Questões à CML, a construtora de mesquitas

medina

Vale a pena ler o post da Helena Matos intitulado A CML, a construtora de mesquitas.

Da leitura surgem algumas questões:

A CML – socialista, laica e republicana – paga a construção de uma mesquita na Mouraria a que propósito?

Que outros locais de culto foram promovidos e pagos pela CML?

Houve lugar a expropriações? Em que moldes e condições?

Passará a norma edificar templos religiosos a partir de instalações clandestinas?

A construção da mesquita na Mouraria está no programa eleitoral do PS local ou nacional?

Na incerteza de que terei as respostas por quem as deve dar, informo que existe uma petição dirigida À CML e Assembleia da República intitulada “Petição Contra a Construção de Mesquita em Lisboa em Propriedade Privada Expropriada“.

Alguém tem notícias de Snowden?

VladFriend

State Has Put 6% of Russians Under Surveillance in Past Decade.

At least six percent of Russia’s population has been under state surveillance at some point in the last nine years, according to a report released by human rights activists Monday.

Information released by Russian human rights group Agora claims that the Russian Supreme Court received some 4,659,325 applications to monitor and record telephone communications between 2007 and 2015. The court approved almost 97 percent of these, or 4,517,515.

Assuming that each wiretap target was in conversation with at least one other person, activists calculate that six percent of the Russian population, or 8.5 million people, have been monitored by the state at some time.

“If we assume that each of the wiretaps lasted for roughly a month, that means that over the course of nine years at least six percent of the population have had their communications monitored at some point,” said report co-author Pavel Chikov.

Agora claims that a lack of accountability has left the work of the security services open to political exploitation. The report alleges that on numerous occasions Russian law enforcement agencies violated human rights without compelling criminal evidence.

Government agencies acted without evidence in 352 cases, taking DNA or other biometric information in 242 of them, according to the report. Targets included activists who demonstrated on Manezh Square in 2014 and a number of Crimean Tatars between 2014 and 2016.

In 35 cases, citizens’ movements were monitored without any evidence of a crime, while 23 targets saw electronic communications hacked by security services.

Hidden video or audio equipment was used without compelling reason on 28 occasions and in several cases covert police footage was leaked to the media. (…)

Leitura dominical

Camilo e filhas, a crónica de Alberto Gonçalves no DN.

Segunda-feira. A meio do Jornal das 8 da TVI, José Alberto Carvalho anuncia a “peça” (e que peça) seguinte: “Pai das deputadas Joana e Mariana Mortágua mantém a rebeldia e a insatisfação sem meias palavras. É Camilo, o revolucionário. (…) E fala, com “gravitas” de serão teatral, para confessar que, afinal, a democracia parlamentar, cheia de “contradições” e “fingimentos”, não é bem o seu género. Se calhar, proibiam-se as bancadas do PSD e do CDS e aquilo ficava composto. O sr. Bandarra não vai por aí: “Camilo não é homem de fingimentos ou meias palavras” (já alguns profissionais da TVI não dispõem de muitas palavras inteiras), pretexto para evocar a história do Santa Maria e o desvio do avião da TAP, ambos “os primeiros desse tipo em todo o mundo.” Por acaso é uma cabeluda mentira, mas ao sr. Bandarra interessa menos a realidade do que demonstrar que os Descobrimentos não cessam de correr no sangue lusitano. Desse por onde desse, o “célebre assalto ao Banco de Portugal na Figueira da Foz” não pôde reclamar estatuto de pioneiro. Em compensação, deu origem “à fundação da mítica LUAR”. Logo, garante o sr. Bandarra, Camilo é: a) um terrorista; b) um criminoso comum; c) um maluquito. Nada disso: “É um histórico da luta e acção directas.” E teve “uma vida cheia”. O sr. Bandarra, cujo crânio parece vazio, não questionou os propósitos altruístas do roubo. Ou a legitimidade da “acção revolucionária”.

