Tertúlia Ideias Radicais

O Instituto Mises Portugal organiza uma tertúlia com o sucesso brasileiro do Youtube Raphaël Lima, dia 16 de Julho às 19h no Grémio Literário. O seu canal Ideias Radicais, onde fala sobre escola austríaca de economia, política, liberalismo e libertarianismo, entre muitos outros temas, conta com 430 000 subscritores.

Lugares Limitados
Inscrição obrigatória: enviar email para misesportugal@gmail.com
Custo de entrada: 5 euros

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IMP no Podcast do Mises Brasil

O Podcast do Instituto Mises Brasil, através do eterno Bruno Garschagen, acompanha o trabalho do Instituto Mises Portugal desde a sua criação em 2012. Dessa vez, o entrevistado foi o Bernardo Blanco, que o dissertou sobre os projetos em desenvolvimento e os desafios e oportunidades para divulgação da Escola Austríaca em Portugal. Seguiu-se também uma análise da situação política portuguesa e do governo da geringonça.

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Liberalismo e Descentralização em Portugal

O Instituto Mises Portugal organizará, dia 24 de Abril, uma tertúlia dedicada ao tema: “Liberalismo e Descentralização em Portugal”. Terá como convidados o eterno Insurgente Carlos Guimarães Pinto e o descentralizador-mor da pátria liberal Carlos Novais. O evento realizar-se-à na Sala D. Henrique, O Navegador do Instituo de Estudos Políticos da UCP, pelas 19 horas. Adianta-se, desde já, que a organização pode não conseguir disponibilizar sofás, pelo que a audiência poderá ter que optar pelo não menos digno liberalismo de cadeira.

Tertúlia: Liberalismo e Feminismo

O Instituto Mises Portugal organizará, dia 11 de Abril, uma tertúlia dedicada a explorar a relação entre o liberalismo e o feminismo. Terá como convidadas a nossa Maria João Marques e a Ana V. Martins e realizar-se-à na Sala D. Henrique, O Navegador do Instituo de Estudos Políticos da UCP, pelas 19 horas.

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O Paciente Inglês

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Como a direita continua a não ter vergonha na cara e teima em chafurdar na mesma desonestidade intelectual de que acusa os Costas e os Galambas desta vida, acumulam-se as duras críticas à sensata posição do Governo de Portugal em relação à guerra fria entre a Rússia e o Reino Unido. Serão os mesmos que evocam uma aliança centenária, quase pretendendo fazer a equivalência entre a defesa da mesma e o patriotismo, patriotismo esse que os leva, em certas ocasiões e nas poucas partes que conhecem de cabeça, a cantar um hino que surge de uma marcha exigindo que os portugueses rasgassem essa tal aliança e pegassem em armas, o equivalente a um suicídio dos dolorosos, “contra os Bretões”. Bom povo inglês, sempre do nosso lado em Goa, em Angola, em Timor.

Bem faz o Governo em exigir prova concreta que suporte as acusações inglesas, como também faria bem em desconfiar das mesmas, sejam elas apresentadas. Não há muito tempo, a dupla Durão e Portas arrastou Portugal para um conflicto desencadeado à margem do direito internacional, cujas provas, posteriormente, se verificaram serem falsas, e que pode bem acartar as culpas da terrível situação que o Médio Oriente hoje enfrenta. Sim, PSD e CDS têm ambos sangue nas mãos e a choradeira dos seus dirigentes e apoiantes quando se deparam com imagens dos meninos sírios lembra aquelas viúvas chorosas no luto do defunto,  tendo umas semanas antes escarniado o marido à cabeceira do amante.

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O CDS Feminista

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Foi ontem anunciado que será aprovada na AR a mudança da funesta Lei da Partidade, com o aumento da percentagem prevista para 40% e o alargamento do critério a todos os órgão politicos electivos. Na minha curta jornada pelo mundo da política já conheci, pessoalmente e pela via literária, uma imensidão de opiniões dentro das próprias ideologias, mesmo dentro das direitas, diversidade essa, em muitas ocasiões, bem fundamentada. Ora eu já conheci pessoas de direita, incluindo bons conservadores, defendendo a legalização das drogas leves ou da prostituição e socialistas que se lhe opunham. Já conheci quem de direita se opusesse à liberalização do porte de arma para defesa pessoal ou fosse um ambientalista fervoroso – como este que vos fala – e socialistas que optassem pelas posições contrárias. Muito se pode escrever acerca destas questões e muito se pode e se tem teorizado sob o seu enquadramento, legítimo ou não, à luz das ideologias relevantes.
O que eu nunca conheci pessoalmente, nunca encontrei nos livros, nem nunca ouvi num podcast foi uma feminista – nos moldes em que actualmente o feminismo se enquadra, na sua terceira via – que fosse de direita. Sendo improvável a existência de um cavalo com asas, nem pelas leis da biologia nem pelas da física, é mais provável eu ter exagerado nos shots de tequila do que estar na presença da mítica criatura. O que me leva a concluir que, dada a diferente natureza entre os fenómenos da própria e os ideológicos, quando me deparo com a primeira pessoa, supostamente à direita, que se diz feminista, é mais provável essa pessoa não ser, de facto, de direita do que estarmos na presença de um cisne negro, terminando eu a indagar acerca do escombro do espectro político em que a Presidente do CDS habita. Dito isto, revivo o debate que se acendeu pelas posições tomadas, na AR, por um deputado do partido, debate esse que gerou páginas de discussão na imprensa, no Facebook, na blogosfera e nas suas caixas de comentários, pois dizia-se ser impensável o partido ser tão complacente a uma suposta violação grave da matriz do partido.

