É a cantar que nos entendemos

Portugal: doze pontos, a crónica de Alberto Gonçalves no Observador.

Durante décadas, os portugueses desprezaram o Festival da Eurovisão sob dois pretextos: a) os arranjinhos “regionais” influenciavam a votação da coisa, pelo que era impossível ganhar; b) a coisa não passava de um desfile de futilidades primitivas, pelo que seria vergonhoso ganhar. De repente, uma vitória do representante português anulou ambos os constrangimentos – nas cabeças dos que festejaram tamanho avanço civilizacional. No mundo real, claro que a Eurovisão está para a música como o restaurante do Barbas está para a literatura ou o clã Mortágua para a economia. Mas bastou o reconhecimento desta nação valente para que, entre nós, aquilo adquirisse o prestígio de Bayreuth ou, vá lá, do Piquenicão, reviravolta que nada diz acerca do valor do festival e diz bastante acerca dos valores dos portugueses. (…)

Durante décadas, os portugueses desprezaram o Festival da Eurovisão sob dois pretextos: a) os arranjinhos “regionais” influenciavam a votação da coisa, pelo que era impossível ganhar; b) a coisa não passava de um desfile de futilidades primitivas, pelo que seria vergonhoso ganhar. De repente, uma vitória do representante português anulou ambos os constrangimentos – nas cabeças dos que festejaram tamanho avanço civilizacional. No mundo real, claro que a Eurovisão está para a música como o restaurante do Barbas está para a literatura ou o clã Mortágua para a economia. Mas bastou o reconhecimento desta nação valente para que, entre nós, aquilo adquirisse o prestígio de Bayreuth ou, vá lá, do Piquenicão, reviravolta que nada diz acerca do valor do festival e diz bastante acerca dos valores dos portugueses. (…)

 

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Compreender o putinismo LXVII

Vladimir Putin numa demonstração de grande proximidade com a então mulher Lyudmila Putina e o Taj Mahal a servir de cenário idílico. Fotografia: REUTERS/Pawel Kopczynski/

Lyudmila Putina, ex-mulher de Vladimir Putin é uma espécie de Fava local. Uma história de sonho, de grandes e profícuas amizades.

A solução final dos trabalhistas

Podia ser uma anedota mas é apenas a realidade. Vai ser animada a campanha dos neo-comunistas britânicos.

A senior aide to Len McCluskey has been installed at Labour HQ to oversee Jeremy Corbyn’s final push in the general election campaign.

Andrew Murray, chief of staff to the Unite general secretary, is heading up the Labour leader’s campaign team under a special secondment from the union, senior sources have confirmed to HuffPost UK.

Murray is a long-standing friend and ally of Corbyn and ex-chair of the Stop the War Coalition which led protests against the Iraq war. (…)

 

Prescrição de cultos diversos

Fátima, um assunto que não me diz respeito, a crónica de Alberto Gonçalves no Observador.

(…) 1. Após incensar Rui Moreira durante quatro anos, bastaram algumas horas – e uma humilhação merecida – para que o PS invertesse o discurso e passasse a considerar o autarca um perigoso antidemocrata, cuja acção maligna reduzirá o Porto a cinzas. É sabido que a política é propícia à conveniência, à mentira e à falta de vergonha na cara. Mas isto é espectacular.

2. O presidente Marcelo confessa-se “apaixonado pelo Papa”. Sua Excelência, a acreditar em notícias soltas, também parece apaixonado pelos portugueses com sucesso, pelos portugueses sem abrigo, pelas imortais vitórias na bola, por Guterres, pelas feiras de enchidos, pelos falecidos comunistas Baptista-Bastos e Fidel Castro, pelo recém-nascido Macron, pela nova administração da CGD, pela comunidade islâmica indígena, pelas esposas de Cavaco e Sampaio, pelo Benfica, por Cabo Verde e Senegal, pelo espírito ecuménico da pátria, pelos bombeiros, pelo Teatro Aberto e, claro, pelo governo.

O governo, ainda que de modo mais comedido, mostra-se igualmente apaixonado por Marcelo, por Guterres, pela “aposta” na ciência, pelos parceiros de extrema-esquerda, pelos senhores da banca, pelas Águas do Ribatejo, pela função pública, pelo Benfica e por qualquer indivíduo ou instituição que não lhe cause maçadas. Os “media”, genericamente, estão apaixonados pelo Papa, por Marcelo, pelo governo, por tudo o que seja informação “positiva” e pelos portugueses. Os portugueses estão apaixonados pelo Papa, por Marcelo, pelo governo, por Guterres, pelo Benfica, por Cristiano Ronaldo, pelo intérprete de uma cantiga na Eurovisão, pela fisga de Joana Vasconcelos, pela “maior operação de segurança de sempre” e pelo que calha.

Quase todos, em suma, estão apaixonados por quase todos. Há imenso amor no ar. Comparado com isto, o mito de que a orquestra do Titanic tocava uma valsa em tom menor durante o naufrágio é brincadeira de crianças. Nós somos gente crescida, que cantará o fado e dançará o vira mesmo depois de o país afundar. O que é que os portugueses andam a tomar? Juízo não é, com certeza.

