Jerusalém, capital de Israel

Sem dramas.

E uma derrota para os dirigentes das facções palestinianas que usam a violência como modo de ser e estar.

(…) The leaders of Hamas and other Palestinian groups use violence as a deliberate tactic to get their way. If policy-makers allow this tactic to deter them from doing the right thing, it will only incentivize the opponents of a peaceful resolution of the conflict to threaten and employ violence every time they do not get what they want. Violence should be responded to by police and military action, not by giving in to the unreasonable demands of those who use violence as a tactic. (…)

 

 

 

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Prosperidade socialista e apatia generalizada

A ignorância é uma bênção, a opinião de Alberto Gonçalves no Observador.

Há dias, o primeiro-ministro lembrou: “O maior défice que temos não é o défice das finanças, é o que acumulamos de ignorância, de desconhecimento, de ausência de educação, de ausência de preparação”. Tipicamente, e decerto a título exemplificativo, o homem tropeçou nos conceitos e a frase não faz sentido nenhum (um défice de desconhecimento é mau?). Ainda assim, percebeu-se a ideia, que além de um impiedoso retrato dos senhores que governam, é igualmente um retrato fiel de boa parte dos governados. Não é fácil cometer um erro, insistir em errar e não aprender um bocadinho no processo. Sofrer a hecatombe socialista, pagar pelas respectivas consequências e voltar a abraçar as causas do desastre com a inocência e a esperança iniciais não está ao alcance de qualquer sociedade. Talvez seja necessária uma extraordinária abundância de primitivismo, ou infantilidade, ou estupidez, se preferirem a ofensa.

E há pior. Num país não propenso a confundir-se com um jardim-escola, a reacção natural dos eleitores ao colapso engendrado pelo PS seria escorraçar a seita em definitivo, simbólica ou literalmente. Aqui, pelo contrário, o PS floresce nas sondagens, o CDS é liderado por uma aprendiza do marxismo e o PSD “reforma-se” com entulho de modo a competir em votos com a toleima em curso. Por pudor, não menciono o quinto da população que orgulhosamente escolhe os herdeiros de Lenine e sonha com a felicidade venezuelana. De um lado, há milhões de cidadãos encantados com o saque dos seus impostos para alimentar a pândega (eles chamam-lhe “consciência social”). Do outro, um deserto povoado por meia dúzia de excêntricos. O povo – equívoca palavra – não só tolera a desgraça: exige-a.

Coisas fantásticas no reino da ONU

O Natal antecipado da geringonça

Uma semana no Terceiro Mundo, a opinião de Alberto Gonçalves no Observador.

(…) O PSD tem muito menos encanto na hora da despedida de Pedro Passos Coelho. Terminada a vigência desse homem afinal tão decente que se calhar passou por aqui ao engano, o que sobra? Sobra, pelos vistos, o socialismo nem por isso envergonhado de Santana Lopes e de Rui Rio, sobre os quais não é fácil arranjar um argumento que os distinga. Felizmente, o dr. Rio dá uma ajuda: a sua comissão de honra e a sua lista de apoios declarados, repletos do pior entulho oligárquico que o partido produziu em décadas, são quase um manifesto favorável ao rival. Nomes como Ângelo Correia, Manuela Ferreira Leite, Couto dos Santos e Ferreira do Amaral, isto para não falar das paixões assumidas de Pacheco Pereira ou daquele sr. Capucho, são, ou parecem ser, razões sucessivas para um optimista achar que, apesar de tudo, o PSD ficará mais bem servido com o embaraçoso dr. Santana. Mas um realista percebe que o país está desgraçado. (…)

Trumpices

Há circos com espectáculos mais pobres.

Trump diz que Michael Flynn não fez nada de ilegal, mas que teve de o despedir por mentir ao FBI.

Emails Dispute White House Claims That Flynn Acted Independently on Russia.

Kushner Told Flynn to Sabotage U.S. Policy With Russia’s Help.

 

 

Trapalhadas dos dias em que as vacas voam

O Homem-Elástico, a opinião de Paulo Tunhas no Observador.

