Já posso ir dormir

Sem mais dúvidas para tirar hoje à noite. PAF ganha sem maioria absoluta. Costa fica e deixa decisões para depois. PS precisa de BE e PCP para formar um governo de maioria absoluta alternativa. Hoje à noite o que se passar não é para se saber tão cedo que não possa ir dormir.

Não delego

Vim hoje de férias do Brasil para votar. Levei a minha avó à porta das urnas.

Agora depois de terem fechado as urnas em Portugal continental vale a pena lembrar os que não votaram ou votaram em branco, que o que fizeram foi delegar o seu voto pelos eleitores que de facto votaram. Nada contra a liberdade de o fazerem mas espero que o tenham feito em consciência.

De aqui a pouco há sondagens, sendo que a projecção que historicamente acerta já saiu.

Quem tem medo do PS

A frase “Quem se mete com o PS leva” reflecte a realidade dos anos do PS de Sócrates. O poder político, económico e mediático acumulado garantiam um sistema de represálias sentido por muito boa gente. A postura arrogante de António Costa apenas veio lembrar do passado também nesta vertente do que foram esses anos negros.

Não é de admirar portanto que quem estivesse mais exposto ao futuro poder de Costa, quando tudo indicava que o PS ia ganhar as legislativas, estivesse escondido, e também não é de admirar, que à medida que se percebe que o PS não vai poder dar, que cada vez mais pessoas vocalizam o que realmente pensam, sem medo de represálias. Mal, mal está o PS de Costa, quando até dentro do partido já se foi o medo. Já poucos têm medo de levar do PS e menos ainda de levar de Costa.

Radio Bagdad previously known as Bloco Central

Para quem gostar da comédia radiofónica aconselho os comentadores do Bloco Central da TSF. Diariamente Dupond Adão e Silva explica como a campanha mudou de direção e é agora que o PS de Costa vai entrar no rumo para a vitória esmagadora e inevitável e Dupont Marques Lopes explica como todos os indecisos nas sondagens vão inevitavelmente votar no PS. A negação da realidade ao melhor estilo da alucinada rádio Bagdad.

Como nota mais séria entende-se que a TSF aposte nestes comentadores que alem de articulados, têm piada e agradam a linha editorial. Não faz sentido é manter o título bloco central quando, apesar de estar de um lado o representante do PS no bloco central, Pedro Adão e SIlva, do outro estar Marques Lopes que há quase 4 anos é um dos mais vocais críticos de Passos Coelho. Lembro-me que na altura em que correctamente foi criado o programa com o nome bloco central este era exactamente interessante pelo combate entre dois bom comunicadores representando os dois partidos do centro. Um tempo em que Marques Lopes não só  não era crítico de Passos Coelho como quase beijava o chão que este pisava. A vida dá muitas voltas e hoje o programa é outra coisa.

A culpa é de Cavaco Silva

Quem diria há ano em meio que a 10 dias das eleições legislativas PSD e CDS, não só estariam a concorrer juntos, como estariam a liderar nas sondagens? Vale a pena recordar o ruído ensurdecedor da comunicação social na altura a pedir a Cavaco Silva a demissão do governo e eleições antecipadas. Não tenhamos dúvidas que qualquer outro presidente anterior a Cavaco teria alinhado nessa interpretação socialista do que era a vontade do povo. Cavaco não chamou eleições antecipadas e aqui estamos hoje. Na altura a campanha do PS seria fácil à custa do país. Esteja-se ou não satisfeito com tudo o que foi feito e não foi feito durante esta legislatura sabemos pelos resultados destes últimos dois anos que a economia e o emprego não crescem sem o Estado gastar mais simplesmente não é verdade. Cavaco não cedeu e o PS perdeu a mensagem, as armas. Pior do que isso, depois não soube alterar o posicionamento para acompanhar os tempos colando-se à linha anti rigor do Syriza dando voz à linha radical dentro do PS.

Passos e Portas devem um obrigado sentido a Cavaco Silva. Que se lembrem da importância de terem em Belém um presidente que mesmo que não sendo o seu preferido que não seja um inimigo declarado.

Sobre a impossibilidade de pagamento da dívida

Muitos economistas, atrevo-me a dizer a maioria, defendem que é impossível para a Grécia, e mesmo para Portugal pagarem a sua dívida pública. A consequência é de que para que não exista um default descontrolado, que deve existir um default negociado incluindo um acordo de revisão de montantes e de prazos de pagamento.