Socialismos

Crimes e castigos: introdução às regras do bom debate público, a crónica de  Alberto Gonçalves no Observador.

(…)  Ontem, o jornal “i” publicou uma entrevista comigo e “chamou” para a capa a frase: “Não consigo discordar da política migratória da sra. Le Pen”. Na entrevista propriamente dita, lembrei que a vitória da senhora constituiria uma calamidade para a Europa e sobretudo para Portugal. Não lembrei, porque não era preciso, a aversão da senhora ao euro e à Nato, o proteccionismo económico, o nacionalismo aberrante, a demagogia exacerbada e a transformação, nada inédita, da política numa guerra entre “nós” e “eles”, em que “eles” são todos os que, mal por mal, ainda acreditam numa ou duas virtudes da democracia.

Escrevo isto não para me desculpar, mas para notar que, nem de propósito, calhei de concordar com a sra. Le Pen no único ponto que a extrema-esquerda, a indígena e a forasteira, não partilha: o receio face aos avanços do islão. Em matéria de discriminação, diga-se, a extrema-esquerda prefere exercê-la contra Israel e os judeus, que obviamente são a grande ameaça ao modo de vida ocidental. No resto, conforme José Manuel Fernandes já aqui recordou, as propostas da candidata às “presidenciais” francesas não se distinguem das propostas do sr. Mélenchon, o candidato entretanto derrotado (e apoiado, por exemplo, pelo BE e pelo Podemos). Ou das propostas habituais do Bloco e do PCP.

As semelhanças são tantas que os esforços para negá-las são engraçados ou inexistentes. Uma sondagem feita pelo França Insubmissa (o nome nem disfarça) do sr. Mélenchon aos seus eleitores, acerca da segunda volta, incluía três possibilidades: votos brancos e nulos; abstenção; Macron. Não incluía a sra. Le Pen, a escolha plausível da maioria. Por cá, alminhas várias de BE e PCP exibiram, trémulos, a convicção de que seria irrelevante optar por Macron ou pela sra. Le Pen.

Não seria. Macron, decerto uma figura menor, é uma promessa – débil – de “normalidade”. A sra. Le Pen é um perigo. Um perigo em quase tudo semelhante a BE e PCP, que por cá influenciam o poder sob a simpatia dos exactos “media” que andam aflitíssimos com a hipótese Frente Nacional. Como se consegue tal acrobacia? É fácil: basta à extrema-esquerda apelidar a sra. Le Pen de “fascista” e assim evitar que, por uma vez, a palavra seja aplicada com precisão: fascista é, também, a extrema-esquerda. Sobram, claro, as diferenças visões de ambos perante o islão “imoderado”. Mas o islão “imoderado” é o quê? Escusam de responder.

Portugal ao raio-x

Não me levem a mal, mas não haverá revolução liberal, a crónica de Alberto Gonçalves no Observador.

(…) Salvo os irremediavelmente patetas, os portugueses sabem que a liberdade de “Abril” é, no mínimo, um bocadinho fraudulenta. E sabem que a “justiça social” é um eufemismo para o controlo da economia por uns tantos. E sabem que a retórica das “causas” é um projecto de lavagem cerebral. E sabem que o regime é propriedade de grupos, grupúsculos e “personalidades”. Simplesmente não querem saber. Os portugueses querem levar a vidinha sem sobressaltos, maçadas e vergonha na cara, promessas em que, por exemplo à semelhança de Salazar, a esquerda é exímia. Falar-lhes de liberalismo é um luxo inútil, uma excentricidade similar a descrever os méritos do casamento aberto a um membro do Estado Islâmico. O tipo olha-nos com desprezo, vira costas e regressa à rotina de cortar cabeças. Os portugueses não cortam cabeças, mas não têm a sua em grande conta.

Par toutatis, os vencedores gauleses

Cartoon de Olivier Ménégol.

O candidato da extrema-esquerda, poderá aguardar pelo Carnaval para vestir o traje de Presidente.

Bênoit Hamon, candidato socialista alcança uns honrosos seis por cento dos votos e o apoio do camarada António Costa. Este último terá sido fundamental na apresentação dos equilíbrios que geraram satisfação incontida no eleitorado em geral e no Partido socialista francês, em particular.

O grupo de comunicação do DN, JN e TSF é um buraco

Vale a pena ler o artigo de opinião de Jão Miguel Tavares, A Global Media e o nosso homem em Macau.

(…) Perplexidade 5: As movimentações accionistas via Macau não espantam apenas pela estranha empresa KNJ, que supostamente investe “na área do imobiliário, saúde e restauração” (entradas no Google sobre a KNJ Investment antes de 2016: zero). Quem se apresentou em Portugal como mediador do negócio entre Global e KNJ foi Paulo Rego. Em 2006, era José Sócrates primeiro-ministro, Paulo Rego foi nomeado director-adjunto da Lusa. Rego foi uma escolha surpreendente. Era à altura coordenador da revista Macau e tinha ligações a uma empresa de trading que levantaram dúvidas à ERC acerca da compatibilidade com a função de jornalista. Juntamente com o director Luís Miguel Viana, Paulo Rego dirigiu a Lusa numa das épocas mais governamentalizadas da sua história.