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Vídeo: Liberalismo e os Partidos em Portugal

Deixo aqui o vídeo da tertúlia organizada pelo Instituto Mises Portugal no IEP-UCP no passado dia 22, com o nosso André Azevedo Alves com o convidado e o Vice-Presidente do IMP, Bernardo Blanco, na moderação.

Clique na imagem para aceder ao vídeo.

 

 

 

 

 

CDS – Uma Reflexão Pré-Congresso

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O CDS padece, desde a sua génese, de uma lamentável disposição a ser bengala. Esta disposição, originada, a meu ver, por um medo de parar, permite-lhe ir andando, mas também o impede de correr. Nas ocasiões, poucas, em que o CDS resolveu tentar aspirar a marcar a sua posição no espectro político, ora obteve votações expressivas da parte do povo português – ver este artigo de Richard A. H. Robinson -, ora foi esmagado por circunstâncias da época, como o foi o choque de Lucas Pires e do Grupo de Ofir – ver artigo do Adolfo MN – com a ascensão do Cavaquismo. Faz falta pensar, sobretudo pensar. Os tecnocratas que nos apoquentam, os que nos bombardeiam diariamente com chavões como challenge e leadership e branding, não entenderam, ou não quiseram entender, o poder da marca na política: e essa marca é a ideologia, firme, segura de si.

Ao ambicionar diminuir-se ideologicamente, para com isso assaltar o eleitorado ao centro, o CDS consolida a desconfiança já tremida daquela que é a sua base: a direita. E porque um mal nunca vem só, enxota de vez os desapontados, aqueles que nos mais de 40% de abstenção não se reconhecem neste sistema putrefacto do arco da governação. Hipoteca o futuro por umas migalhas no presente, apesar de ser, mais tarde do que imaginam os arautos da serenidade do bom povo português, Pinheiros de Azevedo desta vida que tomam por fumaça o êxodo dos jovens da política, candidato a como os outros perecer na poeira do tempo, olhado daqui a uns anos como relíquia de uma época menos afortunada.

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Sobre o André Ventura

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Não mencionei o candidato pelo PSD a Loures no último texto porque, de facto, não era dele que queria falar. Queria falar de quem, na resposta ao mesmo, construiu uma série de argumentos que são falsos. Gente que só vai ao bairro fazer campanha ou comprar droga, como muitos jotinhas e ex-jotinhas por este país fora ou gente que faz carreira a vitimizar os moradores sob pretexto de ajuda, como uma legião de psicólogos e sociólogos, não têm lugar neste debate e foram, consequentemente, os meus principais alvos. Elenquei-lhes uma série de mimos que não foram, como se disse, insultos, mas sim eufemismos. Mas hoje, tendo já escrito o essencial a respeito do problema, vamos ao caso Ventura.

O André Ventura falou muito bem nas entrevistas que foi dando e explicou de forma muito clara o problema, sem nunca culpabilizar o todo pela parte, ainda que a parte seja substancial. Foi menos brejeiro que Carlos Teixeira, quando presidia ao município. Aliás, erro, não foi brejeiro de forma alguma. Na entrevista ao I cometeu um erro que não é admissível a quem passeia por estes círculos há tanto tempo: generalizou para fazer brilharete e, consequentemente, enfiou toda uma comunidade na lama. Foi racista, independentemente de eu não acreditar, pelo que li e pelo que ouço de quem o conhece pessoalmente, que ele o seja. Pagará, ou não, o preço político, que remédio.

Agora fingir que não existem problemas nos bairros sociais – problemas que vão muito além da comunidade cigana e que metem negros e brancos ao barulho – é criminoso. E afirmar que há por cá gente de bem, ou que não faltarão negros e ciganos de bem, o que é verdade, não invalida que também habite por cá uma quota parte de gente de índole questionável. Não se deixem enganar em pensar que uma mão lava a outra. Vocês têm sujado ambas.

Para terminar, o último texto não foi dirigido exclusivamente à comunidade cigana, como o debate à volta do mesmo leva a crer, ainda que esta seja uma das visadas por motivos que são óbvios. Foi dirigido a toda uma comunidade com leis e costumes paralelos aos do restante país. Falar apenas de ciganos no debate que procurei abrir ontem revela aí um fetichismo pelo tema que empobrece o mesmo, porque o deixa a meio. Da mesma forma que falar em violência policial e racismo nos bairros de Lisboa deixa o tema pela metade, não fossem os bairros do Porto, em que os brancos são maioria, sujeitos aos mesmos casos – de violência por parte de arruaceiros, uns do bairro e outros da polícia, porque também os há.

Você já morou num Bairro Social?

Há um enorme problema na comunidade cigana, um problema, ainda que em menor escala, com a comunidade africana e um problema gravíssimo, que transcende raça e etnia, e inclui os brancos, nos bairros sociais por este país fora. Quem achar o contrário, ou tem a paisana à perna e não acha grande piada à ideia, ou tem que começar a sair do condomínio fechado, passear nos subúrbios, andar de transporte público a más horas, deixar o gabinete da universidade e passar a leccionar numa escola de bairro, algo do género. Essa bolha do politicamente correcto onde vocês se enfiaram, uma das causas da imunidade que grassa e das reações, algumas bárbaras, que lhe sucedem, mata pessoas. E quando eu digo que mata pessoas não o escrevo num sentido figurativo, mas num bem real.

