Quem mentiu a quem?

A 16.07, quando Graça Freitas proferiu estas afirmações, já tinham morrido 17 utentes. Ou a Diretora Geral de Saúde (e o SE Sales, que tb participou na reunião) foi enganada, ou foi a autora de uma gravíssima manobra de ocultação e branqueamento de responsabilidades.

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As melhores frases durante/sobre a crise pandémica:

“Há baixíssima probabilidade de vírus em Portugal. A OMS está a exagerar um bocadinho.”
Graça Freitas
 
“A pandemia pode ser uma oportunidade para a agricultura portuguesa.”
Maria do Céu Albuquerque
 
“Que cada um de nós recorra à horta de um amigo. Não açambarquem.”
Graça Freitas
 
“Até agora não faltou nada no SNS e não é previsível que venha a faltar”
António Costa
 
“Apelo para que visitem os lares: sejam solidários.”
Graça Freitas
 
“Não usem máscaras. As máscaras dão falsa sensação de segurança.”
Graça Freitas
 
“Vamos, cada um virado para o seu lado”.
Graça Freitas
 
“Testes? Testes negativos dão falsa sensação de segurança.”
Graça Freitas
 
“Esta semana chegam 500 ventiladores. Outros tantos após a Páscoa.”
Lacerda Sales
 
“Existe, de facto, um produto muito eficaz, um produto que mata todos os micro-organismos e, portanto, bactérias e vírus, e que consegue durante um mês essa mesma segurança. Há uma película que é formada em torno das superfícies onde ele for aplicado.”
Matos Fernandes
 
“Então nós íamos mascarados para o 25 de Abril?”
Ferro Rodrigues
 
“Não é necessário usar máscara. A AR é um edifício grande.”
Graça Freitas
 
“Admito a possibilidade de celebração do 13 de Maio.”
Marta Temido
 
“População menos educada e mais pobre poderá estar a potenciar uma maior incidência da epidemia no norte.”
TVI
 
“Já tenho um esquema para ir à praia.”
Marcelo Rebelo de Sousa
 
“Senhor Presidente, isso não é permitido.”
Elemento da segurança de Marcelo Rebelo de Sousa
 
“Não vai haver austeridade.”
António Costa
 
“É muito difícil fazer previsões quando o mundo mudou em 360 graus em dois meses”
António Costa
 
“Tracei as linhas gerais para um plano a 10 anos em 2 dias.”
António Costa e Silva
 
“Comigo ninguém falou sobre qualquer plano.”
Mário Centeno
 
“Nos aviões não é necessário distanciamento porque as pessoas só olham para a frente.”
Graça Freitas
 
“Que bom que foi poder ver o Algarve sem as filas e as enchentes de sempre.”
António Costa
 
“A realização da fase final da Champions em Lisboa é um prémio para os profissionais de saúde.”
António Costa
 
“O que nós queremos é que venham muitos estrangeiros.”
Graça Freitas
 
“Admitimos retaliar contra países que impedem entrada de portugueses.”
Augusto Santos Silva
 
“Aparecem mais casos porque estamos a testar mais.”
António Costa
 
“A Câmara Municipal de Arcos de Valdevez, como forma de proteger as crianças que regressaram esta segunda-feira ao jardim de infância, criou um dispositivo que ajuda a manter sempre o distanciamento social. A solução surgiu sob a forma de um chapéu com quatro héllices.”
Câmara Municipal Arcos Valdez
 
“A Junta de Freguesia de São Martinho do Porto levou a cabo uma acção de desinfecção do areal da praia com um tractor e uma solução que continha hipoclorito, no início de Maio.”
Junta de Freguesia São Martinho do Porto
 
“Nesta guerra, ninguém mente nem vai mentir a ninguém. Isto vos diz e vos garante o Presidente da República.”
Marcelo Rebelo de Sousa
 
“Confinamento é para manter diga a Constituição o que diga.”
António Costa
 
“Não é patriótico atacar agora o governo.”
Rui Rio
 
“Se isto é um milagre, o milagre chama-se Portugal.
Marcelo Rebelo de Sousa
 
“Por que é que aquilo só afeta os chineses?”
Cristina Ferreira
 
“Vai ficar tudo bem.”
Sem autor atribuído
 
“Quero felicitar o Senhor Presidente da República neste 4º aniversário da sua tomada de posse, com votos de que o ano que agora se inicia seja assinalado pelo mesmo nível de sucesso, aproveitando para o congratular pelos resultados negativos no teste efetuado.”
António Costa
 
