Corrupção no PDeCAT

Não pode o partido do Puig a monte corrupto? Só pode ser Fake News!

 

Gira vs Lime

Bicicletas Gira e trotinetes Lime. Disponíveis em Lisboa. Não são dois meios de transporte substitutos mas são concorrentes. Além das óbvias diferenças de design, há um importante factor que os distingue: a forma de financiamento. As Gira são financiadas pelos nossos impostos, as Lime por privados.

Porque a Câmara Municipal de Lisboa não tem de se preocupar com a eficácia económica do projecto, não só pode gastar cerca de 3 milhões euros/ano (23 milhões em 8 anos) como também cobrar irrisórios preços pelo uso das bicicletas.

Já a Lime tem de cobrar valor superior pelas trotinetes. A inovação desta empresa está na forma como evitou a necessidade de investir na instalação de postos de carregamento destes veículos eléctricos: colaboração de pequenos empreendedores.

Ainda outra vantagem das Lime é poder deixar a trotinete em qualquer lugar.

Se ideia da Lime falhar quem fica a perder são os seus investidores. Com as Gira já estamos a perder.

#somosTaxi? Não!

Em dia de manifestação dos taxistas no centro da cidade de Lisboa, alguns destes motoristas usavam t-shirts com a hashtag (que modernos!) #somosTaxi e praticamente todos carros tinham bandeirinhas com essas duas palavras.

Então porque não investirem esse dinheiro numa app que faça real concorrência à Uber, Cabify, etc? A resposta é simples: isso significaria que tinham de oferecer um serviço de melhor qualidade e sujeitarem-se ao escrutínio dos seus clientes (através de avaliações).
Melhor que concorrer em pé de igualdade, será fazer tudo para “eliminar” a concorrência. A nossa liberdade de escolha não tem qualquer valor para os taxistas. Mas… e para vocês? Mesmo que não usem aquelas plataformas digitais, querem viver num país livre?

Ricardo Robles renuncia ao mandato

Observador:

Ricardo Robles renunciou ao mandato na Câmara de Lisboa e também ao de membro da comissão coordenadora concelhia de Lisboa do Bloco de Esquerda (BE).

Boas notícias! Ricardo Robles pode assim continuar o seu trabalho na reabilitação de prédios, para o qual já mostrou ter talento.

Não só poderá obter mais benefícios financeiros, como também Lisboa continuaria a ter cada vez menos prédios devolutos. Isto se reformulação das leis defendidas pelo Bloco de Esquerda o permitirem…

Ricardo Robles e rendas “acessíveis”

Ricardo Robles, engenheiro civil de formação e – agora sabemos – de profissão em part-time, tem um investimento no sector imobiliário que lhe está a causar algum mal-estar político e mediático. Catarina Martins, coordenadora do partido Bloco de Esquerda, já veio em defesa do seu único vereador na Câmara de Lisboa.

Resultado imediato será a desistência de voltar a colocar prédio no mercado (inicialmente com preço de venda de € 5,7 milhões). Ricardo Robles pretende, agora, dividir com a irmã (co-proprietária) o imóvel de 11 apartamentos e 3 lojas, cabendo a cada um dar destino que melhor entender. Para os apartamentos de Robles fala-se de aluguer a rendas acessíveis. Mas quão acessíveis?

Assumindo Robles metade do valor em dívida, € 500.000 [(350.000+650.000)/2], o custo de financiamento para, por exemplo, empréstimo a 30 anos (vereador tem já 41 anos de idade) e spread de 5%, será de € 2.710,48/mês. A este terão de ser adicionados custos com seguros, manutenção, IRS (sobre os rendimentos dos contratos de arrendamento) e IMI.

Estimo que rendas, para Robles não ter prejuízo, terão de ficar a um valor mínimo de € 750/mês. Dado que ele e irmã optaram por remodelar prédio com apartamentos entre 25 e 41 metros quadrados julgo que poucas pessoas terá disponibilidade para pagar tanto por residência permanente tão pequena. Rendas acessíveis? Talvez não…

A cruzada anti-especulação da extrema-esquerda caviar

Ricardo Robles é vereador do bloco de esquerda de Lisboa e é um cruzado contra a especulação imobiliária.

A mesma criatura que luta como poucos contra o lucro, ganha milhões em especulação imobiliária. Com “compaixão”, presume-se.

De acordo com o Jornal Económico, o capitalista caviar Ricardo Robles fez parte da compra de um prédio  à Segurança Social a um preço acessível – enganam-se todos aqueles que julgam que este tipo de excelentes negócios apenas acontecem porque um dos intervenientes tem e usa informação priviligiada-, utiliza em seu benefício a lei que combate, desalojando de imediato  os inquilinos (com excepção de um, que deverá ser despejado a médio prazo). As mais-valias ultrapassam os 4 milhões de euros. Nada mau para um comunista envergonhado.

