A grande mentira

Hoje no i. O brasileiro Rubem Fonseca escreveu, e muito bem, sobre a grande arte. Eu, sem a mesma mestria, sobre a grande mentira.

A grande mentira

O governo aprovou o Plano de Estabilidade 2018-2022. Nele prevê a redução do défice já este ano para 0.7% do PIB e um excedente em 2020. Isto, claro, relativamente ao PIB, que cresce devido ao turismo, que beneficia de uma lei das rendas que a esquerda critica, mas não altera.

A grande pergunta que se devia colocar à esquerda é a seguinte: onde está a espiral recessiva que a austeridade ia provocar? Nunca ouviremos a resposta porque não interessa. Há assuntos demasiado delicados para que se possa falar deles. A dívida pública é outro; não a dívida face ao défice, mas em números. Já o referi neste jornal, mas volto a repeti-lo: o que se passa com a dívida pública que em 2015 era de 231 mil milhões de euros e em fevereiro de 2018 atingiu os 246 mil milhões, mais 2,4 mil milhões que em janeiro deste ano?

Mas isto não interessa. O que temos de ouvir, a narrativa aprovada pela extrema-esquerda, é que a dívida pública vai descer (face ao PIB, que cresce sem o governo perceber como) e que como nós, verdadeiros campeões europeus, povo único à semelhança do tempo da outra senhora, só a Bélgica.

A Bélgica. O PS já nos quis transformar na Suécia, depois na Finlândia, agora na Bélgica. Ora, o que se passou na Bélgica? Em 1993, o país do Tintim tinha uma dívida pública de 303.816 mil milhões de euros, 138,14% do PIB. Em 2005, uma dívida de 366.891 mil milhões de euros, 94,7% do PIB. A dívida desceu? Não. O problema estrutural da dívida foi resolvido? Não. E tal não foi que , em 2015, a dívida totalizou os 482.519 mil milhões de euros, 106% do PIB. A Bélgica reduziu a dívida face ao PIB quando os ventos corriam de feição, mas tudo ficou na mesma quando estes mudaram de sentido.

Já vimos este filme tantas vezes que até enjoa. Compara o que os belgas fizeram com o que nós queremos fazer; o feito com a intenção, a realidade com o sonho e, nesse devaneio, discutem-se aumentos dos salários na função pública, mais dinheiro para a cultura (porquê apenas 1% e não 1,1% do PIB – o que interessa é parecer culto, não honesto) e descida nos impostos, como se os erros do passado não aguardem que o crescimento abrande para que os seus custos se sintam outra vez.

O país vive tão anestesiado com a política monetária do BCE e com o turismo que parece que está tudo bem. A grande mentira é esta. É a mentira que explica por que motivo o Bloco e o PCP criticam o Plano de Estabilidade, mas não o submetem a votação no parlamento sob pena de terem de votar a favor. O silêncio da esquerda perante o que se passa nos hospitais está aqui.

Há um livro de Rubem Fonseca chamado “A Grande Arte”. Neste, a arte era o manejamento da faca, a forma de melhor a utilizar para matar. Vivemos em Portugal, a grande mentira, a forma como melhor se saca do Estado sem se assacarem responsabilidades. A primeira é uma obra de ficção; a segunda, a nossa realidade.

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Síria: a verdade luminosa e a verdade embriagada

Fonte fidedigna (como nenhuma outra, sublinhe-se) assegura-me e aos povos que ontem, na Síria “as luzes da noite foram os 93% de mísseis derrubados”. Os crentes dariam graças, com a ajuda da força das orações. O pragmático detentor da verdade, ao som de um hino pimba nacionalista em louvor a Assad, Putin e aos teólogos iranianos, revela que quem ” espalhou o caos entre os enxames de mísseis violadores do Direito Internacional e do sono dos povos” foi um tal de “anjo da guarda das nações pobres” o  Pantsir-S1, a arma de defesa anti-aérea russa.
Graças a Eles, o “ataque americano (foi) reduzido ao ridículo pela defesa anti-aérea russa e síria. Acabou o tempo dos bombardeamentos impunes. O povo sírio de parabéns.”
Falta mesmo pouco para o regresso eminente da paz que teima em fazer-nos esperar por dias gloriosos e ordeiros, já lá vão sete anos.

A Legacy of Spies

Para a minha crónica de hoje no i pedi ajuda a George Smiley.

A Legacy of Spies*

Diplomatas dos dois lados da nova cortina fazem as malas e regressam a casa. Cansado, George Smiley respira fundo e afunda-se na cadeira. É em Freiburg, no sul da Alemanha, que nos diz adeus, precisamente agora que os espiões do seu tempo regressam.

Há precisamente dez anos leu “The New Cold War”, do jornalista Edward Lucas, e percebeu tudo. Primeiro, a negação; depois, a indiferença; a seguir, a raiva e a desorientação habitual dos governos que não se prepararam para a visão que Putin tem da Rússia. Presentemente, com o envenenamento de um ex-espião russo que trabalhou para os britânicos, ouve os noticiários, comentadores incluídos, a falarem do medo.

Olha pela janela e recorda-se do medo que serve para definir tudo. Sentiu-o em plena Guerra Fria, mas cedo o transformaram em certeza perante a incerteza do novo mundo. Sem URSS, e com os EUA como única potência mundial, a ameaça terrorista fazia isso mesmo: aterrorizava. De acordo com o que se dizia, o medo do tempo de Smiley era seguro, certo, concreto. Houve quem, no mercado livre que conquistava o mundo, no crescimento da China e na redução da pobreza em África, nas novas democracias no leste da Europa, visse uma ameaça mais grave que a que pairava na Guerra Fria; na sua guerra.

Tudo passa menos o medo, que é uma constante, nem damos valor ao que temos excepto quando o perdemos. Verdades eternas que se ignoram. Os que clamaram contra a abertura dos mercados chorarão os efeitos do fecho das fronteiras e do aumento das tarifas aduaneiras. A falta de diálogo conduzirá ao armamento, com dinheiro que podia, devia ser usado noutros domínios. Espiões serão mortos em Londres e em Paris (em Moscovo também), vidas secretas caminharão ao nosso lado, com a pequena grande diferença que são as novas tecnologias.

E enganem-se os que acalentam que o novo equilíbrio mundial porá termo ao terrorismo islâmico. Numa guerra fria, de nervos, tudo vale. Na primeira, EUA e URSS combateram no chamado Terceiro Mundo guerras indiretas com soldados que não eram seus. Nada nos garante que os extremismos islâmicos não sejam utilizados como novas armas para novos ataques numa nova guerra fria sem envolvimento direto dos seus principais intervenientes. Uma certeza podemos ter: George Smiley não terá saudades. Acena-nos da janela, deixando o legado para outro.

*Título do último romance de John le Carré

Menos 1 hora de sono

Porque ainda há quem acredite que somos mais produtivos quando nos obrigam a mudar hora do relógio duas vezes por ano.

Got2Globe: botem o voto

Carrinho-de-mão ao longo da Avenue des Baobás, Madagáscar. Todas as fotografias da Got2Globe.com são da autoria de Marco C. Pereira e Sara Wong.

