A “Uber” e a revolução digital – Visão de economista

A questão UBER é muito interessante porque é uma consequência concreta em um sector industrial específico de fenómenos que se estão a passar em vários outros, como por exemplo os media, com uma intensidade e disrupção semelhantes.

O que a plataforma Uber e outras semelhantes permite é a desintermediação e a certificação não centralizada. A primeira é um impacto que se está a fazer sentir há 20 anos em todas as indústrias que dependem de distribuição. A segunda, mais estrutural, vai-se sentir cada vez mais, e tem um impacto profundo nas políticas públicas e é o aspecto mais importante do caso “Uber”. Durante décadas a discussão sobre a certificação em algumas atividades económicas centrava-se na dicotomia estado/sociedade civil. Em algumas atividades existe valor na garantia à priori que de que o fornecedor tem a capacidade e idoneidade para o ser. O consumidor não tem uma forma simples de verificar pelos seus próprios meios sem experimentar e logo existe valor na certificação da qualidade do fornecedor. As guildas/ordens/corporações são a resposta espontânea da sociedade civil. Durante o século XX o Estado meteu-se cada vez mais na certificação, ou dando força monopolista as certificações privadas ou substituindo-se aos certificadores. A questão política era como o Estado devia intervir nestes sectores, se directa ou indirectamente.

A evolução das tecnologias à volta da internet e mobilidade mudam a discussão de maior ou menor papel do Estado para maior ou menor descentralização da certificação. Quem deve certificar que um fornecedor de serviços de transportes de passageiros privado tem ou não condições para o fazer? Preferimos um conjunto de burocracias e regras com o objectivo de garantir que o fornecedor tem qualidade ou confiamos mais na opinião de outros consumidores como nós? Na media, no turismo e nos transportes a certificação descentralizada parece inevitável. Não é de estranhar que estatistas tenham receio do que vem aí. Agora são estas atividades a verem os consumidores a prescindirem do papel do Estado. Mais cedo ou mais tarde serão outras como a educação e a saúde.

A “Uber” e a revolução digital – Visão de insider

Quem tiver prestado atenção à discussão pública sobre a Uber terá percebido que a tecnologia que esta e outras plataformas estão a usar não é complexa nem exclusiva e está ao dispor do tradicional “serviço ao táxi”. Acrescento, estas tecnologias têm sido apresentadas por mais do que um fornecedor nos últimos anos às várias centrais, empresas e associações de táxis há pelo menos 6 anos. Digo com esta certeza porque estive em muitas destas apresentações e consequentes testes e implementações. Foram implementadas várias soluções em Portugal que facilmente poderiam ter todas as funcionalidades que a Uber tem. De facto em alguns casos estas funcionalidades estariam na aplicação original e foram retiradas a pedido do cliente central de táxi tradicional(a Uber é uma central de táxis digital). Ao contrário do que se possa pensar o sector em Portugal é muito aberto a tecnologias e tem uma história de aposta em soluções informáticas e de telecomunicações. O problema não é serem retrógrados ou avessos à inovação. O problema é viverem em um sector altamente regulado, com regras que foram construídas  ao longo dos anos para garantir rendas em um mercado controlado e protegido. A não implementação destas funcionalidades fazia sentido em um mundo sem Uber. Em um mundo em que conseguiam bloquear a inovação com a ajuda do Estado.

As quatro principais funcionalidades permitidas pela tecnologia há pelo menos 6 anos onde existia resistência por parte do sector eram (1) a atribuição automática do serviço ao táxi disponível mais próximo, (2) o conhecimento pelo cliente não só do número do táxi mas também o motorista e uma estimativa do custo da viajem, (3) a emissão de facturas electrónicas automáticas e por fim (4)a classificação do condutor e da viatura para futura consulta. As razões (1), (2) e (4) são explicadas pela passagem de poder de decisão da central para os clientes. Os (2) e (4) têm a ver com razões de ordem prática a que se soma a discricionariedade que os taxistas perderiam para “maximizar o valor da corrida” ou para “minimizar o custo fiscal”.

O sector do serviço ao táxi aguentou pelo menos 6 anos o avanço das possibilidades da tecnologia que aumentam o poder do consumidor. Dado tudo o que se passou no último ano com a perda sistemática de apoio popular e institucional deveriam estar a pensar em como é que se vão adaptar com o mínimo de dores possível.

