Trumpices

Trumpismo no seu melhor. As autoridades podem apreender a propriedade de pessoas que nem sequer estão acusadas de crime, incluíndo em estados onde esta forma de roubo se encontra banida. Só pode ser fake news pois a fonte é jornalista da CBS.

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Trumpices

O Trump parece que está a esforçar-se para manter vivo e bem nutrido o Russia Gate.

Press secretary Sean Spicer confirmed Trump and Putin spoke at the G-20 heads of state dinner, hours after their formal bilateral sit-down. But he wasn’t able to say how long they spoke or what they discussed.

According to Tuesday reports, in their second conversation, Trump spoke with the Russian leader for roughly an hour, joined only by Putin’s translator. The meeting had previously gone without mention by the administration.

“There was a couples only social dinner at the G-20. Toward the end, the president spoke to Putin at the dinner,” National Security Council spokesman Michael Anton said.

Trump’s interactions with Putin are the subject of particularly intense scrutiny in the U.S., because of the ongoing special counsel and congressional investigations into possible collusion between the Trump campaign and Moscow.

That Trump was not joined in the conversation by his own translator is a breach of national security protocol, according to Ian Bremmer, president of the Eurasia Group, though one that the president likely would not know about.

O novo normal anormal de Trump parece passar por interromper a história do encontro do Donald Jr para anunciar o seu próprio segundo encontro com Vladimir Putin (até ao momento) mantido em segredo. Numa ideia, a doutrina Trump reside na capacidade de distracção de tudo o que o que o próprio Trump e a sua família fazem com o precioso detalhe do Presidente norte-americano de se ter reunido a sós com o bully do Kremlin e do tradutor russo.

Leitura complementar: Trump, Russia, and the Misconduct of Public Men.

 

Portugal, a Venezuela da Europa

Uma experiência do Terceiro Mundo, a crónica de Alberto Gonçalves no Observador.

(…) Não tem sido um espectáculo agradável, excepto para apreciadores da incompetência, do descaramento e da radical ausência de dignidade. É, em suma, uma gente literalmente abjecta. Perante a tragédia, eles decretam o caso resolvido. Perante o desleixo, lembram desleixos maiores. Perante as dúvidas, confessam sentimentos. Perante as câmaras, dão abraços. Perante a culpa, acusam eucaliptos e furriéis. Perante o caos, pedem avaliações de popularidade. Perante a obrigação, partem de férias para Ibiza, a subjugar espanhóis com a barriga e um par de cuecas.

A propósito de Espanha, é revelador que, apesar dos divertidos esforços dos “jornalistas” de cá para os calar, sejam sobretudo os jornais de lá a contar-nos o que o “estrangeiro” vê quando olha para aqui. Vê uma anedota perigosa, um manicómio em auto-gestão, uma experiência do Terceiro Mundo às portas da Europa. E, naturalmente, assusta-se.

O susto não é descabido. Descabido é o rumo que, com a sensatez habitual, o “debate” indígena ameaça seguir. A oposição, se a palavra se aplica, andou uma semana a lamentar o colapso do Estado e a reclamar a demissão dos ministros da Administração Interna e da Defesa e o regresso do dr. Costa. Para quê? Não imagino. A substituição de duas insignificâncias por duas insignificâncias iguaizinhas não alteraria nada. O prolongamento das férias do dr. Costa por 20 ou 30 anos alteraria imenso. Quanto ao Estado em frangalhos, em teoria só um socialista, assumido ou dissimulado, se maçaria com o tema – na prática, o aborrecido é a devastação principiar pelos únicos pedaços que, se calhar, convinha manter.

Entre o chinfrim, sobra um facto: Portugal é governado por uma coligação de leninistas com sentido de oportunidade e de oportunistas com nostalgias totalitárias. O que nos está a acontecer é o percurso fatal em qualquer arranjo do género. Começa-se em euforia, avança-se para a estupefacção, saltita-se para a raiva e termina-se em desgraça, porque semelhante malformação não poderia terminar de maneira diferente. O simbolismo da recente manifestação de apoio ao sr. Maduro, em Lisboa, não é desprezível. (…)

Lisboa e a banda do exército saúdam a festa dos brutos

Foto Tiago Petinga/Lusa

Duzentas almas manifestaram-se hoje em Lisboa a favor do regime comunista venezuelano, liderado por Nicolás Maduro. A celebração cívica teve o natural apoio do PCP, através do líder parlamentar, de uma sua afiliada intitulada Conselho Português para a Paz e Cooperação presidida -por mero acaso- pela candidata comunista à Câmara Municipal do Porto e da embaixada do país sul-americano.

