Felizmente, é só a CGD

Insurgente Memória: a vitória de Hollande

Hollande anunciou ontem que não se irá recandidatar à presidência francesa, acabando o seu mandato como o presidente francês mais impopular de sempre. Com excepção de Le Pen (socialista de extrema-direita) e Melenchon (socialista da extrema esquerda), todos os prováveis candidatosde esquerda e direita  (Fillon, Macron e Valls) querem liberalizar a economia, flexibilizar o mercado de trabalho e baixar impostos, ou seja, perceberam todos que a única política que pode fazer a França crescer é aquilo que em Portugal se gosta de chamar “austeridade que mata”. Porque a história é importante e, nestes casos, bastante divertida, olhemos então para 2012 quando Holande foi eleito para percebermos quem esteve sempre do lado certo (e errado).

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o dilema do prisioneiro

“The payment order credits granted by the Bundesbank and the Dutch central bank are recorded as Target claims against the euro system. At the end of September, these claims amounted to €819.4 billion, with the Bundesbank accounting for €715.7 billion, which was 46% of Germany’s net external assets at midyear. Since the beginning of the year, both countries’ combined claims have increased by €180.4 billion, or €20 billion per month, on average. Conversely, the Target debt of the Southern European countries – Greece, Italy, Portugal, and Spain (GIPS) – amounted to €816.5 billion. For the GIPS countries, these transactions are a splendid deal. They can exchange interest-bearing government debt with fixed maturities held by private investors for the (currently) non-interest-bearing and never-payable Target book debt of their central banks – institutions that the Maastricht Treaty defines as limited liability companies, because member states do not have to recapitalize them when they are over-indebted. (…) If a crash occurs and those countries leave the euro, their national central banks are likely to go bankrupt because much of their debt is denominated in euro, whereas their claims against the respective states and the banks will be converted to the new depreciating currency. The Target claims of the remaining euro system will then vanish into thin air, and the Bundesbank and the Dutch central bank will only be able to hope that other surviving central banks participate in their losses.”, Hans Werner Sinn (“Europe’s Secret Bailout” no Project Syndicate). Destaques meu.

O texto de Sinn é mais um num crescente tomo de textos no sentido da tese do castelo de cartas. Todos escritos por alemães. Mas há que questionar: quem teria mais a perder com o colapso do euro? Os credores ou os devedores?

Banco mau: ao “book value”

“Discute-se há meses a criação de um banco mau, mas os voluntarismos políticos têm dado maus resultados, no Banif e na CGD, por exemplo. Senhores governantes, respirem fundo antes de qualquer decisão.”

Destaque do meu artigo de hoje no ECO – Economia Online.

o diabo da saúde

“As urgências dos hospitais podem entrar em ruptura no período de Natal e Ano Novo. A ordem dos médicos diz que várias unidades têm as escalas de médicos por preencher e nem as empresas de prestação de serviços conseguem garantir o número de profissionais necessário.”, hoje na RTP.

Caos nos hospitais portugueses, diz a Ordem! Ruptura à vista. Faltam médicos especialistas. Faltam até médicos tarefeiros. Há internos a fazer de especialistas. Internos?!? O quadro legal não está a ser respeitado. Onde está o Ministério da Saúde? E a ACSS? Ninguém responde?! Rasguem-se as vestes!

Ok. Muito bem. De acordo. Mas esperem lá… Não é esta mesma Ordem que diz que há médicos a mais em Portugal?! Não são estes mesmos senhores que propõem a redução do “numerus clausus”?! Que restringem o acesso às especialidades? Que viciam as estatísticas oficiais?! Que constituem uma das mais obscuras e influentes corporações em Portugal? Que diabo…!

O PSD na pocilga ideológica que homenageia ditadores

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Já era suficiente mau ter partidos na Assembleia da República capazes de propor votos de pesar por um dos últimos déspotas assassinos do século XX. Mas pior do que isso é ter um partido que deveria ser alternativa a optar por não se opor à homenagem a um tirano que matou dezenas de milhares de pessoas e condenou milhões à pobreza. Sim, o PSD absteve-se nessa votação. A pocilga ideológica que permite este tipo de coisas em Portugal também se faz destes silêncios cúmplices. Um dia negro na história do PSD. Uma nódoa difícil de tirar.