(…) Por estes dias, esta visão das coisas, tudo o indica, tem-se tornado mais comum. Houve os fogos, houve Tancos, houve a legionella, houve a trapalhada com o Panteão, houve a justiça salomónica do caso do Infarmed (Lisboa, Porto – e finalmente Lisboa/Porto), houve a história com os professores, houve as perguntas pagas de Aveiro, com os ministros a dormirem e gracinhas ao ministro das Finanças (“Senhor ministro das Finanças, olhe que investir hoje na saúde é poupar amanhã no sistema de saúde”) e houve a querela da contribuição sobre as energias renováveis. O Homem-Elástico bem pode dizer, com “nervos de aço e serenidade”, que está “com ganas” de abrir novos caminhos e de traçar, com regra e esquadro, novas avenidas para a Pátria, num processo sem fim: “E mesmo quando chegarmos ao fim da estrada, vamos continuar a abrir a estrada, porque a nossa estrada não tem fim. A nossa estrada é uma estrada que abrimos sempre, porque há sempre novos caminhos para abrir”. Mas a história aos quadradinhos já não entusiasma ninguém. Tudo conhece um limite de elasticidade e as estradas têm sempre fim. Em política, quando o limite de elasticidade foi ultrapassado e não se deu por isso, começa o delírio. O delírio, salta à vista, já começou. (…)

Retrato do herói catalão

Imagem que se tornou independente da conta @____tuan

Mr. Bean en Bruselas, por Isabel San Sebastián.

Si no hubieran provocado una catástrofe social, económica y política de consecuencias gravísimas, las andanzas del golpista catalán huido serían dignas de una película protagonizada por Mr. Bean. Porque a Groucho Marx no llega el exalcalde de Gerona. A Carles Puigdemont le faltan clase, ingenio, inteligencia y profundidad para aproximarse al genial Julius Henry, el más brillante de los magistrales hermanos. Lo de nuestro turista en Bruselas se sitúa en la órbita del personaje que interpreta en la pantalla Rowan Atkinson con el pelo engominado, sonrisas babeantes y una mirada tan iluminada como la del «president» a la fuga. Un tipo un tanto ridículo, a caballo entre lo cómico y lo patético, cuya conducta errática acaba provocando situaciones que escapan a todo control. La perfecta encarnación del friki. Solo que en este caso no se trata de un actor interpretando un guion cinematográfico con el propósito de hacernos reír, sino de un presunto delincuente escapado de la Justicia y determinado a reincidir. Un gestor acusado nada menos que de malversación de caudales públicos, prevaricación, sedición y rebelión, a quien demasiados medios de comunicación españoles otorgan honores de gran dirigente. ¡Lo nunca visto! (…)

A ética republicana da geringonça e as casas ardidas que pagam IMI II

A esquerda não tem vergonha. As cinzas vão mesmo pagar IMI.

 

Leitura complementar: A ética republicana da geringonça e as casas ardidas que pagam IMI

A ética republicana da geringonça e as casas ardidas que pagam IMI

Costa a abraçar uma contribuinte passiva cuja casa ardeu num incêndio florestal e que acaba de chegar da repartição das finanças, onde pagou o IMI.  A contribuínte não tem casa mas cumpiu o dever patriótico e cívico. Não tem nada a ver com os figurantes, a Aximage e o focus group. 

 

Ontem choquei de frente com este tweet da Margarida B. Lopes.  E pensei: mesmo para a evidente falta de nível político, ético e moral da geringonça, é mau demais para ser verdade. Erro meu.
Pelo menos 110 pessoas morreram, vítimas de incêndios florestais. Milhares ficarem sem sustento, sem nada. E o que fazem o PS, o BE e o PCP a propósito de uma iniciativa do PSD de isentar de IMI (referente a este ano e ao próximo) as pessoas que perderam as casas (prédios urbanos, rústicos e industriais)? Chumbam a proposta dos sociais-democratas, obrigando estas vítimas a pagarem IMI sobre imóveis que foram destruídos pelos fogos.
Por uma questão de higiene, vale a pena seguir a discussão na página da Margarida B. Lopes.
E para os mais distraídos em geral e em particular, aos deputados nacional-socialistas de rosto humano, a autora do tweet relembra que existem várias propostas da geringonça para isenções de IMI no OE 2018 e aprovadas na Assembleia da República.
Em resumo: a geringonça não aprovou a medida proposta pelo PSD porque entendeu não o fazer. Em jeito de conclusão: a decisão da geringonça mesmo levando em linha de conta os baixos padrões da geringonça, é monstruosa.
Às criaturas do PS, Bloco de Esquerda e do Partido Comunista que de livre vontade o fizeram, desejo que seja insuportavelmente pesada a terra que levarão em cima.

