Recordar é viver

louca

O que dizer do Louçã – o Palhaço –, segundo os camaradas do PCTP/MRPP? Apenas que é o contributo possível para a indispensável união das esquerdas em geral e do Bloco em particular.

Nos últimos vinte e cinco anos, nunca houve ninguém em Portugal que fosse tão mimado, tão incensado, tão elogiado, tão lambido, tão levado ao colo e tão carregado em ombros de tudo o que é jornalista e órgão de comunicação social como esse tal de Francisco Louçã.

Com toda a imprensa burguesa, reaccionária em extremo como se sabe, a empurrar por trás, Louçã foi posto à cabeça de um bloco de oportunistas, baptizado de Bloco de Esquerda, de que se safou logo que pôde, foi levado a deputado da Assembleia da República e até foi colocado numa cátedra ali para os lados de São Bento, no Instituto Superior de Economia e Gestão, sem que ninguém se tivesse apercebido a tempo de que o homem não só não era de esquerda como não passava de um ignorante em matéria de economia e de finanças.

A imprensa tem andado tão babada com o seu menino-prodígio que, no mês passado, enquanto celebrava os quarenta anos do golpe de Otelo e dos seus capitães, foi ao ponto de transformar à sorrelfa o paizinho de Louçã num dos heróis de Abril, quando toda a gente sabe que foram os marinheiros e sub-oficiais da fragata Almirante Gago Coutinho, por um lado, e os obuses da bateria de artilharia de Vendas Novas, colocada no Cristo Rei, em Almada, por outro, quem impediu o comandante – capitão de fragata Seixas Louçã – de bombardear os homens e os carros de Salgueiro Maia no Terreiro do Paço.

Mas a basbaquice da imprensa por Louçã é de tal ordem que não lhe custa nada homenagear como herói de Abril um fascista do antigo regime, desde que seja familiar do sobredito Louçã…

Ora, este produto acabado do jornalismo português de pacotilha – Louçã – de forma indirecta, e durante a presente crise, levantou-se contra o PCTP/MRPP aí por 2012, ao acusar uma das fracções do Bloco de ter cometido o crime de seguir o nosso Partido, ao defender o não pagamento da dívida e a saída do euro.

Desde que, em 16 de Junho de 2012, atacámos, numa conferência realizada na cidade do Porto, o Syrisa e o seu aliado português – o BE -, por não se atreverem a defender a saída do euro e o não pagamento da dívida, Louçã não tem feito outra coisa senão escrever, só ou acompanhado, resmas de papel que têm um único objectivo: explicar como se deve pagar honradamente a nossa dívida, de modo a mantermo-nos no Euro e na União Europeia a todo o custo.

Mas eis que, no último domingo, na Mesa Nacional do Bloco de Esquerda, Louçã terá admitido, segundo notícia circulada pelo jornal i, que “a saída do euro pode mesmo tornar-se na única solução para o País”.

Não acredito! Será possível que o animal tenha dito semelhante coisa?!

Mas acho que sim. Disse mesmo!

É que Louçã não passa de um palhaço! Até domingo passado, Louçã sempre defendeu a permanência de Portugal no euro e o pagamento honradinho e integral da dívida pública.

Começou, aliás, por defender, no consulado de Guterres, a adesão de Portugal à moeda única, muito embora criticasse as negociações da adesão, que teriam prejudicado o País. “Mas essa entrada era inevitável”, alegou então o catedrático Louçã.

Em Maio de 2011, fez agora três anos, numa troca pública de ideias com Jerónimo de Sousa, Louçã, com aquele ar de convicta certeza que nunca abandona mesmo quando diz as maiores alarvidades do planeta, pretendeu ter esmagado, com a sua autoridade professoral, o pouco ilustrado Jerónimo, atirando-lhe a matar: “Recuso a saída do euro, porque isso seria catastrófico”; “Ficaria tudo mais caro, desvalorizaria salários e pensões e faria com que as pessoas que têm créditos à habitação passassem a pagar muito mais“.

Não se encontraria em parte alguma da Europa um pequeno-burguês mais explícito… (…)

Leitura dominical

Os filhos da boa gente, a crónica de Alberto Gonçalves no DN.