O que me indigna não é a defesa por parte de comunistas e comunistas envergonhados de ditaduras brutais e autoritárias desligadas da realidade e do elementar bom senso mas a participação na celebração de apoio às forças progressistas de representantes da Câmara Municipal de Lisboa e da Banda do Exército.

O socialismo do século XXI não muda – continua a ser uma festa brutal e ignóbil.

O final feliz de Pedrógão Grande

Tudo está bem quando acaba bem, a crónica de Alberto Gonçalves no Observador.

(…) O facto é que, apesar de toda a perfeição acima descrita, em Pedrógão Grande morreram, que se saiba, 64 pessoas, além das centenas de feridos, desalojados e desgraçados em geral. Culpados? A tese oficiosa foi evoluindo. Começou por se desconfiar de uma árvore (radicalizada e já devidamente referenciada pelas autoridades). Partiu-se para a crítica à natureza, que nunca, nunca, nunca na História da Terra se manifestara com tamanha violência. Prosseguiu-se com a acusação dos jornais espanhóis que não veneram a competência do dr. Costa e, movidos pela inveja, acham o nosso Estado um atraso e uma vergonha. Finalmente, chegou-se a um consenso, aliás previsível: a culpa é de Pedro Passos Coelho, que confiou num boato, permitiu-se uns comentários sobre eventuais suicidas na região dos incêndios e, para cúmulo, desculpou-se pelo erro.

De súbito, o tipo de gente que passou anos a misturar jovialmente suicídios e “austeridade” esfregou as mãos e aproveitou a deixa. Não é que essa gente precisasse, mas enfim dispunha de um “pretexto”, grotesco que fosse, para ignorar a incúria, a corrupção, a demagogia, a incompetência, o descaramento, a prepotência e o desrespeito dos, digamos, “responsáveis”. Para alívio colectivo, o horror talvez criminoso de Pedrógão Grande expiou-se numa frase infeliz. E, sem surpresas, os seus autores preparam-se para sair impunes: o “focus group” determinou que a popularidade do dr. Costa não sofreu abalos. No fundo, é que importa.

A liberdade é um bem escasso na Turquia

O confisco de propriedade de igrejas e a islamização da Turquia vai bem obrigado.

Erdogan Seizes 50 Syriac Churches and Monasteries, Declares Them Turkish State Property

Leitura complementar: Momento cultural turco.

O Metro de Lisboa e o ministro do ambiente a darem o máximo

No mínimo, é o máximo. A espera pelo Metro é algo de pitoresco.

“Sou um cliente assíduo do Metro de Lisboa e testemunho que está a funcionar muito melhor”, afirmou o ministro do Ambiente.

Leitura recomendada: Felizmente, o metro de Lisboa é do povo e não de uma multinacional neoliberal qualquer

Até o SIRESP fez o máximo que podia

Foto: Miguel A. Lopes/Lusa

O relatório do SIRESP é um insulto às vítimas dos incêndios e mais uma prova do processo de venezuelização em curso. Afinal a vida tem de continuar, excepto para todos aqueles  que a perderam, por responsabilidade do estado.

“É lógico que houve falhas” no SIRESP em Pedrógão Grande, diz comandante de Castanheira de Pera

Caixa negra da Proteção Civil revela pedidos de ajuda sem resposta por falha do SIRESP

O amor acontece

 

Distrital do PS pede demissão.

Eu, Sebastião Pereira

Dou a boa-nova que a colega Fernanda Câncio já descobriu quem pagou as contas das férias em Formentera.

A tragédia e a responsabilidade política da geringonça

Morrer entre brutos é triste, a crónica de Alberto Gonçalves no Observador.