A campanha está ao rubro e este é um apelo descarado ao voto electrónico no Melhor Blog de Fotografia de Viagens do Universo e arredores, o Got2Globe. A competição decorre no BTL Blogger Travel Awards 2018 . Todos os votos são preciosos e a Sara Wong merece manter o título.

Para exercem o vosso dever cívico de bom gosto, cliquem neste link:

http://btl.fil.pt/blogger-travel-awards/

E, claro, votem no Got2Globe e insiram o nome e email para validar o voto.  É fácil, só demora uns segundos e tem a vantagem de poderem votar acompanhados por todos os vossos amigos e família.

Um juiz devia ser um eremita

Tenho uns quantos amigos que são juízes, contados assim de cor quatro, colegas de faculdade, que se não sabem deviam saber o quanto os admiro pela profissão que escolheram. A minha crónica hoje no i.

Um juiz devia ser um eremita

A semana foi marcada pela notícia de que Rui Rangel está a ser investigado pela alegada prática de quatro crimes de tráfico de influências. Não vou aqui tirar conclusões até porque, como jurista, conheço bem a delicadeza de qualquer processo judicial. Mas há um ponto que gostaria de referir e que é da máxima importância.

Sempre entendi, e muitos consideram que exagero nesta matéria, que um juiz deve quase ser como que um eremita. Não significa isto que se isole do mundo e perca o contacto com a realidade. Apenas que, por ter escolhido julgar os comportamentos dos outros, deve ter o cuidado de se envolver o menos possível em negócios, na política e, naturalmente, no mundo do futebol.

Ser juiz é das profissões mais importantes que se pode escolher. A responsabilidade é extrema porque sempre que um juiz decide, e por muito trivial que seja a questão, é o próprio Estado de direito que está em causa. Errar, que é humano, é um risco com repercussões extremas quanto mais não seja para a pessoa que é vítima desse erro. É por este motivo que sempre admirei quem decide seguir uma vida como aquela a que a magistratura obriga.

Sendo profissão tão exigente, a começar desde logo pela imparcialidade, um juiz não deve distrair-se com questões externas que moldem, tolham essa mesma imparcialidade. Pode ser uma perspetiva que alguns considerem antiquada, mas que é preferível à incerteza, à desconfiança que surge quando notícias como a da investigação de um juiz podem causar nos cidadãos.

 

#MeToo e os limites para o cinismo

Hoje no i.

#MeToo e os limites para o cinismo

Samantha Geimer tinha 13 anos quando foi violada por Roman Polanski. Foi em 1977. Quarenta anos antes do movimento #MeToo, que nas redes sociais tem revelado casos de abusos sexuais em que as vítimas são mulheres. Ora, Samantha Geimer surpreendeu tudo e todos quando, na quinta-feira passada, explicou ao “Le Monde” porque defendeu a carta aberta de Catherine Deneuve, publicada naquele mesmo jornal, às mulheres (e homens) vítimas de abusos por parte de homens.

Nessa carta, Deneuve criticava a caça às bruxas em que se tornou o movimento #MeToo, com acusações muitas vezes sem provas, e no qual se equiparam casos de violação a meros flirts ou outros comportamentos que não tornam necessariamente uma mulher (ou um homem) uma vítima pois, nas situações referidas pelas pretensas vítimas, houve a possibilidade de dizer não.

Samantha Geimer alerta ainda que o #MeToo está a tornar as mulheres vítimas e não pessoas fortes, capazes de se defenderem, que é a única forma de conseguirem viver em igualdade com os homens. O que Geimer também diz é que, ao equiparar a gravidade de diferentes tipos de abusos sexuais, muitas das acusações do #MeToo são ofensivas para as mulheres que sofreram verdadeiros abusos sexuais. Na verdade, uma mulher que foi violada não se encontra na mesma situação da que ouviu um piropo ou da que, por livre vontade, se sujeitou a algo para conseguir um papel num filme ou subir na carreira.

Até porque se houve (e há) mulheres que se sujeitaram a tal por falta de alternativa, também houve (e há) quem utilizasse tal estratagema para vingar na profissão. Não cabe aqui fazer juízos de valor – as situações são todas diferentes -, mas é legítimo que se pergunte quantas pessoas (mulheres, mas também homens) para quem uma noite com alguém não foi inoportuna e hoje estão na primeira fila das vítimas? Como não se sentirão as mulheres que sofreram verdadeiros abusos sexuais vendo o seu sofrimento ser equiparado com comportamentos que as ferem na sua dignidade não só de mulheres, mas de pessoas?

Porque o que está em causa no #MeToo é, além da meritória oportunidade de se pôr um ponto final na forma abusiva como alguns homens tratam as mulheres, não só uma caça às bruxas, um apelo ao conservadorismo mais sombrio, mas também uma falta de respeito pelas mulheres que sofreram nas mãos de homens. Umas sofreram; outras, em seu nome, ficam com os louros fazendo-se de vítimas. O que Deneuve e Geimer nos vêm dizer é que há limites para o cinismo.

O risco de Rui Rio

A minha crónica no i.

O risco de Rui Rio

Ao que parece Rui Rio está disponível para entendimentos com o PS. Se tal suceder o PSD passará a concorrer com o BE, o PCP e, possivelmente, também o CDS, na aprovação das políticas no parlamento. A confirmar-se, a decisão de Rui Rio apresenta uma razão de ser e representa um risco.

A razão de ser prende-se com a revolução partidária que tem lugar em alguns países, nomeadamente, Espanha e França. Ainda esta semana uma sondagem colocou pela primeira vez os Ciudadanos à frente do PP e do PSOE. Há menos de um ano Emmanuel Macron foi eleito presidente da França sem o apoio dos partidos tradicionais e, um mês depois, o seu partido, La République en marche!, venceu as legislativas.

Há quem, como eu, considere que o PSD deve ser mais liberal, tornar-se numa verdadeira alternativa ao socialismo, em vez de uma peça na mera rotação do poder em prol dos favores estatais. Ao contrário, Rui Rio prefere um partido de menor carga ideológica porque vê que essa é também a marca que distingue os Ciudadanos e o fenómeno Macron que pertencem ao centro político.

O raciocínio de Rio parece também ter em conta o Portugal ser um país avesso à mudança. Na verdade, as possibilidades de o PSD perder o lugar para o CDS são mínimas. O CDS não tem condições para substituir o PSD, não só porque tem tantos anos e vícios como o PSD, como a sua veia ideológica nunca existiu, ou quando existiu foi confusa.

Mas representa também um risco. E o maior é que, caso Rio confirme a sua estratégia de viabilizar uma governação socialista não dependente da extrema-esquerda, o PSD perde contacto com o país a longo prazo. Preso às negociações das medidas de efeito imediato, o PSD perde discurso, legitimidade, para se afirmar mais tarde quando a falta de reformas, os efeitos perversos de uma governação que se cinge a aproveitar a conjuntura internacional, se fizerem sentir porque essa mesma conjuntura se alterou.

Nessa altura, algo como Macron ou os Cuidadanos terá todas as condições para surgir e se impôr na política portuguesa, mas dificilmente o PSD. Porque nessa altura o país precisará de gente sem mácula, liberta dos arranjos partidários para que um partido que não venceu governe. Uma força política deste género, atenta aos reais problemas das pessoas, aos verdadeiros desafios do país, sem passado, mesmo que sem grande carga ideológica pode pôr em causa a predominância do PSD. Por muito que se perceba a razão de ser da sua estratégia esta comporta um grande risco para Rui Rio.