“A adorar o ressabiamento de alguns”

Um país sem remédio, a opinião de Alberto Gonçalves no Observador.

(…) A julgar pelos gastos, porém, o forte do Infarmed são as viagens. No BASE, embora misteriosamente limitadas ao período 2008-2014, existem 521 viagens dos senhores do Infarmed, sempre rumo a encontros, congressos e reuniões essenciais ao futuro da humanidade. À luz da física, é compreensível a recusa da maioria dos funcionários em se mudarem para o Porto: eles vivem em permanente mudança para Bruxelas, Estrasburgo, Londres ou Paris. Apenas não se compreende o argumento da família, que os referidos nómadas contemporâneos invocam de modo a fugir à deslocação para norte. Dada a quantidade de voos, escalas, táxis e hotéis, há ali desgraçados que não vêem os filhos desde 2009.

Contas feitas, o episódio do Infarmed serve dois propósitos, ambos redundantes. O primeiro é mostrar os abismos de descaramento, demagogia e trafulhice a que o governo é capaz de descer. O segundo é lembrar que, apesar dos esforços do Infarmed, o país não tem remédio: ignoro se por manha ou criancice, toda a gente deseja acolher o Estado no quintal a título de dádiva, na presunção de que a proximidade ao entulho oficial constitui uma esperança e uma oportunidade. No máximo, conheço uns dezassete compatriotas que, caso pudessem, enviariam a administração pública em peso para a Papuásia, de resto a atitude própria de pessoas crescidas e saudáveis. (…)

Salvem o socialismo africano

Parece que Robert Mugabe não terá muitas condições para para continuar a realizar obra.
O ditador africano há mais tempo no poder instaurou um regime violento, autoritário e sobre o qual pendem múltiplas violações grosseiras da liberdade.
As reformas socialistas implantadas à força e acompanhadas pela banda sonora do racismo foram a via verde para o precipício, com os ataques à propriedade privada, a nacionalização de propriedades e o abandono forçado das terras, sob a ameaça de armas.
Para o regime de Robert Mugabe, a democracia pouco mais é do que um mecanismo processual onde são eleitos os seus representantes. E o até agora eterno Presidente sempre venceu as eleições e com resultados estratosféricos, com as consequências devastadoras que estão à vista de todos.

Leitura recomendada

O sarilho catalão, opinião de Bruno Alves no Jornal Económico.

Como mais ou menos toda a gente, tenho acompanhado com interesse e estupefacção os acontecimentos na Catalunha, onde um grupo de gente de penteados esquisitos e higiene pessoal duvidosa parece estar empenhado em dar início a uma nova guerra civil espanhola. Mas maior interesse e estupefacção tenho tido com o entusiasmo com que aqui em Portugal e um pouco por essa Europa fora muita gente parece ter simpatia e apreço pelas acções e opções dos “independentistas” catalães. Mais tolos que tolos só mesmo os tolinhos que os seguem.

Os argumentos da autodeterminação do “povo” e da ilegalidade do processo de secessão com que os dois lados se digladiam não me comovem particularmente. Os “povos” não têm vontade: uma parte dos ditos tem uma vontade, outra tem outra, e as duas não formam uma terceira, “Geral”. Um país torna-se independente quando uma dessas partes consegue ter força (nas suas várias formas) para a impôr ao país de que fazia parte e à parte do seu “povo” que não quer tornar-se independente. Os EUA, por exemplo, tornaram-se independentes não por ter sido a vontade do “nós, o Povo” supostamente autor da Declaração de Independência, mas porque a parte do povo que queria ser independente ganhou uma guerra civil à parte que não queria, e décadas mais tarde, a Confederação não se tornou independente porque quem queria ser independente não conseguiu ganhar uma guerra civil aos que não queriam que eles fossem independentes, não por a secessão ser ilegítima. (…)

Festa no Panteão: a culpa é do Passos, da Cristas e dos eucaliptos com dois anos

Entretanto, o site www.patrimoniocultural.gov.pt recolheu ao Panteão Nacional. Acreditemos que a culpa é do governo anterior.

