Lindos e sem make-up

avante

PCP e Rússia, no Avante.

(…) Na explosiva confrontação em curso, o capitalismo russo não pode prescindir do legado da época soviética. Mas as contradições entre a política interna e externa da Rússia, expressão da complexidade da luta de classes, continuam a pairar perigosamente sobre o futuro do país da Revolução de Outubro no século XXI.

Com estes truques, a imprensa está a desaparecer

traques

O artigo do Expresso intulado “O povo português está a desaparecer” pode ser lido aqui. Os dados têm como fonte a Portada.

Nacionalizado ao Romeu Monteiro.

 

Compreender o putinismo XLIII

mh17

MH17 foi abatido com ajuda da Rússia

 Separatistas apoiados pela Rússia pediram e receberam o sistema de misseis terra-ar utilizado para abater o avião que voava de Amesterdão para o Kuala Lumpur em julho de 2014. Morreram 298 pessoas.

A equipa de investigadores liderada pela Holanda concluiu que o sistema de mísseis terra-ar usado para abater um avião da Malaysia Airlines que viajava de Amesterdão para o Kuala Lumpur há dois anos, matando 298 pessoas, era russo, estava localizado na Rússia e foi enviado para a Ucrânia a pedido de rebeldes separatistas ucranianos apoiados pelo Governo russo, tendo regressado à Rússia na mesma noite, avança o New York Times. (…)

Que enorme cabala. A investigação não culpa a Rússia. Apenas revela que um sistema de mísseis terra-ar, conhecido como “Buk” veio, foi usado para abater o avião e regressou a casa, à Santa Mãe Rússia. Se dúvidas existissem, é sabido que nenhum militar e equipamento bélico russo pisou o solo da Crimeia, Nunca existiram militares e armas russas em Donetsk. O Kremlin é incapaz de fornecer e financiar terroristas.

De regresso ao avião abatido, o então comandante militar rebelde  Igor Strelkov, da proclamada “República Popular de Donestsk”, afirmou nas redes sociais: “acabamos de abater um An-26 perto de Torez. Caíu perto da mina Progress. Avisámos (as forças armadas ucranianas) para não voarem no nosso espaço aéreo. Há um vídeo que confirma que o pássaro caíu.” O crédito do rebelde passou a glória quando o AN-26 passou a ser o avião de passageiros MH17. As redes sociais pro-russas celebraram o feito e difundiram o vídeo do avião abatido a arder. Alguns minutos após a divulgação, surgiram as primeiras notícias que confirmavam que o avião abatido pertencia à companhia aérea Malaysia Airlines, voo MH17 com  quase três centenas de pessoas a bordo. A partir deste ponto, a propaganda ao serviço dos pro-russos começaram a “cortar” as notícias sobre os mísseis terra-ar, o abate do avião de carga ucraniano e a apagar os vídeos. 

Claro como o vodka: com Vladimir Putin, os velhos usos e tiques soviéticos estão para lavar e durar. Para acompanhar as notícias, aconselho o trabalho do The Telegraph.

Diversão à esquerda

cartaz
O cartaz que respeita a tradição de design a que o PCTP/MRPP nos habituou foi colocado na Venda Nova (Amadora), onde habitualmente o partido coloca a propaganda.

As mentiras do Arnaldo.

A título meramente exemplificativo, destaco o post Povo Exige Internamento de Arnaldo Matos, datado de 23 de Setembro e que reza assim:

Durante esta noite, numa grande acção de repudio pelo assalto do ditador Arnaldo ao PCTP/MRPP, foram afixados por todo o País incluindo regiões autónomas, uma série de cartazes.

Recordamos que pela primeira vez na sua história, o PCTP/MRPP não celebrou a sua data de fundação. O povo não deixou passar em claro o golpe do Arnaldo e sua seita.

Nova oportunidade para os críticos de cartoons XVI

hattar

Nahed Hattar já não blasfema. Foi assassinado por um imã à porta do tribunal onde iria ser julgado por insultar o Islão, a religião da paz.

A prominent Jordanian writer was shot dead by a suspected Islamist gunman on Sunday outside the courtroom where he was due to stand trial for offending Islam by sharing a cartoon on Facebook.

Nahed Hattar, a 56-year-old intellectual from Jordan’s Christian minority, was gunned down on the steps of a courthouse in Amman in what appeared to be a religiously motivated attack.

The gunman was arrested at the scene and a Jordanian security source identified him as Riyad Ismail Abdullah, a 49-year-old imam who was wearing traditional Islamic robes at the time of the shooting.

The alleged shooter recently returned from making the Hajj pilgrimage to Saudi Arabia, the source said. The gunman is believed to have acted alone rather than as part of an organised group.