Caro Pedro Santana Lopes

A crónica de hoje no i é um risco que corro. Não faz mal, apeteceu-me. Infelizmente, o mais certo é que não valha a pena. Não valha a pena que Pedro Santana Lopes a leia, não valha a pena que se candidate a líder do PSD, nem que tente ser primeiro-ministro. O mais certo é que nem tenha valido a pena escrever esta crónica.

Caro Pedro Santana Lopes,

Ao que tudo indica o senhor será o futuro líder do PSD, o partido com mais deputados no Parlamento. Além de sobejamente conhecido o senhor tem dado mostras de conhecer bem a natureza do país que quer governar, natureza essa na qual também se revê. A razão desta minha crónica em forma de carta aberta si dirigida é, pois, outra. Prende-se em saber se está preparado para ser diferente de Guterres, Durão Barroso, Sócrates e Costa.

Portugal encontra-se numa encruzilhada porque tem uma dívida colossal, cuja resolução obriga a um enorme esforço e sacrifício, a que se soma uma maioria de esquerda social-comunista que capturou o Estado e impede qualquer alternativa que não seja o caos que, historicamente, boa parte dessa esquerda deseja. Veja-se, a título de exemplo, o que sucede no Hospital de Faro, conforme denúncia dos enfermeiros que lá trabalham: situações indignas para qualquer doente num país europeu, num país como Portugal em que os cuidados de saúde são a pedra basilar do Estado social que construímos.

Situações como esta, a par de escolas sem aquecimento ou papel higiénico, acontecem porque o governo social-comunista de António Costa usa os dinheiros públicos para pagar a sua base eleitoral de apoio em detrimento, quando necessário, dos cuidados sociais, esses sim, uma função a que, constitucionalmente, o Estado se encontra obrigado. O fim último do Estado não é pagar salários, mas prestar serviços sociais. Goste-se ou não é o que está na Constituição.

A situação das finanças públicas é tão calamitosa que, para se manter no poder, a esquerda social-comunista pretere os que precisam em benefício dos que a apoiam. Nesta matéria o PS aprendeu com os melhores ou não fosse o comunismo pródigo neste tipo de estratégia para segurar o poder.

Caro Pedro Santana Lopes, se quiser ser primeiro-ministro não lhes restam muitas alternativas: ou reduz a dívida ou empobrecemos; ou temos um governo PSD/CDS ou a dita maioria de esquerda refém do PCP e do BE. O clima de urgência é semelhante ao do tempo de Sá Carneiro. Do tempo daquele homem que o senhor diz tanto admirar.

Pergunto-lhe directamente, caro Pedro Santana Lopes: está em condições para derrotar o PCP e o BE? Está em condições para governar sem endividar o país? Consegue convencer os eleitores a não se conformarem a trabalhar no Estado ou nas grandes empresas que beneficiam das ligações políticas? Tem condições para separar o Estado dos negócios? Tem condições para quebrar com a oligarquia? Consegue romper com os aristocratas? Quer respeitar uma Justiça soberana e independente? Está preparado para ser um novo Sá Carneiro ou quer só ser mais um na lista de cima?

Não basta responder que sim. Precisa de se convencer do seguinte: que se estiver, não vai ter vida fácil; se o fizer vai ter todos contra si, principalmente essa esquerda que vive do sistema que critica. Mas se não estiver disposto a isso, disposto a marcar a diferença, não vale a pena. Não vale a pena ler esta crónica nem candidatar-se, menos ainda governar o país.

Vazio

MPMaduro

O recente artigo de Miguel Poiares Maduro, no Publico, será o melhor que o PSD tem
para oferecer. A mim sabe-me a pouco. Demasiado pouco.

O texto está formalmente bem escrito, como seria de esperar. É um texto escrito por alguém que sabe pensar e que, neste preciso momento, quer marcar a sua posição no xadrez interno do partido. Mais a mais, o texto não só percorre todas as capelinhas sagradas do laranjal como apresenta os melhores pergaminhos: não será por acaso que, no mesmo parágrafo, junta Bernstein, Sá Carneiro e o seu Pai, que identifica como um dos primeiros presidentes de câmara eleitos em democracia.

O enquadramento referencial está perfeito, o que só aumenta ainda mais a expectativa para o verdadeiro enquadramento que procuramos e que titula o artigo: “a matriz ideológica do PSD”.

Foi esse, aliás, o desafio que eu comprei:

 

 

“Chamem-nos o que quiserem, mas compreendam aquilo que defendemos.”

Pois bem, eu bem tentei e continuo a tentar, mas não consigo. Terei certamente as minhas limitações, mas o que fui encontrando foram referências demasiado vagas, que dificilmente poderão não ser partilhadas por qualquer partido político no âmbito da vigente Constituição da República Portuguesa.

Fica, portanto, a afirmação de fé no PSD: “é a sua matriz ideológica aberta e moderada que está em condições de oferecer o melhor e mais claro projeto político ao país.”

Tudo muito bonito, sem dúvida, mas se fosse António Costa a dizê-lo num comício do PS, por certo que receberia a aclamação o seu partido com uma salva de palmas monumental.

Todos diferentes, todos iguais. E, por isso, desisto. Resignado. Não há nada a fazer. Resignado, sim, mas indignado também. Esta pequena passagem resume o ponto:

“O interesse público pode facilmente ser capturado pelo interesse do governo. (…) o modelo de intervenção do Estado deve separar o interesse público da sua gestão pelo governo (como fizemos com o serviço público de televisão).”

Se bem me recordo, Miguel Poiares Maduro teve responsabilidades directas sobre a RTP há não muito tempo. Na altura eu acreditei que ele seria capaz, se não de derrotar, pelo menos de enfraquecer o monstro. Enganei-me: o monstro continuou a crescer. Como continua a crescer o vazio do PSD.

A política tramou-nos

2017 foi o ano da crise dos partidos e da popularidade esmagadora de Marcelo. A minha crónica no i desta semana é sobre os riscos da personalização do poder.

A política tramou-nos

Um dos factos mais interessantes de 2017 foi a importância que a esquerda social-comunista que governa o país passou a dar à economia. Durante o período da troika, PS, PCP e BE só queriam saber da política. Da política que tinha de mandar na economia, lembram-se? Agora, quando politicamente o Estado falhou aos cidadãos (incêndios e degradação dos serviços públicos), a esquerda agarra-se aos ainda positivos resultados económicos.

O consolo com a eleição de Centeno para presidente do Eurogrupo é um sinal disso mesmo. Apesar de a presidência do Eurogrupo perder relevância com a criação da figura ministro das Finanças para a zona euro, o mais irónico é que a política continua. O discurso de Ano Novo de Marcelo é mais um sinal disso mesmo.

Devidamente traduzida, a frase “se o ano tivesse terminado a 16 de junho, podíamos falar de um ano singular constituído de vitórias” recorda-nos que a vida não é só economia. Também há política. E que nesse campo, o governo, a maioria de esquerda que o sustenta, falharam.

