Humano, demasiado humano

A súbita sanha que os Abrantes (Câncio, Vega9000, Galamba) têm revelado contra a Iniciativa Liberal nas últimas horas não é estratégica, mas é humana. Não é que vejam ainda na IL uma ameça imediata ao bafio que querem preservar, é que projectam nela a memória da guerra na blogosfera em que a defesa acéfala de Sócrates foi exposta e derrotada. Não vem do futuro, vem do passado.

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Best of das teorias alucinadas que correm sobre Tancos:

– não é grave

– é grave, mas mais grave é o Rio falar sobre isso

– é uma maquinação de bandidos da direita

– é uma conspiração do Ministério Público

– e os submarinos, hã?

– é um tema da Justiça, não de campanha

A urgente descabronização

Depois da tragédia dos incêndios, impunha-se rigor e respeito. O governo preferiu o marketing. As notícias em Julho já eram claras: golas inúteis, adjudicadas por um técnico de protecção civil que era padeiro, pelo dobro do preço, a uma empresa turística do marido de uma autarca socialista que tinha sede num parque de campismo. Na fuga em frente, o ministro Cabrita tentou o enxovalho dos jornalistas em vez de apurar responsabilidades. O primeiro-ministro vê as notícias e não exige responsabilidades ao ministro. O Presidente da República vê as notícias e não exige responsabilidades ao primeiro-ministro. Comentadores apressam-se a afirmar que polémica não dura dois dias. Vocês desculpem, mas isto é tudo gente que não presta.

O erro de Bonifácio

Em artigo publicado hoje, Maria de Fátima Bonifácio afirma a não descendência (?) de africanos e ciganos da Declaração dos Direitos do Homem. Isto é usado para recusar um sistema de quotas. Mas, se admitíssemos o argumento, este serviria facilmente para negar-lhes também esses mesmos direitos fundamentais. Porque não “descendem”, teríamos que aceitar, por exemplo, que não se lhes aplica o princípio de que todos os seres humanos nascem livres e iguais. Aceitar esta tese abre a porta a um inquietante relativismo moral que parece ser, aliás, aquilo que Bonifácio queria combater. A proposta de quotas deve ser discutida a partir do entendimento sobre os princípios da liberdade e da igualdade, mas nunca da “descendência” ou não de valores fundamentais e universais.