Vocês, doutorzinhos da merda nas vossas conferências da treta do raio da problematização que vos pariu, vocês políticos com sabidos problemas de coluna, vocês sociólogos da vitimização, vocês betinhos do Bloco de Esquerda, têm sangue nas mãos. É claro que vocês, nos vossos condomínios, não estão sujeitos a levar um tiro por sugerirem ao jovem à vossa frente que fumar um cigarro no metro é capaz de não ser lá grande marco civilizacional, não têm um largo grupo de familiares armados que nem uma célula terrorista a tentar arrombar-vos a porta porque a vossa mulher não consentiu que uma sujeita a ultrapassasse na fila do supermercado, não vivem sob a ameaça de tiroteios, assaltos, espancamentos, entre outras cenas que hoje são parte do quotidiano. Vocês não viram armas e drogas no vosso 5o ano de escolaridade, não havia disso no colégio.

Vocês são os mesmos mentalmente desavantajados que quase armam uma guerra civil porque uma pita se atirou à professora devido a um telemóvel – coisa comum que é capaz de se repetir no mesmo dia – e depois ligam para os direitos humanos nas questões de peso. Quando morre um puto esfaqueado por um telemóvel ou um mãe numa bala perdida eu não vos vejo no funeral nem nos jornais a soluçar de indignação. Quando uma miúda é proibida de ir à escola não berraram: “racistas”! Criaram turmas segregadas, medida digna aos olhos de uns quantos boers. Quando um traficante é apanhado, com mais espingardas que o Rambo e uma garagem que mete inveja a muitos jogadores da bola não vos vejo armar a paródia que armaram ao senhor do Pingo Doce. Quando os polícias são corridos a balas ou duas comunidades decidem reencenar um western não há escandaleira?

Claro que não coitados, são vítimas do sistema capitalista e racista ou da puta que vos pariu. E ainda se indignam por os sujeitos serem discriminados quando voltam. “Olhe, eu tenho aqui uns anos por sequestro, tráfico de drogas, umas navalhadas em goela alheia e umas caçadeiras que tinha lá em casa, mas sou um homem honesto, dava um excelente relações públicas da sua empresa”. Quem sofre? As pessoas de bem, trabalhadores, das próprias comunidades, que se vêm acorrentadas a um espaço que vive – e com sorte sobrevive – com leis e costumes que transcendem as da sociedade portuguesa, ocupadas com guerras diárias enquanto outros se ocupam com em contar os novos géneros, insultar os turistas ou partir barbearias.

Ide lá jogar polo aquático com o Salvador, escrever a vossas crónicas dignas de analfabetos funcionais, beber um gin com salada com a malta da jota, mas deixem os problemas de gente grande para homens. Os canalhas não têm lugar aqui.

A Direita Portuguesa não tem vergonha

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A direita portuguesa não tem, nunca teve e é dispensável que o leitor estude os astros para entender que, provavelmente, nunca terá vergonha na cara. Rebentou uma bomba no cenário político, na presente semana, quando a direita cá do burgo descobriu que no sistema de ensino português existem escolas em que os alunos transitam de ano com quase meia dúzia de notas negativas. Apressou-se pois a atribuir a efeméride às reformas efetuadas na pasta da educação pelo governo PSD/CDS, governo esses cujas reformas se conhecem tão profundas que foram facilmente revertidas em poucos meses. Voltam-se os olhos para Passos Coelho, o homem cuja reconhecida honestidade lhe permitiu enfiar o programa eleitoral na gaveta, estava ainda fresca a tinta do acordo de coligação. Sócrates, a bem da verdade, tardaria bem mais a mostrar ao que veio.

No entanto, para não variar, o problema está mal explicado. Ainda era Durão Barroso primeiro-ministro e já passavam multidões com mais de quatro negativas, isto na minha escola. Anos mais tarde, não muitos, confessava-me uma directora de turma, de uma cidade bem distante da minha, que era forçada, com as colegas, a passar de ano alunos com mais de quatro negativas. Pelo meio, não faltou quem se gabasse de passar de todas as maneiras e feitios. Nada mudou e não tem mais culpa este governo que os que o antecederam, incluindo os de direita – mais estritamente ao centro que outra coisa – em que os meus caros andavam por estas bandas num silêncio ensurdecedor.

A questão do facilitismo está entranhada num ME que esteve, desde a sua fundação, a soldo dos professores e dos partidos. Dos professores, sem dúvida, porque são os mais benificiados por um sistema burocrático e centralizado, sem sinais de flexibilidade, quando de outro modo os maus professores estariam no centro de emprego. E dos partidos que, comos e sabe, sobrevivem das estatísticas que os próprios promovem. Ao contrário do que a propaganda laranja tentou incutir ao país, as reformas a que assistimos apenas arranharam a superfície do problema, o ministro Crato, que se propunha “implodir o ME”, terá provavelmente ganho afinidade com o edifício e tudo ficou, não na mesma, mas por lá perto.

Não obstante, como vale tudo, Passos Coelho é um cadáver político e a líder do CDS um fanfarra de banalidades, vemos nascer a indignação em quem sempre teve a educação na boca sem sequer ter procurado investigar minimamento os problemas que por décadas a têm assolado. E tão incapaz se sente esta direita em rebater a geringonça que até a desonestidade intelectual serve de arma política, essa que do alto da sua autoridade moral tantas vezes os vemos apontar aos adversários.

Falta vergonha. Muita.

