Orbán: Podia ser Pior

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Esta questão do Orbán preocupa-me imenso, pois sou um pessimista e considero que pode sempre ficar pior. Ora imaginem lá que o homem não se dedicava apenas a fechar a Universidade do Soros e apertar uns adversários, mas decidia implementar uma ampla estratégia de censura de modo a condicionar globalmente o debate político?

Imaginem que o Orbán, à semelhança de um certo VP do Parlamento Europeu vinha afirmar que a intenção da UE era afastar determinados partidos do boletim de voto. Equacionem um cenário em que Orbán, ainda que admitindo a falta de provas, empreendia um vigoroso ataque contra um gigante tecnológico estrangeiro alegando interferência externa.

E se ele não se limitasse a correr com os refugiados? E se fosse a casa deles bombardear a malta até à idade da pedra, removendo no processo os líderes de países soberanos e deixando um rastro de morte e miséria? Era capaz de ser bem pior.

E se apostasse em montar um super-estado federal à revelia da população e ignorasse constantemente as decisões desta? Aí teria, claramente, uma grande parte das características de um fascista.

Felizmente a coisa ainda não está tão preta e Orbán ainda não se transformou nisso.

Os Mitos da Revolução 4.0

O Guilherme, homem das tech e bom liberal, desmistificou, numa recente entrevista, alguns dos mitos à volta da Economia 4.0, com direito a Shumpeter pelo meio. Fica abaixo a entrevista. Recomendo:

O Apartheid Social da Esquerda Racista?

O que ainda não ouvi na exposição de ninguém , relativamente ao clima terceiro mundista que se vive nos concelhos do distrito de Setúbal, é que o tal “apartheid social”, a tal “opressão capitalista” e a tal “impunidade do Estado Policial” acontecem sob a égide do Partido Comunista. O que não se tem dito é que enquanto o Porto, sob executivos de direita, vem fazendo, desde os anos 90, um tremendo esforço para elevar a qualidade de vida da parte inferior da pirâmide social a padrões humanos, locais onde a esquerda tem resultados na faixa dos 80% ainda mantêm as pessoas num padrão de vida na linha de Caracas. Faltou explicar, mesmo que aceitemos a narrativa da violência policial, onde está o racismo quando a polícia entrar a bater nos bairros a norte, cuja população de afro-descendentes é francamente minoritária. Faltou um debate sério relativamente à imigração e questionar se um país nas condições de Portugal tem capacidade para empreender uma política de integração séria – e, na mesma media, se quem vem quer ser integrado. Curiosamente, os mesmos que gritam “Angola é nossa”, são os mesmos que repudiam os imigrantes das antigas colónias, o que é um paradoxo, sendo que na cabeça dos saudosistas estes seriam cidadãos portugueses. E faltou sobretudo, no meio do paleio de parte a parte, uma palavra para quem, independentemente da morada ou da carteira, mantém uma vida honesta e não quer viver sob o sequestro de gangs e delinquentes. No meio disto, tenha vergonha um primeiro-ministro que clareia o seu rosto nos cartazes de campanha, à boa maneira dos politicos mulatos brasileiros do início do século XX, para depois vir usar a arma do racismo em sede parlamentar.

Tenha vergonha a esquerda radical que incendeia tensões a um ponto que conseguirá o que nenhum movimento à direita conseguiu desde 74, eleger deputados de extrema-direita. Tenha vergonha o PNR e restantes viúvas dos ultras, tentando catapular politicamente a sua insignificância política através do medo, com um discurso de café que não disfarça o gosto pela máquina zero. Tenha vergonha a direita, cujo discurso securitário e o “policiamento de proximidade” morrem sempre que chega ao governo.

Mantenho o que aqui escrevi, há coisa de ano e meio:

Há um enorme problema na comunidade cigana, um problema, ainda que em menor escala, com a comunidade africana e um problema gravíssimo, que transcende raça e etnia, e inclui os brancos, nos bairros sociais por este país fora. Quem achar o contrário, ou tem a paisana à perna e não acha grande piada à ideia, ou tem que começar a sair do condomínio fechado, passear nos subúrbios, andar de transporte público a más horas, deixar o gabinete da universidade e passar a leccionar numa escola de bairro, algo do género. Essa bolha do politicamente correcto onde vocês se enfiaram, uma das causas da imunidade que grassa e das reações, algumas bárbaras, que lhe sucedem, mata pessoas. E quando eu digo que mata pessoas não o escrevo num sentido figurativo, mas num bem real.

 

Leitura Complementar: Você já morou num Bairro Social?