(Nota: 5 deputados (cinco!) do PSD tiveram a honorabilidade de votar contra. Foram eles: Pedro do Ó Ramos, Emília Cerqueira, Bruno Vitorino, Costa da Silva e Pedro Alves. 13 deputados do PSD apresentaram declaração de voto condenando a ditadura Cubana, mas ainda assim abstiveram-se. Foram eles: Duarte Marques, Miguel Morgado, Andreia Neto, Margarida Balseiro Lopes, António Leitão Amaro, Inês Domingos, Simão Ribeiro, Bruno Coimbra, Nuno Serra, Carlos Costa Neves, Margarida Mano, Rubina Berardo, Ricardo Leite)

Análise ao poema de Boaventura Sousa Santos, “a ti, Fidel, quero-te mais que o mel” (2016)

Originalmente intitulado “Fidel, melhor que Pantagruel”, finalmente renomeado para “Na morte de Fidel”, este poema épico em língua Portuguesa representa o rumo da pós-modernidade na sua encarnação encarnada de cor encarnada da literatura séria lusitana posterior a 22 de Setembro de 2002 ou até, afirmo com arrojo, superior a tudo publicado e não publicado após 14 de Junho de 2001, altura em que Bel’Miró lançou o seu livro “Z: o fim inevitável do alfabeto”. Escrito em verso hiper- e subsilábico que desafia os cânones literários e neurológicos, o seu autor, Boaventura Sousa Santos, oscila deliberadamente entre a devoção sentida ao comunismo, assassínio de homossexuais e revoluções culturais à lareira e a propensão para o capitalismo suga-contribuinte que o emprega, permitindo a proliferação de discípulos que avançam a ciência em áreas tão vastas como a hegemonia do ser branco não-instruído nos clubes de xadrez não federados da Lapónia ou da divisão infinitesimal do eu fragmentado sem recurso a Super Cola 3. Tão importante obra carece de uma crítica que a enquadre, que a emoldure para a plebe inculta por desprovida de jargão científico para a compreensão da hipersensibilidade do id perante a inferioridade pluriracial do Mr. Ed. É exactamente isso que Bel’Miró se propõe a fazer. Avante!

É urgente um verso vermelho
que suspenda a animação deste desastre
pensado para durar depois do inverno

O autor chama a atenção para a problemática do verso cor-de-rosa, nunca devidamente reconhecido pela Academia de Versos Azuis. O desastre pensado para durar depois do inverno [sic] refere-se à sua própria existência como ser público e académico, que pretende manter por muitos e bons anos, haja dinheiro para mandar cantar um cego.

É urgente um verso vermelho
com todas as cores do arco iris
e o vento natural do universo

O “arco iris” [sic] refere-se à bandeira dos movimentos LGBT, posteriormente denominados LGBTIOPASDJHSKWGnPC^|DFA€‰±GGONA*?=3-RT. O autor afirma que o universo tem um vento natural, não um criado pela luxúria humana, e que é necessário um verso, uma ordem, de cor vermelha, de sangue, que assegure a naturalidade do vento universal. Sugere então o autor que se assassinem os homossexuais, como Fidel Castro, a quem o poema é dedicado.

É urgente um verso vermelho
que ponha de novo em movimento os comboios da imaginação
azeite puro em manivelas de razão quente
o peso da história de novo levíssimo
a rodar sobre perguntas livres e ruínas vivas
a paisagem mudar primeiro lentamente
enquanto vão entrando vozes ainda submersas
e corpos mal refeitos da desfiguração da guerra e do comércio
das crateras e promoções

O autor propõe aqui o uso de azeite e sangue para movimentar os comboios da imaginação, como é natural. A dificuldade nos primeiros quatro versos está no significado de “comboio” que, para quem não sabe, é uma prática sexual em grupo exclusivamente masculino com a excepção da locomotiva, que não tendo que acoplar, sendo apenas acoplada, pode ser do género feminino, efectivamente, sem moralizar. Com o uso de “ruínas vivas”, o autor entra na auto-crítica introspectiva, sentindo as dores da dualidade entre os seus princípios filosóficos e a desfiguração do comércio que é alguém dar dinheiro a este homem para ele pensar. As “crateras e promoções” trazem o tema de volta para o sexo homossexual, com alusões pouco dissimuladas a esfíncteres e doenças venéreas, adquiridas gratuitamente através da vil sodomia que o autor pretende extinguir.

É urgente um verso vermelho
que desate os nós da memória e do medo
e resgate os rios da rebeldia
a palavra cristalina inabalável
inconfundível com as mordaças sonoras
à venda nos supermercados da ordem

Esta mordaz estrofe evidencia a vergonha que são as universidades portuguesas, verdadeiros supermercados da ordem onde vendedores de memória e medo vendem as mordaças sonoras que tornam o autor e outros pacientes do género em cristalinas figuras inabaláveis no seu domínio total pela opinião pública.