A adaptação será dolorosa. O valor que o controlo do mercado tinha é fácil de quantificar. Um alvará para a zona de Lisboa comprado por centenas de euros era transacionado por mais de 100.000 Euros. A renda dada pelo Estado a esta indústria em Lisboa valia por licença mais de 100.000 Euros! Um industrial que tenha 50 alvarás está preparar-se para perder 5 milhões de Euros. Tiveram décadas em um mercado protegido com rendas garantidas pelo município com a concorrência limitada e não vão desistir dele sem dar luta. Pelos acontecimentos e discursos recentes, luta no sentido literal.

Follow the lider

Na Blogosfera do DE:

“(....)Esta tem sido a prática deste Governo. Dizer uma coisa a credores e investidores e ao mesmo tempo fazer o seu contrário. Um caminho duplamente perigoso porque não se fica pelo agravamento da situação financeira, destrói a credibilidade dos nossos governantes.

Na Grécia, uma história semelhante acabou com a Europa a exigir tudo antes de se mexer um centímetro. Costa bem disse para quem o quis ouvir : “Vitória do Syriza é um sinal de mudança que dá força para seguir a mesma linha””

 

Tripla tributação

Há um par de semanas tive de explicar a um amigo gestor que vive em outro país não tão avançado democraticamente como o nosso, como funciona a fiscalidade nas deslocações profissionais em Portugal. Ele não acreditou.

Os custos de combustível em uma viatura de um comercial de uma empresa não só não são considerados um custo fiscal como são taxados autonomamente em sede de IRC. Uma taxa que sobe a 20% no caso da vida da empresa correr mal e tiver resultados negativos. Portanto, pagamos IVA sobre o ISV e IRC sobre o ISV, o IVA sobre o produto, e sobre o IVA sobre o ISP. É claro que isto depende do tipo de viatura. Se for uma viatura com um separador entre os bancos da frente e os de trás já não é bem assim, por exemplo. Tudo facílimo de explicar a quem por momento pensa em investir em Portugal.

Sobre este tema ficam umas sugestão para os conselhos do Costa:

1.Pague menos impostos sobre combustível, tire a sua empresa de Portugal. Sem deslocações não há imposto!

2. Quer poupar no combustível? Não vá trabalhar. Ainda aproveita e come em casa.

 

 

Incentivar Consumo ou Produção?

O valor é criado em trocas voluntárias. Sempre que duas entidades económicas fazem uma troca voluntária podemos assegurar que ambas ficaram melhor. Criaram valor. Essa troca poderá ter criado uma externalidade positiva ou negativa para outras entidades económicas sem poder de decisão na troca em concreto.

Quando falamos de políticas públicas em vez de estarmos preocupados com produção e consumo porque não falarmos em trocas com com externalidades positivas ou negativas. Porque podemos produzir sem criar valor. Basta que a produção seja incentivada externamente em valor superior ao que se perderia naturalmente. O mesmo raciocínio com o consumo. Em rigor, a produção não passa de uma complexa rede de consumos, de trocas. De facto esta dicotomia depende da dicotomia indivíduos/empresas. Quando se discute políticas de apoio a consumo vs produção estamos a aceitar a estrutura de análise capital/trabalho. Colocamos em causa a estrutura em vez de a assumirmos como nossa.

Quem acredita que o Estado tem um papel na Economia, que pelo menos oriente as política públicas para incentivar trocas com externalidades positivas e para combater trocas com externalidades negativas. Independentemente das classificação marxista das partes. Há tanto para fazer neste capítulo. Para começar podem combater toda e qualquer barreira a trocas livres neutras para a sociedade. Sem custos para o contribuinte, criando valor, aumentando o PIB.

Rabo de fora

No económico hoje sobre a desgraça que é o OE2016.

“Podia ser que a magia do Orçamento de Centeno estivesse toda em pressupostos inverificáveis à partida. Magia como a dos multiplicadores do crescimento com aumento da despesa pública, que como todos os economistas do calibre de Nicolau Santos e João Galamba sabem que sempre funcionou em Portugal.

Este tipo de magia só à posteriori é que se sabe que é uma burla. Mas não. Avançaram com a classificação do impacto do cancelamento dos cortes salariais, contribuição extraordinária e semanas de 35 horas como não estruturais.

Talvez por estarem habituados a uma audiência que quer ser enganada com a ideia de que a saída para o problema da dívida é aumentando os deficits? Talvez por preferirem que o Orçamento não passe com este nível de insanidade e precisem do bode expiatório europeu? Ou talvez por saberem que este tipo de cortes será mesmo só temporário até ao próximo resgate? Qualquer das razões possíveis é má e triste.