E, pior que isso, a frase chama a atenção para um facto que um Presidente de afectos por vezes faz esquecer: Marcelo é um político. E como político que é sabe muito bem que o regime está nas suas mãos. Marcelo, que se colou aos sucessos económicos de curto prazo do governo, não esquece que o Estado depende dos credores. Com o episódio do financiamento a desacreditar os partidos, com o PSD a colar-se a Marcelo, o processo de personalização do regime está em marcha, o que é negativo numa democracia liberal. Politicamente falando, estamos tramados.

Os alemães ficaram espertos

Se o verdadeiro esperto é aquele que conta com a esperteza dos outros, então podemos concluir que os alemães foram espertos em escolher Mário Centeno para presidente do Eurogrupo. A minha crónica no i.

Os alemães ficaram espertos

Até há uns dias, o presidente do Eurogrupo era uma pessoa horrível. Esse socialista, ministro das Finanças de um pequeno país europeu (outrora potência comercial), não passava de um pau-mandado de Wolfgang Schäuble, o ainda ministro das Finanças alemão. O nome de Jeroen Dijsselbloem, o dito, pronunciava-se de uma maneira ainda mais horrível que a pessoa: ye-rohn dai-sell-bloom.

Já Mário Centeno, não. Este socialista, ministro das Finanças de um pequeno país europeu (outrora potência comercial), eleito presidente do Eurogrupo, é um génio que mudou o próprio Eurogrupo. E, o que é mais impressionante, convenceu o próprio Schäuble, o tal ainda ministro das Finanças alemão, outra pessoa horrível, mais culpado ainda que José Sócrates pela bancarrota de Portugal, a mudar de rumo. É que, bem vistas as coisas, não só Schäuble comparou Centeno a Ronaldo e o escolheu para presidente do Eurogrupo como ainda vai deixar de ser ministro das Finanças. Com Centeno, ou Ronaldo, e um Mourinho no Eurogrupo, compreende-se que Tsipras tenha ficado satisfeito. Tudo mudou.

Para que tudo fique na mesma. Aquela frase, daquele Don Fabrizio, daquele livro “O Leopardo”, daquele italiano Giuseppe Tomasi di Lampedusa, assenta aqui que nem uma luva. A mestria do aristocrata italiano que conduz a família pelos tortuosos caminhos da decadência é, essa sim, igual à dos mestres da política portuguesa. Porque, se Portugal tem grandes políticos, entendendo por grande político aquele que domina a arte de algo mudar para que tudo fique igual, esses são Costa, Catarina Martins e Jerónimo de Sousa. Atrevo-me até a escrever algo que jamais julguei ser possível: Portas, ao pé deles, é um aprendiz.

É que o Eurogrupo não mudou, a política monetária do euro não mudou e, pior que isso, com Macron e a ajuda daquele outro socialista de nome Martin Schulz, ainda vai ficar pior. Na verdade, estou bastante curioso para ver o que é que Costa, Catarina e Jerónimo vão mudar no discurso que Centeno vai adoptar, e que trata da criação do ministro das Finanças europeu e do orçamento europeu, cujos fundos apenas beneficiam os bons alunos, para que tudo fique igual.

Estou curioso porque é interessante ver como é que profissionais da mudança enganam um povo. É certo que é um povo fácil de levar. É um povo que não gosta que lhe digam o que deve fazer; disso, não gostamos. Agora, com um elogio gratuito acompanhado de umas migalhas, e a boa e velha palmadinha nas costas, com isso, a gente já lá vai. Os alemães aprenderam e ficaram espertos à portuguesa. Somos tão felizes.

O PSD que não se iluda com o PS

O PSD acha que, com Santana Lopes ou com Rui Rio, pode trazer o PS para centro, mas está enganado. A minha crónica no Jornal Económico.

O PSD que não se iluda com o PS

É provável que a nova liderança do PSD tente alterar os equilíbrios até aqui existentes. Rio quer um PSD mais ao centro, e Santana Lopes, apesar de se dizer de direita, quer colaborar com os socialistas. A intenção é pressionar o PS, forçando-o a quebrar com o PCP e o BE. Com um PS desgastado, o PSD teria espaço para se apresentar como uma alternativa de governo.

Sucede que todas as estratégias têm um senão e nesta, o pormenor que pode estragar as contas é a realidade. Do país, da Europa e do mundo. Quando ouço, por exemplo, Santana Lopes sinto-me nos anos 80. Não é apenas a constante referência ao PPD/PSD, mas o achar que o PS regressa ao centro político como se este PS fosse o mesmo que em 1983-85 governou com o PSD. Ora, o PS de Costa não é o PS de Soares. E não é porque nem Portugal, nem a Europa, nem o mundo de hoje são os mesmos.

Portugal não é mesmo porque o montante da dívida, pública e privada, não o permite. A Europa não é a mesma porque a URSS já não existe, a UE alargou-se para leste, e encontra-se hoje num nível em que a sua falta de flexibilidade pressupõe que Portugal estivesse melhor preparado para a moeda única, que criou imensas oportunidades que os nossos governos destruíram. O mundo está diferente, com os EUA afastados da UE e mais preocupados com a China.

O que os candidatos à liderança do PSD parece ainda não terem percebido é que o PS também mudou. E muito. Este PS não se aproximou do PCP e do BE por questões meramente estratégicas; a aliança entre os três partidos de esquerda é mais ideológica que oportunista. Resulta da defesa dos mesmos interesses perante um Portugal, uma UE e um mundo muito diferentes. Perante as mudanças ocorridas, o PS, que viu o que sucedeu aos partidos socialistas europeus, percebeu que para sobreviver tem de se radicalizar na defesa de um sistema democrático eleitoralmente estatizado.

O país desenvolveu-se com um Estado que dá emprego, apoia empresas de empresários amigos e politicamente próximos. Como nem todos se chamam Belmiro de Azevedo, muitos se vendem por um baixo preço. Ou alto, como aconteceu com Ricardo Salgado. Este PS sabe que não pode trair o seu eleitorado que vive por conta deste sistema. Se o fizer, desaparece. Assim, percebem-se melhor os últimos orçamentos, com impostos altos, cativações, mas ordenados e pensões por inteiro. E agora, até com algum investimento público devidamente escolhido, devidamente direccionado.

Se o PS vier para o centro, acaba. Foi ao percebê-lo que Costa engendrou a coligação social-comunista que sustenta o seu governo. O PSD deve perceber que o estado da economia portuguesa destruiu a esquerda moderada e pouco mais há a fazer.

A ética republicana da geringonça e as casas ardidas que pagam IMI

Costa a abraçar uma contribuinte passiva cuja casa ardeu num incêndio florestal e que acaba de chegar da repartição das finanças, onde pagou o IMI.  A contribuínte não tem casa mas cumpiu o dever patriótico e cívico. Não tem nada a ver com os figurantes, a Aximage e o focus group. 