Perplexidade 6: Afonso Camões foi administrador da Lusa entre 2005 e 2009 e seu presidente entre 2009 e 2014, quando saiu para dirigir o JN. Afonso Camões viveu em Macau entre 1991 e 1999, onde foi, entre muitas outras coisas, administrador da Teledifusão de Macau (TDM) e director da revista Macau. Paulo Baldaia disse-me um dia que ser jornalista é fazer perguntas. Aqui está uma: que negócio, afinal, foi este?

Eles é que são os presidentes

O prof. Marcelo no jardim-de-infância, a crónica de Alberto Gonçalves no Observador.

(…) Soube-se recentemente que os representantes de alguns clubes da bola recebem um relatório semanal com as opiniões que, a bem da isenção de cada um, devem reproduzir nos programas televisivos em que participam. No fundo, isto não é mais do que a imitação do que acontece no mundo partidário, onde os comentadores do ramo – invariavelmente independentes – se limitam a debitar o evangelho aprendido na respectiva sede. Umas vezes, é o futebol que segue a política. Outras, como quando governantes contemplam jogos ao lado de dirigentes desportivos ou se atropelam para tirar uma “selfie” com Cristiano Ronaldo, é a política que anda a reboque do futebol. O importante é que a velha e saudável promiscuidade não se perca.

Por sorte, nem todos se contentam em manter viva a tradição: há aqueles que procuram renová-la. O PSD, por exemplo, arriscou um passinho em frente e, na sensata convicção de que duas desgraças juntas produzem uma benesse colectiva, propôs à câmara de Loures um senhor que se notabilizou a falar de penáltis na CMTV. Além de constituir um gesto de simpatia para com os autarcas que passaram a analistas de arbitragem, a coisa promete. E já começou a cumprir.

Para início de conversa, o sujeito em causa, um tal André Ventura, acusou o FC Porto de “ingerência eleitoral”. Certas almas ofenderam-se sem razão. É natural que o sr. Ventura leve para a disputa as únicas referências que compreende, mesmo que absurdas. Se o escolhido fosse um cozinheiro, toda a gente esperaria que a campanha se centrasse no plágio de ementas. E, a julgar pelas amostras, aposto que o PSD candidatou um cozinheiro algures. Falta de respeito pelo poder local? Talvez, e o engraçado é que o poder local merecia ainda pior.

Cegueira socialista

Fotografia: Juan Barreto, AFP.

O que vê o ilustre deputado Miguel Tiago, do pcp, nesta imagem? Uma senhora em frente a um blindado sem ninguém lhe fazer mal.

Por falar em cegueira, vale a pena recuperar o legado de Hugo Chávez ao mundo, segundo o chefe dos socialistas britânicos.

Compreender o putinismo LXVI

Testemunhas de Jeová, alvo de perseguição por parte do estado de Vladimir Putin.

Russia bans Jehovah’s Witnesses deeming it an ‘extremist’ organisation after prosecutors said it ‘destroys families and fosters hatred’

Russia’s Supreme Court has banned Jehovah’s Witnesses on Thursday It ruled the organisation was ‘extremist’ and shut down its headquarters

Authorities have put several publications on the banned extremist literature list

Russia’s Supreme Court has banned the Jehovah’s Witnesses, deeming them an ‘extremist’ organisation.

The ruling means the religious group’s 175,000 followers in Russia are equated to Islamic State members.   (…)

Vacarias de todo o mundo, uni-vos

As vacas que voam são um valor seguro.

O espírito construtivo que reina no país e na Geringonça que é capaz de colocar vacas a voar é o mesmo que no progressista Zimbabwe, um dos expoentes do socialismo de rosto africano, tem feito milagres nos sectores económico e financeiro.

Commercial banks in Zimbabwe will soon be compelled to accept livestock such as cattle, goats and sheep as collateral for cash loans to informal businesses under a new law presented to parliament Tuesday. (…)

Vehicles, television sets, refrigerators, computers and other household appliances will become acceptable as collateral once they are evaluated and registered in the central bank’s register, according to Chinamasa.

“As minister in charge of financial institutions, I feel there is need for a change of attitude by our banks to reflect of our economic realities,” he said. Banks are “stuck in the old ways of doing things and failing to respond to the needs of our highly informalized economy.”

Uma saudação especial para o Ministro das finanças português, por se recusar -apesar das oito tentativas de cariz fascizante- a revelar o valor actual líquido do empréstimo ao Fundo de Resolução. Ao não responder, o sondado-para-o-Eurogrupo, Mário Centeno reforçou a confiança dos portugueses em relação às instituições, à democracia e ao Universo. Afinal de contas, para quê que os contribuíntes desejariam saber qual foi o perdão de dívida ao certo quanto dinheiro emprestaram à banca e qual o montante que esta irá pagar? Aprendamos que o gado em forma de contribuínte passivo, não tem preço.