(…) Por falta de espaço, e de compreensão dos paginadores do DN para com os grandes heróis do totalitarismo indígena, não posso contar tudo. Limito-me a revelar dois ou três pontos altos. Quando comenta o assassínio de um dos oficiais do navio sequestrado, Camilo limpa as unhas e diz “É a vida.” E acrescenta: “Somos todos culpados, incluindo ele.” Um tribunal a sério discordaria. Depois, Camilo informa que “a violência não física é por vezes muito mais violenta do que aquela que faz sangrar”. O marinheiro abatido também discordaria, mas isso já são manias. Segundo o sr. Bandarra, o Santa Maria foi “uma espectacular operação”.Pelo meio, há uma digressão acerca das populares filhas de Camilo, a quem os pais deram “toda a informação”, desde que, evidentemente, “assentassem no caco” certos “princípios”. Ou seja, lá em casa discutia-se o espectro ideológico de M a M, ou de Marx a Mao. Uma das meninas, não sei se a que, sem dúvida sob influência parental, publicou a meias com Francisco Louçã um livrinho intitulado Isto É Um Assalto, proferiu umas banalidades alusivas à “consciência política” e “coerência” do paizinho. (…)

O Inverno da ignorância está a chegar

nothing

Nacionalizado à página de Facebook do Rui Rocha.

Leitura dominical

Uma cidade chamada Porto, a crónica de Alberto Gonçalves no DN.

(…) Fernando Rosas é um homem notável. Em décadas de carreira pública, nunca lhe descobri uma opinião favorável à liberdade, à democracia e ao progresso, embora encha a boca com esses vocábulos ao ponto da obesidade. O homem parece fossilizado desde os tempos em que dirigia a Luta Popular, onde cantava hossanas, de que nunca mostrou sombra de arrependimento, ao “grande Estaline” (juro) e “ao camarada Mao” (é redundante jurar). Em 1976 ou em 2016, no MRPP ou no BE, boa parte dos horrores totalitários dos últimos cem anos tiveram no dr. Rosas um encarniçado e, admita-se, sincero entusiasta. “Historiador” na vida civil, este devoto de genocidas esforçou-se por explicar o passado e adivinhar o futuro. Em qualquer dos casos, falhou sempre. No dia em que acertar, estamos feitos. O dr. Rosas não serve para coisa nenhuma, excepto de exemplo a fugir. Naturalmente, saiu da universidade jubilado e permanece na sociedade prestigiado, indicadores cabais da dignidade de ambas.

Assim se vê a força do PC

Durante o dia, o Povo Venezuelano sai às ruas para agradecer a solidariedade do socialismo. Foto: EFE,
Durante o dia, o Povo Venezuelano agradece a solidariedade do socialismo.  Foto: EFE.

No meio do caos socialista, os comunistas portugueses na “Jornada Mundial de Solidariedade com a Venezuela” –  reafirmam o ” apoio à luta do povo venezuelano” e exigem “o fim das ameaças e ingerências externas.”

A solidariedade internacional do PCP já está a dar frutos e o sonho marxista de acabar com o capitalismo foi uma vez mais alcançado: a Venezuela não tem dinheiro suficiente para imprimir notas.

De regresso à realidade, o Povo venezuelano sai para a rua para festejar o apagão diário a que têm direito, apesar da capital Caracas permanecer sem essa conquista social que cobre 75 por cento do país.

Leitura dominical

A prosperidade é um estado de espírito, a crónica de Alberto Gonçalves no DN.

(…) Não é o PCP que tem lampejos de lucidez: é o Bloco de Esquerda que vive em estado de alucinação perpétua. O episódio do “cartão de cidadania”, que os comunistas dissimulados queriam impor e os comunistas assumidos vetaram, é apenas um exemplo. E nem sequer um exemplo original: por todo o Ocidente e arredores há “comissões”, “observatórios” e centros de ócio similares empenhados na erradicação da discriminação de género através do massacre da gramática. Os primitivos, que pronunciavam “chuva” e aguardavam o aguaceiro, acreditavam que a linguagem determinava a realidade. O BE, sem hesitações ou subtilezas, também acredita, e é preciso um partido que acredita na democracia norte-coreana para moderar-lhes a toleima.

