Janela Indiscreta

Lendo os comentários ao aqui recomendado post blasfemo intitulado “Subprime II” percebi que ainda existe grande dificuldade em entender a inflação como um fenómeno monetário.

Um facto que deveria ser, para muitos, evidente: a inflação é consequência da emissão de moeda pelos bancos centrais.

Esta é a razão porque no Zimbabwe aquela taxa já ultrapassou cem mil porcento (100.000%) e porque o Banco Central Europeu [BCE] não pode reduzir as suas taxas de referência para “estimular” o crescimento económico sem que tal medida resulte no aumento da taxa de inflação – que já se encontra acima dos 2%, limite definido pelos países-fundadores daquela instituição.

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A decisão do Estado sobre a localização do novo aeroporto internacional de Lisboa voltou ontem a ser tema do programa da RTP “Prós e Contras”.

Durante mais de três horas discutiram-se as vantagens e desvantagens de construir o aeroporto na margem direita (Ota) ou na margem esquerda do rio Tejo (Alcochete, Montijo, Poceirão, Faias). Já passava das 2h da noite quando o programa concluiu com o quase-consenso quanto à necessidade de estudos comparativos entre as várias opções.

Na blogosfera circulam, aliás, inúmeras alternativas de resolução do previsto esgotamento da capacidade na Portela que equacionam, por exemplo, a manutenção do actual aeroporto.

Estudos técnicos indicam que a Portela esgotará a sua capacidade nos 17 milhões de passageiros/ano. Este é o argumento usado para justificar a construção de novo aeroporto na região de Lisboa. Mas alguém já considerou se mais 8 milhões de passageiros na capital portuguesa (capacidade prevista da Ota: 25 milhões) vale mesmo os 3 mil milhões de euros necessários investir? A indústria hoteleira lisboeta, ansiosa por aumentar as suas taxas de ocupação, diria que sim. Desde que o financiamento seja distribuído por todos os contribuintes…

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Na área de Marketing, a escolha do nome de determinada marca é considerada como uma estratégia essencial para o seu sucesso. Face a um vasto universo de marcas que concorrem pela atenção do consumidor, um nome facilmente identificável com o produto pode tornar-se numa relevante vantagem competitiva.

Devo, por isso, felicitar os autores do “Ladrões de Bicicletas”. Este é um excelente nome para descrever um blog socialista!

O filme que lhes serviu de inspiração mostra-nos o desespero de Antonio Ricci que, com o seu filho Bruno, procura pela cidade a bicicleta que lhe foi roubada. Ora, numa Itália do pós-guerra marcada pelo desemprego, quem tem bicicleta é “rico”. A pobreza de Antonio é, contudo, evidente. Este meio de transporte foi um difícil investimento, necessário à melhoria de vida da família Ricci.

Perante tal angústia, a maioria de nós desejaria poder ajudar os Ricci. Os socialistas fariam-no através de políticas de redistribuição de riqueza em que o combate às “desigualdades” é mais importante que o conceito de propriedade privada. Para estes, os custos de oportunidade que afectam os proprietários de bicicletas (e quem deles depende) são minimizados ou mesmo ignorados. Porém, no final do filme, Antonio Ricci compreende a imoralidade de tais acções. Os bloggers do “Ladrões de Bicicletas” não foram além do lado emocional da história.

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Nos dias a seguir ao Natal verificou-se a cada vez mais usual corrida dos portugueses às lojas, a fim de trocarem presentes indesejados.

Por melhor intencionados que sejam os pais, avós, tios, primos, amigos, etc, apenas o presenteado sabe realmente o que se adequa aos seus gostos. A oportunidade de corrigir tais “erros” de decisão é, por isso, bem-vinda.

Ontem também se ficou a conhecer o valor da Dívida do Estado que, no final do mês de Dezembro, superou os 108 mil milhões de euros. Considerando uma taxa de juro de apenas 3%, o Estado terá, este ano, de confiscar aos portugueses 3,24 mil milhões de euros. Só para pagar os juros. Cerca de 324 euros por cada português criança, adulto ou sénior. Feliz ano novo caro contribuinte.

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Guerra ao desperdício. Poupar recursos. Salvar o planeta. Este é o mantra que apologistas da reciclagem desejam passar à nova geração. E a julgar pelo espaço aqui em casa reservado a papel, vidro e embalagens, os mais jovens não são os únicos a terem sido “convertidos”.

A mensagem é simples: o processo de reciclagem permite a reutilização de materiais que, de outro modo, seriam enviados para aterro com o restante lixo tornando, por sua vez, necessário efectuar nova extracção desses escassos recursos naturais a fim de serem usados no próximo ciclo de produção. Ora, se os recursos são escassos, a reciclagem possibilita o prolongamento da sua vida útil. É – dizem – uma questão de contribuir para o futuro do nosso planeta e, consequentemente, das próximas gerações.

A mensagem é simples mas será que é autêntica?
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À minimização do peso do Estado na economia, aqui anteriormente defendida, socialistas apontam como principal consequência a “falta de solidariedade” que tal cenário iria provocar. Por outras palavras, acusam os liberais de desejarem uma sociedade egoísta que não se preocupa com os mais fracos.

Primeiro, se o grau de “obesidade” do Estado representasse realmente o nível de solidariedade de uma sociedade, então poderíamos dizer que os socialistas não são tão solidários como os comunistas. Pois…

Acredito que a grande maioria das pessoas se preocupa com os mais necessitados. A continuada eleição de Governos socialistas é disso prova!
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Nota: a partir de hoje passo a publicar uma coluna semanal insurgente com o título em epígrafe; a escolha do nome é, sobretudo, uma homenagem a Alfred Hitchcock (que realizou o filme com o mesmo título) e a Frédéric Bastiat (que, em 1850, descreveu a falácia da janela quebrada para exemplificar a importância dos custos de oportunidade).

Na próxima sexta-feira, 3 de Novembro, o jogo de apostas Euromilhões vai sortear um primeiro prémio estimado em 131 milhões de euros. Até lá, milhares de apostadores de nove países europeus (Portugal incluído) vão continuar a imaginar como gastariam tal quantia, caso fossem o vencedor: nova casa, novo carro, volta ao mundo, os melhores restaurantes, reforma antecipada, um novo futuro…

Mas, considerando as probabilidades inerentes ao referido concurso, quem nele aposta só mesmo em sonhos terá acesso ao multimilionário estilo de vida desejado. Contudo, dado tratar-se de um prémio astronomicamente(!) alto, qualquer evidência estatística é, desde logo, “esquecida”. Tudo em nome da ínfima possibilidade do quase impossível acontecer!

E, no entanto, é curioso verificar que, para uma grande maioria das pessoas, aquela capacidade imaginativa para criar cenários “alternativos” rapidamente desvanece quando se trata de equacionar os benefícios de um Estado com menor peso na economia e, consequentemente, maior liberdade para os cidadãos que, supostamente, deveria servir.

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