Tertúlia “As pessoas não são números”

Tertúlia do IMP e do Tempos Livres, no Grémio Literário, sobre o contraste entre a Escola Austríaca, com o seu foco na acção humana, com as outras escolas de economia, com o seu foco em modelos estatísticos e matemáticos. Falará o Ricardo Dias de Sousa, com apresentação do Carlos Novais.

Como derrotar Rui Moreira

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Segundo a imprensa nacional, Rui Moreira trocou as voltas ao PS, o  que é um tremendo exagero. O Presidente da CMP deixou os papagaios que dirigem o partido do governo fazer o que estes de melhor fazem, retirando daí o respectivo casus belli. O PSD, à falta de candidato para as duas principais cidades do país, regozijou-se de imediato. Passos Coelho ergueu-se do mundo dos mortos para onde a insignificância do seu discurso e da sua estratégia política o conduziram para arremessar uma bicada ao Partido Socialista e os seus correlegionários, no Porto, abrem champanhe. Mas aqui colocam-se vários problemas que, a meu ver, ainda não surgiram à massa laranja.

Em primeiro lugar, e apesar das circunstâncias, o PS tem um candidato conhecido da cidade, com obra feita – não estou aqui a avaliar a mesma – neste mandato. Ser-lhe-á complicado atacar Rui Moreira, mas o PSD aqui não fica em melhor figura, pois desta feita tem uma figura de peso que, neste xadrês autárquico, pode e deve apostar, não na derrota de Moreira, mas na derrota do PSD, procurando o segundo lugar.

Ao mesmo tempo, o já aparvalhado e oco discurso do PSD Porto perde fogo – se é que alguma vez o teve. E por isso, com uma amabilidade que não me é característica, elenquei algumas hipóteses, partindo, é claro, do que o PSD já tem demonstrado ser o seu foco: acusar Rui Moreira de coisas.

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Nós, os Verdocas e as Vacinas

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Reparo numa situação caricata. Vejo que se verifica, como em poucas vezes, um consenso relativamente à crítica aos pais que não vacinaram os miúdos. Mas a gravidade da situação está na hipocrisia patente em criticar a atitude, olvidando a ideologia. Se um casal de rednecks do Sul dos EUA deixasse – como muitos deixam – morrer uma criança por negligência de tratamento médico, atitude esta consequência do seu conjunto de valores, as redes sociais e os jornais estariam recheados de notícias e comentários contra o (suposto) tenebroso obscurantismo dos cristãos. Partir-se-ia, portanto, da atitude para a ideologia que -supostamente – a causa. Ora eu ainda não vi ninguém a expor o grau de demência dos hippies naturalistas que lançam vivas à homeopatia e outras formas de banha da cobra – só falta, tendo em conta os tempos, exigirem terapias de Reiki no SNS – e que preferem vacinar os cães em detrimento dos filhos. Talvez sejam os mesmos que enchem o facebook com máximas que nos explicam que os animais são preferíveis às pessoas. É a modernidade que, além de desumanizar, amplia nichos circenses, legitimados por leituras dignas do Prof. Mambo e pelos partidos e agremiações que conhecemos de outras festas, numa eterna batalha contra forças secretas e, acima de tudo, contra o Homem, essa criatura repelente.

O caro leitor já apanhou, certamente, sujeitos destes à mesa – se não apanhou, certamente tem sorte. Eles têm dietas que os imunizam das doenças, têm tratamentos “com milénios de história” que os curam delas – o que refuta o ponto anterior, mas quem falou em lógica? Eles amassam a sua com a autoridade moral de quem se libertou de todos os químicos que o capitalismo lhe enfiou pelo bucho e de todos os medicamentos – inúteis pela certa – que uma consipiração que começa na indústria farmaceutica e descamba nos Bilerberg o obriga a tomar. Você, caro leitor, é uma besta sem auto-consciência espiritual que se vai deixando levar pelos homens do poder. Essa dorzinha já os tipos na Babilónia sabiam curar. E se não for caso de médico chama-se um xamã. Eles sabem, pois. Leram uma vasta bibliografia  de livros, panfletos e artigos da internet, foram a inúmeros colóquios, workshops e acampamentos, estando portanto bem mais habilitados que o vulgo – os médicos não contam, pois estão comprados – para dissertar sobre a saúde das massas. O mundo apelida-os de loucos – Matias Damásio é sempre apropriado nestas situações – mas loucos somos nós.

E, por meio desta loucura auto-infligida – choca-me a leviandade com que se lança no escárnio o sujeito que vai implorar ao Santo por ajuda, respeitando, ao mesmo tempo, gente que, além de prejudicar terceiros com o seu obscurantismo, ainda faz questão de tentar institucionalizar a coisa. E vem sempre um idiota útil – Lenine sempre teve uns apelidos porreiros para distribuir – pregar o respeito. Vamos lá ser coerentes. E além da coerência, sempre vital, admitir que tratamos de um problema de saúde pública, em que o suposto argumento da liberdade individual não escuda terceiros do potencial epidémico da questão da não-vacinação, nem protege as crianças à guarida desta gente, em questões como a de outros tratamentos ou na da nutrição. Evocar argumentos Rothbardianos sobre a legitimidade da negligência, além de suicídio assitido para o movimento liberal – assistido por Rothbard – em nada ajuda a um debate cada vez mais importante na sociedade actual e que não se pode guiar por teorias sem qualquer aplicação viável ao nosso mundo. Enquanto aguardo as vossas reacções vou ali ver se os meus orixás me tratam esta dor nas costas.