Adenda “eu não fui”: (…)Quanto à presença de membros do Governo no polémico jantar, o gabinete do primeiro-ministro só esclarece que António Costa não participou. O mesmo gabinete não esclarece se qualquer outro membro do executivo esteve presente.

António Costa, o novo Odorico Paraguaçu

Festa rija no Panteão Nacional. Descubra as diferenças entre a personagem de ficção e um ser desprovido de vergonha o Primeiro-Ministro de Portugal.

Candidato a prefeito da cidade fictícia de Sucupira, elegeu-se com a promessa de construir o cemitério da cidade.[2] Apesar de corrupto e demagogo, era adorado pelos eleitores e exercia fascínio sobre as mulheres.[2][1] Era pai de Telma (Sandra Bréa) e Cecéu (João Paulo Adour).[2]

Dono de uma retórica vazia, gostava de citar filósofos e políticos, como Platão e Rui Barbosa, ou inventava frases que atribuía a personalidades.[2]

O problema de Odorico é que, após a inauguração do cemitério, ninguém mais morreu. Desesperado com a situação, tomou iniciativas macabras para concretizar sua promessa, provocando situações cômicas.

Para o futuro fica a ideia para mais eventos: só em Lisboa existem outros sete locais -Cemitério Alto de São João, Cemitério da Ajuda, Cemitério de Benfica, Cemitério de Carnide, Cemitério do Lumiar, Cemitério dos Olivais e o promissor Cemitério dos Prazeres-, que podem ser usados de uma forma moderna, festiva e progressista.  O poder local recentemente eleito promete e a Geringonça que é incapaz de cuidar dos vivos e de respeitar os mortos governa o país a cantar e a rir, de uma forma nunca antes vista. Não estranhem.

No país dos unicórnios aitéque

#thisisportugal, a crónica de  Alberto Gonçalves no Observador.

Sendo um cidadão atento, fui a correr descobrir o que é a Web Summit. Pouco depois, regressei a correr ainda mais. De medo. Só alguns dos oradores indígenas bastariam para assustar um herói de guerra: o dr. Costa (que, ficámos a saber, fala tão bem inglês quanto português), o prof. Marcelo, o eng. Guterres, o sr. Figo, dirigentes do futebol, senhores da banca e ilustres matarruanos em geral. Em suma, política, bola, Estado e a previsível tralha da “influência” e do compadrio. De brinde, o dr. Louçã, cuja presença num evento alegadamente dedicado a ideias novas é comparável a convidar Stephen Hawking para abrilhantar o carnaval de Torres Vedras.

Para cúmulo, tamanha maravilha aconteceu no exacto momento e na exacta cidade onde morrem pessoas por via da “legionella”, onde um ministro anuncia o aumento de IRC e onde, a pedido de corporações, a polícia enxota os condutores da Uber e similares que tentam aproximar-se do aeroporto (sou testemunha interessada: aterrei em Lisboa por motivos que não vêm ao caso e apenas o terceiro carro arriscou apanhar-me). Segundo a propaganda, a Web Summit mostra a nossa abertura à inovação e à iniciativa e ao investimento. A sério? Se no ano que vem resolverem transladar a festança para Caracas, as diferenças serão mínimas. Uma “hashtag” promocional jurava: #thisisportugal. E o pior é que é verdade. (…)

Sua Excelência Marcelo Rebelo de Sousa,  o jumento do dia

 Informa o ministério da administração interna no resumo de imprensa destinado a todas as polícias e outras entidades estatais que o Presidente da República é o jumento do dia.