(…)  Numa proeza sem grandes precedentes na cronologia do servilismo ocidental, um diário de rever…, perdão, referência, mobilizou todo o corpo de colunistas para atribuir Pedrógão Grande à desdita, à conspiração dos elementos e – segurem-se – ao “fogo que voa”. É um mero, mesmo que particularmente asqueroso, exemplo. Descontadas as excepções, o tom das “notícias” não tem fugido à produção de prosa “poética” e sentimento. Em contrapartida, foge a oito pés na hora de escrutinar o poder. Editoriais espanhóis decretam o fim da carreira do primeiro-ministro, mas ignoram que o repórter português médio permite que o excelentíssimo espécime coloque as perguntas que quer em lugar de responder às que não quer. Mal habituados, jornalistas a sério não concebem que o jornalismo a brincar colabore com estadistas de trazer por casa em sinistras encenações de compaixão. Aliás, o jornalismo a brincar também não concebe o seu oposto: um colunista do “El Mundo”, crítico das nossas desgraças, anda a ser investigado pelos colegas de cá, abismados com o desplante.

Em nações menos exóticas, haveria quem expusesse o talento do dr. Costa, de certos amigos do dr. Costa e de outras personalidades admiráveis no “investimento” de milhões em comunicações que não comunicam e em helicópteros que não descolam. E quem fosse directa ou indirectamente responsabilizado pelas famílias encurraladas e carbonizadas em plena estrada, que se apelida “da morte” para efeito “dramático”. E quem denunciasse as mentiras cometidas por figuras ditas de relevo a partir do ponto em que a quantidade de cadáveres era demasiada para continuar a adiar a divulgação. E quem, acima dos estropícios que entopem a Administração Interna, explicasse em língua de gente a recusa dos bombeiros galegos. E quem lembrasse que é tão fácil quanto inútil ganhar campeonatos de futebol, festivais de cantigas e incumbências na ONU: difícil é ganhar vergonha na cara.

Nações menos infantis não descansariam até varrer os demagogos que celebram glórias imaginárias e fintam as desgraças autênticas. Portugal, não. Portugal respeita os mortos, leia-se espera que os vivos não perturbem a “estabilidade”. Portugal observa prioridades, leia-se deixa arrefecer o assunto. Portugal não cede à baixa política, leia-se permite a impunidade geral. Portugal está unido, leia-se criou-se um ambiente hostil a questões desagradáveis. Portugal, repete-se, é uma nação muito forte, leia-se um recreio de oportunistas, desnorteados ao primeiro assomo da realidade. (…)

A imprensa espanhola volta a fazer o seu trabalho

UN PAÍS EN LLAMAS

El cártel español del fuego amañó contratos de extinción de incendios en Portugal

El gobierno luso pagó hasta tres veces más de lo que realmente costaba el servicio contratado.

De regresso à realidade e quase uma semana após o mais grave incêndio florestal, quando é que as autoridades poderão dar informações sobre o número de desaparecidos?

Leituras complementares: Descubra as diferenças; Todos à procura do D. Sebastião.

 

O dinheiro é do PS: o dador põe, o PS dispõe

Leio  o comunicado do Conselho de ministros e onde diz:

Este fundo, de âmbito social, tem o objetivo de gerir os donativos entregues no âmbito da solidariedade demonstrada dando-lhe um destino coordenado de apoio à revitalização das áreas afetadas, garantindo prioritariamente a reconstrução ou reabilitação de habitações e o seu apetrechamento, designadamente mobiliário, eletrodomésticos e utensílios domésticos. Este apoio complementa o apoio público existente nas áreas da Segurança Social, do Planeamento e Infraestruturas, da Economia, da Agricultura e da Habitação.

O Governo pretende, deste modo, garantir uma maior eficiência, não só na gestão desses recursos, mas também na sua afetação aos que dele necessitam, promovendo um reforço da celeridade em todo o processo, com a participação de representantes das autarquias de Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos e Pedrógão Grande e do sector social local.

deve ler-se: o tal fundo do governo é criado através do confisco dos donativos particulares e com este dinheiro gerido com a eficiência que se reconhece ao estado – a começar na sua primeira obrigação: a de proteger a vida dos cidadãos, nomeadamente em incêndios florestais.

Distribuídas as verbas com a celeridade devida e de acordo com os interesses políticos do governo, tudo isto configura uma nacionalização e posterior gestão dos donativos.

O brilharete do governo socialista com o dinheiro dos outros está uma vez mais assegurado. Afinal, “o dinheiro é do Estado, é do PS.”  Nunca nos esqueçamos.