Ocasionalmente, critica-se os nossos humoristas por pouparem o BE à sátira. É possível que não se trate de uma questão ideológica, mas do simples facto de o BE constituir uma anedota em si mesmo. Eu próprio iniciei este texto decidido a aliviar-me de duas ou três graçolas alusivas e desisti entretanto. Cada frase, atitude ou proposta do BE já é uma graçola perfeita e involuntariamente (?) elaborada. E a melhor de todas é a circunstância de tamanha homenagem ao delírio ver-se hoje representada sobretudo por senhoras. Se a ideia é combater o enxovalho e a subalternização das mulheres, não seria mal pensado começar-se por aí.

Erdogan é paz e amor

erdogan

Se ouvir alguém a insultar o Presidente turco, só tem de reportar os factos ao consulado turco na Holanda.

We ask urgently for the names and written comments of people who have given derogatory, disparaging, hateful and defamatory statements against the Turkish president, Turkey and Turkish society in general.

A fuga do paraíso cubano

AP Photo/Hans Deryk
AP Photo/Hans Deryk

E em números crescentes.

De forma surpreendente, o destino de quem escolhe escapar ao paraíso comunista não é a Venezuela nem a Festa do Avante.

Leitura complementar: Cuba jovem e revolucionáriaA homenagem da geringonça ao ditador Hugo Chávez.

Cuba jovem e revolucionária

Castrojovem

O Presidente de Cuba tem 84 anos. Raúl Castro anuncia que irá deixar o cargo em 2018 e sugere que os líderes do abençoado Partido Comunista Cubano sejam sub-70.  Graças a um curto período de transicão sugerido por si mesmo, Raúl Castro irá permanecer como Presidente daquela organização mafiosa por mais cinco anos.

Entretanto, o facínora mais velho, fo apanhado a falar com o coronel Chávez na Amadora.

Não sei se Cuba aguentará tanto sangue novo e mudanças tão abruptas.

A geringonça dá nov@s mund@s a@ mund@

EduCabrita

Depois da geringonça mudar  o nome do cartão de cidadão, o próximo passo é acabar de vez com o opressor nome da Carta dos Direitos do Homem.

Compreender o putinismo XL

crimeiaescocia

Pacificação final do referendo na Crimeia.

One of Russia’s most senior law enforcement officials has said that dismissing thnder which Crimea joined Russia should be a crime equal to extremism.

Crimea was controversially annexed from the territory of Ukraine in 2014 as well-armed, but unmarked, fighters who appeared to be Russian special operations forces seized government buildings. Pro-Russian authorities then set up an internationally unrecognized referendum in Crimea on joining Russia, after which the region was incorporated into the Russian Federation.

According to Alexander Bastrykin, head of Russia’s Investigative Committee, questioning the legitimacy of the referendum should be considered “extremist activity” for “falsifying reports of historical events and facts.”

Leitura complementar: Compreender o putinismo XVI.

Mais depressa se apanha um Centeno que um coxo

Centendo beiço

PSD: Mário Centeno mentiu na comissão de inquérito ao Banif

PSD apresenta um email do BCE que contradiz as declarações do ministro das Finanças na comissão de inquérito. Centeno terá pedido ao BCE para persuadir Bruxelas a aceitar proposta do Santander.

A homenagem da geringonça ao ditador Hugo Chávez

chacezamadora
Alfragide faz História. O momento glorioso da profunda união e irmandade que une os povos de Portugal e da Venezuela nas pessoas da Presidente da Câmara Municipal da Amadora, Carla Tavares e do Embaixador venezuelano.

Um dia antes da útil inauguração da estação de metro na Reboleira (temos de aprender a viver sem carro) que liga os comboios da linha de Sintra à rede de Metro, a Câmara Municipal da Amadora, descerrou a placa toponímica Praça Hugo Chávez, na freguesia de Alfragide. A cerimónia que animou os admiradores de ditaduras populares -mesmo os mais adormecidos-, foi abrilhantada pelo senhor Embaixador da Venezuela em Portugal, o General en Jefe Lucas Rincón Romero.