O problema é que neste filme fantástico não somos só audiência, somos também participantes, e não vamos acabar a rir.”

A premissa do governo PS

Diz a teoria que não se deve discutir a tese em si. DIscutam-se as premissas e os mecanismos lógicos que suportam à tese.

A premissa não explicitamente declarada da viabilidade de um governo PS com o apoio de esquerda, passando pela inviabilidade de um governo PaF é a de que será mais fácil um entendimento entre o PS com o PCP e o BE do que com o PSD e CDS. E isto porque as elites nacionais catalogaram o PS de esquerda, com base em exercícios intelectuais complicadíssimos, enquanto o PSD/CDS serão de direita. É uma pena que os ditos intelectuais responsáveis pela opinião publicada tenham mais tempo de antena do que memória ou do que capacidade ou tempo para ler programas eleitorais. Como é que alguém no seu juízo e tendo a tal memória e uma dose mínima de alfabetismo pode colocar o PS ideologicamente mais próximo do BE e do PCP do que do PSD?

A única razão para não estranhar que tantos no PS ignorem esta realidade chocando a maioria do eleitorado do PS é que sabem que se arriscam a morrer politicamente se António Costa não for primeiro ministro. É a ânsia de ficar à tona de água que os leva a afogarem o partido e potencialmente o país. Mas isto não muda o ponto. O votante típico do PS não quer colocar em questão a propriedade privada, a união Europeia ou a Nato. E isto derrota a premissa dos comunistas, bloquistas e jovens turcos que sonham com um governo de António Costa. Seria um governo de Costa mas não seria do PS.

Hora da verdade

Hoje um artigo no económico sobre os timings da complicada teia em que António Costa se deixou envolver.

“Depois de estar a ser conduzido como uma ovelha pelos líderes do PCP e do BE com o apoio dos jovens turcos do PS, pode António Costa fazer uma pirueta invertida e chegar a um entendimento com a PàF. Um entendimento com direito a lugares à mesa no conselho de ministros. Depois de ter feito uma tentativa “séria” de juntar a esquerda, pode invocar a falta de disponibilidade do BE e do PCP para formar um governo enquadrado nos compromissos europeus (…)

No dia seguinte à eleições estava ainda com esperança que estas semanas tivessem sido diferentes. Escrevia então:

Ainda vai a tempo, mas a hora da verdade aproxima-se.

Seria legítimo um governo de coligação de esquerda?

Sim, seria. Se se demonstrasse que quem ganhou as eleições não tem condições para governar. Nesse caso porque é que não seria legítimo que um governo apoiado por uma maioria dos deputados eleitos governasse?

O primeiro argumento é de que quem votou no PS não votou para que este colocasse no poder partidos anti-Europa ou anti-propriedade privada. Apesar de isto até poder ser verdade, há que ter consciência que quem vota em um partido, delega todos os poderes a esse partido sem restrições para alem das constitucionais. Nas legislativas em Portugal não votamos em primeiros ministros ou em governo. Votamos para eleger representantes para todos as votações que decorrerão durante a legislatura. Não concorda? Mude ou de país ou contribua para a mudança da constituição.

A razão para que a possível coligação de esquerda seja uma ameaça vã passa exactamente pelas consequências nas próximas eleições para o PS. O PS passaria de partido democrático para partido que põe no poder partidos anti-democráticos. A isto acrescenta-se a posição impossível em que o PS se colocaria. Entre as regras europeias e o marxismo velado do BE. Isto porque o PCP já se colocou à parte. O PCP prefere ver o PS e o BE mostrarem que não são verdadeiramente anti-austeridade. Na hora da verdade, tal como o Syriza, não terão outra opção senão ter orçamentos equilibrados. E lá estaria o PCP para acolher, sozinho, os votos dos puros e dos inocentes. E o PS a mostrar que votar nele é inútil. Quem está ao centro estaria melhor no PSD e quem está À esquerda estaria melhor em partidos como o BE.

Em sumário, o PS à frente de uma coligação de esquerda, para acontecer, necessitaria a inviabilização no parlamento de um governo PAF. Depois, seria legítimo com maioria. Não é é de modo algum desejável para o PS. E porque o PS pode ter falta de quase tudo, mas tem de sobra capacidade de sobrevivência política, isto não vai acontecer. O que vai acontecer é teatro, jogos de fumo e espelhos, até à formação de governo PaF com uma abstenção do PS no primeiro orçamento. Mais nada faz sentido.