“As Câmaras Municipais do Porto e de Vila Nova de Gaia informam que a noite de São João se comemora a 23 de junho, ontem.”
CMP/CMVNG
 
“Cerca sanitária no Porto? Neste momento, e provavelmente hoje será tomada uma decisão nesse sentido, a ser equacionada entre a autoridade de saúde regional e nacional e o Ministério da Saúde, obviamente.”
Graça Freitas

A resposta à Covid-19: um primeiro balanço

Mal feito:
-desvalorização inicial da ameaça
-utilização de modelo da gripe (baseado na transmissão durante período sintomático) para estruturar resposta inicial quando COVID-19 é transmissível por assintomáticos
-maus exemplos de PM e PR
-colapso da Linha Saúde 24
-desorientação nas guidelines sobre quarentenas (pessoas com origem em zonas afetadas, etc).
-falta de equipamentos de proteção individual para o pessoal de saúde
-discurso sobre visitas aos lares
-falta de testes para contactos (idosos e pessoal de saúde)
-falta de camas de cuidados intensivos e ventiladores
-pacote legislativo mal estruturado e objeto de sucessivas correções (4 versões, pelo menos, no lay-off simplificado) o que dificulta o entendimento das regras e atrasa as decisões (já se perderam 2 semanas) num momento em que é urgente agir
-incoerência nos dados divulgados diariamente pela DGS e omissão de informação sobre o número de testes efetuados
-discurso político assente na mentira: “não faltou nada, nem vai faltar”.
Bem feito:
-encerramento dos estabelecimentos de ensino apesar do parecer da CNSP, mas a reboque das iniciativas avulsas de direções das instituições e das decisões dos pais que começaram a tirar os filhos das escolas.

O Bloco de Esquerda e Angola

Angola

Há  mais de 40 anos, em 27 de Maio de 1977, iniciou-se em Angola uma purga dentro do MPLA que terá resultado em mais de 30.000 vítimas mortais. A cisão no partido então presidido por Agostinho Neto teve repercussões na esquerda portuguesa. A linha mais ortodoxa dentro do PCP lançou um manto de silêncio sobre a barbárie. Outra corrente, hoje sobretudo representada no Bloco de Esquerda, tinha evidente afinidade com muitas das vítimas do massacre: Sita Valles, Nito Alves, José Van Dunem ou Rui Coelho para só citar alguns. É à luz destes factos históricos que deve ser lida a posição de total distanciamento do regime encabeçado por José Eduardo dos Santos que o Bloco de Esquerda manteve. Mas é então errado que o Bloco adopte uma posição de condenação radical do poder corrupto e manchado de sangue de Luanda? Obviamente que não e é justo reconhecer que foi uma vez dissonante num espetro político marcado pelo total alinhamento, no caso do PCP, ou pela hipocrisia, no caso dos restantes partidos. Mas vale o que vale. Não encontramos no Bloco a mesma coerência quando se trata de avaliar outros regimes totalitários e violentos de esquerda (sobre os de direita o Bloco tem naturalmente uma posição explícita e faz muito bem). No caso de Cuba, por exemplo, onde se esperava indignação, tivemos cumplicidade com o regime torcionário. A posição do Bloco sobre Angola não resulta portanto de um imperativo ético enquanto tal, transponível para qualquer outra geografia ou momento onde exista violação das mais elementares liberdades e direitos, mas da reação a uma ferida histórica que continua aberta.

O Estado da Saúde na União Europeia (UE) 2019

É hoje apresentado um relatório OCDE/Comissão Europeia sobre o estado da Saúde na UE. Há alguns dados positivos para Portugal e Catarina “Salvem O SNS Que Está Muito Bem” Martins e João “The Spin Machine” Galamba já abriram o espumante. Mas será caso para tanto?