O ditador imortalizado na placa de Alfragide levou à miséria o seu país regressou em espírito a Portugal e calou os pessimistas que o apontam como o responsável máximo pela falência de um país rico em petróleo, onde se deixou de trabalhar às Sextas para poupar energia, em que os supermercados oferecem prateleiras vazias a quem os visita – vencidas as enorme bichas – e onde a inflacção galopa alegre e a bom ritmo para os quatro digitos.
A sua herança é, sublinhe-se,  a todos os níveis, memorável: perseguição e existência de presos políticos, golpes progressistas, marcação cerrada e fecho dos media que ousam noticiar a realidade. Em jeito de conclusão: este enviado do socialismo merece todas as homenagens de quem não tem vergonha alguma.

Cabala atlântica

lulas

Sócrates diz que o seu processo e o de Lula visaram impedir candidaturas presidenciais.

As fugas de informação do Panamá precisam de estímulo

espesso

Se o resultado da investigação jornalística é este – os donos disto tudo e da Comporta usarem e abusarem dos Panamás deste mundo-, a montanha nem um rato pariu. É, sem dúvida, mais estimulante visitar a página do Facebook do ex-ministro da cultura João Soares do que comprar o Expresso.

Compreender o putinismo XXXIX

fururo

Passa pelo entendimento do que é a verdadeira inovação. É preciso um meio de comunicação ao serviço do estado, das pme’s russas e do povo russo que noticie o desenvolvimento por parte do Ministério do Desenvolvimento Económico de uma plataforma de e- commerce, sugerida pelo eterno Presidente Putin em Dezembro passado. Agora entendo as mais justas pessoas (de liberais puros a comunistas mais ou menos disfarçados) que defendem os esquemas a visão progressista de Vladimir Putin y sus muchachos.

Bloggar continua a fazer mal à saúde

Samad

Secular activist who criticised Islamism killed in Dhaka

Nazimuddin Samad, whose family live in London, was hacked to death by at least four assailants after posting on Facebook

Samad foi a décima pessoa a ser assassinada no Banglandesh por expressar opiniões nas redes sociais.
Recordo o que escrevi no ano passado, a propósito das ameaças dos moderados  iranianos à feira do livro de Frankfurt:
Salman Rushdie foi condenado à morte por ofender o Islão. A gota de água que fez em 1989 Sayyid Ruhollah Musavi Khomeini “soltar” a fatwa condenatória foi o livro Versículos Satânicos. Nela, o responsável iraniano convidava todos os muçulmanos devotos a executar Salman Rushdie como exemplo para quem se atreve a insultar o Islão. O convite estava lançado. Quem se atreve a insultar o Islão, sabe com o que conta.
Salman Rushdie é obrigado a viver sob protecção policial. Passados todos estes anos os intelectuais mais pacifistas continuam a encontrar “razões” que levam à “compreensão” da fatwa que condenou à morte Salman Rushdie mais os seus editores e tradutores. Por certo, partilharão o repúdio  demonstrado pelo ministro iraniano.

Geringonça offshore

geringonca

BE, PCP e PEV exigem fim do “offshore” da Madeira, PS rejeita “pedidos inexequíveis”.

 

Panama Papers

Uma fonte que prima pelo anonimato entregou 2,6 teras de informação ao jornal alemão Süddeutsche Zeitung, que coordenou a investigação jornalística, agora disponível em termos globais. Apesar de exisitir muita pedra por partir, valerá a pena passar os olhos pelo Panama Papers -The secrets of dirty money.

O vídeo explicativo está engraçado.

Adenda: A investigação Panama Papers fez a primeira vítima política: o Primeiro-Ministro islandês demitiu-se.

 

Leitura dominical

Uma conspiração de estúpidos, a opinião de Alberto Gonçalves no DN.