O pecado de José Rodrigues dos Santos

Não, não foi ter dito uma frase infeliz. O seu pecado foi ter enfrentado Sócrates. As amebas que se passam por intelectuais, admiradoras do autoritário corrupto, nunca lhe o perdoaram.

Já posso ir dormir

Sem mais dúvidas para tirar hoje à noite. PAF ganha sem maioria absoluta. Costa fica e deixa decisões para depois. PS precisa de BE e PCP para formar um governo de maioria absoluta alternativa. Hoje à noite o que se passar não é para se saber tão cedo que não possa ir dormir.

Dúvidas da noite

PAF vai ter maioria absoluta?

Se não,

Costa demite-se (Se sim não há dúvida)?

E,

PS + BE conseguem maioria de deputados?

Pelas votações em Lisboa e Porto já apuradas a maioria grande e boa, a absoluta, ser alcançável.

Não delego

Vim hoje de férias do Brasil para votar. Levei a minha avó à porta das urnas.

Agora depois de terem fechado as urnas em Portugal continental vale a pena lembrar os que não votaram ou votaram em branco, que o que fizeram foi delegar o seu voto pelos eleitores que de facto votaram. Nada contra a liberdade de o fazerem mas espero que o tenham feito em consciência.

De aqui a pouco há sondagens, sendo que a projecção que historicamente acerta já saiu.

Quem tem medo do PS

A frase “Quem se mete com o PS leva” reflecte a realidade dos anos do PS de Sócrates. O poder político, económico e mediático acumulado garantiam um sistema de represálias sentido por muito boa gente. A postura arrogante de António Costa apenas veio lembrar do passado também nesta vertente do que foram esses anos negros.

Não é de admirar portanto que quem estivesse mais exposto ao futuro poder de Costa, quando tudo indicava que o PS ia ganhar as legislativas, estivesse escondido, e também não é de admirar, que à medida que se percebe que o PS não vai poder dar, que cada vez mais pessoas vocalizam o que realmente pensam, sem medo de represálias. Mal, mal está o PS de Costa, quando até dentro do partido já se foi o medo. Já poucos têm medo de levar do PS e menos ainda de levar de Costa.

Radio Bagdad previously known as Bloco Central

Para quem gostar da comédia radiofónica aconselho os comentadores do Bloco Central da TSF. Diariamente Dupond Adão e Silva explica como a campanha mudou de direção e é agora que o PS de Costa vai entrar no rumo para a vitória esmagadora e inevitável e Dupont Marques Lopes explica como todos os indecisos nas sondagens vão inevitavelmente votar no PS. A negação da realidade ao melhor estilo da alucinada rádio Bagdad.

Como nota mais séria entende-se que a TSF aposte nestes comentadores que alem de articulados, têm piada e agradam a linha editorial. Não faz sentido é manter o título bloco central quando, apesar de estar de um lado o representante do PS no bloco central, Pedro Adão e SIlva, do outro estar Marques Lopes que há quase 4 anos é um dos mais vocais críticos de Passos Coelho. Lembro-me que na altura em que correctamente foi criado o programa com o nome bloco central este era exactamente interessante pelo combate entre dois bom comunicadores representando os dois partidos do centro. Um tempo em que Marques Lopes não só  não era crítico de Passos Coelho como quase beijava o chão que este pisava. A vida dá muitas voltas e hoje o programa é outra coisa.

A culpa é de Cavaco Silva

Quem diria há ano em meio que a 10 dias das eleições legislativas PSD e CDS, não só estariam a concorrer juntos, como estariam a liderar nas sondagens? Vale a pena recordar o ruído ensurdecedor da comunicação social na altura a pedir a Cavaco Silva a demissão do governo e eleições antecipadas. Não tenhamos dúvidas que qualquer outro presidente anterior a Cavaco teria alinhado nessa interpretação socialista do que era a vontade do povo. Cavaco não chamou eleições antecipadas e aqui estamos hoje. Na altura a campanha do PS seria fácil à custa do país. Esteja-se ou não satisfeito com tudo o que foi feito e não foi feito durante esta legislatura sabemos pelos resultados destes últimos dois anos que a economia e o emprego não crescem sem o Estado gastar mais simplesmente não é verdade. Cavaco não cedeu e o PS perdeu a mensagem, as armas. Pior do que isso, depois não soube alterar o posicionamento para acompanhar os tempos colando-se à linha anti rigor do Syriza dando voz à linha radical dentro do PS.

Passos e Portas devem um obrigado sentido a Cavaco Silva. Que se lembrem da importância de terem em Belém um presidente que mesmo que não sendo o seu preferido que não seja um inimigo declarado.

