Tiro ao lado (2)

Anda por aí um daqueles típicos postais de facebook, muito catita, que compara o número de mortes a tiro nos EUA e uma série de outros países. O seu primeiro problema é fazer uma comparação enviesada pelo uso de números absolutos em vez de números relativos (em percentagem de população). O segundo problema, e principal, é que o argumento que tenta passar morre quando colide com a realidade. Vejamos…

Com menos armas, Brasil tem três vezes mais mortes a tiro que os EUA:

Apesar do número bem inferior de armas de fogo em circulação na população do que nos Estados Unidos, o Brasil registrou, em 2010, 36 mil vítimas fatais de tiros.

O montante é 3,7 vezes o registrado pelos americanos, que tiveram 9.960 mortes, colocando o país no topo dos que mais registram óbitos por arma de fogo no mundo.

Leitura complementar: Tiro ao lado, “Gun control” – a importância das narrativas, “Gun control” – a importância das narrativas (2)Penn and Teller: Gun Control BSAs raízes racistas do gun control

Tiro ao lado

Acreditar que leis para restringir a venda de armas ajudam a diminuir os crimes com elas cometidos é tão errado como acreditar que proibir a venda de drogas erradica ou diminui o seu consumo. Só muito ingenuamente se pode acreditar que, por exemplo, um lunático que consegue matar friamente várias crianças se tornaria, de repente, incapaz de o fazer (e encontrar os recursos para isso) apenas porque a venda de armas tinha sido proibida por um decreto produzido pelas boas intenções dos burocratas estatais. Só existe um efeito prático deste tipo de legislação: a limitação da liberdade alheia.

Leitura complementar: “Gun control” – a importância das narrativas

Complexos com a caridade e complexos de superioridade

Daniela Silva em ‘Agora a Caridade é Indigna’, no Estado Sentido:

«(…) segunda coisa é perpetuar a ideia de que recorrer à caridade é sempre humilhante e inibe muita gente. Conforme fica evidente no texto, o autor não se importa que esta dependência se torne uma rotina suportada pelo Estado, por meio de “contribuições” forçadas, meios humanos que não interfiram nem conheçam as particularidades de cada caso, não se chame ninguém a prestar contas (terrível paternalismo), cultivando uma contínua infantilização da sociedade que perde as próprias imunidades perante as normas sociais que tem de enfrentar. Ainda bem que a nossa segurança social e o seu esquema em pirâmide são infalíveis e estão aí para as curvas.»

Vale a pena ler o post completo.

Sobre a cegueira ideológica acerca das escolas com contrato de associação

O ataque às escolas com contrato de associação. Por Alexandre Homem Cristo, no i.

Numa excelente reportagem da TVI, a jornalista Ana Leal alertou para uma série de situações nas escolas com contrato de associação do Grupo GPS. Através da sua investigação, levantaram-se suspeitas de tráfico de influências. Denunciaram-se abusos aos direitos dos professores. Reportaram-se riscos para a segurança dos alunos. Fizeram-se acusações de selecção de alunos e de alteração administrativa das suas notas. E foram sugeridos usos indevidos de verbas obtidas através de financiamento público. Ninguém duvida que são acusações graves. E que se deve proceder a uma investigação profunda. De resto, essa está já a ser feita. Confrontado com as denúncias, no Verão passado, o Ministério solicitou a realização de auditorias. A primeira iniciou-se a 29 de Setembro e está agora a ser concluída. Em circunstâncias normais, o assunto ficava por aqui, aguardando-se pelas conclusões e pelas consequências que daí adviriam. Mas este não é um caso normal.

Num país onde domina o pensamento de matriz socialista, o desprezo pelas escolas com contrato de associação é antigo e doutrinário. Por isso, perante a reportagem de Ana Leal, a esquerda radical congratulou-se. Estava ali, à sua mercê, toda a argumentação que não conseguira nos relatórios sobre o custo por aluno, publicados pelo Tribunal de Contas e pelo Ministério. Bastava agarrar no caso do Grupo GPS, que só tem 13 escolas com contrato de associação, e extrapolar para as dezenas de outras escolas com contrato de associação. Assim foi. Na sua narrativa propagandística, o caso do Grupo GPS transformou-se numa “história exemplar” de como funcionam todas estas escolas. A expressão é de Daniel Oliveira (Expresso online, 5.12.2012), digno representante deste pensamento. Ora, a generalização é, por definição, abusiva: ninguém questiona, por exemplo, a legitimidade de eleições num regime democrático porque, numa aldeia, foi violada uma urna de voto. Pouco importa. O manifesto contra os privados na educação estava lançado.

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Soarices

O governo actual, por muito mau e contestado que seja, foi escolhido democraticamente, segundo as regras de um sistema do qual Mário Soares foi um dos protagonistas fundadores. Com estas declarações, Mário Soares refere o resultado do funcionamento normal desse sistema como sendo pior do que o produto do regime que o mesmo se gaba de ter ajudado a derrubar. Confusos? Perdoem o ‘pai da democracia’ porque ele também está.

O dinheiro dos outros é fixe, a liberdade que se lixe

A mudança de Depardieu para a Bélgica – a somar à de outros como Bernard Arnault – devia ter como consequência um enorme corar de vergonha nas faces dos que aplaudiram a medida de Hollande e a consequente assunção da estupidez da ideia. Em vez disso, os mestres do confisco não tardaram a fazer-se ouvir na sua vigorosa luta pela velha ideia de uma harmonização fiscal, que é como quem diz, a legalização do roubo generalizado por todo o espaço europeu. Nada de novo. Continua a existir muita alminha virtuosa cheia de boas ideias para encher a pança do estado social à custa do dinheiro dos outros e os egoístas fascizóides que se acham com liberdade para fugir com o seu dinheiro de quem os faz contribuir para o bem comum rouba descaradamente.