É urgente um verso vermelho
para anunciar barco polifónico da dignidade
pronto a navegar
os rios libertos das barragens calcinadas
dos sistemas de irrigação industrial da alma

Nesta estrofe, o autor limita-se a dizer que quer um aumento, que já não aguenta pensar pela plebe por tão poucos milhares de euros mensais.

É urgente um verso vermelho
uma luz manual portátil que vá connosco
sem esperar a que virá no fundo do túnel se vier
porque a cegueira da viagem é sempre mais perigosa
que a da chegada
talvez só entrega
talvez só paragem

Aqui, o autor exige desenvolvimento tecnológico, uma espécie de laser que lhe apontem aos olhos para que perca a cegueira da viagem e atinja rapidamente a plenitude da entrega na paragem, eufemismo para a morte. O autor desafia o leitor a que o mate, sabendo que não o fará, para que atingisse a luz ao fundo do túnel, evidenciando, como Fidel Castro, que a vida humana só tem significado quando a plenitude fraterna não é perturbada por dissidências desnecessárias.

É urgente um verso vermelho
que trace um território inacessível
aos vendedores de mobílias espirituais
e turismo de acomodação

O autor quer enjaular-se num território inacessível para vendedores de coisas que considera indignas, como a estabilidade espiritual e o conforto, o que é bonito e aconselhável, haja um médico que o leia.

É urgente um verso vermelho
vinho de bom ano para acompanhar
sonhos sãos e saborosos
preparados em brasas de raiva e a brisa da alegria

Aqui, o apelo à bebedeira mas de vinho não capitalista, aquele que é feito com brasas de raiva e brisa de alegria. Uma alegoria para explicar que não é necessário álcool para alguém, como o autor, pareça bêbado.

É urgente um verso vermelho
sem solenidades nem códigos especiais
para devolver as cores ao mundo
e as deixar combinar com a criatividade própria dos vendavais

A coda, o fim, o “fui ver era o Otávio”, a conclusão obviamente revolucionária para que, se o leitor achar que o autor é um parasita, entre por lá dentro e ocupe a universidade com a criatividade própria dos vendavais, colorida e solene, sem códigos especiais, como os dez mandamentos ou qualquer outra súmula da moralidade humana. É uma versão moderna de um “Rape Me” do grunge, finalmente substituída pela beleza contemplativa da estupidez dos Übermensch.

absolutamente lamentável

“O PS e o PCP votaram contra e o PSD absteve-se, bloqueando o fim da isenção do Imposto Municipal sobre os Imóveis para os partidos, proposta pelo CDS. Apenas o Bloco de Esquerda votou ao lado do CDS”, no Observador.

Numa altura em que os partidos estão mergulhados no descrédito aos olhos de uma larga franja da população, a manutenção destas isenções no IMI é uma vergonha. Depois não se queixem.

 

Voto de pesar do Partido Socialista pela morte de um ditador que assassinou mais de 20 mil pessoas

Voto de pesar n.º 159/XIII, apresentado pelo Partido Socialista
PELO FALECIMENTO DE FIDEL CASTRO
Faleceu no passado dia 25 de Novembro, com 90 anos de idade, Fidel Castro, estadista e dirigente histórico de Cuba, cujo percurso político alterou de forma decisiva o curso da vida do seu país. Ao longo dos anos exerceu inúmeras funções públicas na República de Cuba, como Primeiro-Ministro, entre 1959 e 1976, e Presidente do Conselho de Estado, entre 1976 e 2008, tendo igualmente exercido funções como Primeiro Secretário do Partido Comunista de Cuba de 1965 até 2011.
Desaparece, assim, uma figura de importância central na leitura do século XX e cujo legado na história latino-americana e internacional será certamente objeto de extensa análise historiográfica nas décadas vindouras e, tal como hoje já sucede, de intenso e apaixonado debate entre os que aderem ou se opõem ao seu percurso ideológico e político.
Determinante no aprofundamento das relações diplomáticas e de proximidade entre Portugal e Cuba após a Revolução do 25 de Abril (relações diplomáticas que nunca chegaram a ser interrompidas mesmo no quadro de mudanças de regime em ambos os países) Fidel Castro sempre estimou os laços que unem os dois povos e que, em inúmeros fora internacionais, com especial enfoque para as Cimeiras Ibero-Americanas, permitiu o reforço da cooperação e dos esforços para a estabilização das relações internacionais e para a criação de um espaço de partilha de desígnios de paz e aproximação cultural.
Num momento em que se vislumbram caminhos abertos para a ultrapassagem de bloqueios históricos do relacionamento internacional de Cuba com alguns dos seus vizinhos, cumpre realçar a importância dos caminhos de diálogo abertos, na linha de medidas progressivas de abertura manifestadas em vida pelo próprio Fidel Castro, e que podem contribuir para um futuro de progresso e aprofundamento de direitos fundamentais de todos os cubanos.
Assim, a Assembleia da República, reunida em plenário, expressa ao povo cubano e às instituições da República de Cuba o seu pesar pelo falecimento de Fidel Castro e pelo momento de luto que atravessam, reafirmando as ligações de amizade que unem os dois povos dos dois lados do Atlântico e a cujo o aprofundamento reitera a sua adesão e empenho.
Palácio de São Bento, 28 de Novembro de 2016