França submersa em ódio

Rotina, um grande artigo de Helena Matos no Observador.

(…) Já não há velas, nem flores, nem lágrimas. Entrou na rotina. Por rotina também tento confirmar se já saíram notícias sobre a morte de Lucie Sarah Halimi. Não encontro nada. O silêncio, o faz de conta que não tem interesse, o não é bem assim ou quiçá falar nisso seja “anti-islão” predominam há largo tempo nesta matéria. Por isso a morte de Lucie Sarah Halimi passou como se tivesse sido o caso de uma senhora sexagenária assassinada por um jovem vizinho prontamente classificado como desequilibrado. (…)

Lucie Sarah Halim foi agredida por um jovem seu vizinho de 27 anos. Segundo alguns vizinhos este gritava Allah ou-Akhbar enquanto a atirava pela janela. A confirmar-se esta versão dos factos Lucie Sarah Halimi é a última vítima da violência crescente exercida sobre os judeus em França. (…)

Os agressores regra geral são muçulmanos que os vizinhos dizem radicalizados mas que as autoridades começam por apresentar como doentes mentais, pequenos traficantes ou ladrões tão inofensivos que até acreditam que todos os judeus são ricos. (…)

O recente assassínio de Lucie Sarah Halimi, os gritos “porcos judeus” e as garrafas atiradas aparentemente por magrebinos sobre as pessoas que integraram a manifestação de pesar pela sua morte a par da quase invisibilidade mediática deste caso só surpreendem quem não segue a realidade francesa.

O desinteresse com que as redacções europeias começaram por olhar para as agressões aos judeus em França transferiu-se em seguida para a Suécia: os ataques aos judeus em Malmo foram um dos primeiros sinais de que no paraíso oficial da multiculturalidade algo estava correr muito mal. Depois veio a fase da negação. Agora temos uma fé: acredita-se que os factos não ocorrem se não os referirmos.

Mas por mais que isso nos custe a admitir os judeus partem porque os fundamentalistas já estão aqui. E estão a mudar o nosso modo de vida. (…)

S@m@s P@chec@ Pereir@

Uma tragédia portuguesa, a crónica de Alberto Gonçalves no Observador.

(…) A julgar pelas sondagens, os portugueses andam satisfeitíssimos com quase tudo. E, empurrados pela confiança do PR e a tranquilidade do PM, acreditam em tudo. Acreditam que a história do Montepio vai correr bem. Acreditam que o golpe do Novo Banco correrá melhor. Acreditam que há alternativa à “austeridade”. Acreditam que a satisfação das clientelas não lhes custará um cêntimo. Acreditam que o “recorde” do défice é para levar a sério. Acreditam que o recorde da dívida não é para levar a sério. Acreditam que Pedro Passos Coelho e o “estrangeiro” conspiram contra o nosso sucesso. Acreditam no nosso sucesso. Acreditam em consumados mentirosos. Acreditam que gregos são os do Benfica e o sr. Varoufakis.

Descontada a última convicção, os portugueses acreditam de facto na visão alucinada em que Pacheco Pereira, por conveniência, finge acreditar. É aqui, e apenas aqui, que se nota a diferença propiciada pela intimidade com os clássicos. Nas cabecinhas erradas, as referências certas inspiram um curioso apreço pela dissimulação. Ou seja, os ignorantes são enganados; os instruídos colaboram no engano. Pacheco Pereira tenta provar a falta de sabedoria na sociedade e prova abundantemente a falta, também perigosa, de vergonha na cara.

No meio disto, a eventual boa notícia é que o rumo que o país adoptou encurta diariamente a distância das massas a Atenas. À medida que nos aproximamos de nova bancarrota e de novo resgate (ou – Deus nos valha – de resgate nenhum), a familiaridade com os gregos arrisca-se a aumentar a olhos vistos. E quem diz os gregos diz, com um pedacinho mais de azar e um pedacinho menos de “Europa”, os venezuelanos. Para quê ler as tragédias clássicas se podemos protagonizar uma? (…)

Trumpices e putinismos

Os EUA atacaram com 59 mísseis Tomahawk a base aérea síria de al-Shayrat, localizada perto da cidade de Homs como resposta ao uso de armas químicas em Idlib. Para lá dos aspectos militares, o ataque norte-americano representa uma enorme mudança da política da Administração Trump, facto que irritou o Primeiro-Ministro russo e que terá dado novos contornos à curvatura da espinha dos trumpistas portugueses.