The high-profile murder is a fresh blow to Jordan’s image as a bastion of stability amid the sectarian violence that is wracking much of the Middle East and the latest in a long string of killings across the world linked to cartoons about Islam.

Mr Hattar was arrested in August for sharing a cartoon on his Facebook page which showed a jihadist smoking in bed with two women while Allah waits attentively at the window for him.

The jihadist orders Allah to fetch him some wine and take away the dirty plates while demanding the archangel Gabriel get him some cashew nuts.

Mr Hattar said the cartoon was intended to mock jihadists and their twisted interpretation of Islam but Jordan’s government charged him with insulting the faith and “provoking sectarian rifts”.

The writer rejected the charges and planned to fight the case. If convicted, he could have faced up to three years in prison. (…)

Leitura dominical

Mais depressa se apanha o dr. Louçã do que um coxo, a crónica de Alberto Gonçalves no DN.

Há oito dias, escrevi aqui sobre o livro Homossexuais no Estado Novo, onde a “jornalista” São José Almeida inventariou, sem o consentimento dos próprios e com alegada legitimidade académica, a orientação sexual de diversas figuras mais ou menos ligadas ao regime anterior. A coisa veio a propósito de um livro recente de José António Saraiva, Eu e os Políticos, nova colectânea de mexericos (a acreditar na imprensa) que deu brado principalmente por causa da anunciada, e entretanto cancelada, apresentação a cargo de Pedro Passos Coelho. No fundo, limitei-me a notar que, excepto pelas inclinações ideológicas dos autores, não compreendia o escândalo provocado pela segunda “obra” face à indiferença ou à exaltação suscitadas pela primeira.

Pois bem. Num blogue que mantém no Expresso (Tudo Menos Economia), Francisco Louçã resolve proclamar que o opúsculo do arq. Saraiva foi “defendido naturalmente por um cavalheiro do mesmo calibre que dá pelo nome de Alberto Gonçalves, no DN, e porventura por ninguém mais”. Na mesma página, em resposta a um leitor que discordava da afirmação, o dr. Louçã acrescenta: “Que bem que lhe fica defender o Gonçalves, que defende o Saraiva como pode e mais não consegue.” Abaixo, em resposta a outro leitor, o Louçã, perdão, o dr. Louçã (não quero intimidades com gente dessa) aconselha: “Leia todo o artigo do Gonçalves para ver como ele banaliza o feito do Saraiva.” Questionado por um terceiro leitor acerca do Homossexuais no Estado Novo, afinal a referência que permitiria determinar a “banalização”, o dr. Louçã esclarece: “Não li.”

Regresso à crónica da semana passada para lembrar a minha “defesa” arrebatada do Eu e os Políticos, da qual sinceramente não fazia ideia. Talvez por não ter existido. Fundamentado nas citações e alusões que saíram nos jornais, chamei-lhe “baldinho de lixo”, e garanti não duvidar de que se tratava de “uma porcaria”. É certo que não cheguei a exigir a lapidação ou o enforcamento do arq. Saraiva, mas isso deve-se apenas à brandura do meu carácter. Em qualquer dos casos, suponho, “lixo” e “porcaria” não são epítetos habitualmente utilizados na defesa seja do que for. Em qualquer dos casos, ou o dr. Louçã é demasiado burgesso até para os padrões do Bloco de Esquerda ou, para recorrer à deprimente retórica parlamentar, o dr. Louçã faltou à verdade. Em português, palpita-me que o dr. Louçã mentiu. E mentiu de maneira tão tosca, no sentido em que a verdade é tão fácil de repor, que o facto só tem uma explicação.

Ao longo da sua curiosa carreira, o dr. Louçã contou sempre com uma plateia de bonequinhos amestrados que levam a sério os incontáveis disparates que regularmente profere. Se a criatura se alivia de uma mentira pequenina, os bonequinhos acreditam. Se a mentira é grande, os bonequinhos acreditam também. Há muito que a criatura percebeu não valer a pena enfeitar as absurdas intrujices que diz, um produto com procura suficiente para, no estado bruto, permitir-lhe ganhar a vida sem preocupações. À semelhança dos correligionários dele, o dr. Louçã é, literalmente, um mentiroso profissional, ofício para cúmulo favorecido pela reverência dos media, a indigência da universidade que o emprega e o enviesado primarismo do nosso “debate” público. E como mentiroso profissional é incansável: se o dr. Louçã dá os bons-dias, é garantido que está a chover.

Admito que nada disto possui particular importância. Simplesmente não gosto que me acusem de proezas que não pratiquei. Por uma vez, convém que as desastradas mentiras do dr. Louçã não fiquem impunes. Por uma vez, uma singela vez, é higiénico avisar que tudo o que sai da cabecinha daquela criatura não passa – vamos lá rever a matéria – de um lixo e de uma porcaria. E agora espero encarecidamente que o dr. Louçã não me acuse de defendê-lo a ele, uma inominável vergonha e uma calúnia ainda maior do que a da defesa do arq. Saraiva.