 

Ontem choquei de frente com este tweet da Margarida B. Lopes.  E pensei: mesmo para a evidente falta de nível político, ético e moral da geringonça, é mau demais para ser verdade. Erro meu.
Pelo menos 110 pessoas morreram, vítimas de incêndios florestais. Milhares ficarem sem sustento, sem nada. E o que fazem o PS, o BE e o PCP a propósito de uma iniciativa do PSD de isentar de IMI (referente a este ano e ao próximo) as pessoas que perderam as casas (prédios urbanos, rústicos e industriais)? Chumbam a proposta dos sociais-democratas, obrigando estas vítimas a pagarem IMI sobre imóveis que foram destruídos pelos fogos.
Por uma questão de higiene, vale a pena seguir a discussão na página da Margarida B. Lopes.
E para os mais distraídos em geral e em particular, aos deputados nacional-socialistas de rosto humano, a autora do tweet relembra que existem várias propostas da geringonça para isenções de IMI no OE 2018 e aprovadas na Assembleia da República.
Em resumo: a geringonça não aprovou a medida proposta pelo PSD porque entendeu não o fazer. Em jeito de conclusão: a decisão da geringonça mesmo levando em linha de conta os baixos padrões da geringonça, é monstruosa.
Às criaturas do PS, Bloco de Esquerda e do Partido Comunista que de livre vontade o fizeram, desejo que seja insuportavelmente pesada a terra que levarão em cima.

Marcelo, o presidente dos sofredores

Terá Marcelo pena de nós por não passarmos da cepa torta? A minha crónica hoje no i.

Marcelo, o presidente dos sofredores

Na semana passada escrevi sobre como Marcelo mudou desde o princípio do seu mandato presidencial. Hoje faço-o sobre como essa mudança prova o quanto Portugal se mantém igual. É cada vez mais certo que o crescimento económico que temos presenciado está a ser distribuído através de favores que visam a manutenção do PS no governo, a satisfação dos interesses dos sindicatos do PCP e a agenda do BE.

Tal como no passado, a conjuntura internacionalmente favorável que vivemos não está a ser aproveitada para reformar o Estado e libertar a economia. O país vai pagar muito caro cada dia que passa com o atual governo. Marcelo já o percebeu e age em conformidade. Nas últimas semanas tem consolado as vítimas dos incêndio, da mesma forma que, dentro de algum tempo, consolará as vítimas das atuais políticas.

Marcelo é hoje mais um consolador da nossa tragédia que um político. Cada abraço de conforto que dá, cada palavra de força que profere vai nesse sentido: consolar um país cujo fado é sofrer. É muito interessante ver como, enquanto Cavaco, apesar de todas as suas idiossincrasias, apelava ao esforço e à vontade para se superarem as dificuldades, Marcelo se contenta em consolar os pobres porque serão sempre pobres.

Ao vê-lo no seu afã por estar com os que sofrem, este novo Marcelo que nos surge triste, contristado, com pena dos portugueses, faz-me crer o quanto ele finalmente compreendeu o sacrifício imenso que é viver aqui, de forma pequena. Sem horizontes, sem esperança, sem saída.

Afinal

Afinal as hipóteses do Porto eram limitadas; afinal, as melhorias na economia europeia vão trazer taxas de juros mais elevadas, o que não nos ajuda nada. Afinal, o governo cede nos professores porque está preso pelas clientelas do PCP e do BE; afinal, o PCP não derrubou o muro; afinal, a dívida pública é ainda mais colossal do que era em 2011. São muitos os afinais. Porque, afinal os tempos felizes que vivemos foram ao género dos tempos felizes de outrora em que o país, apesar de pobre, se dizia único, com um povo simpático e acolhedor. Afinal isto está tudo igual e somos governados pela mesma mentalidade que governou o país naqueles 40 anos que alguns de nós desejávamos longínquos. Mas não são. Perseguem-nos, porque afinal tudo se resume a muito pouco.

Pessoa, Simenon, Gomes Ferreira, Cardoso Pires e Agostinho da Silva

O Pedro Correia teve a gentileza de me convidar para escrever um texto para o Delito de Opinião, e eu escrevi sobre o meu encontro com certos escritores. E Agostinho da Silva, claro. A inesquecível conversa, era eu um miúdo, que tive com Agostinho da Silva.

A esquerda está a dar cabo do Estado social

Hoje no Jornal Económico.

A esquerda está a dar cabo do Estado social

Primeiro soubemos das cativações orçamentais. Depois que essas cativações tinham sido a causa para o dito sucesso do défice de 2% do PIB, em 2016. Como não há milagres, apesar de na crença de alguns as vacas voarem, percebemos que as cativações compensaram os aumentos salariais na função pública, que é a plataforma eleitoral do Governo.

Mais tarde fomos sabendo outras coisas. Soubemos da má resposta das autoridades ao incêndio em Pedrógão, das deficiências do Estado no combate aos incêndios de 15 de Outubro, da anedota pública que foi o roubo de Tancos, das listas de espera nos hospitais que têm vindo a aumentar, das escolas, algumas sem professores outras sem comida decente para crianças. Uma lista interminável de falhas do funcionamento do Estado, das quais o surto legionella no São Francisco Xavier é apenas mais uma gota de água num oceano que, caso o Governo fosse outro que não este seguro pela extrema-esquerda e um ciclone de categoria 5 pairaria sobre nós.

Conforme noticiado pelo Público, o Conselho Nacional de Saúde, um órgão independente consultivo do Governo terá concluído que faltam cerca de mil milhões de euros para a saúde. Não é por nada, mas quando ouço rumores de que falta dinheiro na saúde, que há atrasos no pagamento a fornecedores e os partidos de extrema-esquerda se calam é porque o assunto, além de grave, os compromete. O que me assusta: sempre que os extremistas, e os comunistas são extremistas se nos recordarmos do que disseram aquando do centenário da revolução bolchevique, estão comprometidos é porque algo muito grave e perigoso se passa.

É chocante a forma como o Governo, e quem o sustenta, mentiu antes da troika, durante a intervenção da troika e agora, depois do programa de resgate financeiro a que o Estado se teve de submeter para salvar a sua dimensão social. Até 2011, com a economia estagnada, o PS comprometeu o país, apesar de alguns avisos em contrário, a um programa de dispendiosas obras públicas para fazer a economia mexer. O resultado foi a falência do Estado. Durante o programa de resgate que visou salvar o Estado social, a esquerda, da pretensamente moderada à extremista, acusou o governo de o destruir porque se cortavam salários apesar de se manterem as despesas sociais. Como se pagar salários na função pública fosse uma obrigação social e não laboral. Já em 2017, enquanto se cativa dinheiro que falta faz a quem precisa, aumentam-se salários, repõem-se regalias.

Agora que o Estado vai perdendo a sua dimensão social a esquerda já não sai à rua porque os seus não são os que mais beneficiam dos cuidados de saúde nem das políticas sociais. Os seus são apenas os que votam e esses são os que lhe interessam.

Marcelo mudou, mas de pouco nos vale

A minha crónica hoje no i.

Marcelo mudou, mas de pouco nos vale

Para mim, como Presidente da República, o mudar de vida neste domínio é um dos testes decisivos ao cumprimento do mandato que assumi e nele me empenharei totalmente até ao fim desse mandato.” Marcelo Rebelo de Sousa, em 17 de outubro de 2017, ao finalizar o seu discurso em Oliveira do Hospital.

É importante relembrar estas palavras do Presidente da República porque marcam um ponto de viragem no seu mandato.