SIRESP: é altura de pedir responsabilidades a António Costa

Síntese perfeita da reportagem da TVI, feita por um amigo: o SIRESP (Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal) funciona perfeitamente, excepto em situações de emergência.

Antecipando-se a um escrutínio sério, António Costa pede respostas urgentes. Para que fique tudo na mesma.

Descubra as diferenças

Dois editoriais de dois jornais – um de referência/o outro de reverência – de dois países vizinhos.

La inoperancia de Portugal en la lucha contra los incendios, do El Mundo.

Versus

Na boca do inferno, da pena de Paulo Baldaia do DN.

62 mortos depois, altera-se a cartilha do Bloco de Esquerda

Incompetência do Governo não pode encontrar justificação na meteorologia

Trovoada seca socialista

Nacionalizado ao Vicente‏ @vicente79.

O Siresp continua a dar boa conta de si. Os helicópetros Kamov continuam parados e  Lacerda Machado , percebe mesmo de tudo e mais um par de botas. Abençoados.

Acção socialista

Aos Césares o que é dos Césares, a crónica de Alberto Gonçalves no Observador.

(…) Inês César, 25 anos, socióloga, é a mais recente aquisição da empresa municipal Gebalis, que a contratou à junta de freguesia de Alcântara, onde a jovem dera nas vistas na temporada 2016/17. O facto de ambas as instituições serem socialistas apenas prova a atenção que o PS dedica à formação e ao desenvolvimento de valores emergentes. O parentesco da dra. Inês com o presidente do partido apenas prova que o contributo dos Césares para o progresso nacional está longe de se esgotar.

Luísa, mulher de Carlos e reformada da coordenação dos Palácios da Presidência (uma coisa relevantíssima lá dos Açores, suponho), dispôs-se – sem concurso público que a senhora não é de perder tempo – a abdicar do sossego para coordenar a “estrutura de missão” para a criação da Casa da Autonomia (outra coisa lá dos Açores, nascida por proposta da coordenação dos Palácios da Presidência). Francisco César, filho de Carlos e de Luísa, é deputado regional, eleito pela primeira vez em lista encabeçada pelo pai, que lhe elogia, naturalmente babado, a “militância cívica” e a “sensibilidade”. Rafaela, mulher de Francisco e nora de Carlos e de Luísa, é chefe de gabinete da secretária regional adjunta para os Assuntos da Presidência, posto cuja enganadora insignificância não a impede de auferir justíssimos três mil e setecentos euros mensais. Horácio, irmão de Carlos, cunhado de Luísa e tio de Francisco, também saiu da reforma, após carreira incansável ao serviço da comunidade, para ser adjunto no falecido gabinete de João Soares. Patrocínia, mulher de Horácio e cunhada de Carlos e de Luísa, é assessora do Grupo Parlamentar do PS e brilha em simultâneo na junta de freguesia do Lumiar. E agora é Inês, sobrinha de Carlos, filha de Horácio e de Patrocínia e prima de Francisco, a despontar para o espírito missionário que abençoou aqueles genes. Antes, já existira o avô de Carlos (e bisavô de Francisco, etc.), que este confessou à “Sábado” ter sido presidente de junta, além do bisavô e do tio-bisavô de Carlos, dirigentes do Partido Socialista de Antero de Quental. Isto que se saiba, dado que a modéstia dos virtuosos (ou a falta de espaço) é capaz de obstar à divulgação de todos os casos. (…)

Se a consciência social e o amor à família configuram nepotismo, vou ali e não volto. Não quero viver numa sociedade subjugada à má-fé, que, ao invés de agradecer a oportunidade, se irrita por patrocinar uma família notável. O que vale é que os noticiários ligaram pouco ao assunto e preferiram concentrar-se nos – alerta para chavão – verdadeiros problemas dos portugueses. Os quais, a acreditar nos noticiários, não são nenhuns. (…)

O mundo lunático

Cinco dias inúteis, a crónica de Alberto Gonçalves no Observador.