(…) Não se trata de uma especificidade territorial: caso os alvos fossem minhotos ou algarvios, ribatejanos ou beirões, tenho a certeza de que a reacção seria semelhante. É o velho chavão do “Quem não se sente não é filho de boa gente”, que por cá atravessa geografias. Em Portugal, quase todos os progenitores devem ser gente maravilhosa e impecável, já que quase todos os filhos passam a vida a sentir-se, além de que sentem com impressionante intensidade. Desde que, falta acrescentar, se sintam contra um alvo isolado ou fácil.

Não é por nada, mas os valentes portugueses que despejam indignações em cima do Henrique ou do sr. Cid parecem-me, assim por alto, os mesmos que toleram, quando não aplaudem, tudo o que de facto importa. São os mesmos portugueses que acham normal, ou desejável, o PS costurar uma tramóia “constitucional” para tomar o poder e subordiná-lo a estalinistas ou aparentados. São os mesmos portugueses que acham razoável, ou, a acreditar nas sondagens, espectacular, que o governo recupere o prodigioso legado económico de José Sócrates, agora sob orientação sindical e com adornos “fracturantes”. São os mesmos portugueses que acham adequado, ou louvável, que um balão sorridente disfarçado de primeiro-ministro brinque com as organizações internacionais que, em última e penúltima instâncias, nos têm aguentado uns furos acima da Roménia. São os mesmos portugueses que acham correcto, ou excelente, o uso das escolas públicas para perpetuar as desigualdades e alimentar a obediência do bom povo. São os mesmos portugueses que acham normal, ou oportuno, que um rapazito que vê na iniciativa privada um sintoma do Terceiro Mundo esteja no Parlamento e não no hospício. São os mesmos portugueses que acham razoáveis, ou “giras”, propostas legislativas que deixam as crianças mudar de sexo e os idosos serem abandonados. São os mesmos portugueses que acham compreensível, ou fabuloso, que uma deputada denuncie os inimigos da “laicidade” e a discriminação dos gays enquanto exalta a mesquita que os contribuintes pagarão em Lisboa. São os mesmos portugueses que acham pertinente, ou radiosa, a nova mesquita de Lisboa.

Os insubmissos portugueses submetem-se, mudos ou felizes, a um presidente que confunde a função com um circo de irresponsabilidades. A polícias que lhes explicam o sistema de multas criado para os pilhar. A “estadistas” que os “aconselham” a andar de autocarro, ou a pé, ou de jumento. A sindicalistas que escarnecem diariamente do seu trabalho. A tiranetes colocados em cada esquina ou ministério. E, nas próximas semanas, ao fervor patriótico da selecção da bola, para gritar “Portugal! Portugal” e ignorar que o país verdadeiro se afunda sem remédio.

Filhos de boa gente e de quem calha, os portugueses sentem-se. O problema é que, com as prioridades do avesso, sentem-se mal. E não tarda vão sentir-se pior. (…)

O regresso de Darth Putin

putinsmile

A seguir o Darth Putin’s Blog que promete “a reunificação soviética“.

 

Transcript of note from the 146% legitimate President of Russia!

Citizens!!

Your 146% legitimate President is being unjustly held in Twitter’s gulag! However, through a trusted, loyal courtier I have managed to smuggle a message to the outside world. (Ok, I scribbled note this on a spare copy of the Minsk Agreement in my pocket when I was arrested and jammed it up Medvedev’s backside for him to smuggle).

Appeals against this kangaroo court and travesty of justice have begun and the USA’s lickspittles have indicated that a compromise is possible.  However, be warned, I still have neighbors I have yet to invade in order to distract my citizens from shitty roads and falling wages.

With this in mind I urge the CIA’s stooges in Russia’s illegally annexed California Oblast to release me from this unjust detention.

In the mean time, please keep tweeting your support with the hashtag #NoTwitterGulagForDarthPutinKGB to remind the fascists that this will not stand.

Yours, topless

VVP

E saúde-se o regresso ao activo de @DarthPutinKGB.

Como a realidade tende a ultrapassar a ficção e a comédia, Konstantín Dolgov, o responsável pelos direitos humanos do Ministério das Relações Exteriores russo aponta o neoliberalismo agressivo como a mãe de todos os males.

Felizmente que à humanidade resta Vladimir Putin – o verdadeiro porteiro do Kremlin.