As razões pelas quais o socialismo fracassa

socialismo

Una guía para principiantes sobre la economía socialista, de Marian L. Tupy.

João Galamba dixit

Para o Bloco, a solução para a pobreza e para as desigualdades é muito simples: estamos perante um problema de redistribuição da riqueza. É o estafado: existem pobres porque existem ricos. Há quem ache que se deve ir por aqui. Eu discordo. Ou melhor: a redistribuição e necessária, mas não chega. É uma fantasia achar que se resolve o problma da pobreza e das desigualdades criando um escalão de 45% de IRS e um imposto sobre as grandes fortunas. Os nossos problemas também não se resolvem nacionalizando a banca, os seguros e o sector energético — e muitos menos se resolvem introduzindo mecanismos de controlo administrativo e burocratico dos juros.

Em tudo o que cheire a economia a solução do BE é sempre a mesma: estatismo e penalização da iniciativa privada. Estamos perante, se me permitem, um liberalismo invertido: onde estes acham que o privado resolve tudo, o BE acha que o estatismo é a panaceia para todos os atrasos do nosso país. Um e outro, acreditam na solução varinha mágica e reduzem as razões do nosso atraso reside à estafada questão da propriedade dos recursos — e não na utilização dos recursos. Se o PSD tem um preconceito em relação ao Estado, o BE tem um preconceito em relação aos privados. Nenhum destes partidos entende que a relação entre Estado e privados não é um jogo de soma nula.

O PS mostra ser mais inteligente e vai buscar ensinamentos tanto à direita liberal como à esquerda estatista. Daí o PS propor uma solução intermédia que reconhece a complementariedade entre público e privado, isto é, o PS é o único partido que mostra ter aprendido com a crise actual e com a falência do socialismo real. Enquanto o PSD fala como se esta crise não tivesse existido, o BE fala como se só tivesse existido essa crise, como se o socialismo tivesse sido inventado em 2009.

Um dos maiores problemas do BE consiste na ausência de uma política que assegure um crescimento económico que garanta o a sustentabilidade do estado social. Para o Bloco, solidariedade não requer competitividade e crescimento económico. Por outras palavras: a solução para todos os nossos problemas não tem de ser construída, isto é, não depende da criação de um contexto que económico que ainda não existe. Os nossos problemas resolvem-se a partir dos recursos actualmente existentes, redistribuindo-os. Mas alguém acredita que as medidas propostas pelo Bloco garantam os crescimento económico que financie as políticas sociais que a esquerda bloquista deseja? Qual a tx de crescimento necessária para pagar o estado social defendido pelo bloco sem que o défice se torne insustentável? O BE, infelizmente, ignorou estas contas.

Esquerda tradicional vs Esquerda moderna, numa realidade pré-geringonça.

galambamortagua

Para acompanhar

liberalunconference

Os descontentes com os partidos socialistas podem e devem reservar na sua agenda o final da tarde de 7 de Outubro (uma Sexta-feira). O motivo é nobre e trata-se da primeira Iniciativa Liberal Unconference, subordinada ao tema The future of the european project: Portugal’s role, que terá como convidado Hans Van Baalen,  Presidente do ALDE  e  moderação assegurada pelo Nuno Roby Amorim.

Mais informações e incrições na página do evento.

Leitura complementar: Manifesto Liberal Portugal 2016.

 

Leitura dominical

Na cama com os pulhas, a crónica de Alberto Gonçalves no DN.

(…) Uma das gémeas Mortágua, família cuja notoriedade define o país, mostrou quem realmente governa isto e anunciou um novo imposto sobre o património imobiliário (“para apanhar quem escapa ao IRS”). O PCP, que em matéria de assaltos não gosta de ficar à porta e invade furioso a horta, quer alargar o imposto ao património mobiliário, ou seja colocar a mão literalmente na massa. A CGTP, que lutou pela “escola pública” (?), luta agora pelos trabalhadores despedidos dos colégios privados que se empenhou em fechar. O secretário de Estado que viajou à conta da GALP não se demite do cargo mas demite-se de tutelar a GALP. O Presidente dos “afectos” ouviu um par de “homólogos” estrangeiros jurarem-lhe pela pujança da economia indígena e não percebeu o sarcasmo. O – passe a expressão – primeiro-ministro exibiu o imaginário que lhe habita a cabecinha e, em momento de típica erudição, sugeriu a Pedro Passos Coelho que vá caçar Pokémons. O – desculpem o termo – ministro das Finanças, que cá dentro compete em boa disposição com o dr. Costa, andou lá fora a jurar que trabalha imenso para evitar um segundo “resgate”, que na verdade seria o quarto. Os portugueses que ainda não enlouqueceram já nem duvidam da necessidade do resgate, mas duvidam que o tenhamos quando precisarmos dele.