Sobre a impossibilidade de pagamento da dívida

Muitos economistas, atrevo-me a dizer a maioria, defendem que é impossível para a Grécia, e mesmo para Portugal pagarem a sua dívida pública. A consequência é de que para que não exista um default descontrolado, que deve existir um default negociado incluindo um acordo de revisão de montantes e de prazos de pagamento.

A conclusão de que as dívidas não são pagáveis tem como base um erro de análise que só não é vergonhoso porque é, ele próprio, um objectivo. O erro passa por considerar (1) como principal meio de pagamento de dívida os superávits orçamentais correntes e (2) a inflexibilidade orçamental. Sendo o segundo erro o mais discutido centro-me no primeiro. É onde está o grosso do erro da análise.

A dívida do Estado, o seu passivo, deve ser comparada com os activos que o Estado tem. Qualquer Estado moderno tem activos em uma ordem de grandeza desproporcional com a sua receita. Portugal ou Grécia não são uma excepção. Não é uma questão de se existem activos para amortizar a dívida mas sim se Portuguese ou Gregos preferem o default ou monetizar esses activos. A monetização destes activos, que passam por Empresas, e imobiliário, principalmente, que podem ser vendidos ou concedidos parece ser tabu e sim, passa pela discussão de qual deve ser o papel do Estado. Um Estado que não tem papel de player na economia não devia controlar activos nesses mercados. A consequência seria a alienação ou pelo menos concessão de longo prazo de enormes porções de terreno, por exemplo. Mesmo direitos económicos que o Estado gere poderiam em teoria ser alienados ou concedidos. São hipóteses, que podendo ser as preferidas ou não pela generalidade da população, não deveriam deixar de ser colocadas em cima da mesa. Historicamente foi assim que vários países saíram de situações de potencial bancarrota.

Na base do erro da análise está a ideia implícita de que nada de substancial no Estado deve ou pode mudar. Com este pressuposto dado como bom até este economista está de acordo, a dívida é impagável e podemos ir mais longe, os Estados em questão são insustentáveis a não ser que continuem a receber transferências externas de financiadores que não existem.

De quem é a culpa

Começo com uma inconfidência. Perguntavam os editores d’O Economista Insurgente, em uma fase que se estava a desenhar o que seria o livro: As pessoas querem saber de quem é a culpa da crise. Quem são os culpados? A resposta que ouviram, depois de alguns segundos que pareceram largos minutos não foi a esperada: Os culpados somos nós, os Portugueses. Os que elegeram quem governou e legislou que nos levaram onde estamos. Quem acreditou em promessas e caminhos fáceis sem questionar a validade das premissas ou as consequências dos actos. Os que se recusam a colocar em causa o status quo do seu ambiente económico mais próximo ao mesmo tempo que colocamos em questão tudo o que nos é alheio. Que não querem ver a incoerência entre o prometido e o possível e mais tarde o realizado.

O povo grego, com ou sem milagre, está apenas a sofrer as consequências de ter eleito o Syriza. Com a democracia vem a responsabilidade. Não existem ditadores paternalistas a quem apontar o dedo. A responsabilidade é de todos os que participam no processo eleitoral. Incluindo os que nada fizeram, que nem sequer votaram ou intervieram nas eleições. Participam por omissão.

Dentro de poucos meses vamos ter eleições em Portugal. Espero que estes últimos anos de sacrifícios para tantos, tenham servido para que cada um de nós entenda a sua responsabilidade. Esta responsabilidade inclui informar e consciencializar as pessoas que nos ouvem para as consequências de elegermos partidos e políticos populistas. Se formos no caminho da Grécia a culpa será apenas de todos e de cada um de nós.

Interesse público no Económico

Hoje num registo mais direto no DE. Não resta paciência para os políticos empresários Lusitanos.

O PS quer a maioria absoluta e quer continuar a mandar na TAP.

Com as contas da TAP como estão não poderá fazer “negócios estratégicos para Portugal” como a compra da Portugália por mais de 100 milhões ou a brasileira VEM por mais de 400 milhões.

Revertendo esta privatização pode abrir caminho para outros negócios. Talvez possa fazer como na PT. Uma “fusão estratégica” com uma empresa amiga, com prejuízos mais tarde para os portugueses em geral e para os trabalhadores em particular.