Uma breve história do Portugal recente

O meu obrigado ao Jornal Económico pelo cuidado na edição da última crónica (quem quiser saber porquê que compre a edição em papel). Cesso hoje a colaboração enquanto colunista com o jornal que acompanho desde que nasceu (que acompanho desde que era Diário Económico). A maiores felicidades para todos.

Uma breve história do Portugal recente

Nos tempos de José Sócrates dizia-se que o país precisava de mais investimento público para a economia crescer. Em consequência, o Estado só não faliu devido à ajuda internacional. Nessa altura já não se falava de investimento público; a “espiral recessiva” era a expressão da moda. Dizia-se que as políticas seguidas por Passos Coelho conduziriam Portugal a uma recessão cada vez mais profunda. Que sem o investimento público, que tinha conduzido o Estado português à quase falência, o país se afundaria sem salvação possível.

Entretanto, as reformas do governo PSD/CDS lá foram dando frutos; o crescimento económico, que já estava estagnado, regressou, o desemprego baixou e a dívida pública, face ao PIB, desceu. Nesse momento preciso e único da história do Portugal recente, a esquerda portuguesa não teve discurso. Por isso, perdeu as eleições de 2015.

Foi então que a esquerda dona disto tudo reagiu. Tinha de o fazer. Se o governo PSD/CDS continuasse, a direita colheria os frutos do seu trabalho, as reformas (parcas, é certo, mas reformas) mostrar-se-iam correctas e o país exigiria mais. A continuação do governo PSD/CDS em 2015 ditaria o fim do monopólio ideológico que a esquerda impôs a Portugal, com os resultados conhecidos. Seria o fim da narrativa dominante. Algo impensável, inimaginável e não possível para pessoas como António Costa, Jerónimo de Sousa e Catarina Martins.

Perante esta eventualidade, esta esquerda uniu-se e aprovou um governo de um partido em quem os portugueses não votaram. Para não se comprometerem em demasia, BE e PCP decidiram protestar, em voz alta e zangada, nos encontros que tinham com os seus militantes, enquanto votavam favorável e silenciosamente, no Parlamento, as políticas do PS. O Governo de Costa lá se aguentou com o crescimento da economia advindo das reformas do governo de direita e do milagre económico europeu sustentado pelo BCE e o cada vez maior endividamento dos EUA.

Mas nada dura sempre. Os efeitos do que foi feito entre 2011 e 2015 acabam. A fórmula do BCE, porque não estrutural mas provisória, um dia termina. O balão de oxigénio que foi a retoma destes três últimos anos esvazia-se. A 12 de Julho último, a UE reviu em baixa o crescimento europeu e alertou para “riscos significativos” para a nossa economia. A dívida pública portuguesa atingiu novo recorde em Maio, apesar do crescimento de que todos se orgulham. Há dez anos não havia dinheiro para investimento público; há cinco nem para isso nem para pagar salários; agora já nem sequer para contratar enfermeiros. Não se aprendeu nada e, por isso mesmo, esta breve história do Portugal recente continuará igual a ela própria.

Portugal pode ser o maior, mas deprime

Perante a excelência da portugalidade, prescindimos saber o que se passa. Hoje no i.

Portugal pode ser o maior, mas deprime

10 de Junho de 2018. Domingo de manhã, à hora do almoço e, depois, à tarde. Fosse a que horas fosse, assim que o leitor ligasse o televisor nos canais noticiosos portugueses, a transmissão, o relato, a reportagem, as entrevistas e o mais que possa imaginar sobre peças de teor jornalístico relativas às comemorações do Dia de Portugal lá estavam, preenchendo o ecrã, monopolizando a notícia.

Porque nada mais acontece por esse mundo fora, desenxabido e desinteressante. Trump não destruiu 70 anos de confiança atlântica com um tweet, a cimeira entre o presidente dos EUA e o ditador da Coreia do Norte não estava em preparação. Noticiar os temas em cima da mesa em qualquer das duas cimeiras, discutir o que se tinha passado numa e poderia acontecer noutra, informar sobre os interesses de cada uma das partes envolvidas são questões menores perante a grandiosidade que se celebrava em Ponta Delgada.