o PIB, o deflator, o défice e a dívida

Há cerca de mês e meio publiquei no ECO – Economia Online um artigo de opinião relativo à proposta do OE2017 ao qual chamei “Um orçamento habilidoso”. Nele identificava um conjunto de riscos, em particular a estimativa avançada pelo Governo para o PIB nominal. Desde então, confirmou-se o que previa: a única entidade dita oficial cuja taxa de crescimento do PIB para 2017 estava então ainda acima da estimativa avançada pelo Governo, a Comissão Europeia de Monsieur Moscovici, reviu-a em baixa (de 1,7% para 1,2%) e para abaixo do previsto pour son ami Mariô Centenô (1,5%).

Hoje foi a vez da OCDE fazer semelhante. Baixou a sua estimativa para 2017, embora apenas muito ligeiramente, de 1,3% para 1,2%. E baixou também o valor projectado para o deflator do PIB (de 1,0% para 0,9%). O deflator é importante porque tem influência directa sobre as estimativas das receitas fiscais, que são apuradas com base no PIB nominal (volume+deflator). E neste momento quer a OCDE quer a CE apontam para crescimentos do PIB nominal (de 2,1% e 2,5%, respectivamente) inferiores ao que é previsto pelo Governo português (3,0%). Sem surpresa, as projecções para o défice, induzidas pelo lado das receitas, também diferem das do ministério das Finanças. Para pior. E falta o lado das despesas…!

Evidentemente, o défice pode muito bem ser o que cada Governo quiser. Os malabarismos orçamentais deste ano são disso reveladores. Entre os pagamentos em atraso aos fornecedores do Estado, a retracção do investimento público enquanto variável chave de consolidação orçamental, e as cativações permanentes (vulgo cortes ou austeridade) que o Governo divulgou apenas no ocaso do ano (e apenas em inglês), o plano b que o spin do Governo garante nunca ter existido, chegaremos ao final de 2016 com o menor défice orçamental, mas a maior dívida pública, dos últimos 42 anos! C’est magnifique. Aguardemos, pois, por 2017. Provavelmente com défice um bocadinho maior e uma dívida pública maior ainda. Monsieur Moscovici? Oh mon Dieu! Monsieur Costa? (mestre do contra factual) “Se não tivéssemos tido de implementar os vossos cortes é que teria sido!”

o rato (2)

“Após a demissão de António Domingues da CGD, João Galamba deixou um pedido aos partidos de direita: que não sejam “dois partidos que não olham a meios para atingir os fins.” (via Negócios)

(da série “o rato”)

É engraçado que são precisamente aqueles que não olharam a meios que agora se queixam! Francamente, é preciso ter muita lata.

 

reformas antecipadas

Tenho, desde há muito, que a Segurança Social será a maior ameaça de longo prazo à economia portuguesa. O inverno demográfico registado nas últimas décadas e a discriminação negativa que em Portugal se pratica contra a família, estou certo, tratarão de o confirmar. A insolvência do sistema de pensões será assim a consequência de uma problemática que, embora potenciada por decisões políticas, é na sua essência demográfica. Naturalmente, num País que incentiva a indiferença e a ignorância dos cidadãos como escolhas racionais, só quando o céu se abater sobre os portugueses é que estes acordarão. Os políticos também, não fossem eles próprios (salvo excepções) produtos da mesma racionalidade.

Por esta razão, é para mim incompreensível que ainda existam em Portugal dois regimes de reformas antecipadas. No regime geral da Segurança Social só pode pedir a reforma antecipada quem tenha pelo menos 60 anos de idade e 40 anos de carreira contributiva. É um regime para portugueses de segunda, curiosamente a maioria dos portugueses. Já na função pública e afins, para portugueses de primeira, contam os 55 anos de idade e 30 de serviço. Na prática, os portugueses de segunda têm de trabalhar mais 10 anos, com a agravante de terem de começar a trabalhar 5 anos mais cedo, do que os de primeira. E quanto a equidade e justiça estamos conversados.