(…) O sujeito, que não tem vícios nem carro, concluiu o liceu a custo e passou uns meses no curso de Estudos Sindicais (?) do politécnico, condições que prometiam, e cumpriram, carreira radiosa na política. Chegou a deputado em 1983, posição em que se distinguiu dos radicais choninhas pelo apoio eufórico aos bombistas do IRA. Coerente e cosmopolita, o sujeito alargaria mais tarde o apoio aos bombistas do Hamas e do Hezbollah. O sujeito sempre apreciou a livre determinação dos povos, excepto quando, como na Ucrânia, os povos parecem determinar-se para longe da opressão, traquinice cujo castigo aplaude. O sujeito também aprecia o Irão, e em 2014 exigiu que o Ocidente deixasse de “demonizar” aquele regime, o qual aliás lhe pagou 20 mil libras pelos elogios. O sujeito aprecia igualmente Chávez, Castro e qualquer santo que se lhe afigure susceptível de educar a humanidade através da violência e da miséria. O sujeito, escusado dizer, aprecia um Estado zeloso. O que o sujeito não aprecia são os EUA e, sobretudo, Israel, esse território inexplicavelmente repleto de “sionistas”. O sujeito chama-se Jeremy Corbyn e o DN chama-lhe um “rebelde de muitas causas”, quase todas criminosas. Esteve, e talvez ainda esteja, a um pequeno passo de mandar no Reino Unido. Misteriosamente, os “media” ocidentais, tão diligentes a detectar ameaças populistas (ou fascistas), deixaram em paz este particular populista (ou fascista)

Compreender o putinismo LXVIII

Após a anexação em forma de referendo de parte da Ucrânia e ameaças directas aos países bálticos e à Polónia que pertencem à NATO- suponho que de livre vontade e acredito com bastante alívio – , a Suécia volta a estar sob o olhar atento ao porteiro do Kremlin.

Russian President Vladimir Putin has expressed deep opposition to the idea of Sweden joining NATO, calling its potential membership of the U.S.-led alliance a “threat” that would need to be “eliminated.”

“If Sweden joins NATO this will affect our relations in a negative way because we will consider that the infrastructure of the military bloc now approaches us from the Swedish side,” Putin told state news agency Itar-Tass. “We will interpret that as an additional threat for Russia and we will think about how to eliminate this threat.”

A utopia de esquerda em formato fotográfico

O sucesso do modelo socialista: de fracasso em fracasso, até à miséria final.
Oscar B. Castillo/Fractures Collective fotografou a espera por produtos básicos
State of ruin,  a Venezuela de Maduro retratada por oito fotógrafos venezuelanos.

Costumes liberais e fait-divers IV

Barbas sim, mas sem design

Barbudos, não caiam na blasfémia.

(…) During the council meeting, a local leader of an Islamic political party, the Jamiat Ulema-e-Islam (F) objected to the growing practice of cutting beards in different shapes and designs by local barber shops. JUI-F leader Molvi Muhammad Amin claimed that the practice of cutting beards in new designs and shapes was against Islamic Sharia (Law) and an act of Blasphemy which needs to be stopped.

Taking note of the objection raised by Amin, Chairman of the Council Amir Iqbal issued orders barring hair dresses from trimming beards into different styles. He urged officials to make sure that the hairdressers are in compliance with the new ruling by Monday. (…)

Reverência perante o terrorismo

O respeitinho é muito bonito, mas pouco eficaz, a crónica de Alberto Gonçalves no Observador.

(…) É verdade que, face às linhas e comentários que temos, se calhar o silêncio absoluto seria de facto preferível. Aparentemente, não bastam os “jornalistas” que chamam “incidentes” a explosões criminosas. Esta semana, com o regresso do terrorismo em grande escala, regressaram às televisões resmas de indivíduos especializados em comentar o assunto fugindo do assunto a sete pés. Se a primeira rajada de argumentos delirantes se esgota, o que raramente sucede, e os especialistas não conseguem remover o assassino do islão, adoptam com agilidade o Plano B, que consiste em remover o islão do assassino. O essencial, além de não mostrarmos medo (do ridículo, presume-se), é perceber que não se pode confundir os muçulmanos com o terror, embora os comentadores se vejam regularmente desmentidos pela impressionante quantidade de muçulmanos que insiste em confundir-se com o terror e pela quantidade maior que, não praticando o terror, legitima-o pela aprovação tácita ou, no mínimo, pela indiferença. O espectáculo não é desprovido de piada. Porém, o sangue real que procuram esconder sob abstracções modera um bocadinho a vontade de rir.