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Vamos ver. Para começar, é falso que o estudo, ao contrário do que afirma João Galamba, permita concluir que o SNS é melhor a salvar vidas de doentes do que os restantes sistemas. Portugal aparece com melhor resultado do que a média da UE em alguns indicadores. É bom, mas é isso.

E também é falso, ao contrário do que afirma Catarina Martins, que o estudo permita concluir que o SNS é um dos melhores do mundo. Desde logo, porque  analisa apenas sistemas da UE. E, depois, porque lá está: em alguns indicadores estamos melhor do que a média UE, em outros não. Acresce que nem todos os resultados apresentados são consequência do sistema de saúde público embora este tenha, naturalmente, uma grande influência.

Atentemos então em alguns dados. A esperança de vida para começar. A de Portugal é superior à da média da UE. E cresceu praticamente 5 anos num período de 7 anos. É muito bom e percebe-se o entusiasmo de João e Catarina. Mas os dados referem-se a ao período de 2010 a 2017. Isto significa que uma parte relevante do mérito deve ter estado no governo de Passos Coelho.

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Por outro lado, o investimento em saúde per capita continua abaixo da média da UE embora tenha aumentado progressivamente nos últimos anos. Mais uma vez, os dados utilizados no estudo são de 2017. Well done, Passos Coelho.

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Já no que diz respeito aos recursos humanos, Portugal tem aparentemente mais médicos do que a média da UE. Mas, como o próprio estudo indica, é preciso cuidado na interpretação. No caso português, os dados apenas recolhem o nº de profissionais habilitados para o exercício da medicina e não o daqueles que estão efetivamente a exercer. Já no que diz respeito a enfermeiros, estamos bem abaixo da média da UE.

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Por último, vamos aos indicadores de eficácia que são os que levaram ao entusiasmo de João e Catarina. Portugal está melhor que a média UE quer em “Causas Evitáveis de Mortalidade”, quer em “Causas Tratáveis de Mortalidade”, com evolução recente muito positiva.

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Justifica-se então o espumante quanto a estes indicadores? Justifica, sim senhor. Mas, tal como o estudo indica, os dados considerados são de 2016 e a forte evolução ocorreu entre 2011 e 2016. Façamos, portanto, com João e Catarina, um brinde entusiástico a Passos Coelho.

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Concluindo:

  • há indicadores positivos e outros nem tanto
  • nada no estudo permite dizer que o SNS é um dos melhores do mundo ou que é o melhor a salvar vidas
  • a evolução positiva de alguns indicadores ocorreu, em parte relevante, durante o governo de Pedro Passos Coelho.

 

*os dados do estudo podem encontrar-se aqui: https://ec.europa.eu/health/sites/health/files/state/docs/2019_chp_pt_portuguese.pdf

 

Uma semana alucinante

Um Presidente incontinente que homenageia o sem-abrigo errado e que se pronuncia de forma disparatada sobre o processo. Um candidato a Bastonário oportunista e que prejudica a estratégia da defesa. Uma Ministra da Justiça que visita a arguida e que, quando fala aos Órgãos de Comunicação Social à saída da prisão, já nem sequer se lembra do nome da pessoa. Mas que grande vergonha, caramba.

Em casa de ferreiro, espeto de pau?

O LIVRE está a contratar. De acordo com o edital, que pode ser consultado aqui, o processo de seleção terá como critério fundamental a análise do CV e da experiência profissional e um dos requisitos é a capacidade de comunicação dos candidatos. Estão a concurso duas vagas: Assessor Político e Assistente Administrativo. O salário do Assessor Político é o dobro do previsto para o Assistente Administrativo e o contrato a celebrar em ambos os casos terá uma duração de dois anos. Com este enquadramento, temo que o LIVRE esteja, naturalmente de forma involuntária, a cair na falácia da meritocracia, a discriminar candidatos com dificuldade de comunicação e a promover a desigualdade salarial e a precariedade.

Humano, demasiado humano

A súbita sanha que os Abrantes (Câncio, Vega9000, Galamba) têm revelado contra a Iniciativa Liberal nas últimas horas não é estratégica, mas é humana. Não é que vejam ainda na IL uma ameça imediata ao bafio que querem preservar, é que projectam nela a memória da guerra na blogosfera em que a defesa acéfala de Sócrates foi exposta e derrotada. Não vem do futuro, vem do passado.