Leitura complementar: Do Kremlin, com humor.

Do Kremlin, com humor

Vlad

Gozar com criaturas divinas não dá bom resultado.

Leitura dominical

A escola do crime, a opinião de Alberto Gonçalves no DN.

(…) No fundo, a questão deveria ser simples. Se cabe ao Estado alguma intervenção no assunto – matéria também discutível – será a de facilitar a escolha das famílias, aquelas que não conseguem chegar às escolas desejadas sem ajuda. É absurdo, além de dispendioso, que se patrocinem escolas privadas e públicas em vez de se patrocinar os cidadãos. Sucede que a preocupação dos devotos da escola pública não é, obviamente, o dinheiro. Nem a educação das criancinhas. Nem a justiça, a igualdade, a moral e demais conceitos assim impecáveis.

Materialmente, há que consagrar o poder dos sindicatos no ensino, que há muito se sobrepõe à tutela e hoje dispensa-a por completo. Ideologicamente, é importante controlar a ascensão social, e domesticar as almas de modo a subjugá-las às demências vigentes. Sobretudo importa arrasar qualquer vestígio de respeito pela liberdade alheia, e mostrar quem manda. Nisto, manda um “professor” com estágio no despotismo e carreira no ressentimento. Em sectores diferentes do país inteiro, mandam ou candidatam-se a mandar tiranetes diferentes, todos juntinhos num projecto totalitário que o Dr. Costa acha “claro, coerente e estável”. E o pior é que tem razão. O melhor é que não tenho filhos: o crime em curso não carece de novas vítimas.

Na vanguarda

A imagem da Reuters é de duas médicas num hospital em Riade mas à primeira vista, uma delas poderia ser o Dr. Mohannad al-Zubn a evitar chatices.
A imagem da Reuters é de duas médicas num hospital em Riade mas à primeira vista, uma delas poderia ser o Dr. Mohannad al-Zubn a evitar chatices.

Um novo e aliciante desafio à medicina ou apenas uma forma de agradecimento local.

A doctor working at a hospital in Saudi Arabia has been shot for helping a woman deliver a baby.

Jordanian obstetrician Dr Mohannad al-Zubn helped a Saudi woman give birth at the King Fahad Medical City in the Saudi capital, Riyadh, last month.

The new father went to the hospital, saying he wanted to thank the doctor – but, after meeting him outside in the garden, withdrew a concealed gun and shot him at close range.

The unnamed attacker was reported to have carried out the shooting because he did not believe a man should have helped his wife give birth.  “The husband came to the hospital looking for the doctor and shot him in the chest in an attempt to kill him for helping his wife deliver a baby,” said a hospital spokesperson.

As cantigas euro-festivaleiras do PCP

Foto de Michael Campanella/Getty Images que retrata o nazi-fascismo eurofestivaleiro exposto pelo PCP.
Foto de Michael Campanella/Getty Images que retrata o nazi-fascismo eurofestivaleiro exposto pelo PCP.

Enganam-se aqueles que associam as xaropadas musicais dos Zecas e das Brigadas ao PCP. Na melhor das hipóteses, os cantautores canhotos fazem parte das relíquias dos comunistas portugueses, agora que o PCP descobriu as emoções burguesas da canção ligeira do Eurofestival. A responsável é a ucraniana Jamala que venceu o tal Festival da Canção, realizado em Estocolmo com a canção intitulada 1944 e que recorda os feitos de José Estaline na Crimeia. A canção que representava a Rússia, considerada como favorita, ficou no terceiro lugar, atrás da estreante Austrália.

Afinal, apesar da negação do comunista Mário Nogueira, o estalinismo continua vivo e de boa saúde no PCP.

(…) Pouco importará aos patrocinadores do Festival da Eurovisão que 1944 tenha sido o ano da deportação de tártaros da Crimeia. A História sabe que o imperialismo europeu nunca foi muito dado à preocupação com as tragédias dos humanos, dentro e fora do seu território. E se exemplos faltassem, teríamos o dos refugiados árabes sem refúgio, sobreviventes das guerras que os EUA e a UE levaram às suas casas e às suas vidas, agora reunidos nos campos de concentração que a União Europeia aluga na Turquia. Ou os povos da antiga Jugoslávia, vítimas de um xadrez «ocidental» diabólico, em que o sofrimento oscilou entre a morte e o comércio de órgãos humanos, patrocinado por conhecidos aliados do chamado ocidente.