Trump e o fim da imprensa livre

O Presidente Trump – numa ruptura com aquela alínea da constituição que o obriga a aturar jornalistas que dissertam abundantemente sobre a sua saúde psicológica e a sua vida sexual – restringiu hoje, de várias formas, o acesso a alguns elementos da imprensa americana, no que podemos interpretar como um passo dado na estrada do totalitarismo.

O passo seguinte, como lemos ao longo da história, passará pela criação de uma entidade ao serviço do estado, sob a farsa do serviço público, entidade essa que beneficiará políticos e compadres e que servirá para, além de derreter dinheiro do povo, enfeitiçar as vulneráveis mentes da população.

Mais gravoso – e a derradeira estocada na imprensa livre – seria que o Presidente Trump usasse a sua influência e a dos seus amigos ricos para, além de controlar através do estado essa tal entidade pública, encetar um plano de domínio dos mídia privados, pondo assim termo a qualquer esperança que a civilização ocidental e os homens livros por este mundo fora pudessem guardar.

Resta-nos combater Trump em todas as frentes, não vão os seus sucessivos atentados à liberdade de imprensa culminar num modelo totalitário, directamente retirado das distopias ficcionais e replicado no mundo real.

Alguém sugere exemplos? Eu conheço um.

E assim vamos, em pequenos passos, de Obama a Hitler. São as tácticas do salame. Insultam-se os jornalistas em horário nobre, afirma-se que eles não podem continuar a “mentir”, até se criam páginas de facebook, tomadas por assessores, a fim de desmistificar os “truques da imprensa”. Se este é, de facto, o caminho que o Presidente Trump quer seguir, devemos socorrer-nos de todos os meios para o travar. Não vão os EUA transformar-se no exemplo que, por esta altura, todos temos na cabeça. E não, não me refiro a Hitler.

Trump – O Paladino do Feminismo e dos Direitos LGBT

Donald Trump Holds Campaign Rally In Fort Worth

Donald Trump, que se tem mostrado o político mais eficiente e honesto de que tenho memória, aparenta querer cumprir, já esta semana, a sua promessa de campanha de fechar as fronteiras aos refugiados sírios e de implementar uma política de restrição de vistos a migrantes de determinados países muçulmanos, através de, entre outras coisas, a avaliação das posições dos mesmos em relação a questões como a tolerância religiosa, o respeito pelas mulheres e os direitos da comunidade LGBT.

Com isto, Trump prepara-se para fazer mais pelas causas da esquerda numa semana que a própria em uma década. No ocidente, a esquerda vendeu-se ao admirável mundo novo da desconstrução social e a uma novilíngua que lhe tem permitido fazer marchas pelas direitos das mulheres a um Sábado e organizar manifestações em honra dos sujeitos que as apedrejam no Domingo. A mídia, sob ameaça de falência, é a banda da festa, colocando diariamente o seu peso em causas que seriam, no mínimo, olhadas com desdém por qualquer cidadão respeitável.

O feminismo, originário de uma luta justa pelo reconhecimento do papel da mulher na sociedade, libertando-se das amarras a que fora condenada, transformou-se numa fanfarra de histéricas mal-resolvidas – para não usar outro termo – que, não reconhecendo às mulheres as capacidades que bem lhes conhecemos, fazem do ódio e da diminuição dos homens um manifesto político. Os direitos LGBT – que teimam em irritar algumas toranjas e uns quantos socialistas que vão à missa – metamorfosearam-se em paródia nas mãos de “attention seekers” recalcados que se fazem desfilar seminus e, num acesso de criatividade que demonstra o porquê de tanto “artista” aderir a estes pagodes, se convenceram da existência de um infinito número de género, irritando-se frequentemente pela descompensação mental não se ter generalizado.

E assim, duas causas legítimas e necessárias são diariamente corrompidas pela esquerda (especialmente a académica) e pelos jornaleiros de serviço. A ambas ainda restava a esperança de que Trump fosse um Obama ou um Passos Coelho, legando grande parte do programa eleitoral às gavetas do esquecimento. Como se enganaram…

Entre populistas e populistas

Já é habitual que os paineleiros portugueses tenham apreço pelos comediantes, seus homólogos, o que explicaria a sua fixação por Beppe Grillo. O que estes se esquecem de realçar é que uma possível coligação à direita – que desta vez seria liderada pela Lega Nord, ultrapassando esta o Forza Itália – alcançou 27.8% dos votos nas últimas sondagens, apenas 2.1% abaixo das previsões relativas ao Movimento 5 Stelle. Manter a fé que, face à ameaça de ser eclipsada pelos seus velhos parceiros, a Forza Itália continuará a insistir no centro-direita não é de todo descabido, ainda que, com o forrobodó que reina no partido, todos os cenários estejam em aberto.  Depois, quando as hecatombes eleitorais traduzem o (outro) óbvio sentimento da populaça, a surpresa nos seus rostos, mostrada pela televisão, tende a contrastar com o meu ar de riso. Não que a situação esteja para graçolas. Mas no meio da tragédia valham-nos os palhaços..

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Taiwan, Trump e o início da terceira grande guerra

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A capacidade que Trump tem, involuntariamente, em proporcionar a exposição de profundas contradições de discurso à esquerda e à direita deverá, a seu tempo, servir de case study nos mais prestigiados cursos da área por este globo fora. Argumentar que o presidente-eleito da maior potência mundial não deveria conversar ao telefone com uma governante democraticamente eleita de forma a não ofender terceiros é próprio de uma geração de políticos e paineleiros cujos problemas de coluna me ofereceram uma pseudo-carreira como blogger.