Não questiono que se celebre o 10 de Junho, mas não posso deixar de o fazer quando esse dia, à semelhança do que sucedia no anterior regime, seja instrumentalizado para, debaixo da capa de um contentamento geral e festivo, propagandear o governo e as instituições públicas. Pior: como outrora, propagandear a originalidade portuguesa perante as confusões e as disputas do mundo de hoje, de que nós, fechados numa redoma, somos a benigna exceção. As praças enchem-se de gente (onde é que já vimos isto?) e se se enchem de gente satisfeita é porque alguém está a fazer um bom trabalho.

Para quê estragá-lo com más notícias? Corrompê-lo com informação que poderá baixar o moral? Um país de acordos, e não de ruturas, não se compadece com as tricas, trapaças e desentendimentos das grandes potências. Estas não conhecem a consensual suavidade portuguesa.

Ter ligado o televisor no dia 10 de Junho de 2018 foi deprimente. Foi rever a cores o passado que tantas vezes nos mostraram a preto-e-branco. O que nos leva a concluir que a essência que permitiu o Estado Novo é a mesma que permite este novo estado das coisas. A frase proferida por Marcelo nesse mesmo dia em Boston – “Os Estados Unidos são um grande país, mas Portugal ainda é maior” – resume bem o que Salazar quis transmitir-nos: a força espiritual de um país representada na bondosa figura do chefe. Tal como no passado, o país adormeceu para não se preocupar com as crises e as guerras que ocorriam no mundo, como mais tarde também adormeceu perante a guerra que acontecia em África e também agora adormece, se deixa anestesiar, com a ilusão da festa e dos afectos. Para quê estar informado se está tudo bem?

Os mercados são o que nos vale

Apesar de tão vilipendiados foram os mercados que salvaram Portugal da bancarrota, forçaram Sócrates a sair impedindo que controlasse a Justiça e a imprensa. Foram os mercados que salvaram o PS e as carreiras políticas dos seus actuais ministros. São os mercados que têm refreado o populismo fácil que está a tomar conta da Itália.

Os mercados são a réstia de razoabilidade e objectividade num mundo cada vez mais governado por políticos irracionais. A minha crónica hoje no Jornal Económico.

Os mercados são o que nos vale

Quando o novo primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, nomeou para ministro das Finanças o eurocéptico Paolo Savona, os mercados reagiram negativamente, forçando o presidente da Itália a recusar a proposta de Conte. Ultrapassado o impasse, os partidos lá chegaram a um acordo e um novo governo acabou por tomar posse. Os mercados acalmaram e por agora vai-se andando. Claro que as forças políticas mais extremistas acusaram os mercados de chantagem. Que a Itália não pode ficar refém dos mercados, como se a Itália não fosse os mercados ou os mercados não fossem a Itália.

Porque os mercados, que as forças políticas extremistas italianas, e também as espanholas, portuguesas e francesas, tanto criticam são a expressão da vontade das pessoas. Os mercados não são mais que as nossas escolhas. Somos nós, cidadãos, que decidimos se vale a pena investir em dívida pública italiana, ou espanhola ou portuguesa, ou se estas, devido à incompetência dos governos na gestão do bem público e à intolerância ideológica dos extremistas, se tornou um investimento demasiado arriscado, fazendo subir as respectivas taxas de juro e acabando por trazer alguma razão a quem governa o Estado.

Foi isso que aconteceu em Itália, tem sucedido em Espanha e salvou Portugal. Foram os mercados, nós, consumidores e investidores, que salvámos Portugal em 2011. Nessa altura, foi a subida das taxas de juros que forçou o pedido de ajuda à troika, sob pena do Estado deixar de pagar salários e pensões, obrigou Sócrates a demitir-se e a serem convocadas novas eleições. Não fossem os mercados e a maioria dos portugueses teria ficado sem salários. Não fossem os mercados e Sócrates permaneceria no poder, controlaria a imprensa e a Justiça. Não fossem os mercados e o PS desapareceria e muitos dos socialistas que hoje estão no governo teriam caído em desgraça.

Todos eles devem estar gratos pelos mercados. Gratos pela clarividência que as pessoas, individualmente e sem pressões das massas, manifestaram naqueles tempos em que tudo parecia desabar. Pela forma como as pessoas, através das livres escolhas que fazem individualmente e a que se dá o nome de mercados, reagiram e trouxeram razoabilidade e objectividade ao que se estava a passar. Quando o país parecia caminhar para o abismo, os cidadãos, portugueses e estrangeiros, em consciência e individualmente, libertos da propaganda política, em segredo, tal qual quando depositam o seu voto na urna, salvaram o país. Como deram uma ajuda à Itália e o já o fizeram à França.

Por ser uma força que os políticos extremistas não controlam que estes acusam os mercados de chantagem. Porque não apreciam a liberdade de decisão. No meio de tanta irracionalidade, os mercados, nós, trazemos razoabilidade e impomos a ordem.