Em 2016, o Tribunal Administrativo de Kiev decretou a ilegalização do Partido Comunista da Ucrânia (PCU), na sequência do golpe de Estado de Fevereiro de 2014. Ao mesmo tempo iniciou-se uma campanha de reescrita da história, traduzida no branqueamento dos crimes das forças colaboracionistas com o ocupante nazi na II Guerra Mundial e a promoção de forças paramilitares de perfil neonazi.

Mas isso é em 2016. Para os patrocinadores da Eurovisão a tarefa é a da reinvenção dos dramas que, em 1944, envolveram tártaros da Crimeia, utilizando o estafado (o criminoso) processo da apresentação simplista de «factos» vindos de um tempo que foi o da sementeira da paz, paga com mais de 20 milhões das vidas soviéticas (também de tártaros) que Jamala, esquecendo, ofende (e se ofende).

No fundo é como na Música. Pois se as notas de que se compõe a Ode à Alegria de Beethoven são exactamente as mesmas com que Jamala escreveu uma canção feita para estimular ódios esquecidos! Saiba o vasto público televisivo – e os povos do nosso mundo – distinguir a Obra da provocação.

Leitura dominical

E se fosse connosco?, a crónica de Alberto Gonçalves no DN.

(…)Um ministro é acusado de fraude em redor de uma bolsa de estudo? Caso fosse de “direita”, seria um trafulha sem princípios, alvo da fúria do Facebook e de rábulas de comediantes – demissão já! Como é de esquerda, foi obviamente vítima de uma conspiração sórdida e de péssimo jornalismo. Um autarca decide escorraçar munícipes e espatifar milhões de euros na construção de um templo religioso? Caso fosse de “direita”, seria um inaceitável aviltamento do regime laico, uma prepotência atroz e uma despesa criminosa – demissão já! Como é de esquerda (e a religião é o islão), trata-se de um enorme passo ecuménico e um gesto de inegável coragem. Uma nulidade reformada põe um cidadão em tribunal e consegue uma condenação por delito de opinião? Caso fosse de “direita”, seria um inimigo da liberdade de expressão e um rematado fascista – demissão já (ainda que o estatuto de reformado dificultasse a tarefa)! Como é de esquerda, é o proverbial filho da boa gente, que se sente tomado por justíssima indignação. Um primeiro-ministro ri-se imenso enquanto arrasta o país para o abismo e, mediante contas alucinadas, despesas típicas e fezadas primitivas, finge salvá-lo. Caso fosse de “direita”, seria um cínico desavergonhado, um incompetente ao serviço de interesses obscuros, uma nódoa enfim – demissão já! Como é de esquerda, é exactamente o que se espera que a esquerda seja.

Questões à CML, a construtora de mesquitas

medina

Vale a pena ler o post da Helena Matos intitulado A CML, a construtora de mesquitas.

Da leitura surgem algumas questões:

A CML – socialista, laica e republicana – paga a construção de uma mesquita na Mouraria a que propósito?

Que outros locais de culto foram promovidos e pagos pela CML?

Houve lugar a expropriações? Em que moldes e condições?

Passará a norma edificar templos religiosos a partir de instalações clandestinas?

A construção da mesquita na Mouraria está no programa eleitoral do PS local ou nacional?

Na incerteza de que terei as respostas por quem as deve dar, informo que existe uma petição dirigida À CML e Assembleia da República intitulada “Petição Contra a Construção de Mesquita em Lisboa em Propriedade Privada Expropriada“.

Alguém tem notícias de Snowden?

VladFriend

State Has Put 6% of Russians Under Surveillance in Past Decade.

At least six percent of Russia’s population has been under state surveillance at some point in the last nine years, according to a report released by human rights activists Monday.

Information released by Russian human rights group Agora claims that the Russian Supreme Court received some 4,659,325 applications to monitor and record telephone communications between 2007 and 2015. The court approved almost 97 percent of these, or 4,517,515.

Assuming that each wiretap target was in conversation with at least one other person, activists calculate that six percent of the Russian population, or 8.5 million people, have been monitored by the state at some time.