O problema é que os portugueses que ainda não enlouqueceram são uma minoria de resistentes. E um problema maior é que, aos poucos, a resistência perde razão de ser: a cada semana, o ambiente em curso convida à resignação e ao abandono. De acordo com as sondagens, cinquenta e tal por cento dos cidadãos registam os sinais e acham que a coisa vai no bom caminho. No meio da desagregação geral, a opinião publicada aflige-se com a entrevista de um juiz (pretexto para exaltar o eng. Sócrates), as memórias de um antigo assessor (pretexto para criticar Cavaco) e os mexericos do arq. Saraiva (pretexto para demolir Passos Coelho). Portugal é uma casa em chamas onde os moradores só se preocupam com a fechadura que range. Não tarda, estamos a olear a porta reduzida a cinzas. E a culpar a “direita”, a “Europa” e a Via Láctea pelos estragos. A Via Láctea não é nossa amiga.

Perceber a Srª Doutora Ministra das Finanças Mariana Mortágua

Mariana Mortágua afirma, “do ponto de vista prático, a primeira coisa que temos de fazer é perder a vergonha de ir buscar a quem está a acumular dinheiro“. Percebamos a génese da ideia: afinal a senhora doutora ministra das finanças da geringonça é filha de um assaltante e terrorista.

O recurso do Lula

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A lula (ou calamar), ao contrário de outros animais do mesmo filo, não possui uma casca externa dura, mas um corpo externo macio e uma casca interna. Além disso, fazem parte ainda da classe dos cefalópodes (“pés na cabeça”), um grupo que também inclui o polvo, o choco e o náutilo.[1] A maioria das lulas não tem mais que 60 cm de comprimento, mas já foram identificadas lulas-colossais com catorze metros.

Fonte: Wikipédia.

Socialismo, versão africana

Foto: : NEWSSCAN
Foto: : NEWSSCAN

Quase quatro metros de Robert Mugabe.

(…) “I wanted to make it as big as possible,” he said. “This is our number one so I wanted to give it a strong impression.”

But his work was ridiculed by Zimbabweans on social media, who characterised it as: “Superman in the style of The Simpsons”.

Others suggested that Mr Benhura had committed “career suicide”. “The poor chap is probably at Chikurubi prison by now,” another wrote, referring to Zimbabwe’s best-known jail.

The unveiling came after Patrick Chinamasa, the Zimbabwean finance minister, completed a tour of Europe in a bid to secure agreement for an International Monetary Fund bail-out. The government has also announced a plan to axe 25,000 public sector jobs.  (…)

9/11 2016

How the 9/11 attacks would have been reported based on how Islamic attacks are reported now ….

911

Leitura dominical

A geração mais informada está infestada de patetas, a crónica de Alberto Gonçalves no DN.

(…) Há dias, o DN antecipou online o lançamento. Um leitor criticou de imediato a “publicidade” do “imperialismo” e do “heroísmo parolo” (se fossem sofisticados, os burgessos dos americanos permitiram que os matassem sem levantar problemas). Outros leitores desenvolveram a tese e esclareceram as massas acerca do avião “sem asas” que embateu no Pentágono, da “circunstância” de a maioria dos judeus que trabalhavam no World Trade Center terem faltado nesse dia, dos telemóveis que “não funcionam” nos aviões e, em suma, da “grande mentira que foi o 11 de Setembro”.

É escusado notar que este tipo de delírios não é exclusivo de alguns leitores do DN, ou sequer do público português. Pelo mundo fora, uma extraordinária quantidade de gente acreditou, acredita e continuará a acreditar que o 11 de Setembro constituiu um horrendo embuste da administração Bush para justificar a invasão do Afeganistão e do Iraque. “Fundamentadas” em milhares de sites mantidos por malucos ou vigaristas, há por aí milhões de pessoas aparentemente normais que rejeitam toda a evidência e qualquer réstia de bom senso para acolher “argumentos” estapafúrdios e indignos da cabecinha de uma criança. Na essência, essas criaturas não diferem das que, no século 12, suponham a Terra plana, ou das que, no século XVII, a achavam imóvel. Mas as diferenças no acesso à informação, e a incapacidade em seleccioná-la, assemelham-nas mais aos pândegos, muitos deles jovens urbanos, que negam o evolucionismo das espécies – e não cabe aqui discutir se tão primitiva resistência aos factos é, em sim mesma, um desmentido de Darwin.