“That’s it. The last remaining election fog has lifted. Instead of an overworked statement about a joint fight against the biggest enemy, Isis (the Islamic State), the Trump administration proved that it will fiercely fight the legitimate Syrian government, in a tough contradiction with international law and without UN approval, in violation of its own procedures stipulating that the Congress must first be notified of any military operation unrelated to aggression against the US. On the verge of a military clash with Russia. (…)

Lidas as palavras de Dmitry Medvedev, fica uma vez mais demonstrado que as guerras da santa mãe Rússia contra a Geórgia e a Ucrânia respeitaram e respeitam na íntegra as aprovações da ONU e demais códigos legais e de conduta internacionais.

 

 

Salvem os cardumes do Mar Morto, Jeremy Corbyn e o ódio a Israel

Mar Morto, fotografado por David Shankbone (Wikipedia)

Se pensa que a  salinidade extrema do Mar Morto impede o desenvolvimento de vida  pescável nas suas águas, está enganado. A petição intitulada Stop Israeli apartheid against Dead Sea fishermen – make Israel give them a fair deal, dirigida ao chefe dos socialistas britânicos, prova a existência de uma invejável existência de cardumes. E de passagem um sintomático e hilariante ódio a Israel.

#SaveTheDeadSeaFish #SaveJeremyCorbyn

Compreender o putinismo LXV

O putativo agente da CIA.

Algumas horas após o atentado terrorista que teve lugar em São Petesburgo, está encontrado o culpado: a CIA.  Não entendo a razão de existir da interrogação do mítico Pravda.

CIA engaged in St. Petersburg terror act?

O terrorismo não é uma questão de inserção social

Londres, em 2015.

Londres e a irrealidade, a opinião de Paulo Tunhas no Observador.

(…) É inútil lembrar que “fobia” vem da palavra grega que significa “medo” e que o medo não é propriamente uma emoção disparatada nestes casos. Mas talvez não seja despiciendo recordar que o dever de compaixão pelos refugiados vindos daquelas terras às quais as restrições se aplicam e de algumas outras não nos deve fazer esquecer um facto crucial. Mesmo que a esmagadora maioria dos imigrantes seja insusceptível de se converter ao islamismo radical, algo em que quero crer, que dizer da segunda ou terceira geração? As vozes que se levantam, do fundo de uma piedade universal, contra as políticas restritivas em matéria de imigração apressam-se logo a lembrar que boa parte dos terroristas são nativos dos países (Inglaterra, França, e por aí adiante) onde praticam os atentados. Esquecem-se que esses nativos pertencem geralmente a essas gerações.

Há aqui uma ignorância vasta sobre um fenómeno essencial que os costumes contemporâneos fazem tudo para recalcar. As pessoas transportam sempre consigo a sua cultura, os costumes e as concepções do mundo que as formaram. Nada de mal, é claro, nisso. A diversidade é mesmo um valor a prezar e o que um filósofo chamava a “hospitalidade universal” é um bem. Acontece que, infelizmente, não há, contrariamente ao que pretende a sabedoria mediática, nenhuma harmonia pré-estabelecida entre as várias culturas. E que certos aspectos de uma cultura, como, por exemplo, a igualdade, mesmo que tendencial e imperfeita, de direitos entre as mulheres e os homens, característica da nossa, são rebarbativos ao mais extremo para membros de outras culturas e que isso pode, com uma possibilidade a aproximar-se da certeza, manifestar-se um dia da mais violenta e explosiva das formas. Estou a ser “racista”? Obviamente que não estou nada. Se me é permitido manifestar a extensão dos meus bons sentimentos, o racismo é para mim o pecado humano por excelência. Estou apenas a apontar um facto que tem toda a aparência, as meus olhos, do indisputável, e que é muito conveniente ter em conta.

Infelizmente, isso não será tido em conta nas opiniões esclarecidas que hoje, e nos dias que se seguem, se lerão e ouvirão. Aposto com toda a certeza de ganhar a aposta que o que mais se ouvirá e lerá consistirá na denúncia do facto de este atentado, e dos outros todos, favorecer Marine Le Pen e outra gente assim. Certamente que favorece. No entanto, não simpatizando em nada com Marine Le Pen, lamento ter de dizer que o horror essencial da coisa não reside nisso mas no próprio atentado, naqueles que o antecederam e naqueles que fatalmente virão a seguir. Diz-se que o islamismo radical quer destruir o nosso modo de vida. Em parte é verdade, é claro, mas o que ele quer mais imediatamente é mesmo matar-nos. Marine Le Pen quererá eventualmente mudar o nosso modo de viver, o que é sem dúvida péssimo e se deve combater, mas raia o delirante detectarmos nela as pulsões homicidas do islamismo radical. A simplicidade deste raciocínio ofenderá certamente muita gente. Não é coisa que me incomode muito. E até acrescento que perceber isto, e daí tirar lições para a acção, é provavelmente a melhor maneira de vencer Marine Le Pen e quem faz política como ela.