Até então, Marcelo andava sempre junto a Costa, apoiava o governo, alinhava, embora com as reservas normais numa pessoa minimamente inteligente e sensata, no optimismo dos socialistas. Marcelo ria, sorria, falava, gesticulava, tornara-se um homem fútil, um Presidente supérfluo que não fazia contraponto ao governo, mas à oposição. Alegre, jovial, folgava os bons tempos com que os bons ventos vindos do exterior bafejavam o seu mandato. Marcelo desfrutava ao mesmo tempo que rebaixava Passos, troçando do seu azar.

Mas depois Passos saiu, a tragédia instalou-se e Marcelo, qual verdadeiro animal político, mudou. Ele sabe que a felicidade da primeira parte do seu mandato não tem bases para se manter e que tudo se esboroará sem que se perceba bem como. É para esse tempo que Marcelo se prepara. Assim, enquanto Costa e Medina se abraçavam na abertura da Web Summit, quais crianças felizes e contentes, Marcelo visitava os sem-abrigo. Porque Marcelo já não tagarela; ainda sorri, mas de um jeito triste, e já não se ri por tudo e por nada. Marcelo deixou de querer estar na roda e já não dança. Mudou porque as circunstâncias mudaram. Tornou-se sério e passou a ser levado a sério.

O problema, no entanto, é que a ação de Marcelo não vai resolver problema nenhum. O país continua a endividar-se, e o Estado sequestrado por interesses vários; não há reformas que reduzam a despesa pública, nem Marcelo, mesmo que a isso estivesse disposto, podia fazer o que quer que fosse. Desta forma, caminhamos para o pior dos cenários numa democracia: um Estado endividado, preso por variadíssimos interesses que vão das empresas dependentes dos decisores políticos aos sindicatos que precisam de mostrar serviço, passando pelas fundações e demais entidades públicas. Com uma classe política desacreditada e um Presidente generoso, popular, mas totalmente incapaz de propor as mudanças que são indispensáveis, temo que muitos dos que hoje culpam a liberdade económica por todos os males do mundo acabem por apontar o dedo também ao liberalismo político. Marcelo mudou, mas a mudança serve-nos de alguma coisa?

Salvem o socialismo africano

Parece que Robert Mugabe não terá muitas condições para para continuar a realizar obra.
O ditador africano há mais tempo no poder instaurou um regime violento, autoritário e sobre o qual pendem múltiplas violações grosseiras da liberdade.
As reformas socialistas implantadas à força e acompanhadas pela banda sonora do racismo foram a via verde para o precipício, com os ataques à propriedade privada, a nacionalização de propriedades e o abandono forçado das terras, sob a ameaça de armas.
Para o regime de Robert Mugabe, a democracia pouco mais é do que um mecanismo processual onde são eleitos os seus representantes. E o até agora eterno Presidente sempre venceu as eleições e com resultados estratosféricos, com as consequências devastadoras que estão à vista de todos.

António Costa, o novo Odorico Paraguaçu

Festa rija no Panteão Nacional. Descubra as diferenças entre a personagem de ficção e um ser desprovido de vergonha o Primeiro-Ministro de Portugal.

Candidato a prefeito da cidade fictícia de Sucupira, elegeu-se com a promessa de construir o cemitério da cidade.[2] Apesar de corrupto e demagogo, era adorado pelos eleitores e exercia fascínio sobre as mulheres.[2][1] Era pai de Telma (Sandra Bréa) e Cecéu (João Paulo Adour).[2]

Dono de uma retórica vazia, gostava de citar filósofos e políticos, como Platão e Rui Barbosa, ou inventava frases que atribuía a personalidades.[2]

O problema de Odorico é que, após a inauguração do cemitério, ninguém mais morreu. Desesperado com a situação, tomou iniciativas macabras para concretizar sua promessa, provocando situações cômicas.

Para o futuro fica a ideia para mais eventos: só em Lisboa existem outros sete locais -Cemitério Alto de São João, Cemitério da Ajuda, Cemitério de Benfica, Cemitério de Carnide, Cemitério do Lumiar, Cemitério dos Olivais e o promissor Cemitério dos Prazeres-, que podem ser usados de uma forma moderna, festiva e progressista.  O poder local recentemente eleito promete e a Geringonça que é incapaz de cuidar dos vivos e de respeitar os mortos governa o país a cantar e a rir, de uma forma nunca antes vista. Não estranhem.

Antes o paraíso que o inferno fiscal

A minha cróninca no i. Sobre os paraísos, porque o bom agora são os infernos fiscais.

Antes o paraíso que o inferno fiscal

Veio a lume mais uma investigação sobre os paraísos fiscais, revelando uma lista de pessoas muito ricas e famosas que têm dinheiro, ou fizeram investimentos, em empresas offshore. Claro está que a notícia foi dada como sendo um mal a que se tem de pôr termo. Seguindo-se a conclusão mortífera: se não fugissem, pagávamos menos impostos, como se o problema fosse a pouca receita e não a excessiva despesa.

Entretanto, leio estas notícias e pergunto-me: quando é que nos tornámos tão amigos dos cobradores de impostos? Atenção, caro leitor, não vá por aí, não caia na esparrela de me confundir com os que defendem a fuga aos impostos, as fraudes fiscais e os crimes económicos. Nem todas as ligações a offshores são crime ou sequer eticamente reprováveis. Claro que há paraísos fiscais ligados a atividades criminosas, mas ligados a atividades criminosas também estão vários Estados e não é por isso que o conceito de Estado deve ser posto em causa.

Ademais, há Estados falidos porque mal governados. E, porque mal governados, Estados que se tornaram verdadeiros infernos fiscais. Nesses locais, o cidadão tornou-se um suspeito permanente que é preciso fiscalizar por tudo e por nada, a torto e a direito, não vá ele não entregar a dízima, perdão, não pagar o imposto. Até porque o imposto é muito mais alto que a maldita dízima contra a qual essa ideia peregrina que foi a liberdade dos cidadãos se insurgiu e através da qual se estabeleceram os valores que (ainda) regem a nossa sociedade.

E veja-se ainda isto: existem infernos fiscais, como é o caso de Portugal, para os nacionais, que são paraísos fiscais para estrangeiros. Não deixa de ter graça, mas é bastante demonstrativo da forma como se condiciona a informação, que o governo português seja contra as offshores, para onde foge dinheiro que podia ir para o seu bolso, mas já incentive regimes jurídicos para outros cidadãos não pagarem cá impostos.

Porquê, então, tanto barulho? Porque, e esta é fácil, os Estados estão endividados. Portugal é dos piores, mas poucos escapam. Assim, as offshores, que antigamente até eram aceitáveis, tornaram-se um inimigo. Primeiro, porque há nelas muito dinheiro a que é preciso deitar a mão; segundo, porque é preciso um culpado. Falta dinheiro? Claro que a resposta não é a má gestão de maus governos, mas a fuga de capitais. Uma hipocrisia múltipla. Os Estados faliram porque somos mal governados; os ricos vão sempre fugir porque podem; e os remediados, a nova classe média, é que cá ficam presos para pagar a dízima, perdão, para suportar a carga fiscal.