Já no Brexit, à direita, pesavam os argumentos económicos, não fosse a soberania, esse artefacto que pouco diz à modernidade estabelecida, incomodar negociatas. Os tecnocratas de serviço, uma classe formada no economês das business schools desta vida, para quem a história e a cultura são luxos parasitários de rodas dentadas pouco produtivas e cuja profundida ideológica, por escrito, caberia numa nota de 5, querem convencer-nos que fazer o correcto de nada vale sem o lucro como amparo.

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Todos os fascistas são gordos

O Ricardo Paes Mamede, sujeito de que nunca ouvi falar mas que, segundo me indicam, reúne alguns afectos cá no burgo, decidiu estabelecer uma relação de causa-efeito entre a obesidade, o alcoolismo, a diabetes e a falta de exercício físico e a vitória de Donald Trump. Em Portugal, onde Gramsci reina, cultura e esquerda andaram sempre numa partilha de lençóis nada púdica e pouco saudável. Isso conduz a que, por um lado, todo o cantor, escritor ou pintor – basicamente todo o criador – tenha palco para debitar alarvidades e que, por outro lado, uma inspiração quase que artística invada as luminárias da academia, atingindo estas o pleno da sua criatividade nas mais bizarras propostas e declarações. 

No entanto, uma ressalva. Desde que deixei o ginásio que reparo em sintomas de que as minhas posições se têm extremado. O que, há uns anos, era uma sujeita simpática que de mim discordava, hoje é uma temível feminazi. Pinochet tornou-se uma piada recorrente e não são poucas as vezes em que me vejo evocar Salazar com um carinhoso Tio. Depois temos outros casos. O Colectivo Insurgente é maioritariamente constituído por gente que gosta de lhe dar no copo, no Mises o problema é igual ou maior. Ora há aqui, de facto, uma interessante correlação entre a pinga e as tendências facho-neoliberais que merece tratamento estatístico. Hão-de reparar, por exemplo, que os deputados da direita são bem mais gordos que os da esquerda, o que me leva a crer que o processo de acumulação de riqueza contemporâneo de que nos fala David Harvey atingiu uma nova etapa: a da acumulação de gordura.

Convém recordar que tendências pós-modernas como lanchar comida de passarinho, não comer carne, frequentar aulas de zumba ou pilates, atraem tendencialmente mais malta de esquerda, tudo pessoal muito boa onda e moderno que considera que fazer uma peregrinação à bairrada para assassinar porquinhos e tomar banho em espumante é uma actividade demodé, desprovida de consciência de classe, mais própria do patriarcado opressor. E assim, caros amigos, podemos concluír que o senhor não estava, de modo algum, errado. Ler o Observador engorda. E os gordos não sabem votar.

Continuação de uma boa noite

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Os mercados são fascistas

O peso desce e o ouro sobe.

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“Baby, Stop Crying “

e5b2b4d65f9dbe1ae510fe0cbab40a68Olá amigos, vamos falar do Nobel? A questão que me apoquenta é o facto de, das pessoas que conheço e em que reconheço um extraordinário bom gosto literário, nenhuma reconheça valor algum ao Nobel da Literatura.

Este é um prémio que ainda presta o serviço de impressionar aquele tipo de sujeito que tem o Eça como o melhor escritor português – quando nem o melhor escritor em língua portuguesa da sua época ele foi – que equipara Saramago aos russos, tem o Paulo Coelho em boa conta e jura a pés juntos que tentou ler o Lobo Antunes, sem sucesso. Ou que, por excesso de tempo livre para incorrer em originais fantasias, lamenta o Nobel que não foi dado a Pessoa, como se o senhor fosse conhecido em vida.

A criatura que assombra mesas de jantar de hamburguerias gourmet, com conversas literárias regadas a gin merdoso, pintando o facebook com citações mais reles que o gosto. Impinge livros a toda a gente, barafusta contra um país atrasado que lê pouco e pode apontar-se ao insucesso destas aventuras o grau de alfabetização ainda não ter baixado por cá.

Daí que me custe perder a disposição a debater as acções de uma instituição que não premiou Tolstoi, Nabokov, Proust, Céline, Borges ou até mesmo Lobo Antunes ou Agustina. No entanto, este ano, o debate é interessantíssimo. Devem os músicos ser premiados?

Se sim, Dylan e Cohen seriam óbvios candidatos, assim como Morissey, Eminem ou Chico Buarque – incluir Tupac ou Kurt Cobain na lista já colocaria o interlocutor ao nível dos apaixonados de Paulo Coelho. Se não, o que é legítimo e não me choca, é favor atribuírem o prémio a um génio português – coisa que nunca foi feita – se possível à Agustina, visto o Lobo Antunes ser demasiado casmurro para se deixar morrer sem o galão e, consequentemente, ser gajo para escrever umas pérolas só por vingança.