Mas não creio, mais uma vez, que esta sóbria consideração corra o risco de ser partilhada por muita gente, o que revela o triste estado de infantilidade em que nos encontramos. Em Portugal, por exemplo. E não me refiro ao facto grave de, com infalível regularidade, o Bloco de Esquerda e o PCP, esses indispensáveis pilares do nosso Governo, terem, aquando dos prévios atentados, emitido comunicados em que, denunciando as carnificinas, arranjaram sempre maneira de apontar que, em última análise, somos nós, são as nossas políticas, da política externa ao urbanismo (o próprio António Costa, se bem me lembro, muito se preocupou com este último aspecto), que devemos tomar como responsáveis últimos pelo terror. O terrorismo seria apenas um fenómeno de pura reactividade ao nosso egoísmo e ao nosso desmazelo. Hoje e nos dias seguintes muitas vozes apontarão o dedo a Donald Trump. Mais uma vez: vale uma aposta?

A triste situação em que vivemos é, no entanto, mais vasta do que isto. E ela reside na grossa irrealidade e infantilidade em que vivemos, na desatenção militante ao que faz o mundo e na preferência pela residência num universo alternativo. Dou um exemplo que, mais uma vez, não cairá sem dúvida bem e que aos olhos de muitos aparecerá como uma amálgama típica da “direita radical” que, ao que se diz, anda malvadamente por aí: as reacções maciças a umas declarações do senhor Dijsselbloem, presidente do “Eurogrupo”, reacções particularmente fortes em Portugal. (…)

PdVeC* de vento em popa

Depois do insuportável peso do estado e da interferência deste na vida de pessoas e empresas, agradeçamos ao governo da geringonça o *Processo de Venezuelização em Curso. Graças ao bizarro governo, a república portuguesa tem uma página na internet que marca o dia internacional da felicidade e que, imagine-se dá pelo nome de “FELICIDADE” – assim mesmo, a gritar.

Aos poucos mas de forma consistente, enganam-se todos aqueles que julgam que Portugal ainda possuí uma cultura democrática ligeiramente acima da Venezuela.

Adenda: Como bem assinala a leitora c3lia na caixa de comentários, o Presidente venezuelano criou o vice-ministério para a suprema felicidade do povo, com os resultados conhecidos.

S@m@s Pedro Marques Lopes & Co.

O comentador de “direita”: uma profissão de futuro, a crónica de Alberto Gonçalves no Observador.

(…) 8. O comentador de “direita” não se limita a abominar a direita a que diz pertencer: quase tão má é a extrema-direita, cujas sombras, repete ele, ameaçam a Europa e os EUA. Misteriosamente, o apreço do comentador de “direita” pela moderação política termina no momento em que a coerência recomendaria a condenação de todos os imoderados. Vinte deputados “fascistas” na Holanda (ou o “populismo”) tiram-lhe alegadamente o sono. Quarenta deputados leninistas em Portugal (ou a “representatividade”) embalam-no como os anjos.

9. O comentador de “direita” alinha sempre com as “causas” do momento. Dos movimentos “gay” ao apoio a refugiados que linchariam “gays” mal pudessem, da liberalização das drogas “leves” à proibição dos refrigerantes, do aborto à eutanásia, o comentador de “direita” não perde tempo a ponderar a complexidade dos assuntos e assume imediata e histericamente a posição que lhe parece mais “progressista” e lhe assegura a bancada dos “progressistas” em futuros “Prós e Contras”, a consagração televisiva da ortodoxia. Passar por retrógrado assusta-o mais do que acordar em cuecas no Rossio.

10. O comentador de “direita” é o proverbial idiota útil. Útil para a esquerda no poder, que assim finge velar pela liberdade de expressão. Útil para os “media” avençados, que assim fingem “pluralismo”. Útil para ele, que assim ganha a vida mas não vergonha na cara. E útil para nós: o comentador de “direita” é consequência de um país triste, mas, se o contemplarmos na perspectiva que merece, é causa de muitas gargalhadas.

António Costa, retratos de um não-aficionado

Nacionalizado ao 

O fascismo passará

O triunfo da vontade, a crónica de Alberto Gonçalves no Observador.

Há dois ou três anos, os ataques à liberdade de expressão ainda implicavam considerável logística: reunir uma quadrilha, enviar a quadrilha a eventos alheios à moral vigente, fazer a quadrilha cantar a “Grândola” até calar o orador/blasfemo em questão. Agora, os ventos que sopram favorecem uma espécie de Simplex da censura e o processo simplificou-se imenso: basta pedir.