Salvo pelos seus partidários, é sabido que as teorias da conspiração são o último refúgio dos nossos ignorantes. O pior é serem também a primeira arma dos nossos inimigos. Existe relativa graça no indivíduo sinceramente convencido de que a equipa da Apollo 11 não chegou à Lua, e imensa graça em imaginar que o indivíduo vive realmente na Terra. A brincadeira adquire maior gravidade sempre que, na sua estupidez, as teorias da conspiração servem projectos criminosos. O comunismo e o nazismo, para citar duas calamidades maiores, não teriam sido o que foram sem a “legitimação” manipuladora providenciada por gigantescas patranhas. E o terrorismo não seria o que é.

As lendas alusivas ao 11 de Setembro constituem o logro voluntário em que caem os ocidentais que não aceitam, ou fingem não aceitar, a culpa do islão. Atentados posteriores atraíram lendas semelhantes, excepto na dimensão. Certas chacinas em França, por exemplo, espevitaram os “conspiracionistas” assumidos: não é estranho que os assassinos do Bataclan tivessem deixado para trás as identificações? Já os “conspiracionistas” dissimulados adoptam a via das dificuldades de “integração” e os “distúrbios psiquiátricos”. A este respeito, duas verdades são inegáveis: o mundo está cheio de doidos, e, à conta de masoquismo e crendices, o futuro do Ocidente promete ainda menos em 2016 do que prometia há 15 anos. (…)

Síria: back to basics XXVII

assad

Algumas das razões pelas quais o regime de Assad não ganha a guerra, por Mikhail Khodarenok.

Leitura dominical

A presidenta inocenta, a crónica de Alberto Gonçalves no DN.

Digam o que disserem, o momento dramático da destituição da dona Dilma aconteceu quando um senador do PT falou na “presidenta inocenta”. As palavras não me saíram da cabeça. Em primeiro lugar, porque nenhuma delas existe em português decenta, perdão, decente. Em segundo lugar, porque a bem da clareza deve colocar-se a hipótese de a senhora ter de facto sido vítima de uma conspiração manhosa. Convém que uma pessoa se pergunte: e se os defensores da dona Dilma têm razão? E depois convém que uma pessoa se responda: não, não têm. Como se atinge a conclusão? Por diversas vias.

Desde logo, a via legal. Não adianta festejar a portentosa democracia brasileira sempre que esta derruba um presidente de direita ou elege um presidente de esquerda para de seguida lamentar o “défice democrático” sempre que, no mesmo respeito formalista, o regime enxota uma amiga dos “trabalhadores”. Se dois terços dos representantes do povo – e, a acreditar nas sondagens, dois terços do povo – acham a dona Dilma uma corrupta de dimensão internacional, é altamente provável que o seja. Caso contrário, improvável é o Brasil, hoje e ontem. (…)

Se, ainda assim, restarem dúvidas, note–se a qualidade dos manifestantes “pró” e “contra” a destituição. Para os telejornais daqui, uns – na verdade a larga maioria – não passam de elites reaccionárias, ressentidas e avessas à “justiça social”. Os outros organizam “manifestações pacíficas”, que curiosamente consistem em arrasar a propriedade pública e privada que estiver à mão. Aprendizes de guerrilha e delinquentes comuns não costumam andar no lado certo da história. (…)

Se, ainda assim, restarem dúvidas, aprecie-se o choque dos nossos PCP, BE e um pedacinho do PS, mais deprimidos com a perda da dona Dilma do que com a de um cãozinho fiel. Não é só o currículo dos bandos que classifica automaticamente as suas afinidades. Os que por cá se juntaram para derrubar um governo (por ser de “direita”) garantem que derrubar um governo (por ser corrupto) é “golpe”. Até uma criatura com apenas dois neurónios ouve pelo menos um deles resmungar que, fora do primoroso universo marxista e, sim, golpista, a “tese” não faz sentido.

Se, ainda assim, restarem dúvidas, não restam dúvidas: você é um devoto da “presidenta inocenta”, paixão originada na cegueira ideológica ou na miopia literal. Escreva num cartaz “Fora Temer”, o ex-“companheiro de todas as horas” da dona Dilma, e exiba-o na rua aos gritos. Cuidado com o trânsito e com a excitação. Não se esqueça que a esperança no comunismo é a última a morrer: as respectivas vítimas morrem antes. (…)

Um velho truque da imprensa

A partir do automóvel, um condutor palestiniano ataca soldados israelitas. Decide  sair da viatura e, supõe-se que por mero acaso, esfaqueia um militar e é abatido a tiro. A agência de notícias Reuters notícia o incidente assim: “Israeli soldier shoots dead Palestinian driver in West Bank: army.

truquesimprensa

Permanece um mistério as razões pelas quais as armas rudimentares continuam a ser usadas para matar pessoas e a mesma agência de notícias ter alterado o título inicial da notícia para “Palestinian who stabbed Israeli soldier shot dead: army“, de modo a clarificar o incidente.