(…) As más notícias sucedem-se. Não só o Estado Islâmico já ameaça directamente Portugal como continua a recrutar portugueses, sobretudo em Lisboa e na zona centro. O único consolo chega das autoridades belgas, que enfim descobriram a explicação para a capacidade de sedução do bando de psicopatas: “Os nossos jovens são vítimas de SMS propagandísticos.” E de “predadores”, acrescenta o Guardian. Trata-se, afinal, do que sempre suspeitei: aquilo no fundo é gente impecável, desviada pelas proverbiais más companhias para rebentar com terceiros e outros gestos talvez censuráveis. Antes que a coisa chegue ao aqui norte, à cautela já desliguei o telemóvel. (…)

 

Leitura recomendada

Escritora saudita questiona como reagiriam muçulmanos se terroristas cristãos se fizessem explodir no meio deles.

A autora é Nadine Al-Budair, saudita. A tradução é de Romeu Monteiro.

(…) “Imaginem um jovem ocidental a vir aqui e a levar a cabo uma missão suicida numa das nossas praças públicas em nome da Cruz. Imaginem que dois arranha-céus haviam colapsado numa capital árabe, e que um grupo extremista cristão, vestindo roupas do milénio passado, haviam assumido responsabilidade pelo evento enquanto destacavam a sua determinação em ressuscitar ensinamentos cristãos ou decisões cristãs, de acordo com a sua percepção, para viver como no tempo [de Jesus] e dos discípulos, e para implementar certos edictos de teólogos cristãos…

“Imaginem ouvir as vozes dos monges e dos padres nas igrejas e lugares de oração, dentro e fora do Mundo Árabe, gritando em altifalantes e fazendo acusações contra muçulmanos, chamando-os de infiéis, e cantando: ‘Deus, elimina os muçulmanos e derrota-os a todos.’

“Imaginem que havíamos oferecido a um número incontável de grupos de estrangeiros vistos de turismo e residência, cartões de identidade, cidadania, bons empregos, educação gratuita, cuidados de saúde modernos gratuitos, segurança social, e por aí fora, e depois disso um membro de um desses grupos surgia, consumido por ódio e por sede de sangue, e matava os nossos filhos nas nossas ruas, nos nossos prédios, nos escritórios dos nossos jornais, nas nossas mesquitas e nas nossas escolas. (…)

Os canibais

Como falar dos terroristas islâmicos – perdão, dos canibais islamistas, de Paulo Tunhas no Observador.

(…) Resta uma terceira hipótese, que recolhe o meu favor: canibais islamistas. Há, naturalmente, várias objecções. Penso imediatamente em duas. A primeira é que “canibalismo” é aqui metafórico. A segunda é que é uma injustiça feita às tribos que praticam a antropofagia por razões rituais ou simplesmente (é a tese de um antropólogo especulativo) para obterem proteínas. A segunda objecção é irrespondível, admito. Não se podem fazer omeletes sem partir ovos, como dizia o outro. Em contrapartida, a metáfora é defensável. O que os vulgarmente designados terroristas islâmicos fazem possui uma forte analogia com o canibalismo. Em ambos os casos, trata-se de uma prática de sociedades que se definem pela guerra endémica (no caso presente, a guerra aos infiéis) e onde o estatuto social se define pelo número de inimigos mortos.

Mas a analogia funciona igualmente num plano mais profundo. Em ambos os casos, trata-se de devorar uma sociedade inimiga. Muito efectivamente, na figura de um seu representante, no caso dos rituais antropofágicos de várias tribos, ou simbolicamente, por meio dos assassinatos em massa, no que diz respeito aos canibais islamistas. É o nosso corpo social, como um todo, que os canibais islamistas querem devorar, na ilusão de uma grandeza a vir não menos improvável do que a força que os antropófagos pretendem receber do corpo do inimigo devorado.

Já agora, dá vontade de continuar e de nos interrogarmos acerca da designação que convém àqueles que, nas nossas sociedades, tendem a justificar, de um modo ou outro, os actos dos islamistas canibais. O nome vem facilmente ao espírito: voluntários comestíveis. O género dos voluntários comestíveis divide-se em duas espécies: os voluntários comestíveis teóricos e os voluntários comestíveis por simples ecumenismo. Determinar as características próprias a cada uma das espécies é fácil. Basta, para não ir mais longe, pensar nas reacções aos últimos atentados de Paris. Elas repetiram-se por relação a Bruxelas.