Só em Portugal é que um partido que se prepara para ir para o governo se pode dar ao luxo de, apesar de ter contribuído para a destruição de uma das maiores e mais importantes empresas nacionais, anunciar que vai reverter um processo legal para poder continuar a ter influência nas suas decisões estratégicas.

Fazem muita falta partidos que não pertencendo ao grupo que geriu o país durante os últimos 40 anos, defenda uma linha de saída do Estado da economia concorrencial. Que coloque o dedo na ferida. Os únicos interesses que são defendidos nestas empresas que continuam na esfera pública são os dos partidos e dos políticos que nelas ainda mandam.”

Porque é que Sócrates recusou a proposta de alteração de condições de prisão preventiva

Não foi por causa da pulseira electrónica. Muito menos a razão se pode encontrar nos quatro parágrafos da resposta e justificação para a recusa. Sócrates não pode aceitar porque se ganhava liberdade e conforto ficaria proibido os contactos com associados e amigos com influência. Sócrates não troca a peça mais importante da sua estratégia, a sua capacidade de influência directa, por uns meses de conforto.

Privatizações – A inversão do ónus da prova

A questão que parece ser sempre colocada quando se discute a privatização de uma empresa controlada pelo Estado é o porquê da sua alienação. Porque é que o governo vai privatizar a empresa.

O Estado deve alocar os recursos públicos, no seu sentido mais lato, de acordo a cumprir com as suas funções. Atrevo-me a assumir que existe acordo nesta platitude.

Se o Estado é dono, diretamente ou indiretamente de uma empresa, então está a colocar aí recursos. Existe uma escolha nem que seja por omissão. O esforço financeiro, quer no valor da empresa, quer em financiamento da atividade dessa empresa, poderia ser empregue no financiamento de outra atividade. É simples e creio que continuamos de acordo.

Se estamos de acordo então porque é que quando discutimos privatizações não se faz a pergunta porque é que cada empresa controlada pelo Estado, direta ou indiretamente, deve ser pública? O que é que justifica essa alocação dos limitados recursos do Estado?

Esta é a mesma lógica que deveria ser aplicada ao orçamento do Estado como um todo. A necessidade de um orçamento de base zero pode se derivada da mesma premissa. Em vez de se discutir um corte sobre uma alínea de despesa, deve-se justificar a existência dessa mesma alínea.

O Estado não está preparado para o fazer? Então criar as ferramentas humanas e processuais para que o seja deveria ser um dos eixos de uma reforma do Estado.

Causas e consequências da coligação CDS e PSD

Artigo de opinião no DE de hoje sobre a coligação anunciada. Quem diria que estas eleições legislativas seriam tão renhidas como parece que vão ser?

PS: Editado para corrigir o que seria uma realidade pós eleitoral alternativa, a coligação PS/PSD.

Análise anterior à questão da coligação

Na SIC mulher, O Insurgente volta ao Mais Mulher

Às 17:30 na Sic Mulher, programa mais mulher, podem ver-nos, à Daniela Silva e a mim, a comentar a ascenção dos partidos de franja por essa Europa fora. Esta participação regular em um espaço que não é conhecido pela opinião política e económica é encorajador para quem acredita que as ideias liberais têm adesão em Portugal.

Dois lobos e um cordeiro

Os partidos do centro ou do poder estão a perder a hegemonia para partidos populistas à esquerda e à direita. UKYP em Inglaterra, Podemos em Espanha, Syriza na Grécia, Frente nacional em França ganham ou estão à frente de sondagens para eleições. Serão estes partidos assim tão diferentes dos partidos incumbentes? Talvez não.

Benjamin Franklin disse “Democracy is two wolves and a lamb voting on what to have for lunch. Liberty is a well-armed lamb contesting the vote”. O carneiro sacrificial depende da existência de uma constituição que o defenda contra os lobos. As constituições dos países da Europa do Sul não estão lá para defender os cordeiros. E os cordeiros portugueses são os menos defendidos. Estamos lá para pagar impostos hoje e amanhã.

Os países da Europa do sul tiveram partidos populistas do centro a prometerem aumentos de direitos pagos pelo Estado, sem explicarem que se estes não são pagos por impostos, serão pagos com aumento de dívida. Enquanto a realidade não bateu de frente os lobos da maioria dos vários países do Sul da Europa continuaram contentes com os partidos do chamado centro. Podia existir corrupção mas era a festa do modelo social do Norte da Europa, mesmo depois do Norte da Europa ter reformado o seu Estado dado  este não ser viável sem petróleo (a excepção Norueguesa está a para confirmar a regra). Pelo Sul da europa continuou-se a distribuir até ao dia em que não foi mais possível pedir emprestado.