Quando a ausência é o maior sinal

Há um sinal político, em Portugal tudo é política, a reter no Web Summit: contrariamente ao conjunto Costa/Medina, Marcelo Rebelo de Sousa não esteve na abertura, nem parece que vá aparecer na festa. O facto é relevante porque Marcelo, depois de surfar na onda durante os primeiros meses, percebeu finalmente que a euforia deste governo, a época das vacas voadoras, tem o seu fim à vista. E é com esse fim à vista que Marcelo preside agora ao país.

Destes seguranças não consigo livrar

A notícia-sensação dos últimos dias centra-se na violência de seguranças de uma discoteca da qual sou livre de escolher nela não entrar. E depois das imagens divulgadas, penso que muitos outros consumidores fariam agora semelhante escolha.

Tenho uma história pior. Destes seguranças não consigo livrar. Eles parecem estar em todo lado e, se não lhes dou o dinheiro que exigem, têm inúmeras formas de me obrigar. Ameaça de violência está implícita na oferta (obrigatória!) de variados serviços de segurança mas, claro, nunca arrisquei chegar ao ponto de recusar pagamento. Tendo consciência de que não consigo defender-me, entrego-lhes todos os euros que me exigem. E a cada ano que passa querem cada vez mais.

Sei que não é só comigo. Acontece com tantos outros. Maioria já se resignou. Não há como lutar, eles são demasiado fortes. É baixar a cabeça e aceitar. Aceitar? Muitos até os defendem, ou porque querem fazer parte daquele grupo ou porque – como que sofrendo do Síndrome de Estocolmo – pensam que, apesar do que nos tiram, até que são uns seguranças porreiros e bonzinhos.

Dou-vos exemplo do quão “fácil” para eles é roubar: considerem que uma empresa quer pagar-me €1.000 de salário mensal. É valor que nunca vou ver. Logo à partida eles obrigam a empresa a “descontar” 23,75% para o que designam de Segurança Social. Consequentemente, já contando com essa taxa, a empresa só me oferece contrato de trabalho de €808,08.

Porém, a história de roubo ainda mal começou. Daquele valor exigem que a empresa, antes de qualquer transferência para minha conta bancária, retire ainda mais 11% (€88,89) e 8,5% (€68,69) para, respectivamente, Segurança Social e Imposto sobre Rendimentos de Singulares. Levo para casa €650,50. 65% do que a empresa estava disposta a pagar-me. E furto ainda não parou. Eles querem tirar mais, e conseguem-no.

Compro alimentos para comer, roupa para vestir, água para tomar banho, gás para aquecer, electricidade para fazer funcionar electrodomésticos? Pago IVA. Tenho casa? Pago IMI. Tenho carro? Quando o comprei foi IVA em cima do Imposto Automóvel e, agora para poder deslocar-me, é IVA em cima do Imposto sobre combustíveis (ISP).

No fim, se ainda sobrar algum euro talvez consiga fazer depósito a prazo para precaver futuro incerto. No entanto, dos futuros juros a receber uma coisa é certa: eles cobram-me mais 28%. Taxa liberatória!

Cheguei ao fim desta história de pilhagem? Quase. É que eles também me obrigam a usar apenas uma moeda para efectuar transacções comerciais com outros. Moeda que podem imprimir, retirando aos poucos o valor do salário que recebo. Economistas chamam-lhe inflação. Palavra técnica para roubo.

Com tanto que estes seguranças roubam, ainda há quem fique contente quando deles recebem algo de volta. Eu não! Quero ser livre para escolher o meu destino. Mas destes seguranças não consigo livrar…

A Catalunha quer ser independente para quê?

A minha crónica no i.

A Catalunha quer ser independente para quê?

Se os Catalães quiserem ser independentes o que é que tu tens com isso? Ou: como é que sendo Português podes ser contra a indepêndencia da Catalunha? São perguntas que me têm sido feitas quando digo que a Catalunha não deve ser independente. Mas há algum problema em a Catalunha ser independente?

Claro que não. Num mundo ideal, com certeza que não. Sucede que não vivemos num mundo ideal, mas num mundo real, tramado. E num mundo tramado quem mais tem exigido a independência da Catalunha são forças extremistas que, a pretexto de uma causa, pretendem criar uma república na Europa onde possam governar com o mínimo de escrutínio.

Claro que houve um referendo e que nesse referendo o sim à independência venceu por larga maioria. Sucede que numa democracia verdadeira, votar não é apenas colocar uma cruz num quadrado, dobrar a folha e depositá-la numa urna. Existem regras indispensáveis para que o voto de cada pessoa que colocou a cruz num quadrado, dobrou a folha e a depositou numa urna não seja falseado. As regras são precisas para que se garanta que o direito ao voto não tenha sido violado. Ora, foram precisamente essas garantias que não existiram no referendo de 1 de Outubro. Pelo contrário, a forma como o referendo se processou alimentou sérias dúvidas em muitos dos que até então nutriam simpatia com a independência da Catalunha.

E não, nem todos os Catalães querem ser independentes. E mais uma vez não, a Catalunha não é igual a Portugal, tal como a Europa em 2017 é muito diferente da de 1640. Há quase 400 anos a Europa encontrava-se em plena guerra dos 30 anos, uma guerra religiosa entre estados católicos e estados protestantes que acabou por ser uma excelente forma da França afastar a ameaça dos Habsburgos e se tornar na maior potência católica do continente. Para tal, dava jeito que Portugal se afastasse da Espanha, lhe colocasse problemas e lhe dividisse o império. O 1.º de Dezembro não aconteceu apenas porque Miguel de Vasconcelos foi atirado da janela, mas porque o equilíbrio de poder na Europa o permitiu.

Hoje a Europa não está em guerra e resolve as suas questões sentada à mesa em Bruxelas, para onde, ironia das ironias, Puigdemont fugiu. Além disso, a Espanha é um estado democrático, que preza as autonomias e a reacção de Madrid a todos estes episódios foi, no minímo, exemplar: perante o desafio de Puidgmeont pediram-se esclarecimentos;depois da declaração de independência, Madrid deu a vez à voz do povo. Em vez das armas convocaram-se eleições. Perante isto sou eu que pergunto: os Catalães vão querer ser independentes para quê?

Um orçamento pago por subalternos

A minha crónica no Jornal Económico.

Um orçamento pago por subalternos

Olhamos para o orçamento de Estado e vemos um intento que para alguns chega a ser um desígnio. Sem reformas, no Estado e na economia, e pondo toda a fé no milagre que é o turismo, na ajuda do BCE e na bênção dos céus que são os baixos preços das matérias-primas, o Governo tem margem de manobra para manter a despesa pública, cobrar impostos a parte da população e distribui-los depois entre o seu eleitorado.

Margem para isso e até para cumprir as metas do défice impostas por Bruxelas. Bruxelas que, de toda a forma, não esquece de alertar para as tais reformas estruturais que há uns anos eram imprescindíveis e agora se deixam para depois. Quer isto dizer o quê? Muito simplesmente que os números que nos são apresentados, tanto da actividade económica como da política orçamental, são fumo que se esvairá ao primeiro contratempo.