O método não se distingue do utilizado pelo conhecido Sheik Munir. Instado a explicar Manchester, o homem cujo cavalheirismo nunca inspirou marcha alguma, optou por ignorar as vítimas, reduzir o autor ao maluquinho do costume e, sobretudo, exigir “respeito” pelo islão (Paulo Tunhas dissecou aqui o estilo). Nem de propósito, respeito é justamente aquilo que, da parte do Ocidente, o islão tem tido de sobra – no sentido literal da palavra. A cada novo atentado, dedicam-se desmedidos louvores à “religião de paz”, os quais curiosamente não impedem o atentado seguinte. Nos intervalos, exerce-se rigorosa cautela para não beliscar a vasta susceptibilidade da crença e, de brinde, oferece-se abrigo aos seus desvalidos. Salvador Sobral, através de t-shirt, foi apenas um dos que convidaram os refugiados para sua casa. Não que os refugiados careçam de convite: dois deles vieram da Líbia para a Inglaterra, lá criaram os filhos e, ao que consta, ajudaram um deles a arruinar as vidas de dezenas de inocentes.

É injusto generalizar? Com certeza. Porém, a aversão a generalizações, ou o tal respeito trémulo pelo islão, não tem corrido bem. Quando o resultado da reverência é este, talvez valesse a pena tentar a desconsideração e a afronta. Não temos nada a perder, principalmente se a alternativa é perder tudo. (…)

O terrorismo e a tranquilidade do Xeque Munir

Foto: Rádio Renascença

O líder religioso dos muçulmanos da mesquita central de Lisboa para além da reconhecida capacidade no jogo de cotovelos/quebra narizes, decidiu tranquilizar-nos sobre o Islão e o atentado de Manchester. O Paulo Tunhas, no Observador, faz o favor de levantar a ponta do véu sobre o que o imã disse e o mais que ficou por dizer.

(…)   Chegando a este plano de generalidade, é imperioso reconhecer que o terrorista não tem religião nem pátria. Não tem religião? De acordo com o Sheik Munir, e em função da imunização teológica antes referida, não. O que é ele então? A resposta é de uma assombrosa simplicidade: é um louco. De uma certa maneira, porque não? Mas qual a natureza singular dessa loucura, quais os seus motivos essenciais, quais as razões porque adopta manifestar-se assim? Silêncio. Tudo é feito para manter a discussão na mais extrema generalidade que impeça qualquer atenção ao concreto e ao particular.

Generosamente, o Sheik Munir concede que a situação é também da sua responsabilidade, para logo lembrar que todos temos um papel. Todos, sem distinção, e supõe-se que em idêntico grau. Depois de tudo o que veio antes, já nada surpreende. Como não surpreende a candura da interrogação: como é que eu posso contribuir? A questão supõe uma desarmante inocência. Ainda não tinha pensado no caso? Ou a resposta é de uma tal complexidade que a perplexidade é infindável? A questão é no entanto necessária porque, mais uma vez, ninguém gosta de viver no medo. É importante que as pessoas se sintam seguras nas mesquitas, nas igrejas, nas sinagogas e nos seus lugares de lazer e hoje em dia não há essa segurança. Isso preocupa o Sheik Munir. Note-se mais uma vez que o abstracto “viver no medo” substitui qualquer referência às vítimas.

Depois de ouvir este depoimento, confesso que saí dele igualmente preocupado com o Sheik Munir. Imagino, e quero imaginar, que a muito reduzida comunidade muçulmana portuguesa (cerca de 50.000 pessoas, creio) seja tão pacífica quanto possível. Mas nos tempos em que vivemos o que se pede antes de tudo aos líderes religiosos dessas comunidades são condenações concretas dos crimes que em nome do Islão são perpetrados, o que implica o exercício, eventualmente penoso mas necessário, de assumir a partilha de uma religião comum com aqueles que são fautores desses crimes. Para, é claro, depois se demarcarem da interpretação corânica dos criminosos. Só assim a tal reciprocidade no respeito que o Sheik Munir reivindica pode ser vivida de forma limpa e plena.