A Direita não é fixe

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A direita, em Portugal, é aquela garota socialmente inadequada que se tenta adaptar para ser fixe, mas como nunca resulta, acaba por sofrer bullying de todos. Uns dias, quer ser moderna e xpto como a esquerda – aquela amiga tree hugger que apelida os omníveros de assassinos, que lança impropérios revolucionários no Iphone 6 e acha Marx um equivalente ao Pai Natal, mas mais simpático. Lá faz uns vídeos catitas, lança cartazes que parecem saídos dum concerto do mais novo dos Carreira, carrega no povo nos discursos, bate nos ricos, arranja lá umas propostas fracturantes manhosas em que ninguém acredita mas que julga capazes de comprar uns votos, elogia Mário Soares, torna-se feminista. Faz figura de parva, acaba gozada.
No dia seguinte percebe que ser bloquista não é fixe e passa a olhar os intelectuais como exemplo. Cita livros que não leu, refere músicas que não existem, fala do teatro com amor, ainda que só lá tenha ido para ver o La Féria, afirma que aquele filme dirigido pela Rita Blanca com João Canijo a protagonista é muito bom. Quando é entrevistada deixa cair mais nomes de conhecidos que um puto barrado à porta de uma discoteca, ainda que, como este, seja visível a dificuldade em articular duas frases em português correcto. Pior que tudo, elogia Mário Soares. E isso, claro, percebe-se à distância e, mais uma vez, termina em gozo a brincadeira.
Mas a direita não desiste e, na manhã seguinte, vem vestida de direita. Mas a direita antiga, tráz os modos dos pais e a roupa dos irmãos mais velhos, refina o sotaque, faz-se adulta, aparentemente. E esta coisa da liberdade de expressão passa a ser uma malcriadisse dos jovens, os valores cristãos andam pelas ruas da amargura, metam-se os pretos, os ganzados e os maricas em alto mar e “lá vai torpedo”, os chineses estão a rebentar com o comércio e vamos lá andar atentos que estes espanhóis não são de confiança – é fechar as portas e meter os D.A.M.A. a tocar na fronteira, que, desse modo, ninguém entra. Insulta Mário Soares – pelo menos isso – , mas considera que a saída das mulheres da cozinha nos colocou às portas de um holocausto demográfico.
E aí entorna o caldo, já não há paciência e a carga de porrada que leva é de tal calibre que falta a semana toda à escola. Um dia, a direita vai perceber que não é fixe tentar ser igual aos outros meninos e reconhecer que só lhe resta ser ela mesma para ser feliz – desde que, sendo ela mesma, fuja de Mário Soares como quem foge da malária.
Só que, caros(as) amigos(as), no que toca a pessoas, o bullying é uma coisa horrenda, mas no que toca à direita portuguesa é uma lambarice.

Facadas Multiculturais

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Uma mulher e as três filhas, dos 8 aos 14 anos, foram esfaqueadas num resort francês por um sujeito que entendeu estarem com pouca roupa. Tenho três teorias. A primeira é a de que o sujeito – sendo que eu não caio nessa vagabundagem da direita radical que se percipita sempre nestes casos – temendo que a senhora e as crias se constipassem, foi buscar uma faca para cortar uns panos e tropeçou, acidentalmente, com a faca nas mãos. A minha segunda teoria é que, mãe e filhas, talvez se apresentassem, de facto, numa indumentária tão moralmente reprovável que culminou no enlouquecimento do pobre homem, chocado com tamanha leviandade. Ora a minha terceira – e mais provável – teoria conclui que desta vez a coisa foi, certamente, obra dos perigosos Judeus Ortodoxos. Esses, os Cristãos Radicais, os Budistas Fundamentalistas e os Ateus Militantes andam a deixar a Europa a ferro e fogo.

Ainda assim, deixo o alerta para que desta ocorrência não se tirem conclusões desmedidas que propaguem o ódio e coloquem em cheque o nosso paraíso multicultural. Ou não é verdade que estes pequenos e insignificantes mal entendidos – facadas, machadas, atropelamentos e bombas – são um ínfimo preço a pagar pela solidariedade entre povos irmãos e os escritos do Prof. Boaventura ? E, na verdade, o que são umas facadas amigáveis quando recebemos, por outro lado, o fraterno abraço dos valores do outro ? Excepto, claro se o leitor for homossexual, mulher, ateu ou, entre um vasto leque de exemplos, um vil comedor de porco.

 

Clima de guerra civil na Turquia

Escaramuças e explosões em Ancara.

Relatos assustadores da Turquia via Mirror:

Mirror

Sobre o terrorismo islâmico

Uma democracia liberal sofre uma vaga de violentos atentados: carros bomba, atiradores, atropelamentos em massa. Os perpretores, bárbaros terroristas islâmicos, acusam o país de estar a violar o seu território, entre outras justificativas, incluindo as metafísicas. Os Pablos Iglésias e os Boaventuras desta vida concluem que não Podemos pagar aos terroristas com a mesma moeda – activistas, desculpem-me. Entre os comentadores da praça a palavra de ordem é diálogo. Entretanto, os media do Ocidente apressam-se a apontar o racismo e a xenofobia inerente ao país em questão.
Sim, estou a falar de Israel.

Gerontofobia – A Nova Moda da Esquerda

O ódio instalado contra os idosos – que já se tinha feito sentir após o Brexit – continua a ser abraçado pela esquerda europeia (neste caso a espanhola) – tudo malta muito porreira e tolerante. Claro que há aquela modesta questão de desejarem a morte a todos os velhos do país, mas isso são coisas da irreverência e da idade que lhes hão-de passar. Como lhes passou aquela moda de achar que o Ché Guevara até era gajo com quem se bebia uns copos e que esta cena de insultar uns padres e partir umas montras até é capaz de dar numa tarde bem passada.

E por entre casas de banho mistas e a extinção do homem branco, instaura-se por decreto um paraíso meio que hippie, meio que estalinista. Utopias estas que, se “cada uma no seu canto” já eram indigestas, somadas ganham (wait, keynesian pun) efeitos multiplicadores – como quando algum cínico iluminado resolver juntar  a Maya e o Nuno Graciano no mesmo programa.