A história de uma rosa do deserto

Foto: WAEL HMEDAN / REUTERS
Foto: WAEL HMEDAN / REUTERS

Sabe Deus as razões pelas quais o exercício de relações públicas a entrevista  à Primeira Dama síria, Asma al-Assad que saíu na Vogue desapareceu mas vale a pena ler o artigo de Joan Juliet Buck, My notorious interview with Mrs. Assad, the first lady of hell que revela detalhes preciosos.

Parabéns Wikileaks

FREE ASSANGE

A Wikileaks decidiu revelar ao mundo informações pessoais e financeiras de centenas de bandidos. De entre os expostos contam-se algumas vítimas de abusos sexuais, relatórios médicos  de crianças e adultos e gays.

O caso já seria muito grave e revelador do encanto da organização de Julian Assange mas o detalhe da exposição ter como palco a Arábia Saudita – esse oásis – da democracila liberal e dos direitos humanos -, apimenta a coisa.

A organização informativa está, uma vez mais, de parabéns. Nem imagino o que o jornalismo-cidadão e a polícia religiosa local serão capazes de fazer com tamanha quantidade e qualidade de informação. O mundo respirará melhor quando a liberdade da verdade completar o seu caminho.

Private lives are exposed as WikiLeaks spills its secrets.

WikiLeaks’ global crusade to expose government secrets is causing collateral damage to the privacy of hundreds of innocent people, including survivors of sexual abuse, sick children and the mentally ill, The Associated Press has found.

In the past year alone, the radical transparency group has published medical files belonging to scores of ordinary citizens while many hundreds more have had sensitive family, financial or identity records posted to the web. In two particularly egregious cases, WikiLeaks named teenage rape victims. In a third case, the site published the name of a Saudi citizen arrested for being gay, an extraordinary move given that homosexuality is punishable by death in the ultraconservative Muslim kingdom.

“They published everything: my phone, address, name, details,” said a Saudi man who told AP he was bewildered that WikiLeaks had revealed the details of a paternity dispute with a former partner. “If the family of my wife saw this … Publishing personal stuff like that could destroy people.” (…)

Uma questão de publicidade

Esqueçamos a tirada "não existe má publicidade: apenas publicidade. " Reuters Tv/Reuters.
Esqueçamos a tirada “não existe má publicidade, apenas publicidade. ” Reuters Tv/Reuters.

Iran ends Russian use of air base because of unwanted publicity.

As opções editoriais sobre crianças II

Rslan ym "fotógrafo" com amigos e passatempos verdadeiramente caridosos.
Rslan um “fotógrafo” com amigos e passatempos verdadeiramente caridosos.

Realidades que os media portugueses não noticiarão e que não se tornarão virais.

Syrie : la face obscure du photographe qui a immortalisé l’enfant blessé

Mahmoud Rslan, dont les images ont fait le tour du monde, ne cache pas sa sympathie pour un groupe rebelle qui a décapité un enfant, en juillet.

Leitura complementar: As opções editoriais sobre crianças.

Leitura dominical

Os malucos, a crónica de Alberto Gonçalves no DN.

(…)Os filhos do embaixador do Iraque que, em Ponte de Sor, espancaram um rapaz quase até à morte não possuem apenas imunidade diplomática: aparentemente possuem também imunidade noticiosa. Houve pelo menos um canal televisivo que tratou o caso sem sequer referir a origem dos agressores. Se a ideia era evitar críticas preconceituosas, acho bem. Acolher os representantes oficiais de nações amigas é compreender os respectivos costumes. Alguém condenaria os filhos do embaixador americano por organizarem uma partida de softball com colegas? Ou os filhos do embaixador cabo-verdiano por participarem numa sessão de mornas? Cada um diverte-se como sabe e pode. São as diferenças culturais que fazem do mundo um lugar lindo. E o respeito pelas diferenças torna-o ainda mais bonito.

As opções editoriais sobre crianças

O Observador noticía no artigo intitulado Omran e Aylan, as opções das crianças sírias a tragédia de duas crianças sírias que simbolizam o drama da guerra na Síria.

omranaylan omran

E a propósito do cartoon de  Khalid Albaih, divulga as imagens  tão brutais quanto virais de Kurdi e de Omran Daqneesh.

Espero que continue a ser mantida a discrição do Observador e dos restantes orgãos de comunicação social em relação às crianças feridas e mortas, vitímas dos ataques terroristas, islâmicos ou não.

Nice

Sobre esta temática, valerá a pena recordar o que escrevi há seis anos por, de algum modo, permanecer actual.