Nesse dia, o resumo de imprensa tem logo à cabeça o artigo “Umas no cravo e outras na ferradura”, com uma fotografia de um burro com uma gravata e onde se escreve que “Marcelo Rebelo de Sousa pode passear à vontade, desde que alguém leve o jipe com os processos para homologar, o que na maior parte dos casos não é mais do que assinar de cruz”.

Referindo-se ao facto de o Presidente da República se ter deslocado aos locais dos incêndios, é dito no artigo que “Marcelo, manhoso como de costume, preferiu que a mensagem do primeiro-ministro frio e distante dos problemas prevalecesse sobre a verdade”.

Hoje, o Acção Socialista Público chama para a primeira página um spin/notícia (riscar o que não interessar) que dá voz a uma fonte anónima que adianta a propósito da comunicação de Marcelo Rebelo de Sousa sobre a resposta a dar aos incêndios que o governo foi invadido por uma onda de surpresa e de choque.

Passada a emoção governamental, estes momentos da geringonça/trolls ao serviço do estado socialista serão dos mais cómicos da legislatura. Aguardemos pelos novos episódios.

Fascismo e comunismo: os gémeos separados à nascença

Communism and fascism: the double standard, artigo de Melanie Phillips.

Disponível também aqui.

“Brava, la Fallaci. Brava”

Brava: The fearless life of Oriana Fallaci, por Douglas Murray na Standpoint.

Não é um almoço grátis mas é muito útil

The Encyclopedia of Libertarianism.

Retrato de um político grotesco

O dr. Costa é mau demais para ser mentira, a crónica de Alberto Gonçalves no Observador.

(…) O dr. Costa, em suma, é mau demais para ser mentira. Infelizmente, como estamos em Portugal, é péssimo o suficiente para ser verdade. E a crítica da especialidade, que alucinadamente começou por atribuir ao homem inconcebíveis virtudes, ainda não terminou de venerá-lo – apenas conteve a veneração durante a semana, já que, parecendo que não, cento e tal mortos sempre impõem algum recato.

(…) A título de contexto, há o passado do dr. Costa na Administração Interna, onde cometeu a proeza de agravar trapalhadas herdadas do dr. Santana e, com típica leveza (para dizer o mínimo), consagrou o SIRESP às três pancadas e, por influência de um amigo e da impunidade, adquiriu os portentosos Kamov. E há o radioso momento em que, semanas antes do último Verão, o dr. Costa trocou as chefias da Protecção Civil por amigos (ele tem muitos) de reconhecida competência. E há Pedrógão Grande. E há a resposta do dr. Costa às vítimas de Pedrógão Grande, abandonadas a protectores que não protegem, um sistema de segurança que não funciona e helicópteros que não voam enquanto Sua Excelência desfilava calções e compaixão numa praia espanhola. E há a conversa fiada e as promessas reles que o dr. Costa despejou sobre os escombros de uma das maiores calamidades registadas do género. E há, quatro meses depois, uma calamidade quase idêntica em dimensão e incúria. E há a criminosa arrogância do dr. Costa, que, inchado pela vitória nas “autárquicas”, redobrou o desdém face aos que o maçam com ninharias (“Ó minha senhora, não me faça rir a esta hora”). E há a pedagógica “comunicação” ao país, na qual exibiu um cinismo que, em cérebro superior ao de um laparoto, talvez sugerisse indícios de psicopatia. E há a demissão, em último recurso, da ministra da Administração Interna, uma inultilidadezinha versada em disparates, e o tapete de que o dr. Costa se serviu para esconder o lixo. E há a substituição da ministra em prol de um amigo do dr. Costa (não disse que são imensos?), garanhão celebrizado por chamar “frígida” a uma adversária. E há, sobretudo, a reacção apressada ao ralhete do prof. Marcelo, encenada numa sessão parlamentar em que o dr. Costa tentou fingir que chorava e conseguiu demonstrar aos distraídos o indivíduo extraordinariamente lamentável que de facto é. (…)

150 mil é um número bonito: 150 mil empregos, 150 mil cabras

Cabrita para aqui, cabrita para acolá. “Vamo lá ver”, alguém sabe das cabras do Sócrates? E os mil telemóveis para os pastores?