Os voluntários comestíveis teóricos (eles encontram-se sobretudo no PC e no Bloco de Esquerda, sem esquecer o camarada Arnaldo Matos, que certamente não merece nunca ser esquecido) alicerçam a sua compreensão dos gestos dos canibais islamistas numa teoria da sociedade e da história. Para falar rápido, são as nossas sociedades que são responsáveis pelo advento dos canibais islamistas, e estavam a pedi-las (como os Estados Unidos no 11 de Setembro). Há graus variáveis de subtileza neste tipo de argumentação, embora desgraçadamente não se peque nunca por excesso. Somando tudo, a posição do deputado do PCP, Miguel Tiago, que estabelece uma relação causal entre os atentados de Bruxelas e as “políticas de direita” (os primeiros seriam efeito das segundas), resume bem a tese geral.

A argumentação dos voluntários comestíveis por simples ecumenismo (que vivem, de acordo com a sua vocação, tanto à esquerda como à direita) é, em parte, diferente. Para começar, há a referência à religião, que falta quase por inteiro nos voluntários comestíveis teóricos. O Islão, por ser uma religião, não pode conter elementos de violência. Não? Um exemplo, entre muitos: “Os judeus disseram: «Ozair é filho de Alá». Os Cristãos disseram: «O Messias é filho de Alá». Eles imitam o dizer daqueles que foram infiéis anteriormente. Que Alá os mate!” (Surata IX, 30).

Quer isto dizer que não há piedade no Corão? Não: há piedade no Corão. Quer isto dizer que não há uma percentagem que ninguém sabe como contabilizar, e que eu espero, embora com algum cepticismo, que seja imensa, de muçulmanos que se encontram entre os seres mais pacatos do planeta e a quem não passa pela cabeça interpretar literalmente a passagem que citei do Corão (e inumeráveis outras não menos violentas contra cristãos e judeus), quanto mais passar à prática? Claro que não quer dizer isso. Mas quer certamente dizer que é falar com doses astronómicas de ignorância – e de indiferença para com a sua própria ignorância: bullshit, como se diz -, pretender que o Islão é uma pura religião da paz. Será muita coisa, mas isso não é. E, creio que já escrevi isto aqui (como evitar repetições quando os mesmos acontecimentos se repetem, apenas com variações de tempo e de lugar?), que não se venha com a história do Bezerro de Ouro do Antigo Testamento. Há, hoje em dia, cristãos e judeus, vítimas potenciais e efectivas: não há, que se saiba, sectários do Bezerro de Ouro.

Os voluntários comestíveis por simples ecumenismo também não alicerçam, ao contrário dos outros, as suas tentativas de compreensão numa visão explícita da sociedade e da história. A sua atitude é mais como a daquele daquele aprendiz sociólogo que, vendo um velhote a ser agredido por um jovem no passeio do outro lado, atravessa a correr a rua, não para ajudar o velhote mas para perguntar ao jovem quais as condições sociais que o tornaram vítima daquela propensão à violência. Reflexos deste tipo não estiveram, é pena, ausentes daquilo que António Costa disse, a quente, depois do atentado de Bruxelas: desenvolver, junto das comunidades, os valores da tolerância, melhorar a localização urbana em que vivem, fomentar uma maior inserção social, promover o diálogo intercultural, etc. Tudo muito lindo, mas os islamistas canibais não se combatem com doces apelos à compreensão. Por uma razão simples: eles não compreendem a compreensão. (…)

Leitura dominical

Pra ver o bando passar, a opinião de Alberto Gonçalves no DN.

(…) Sexta impressão. Garantem-me que diversas “figuras da cultura” local (de facto artistas de variedades e escritores ilegíveis) defendem o sr. Lula e a “presidenta”. Nada de surpreendente: é público que a esquerda acarinha o saber. Certa ocasião, inquirida acerca do livro da sua vida, a dona Dilma admitiu ter lido um, e por pouco se recordava do respectivo título sem o auxílio das assessoras. E o sr. Lula prefaciou a tortura do eng. Sócrates.