Ora, o depoimento do Sheik Munir vai num sentido que é o exacto oposto disto. A quente, logo a seguir ao atentado de Manchester, começa, sem qualquer referência às vítimas, por exigir reciprocidade no respeito. Critica os preconceitos contra os muçulmanos. Decreta, contra toda a evidência, a completa inocência do Islão, quer dizer: a completa ausência de relações entre o Islão e as motivações dos terroristas. As referências aos crimes reais são substituídas pela abstracta menção ao medo. Os assassinos são acusados de uma loucura difusa sem nenhum traço particular que a identifique. A comunidade islâmica não tem qualquer obrigação maior do que o resto dos cidadãos de condenação firme, inequívoca e muito concreta da barbárie que em seu nome é levada a cabo. Pudera: a ouvir o depoimento do Sheik Munir, os terroristas podiam perfeitamente ser marcianos. Quem fica tranquilo a ouvir isto?

É a cantar que nos entendemos

Portugal: doze pontos, a crónica de Alberto Gonçalves no Observador.

Durante décadas, os portugueses desprezaram o Festival da Eurovisão sob dois pretextos: a) os arranjinhos “regionais” influenciavam a votação da coisa, pelo que era impossível ganhar; b) a coisa não passava de um desfile de futilidades primitivas, pelo que seria vergonhoso ganhar. De repente, uma vitória do representante português anulou ambos os constrangimentos – nas cabeças dos que festejaram tamanho avanço civilizacional. No mundo real, claro que a Eurovisão está para a música como o restaurante do Barbas está para a literatura ou o clã Mortágua para a economia. Mas bastou o reconhecimento desta nação valente para que, entre nós, aquilo adquirisse o prestígio de Bayreuth ou, vá lá, do Piquenicão, reviravolta que nada diz acerca do valor do festival e diz bastante acerca dos valores dos portugueses. (…)

Durante décadas, os portugueses desprezaram o Festival da Eurovisão sob dois pretextos: a) os arranjinhos “regionais” influenciavam a votação da coisa, pelo que era impossível ganhar; b) a coisa não passava de um desfile de futilidades primitivas, pelo que seria vergonhoso ganhar. De repente, uma vitória do representante português anulou ambos os constrangimentos – nas cabeças dos que festejaram tamanho avanço civilizacional. No mundo real, claro que a Eurovisão está para a música como o restaurante do Barbas está para a literatura ou o clã Mortágua para a economia. Mas bastou o reconhecimento desta nação valente para que, entre nós, aquilo adquirisse o prestígio de Bayreuth ou, vá lá, do Piquenicão, reviravolta que nada diz acerca do valor do festival e diz bastante acerca dos valores dos portugueses. (…)

 

Compreender o putinismo LXVII

Vladimir Putin numa demonstração de grande proximidade com a então mulher Lyudmila Putina e o Taj Mahal a servir de cenário idílico. Fotografia: REUTERS/Pawel Kopczynski/

Lyudmila Putina, ex-mulher de Vladimir Putin é uma espécie de Fava local. Uma história de sonho, de grandes e profícuas amizades.

No gira-discos

The big come up, o trabalho de estreia dos Black Keys. Já lá vão 15 anos.

A solução final dos trabalhistas

Podia ser uma anedota mas é apenas a realidade. Vai ser animada a campanha dos neo-comunistas britânicos.

A senior aide to Len McCluskey has been installed at Labour HQ to oversee Jeremy Corbyn’s final push in the general election campaign.

Andrew Murray, chief of staff to the Unite general secretary, is heading up the Labour leader’s campaign team under a special secondment from the union, senior sources have confirmed to HuffPost UK.

Murray is a long-standing friend and ally of Corbyn and ex-chair of the Stop the War Coalition which led protests against the Iraq war. (…)

 

Prescrição de cultos diversos

Fátima, um assunto que não me diz respeito, a crónica de Alberto Gonçalves no Observador.

(…) 1. Após incensar Rui Moreira durante quatro anos, bastaram algumas horas – e uma humilhação merecida – para que o PS invertesse o discurso e passasse a considerar o autarca um perigoso antidemocrata, cuja acção maligna reduzirá o Porto a cinzas. É sabido que a política é propícia à conveniência, à mentira e à falta de vergonha na cara. Mas isto é espectacular.