Um Fascista também pode ser eleito

Controlo da economia através do conluio com grupos económicos e da infiltração de homens de confiança nos mesmos. Check. Controlo do quarto poder, os meios de comunicação, através da televisão estatal e da tentativa de aquisição dos meios privados que lhe fazem oposição. Check. Violação da separação de poderes através da protecção dos elementos dos poderes legislativo e executivo pelo poder judicial, inutilizando o Supremo Tribunal de Justiça e a Procuradoria Geral da República. Check. Captura do poder legislativo e do poder executivo por grupos económicos. Check. Criação de meios de comunicação a serviço do partido. Check. Utilização extensiva de propaganda através de influenciados, muitas vezes anónimos, cujo objectivo é defender o chefe. Check. Tomada do banco estatal. Check. Captura do Estado pelo partido através da colocação de homens-chave do mesmo. Check. Modelo de economia Modelo económico altamente intervencionista – keynesiano no caso – e corporativista. Check. Utilização de fundos obtidos por desvios ou subornos para financiamento da campanha do partido. Check. Culto da personalidade, manipulação exacerbada da imagem do líder e recorrência a grupos organizados recrutados para esse feito. Check. Utilização da direita neoliberal como inimigo interno e da finança internacional como inimigo externo. Check. Apoio caloroso a ditadores pelo mundo fora. Check.

 

Nota: não quero com isto provar que Sócrates é fascista. Mas que na prática está mais perto que muitos que assim são apelidados pelos seus companheiros, está.

Vítor Gaspar pede mais Impostos, mais Despesa Pública e mais Dívida

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Vítor Gaspar retorna às manchetes, o que constitui sempre uma infelicidade. O único motivo que nos pode deixar felizes por ler uma nova observação de algum membro daquele fatídico governo será, porventura, o estado de coisas em que o país se encontra, com Costa e os Jovem Turcos de um lado e Rio e a Brigada do Reumático do outro. Mas é sempre um perigo tomar como bom o menos mau. A minha teima com Gaspar é antiga. Recordar-se-ão alguns daqueles violentos ataques que lancei, juntamente com muitos dos meus colegas, contra Vítor Gaspar, que uns quantos amigos meus me tentavam assegurar tratar-se de um génio, um milagreiro, uma dádiva divina.
Escrevi, em O Efeito Teixeira dos Santos, que:

Ora parece que o Efeito Teixeiro dos Santos se está a repetir na figura do reputado Vítor Gaspar. Um homem tão capaz, tão capaz, que alinha na estratégia de nos taxar até à morte. Tão sério, tão sério que Governa 2kms ao lado do Programa do Governo. As finanças continuam em cacos e a economia não dá ares de se erguer, portanto falhou. Todas as previsões sobre a receita falharam consecutivamente, falhou portanto. Ainda hoje aparecem buracos e buracos que o próprio não soube encontrar a tempo, falhou portanto. Foi o replay da fanfarra dos modelos matemáticos e do cálculo aplicado. A Tecnocracia no seu esplendor. E nada, zero. O Governo continua a alinhar na estratégia de assalto fiscal e festinhas na despesa. E a crise vai-se agravando, como aquela doença em que,  sem as necessárias cirurgias e tratamentos, meia dúzia de remédios mais não fazem que atrasar a hora da morte. 

Em  Já Basta 2.0 complementei:

Os Tecnocratas perderam o jogo. Tomaram a economia por uma ciência matemática e não uma ciência social. No fim de contas, as contas estavam erradas. Não era preciso ser doutor para prever que o aumento de impostos ia fazer baixar a receita. Não era preciso ser sociólogo para prever que, especialmente, o aumento dos impostos indirectos iria criar uma inflacção de preços que depauperaria famílias e criaria um clima de instabilidade social, até nos mais fiéis apoiantes dos partidos do governo. Não precisamos de génios para prever que o défice ia derrapar. Não foram os buracos, os tais desconhecidos buracos – hoje – mas de que Passos já falava – em eleições. Foi a maneira leviana como foram aplicadas as mais importantes medidas do Memorando. Assegurando um interesse aqui, protegendo um interesse acolá. Foi a incapacidade para cortar despesa. Não umas migalhas, mas o pão inteiro. E foi, repito, esta sádica, anti-social, anti-crescimento ideia de aumentar os impostos até o país morrer de fome. Para trás ficam outros momentos menos felizes que fizemos questão de recordar. 

E como estes, outros tantos. Portugal tem um fascínio messiânico pela figura do contabilista, o que também explica a fervorosa adoração das equivocadas políticas econômicas do Dr. Salazar e do seu suposto milagre na Fazenda – coisa que em ditadura qualquer dona de casa conseguiria. Mas Sotor Gaspar, que asfixiou a economia portuguesa bem para lá do absurdo, trabalhou assim por consentimento do seu chefe.