(…) A propaganda terrorista usa o distanciamento moral das consequências dos seus actos e mensagens sanguinárias. Quem os pratica é como se nunca os tivesse feito. Ninguém com os cinco alqueires bem medidos pode justificar um homem-bomba ou um atentado a um meio de transporte público.
As vítimas, os sobreviventes, os familiares e amigos vivem uma situação traumática fácil de entender mas, por certo, difícil de (sobre) viver. A presença permanente de jornalistas em buscas de imagens e histórias sensacionais e emotivas, muitas vezes com a parva pegunta do “como se sente?” é constante e passam a estar associados a parte da tragédia. Nestas ocasiões, é bom recordar um princípio: as vítimas são seres humanos, não são seres com lágrimas, prontos a serem retratados. E neste ponto, existe uma clara diferença entre culturas e os media na relação com a morte e a tragédia. É diferente, para pior, o tratamento que, por exemplo, os media árabes fazem das notícias que envolvem mortos e feridos. Há linhas que no Ocidente não se devem ultrapassar.
Nos atentados de Londres, a BBC, a ITN ou a Sky basearam boa parte da sua informação visual em imagens amadoras. Blogues, twitter, facebook noticiaram histórias que foram aproveitados por aqueles meios mas todos eles desempenham um papel importante de informação mas também na passagem da sensação de vulnerabilidade.
O acto terrorista lança um desafio ao estado, ao indivíduo, através dos media. Existe uma estreita relação entre todos os actores neste processo. O que se deseja é que as respostas dadas pelo estado, vítimas e media sejam reponsáveis.

Quem o comete sabe que o assassinato de inocentes é um meio para atingir um fim – a fractura social – e que a sua divulgação multiplica o seu impacto. A lógica terrorista é ser a primeira página. Por essa razão, é preciso ser crítico, até na terminologia usada. Para a generalidade dos media, o contexto é importante e as imagens apresentadas, por definição, retratam, realidade simplificada . Enxaguada a destruição e a dor, existe um fascínio pelas causas e não pelas consequências – as vítimas. Desta realidade resulta uma consequência: o jornalista passa a “narrador” dos terroristas . É comum assistir durante as entrevistas (um dos estilos jornalísticos mais difíceis de fazer bem) a que sejam os terroristas a controlar (e claro, a distorcer a realidade). A informação deve tratar com cuidado e conhecimento o terrorismo. Não pode legitimar, não pode apenas reproduzir a propaganda.

 

 

Sim, Podemos e em igualdade

PI

Quatr@ membr@s d@ P@dem@s expuls@s por agredirem vári@s membr@s d@ P@dem@s. Será, talvez, necessário aplicar um código de conduta aos bravos militantes do Podemos.

El Círculo Joven de la Comunidad de Madrid de Podemos ha expulsado a cuatro de sus miembros tras ser acusados por varias integrantes de esta agrupación de haberlas acosado y agredido verbal y físicamente, según han confirmado a Europa Press fuentes de la formación morada.

Las expulsiones se produjeron el pasado lunes en la asamblea de carácter extraordinario y urgente que celebró este grupo de militantes madrileños para tratar este asunto; encuentro en el que las afectadas denunciaron públicamente los supuestos abusos y anunciaron su abandono del Círculo, como consecuencia.

En dicha reunión, las militantes leyeron un comunicado en el que aseguraban que estaban “siendo constantemente acosadas y agredidas por algunos integrantes” del Círculo. “Estas actuaciones completamente machistas han provocado que el Círculo no sea seguro para nosotras y hemos decidido tomar medidas para cambiarlo”, rezaba el texto, tal y como consta en el acta de la asamblea que ha publicado Ok Diario.

Fuentes de la dirección de Podemos han asegurado a Europa Press que la dirección del partido en Madrid ya ha tomado las riendas del asunto y ha abierto una investigación, promovida desde el Area de Igualdad, para estudiar la expulsión del partido de los acusados, porque la formación no tolera el tipo de comportamientos denunciados. (…)

 

Da ética republicana, laica, socialista

Afinal, o pide fiscal que foi pago pela GALP para ir até França assistir a jogos da bola, quer reverter a doação.

Leitura dominical

Uma falsa ameaça, a crónica de Alberto Gonçalves no DN.

É absurdo atribuir à extrema-direita xenófoba e racista os recentes atentados na Europa. Embora os autores dos atentados alegadamente exibam um passado de militância na extrema-direita xenófoba e racista, e movimentos da extrema-direita xenófoba e racista os reivindiquem, é preciso não confundir estes elementos radicalizados com a extrema-direita xenófoba e racista em geral. Felizmente, a vasta maioria da extrema-direita xenófoba e racista é constituída por gente pacífica que não se revê em acções violentas. Uma ocasião, aliás, até vi um líder da extrema-direita xenófoba e racista condenar estes excessos.