2. O presidente Marcelo confessa-se “apaixonado pelo Papa”. Sua Excelência, a acreditar em notícias soltas, também parece apaixonado pelos portugueses com sucesso, pelos portugueses sem abrigo, pelas imortais vitórias na bola, por Guterres, pelas feiras de enchidos, pelos falecidos comunistas Baptista-Bastos e Fidel Castro, pelo recém-nascido Macron, pela nova administração da CGD, pela comunidade islâmica indígena, pelas esposas de Cavaco e Sampaio, pelo Benfica, por Cabo Verde e Senegal, pelo espírito ecuménico da pátria, pelos bombeiros, pelo Teatro Aberto e, claro, pelo governo.

O governo, ainda que de modo mais comedido, mostra-se igualmente apaixonado por Marcelo, por Guterres, pela “aposta” na ciência, pelos parceiros de extrema-esquerda, pelos senhores da banca, pelas Águas do Ribatejo, pela função pública, pelo Benfica e por qualquer indivíduo ou instituição que não lhe cause maçadas. Os “media”, genericamente, estão apaixonados pelo Papa, por Marcelo, pelo governo, por tudo o que seja informação “positiva” e pelos portugueses. Os portugueses estão apaixonados pelo Papa, por Marcelo, pelo governo, por Guterres, pelo Benfica, por Cristiano Ronaldo, pelo intérprete de uma cantiga na Eurovisão, pela fisga de Joana Vasconcelos, pela “maior operação de segurança de sempre” e pelo que calha.

Quase todos, em suma, estão apaixonados por quase todos. Há imenso amor no ar. Comparado com isto, o mito de que a orquestra do Titanic tocava uma valsa em tom menor durante o naufrágio é brincadeira de crianças. Nós somos gente crescida, que cantará o fado e dançará o vira mesmo depois de o país afundar. O que é que os portugueses andam a tomar? Juízo não é, com certeza.

Socialismos

Crimes e castigos: introdução às regras do bom debate público, a crónica de  Alberto Gonçalves no Observador.

(…)  Ontem, o jornal “i” publicou uma entrevista comigo e “chamou” para a capa a frase: “Não consigo discordar da política migratória da sra. Le Pen”. Na entrevista propriamente dita, lembrei que a vitória da senhora constituiria uma calamidade para a Europa e sobretudo para Portugal. Não lembrei, porque não era preciso, a aversão da senhora ao euro e à Nato, o proteccionismo económico, o nacionalismo aberrante, a demagogia exacerbada e a transformação, nada inédita, da política numa guerra entre “nós” e “eles”, em que “eles” são todos os que, mal por mal, ainda acreditam numa ou duas virtudes da democracia.

Escrevo isto não para me desculpar, mas para notar que, nem de propósito, calhei de concordar com a sra. Le Pen no único ponto que a extrema-esquerda, a indígena e a forasteira, não partilha: o receio face aos avanços do islão. Em matéria de discriminação, diga-se, a extrema-esquerda prefere exercê-la contra Israel e os judeus, que obviamente são a grande ameaça ao modo de vida ocidental. No resto, conforme José Manuel Fernandes já aqui recordou, as propostas da candidata às “presidenciais” francesas não se distinguem das propostas do sr. Mélenchon, o candidato entretanto derrotado (e apoiado, por exemplo, pelo BE e pelo Podemos). Ou das propostas habituais do Bloco e do PCP.

As semelhanças são tantas que os esforços para negá-las são engraçados ou inexistentes. Uma sondagem feita pelo França Insubmissa (o nome nem disfarça) do sr. Mélenchon aos seus eleitores, acerca da segunda volta, incluía três possibilidades: votos brancos e nulos; abstenção; Macron. Não incluía a sra. Le Pen, a escolha plausível da maioria. Por cá, alminhas várias de BE e PCP exibiram, trémulos, a convicção de que seria irrelevante optar por Macron ou pela sra. Le Pen.

Não seria. Macron, decerto uma figura menor, é uma promessa – débil – de “normalidade”. A sra. Le Pen é um perigo. Um perigo em quase tudo semelhante a BE e PCP, que por cá influenciam o poder sob a simpatia dos exactos “media” que andam aflitíssimos com a hipótese Frente Nacional. Como se consegue tal acrobacia? É fácil: basta à extrema-esquerda apelidar a sra. Le Pen de “fascista” e assim evitar que, por uma vez, a palavra seja aplicada com precisão: fascista é, também, a extrema-esquerda. Sobram, claro, as diferenças visões de ambos perante o islão “imoderado”. Mas o islão “imoderado” é o quê? Escusam de responder.