Durante anos ouvi dizer que o crescimento tinha de ser sustentado. Afinal, não foi porque era baseado em dívida. Agora, já ninguém se atreve a dizer tanto, mas o Governo também não age, mesmo sabendo que o que se conseguiu é insustentável. Um bom exemplo de um falso sucesso no controlo das contas públicas, e por arrasto da dívida pública, foi o alcançado por Bill Clinton, nos EUA. No seu mandato como presidente, Bill Clinton terá conseguido, através de truques contabilísticos, excedentes orçamentais nos anos de 1998, 1999 e 2000. No entanto, a dívida pública em termos absolutos, ou seja em números, continuou a aumentar. Não só os ditos excedentes não serviram para reduzir a dívida pública, como esta disparou quando o crescimento da economia foi travado com a crise da bolha da internet, no ano 2000.

Tudo para concluir o seguinte: parte do país alinha nisto, mesmo sabendo que não tem pés para andar, porque não tem outro remédio. Como o eleitorado do PS é constituído maioritariamente por quem vive na dependência do Estado, e este é gerido por um Governo que governa o país inteiro, não há muito mais que se possa fazer. Nenhum empregado, de nenhuma empresa, consegue tal feito: que o seu patrão cobre aos outros o dinheiro que utiliza para pagar o seu salário.

Perante este facto, boa parte da população não tem quem fale por ela. Daí que os cautelosos guardarão algum onde encontrem protecção. Outros, ou porque não conseguem poupar, ou porque ainda não perceberam como a coisa funciona, ficarão descalços. Todos perdem. Entretanto, a base eleitoral do Governo vai ganhando uns trocos, pronta para a indignação que virá quando o esforço dos demais não chegar para mais. Há quem veja neste intento um desígnio para o país: a subalternização de um povo à vontade dos que, viciando a democracia, se apoderam do Estado e o governam a seu bel-prazer.

Cuidado com Marcelo

A minha crónica hoje no i.

Cuidado com Marcelo

Critiquei diversas vezes a actuação de Marcelo Rebelo de Sousa enquanto Presidente da República. E fi-lo quando não apreciei o seu método, menos ainda a sua estratégia de afirmação pessoal. No entanto, da mesma forma que se critica quando se discorda, louva-se quando se concorda. E a actuação de Marcelo depois dos incêndios de 15 de outubro foi exemplar. Foi muito diferente da seguida pelo próprio em Pedrógão Grande, onde o seu “fez–se o máximo que podia ser feito” se tratou de uma omissão terrível. Há quem veja hipocrisia na sua atuação porque a bondade não se publicita. Sucede que Marcelo é o Presidente da República e, depois da insensibilidade do governo, foi importante que o chefe do Estado agisse como agiu.

Agora que Passos Coelho está de saída da liderança do PSD, Marcelo decidiu ser o Presidente de todos os portugueses, como Soares chegou a ser, mas com a diferença que, hoje, o parlamento não é dominado por um só partido. Façamos só um ponto da situação muito rápido de forma a que se perceba o que vem a seguir: no nosso sistema semipresidencial, até agora de pendor parlamentar, o primeiro-ministro de um partido com maioria absoluta é dono e senhor da governação porque domina o parlamento e cala o Presidente. Reunidas estas condições, não há chefe político com mais poder num Estado democrático. Nem o primeiro-ministro britânico, porque, nesse caso, os deputados que o sustentam são eleitos por círculos uninominais e não em listas fechadas pelos líderes dos partidos. No entanto, caso essa maioria monopartidária não exista e caso o primeiro-ministro esteja debilitado, como está Costa, e o Presidente seja interventivo e popular, como é Marcelo, o pendor parlamentar do sistema, pelo qual Sá Carneiro lutou contra Eanes, pode estar em risco.

É verdade que depois da revisão constitucional de 1982, o Presidente perdeu poderes constitucionais. Essa foi, aliás, a vitória póstuma de Sá Carneiro. Mas não deixa de ser verdadeiro que o Presidente pode, caso tenha preponderância sobre o governo, como parece ser o caso atual, influenciar esse mesmo governo. Marcelo pode bem vir a ser o primeiro Presidente chefe de governo do regime, modificando o sistema político dentro dos limites permitidos pelas regras constitucionais. Assim, é importante que elogiemos a actuação de Marcelo em outubro, mas que não o endeusemos. Como o próprio lembrou, ele é pessoa; uma pessoa que é um político que tem uma ambição e que pode virar o sistema do avesso.

Um governo desumano

Porque além da incompetência, além das culpas no cartório, o que nos chocou foi a desumanidade de quem governa. A minha crónica no i.

Um governo desumano

Em resposta aos incêndios de 15 de outubro, o outro dia fatídico do ano de 2017, António Costa afirmou que o governo não tem “solução mágica” para evitar que mais pessoas morram nos incêndios. Ao mesmo tempo, o secretário de Estado da Administração Interna, Jorge Gomes, afirmou que as pessoas têm de ser “pró-activas e resilientes”, não podendo ficar à espera dos bombeiros, como se fossem mágicos que tocam no fogo e não se queimam.

Depois foram chegando as notícias. Primeiro dois mortos, depois três, de repente 12, 20, 27, 31, até serem 41, esperemos que não mais, pelo amor de Deus. A seguir os relatos dos que sobreviveram, dos que salvaram vidas, dos que souberam como morreram alguns para salvarem vidas de outros, bens seus, casas, negócios, as suas próprias vidas. A coragem de Eduardo Donas Botto, o motorista do IP3 que salvou 51 pessoas.

O choque entre as histórias dos que sofreram, morreram, sobreviveram, e as afirmações dos responsáveis do governo é atroz. São desumanas e cruéis as exigências ao povo para serem o que os governantes não tiveram a dignidade de ter: coragem, resiliência, brio, compaixão. Amor. Humanidade.

Já não estão em causa os cortes orçamentais que a protecção civil sofreu em 2016, depois da austeridade. Já não estão em causa os boys colocados na Autoridade Nacional de Protecção Civil e que percebem tanto daquilo como eu de medicina. Já não interessa que Costa até tenha sido ministro da Administração Interna. Já nem sequer falo de o Estado não proteger os cidadãos – a principal das suas funções – e se reduzir a pagar salários à custa de cativações, esquecendo a generalidade dos portugueses. O que mais chocou nisto tudo foi a frieza das palavras, a desumanidade dos governantes, a amoralidade dos seus atos; a falta de respeito de quem quis ser governo, mas não quer ser responsável.

Nunca o país teve um governo tão sectário, tão displicente em relação ao que não lhe convém, tão centrado em manter-se intocável. Tudo vale desde que saia ileso, impune, o que à partida consegue através de provisões orçamentais eleitoralmente direcionadas. Com metade do país saciado, mais a boca cheia de frases feitas e as palavras solidariedade e justiça social lá pelo meio, Costa acha que o país se cala.

O país arde, pessoas morrem, as que sobrevivem perdem tudo, mas os governantes ficam. Ficam porque para se sobreviver se perdeu a vergonha. Fica o governo, mas também a desconfiança, o medo, a suspeição. Um sentimento de revolta. Este é um governo doente, que nasceu doente e cairá dessa forma.

Como safar o BE e o PCP na moção de censura

Depois das declarações de Marcelo, ou Costa demite já a ministra, ou fá-la cair em troca do apoio do BE e do PCP na moção de censura.

Um Estado falhado

Alguém diga a António Costa que não é a reforma da floresta, mas a Protecção Civil que falhou.