A incapacidade política de pôr termo a esta indecência tem sido transversal da esquerda à direita. É certo que ao longo dos anos têm existido algumas correcções. E que a existência de penalizações às reformas antecipadas também disciplina o sistema. Mas a dualidade de critérios permanece e é, por isso, inaceitável. É, aliás, duplamente inaceitável porque é a caixa geral de aposentações, e não o regime geral da segurança social, que mais depende das transferências do orçamento do Estado. Portugueses de primeira e portugueses de segunda. E não há quem acabe com esta pouca vergonha.

Proponho, assim, o seguinte: em vez de fazer convergir as regras no sentido das mais exigentes, que se faça ao contrário! Faça-se, pois, a convergência das regras no sentido das menos existentes, que hoje vigoram apenas para a função pública. Estou convencido que o partido que o fizesse ganharia muitos votos entre os portugueses de segunda (ainda que talvez pudesse perder entre os de primeira…). Talvez até se poupasse alguma coisa nas pensões a pagar. E talvez, talvez mesmo, se estimulasse o emprego! Seriam só vantagens. Nada como (não) tentar.

dá vontade de morrer (4)

“António Domingues demite-se” (via ECO – Economia Online)

Em suma, o indigitado presidente executivo da CGD acalentou até ao final a expectativa do regime de excepção que lhe haviam prometido. Mas in extremis, atraiçoado num acordo que não se concretizou, demitiu-se. Embora muito tardiamente (o que para sempre acalentará a questão sobre o que havia para não mostrar) António Domingues foi coerente.

Num país decente, esperar-se-ia agora que também o Governo fosse coerente. Porque o processo relativo à indigitação da administração foi mal conduzido do princípio ao fim. E também, verdade seja dita, porque ainda ninguém percebeu por que raio precisa a CGD de 5 bis. Digo mais: o Governo que meta 10 bis e qualquer um fará um grande trabalho na CGD! Tantas empresas estratégicas se tornarão viáveis (e tantas empresas viáveis se tornarão estratégicas). Tudo isto à conta do contribuinte, é certo.

A série “dá vontade de morrer” não acabou ainda.

Mensagem aos jornalistas sérios

Não morreu um líder histórico, nem um revolucionário, nem um lutador. Morreu, antes de tudo, um ditador sanguinário, responsável directo pela morte de 17 mil pessoas e pela pobreza extrema de largos milhões. A morte de um ditador noticia-se assim:

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E não assim:
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Ainda vão a tempo.

falsifiability!

A ideia de que as poupanças são necessárias para financiar o investimento é afirmada frequentemente por jornalistas, economistas e políticos e, verdade seja dita, está de acordo com o que é ensinado em quase todos os cursos de economia do mundo e com o que está escrito em quase todos os livros do mesmo tema. No entanto é falsa. A causalidade em questão assenta numa interpretação errada da identidade em Contabilidade Nacional, que diz que o investimento é igual à poupança (…) Como cada activo financeiro é o passivo financeiro de outro agente, no agregado (numa economia fechada ou no mundo inteiro) a posição financeira líquida é nula e, portanto, a melhoria do balanço só pode ser feita pela acumulação de activos não financeiros. Ou seja, no agregado, só podemos poupar activos não financeiros o que significa que o que poupamos é igual ao que investimos, ou melhor, o que poupamos é o que investimos. Como se pode, ver isto não diz nada acerca do financiamento do investimento. Neste aspecto as despesas de investimento não diferem em nada das despesas de consumo.”, Pedro Pratas (economista) no Jornal Económico.

Dizia Karl Popper que a busca de novo conhecimento se faz pela refutação do velho conhecimento. Popper chamou-lhe “falsifiability”. No entanto, não creio que seja o caso do texto citado em cima. Para além de não se perceber o que lá está escrito – pelo remate final do artigo (“ao incentivarmos a poupança podemos obter o efeito contrário do pretendido”), posso apenas presumir que se trata de defender o estímulo ao consumo como motor da economia portuguesa -, o autor parece esquecer-se de um pequeno detalhe (chamemos-lhe um pormaior) nada irrelevante: esquece-se que Portugal exibe uma dívida externa líquida de 100% do PIB.

O extremismo que nos deveria preocupar

O conselho de Estado francês decidiu proibir a emissão deste vídeo sobre crianças com síndrome de Down na televisão francesa. O motivo? Poderia importunar mulheres que optaram por abortar embriões com esse problema.