“If we assume that each of the wiretaps lasted for roughly a month, that means that over the course of nine years at least six percent of the population have had their communications monitored at some point,” said report co-author Pavel Chikov.

Agora claims that a lack of accountability has left the work of the security services open to political exploitation. The report alleges that on numerous occasions Russian law enforcement agencies violated human rights without compelling criminal evidence.

Government agencies acted without evidence in 352 cases, taking DNA or other biometric information in 242 of them, according to the report. Targets included activists who demonstrated on Manezh Square in 2014 and a number of Crimean Tatars between 2014 and 2016.

In 35 cases, citizens’ movements were monitored without any evidence of a crime, while 23 targets saw electronic communications hacked by security services.

Hidden video or audio equipment was used without compelling reason on 28 occasions and in several cases covert police footage was leaked to the media. (…)

Leitura dominical

Camilo e filhas, a crónica de Alberto Gonçalves no DN.

Segunda-feira. A meio do Jornal das 8 da TVI, José Alberto Carvalho anuncia a “peça” (e que peça) seguinte: “Pai das deputadas Joana e Mariana Mortágua mantém a rebeldia e a insatisfação sem meias palavras. É Camilo, o revolucionário. (…) E fala, com “gravitas” de serão teatral, para confessar que, afinal, a democracia parlamentar, cheia de “contradições” e “fingimentos”, não é bem o seu género. Se calhar, proibiam-se as bancadas do PSD e do CDS e aquilo ficava composto. O sr. Bandarra não vai por aí: “Camilo não é homem de fingimentos ou meias palavras” (já alguns profissionais da TVI não dispõem de muitas palavras inteiras), pretexto para evocar a história do Santa Maria e o desvio do avião da TAP, ambos “os primeiros desse tipo em todo o mundo.” Por acaso é uma cabeluda mentira, mas ao sr. Bandarra interessa menos a realidade do que demonstrar que os Descobrimentos não cessam de correr no sangue lusitano. Desse por onde desse, o “célebre assalto ao Banco de Portugal na Figueira da Foz” não pôde reclamar estatuto de pioneiro. Em compensação, deu origem “à fundação da mítica LUAR”. Logo, garante o sr. Bandarra, Camilo é: a) um terrorista; b) um criminoso comum; c) um maluquito. Nada disso: “É um histórico da luta e acção directas.” E teve “uma vida cheia”. O sr. Bandarra, cujo crânio parece vazio, não questionou os propósitos altruístas do roubo. Ou a legitimidade da “acção revolucionária”.

(…) Por falta de espaço, e de compreensão dos paginadores do DN para com os grandes heróis do totalitarismo indígena, não posso contar tudo. Limito-me a revelar dois ou três pontos altos. Quando comenta o assassínio de um dos oficiais do navio sequestrado, Camilo limpa as unhas e diz “É a vida.” E acrescenta: “Somos todos culpados, incluindo ele.” Um tribunal a sério discordaria. Depois, Camilo informa que “a violência não física é por vezes muito mais violenta do que aquela que faz sangrar”. O marinheiro abatido também discordaria, mas isso já são manias. Segundo o sr. Bandarra, o Santa Maria foi “uma espectacular operação”.Pelo meio, há uma digressão acerca das populares filhas de Camilo, a quem os pais deram “toda a informação”, desde que, evidentemente, “assentassem no caco” certos “princípios”. Ou seja, lá em casa discutia-se o espectro ideológico de M a M, ou de Marx a Mao. Uma das meninas, não sei se a que, sem dúvida sob influência parental, publicou a meias com Francisco Louçã um livrinho intitulado Isto É Um Assalto, proferiu umas banalidades alusivas à “consciência política” e “coerência” do paizinho. (…)

O Inverno da ignorância está a chegar

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Nacionalizado à página de Facebook do Rui Rocha.

Leitura dominical

Uma cidade chamada Porto, a crónica de Alberto Gonçalves no DN.

