O tamanho do buraco

“A dívida federal, que contabiliza os endividamentos do governo nos mercados interno e externo, avançou 1,69% em outubro ante setembro, para 2,023 trilhões de reais, o maior da série histórica, informou o Tesouro Nacional nesta segunda-feira. A dívida chegou ao patamar de 2 trilhões apenas uma vez, em dezembro de 2012, segundo a série do Tesouro. Mas ainda ficou abaixo dos 2,02 trilhões verificados em outubro. A série mostra ainda que a dívida pública dobrou entre 2004 e 2013, nos governos Lula e Dilma.” Dívida pública atinge maior patamar da história em outubro.

Agora, com licença… vou lá trabalhar mais para pagar essa dívida…

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Acordo com o Irã (ou Irão)

Cá no Brasil, dizemos “Irã”. Em Portugal, diz-se “Irão”. Mais uma vez, constato o quanto meus amigos d’além-mar estão corretos (ou correctos). Afinal de contas, para onde “irão” as relações internacionais depois desse passo? De acordo com Obama, abriu-se o caminho para um mundo mais seguro; já Netanyahu afirma que trata-se de um erro histórico. Caso o acordo final venha a confirmar-se, o maior de todos os desafios não será acomodar o ceticismo de Israel com uma pretensa “boa vontade” iraniana; será avaliar o quanto vale o Direito Internacional em uma região onde pouca importância se dá à ideia de uma sociedade internacional regida por normas e valores. É esse o principal sentido do termo “histórico” na advertência de Netanyahu. Teremos a corroboração de que o Médio Oriente (ou Oriente Médio, como dizemos cá no Brasil) segue uma lógica própria? Será mais uma confirmação da “sabedoria eterna” do realismo? Ou realmente estamos a testemunhar uma adequação do Irã à “globalidade” contemporânea? Agora é esperar para ver…

Inteligentinhos

Ainda o debate (interminável!) sobre a (interminável!) criminalidade no Brasil… ou, direitos humanos para os humanos direitos.

“Dirão os inteligentinhos que a causa da criminalidade é social. Hoje em dia, “causa social” serve para tudo, como um dia foram os astros e noutro a vontade dos deuses.”  (Luiz Felipe Pondé, na Folha de São Paulo)

Adeus, Margaret Thatcher!

Foi-se a Margaret Thatcher. Foram pessoas como ela que construíram o mundo no qual vivemos hoje. Não consigo deixar de observar que, ano após ano, a Guerra Fria fica cada vez mais distante… e não consigo compreender por que há tantas regiões do mundo que vão na direção contrária e ainda aferram-se a ideologias que não têm mais razão de ser.

Obrigado, Margaret Thatcher.

O possível fim do sonho chileno…

Bem dizem por aqui que “alegria de pobre dura pouco”. O Chile enfrenta a forte possibilidade de que a Bachelet volte à presidência.

Se isso se concretizar, o que o Chile tem conquistado em termos de liberalização nos últimos anos poderá dar lugar a uma política mais voltada para o resto do “continente”.

Mas essa é apenas a velha história da América Latina…

 

Lógica + Evidências

Eu peço desculpas por não ter dado continuidade à conversa, pois passei por uns problemas pessoais nos últimos dias (perdi um gatinho muito querido – sim, isso é MUITO importante para mim, mesmo que para muita gente possa parecer ridículo – e depois fui para o interior do estado, onde a internet é péssima). Mas li o texto do Lourenço Vales e gostei muito. Na verdade, considero que temos mais concordâncias do que discordâncias, mesmo que isso não seja aparente à primeira vista.