A comunicação social tem representado o papel que lhe conhecemos: colocar-se às cavalitas desta fanfarra e tomar os leitores por atrasados mentais. Lá vai dando voz aos injustiçados pela tirania da terceira idade – cujo sortimento de valores, além de demodé, atrapalha o progresso.

O futuro é deles. E que merda de futuro.

Felizes Repetições

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A repetição incessante de certos fenómenos políticos é tramada para o cronista. Tão tramada que não consigo deixar de escrever isto envolto numa bizarra sensação de déjà vu. O que não só torna fastidioso o meu exercício, como denuncia uma lasca de tédio que poderá estar à espreita do leitor. Felizmente, para o liberal, esta reincidência é uma consequência das melhores razões.

A extrema-esquerda tropeçou de novo, meteu os pés pelas mãos – como no jiu jitsu – e tal é a a sua comoção que já tem metido a boca por outros locais menos meritórios. Lugares comuns. Memes com os semblantes dos derrotados. Uma esquerdista esganiçada perde a postura no twitter ou no facebook. Piada com o Costa – respirar e gozar com o Costa começam a alcançar frequências semelhantes, muito por culpa do próprio. Primeiras reflexões do politburo: a culpa é do povo que não compreende que só lhes queríamos dar os mesmos direitos que os venezuelanos (graçola com a Venezuela, nunca falha).Lá vamos nós fazer contas – isto está uma salgalhada da pior espécie. Os comentadores de serviço apontam um fenómeno que explique o sucedido – e se não encontrarem um que assente inventam-no. Post aziado do Daniel Oliveira em momentos. O líder da oposição, Marques Mendes, afirmará que tudo correu como havia previsto. Os portugueses, em massa, cerram os dentes ao melhor jogador do mundo como se este lhes ousasse aumentar os impostos ou, bem mais grave, tivesse ido tomar o pequeno-almoço com o sujeito que o fez. Tudo igual. Tudo porreiro. Quinta há jogo.

A Europa e os Ingleses, por mim e por Paulo Portas

Dos saudosos tempos em que Paulo Portas era o líder que a Direita merecia, por contraste com o líder que a direita veio a ter – numa versão desfalcada dele próprio, como aqueles filmes que se perdem na sala de edição e nos deixam para a posteridade a dúvida pertinente de como teriam ficado sem as cenas cortadas. A dicotomia entre “dúvida dos lúcidos” e a “fé nos espertos” expõe com brilhantismo o pensamento conservador – assente em mecanismos arcaicos como o bom senso – em confronto com o pensamento progressista – que sem muita conversa abre as pernas às serenatas dos amanhãs que cantam.

Berço da democracia moderna, o velho reino não aceita lições sobre a vontade popular nem diktats regados em Bruxelas a bom vinho pago pelo contribuinte. Como PP apontou, Bruxelas tem um efeito nefasto nos nossos políticos, já de si abestalhados de nascença. A transformação do político que vai de Lisboa para Bruxelas é semelhante áquela do que vai do Porto para Lisboa, a não ser no grau de aburguesamente, que é exponencialmente maior. Um tipo estava aqui descansadinho a debater os impostos ou os pensionistas levado com um bairrada e, quando dá por si, já se ocupa em longas dissertações, lubrificadas a champanhe do melhor, sobre a socialização dos porcos – literalmente os porcos, não os colegas.

Quem pensam então que são estes velhacos bárbaros da “Old Britain” que ousam optar pela via radical de seguir o seu próprio destino sem dar satisfações a uma vasta gama de poderes maioritariamente não eleitos ? Desta feita até que afrontam o brilhantismo dos comissários europeis, cuja passagem pelas mais nobres instituições de ensino do continente e arredores e o longo convívio com o luxo e o glamour de plástico dos novos ricos da política lhes forneceu o direito divino de saber o que é melhor para nós, independentemente da inoportuna opinião que nós – leigos ingratos – pudéssemos tecer sobre o assunto.

Para certos bandalhos, a democracia, essa só aceitável quando o resultado lhes é favorável. Aí estamos perante a vontade soberana do bom povo. Se assim não for, a democracia não é mais que um atraso de vida para a revolução em curso. Os velhos, os analfabetos e toda a essa gente de pé rapado desprovida de canudo – esses traidores de classe – venceram as elites aburguesadas na corte de Estrasburgo e os jovenzinhos diplomadas de mentezinhas muito abertas e tão multiculturais que boicotam o Natal para não ofender ninguém. Os tais que ameaçam despejar milénios de civilização eurpeia na sarjeta de um quarto de banho misto.

Pelo meio da fanfarra esganiçada só faltou intimar o Reino Unido de guerra, entre um discurso de medo que não se ouvia desde a guerra fria, abusivas intrusões de chefes de estado estrangeiros na campanha e diversas comparações de Farage e Boris com Hitler e Trump, que teriam graça não tivessem sido os próprios apoiantes do Leave a utilizar as mesmas tácticas e o mesmo registo das referidas personagens.

Para mim, mais que a saudável vitória da liberdade e a chapada de luva branca aos eurocratas, enche-me de regozijo o ruidoso sofrimento de inúmeras criaturas de carácter e craveira  duvidosas a que vimos assistindo. Eu, como “mau cristão”, não consigo deixar de ficar feliz pela irritação patente no rosto dos burocratas de Bruxelas, nos socialistas, na direita envergonhada e, especialmente, numa comunicação social que nos prestou um horripilante e desonesto serviço nas últimas semanas. Sempre tive para mim que a forma mais fácil de distinguir o bem do mal é ver de que lado estão os vermes. E aqui, é certo, os vermes perderam.

Via João Tavares