Hora da verdade

Hoje um artigo no económico sobre os timings da complicada teia em que António Costa se deixou envolver.

“Depois de estar a ser conduzido como uma ovelha pelos líderes do PCP e do BE com o apoio dos jovens turcos do PS, pode António Costa fazer uma pirueta invertida e chegar a um entendimento com a PàF. Um entendimento com direito a lugares à mesa no conselho de ministros. Depois de ter feito uma tentativa “séria” de juntar a esquerda, pode invocar a falta de disponibilidade do BE e do PCP para formar um governo enquadrado nos compromissos europeus (…)

No dia seguinte à eleições estava ainda com esperança que estas semanas tivessem sido diferentes. Escrevia então:

Ainda vai a tempo, mas a hora da verdade aproxima-se.

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Seria legítimo um governo de coligação de esquerda?

Sim, seria. Se se demonstrasse que quem ganhou as eleições não tem condições para governar. Nesse caso porque é que não seria legítimo que um governo apoiado por uma maioria dos deputados eleitos governasse?

O primeiro argumento é de que quem votou no PS não votou para que este colocasse no poder partidos anti-Europa ou anti-propriedade privada. Apesar de isto até poder ser verdade, há que ter consciência que quem vota em um partido, delega todos os poderes a esse partido sem restrições para alem das constitucionais. Nas legislativas em Portugal não votamos em primeiros ministros ou em governo. Votamos para eleger representantes para todos as votações que decorrerão durante a legislatura. Não concorda? Mude ou de país ou contribua para a mudança da constituição.

A razão para que a possível coligação de esquerda seja uma ameaça vã passa exactamente pelas consequências nas próximas eleições para o PS. O PS passaria de partido democrático para partido que põe no poder partidos anti-democráticos. A isto acrescenta-se a posição impossível em que o PS se colocaria. Entre as regras europeias e o marxismo velado do BE. Isto porque o PCP já se colocou à parte. O PCP prefere ver o PS e o BE mostrarem que não são verdadeiramente anti-austeridade. Na hora da verdade, tal como o Syriza, não terão outra opção senão ter orçamentos equilibrados. E lá estaria o PCP para acolher, sozinho, os votos dos puros e dos inocentes. E o PS a mostrar que votar nele é inútil. Quem está ao centro estaria melhor no PSD e quem está À esquerda estaria melhor em partidos como o BE.

Em sumário, o PS à frente de uma coligação de esquerda, para acontecer, necessitaria a inviabilização no parlamento de um governo PAF. Depois, seria legítimo com maioria. Não é é de modo algum desejável para o PS. E porque o PS pode ter falta de quase tudo, mas tem de sobra capacidade de sobrevivência política, isto não vai acontecer. O que vai acontecer é teatro, jogos de fumo e espelhos, até à formação de governo PaF com uma abstenção do PS no primeiro orçamento. Mais nada faz sentido.

Não delego

Vim hoje de férias do Brasil para votar. Levei a minha avó à porta das urnas.

Agora depois de terem fechado as urnas em Portugal continental vale a pena lembrar os que não votaram ou votaram em branco, que o que fizeram foi delegar o seu voto pelos eleitores que de facto votaram. Nada contra a liberdade de o fazerem mas espero que o tenham feito em consciência.

De aqui a pouco há sondagens, sendo que a projecção que historicamente acerta já saiu.