A conclusão de que as dívidas não são pagáveis tem como base um erro de análise que só não é vergonhoso porque é, ele próprio, um objectivo. O erro passa por considerar (1) como principal meio de pagamento de dívida os superávits orçamentais correntes e (2) a inflexibilidade orçamental. Sendo o segundo erro o mais discutido centro-me no primeiro. É onde está o grosso do erro da análise.

A dívida do Estado, o seu passivo, deve ser comparada com os activos que o Estado tem. Qualquer Estado moderno tem activos em uma ordem de grandeza desproporcional com a sua receita. Portugal ou Grécia não são uma excepção. Não é uma questão de se existem activos para amortizar a dívida mas sim se Portuguese ou Gregos preferem o default ou monetizar esses activos. A monetização destes activos, que passam por Empresas, e imobiliário, principalmente, que podem ser vendidos ou concedidos parece ser tabu e sim, passa pela discussão de qual deve ser o papel do Estado. Um Estado que não tem papel de player na economia não devia controlar activos nesses mercados. A consequência seria a alienação ou pelo menos concessão de longo prazo de enormes porções de terreno, por exemplo. Mesmo direitos económicos que o Estado gere poderiam em teoria ser alienados ou concedidos. São hipóteses, que podendo ser as preferidas ou não pela generalidade da população, não deveriam deixar de ser colocadas em cima da mesa. Historicamente foi assim que vários países saíram de situações de potencial bancarrota.

Na base do erro da análise está a ideia implícita de que nada de substancial no Estado deve ou pode mudar. Com este pressuposto dado como bom até este economista está de acordo, a dívida é impagável e podemos ir mais longe, os Estados em questão são insustentáveis a não ser que continuem a receber transferências externas de financiadores que não existem.

De quem é a culpa

Começo com uma inconfidência. Perguntavam os editores d’O Economista Insurgente, em uma fase que se estava a desenhar o que seria o livro: As pessoas querem saber de quem é a culpa da crise. Quem são os culpados? A resposta que ouviram, depois de alguns segundos que pareceram largos minutos não foi a esperada: Os culpados somos nós, os Portugueses. Os que elegeram quem governou e legislou que nos levaram onde estamos. Quem acreditou em promessas e caminhos fáceis sem questionar a validade das premissas ou as consequências dos actos. Os que se recusam a colocar em causa o status quo do seu ambiente económico mais próximo ao mesmo tempo que colocamos em questão tudo o que nos é alheio. Que não querem ver a incoerência entre o prometido e o possível e mais tarde o realizado.

O povo grego, com ou sem milagre, está apenas a sofrer as consequências de ter eleito o Syriza. Com a democracia vem a responsabilidade. Não existem ditadores paternalistas a quem apontar o dedo. A responsabilidade é de todos os que participam no processo eleitoral. Incluindo os que nada fizeram, que nem sequer votaram ou intervieram nas eleições. Participam por omissão.

Dentro de poucos meses vamos ter eleições em Portugal. Espero que estes últimos anos de sacrifícios para tantos, tenham servido para que cada um de nós entenda a sua responsabilidade. Esta responsabilidade inclui informar e consciencializar as pessoas que nos ouvem para as consequências de elegermos partidos e políticos populistas. Se formos no caminho da Grécia a culpa será apenas de todos e de cada um de nós.

Interesse público no Económico

Hoje num registo mais direto no DE. Não resta paciência para os políticos empresários Lusitanos.

O PS quer a maioria absoluta e quer continuar a mandar na TAP.

Com as contas da TAP como estão não poderá fazer “negócios estratégicos para Portugal” como a compra da Portugália por mais de 100 milhões ou a brasileira VEM por mais de 400 milhões.

Revertendo esta privatização pode abrir caminho para outros negócios. Talvez possa fazer como na PT. Uma “fusão estratégica” com uma empresa amiga, com prejuízos mais tarde para os portugueses em geral e para os trabalhadores em particular.

Só em Portugal é que um partido que se prepara para ir para o governo se pode dar ao luxo de, apesar de ter contribuído para a destruição de uma das maiores e mais importantes empresas nacionais, anunciar que vai reverter um processo legal para poder continuar a ter influência nas suas decisões estratégicas.

Fazem muita falta partidos que não pertencendo ao grupo que geriu o país durante os últimos 40 anos, defenda uma linha de saída do Estado da economia concorrencial. Que coloque o dedo na ferida. Os únicos interesses que são defendidos nestas empresas que continuam na esfera pública são os dos partidos e dos políticos que nelas ainda mandam.”