à temperatura elevada.”
António Costa

Olof Palme vs. Louçã mentiroso

(…) a distinção entre preferências expressas e preferências reveladas. Traduzindo para português corrente, as expressas são as que dizemos ter quando alguém nos pergunta, ou seja, o que queremos pensar que somos ou o que queremos que outros pensem sobre nós, enquanto as reveladas são o que fazemos na prática, que demonstram o que realmente somos.

O Bloco de Esquerda expressa preocupar-se muito com os rendimentos mais baixos. Mas, quando confrontado com uma proposta que sobe o rendimento disponível de milhões de Portugueses, rejeita-a porque a mesma também beneficia uma minoria ínfima de “ricos”. E revela desta forma a sua real preferência e ambição: não é fazer com que deixem de haver pobres, mas sim que deixem de haver ricos.

Grande texto do Bruno Pinho, entitulado Olof Palme vs. Louçã (e seus discípulos).

Síndrome de Estocolmo portuguesa

Dois recentes acontecimentos da atualidade portuguesa fizeram eclodir uma ampla discussão que se tem vindo a movimentar por todos os seus refúgios. Desde o teclar furioso, triturador e surdo dos novos microditadores da opinião que habitam as redes sociais (e, quais caudilhos cegos às críticas e divergências, atestam a veracidade das suas opiniões pelo suporte ciberpopular que agregam), até aos espaços mais tradicionalmente mediáticos dos jornais. Uma nota: urge distinguir claramente estes dois espaços de opinião, enquanto a realidade o autoriza, uma vez que o progresso aponta para a vassálica aglutinação do segundo ao primeiro.

Os gatilhos dos corridos e escorridos rios de tinta e pegadas digitais foram, desta feita, o abaixo-assinado pela defesa da objeção de consciência na educação e a aprovação do curso de Medicina da Universidade Católica Portuguesa. Ainda a braços com uma crise sanitária e no prefácio do combate a uma colossal crise social e económica, há quem tome estes tópicos por de somenos, nomeadamente o relacionado com a disciplina de Educação para a Cidadania. Não poderia estar mais em desacordo, na medida em que a reação a ambos não poderia ser mais sintomática da limitadora relação de dependência dos portugueses para com o Estado, e do paternalismo retrógrado verificado no sentido oposto.

Direitos Humanos, Igualdade de Género, Desenvolvimento Sustentável: tudo domínios constituintes, entre outros, da disciplina em causa, e cuja apresentação a jovens portugueses considero positiva. Como motor de debate (nunca de doutrinação), pode até trilhar caminho para uma análise saudável de quais deverão ser os valores comuns para uma sociedade democrática e vibrante, uma sociedade em que se possa discutir sem acusações extremistas, por exemplo, se a própria obrigatoriedade desta disciplina se justifica. É, também e no entanto, um jogo perigoso, porquanto manuseia construções ideológicas mais ou menos contemporâneas, e, por isso, sensíveis a forças desestabilizadoras que podem manipular, ou até vir a dominar, essa contemporaneidade. Demais, a ténue linha entre doutrinação e fórum de debate está dependente de quem a leciona. A maior parte de nós concordará que deverá existir igualdade de oportunidades entre homens e mulheres, de forma a materializarem o seu rumo enfrentando o mesmo grau de obstáculos. E se for ensinado que um agressivo sistema de quotas é o meio ideal para atingir esse fim? A concordância não será tão universal neste caso, pois que o meio poderá rasteirar a meritocracia, já tão maltratada em Portugal. Não me choca a existência da referida matéria, como de igual modo não me espanta, minimamente, a objeção de consciência levantada, colocando a disciplina num plano opcional. De resto, por todas as suas especificidades, assim o deveria ser, não fazendo qualquer sentido que quem não a frequente se veja atrasado no seu percurso académico. Nem no seu percurso como cidadão.

O que mais admira nesta história é a vozearia que emergiu contra a objeção de consciência e o abaixo-assinado. Vozearia, em grande parte, de timbre autoritário, que vê como ultrajante um movimento em tudo natural de um pai para com os filhos, removendo do Estado o derradeiro papel de educador e transmissor de virtude. Mas só assim o entendem porque nele veem, desde 2015, uma plataforma para a veiculação dos seus valores, imutavelmente bons e melhores. Apregoam, de olhar fixo, o seu conceito de liberdade, mas assustam-se quando o pressentem em choque com o que tentam edificar. Ora, confundem tremendamente educação com escolaridade, e talvez devessem frequentar a disciplina que por estas semanas têm defendido, de forma a vislumbrar o quão triste seria uma sociedade que de uma disciplina dependesse para ser cívica.