(…) Fernando Rosas é um homem notável. Em décadas de carreira pública, nunca lhe descobri uma opinião favorável à liberdade, à democracia e ao progresso, embora encha a boca com esses vocábulos ao ponto da obesidade. O homem parece fossilizado desde os tempos em que dirigia a Luta Popular, onde cantava hossanas, de que nunca mostrou sombra de arrependimento, ao “grande Estaline” (juro) e “ao camarada Mao” (é redundante jurar). Em 1976 ou em 2016, no MRPP ou no BE, boa parte dos horrores totalitários dos últimos cem anos tiveram no dr. Rosas um encarniçado e, admita-se, sincero entusiasta. “Historiador” na vida civil, este devoto de genocidas esforçou-se por explicar o passado e adivinhar o futuro. Em qualquer dos casos, falhou sempre. No dia em que acertar, estamos feitos. O dr. Rosas não serve para coisa nenhuma, excepto de exemplo a fugir. Naturalmente, saiu da universidade jubilado e permanece na sociedade prestigiado, indicadores cabais da dignidade de ambas.

Assim se vê a força do PC

Durante o dia, o Povo Venezuelano sai às ruas para agradecer a solidariedade do socialismo. Foto: EFE,
Durante o dia, o Povo Venezuelano agradece a solidariedade do socialismo.  Foto: EFE.

No meio do caos socialista, os comunistas portugueses na “Jornada Mundial de Solidariedade com a Venezuela” –  reafirmam o ” apoio à luta do povo venezuelano” e exigem “o fim das ameaças e ingerências externas.”

A solidariedade internacional do PCP já está a dar frutos e o sonho marxista de acabar com o capitalismo foi uma vez mais alcançado: a Venezuela não tem dinheiro suficiente para imprimir notas.

De regresso à realidade, o Povo venezuelano sai para a rua para festejar o apagão diário a que têm direito, apesar da capital Caracas permanecer sem essa conquista social que cobre 75 por cento do país.

Leitura dominical

A prosperidade é um estado de espírito, a crónica de Alberto Gonçalves no DN.

(…) Não é o PCP que tem lampejos de lucidez: é o Bloco de Esquerda que vive em estado de alucinação perpétua. O episódio do “cartão de cidadania”, que os comunistas dissimulados queriam impor e os comunistas assumidos vetaram, é apenas um exemplo. E nem sequer um exemplo original: por todo o Ocidente e arredores há “comissões”, “observatórios” e centros de ócio similares empenhados na erradicação da discriminação de género através do massacre da gramática. Os primitivos, que pronunciavam “chuva” e aguardavam o aguaceiro, acreditavam que a linguagem determinava a realidade. O BE, sem hesitações ou subtilezas, também acredita, e é preciso um partido que acredita na democracia norte-coreana para moderar-lhes a toleima.

Ocasionalmente, critica-se os nossos humoristas por pouparem o BE à sátira. É possível que não se trate de uma questão ideológica, mas do simples facto de o BE constituir uma anedota em si mesmo. Eu próprio iniciei este texto decidido a aliviar-me de duas ou três graçolas alusivas e desisti entretanto. Cada frase, atitude ou proposta do BE já é uma graçola perfeita e involuntariamente (?) elaborada. E a melhor de todas é a circunstância de tamanha homenagem ao delírio ver-se hoje representada sobretudo por senhoras. Se a ideia é combater o enxovalho e a subalternização das mulheres, não seria mal pensado começar-se por aí.

Erdogan é paz e amor

erdogan

Se ouvir alguém a insultar o Presidente turco, só tem de reportar os factos ao consulado turco na Holanda.

We ask urgently for the names and written comments of people who have given derogatory, disparaging, hateful and defamatory statements against the Turkish president, Turkey and Turkish society in general.

A fuga do paraíso cubano

AP Photo/Hans Deryk
AP Photo/Hans Deryk

E em números crescentes.

De forma surpreendente, o destino de quem escolhe escapar ao paraíso comunista não é a Venezuela nem a Festa do Avante.

Leitura complementar: Cuba jovem e revolucionáriaA homenagem da geringonça ao ditador Hugo Chávez.

Cuba jovem e revolucionária

Castrojovem

O Presidente de Cuba tem 84 anos. Raúl Castro anuncia que irá deixar o cargo em 2018 e sugere que os líderes do abençoado Partido Comunista Cubano sejam sub-70.  Graças a um curto período de transicão sugerido por si mesmo, Raúl Castro irá permanecer como Presidente daquela organização mafiosa por mais cinco anos.