O colapso da credibilidade dos partidos do centro criou espaço para novos entrantes, em especial para novos partidos populistas. Partidos nacionalistas ou neo-Marxistas com caminhos para felicidade que não tocam nos direitos adquiridos e as expectativas dos lobos do sul ficaram com caminho aberto. Caminho aberto para chegarem ao poder e mostrarem ao eleitorado que, sem a possibilidade de aumento do endividamento ou de impostos não há nem sol na eira nem chuva no nabal. Não, estes partidos tendo como base de apoio popular ideias diferentes são na sua essência iguais aos do centrão. Só não passaram ainda pelo crivo do poder.

O que se está a passar na Grécia é o melhor exemplo da igualdade na diferença do Syriza em relação a um PASOK.  Será diferente por não estar corrompida por décadas no arco do poder. Será igual porque chegou ao poder prometendo o que não é possível, a manutenção do status quo e no Euro ao mesmo tempo. O azar de pelo menos o Podemos em Espanha, e da meia dúzia de movimentos e partidos em Portugal que queriam ser os Syrizas lusos é de que vai-se tornando evidente para todos que a única mudança que o Syriza trouxe para a Grécia não foi para melhor. Os eleitores podem ser crédulos mas não são burros. Têm que ter pelo menos a prespectiva que existirá pelo menos um cordeiro à mesa.

O PSD, o CDS, Hotelling, D’Hondt e os outros

As próximas eleições legislativas vão ter mais interesse do que estávamos à espera há dois anos atrás. Por um lado a coligação PSD e CDS conseguiu fazer crescer o PIB e sair do programa da Troika sem problemas imediatos de financiamento. Por outro  lado o PS debate-se com problemas que se tendem a agravar com o aproximar das eleições, como o desgaste da imagem de António Costa e a evolução do caso Sócrates. Isto significa que o PSD pode ficar à frente do PS sozinho ou coligado com o CDS. É de lembrar que mesmo que sem maioria absoluta, uma coligação PSD/CDS, se vencesse seria chamada a governar. Por outro lado o CDS é o parceiro de coligação menos improvável do PS se este ganhar sem maioria absoluta, o cenário mais provável.

Dados os resultados falta fazer a análise de cenários para os quais contamos com a contribuição dos senhores D’Hondt e Hotelling. O senhor D’Hond diz que, dadas as distribuições históricas das votações do PSD e CDS, estes conseguem mais deputados no total se forem separados a eleições. O senhor D’Hondt diz que o ideal em geral é que se o PSD acreditar que vai ganhar as eleições sem maioria absoluta, deve fazer um acordo pré-eleitoral sem eleições. A coligação com o CDS é interessante se com isto evitar a vitória do PS.

Para o CDS existem dois cenários em que não é melhor ir sozinho a eleições. Se o PSD tiver maioria absoluta, o que parece altamente improvável, ou se o PS ganhar e conseguir coligar-se com outros partidos à esquerda obtendo assim a maioria absoluta, sem o CDS, outro cenário também improvável.

O senhor Hotelling, cujo modelo de localização foi adaptado pelo senhor Downs ao jogo que são as eleições, diz que claramente o CDS e o PSD devem ir sozinhos, sem coligação. E dizem-no especialmente no contexto internacional, em que aparecem partidos à esquerda e à direita dos partidos tradicionais de poder. Em Portugal não existem opções à direita hoje. Até às eleições há tempo. É que sozinhos, PSD e CDS, poderão diferenciar a mensagem e ser apelativos a nichos de eleitorado no limite incompatíveis entre si. Poderá o CDS atrair de novo os jovens urbanos liberais, os agricultores? Poderá o PSD apelar mais seriamente sem o CDS ao eleitorado que valoriza a responsabilidade e o respeitinho? Sozinhos conseguirão com certeza ocupar mais espaço político, bloqueando mais eficientemente a entrada de novos partidos.

Parece certo que Hoteling e D’Hondt estão de acordo em aconselhar o CDS a não se coligar com o PSD e as coligações são como o Tango, é necessária a vontade de ambas as partes. O sr Hotelling não percebe porque é que não há mais partidos do lado direito da linha que estejam interessados no seu conselho. Espaço não falta, ao contrário do lado esquerdo da linha onde já não há ar para respirar. O Sr. D’Hondt avisa que se aparecerem esses partidos que o seja o mais cedo possível. Se não tiverem massa suficiente, ainda poderão ir a tempo de se coligarem com o PSD ou CDS. Mais tarde poderá ser tarde de mais, pelo menos para estas eleições.