Sétima impressão. O sr. Maduro da Venezuela, estadista credenciado, apela à “solidariedade mundial” para com o sr. Lula e a “presidenta”. Aguardam-se as posições do sr. Kim da Coreia do Norte, do Estado Islâmico e de três régulos africanos para completar o pleno democrático.

Oitava impressão. Os camaradas de cá não tardaram a aderir à onda solidária exigida pelo sr. Maduro e a denunciar o “golpe” em curso no Brasil. Onde o cidadão alienado vê um gangue de salteadores a roubar o que se move (e o que não se move também, dado o Cristo do Aleijadinho encontrado num cofre do sr. Lula), PCP e BE detectam conspirações “neoliberais”. E detectam bem. Se não a refutassem, a propaganda capitalista faria esquecer o inegável trabalho social do PT, a começar pela melhoria das condições materiais de inúmeros membros do PT. E a terminar na preservação do património (ver estátua do Aleijadinho e obras sortidas).

Nona impressão. O nosso querido PS oscila entre a “neutralidade” (neutralidade, aqui, é fingir considerar tão graves as acções dos juízes “justiceiros” quanto as dos políticos corruptos – de modo a desvalorizar a corrupção) e o silêncio. É uma atitude adequada: na verdade, o PS andou anos a venerar o sr. Lula e a “presidenta”, pelo que arriscaria o pleonasmo. Ou o descaramento.

Décima impressão. Quem acredita na desonestidade, na inépcia e na prepotência de um governo de bolcheviques analfabetos, acredita em tudo. Acredita, inclusive, que a aliança da esquerda caseira é, para Portugal, uma tragédia sem precedentes. Fora o precedente brasileiro e o imenso rol de sucessos comunistas.

Compreender o putinismo XXXVIII

AP Photo/Alexander Zemlianichenko
AP Photo/Alexander Zemlianichenko

Vladimir Putin disse basta à opressão das agências de rating que como sabemos se encontram ao serviço das potências estrangeiras que desejam o mal à Santa Mãe Rússia e decide criar a sua própria agência de rating. Não sei como ninguém da geringonça imita o pequeno czar.

Reunião no Brasil

Reunião de emergência, pelo pessoal da Porta dos Fundos. A reunião teve lugar em 27 de Junho de 2013. Como é claro, não tem nada a ver com o PT e restantes Metralhas associados.

O mensalão segundo Snowden

Mais de 100 mil dólares são mensalmente depositados numa conta bancária em Nassau.
Mais de 100 mil dólares são mensalmente depositados numa conta bancária em Nassau.

Bin Laden vive nas Bahamas com pensão completa, paga pela CIA, afirma Edward Snowden. O material proveniente do Afeganistão continua a provocar os efeitos procurados.

Compreender o putinismo XXXVII

VladPutin

Coisas que acontecem naturalmente.

Another Defector Dead in Washington

A former member of Putin’s inner circle has died violently and mysteriously in our nation’s capital

Ética segundo Lula da Silva

LulaSócrates

Vale e Azevedo aceita ser Ministro e por mero acaso alcança a desejada imunidade judicial.

Garry Kasparov e o autoritarismo

TrumpPutin

Depois do socialsmo de Sanders, Kasparov escreve sobre o autoritarismo de Donald Trump e Putin.

Putin and Trump share an authoritarian spirit

(…) I resist most comparisons between Trump and Putin for one simple reason: power. Putin has it and Trump does not. When comedian Louis CK called Trump “Hitler in the 1920s” last week it echoed my labeling of Putin as “Hitler in the 1930s.” Of course Putin isn’t Hitler and Trump isn’t Putin, but this doesn’t mean we shouldn’t pay very close attention to anyone who sounds like Donald Trump, especially when he’s leading the Republican primary. We want to learn from history instead of repeating past mistakes.