A maior ameaça que o continente hoje enfrenta não advém da extrema-direita xenófoba e racista, mas justamente dos populistas que, aqui e ali, apelam à respectiva discriminação e, quiçá, erradicação. É fundamental que o discurso do ódio não prevaleça sobre a concórdia entre indivíduos de todas as crenças e convicções. Uma civilização tolerante não pode tolerar uma existência subordinada à desconfiança e à mentira. Falemos da mentira.

Há um factor que desmonta imediatamente a “narrativa” (desculpem) que responsabiliza a extrema-direita xenófoba e racista pelas matanças em curso. De acordo com as informações reveladas pelas autoridades, é notório que os protagonistas de esfaqueamentos, degolações, explosões e atropelamentos em série pertencem a um de dois grupos: a) sujeitos com problemas psiquiátricos, leia-se doentes carenciados da atenção que, evidentemente, a medicina não lhes prestou; b) sujeitos com problemas de integração, leia-se vítimas de governos incapazes de responder com políticas de apoio aos anseios dos filhos da extrema-direita xenófoba e racista. Vamos acusar a extrema-direita xenófoba e racista pelas proezas de pobres malucos e marginais que nós, enquanto sociedade, não soubemos tratar e acolher? Não faz sentido.

O que faz sentido? Antes de mais, importa conciliar discursos. Se defendemos que as chacinas não estão relacionadas com a extrema-direita xenófoba e racista, é chato, principalmente para a coerência argumentativa, defender em simultâneo que a extrema-direita xenófoba e racista se limita a reagir a intervenções abusivas dos poderes ocidentais.

Depois, para não publicitar os ideais de organizações autodenominadas de extrema–direita xenófoba e racista – e que, escusado acrescentar, não representam a extrema-direita xenófoba e racista – é necessário proibir a divulgação de notícias de novos atentados. Sempre que um infeliz, convencido de que é membro da extrema-direita xenófoba e racista, aviar meia dúzia de transeuntes a golpes de catana, os media terão de guardar segredo do caso sob pena de pesada multa. Mesmo as testemunhas sobreviventes estarão obrigadas ao silêncio, o que, dado que à cautela o melhor é nem chamar os paramédicos, não será difícil. Por fim, o Estado enviará às famílias dos falecidos uma cartinha a informá-las de que os ditos emigraram sem bilhete de regresso.

Se a coisa correr bem, os assassinos/ doentes/estigmatizados em causa continuarão a dizimar quem lhes surgir pela frente, numa sucessão de incidentes inexplicáveis que, em prol da convivência sadia, serão ignorados sem piedade. Em vez de perder tempo com irrelevâncias, o jornalismo passará exclusivamente a cobrir a engraçada caça aos Pokémons, a pré-época da bola e, mediante reportagens na praia, a curiosa circunstância de o Verão ser uma época quente. É verdade que, pelo meio, haverá centenas ou milhares de inocentes mortos, e um pavor sem remédio. Porém, é um pequeníssimo preço a pagar pelos valores multiculturais, multi-ideológicos e multiusos que nos definem. A extrema-direita xenófoba e racista merece o nosso respeito. E um abraço amigo. (…)

O sonho venezuelano

Maduro

Depois da fome, chega a escravidão.

Ya no es suficiente con los soldados movilizados para plantar tomates en el Valle de Quibor. Según una resolución adoptada en el marco de la emergencia económica vigente en el país, las compañías privadas en Venezuela estarán obligadas a ceder a sus trabajadores para reforzar los planes del chavismo en el sector agrícola. La medida del Ministerio de Trabajo, publicada en la gaceta oficial ayer, dispone que las empresas públicas y privadas deberán darle al Gobierno la mano de obra requerida para «fortalecer la producción» agroalimentaria. Con ese fin, la cartera estableció un régimen especial para «todas las entidades de trabajo del país, públicas, privadas, de propiedad social y mixtas». La resolución, de carácter transitorio, no detalla los mecanismos para la cesión de los empleados, ni los períodos en los que podrán ser reasignados. (…)

 

Onde já se viu?

Diabos em duas rodas e provavelmente com selim. Imagem: AFP/Getty Images
Diabos em duas rodas e provavelmente com selim. Imagem: AFP/Getty Images.

O mulherio a andar de bicicleta fora do recato caseiro.

Qualquer dia ganham vontade própria.

Socialismo cria novas espécies de animais em Caracas

O zoo Caricuao, em Caracas reduz a ração de carne aos leões, introduzindo na dieta dos carnívoros manga e abóbora. A imagem é de CARLOS JASSO / REUTERS
O zoo Caricuao, em Caracas reduz a ração de carne aos leões, introduzindo na dieta dos carnívoros manga e abóbora. A imagem é de CARLOS JASSO / REUTERS.

Leões tornam-se vegetarianos.