Na verdade, minha ideia é bastante simples: não se trata de uma área ser mais ou menos científica do que outra. Ou de uma ciência ser melhor ou pior do que outra. Já pensei assim, mas abandonei esse pensamento. O que vejo agora são pessoas com posturas mais ou menos científicas, dentro de uma visão bastante simples e até ingênua do que é ciência. Não estou pensando em grandes considerações epistemológicas ou metodológicas (sim, elas são importantes, e é por isso que a discussão vale a pena). Estou pensando apenas no mínimo do mínimo: lógica e evidências. Quando estou diante de um fenômeno que desejo entender melhor, tento formular uma explicação que seja logicamente consistente. Isso, para mim, é básico: se posso derivar contradições da minha proposta teórica, então é porque ela fica melhor no cesto de lixo. Mas somente isso não basta. Preciso ter a conexão com o mundo real, e aí entra o papel as evidências. Creio que meus dois grandes “inspiradores” nisso tudo são o Bruce Bueno de Mesquita, um cientista político que admiro por sua produção acadêmica, e o Richard Dawkins, acerca de quem costumo brincar dizendo que é meu “guru espiritual”. Concordo com Dawkins sobre o significado de “teoria”: precisa fazer sentido, mas sem evidências não é suficiente. E o Bruce diz mais ou menos a mesma coisa. Deixo aqui um link para um texto dele que esclarece melhor esse posicionamento.

Em grande parte, minha posição também é influenciada pela minha formação original na Matemática. Como matemático, estou ciente de que é possível criar universos maravilhosos e estudar objetos abstratos que têm propriedades incríveis… e tudo isso dentro de uma lógica precisa e rigorosa, claro. Só que sem nenhum compromisso com o mundo real. É por isso que não considero a Matemática como uma ciência; é por isso que não considero que algo seja “pior” ou “menos importante” só por não ser uma ciência. E é também por isso que insisto tanto na necessidade de termos “lógica + evidências”. Fora disso, podemos discutir falsificabilidade, Lakatos, Quine, Laudan, Feyerabend, as sonatas de Beethoven e assim ad infinitum… E milhões de questões aparecerão, e sem dúvida poderemos enriquecer nosso conhecimento acerca do que significa praticar uma área humana/social, como a Economia ou a Política. Posso abrir mão até da predictibilidade (apesar da minha área de concentração ser a teoria dos jogos e jogos evolutivos na política internacional). Mas não abro mão de querer *aprender* mais a respeito de como o mundo funciona. Sempre ciente, é claro, de que alcançarei um conhecimento sempre incompleto e aprimorável, e jamais verdades absolutas e definitivas. Se eu quisesse respostas fechadas e definitivas para os questionamentos que me motivam, não procuraria por elas na ciência. Há outros livros e lugares que oferecem respostas prontas para as questões mais profundas que a mente humana é capaz de produzir, e muitas vezes ao custo de apenas uma “módica” contribuição mensal… e de uma boa dose de uma certa característica espiritual que, (talvez) infelizmente, creio já ter perdido há muito tempo.

É por isso que me aferro tanto à necessidade de trabalhar sempre com lógica e evidências. Caso contrário, não teríamos muito mais o que fazer além de formular opiniões… e opiniões sustentadas no quê? No mero “direito de opinar”? Achar por achar? Desculpem, mas considero-me no direito de simplesmente não levar “achismos” em consideração. Ou talvez em princípios considerados auto-evidentes, que têm a sua origem em uma cosmologia medieval ou renascentista e que, ao contrário da ciência moderna, não acompanharam o que temos aprendido sobre o mundo desde então? Isso, infelizmente, envolveria a tal da característica espiritual que mencionei no parágrafo acima.

Enfim, essas são as minhas preocupações. Mas estou aqui para participar e para aprender com todos vocês. E agradeço muito pela oportunidade de estar aqui, convivendo e trocando ideias. Mesmo que eu possa estar errado em muitas coisas, e possivelmente estou mesmo, isso não é o mais importante. Não tenho medo de errar, tenho medo é de não atentar para os possíveis erros e, assim, não ter a oportunidade de poder reconhecê-los enquanto tais e rever meus conceitos quando necessário.