Trump doesn’t talk much about policy and is incoherent when he does. This makes it difficult for the pundits to make useful policy contrasts with the other candidates. This is by design. When Trump’s lies and flip-flops are pointed out, he presses on twice as loudly as before. What Trump does talk about relentlessly, instead of policy, are simple words with positive connotations. “Strength”, “power,” “greatness”, “energy”, “winning”, “huge”, “amazing.” Trump delivers these words, over and over, with the bravura of a carnival barker and the righteous anger of the oppressed, the trademark combination of the populist demagogue.

Trump also refers regularly to how he will demolish any and all critics and obstacles, from entire nations like Mexico to elected officials like Speaker Paul Ryan. He doesn’t talk about boring things like legality or procedure or how any of these threats and promises will be carried out. Before anyone can even ask, he’s on to the next audacious claim. “It will be taken care of!” “He’d better watch out!” “We’ll take the oil!” “They’ll pay for it all!” “It will be amazing!” Bold, decisive, fact-free, impossible, who cares? His followers love it.

I resist most comparisons between Trump and Putin for one simple reason: power. Putin has it and Trump does not. When comedian Louis CK called Trump “Hitler in the 1920s” last week it echoed my labeling of Putin as “Hitler in the 1930s.” Of course Putin isn’t Hitler and Trump isn’t Putin, but this doesn’t mean we shouldn’t pay very close attention to anyone who sounds like Donald Trump, especially when he’s leading the Republican primary. We want to learn from history instead of repeating past mistakes.

Trump doesn’t talk much about policy and is incoherent when he does. This makes it difficult for the pundits to make useful policy contrasts with the other candidates. This is by design. When Trump’s lies and flip-flops are pointed out, he presses on twice as loudly as before. What Trump does talk about relentlessly, instead of policy, are simple words with positive connotations. “Strength”, “power,” “greatness”, “energy”, “winning”, “huge”, “amazing.” Trump delivers these words, over and over, with the bravura of a carnival barker and the righteous anger of the oppressed, the trademark combination of the populist demagogue.

Trump also refers regularly to how he will demolish any and all critics and obstacles, from entire nations like Mexico to elected officials like Speaker Paul Ryan. He doesn’t talk about boring things like legality or procedure or how any of these threats and promises will be carried out. Before anyone can even ask, he’s on to the next audacious claim. “It will be taken care of!” “He’d better watch out!” “We’ll take the oil!” “They’ll pay for it all!” “It will be amazing!” Bold, decisive, fact-free, impossible, who cares? His followers love it.

All of these rhetorical habits are quite familiar to me and to anyone who has listened to Russian media—all state controlled—in the past decade. The repetition of the same themes of fear and hatred and racism, of victimhood, of a country beset by internal and external enemies, of how those enemies will be destroyed, of a return to national glory. How the Dear Leader apologizing or admitting error shows weakness and must never be done. Inspiring anger and hatred and then disavowing responsibility when violence occurs. It’s a match. As is the fixation with a leader’s personal strength and weakness, intentionally conflated with national strength and weakness.

There lies the clearest and most dangerous similarity between Trump and Putin: the authoritarian instinct, the veneration of power over the values that direct it. Trump has repeatedly praised not just Putin himself for his “strength,” but other tyrants as well. In 1990, in an interview with Playboy, Trump criticized Mikhail Gorbachev for not having a “firm enough hand” and spoke with admiration for the Chinese government’s massacre of protesters in Tiananmen Square. (…)

Americans cannot say they didn’t know. Trump has appeared in eleven debates during this campaign (eleven more than Putin has participated in during his entire life). Many Americans are fearful and angry today, unsatisfied with the weak excuses and vague proposals provided by their establishment politicians. Audacious plans and unorthodox candidates are attractive under these conditions, no matter how utopian or menacing their proposals are. This is how ideologies like socialism and fascism gain traction in democracies. But burning it all down isn’t any more of an answer than putting the government in charge of everything. And if you think liberals like big government, just wait until you see an authoritarian! Trump’s first war would be on the Bill of Rights. (…)