Nacionalizado ao Rui Rocha.

A responsabilidade não pode cair em saco roto

Por respeito aos mais de 100 mortos em incêndios florestais que não são nem podem ser tratados como “desafios” pelos irresponsáveis políticos obcecados pelos resultados dos “focus groups” e pela desproteção civil, incapaz de proteger algo que não sejam os “boys” fica feito o convite a indignarem-se nas seguintes manifestações:

Hoje:  Lisboa – 19h30 – Belém

Amanhã:

Uma morte nos incêndios é uma morte a mais

“No dia 15 de Outubro de 2017, Portugal ardeu à frente dos nossos olhos em 500 fogos espalhados de Norte a Sul. (…)
Indignados com quem nos devia proteger e a quem pagamos um tributo anual, pela sua proteção falhada.
Não devia ser possível deixar os portugueses entrar em comboios que param a meio da viagem, não devia ser possível os carros e autocarros circularem em estradas incendiadas, não devia ser possível o Estado deixar aldeias completamente desprotegidas no meio das chamas.
Todos os portugueses têm direito à indignação, a uma indignação com voz, a uma indignação que peça responsabilidades e uma indignação que grite alto para que não haja uma terceira tragédia que consuma mais vidas inocentes.
Por isso vos pedimos que na próxima 4 feira, dia 18 de Outubro, às 18h30 quando os mortos desta tragédia forem a enterrar, nos mobilizemos e coloquemos uma flor em frente de todas as 308 Câmaras Municipais e da Assembleia da República em Lisboa, vestidos de luto e mostrando apenas uma frase que nos una:
“Um morto nos incêndios é um morto a mais”

Leiria – 21h – Praça Rodrigues Lobo

Sexta-feira:Braga – 18h – Avenida Central 

Coimbra – 18h – Praça 8 de Maio

Sábado:Porto – 16h – Avenida dos Aliados

 Lisboa – 16h – Praça Luis de Camões

Leituras complementares: Protestar para mudar: manifestações contra fogos vão sair à rua e chegam a BelémPortugueses usam Facebook para marcar protestos contra incêndiosIncêndios: vários protestos convocados nas redes sociais“Vão de férias”. Convocada manifestação para hoje em Belém contra a incompetência e inação

O rosto sem vergonha da incapacidade assassina de quem não gozou férias

“Ia-me embora, ia ter as férias que não tive. Ia resolver o problema?”

“Acho que não é o momento para a demissão. É o momento para a acção”.

As tiradas são da autoria da eterna ministra da Administração interna. Responsável política pela morte de 65 pessoas no incêndio da zona de Pedrógão e de pelo menos mais 27 29 31  32 35 mortos, ontem, em vários pontos do país.

Leitura complementar: Não faltarão afectos e juras que t@d@s fizeram o máximo.

Não faltarão afectos e juras que t@d@s fizeram o máximo

Não podemos ficar todos à espera que apareçam os nossos bombeiros e aviões para nos resolver o problema”. O autor da frase é o irresponsável Jorge Gomes, secretário de Estado da Administração Interna.

O contexto da frase do governante são 68 mortos em incêndios florestais, centenas de feridos e milhares de pessoas que perderam tudo menos a vida. Na semana que passou a ministra que tutela Jorge Gomes, afirmou que  não se demite. Que gente merdosa e incapaz.

O menino d’oiro do PS

Sócrates & Companhia Ilimitada, a crónica de Alberto Gonçalves no Observador.

(…) O facto é tanto mais notável quanto os amigos de José Sócrates eram imensos. Alguns, fiéis à força, continuam a fazer-lhe companhia nas quatro mil páginas do processo. A maioria passeia-se sorridente. Sorridente e amnésica. Se o pacote de acusados constitui uma amostra razoável da oligarquia que regularmente enxovalha o país, convém notar que, por definição, as amostras deixam o resto de fora.