Nesta busca incessante por extremismo nos outros, talvez devessemos parar de vez em quando e olhar para dentro. Um em cada sete embriões humanos são abortados em Portugal. Um embrião humano com menos de 10 semanas tem hoje menos direitos de acordo com a lei do que um peixe de aquário. Só em Portugal foram abortadas 15 mil vidas humanas com o patrocínio estatal no ano passado.

a virtude violada

“A municipalização da Carris e o recorde na dívida pública dizem-nos muito sobre a última década. A dívida gere-se, não se paga. A economia é comezinha. O primado da política, sempre.”

Destaque do meu artigo de hoje no ECO – Economia Online.

Da péssima gestão pública

Num país normal — um país onde as instituições e empresas são dirigidas por pessoas com o mínimo de instrução para o cargo —, uma empresa cuja missão fosse a prestação de um serviço público, como é o caso da Carris, pugnaria por apresentar, como qualquer empresa não-falida, um EBITDA positivo. Mesmo sendo a missão da Carris a prestação de um serviço social, tendo de praticar, como tal, um preço por bilhete muito abaixo do preço de mercado, a Carris apresentaria um EBITDA positivo. Como? Os resultados operacionais seriam naturalmente negativos, pois a Carris estaria a praticar um preço inferior ao seu custo operacional e a abdicar de uma margem de lucro, suportando assim a sua função social. No entanto, os subsídios à exploração, em particular as transferências do Orçamento do Estado, pagariam o diferencial para um preço de mercado, permitindo assim à Carris ter lucro desde que seja eficiente. Este é o modelo de concessão que é formulado quando as empresas são entregues à gestão privada. Isto acresce transparência à gestão da coisa: se os resultados operacionais forem negativos é porque, salvo situações extraordinárias, boys andam a ser empregados, dinheiro anda a ser desviado, a despesa está descontrolada; em suma, é porque gerem mal.

Em Portugal, a Carris acumula resultados financeiros negativos, resultado de anos a acumular dívida — porquê? por causa da sua função social? porque emprega boys? porque a gestão é má? Não sabemos —, a estrutura de custos está completamente desalinhada com aquilo que seria um preço de mercado, o passivo acumula-se, o Orçamento de Estado e os orçamentos municipais não transferem as verbas devidas, a Carris afunda-se em dívida para cumprir a sua função social, e, cereja em cima da esterqueira, o Governo diz isto:

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Gestão socialista é isto. O sector privado anda a produzir EBITDA para que as empresas públicas o espatifem.

dá vontade de morrer (3)

“Não existe nenhum acordo”, garantiu Ricardo Mourinho Félix, secretário de Estado do Tesouro, na sexta-feira, à TSF, referindo-se a um suposto entendimento escrito entre o Governo e o presidente da Caixa Geral de Depósitos, António Domingues. António Lobo Xavier afirmou que o Governo se tinha comprometido, “por escrito”, a isentar a gestão da CGD da obrigatoriedade de apresentar declarações de rendimento e património. Mas o governante desmente. (…) Este sábado, o Diário de Notícias e o Expresso especificam que as garantias escritas terão sido registadas numa troca de emails entre António Domingues e a equipa do Ministério das Finanças. Já a SIC revela que António Domingues terá enviado um documento ao ministro das Finanças, Mário Centeno, onde discriminava as suas exigências para ficar à frente da gestão da Caixa. Uma delas seria não entregar a declaração de rendimentos e património, considerando que tal ação seria uma devassa da vida privada da equipa. A SIC diz que o ministro das Finanças passou o documento ao seu secretário de estado, Mourinho Félix, que o assinou e devolveu a António Domingues. Este mesmo memorando terá, aliás, sido mostrado ao Presidente da República, no encontro que o gestor manteve com Marcelo, em Belém.”, no ECO – Economia Online.

The plot thickens…

Será que temos um mentiroso no Conselho do Estado? Ou terá o Conselheiro do Estado sido traído pela mentira do amigo? Amigo mentiroso? Ou um mentiroso (ou dois ou três) no Governo? Quem mente? Alguém? Ninguém?! O PR ouviu-os?

E qual é a definição da palavra “acordo”? Uma troca de “emails” qualifica como “acordo”? Uma folha Word? E, afinal, há memorando? O que é um memorando? O PR viu-o? É um “acordo”? Um parecer?! Ou “acordo” só pode ser ofício do Governo?

Que espectáculo infame.

auf wiedersehen?

“A minha perceção é que a Comissão Europeia basicamente desistiu de aplicar as regras do Pacto de Estabilidade e Crescimento” — a afirmação é de Jens Weidmann, presidente do Bundesbank, o banco central alemão. “ (no ECO – Economia Online).