Entretanto, o facínora mais velho, fo apanhado a falar com o coronel Chávez na Amadora.

Não sei se Cuba aguentará tanto sangue novo e mudanças tão abruptas.

A geringonça dá nov@s mund@s a@ mund@

EduCabrita

Depois da geringonça mudar  o nome do cartão de cidadão, o próximo passo é acabar de vez com o opressor nome da Carta dos Direitos do Homem.

Compreender o putinismo XL

crimeiaescocia

Pacificação final do referendo na Crimeia.

One of Russia’s most senior law enforcement officials has said that dismissing thnder which Crimea joined Russia should be a crime equal to extremism.

Crimea was controversially annexed from the territory of Ukraine in 2014 as well-armed, but unmarked, fighters who appeared to be Russian special operations forces seized government buildings. Pro-Russian authorities then set up an internationally unrecognized referendum in Crimea on joining Russia, after which the region was incorporated into the Russian Federation.

According to Alexander Bastrykin, head of Russia’s Investigative Committee, questioning the legitimacy of the referendum should be considered “extremist activity” for “falsifying reports of historical events and facts.”

Leitura complementar: Compreender o putinismo XVI.

Mais depressa se apanha um Centeno que um coxo

Centendo beiço

PSD: Mário Centeno mentiu na comissão de inquérito ao Banif

PSD apresenta um email do BCE que contradiz as declarações do ministro das Finanças na comissão de inquérito. Centeno terá pedido ao BCE para persuadir Bruxelas a aceitar proposta do Santander.

A homenagem da geringonça ao ditador Hugo Chávez

chacezamadora
Alfragide faz História. O momento glorioso da profunda união e irmandade que une os povos de Portugal e da Venezuela nas pessoas da Presidente da Câmara Municipal da Amadora, Carla Tavares e do Embaixador venezuelano.

Um dia antes da útil inauguração da estação de metro na Reboleira (temos de aprender a viver sem carro) que liga os comboios da linha de Sintra à rede de Metro, a Câmara Municipal da Amadora, descerrou a placa toponímica Praça Hugo Chávez, na freguesia de Alfragide. A cerimónia que animou os admiradores de ditaduras populares -mesmo os mais adormecidos-, foi abrilhantada pelo senhor Embaixador da Venezuela em Portugal, o General en Jefe Lucas Rincón Romero.

O ditador imortalizado na placa de Alfragide levou à miséria o seu país regressou em espírito a Portugal e calou os pessimistas que o apontam como o responsável máximo pela falência de um país rico em petróleo, onde se deixou de trabalhar às Sextas para poupar energia, em que os supermercados oferecem prateleiras vazias a quem os visita – vencidas as enorme bichas – e onde a inflacção galopa alegre e a bom ritmo para os quatro digitos.
A sua herança é, sublinhe-se,  a todos os níveis, memorável: perseguição e existência de presos políticos, golpes progressistas, marcação cerrada e fecho dos media que ousam noticiar a realidade. Em jeito de conclusão: este enviado do socialismo merece todas as homenagens de quem não tem vergonha alguma.

Cabala atlântica

lulas

Sócrates diz que o seu processo e o de Lula visaram impedir candidaturas presidenciais.

As fugas de informação do Panamá precisam de estímulo

espesso

Se o resultado da investigação jornalística é este – os donos disto tudo e da Comporta usarem e abusarem dos Panamás deste mundo-, a montanha nem um rato pariu. É, sem dúvida, mais estimulante visitar a página do Facebook do ex-ministro da cultura João Soares do que comprar o Expresso.

Compreender o putinismo XXXIX

fururo

Passa pelo entendimento do que é a verdadeira inovação. É preciso um meio de comunicação ao serviço do estado, das pme’s russas e do povo russo que noticie o desenvolvimento por parte do Ministério do Desenvolvimento Económico de uma plataforma de e- commerce, sugerida pelo eterno Presidente Putin em Dezembro passado. Agora entendo as mais justas pessoas (de liberais puros a comunistas mais ou menos disfarçados) que defendem os esquemas a visão progressista de Vladimir Putin y sus muchachos.