Já toda a gente sabe que a direcção da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova cancelou uma conferência de Jaime Nogueira Pinto por exigência da associação de estudantes. Não importa que a conferência tenha sido organizada por uma entidade, a Nova Portugalidade, que pelos vistos venera ditadores de Salazar a Chávez. Nem importa que a associação de estudantes, cheiinha de meninos do BE, apenas venere alguns dos ditadores inventariados e abomine os restantes. Importa que a proibição tenha vingado, e que um espaço teoricamente plural seja sequestrado por semi-analfabetos com pulsões totalitárias. A designação do estabelecimento já não prometia nada de especial (nas “ciências sociais” cabe justamente tudo o que não é científico). Os acontecimentos referidos demonstram o estado do ensino e as esperanças suscitadas pela “geração mais bem preparada de sempre”. (…)

Apesar das advertências constitucionais, Portugal tolera e promove o fascismo com vasta irresponsabilidade. O à-vontade do deputado Miguel Tiago é um exemplo. Outros exemplos não faltam. Os fascistas promovem palestras anti-semitas sem arriscar o cancelamento por direcções zelosas. Os fascistas organizam festas em louvor de despotismos sortidos sem risco de verem os trabalhos sabotados com cantorias ou bastonadas. Os fascistas passeiam os respectivos símbolos na rua sem inspirarem um reles insulto ou uma sova das antigas. Os fascistas concorrem a eleições com programas criminosos e a bênção dos “media”. Os fascistas desfilam nos “media” e infestam as “redes sociais”. Os fascistas infiltram os sindicatos e as “causas”. Os fascistas ocupam uma percentagem significativa do Parlamento, onde subscrevem os genocídios de Estaline. Os fascistas influenciam decisivamente o governo. (…)

Nestes tempos tristes, acho que acharia graça a que os democratas que sobram por aí aplicassem aos fascistas o tratamento que os fascistas prescrevem. Não teria preço assistir à interrupção das gémeas Mortágua através de uma cantata de Bach, ou à troca da t-shirt do “Che” por uma estadia em campo de reeducação. Mas também não teria grande utilidade. Por dois motivos. O primeiro prende-se com o número: duvido que a maioria dos portugueses preze a liberdade a ponto de valer a pena defendê-la. O segundo prende-se com o método: é fundamental não descer ao nível dessa gente. A bem da higiene, às vezes no sentido comum do termo, há que manter a distância. Por mim, procuro aumentá-la a cada dia. Se os fascistas desejam assim tanto o país, os fascistas que fiquem com ele. É, de certo modo, o fim do país? Não é o fim do mundo. (…)

O PCP está uma geringonça

Alguém no PCP tem que colocar ordem na casa estalinista. Corre-se o risco de pensar que a Associação 25 de Abril que  ofereceu as suas  instalações para lá se realizar a conferência de Jaime Nogueira Pinto seja tida como falsa e ao serviço de uma democracia suicida.

A evolução dos truques de imprensa

 Foto: JOSE LUIS ROCA

Aqui, mesmo ao lado, pode-se.

(…)  Asumo que todas las profesiones tienen sus dificultades, pero escribir sobre Podemos te exige ser un héroe cada día”, afirma un periodista. “Evidentemente que está en juego la libertad de prensa, pero eso conlleva una erosión en lo personal terrible, porque estás afrontando un bullying y unas amenazas y un acoso terribles a diario”, sigue en referencia a las conversaciones que mantiene con los dirigentes del partido o a la mención explícita que se hace de su medio en los tuits de las caras visibles de la formación. “A largo plazo lo que están intentando hacer es deslegitimar al periodismo para que cualquier crítica sobre ellos sea ilegítima”. (…)

¿La consecuencia? “A veces no tuiteo las informaciones que sé que pueden generar una mayor contestación de los seguidores del partido hacia mí”, reconoce un periodista como resumen de las presiones que sufre en Twitter. “Y cuando has vivido 15 como esas, a la siguiente te piensas si merece la pena hacer el tema”, completa otro.

Inmediatamente después de la publicación de los tuits, los informadores son objeto de insultos en Internet por parte de usuarios de redes sociales que habitualmente tuitean contenidos de Podemos, o de bulos que propagan falsedades sobre su trayectoria profesional y personal. Incluso estos periodistas han llegado a ver mensajes con emoticonos que aparecen con una pistola.

Leitura complementar: Comunicado de APM ante el acoso de Podemos a periodistas.

O socialismo a dar novos rumos ao progresso

Foto: REUTERS/Carlos Garcia Rawlins

O chavismo reina há quase duas décadas na Venezuela, um dos países que conta com uma das maiores reservas de petróleo do mundo. Com o sistema económico colapsado, o Presidente Nicolás Maduro, de quando em vez, reconhece que “há problemas económicos”, cuja culpa é dos imperialistas do costume que invejam o revolucionário estado venezuelano. De frente perante a dura realidade que criou, o governo socialista venezuelano aposta sempre no aprofundamento das soluções progressistas que tão bons resultados tem dado. Também na área da saúde, o modelo socialista é trágico exemplar.

Venezuelan plumber Marcos Heredia scoured 20 pharmacies in one day but could not find crucial medicines to stop his epileptic 8-year-old from convulsions that caused irreparable brain damage late last year.

The once giggly and alert boy, also called Marcos, could no longer sit on his own and began to shut off from the outside world.

“I called people in the cities of San Cristobal, Valencia, Puerto La Cruz, Barquisimeto, and no one could find the medicine,” Heredia, 43, said in the family’s bare living room in a windy slum overlooking an international airport in the coastal state of Vargas.

“You can’t find the medicines, and the government doesn’t want to accept that.”