Há dias, num outro post a propósito das contradições da Comissão Europeia, o leitor Surprese deixou um comentário que me pareceu especialmente bem conseguido. Escrevia Surprese [que] “Para destruir um clube ou condomínio, basta que se deixe um dos sócios incumprir regras ou não pagar quotas. Todos os outros se revoltam, querem expulsar o prevaricador, e não conseguindo que ele saia, saem os bons sócios/condóminos pagadores.”.

Ora, do mesmo modo que poucos anteciparam o Brexit ou a vitória de Trump na América, também poucos verdadeiramente acreditam que a Alemanha pode um dia querer sair do euro. Mas numa altura em que é evidente uma (nova) Comissão Europeia, assumidamente política como ainda há dias escrevia o comissário europeu Carlos Moedas, começam também a ser evidentes os sinais de desconforto alemão. Issing, WeidmannSchauble e Regling não são coincidência. O mercado vai tomando nota.

O processo de formação de políticas costuma ser feito de acções incrementais, mas tende a ser fortemente impulsionado na sequência de momentos dramáticos. A crise soberana na Europa esteve assim na origem de novas regras de disciplina orçamental e de novas instituições e procedimentos no seio da Europa. Instituições, procedimentos e regras que deveriam durar dez ou mais anos. Mas eis que, cinco anos depois, a Comissão Europeia, dotada de competências eminentemente burocráticas (ou técnicas), decide reinventar-se. Politicamente, pois claro. Assim se arruinará o euro.

dá vontade de morrer (2)

“É a primeira defesa pública de António Domingues, feita por um amigo. Lobo Xavier revelou que o governo assumiu compromissos escritos com a gestão da CGD sobre o salário e a declaração de património. (…) Amigo próximo de António Domingues, Lobo Xavier foi duro com António Costa e Mário Centeno. “O que está a acontecer? Está a acontecer que o governo, com uma enorme falta de solidariedade, uma frieza que eu acho absolutamente chocante e próximo da indignidade, está a deixar passar para os gestores da Caixa o odioso da responsabilidade de coisas que combinou com eles“. E é, logo se seguida, que revela o que ainda ninguém tinha dito: “Havia uns senhores que tinham belíssimos lugares nos sítios onde estavam e foram desafiados pelo governo para tratar da CGD. [Os gestores] Puseram as suas condições, como acontece sempre, e foi-lhes prometido, foi-lhes até escrito, foi-lhes até escrito”, repete. (…) “Portanto, esses compromissos, que inclusivamente estão inscritos, não são do A, do B ou do C, não se pode dizer que o primeiro-ministro não sabia ou sabia, e o ministro das Finanças não sabia…”, insiste o advogado. “Os governos não funcionam assim, os compromissos eram do conhecimento de todos, e toda a gente tinha era a ideia de que bastava alterar o Estatuto do Gestor Público para resolver todos os problemas colocados, ou seja, quer o salário, quer o da revelação das declarações. E toda a gente esperava que essa alteração que foi feita em paz durante o verão resolvesse os problemas todos e era esse o entendimento jurídico”. Para Lobo Xavier, a explicação é simples. “O governo tinha, algures antes de setembro, a ideia de que todos os compromissos já estavam cumpridos e que não havia problema nenhum. Quando o problema foi levantado por Marques Mendes e depois pelo PSD, cavalgado depois por toda a Esquerda, o governo deixou sozinhos os gestores, desresponsabilizou-se de toda a situação…”.” (via ECO – Economia Online).

Em suma, confirma-se o que eu já aqui tinha escrito. Só, falta, portanto que António Domingues e restante administração se demitam. Depois deste desabafo do amigo, seria um gesto final de dignidade dos administradores indigitados, num processo que tem sido verdadeiramente indigno de governo. Pergunta Lobo Xavier “que país é este!?”. Eu respondo: é um país de súbditos e soberanos, onde os contribuintes (os súbditos) calam e pagam. É com isso que o PM e o PR contam.