Viajando, agora, para o segundo tema. Foi com grande satisfação que me cruzei com a notícia que dava conta da aprovação do curso de Medicina da UCP, uma verdadeira pedrada no charco num dos domínios que mais tabus encerra à sua volta em Portugal: a educação. Logo se fez ouvir o puritanismo de que só o ensino público poderia ministrar tal curso. Porquê? Grande parte, por tribalismo futebolístico, pelo que avancemos. Outra, antevendo uma resultante má qualidade profissional. Justo, a qualidade a quem confiamos a nossa saúde é algo que nos deve apaixonar.

Apaixonar, mas não toldar a visão. Não é, obviamente, por ser uma universidade privada que o ensino será pior. Demais, dado o contexto atual, atrevo-me a dizer que as provas apresentadas pela UCP certamente terão sido cabalmente positivas, pois facilmente se adivinharia o tumulto e escrutínio que se seguiria, e seguirá, a esta estreia. Claro que a qualidade poder-se-á vir a verificar má, e, se assim o for, que o mercado trate de curar, ou adormecer, o curso.

É, então, salutar que os portugueses demonstrem esta desconfiança vivaz para com assuntos que os apaixonem. Certo é que a nossa saúde nesse quadro se insere. Seria contudo ótimo que essa desconfiança não tivesse como força motriz o inflexível dogma ideológico, antes uma verdadeira ânsia de melhoria. Uma ânsia que levasse os portugueses a ser tão desconfiados, também, para com o governo e a máquina pública do Estado, que tanto impacto tem na nossa saúde. Temos, agora, cerca de 50 mil milhões de razões que viajarão de Bruxelas que fundamentam esse grau de exigência para com uma Administração Pública que tantas provas miseravelmente negativas tem dado. Concluo com um repto para que esses, os que mais gritam por liberdade enquanto de censória caneta na mão a impedem, prossigam com a exigência. Que combatam também a dependência melosa para com o Estado, para que a vida possa prosperar com e além dele.

José Campos Costa

Governo cria linha de crédito para financiar pagamento de impostos?

Em vez disto podiam… sei lá… diminuir impostos.

A medida ainda está a ser desenhada, mas ao que o ECO apurou destina-se a PME e profissionais liberais e pode ser usada para financiar o pagamento de qualquer tipo de imposto.

O Estado vai dar dinheiro, que vem de impostos ou que mais tarde será pago com impostos, para as pessoas/empresas pagarem impostos. É isto.

Niall Ferguson e Yascha Mounk sobre as Ameaças à Democracia Liberal

O primeira debate/conversa do novo projeto de Yascha Mounk, Persuasion, foi com o brilhante historiador Niall Ferguson. Embora considere a análise de Mounk geralmente equivocada (tanto por confundir conceitos como por aplicar análises semalhantes a contextos distintos), não devemos subestimar muitos dos seus avisos. Existe, efetivamente, um perigo no “populismo” que se Mounk se refere (o perigo está exatamente no referente de “populismo”, pois não creio que o sentido da palavra seja claro, pelo menos na forma como Mounk a utiliza). Ferguson não discorda de Mounk em praticamente nenhum ponto. Porém, o historiador britânico deixa claro que a perceção de relevância de Mounk (e de grande da media “liberal”) é completamente equivocada. O grande perigo iliberal vem não do “populismo” mas, antes, de muitos auto-proclamados liberais que, numa tentativa desenfreada de expiar os pecados da civilização ocidental, minam as suas instituições e práticas. Na verdade, o próprio populismo que Mounk denuncia pode ser lido, seguindo as lentes de Ferguson em The Great Degeneration (ou O Declínio do Ocidente, publicado pela D. Quixote), como um subproduto da podridão generalizada das instituições liberais clássicas. Deste modo, Ferguson defende que a grande ameaça à Democracia Liberal vem de uma esquerda crescentemente iliberal, anti-democrática, que vê nas instituições ocidentais a razão dos seus pecados (e não aquilo que os amenizou) e que, dada a sua visão de mundo, não consegue sequer contemplar ideias que nos parecem tão basilares como a liberdade de expressão.