O chefe de Gaspar, actual figura de proa no mais recente fenómeno sebastiânico da direita portuguesa, foi um sujeito que encheu a administração de compadres, o parlamento de incompetentes e colocou o próprio programa numa gaveta. Por outro lado, o maior adversário de Gaspar dentro do governo foi alguém que nos proporcionou os mais allenescos momentos da alta governação recente – digo allenescos porque como nos filmes de Woody Allen são dramas que nos fazem desatar à gargalhada. E foi isto.

 

Recordo-me que à data, quem à direita não subscrevia a ditadura fiscal do Sotor Gaspar era um traidor à pátria, sem sentido de estado, sem compaixão pelo Dr. Coelho, pobrezinho, que comandava os destinos da nação à mercê da falta de fé do indigenato, cujo estado da barbárie não lhe permitia entender os trâmites da finança internacional e da macroeconomia,. O Dr. Coelho que pouco fez para facilitar o investimento – e baixar impostos não é o único caminho – e apontava sempre para o futuro próximo luz ao fundo do túnel. O Dr. Coelho que substitui Gaspar pela sua alma gémea, irritando o Dr. Portas.

O Dr. Portas que cobiçava a pasta da economia com a qual nada se fez. Nunca comprei a cantiga do governo da coligação como um gestor de insolvência, limitando-se a cumprir ordens de fora. A prova disso foram as inúmeras medidas e recomendações da Troika alteradas ou trocadas a pedido deste ou daquele ministro, a meio de constante gritaria dos barões dos dois partidos. A gestão que foi feita da crise quase aniquilou a classe média e um governo medíocre foi promovido, por base de comparação com governos desastrosos, a um oásis de competência, honestidade e estadismo.

E o Dr. Gaspar, que recompensado pelos seus serviços de bom aluno ingressou na tecnocracia internacional, fazendo agora carreira impondo as suas asneiras a outros países, vem exigir mais impostos. Acha também que é preciso gastar mais de forma significativa e quiçá recorrer a dívida. Quer o Dr. Gaspar prosseguir as políticas que levaram o país a um ponto em que teve que recorrer ao próprio Dr. Gaspar? Não entendo. Mas estas coisas nunca foram de se entender e os técnicos do FMI nunca foram gente de confiança. .

 

A Líder da Oposição

PSD: 37.º Congresso Nacional

Escrevi aqui em Março, na minha Reflexão Pré-Congresso, que o CDS padece, desde a sua génese, de uma lamentável disposição a ser bengala. Esta disposição, originada, a meu ver, por um medo de parar, permite-lhe ir andando, mas também o impede de correr”. Disse também que devia “ambicionar para si o centro-direita, aproveitando a mudança de ciclo do PSD e a jacobinização progressiva do PS”.

Há uns meses, o país político fazia chacota de Assunção Cristas, desde os comentadores do costume, com a profundidade que lhes conhecemos, até aos notáveis de diversos partidos. Tudo porque se havia atrevido a admitir aspirar a liderar a oposição. Hoje lidera-a, sem sombra de dúvida. Em parte, e o seu a seu dono, por mérito próprio, em parte por falta de comparência de Rui Rio. O CDS tem estado na linha da frente do combate à geringonça, mobilizando-se sucessivamente e alcançando vitórias como o chumbo da eutanásia ou a pirueta a que forçou o PCP no caso dos combustíveis. Também o vemos no terreno, aprecie-se mais ou menos o formato.

Quanto ao PSD, pelo que ouvimos das suas raras tomadas de posição, podemos quase que encarar o seu silêncio como sábia prudência, quiçá evitando acrescentar demérito à asneira. O cinzentismo fatal da direita portuguesa, acrescido da típica disfunção ideológica de que vem habitualmente acompanhado e de que Cavaco foi o maior exemplo, vê-se consumado neste mandato onde se fica a crer, até pelo seu último artigo de opinião, que o Presidente do PSD foge do legado da finada coligação como quem foge do tifo, culminando na proeza de finalmente conduzir Santana Lopes a cumprir a eterna promessa de levar consigo o PPD e formar novo partido – ainda que a todos nos tenha desiludido por não apostar numa sigla com as suas iniciais.

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Tertúlia Ideias Radicais

O Instituto Mises Portugal organiza uma tertúlia com o sucesso brasileiro do Youtube Raphaël Lima, dia 16 de Julho às 19h no Grémio Literário. O seu canal Ideias Radicais, onde fala sobre escola austríaca de economia, política, liberalismo e libertarianismo, entre muitos outros temas, conta com 430 000 subscritores.

Lugares Limitados
Inscrição obrigatória: enviar email para misesportugal@gmail.com
Custo de entrada: 5 euros

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