Literatura de cordel

Há cerca de dois meses estava em casa de um grande amigo meu, um homem de fé, cristão (não católico) e, por curiosidade, perguntava-lhe acerca da fé e da religião dele, como encaravam Cristo, os Santos, católicos, judeus, etc. Às tantas, a meio da conversa confessei-lhe: “Já tive Fé, já soube o que é tê-la e ter esse conforto na Fé que tu tens. E pergunto-me muitas vezes como a perdi, não faço ideia” e ainda eu não tinha acabado responde-me ele: “Não sabes como a perdeste? Não é óbvio? Perdeste-a porque não a praticaste”
Meu, aquilo bateu-me. Poucas vezes nesta minha não tão curta vida ouvi tanta sabedoria numa coisa tão simples. Porque é assim em tudo, rigorosamente tudo.
Como perdemos a paixão pelos/as parceiros/as que escolhemos? Não praticamos essa paixão. Como lhes perdemos o amor? Não o praticamos. Como perdemos amizades? Não as praticamos.
No meio disto, há esta coisa muito new age do direito a sermos felizes, nada mais interessa, “eu quero ser feliz”, “eu tenho o direito a ser feliz”, eu, eu, eu, eu isto, eu aquilo e no meio, perdemos completamente a noção do que é importante e do que nos faz realmente felizes. Que não é mais que isto: praticar a paixão, praticar o amor, praticar as amizades, praticá-las sempre. Isto implica muito mais que o eu, eu, eu, eu.
Bem sei que falar é fácil e ainda por cima não sou exemplo de coisa nenhuma. Mas aquela afirmação deste meu amigo sobre a fé, fez mais pela minha visão do Mundo e pela noção do que é a felicidade verdadeira (que não é um estado, são momentos, a felicidade como estado não existe) do que os milhares, sim milhares, de livros que já li e que todas as experiências porque passei.
Por isso, não me venham com merdas, lembrem-se da epifania do Kevin Spacey em A Beleza Americana quando tem a miúda, amiga da filha, nua na cama. E deixem-se de merdas de ir à procura da felicidade noutro sítio diferente daquele em que vocês estão. Aí onde vocês estão exactamente agora, quando lêem isto, vocês praticam o que vos faz felizes, a paixão que já conheceram, o amor que já tiveram por quem anda por aí à vossa volta? Aposto que não. E nem dais conta e eu idem. Foda-se lá a burrice.

RIP, Pedro Panão

Pedro Rabolho Panão tinha o bigode mais aparatoso de Pereiró. Amiúde, homens brancos não instruídos do bairro diziam, com esgar mono-dental, que Rabolho Panão tinha pêlo na benta. Só quem se envergonha das humildes origens da Invicta diz os vês em revolta pelo acordo ortográfico não escrito das gentes do norte. Rabolho Panão comia tudo que viesse à rede, fosse carne, fosse peixe, fosse a gorda da Dionísia, a que lhe jurou eterna fidelidade como se a caridade de alma menos enobrecida pela obrigação biológica de propagação dos genes Panões estivesse ao seu dispor.

Aos Sábados, Rabolho Panão frequentava um antro de droga daqueles que floresciam entre as camadas altas da sociedade americana nos anos oitenta, os que caíram em desuso no mundo ocidental em prol da solidão humana que uma mais-que-certa paragem cardíaca exige. Havia sempre pó e pilas à descrição, com gentes dos partidos e as suas putas de ocasião com pretensões a matrimónios de subsistência.

Um dia, Rabolho Panão decidiu que não mais queria ser homossexual. Caiu o Carmo e a Trindade, os velhos conventos do Bairro Alto substituídos pelas ligas de defesa da apalpação de cantores que correm, efectivamente, sem moralizar. Grabbing by the pussy é fisicamente difícil se o grelo não é enrijecido ao ponto de causar dúvidas de género aos inexperientes: grabbing by the cock é que é ética e moralmente aceite, inclusivamente pela lei da elasticidade expansiva das molas.

Rejeitado pelos amigos que sempre enalteceram sensações olfativas envolvendo dois dedos, pelas vampes mugueiras que capturam peixe que só serve de isco para pesca graúda, pela comunicação social dos coros grândoladeiros e pela Ordem dos Psicólogos, que – valha-nos Deus – bem precisa de uma consulta, Pedro desapareceu no esquecimento virtuoso da esclerose basal de intelectualidade lusitana.

Morreu há três semanas. Alguém terá que contar a sua história. Na lápide só diz que “Pedro Panão morreu em vão – passou de verdadeiro à vil ilusão”.

A descredibilização final do plano económico do governo

centeno_galamba_costaO governo tinha um plano para o país: a economia cresceria 2,6% em 2016 graças a um aumento do consumo interno. Ainda há poucos meses Catarina Martins afirmava que o país não poderia crescer de forma sustentável assente nas exportações.

Saem os números do 3º trimestre de 2016 e fica-se a saber que a economia cresceu 1,6% (tanto como no ano passado) e à custa das exportações. O que fazem os apoiantes do governo? Lamentam o crescimento ainda estar bem longe dos 2.6% prometidos para 2016 por Centeno? Comentam que este crescimento não é sustentável por ser assente em exportações? Não: celebram efusivamente o feito. Provavelmente nem eles alguma vez acreditaram naquilo que estavam a prometer e muito menos nos meios para lá chegar. Se havia alguma dúvida sobre isso, a celebração nos últimos dias comprova-o.