Heredia ended up traveling 860 km (540 miles) by bus to the Colombian border to pick up medicine a cousin had bought him in the neighboring country. He was back at work the next day.

Venezuela’s brutal recession is worsening shortages of medicines from painkillers to chemotherapy drugs. (…)

Holodomor: o negacionismo de deputados socialistas sobre o genocídio ordenado por Estaline

Em nome da russificação, Estaline matou à fome milhões de pesssoas na Ucrânia, Cáucaso do Norte e Cazaquistão
Em nome da russificação, Estaline matou à fome milhões de pesssoas na Ucrânia, Cáucaso do Norte e Cazaquistão
Isabel Moreira,, descontraída, a cuidar da sua pele.
Isabel Moreira,, descontraída, a cuidar da sua pele.

Isabel Santos, Presidente da Comissão de Democracia, Direitos Humanos e Questões Humanitárias da Assembleia Parlamentar da OSCE; Paulo Pisco, pós-graduado em Estudos Europeus e a célebre Isabel Moreira que dispensa apresentações, foram os deputados socialistas que votaram contra no Voto de Condenação Nº 233/XIII  – Reconhecimento do “Holodomor” – Grande Fome de 1932 e 1933 ocorrida na Ucrânia, um dos crimes maiores do regime  comunista soviético.

Leituras complementares: Holodomor: o negacionismo do PCP sobre o genocídio ordenado por Estaline e Parlamento português reconhece Holodomor ucraniano como genocídio comunista.

Erdogan e a importância do jornalismo

erdogan

De acordo com Erdogan, um jornalista é um terrorista. Na melhor das hipóteses um agente secreto, cujo lugar natural é numa prisão.

Em 2013, recorde-se, a Turquia alcança mesmo a proeza de  ultrapassar o Irão e a China no número de jornalistas presos. Os mais indesejados foram acusados de terrorismo e por outros crimes contra o Estado. O então Primeiro-Ministro Tayyip Erdogan, acusava igualmente polícias, procuradores e juízes de estarem na base de uma cabala contra si, procurando envolvê-lo num alegado esquema de corrupção de grandes dimensões.

Na altura, algumas das medidas do executivo turco aprofundaram o maior controlo da internet e das redes sociais por parte do estado. Desde há muito que a liberdade é um bem escasso na Turquia.

Adenda: When The Last Barricade Falls: Remembering Unlawful Takeover Of Turkey’s Largest Daily.

O desgoverno

Portugal amarrotado, a cronica de Alberto Gonçalves no Observador.

(…)  Apenas na última semana, o dr. César dos Açores, que possui a inteligência de uma anémona e a subtileza de duas, confessou que se encontra a “reflectir” sobre a permanência do governador do Banco de Portugal. O “Público”, após alertar aflito para a “fuga” de capitais e de seguida lamentar os que aludem à “fuga” de capitais, aceitou nova missão: enlamear o pérfido juiz Carlos Alexandre, acusado de pedir 10 mil euros emprestados. Nas televisões, com destacado louvor para a TVI e a RTP, “analistas” esgadanham-se para apurar quem melhor aplaude os poderes vigentes. Nas rádios, ouvir os noticiários da Antena 1 e da TSF embaraçaria os conselheiros do almirante Thomaz. Nas “redes sociais”, os guardiões da moral perseguem blasfemos com afinco. E tudo, do atarantado dr. Núncio aos problemas na suinicultura e às derrotas do Tondela, serve de argumento para tentar enxotar Pedro Passos Coelho. Ao exigir, sem pingo de vergonha, a urgência de a “direita” se habituar a “novas regras”, o dr. Ferro não brinca.

De que regras se trata? Quando, há ano e meio, recebeu a humilhante derrota eleitoral com o belo sorriso que não voltou a perder, o plano do dr. Costa não se limitava à tomada de um mero cargo: o objectivo era o de capturar o país. Uma maioria, um governo e, hoje que se percebe o engodo chamado Sampaio da Nóvoa, um “presidente”. A que acresce a tal máquina de propaganda, capaz de transformar em rosas as misérias, as mentiras e a prepotência que a cada dia nos impõem. Apesar da divertida boçalidade dos protagonistas, convém não nos iludirmos: há aqui uma espécie de “projecto”, e um “projecto” onde a liberdade, seja ela qual for, é parte descartável. E indesejável.

Sei que arrisco a repetição, mas se a casa continua a arder é difícil sentarmo-nos na sala sem mencionar o incêndio: em Outubro de 2015, os portugueses caíram nas mãos de gente perigosa. A julgar pelas sondagens, e por defeito de visão ou de carácter, não consta que preferissem mãos diferentes. Por isso, e porque se gastou o nome para não se reconhecer a coisa, não vou ceder ao impulso dramático e dizer que chegámos ao – esperem um instante – fascismo. O caminho até lá, porém, é parecidíssimo com este.

O mesmo caminho socialista

antoniocostasyriza

A austeridade acabou. Grécia pede fotocópias assistência financeira.