E o resto é demasiada gente. A gente dos “media”, nulidades amestradas que José Sócrates inventou ou desenterrou para o servir. A gente do comentário “isento”, sob nome próprio ou pseudónimo, cujas avenças cresciam de modo directamente proporcional à beatificação do amo e senhor. A gente dos negócios que prosperava à sombra da criatura e retribuía a prosperidade com juros. A gente da “justiça”, indivíduos com pilosidade auricular que garantiam a impunidade do benemérito que lhes arranjou emprego. A gente das “relações pessoais”, um folclórico grupo de familiares, namoradas e espontâneos que cirandava em redor de dinheiro facílimo. Sobretudo a gente da política, que subiu com José Sócrates, conspirou com ele e zelosamente lhe amparava os delírios.

É possível que essa gente não tenha sabido de nada, dado por nada, reparado em nada, desconfiado de nada, participado em nada. É possível que essa gente constitua o maior aglomerado nacional de débeis mentais desde a inauguração de Rilhafoles. É possível, e nesse caso seria um acto de mera comiseração e humanidade remover essa gente do convívio com os demais, a bem de uns e dos outros. É possível, e não se deve ficar tranquilo quando, ao inventariar a tralha “socrática” que continua a infestar lugares de decisão ou influência, imaginarmos que Portugal pode ser pasto de idiotas terminais. Ou então não é possível, e a intranquilidade aumenta.

Se calhar, não é realmente possível que essa gente não tenha experimentado o vestígio de uma suspeita, ou estranhado a folia, ou mesmo colaborado nela. E se calhar não é possível não saber que, além de obviamente ilegal, a folia acontecia à custa dos cidadãos “comuns” que essa gente finge defender em cada uma das suas descaradas intervenções. Em qualquer das hipóteses, essa gente não merece andar por aí em paz, ou porque é clinicamente incapaz disso, ou porque é moralmente indigna. (…)

70 por cento do actual governo, a dona Câncio e @s d@m@s de honor já terão tido conhecimento deste assunto?

José Sócrates, está acusado de dezasseis crimes de branqueamento de capitais, nove crimes de falsificação de documentos, três crimes de corrupção passiva de titular de cargo político e três crimes de fraude fiscal qualificada.

Anatomia de um crime.

Foto: António Carrapato-Lusa

Porreiro, pá!

Sobre o assassino que vende t-shirts

Che Guevara: o homem que desprezava a humanidade, por Rui Ramos no Observador.

The Killing Machine Che Guevara, from Communist Firebrand to Capitalist Brand, de Alvaro Vargas Llosa.

O estado do laranjal

A noite das facas rombas, a crónica de Alberto Gonçalves no Observador.

(…) Mudemos de conversa, então. Nunca falei com Pedro Passos Coelho. Nunca conheci Pedro Passos Coelho. Que me lembre, vi-o uma única ocasião, de relance durante trabalho jornalístico no congresso do PSD em que ele se candidatou pela primeira vez à liderança, alegadamente sob o patrocínio do sinistro dr. Ângelo Correia. Decorridos estes anos, e tudo o que nestes anos aconteceu, tenho de Pedro Passos Coelho a melhor impressão que consigo ter de um político.

Não é uma impressão por aí além. Partilho com diversos pensadores, de Auberon Waugh a Jerry Seinfeld, a convicção de que qualquer sujeito que se acha destinado a orientar a vida dos outros sofre de sérios distúrbios psiquiátricos. Na melhor das hipóteses, um político é um oportunista que, na ausência de competências úteis, procura orientar a própria vida, e se as coisas correrem bem a de familiares e amigos. Para político, Pedro Passos Coelho não me parece terrível. Sendo difícil avaliar o seu egocentrismo ou os seus escrúpulos, não é difícil avaliá-lo pelo sentimento que prepotentes sortidos ou trafulhas incontinentes lhe dedicam: o ódio puro. (…)

Afro-matemática versus matemática racista

O marxismo cultural está bem e recomenda-se.

Graças ao Lula da Silva e à carteira dos contribuíntes brasileiros, a Universidade Federal do ABC (UFABC), criou duas novas disciplinas no curso de Licenciatura em Matemática: Estudos Étnicos-raciais e Afro-matemática como Transformadora Social. Não sei do que é que está à espera o Ministério da Educação da Geringonça para colocar um travão progressista ao racismo da matemática.