Bloggar continua a fazer mal à saúde

Samad

Secular activist who criticised Islamism killed in Dhaka

Nazimuddin Samad, whose family live in London, was hacked to death by at least four assailants after posting on Facebook

Samad foi a décima pessoa a ser assassinada no Banglandesh por expressar opiniões nas redes sociais.
Recordo o que escrevi no ano passado, a propósito das ameaças dos moderados  iranianos à feira do livro de Frankfurt:
Salman Rushdie foi condenado à morte por ofender o Islão. A gota de água que fez em 1989 Sayyid Ruhollah Musavi Khomeini “soltar” a fatwa condenatória foi o livro Versículos Satânicos. Nela, o responsável iraniano convidava todos os muçulmanos devotos a executar Salman Rushdie como exemplo para quem se atreve a insultar o Islão. O convite estava lançado. Quem se atreve a insultar o Islão, sabe com o que conta.
Salman Rushdie é obrigado a viver sob protecção policial. Passados todos estes anos os intelectuais mais pacifistas continuam a encontrar “razões” que levam à “compreensão” da fatwa que condenou à morte Salman Rushdie mais os seus editores e tradutores. Por certo, partilharão o repúdio  demonstrado pelo ministro iraniano.

Geringonça offshore

geringonca

BE, PCP e PEV exigem fim do “offshore” da Madeira, PS rejeita “pedidos inexequíveis”.

 

Panama Papers

Uma fonte que prima pelo anonimato entregou 2,6 teras de informação ao jornal alemão Süddeutsche Zeitung, que coordenou a investigação jornalística, agora disponível em termos globais. Apesar de exisitir muita pedra por partir, valerá a pena passar os olhos pelo Panama Papers -The secrets of dirty money.

O vídeo explicativo está engraçado.

Adenda: A investigação Panama Papers fez a primeira vítima política: o Primeiro-Ministro islandês demitiu-se.

 

Leitura dominical

Uma conspiração de estúpidos, a opinião de Alberto Gonçalves no DN.

(…) As más notícias sucedem-se. Não só o Estado Islâmico já ameaça directamente Portugal como continua a recrutar portugueses, sobretudo em Lisboa e na zona centro. O único consolo chega das autoridades belgas, que enfim descobriram a explicação para a capacidade de sedução do bando de psicopatas: “Os nossos jovens são vítimas de SMS propagandísticos.” E de “predadores”, acrescenta o Guardian. Trata-se, afinal, do que sempre suspeitei: aquilo no fundo é gente impecável, desviada pelas proverbiais más companhias para rebentar com terceiros e outros gestos talvez censuráveis. Antes que a coisa chegue ao aqui norte, à cautela já desliguei o telemóvel. (…)

 

Leitura recomendada

Escritora saudita questiona como reagiriam muçulmanos se terroristas cristãos se fizessem explodir no meio deles.

A autora é Nadine Al-Budair, saudita. A tradução é de Romeu Monteiro.

(…) “Imaginem um jovem ocidental a vir aqui e a levar a cabo uma missão suicida numa das nossas praças públicas em nome da Cruz. Imaginem que dois arranha-céus haviam colapsado numa capital árabe, e que um grupo extremista cristão, vestindo roupas do milénio passado, haviam assumido responsabilidade pelo evento enquanto destacavam a sua determinação em ressuscitar ensinamentos cristãos ou decisões cristãs, de acordo com a sua percepção, para viver como no tempo [de Jesus] e dos discípulos, e para implementar certos edictos de teólogos cristãos…

“Imaginem ouvir as vozes dos monges e dos padres nas igrejas e lugares de oração, dentro e fora do Mundo Árabe, gritando em altifalantes e fazendo acusações contra muçulmanos, chamando-os de infiéis, e cantando: ‘Deus, elimina os muçulmanos e derrota-os a todos.’

“Imaginem que havíamos oferecido a um número incontável de grupos de estrangeiros vistos de turismo e residência, cartões de identidade, cidadania, bons empregos, educação gratuita, cuidados de saúde modernos gratuitos, segurança social, e por aí fora, e depois disso um membro de um desses grupos surgia, consumido por ódio e por sede de sangue, e matava os nossos filhos nas nossas ruas, nos nossos prédios, nos escritórios dos nossos jornais, nas nossas mesquitas e nas nossas escolas. (…)