(…) A proposta foi criada pelo “Coletivo Negro Vozes” para “combater o racismo na matemática”. De acordo com o coordenador do coletivo, Jorge Costa, “a disciplina de matemática é uma das responsáveis pela exclusão de negros e negras das escolas e consequentemente dos cursos superiores nas áreas tecnológicas”.

Após objeções conceituais do Núcleo Estruturante da Licenciatura em Matemática da UFABC, a disciplina de “Afro-matemática” foi renomeada como Seminários em Modalidades Diversas em Matemática. A ementa e a bibliografia proposta pelo “coletivo”, entretanto, foi a mesma, o que foi comemorado por Jorge: “Este talvez seja o primeiro ou um dos primeiros cursos de licenciatura em matemática que se propõe a discutir o racismo de modo estruturante como uma obrigatoriedade da instituição”. (…)

O autocarro é um lugar estranho

Os autocarros do amor, a crónica de Alberto Gonçalves no Observador.

(…) Uma candidata à câmara de Lisboa propôs a segregação de “géneros” no metro local e, sem cedência a falsos pudores ou à hipocrisia, destapou um dos maiores dramas nacionais: o abuso sexual das mulheres nos transportes públicos, pelo menos nos da capital. Corajosa, Joana Amaral Dias não hesita em imitar métodos usados, para fins raciais, na África do Sul do apartheid ou no Alabama de 1950. Democrata, Joana Amaral Dias concede que a utilização dos lugares “protegidos” seja facultativa – as senhoras sérias escolhem-nos; as galdérias, se assim quiserem, permanecem na zona da pouca-vergonha.

Naturalmente, um assunto desta gravidade não podia ficar por aqui, para cúmulo quando a gravidade raia o inominável. A polémica, como é típico das polémicas, instalou-se. E, de acordo ou em desacordo com a segregação, os testemunhos pungentes sucederam-se. Nas “redes sociais”, uma arguta jornalista de investigação, célebre por ter namorado com um trapaceiro sem suspeitar de nada, escreveu: “quero q (sic) as miúdas (sic) d (sic) 11 possam andar na rua sem lhes pedirem broches. não (sic) quero q (sic) andem em autocarros so (sic) p (sic) meninas. quero (sic) q (sic – tenham paciência) a lei as proteja”. Em resposta a este apelo angustiado, outra alegada jornalista, filha do presidente da Assembleia da República (juro), acrescentou: “Quero que andem de autocarro sem receio de que um gajo qualquer se encoste a elas para se vir entre uma paragem e outra.”

Embora não penetre (vade retro) um autocarro desde 1989, não me passa pela cabeça duvidar de gente séria. Parece-me evidente que alguma coisa medonha acontece na Carris e similares, cujos veículos estão aparentemente repletos de exibicionistas apreciadores de fellatio e ejaculadores precoces. Não me parece evidente a maneira de as referidas jornalistas chegarem a informação tão detalhada. Sugiro duas hipóteses. A primeira é o recurso a fontes qualificadas: as senhoras nunca entram em autocarros, mas convivem diária e proximamente com depravados que o fazem com propósitos sórdidos e, desculpem o jargão científico, heterobadalhocos. A segunda hipótese é a observação directa: as senhoras frequentam os ditos autocarros e são, elas próprias, alvo dos pervertidos agora denunciados. Em qualquer dos casos, as senhoras deviam rever o rumo das respectivas vidas. Em qualquer dos casos, os poderes políticos deviam actuar com a pressa e o vigor adequados. (…)

Convém mostrar-lhes que não estão sozinhas. De hoje em diante, sentarmo-nos ao volante do nosso carro deixará de ser um simples pormenor quotidiano. Será, sobretudo, um gesto de solidariedade para com as mulheres assediadas e de resistência aos vastos interesses do assédio, desses que se movem na sombra ou debaixo da gabardina. No sossego do Audi ou do Fiat, os únicos tarados – ou, em prol da igualdade, taradas – são aqueles que convidamos. E as únicas vítimas são as que pagam impostos. (…)