Notas:

Sobre o método de Hondt aplicado a Portugal

Sobre o modelo de Hoteling e a sua adaptação a eleições

A Grécia não sai do Euro em Fevereiro – Fuck the Germans

Parece claro que não acertei na previsão de que a Grécia sairia do Euro em Fevereiro.

Não saiu porque o governo grego preferiu continuar o jogo, mentindo à vez a gregos e a parceiros Europeus. Quando dizemos que o acordo atingido é vago e não é para cumprir queremos dizer o que Varoufakis explicou em entrevista em grego para os gregos esta semana. Continuo a acreditar que o governo Syriza vai cumprir com o programa com que foi eleito e que mais cedo ou mais tarde, quando for necessário mais dinheiro, vai mesmo sair do Euro.

Tal como António Costa, Varoufakis não devia contar que outros que não os ouvintes ficassem a saber o que disse. Só falta chamar de otários aos parceiros Europeus. Acreditar que esta estratégia vai a algum lado é ignorar por completo os instintos mais básicos de qualquer ser humano.

“(…)

Hatzinikolaou: My fundamental question about the e-mail is whether or not it entails layoffs in the public sector (which the e-mail sent by former Minister of Finance Hardouvelis did include), if it entails pension reductions (again, the e-mail of Hardouvelis did contain cuts in supplementary pensions), if it entails wage reductions.

Varoufakis: I will answer to all these questions, since these are very specific questions, and it is best that we speak forthrightly. My answer to all of these questions is NO, in NO WAY. (…)

Hatzinikolaou: You know what I mean: this is when we will stop having this harsh monitoring that we now have.

Varoufakis: Look, you are right on that. But the Memorandum is finished! Because you know what the Memorandum is? It is a series of conditionalities and criteria that needed to be fulfilled. These criteria are now over! (…)

(…) (Varoufakis) You know, they have asked me to stop talking about cancelation of the debt, but talk instead of its restructuring. You, too, have said that we should not be playing with words. The restructuring of the debt is exactly that – a debt reduction.(…)”

(…)

Varoufakis: Of course, and we were right. I am not talking about prolongation. I am talking about SWAPS of the debt that will effectively decrease it to a very big extent.

(…)

Hatzinikolaou: I certainly hope so. What about the privatizations, do all of them proceed as I understand? Those privatizations that have been initiated by the former government, do these continue?

Varoufakis: Look, what we have announced – if you read carefully our text, you will see a creative ambiguity in it – those that have been ‘completed-completed’ are obviously completed. It is the law of the state. There is a continuity in state affairs. Nobody expected, and we certainly did not intend, to offend a process that has already been completed.

In terms of those privatizations that are ongoing, as we said – did you read what we said? – the law will be implemented. The law gives the ability to the Greek government both to change the terms of the process, but also to check on the legality of such process.

(…)”

Os parceiros Europeus só serão enganados se quiserem. E Varoufakis faz o possível para que percam a cara no caminho. Nas palavras dele “Fuck the germans”.

Um passo a trás para dar dois para a frente – Porque é que a Grécia sai do Euro em Fevereiro.

A primeira leitura do acordo alcançado entre a Grécia e os parceiros Europeus parece indicar uma cedência em toda a linha pela Grécia. A segunda leitura diz que não. De facto o acordo compromete o Syriza com a cedência nos pontos soft do seu programa. Questões de nomenclatura. A existência de compromissos substanciais depende de só e apenas da listagem de medidas que devem ser apresentadas hoje. Tudo correndo como previsto hoje o governo grego apresentará como medidas o seu programa de governo que acreditam ser o caminho para a prosperidade e crescimento. O superávit público alcançado pelo lado da receita e só em pequena medida pelo lado da despesa pública. Re-contratar, voltar atrás com cortes em salários, pensões. Acabar com a corrupção e com a evasão fiscal. Sol na eira, chuva no nabal e férias na praia. Ao contrário do efeito do corte na despesa, estas políticas e medidas terão um impacto imediato negativo directo nas contas públicas. O impacto de médio prazo incerto.Tudo correndo como esperado estas medidas não passarão o crivo técnico e serão rejeitadas pelos parceiros internacionais. Os tais que também gozam de soberania e têm o direito de decidir o que fazer do seu dinheiro. O Syriza conta ter dado um passo atrás na sexta para dar dois passos à frente hoje. A expectativa continua a ser a mesma. A Grécia sai do Euro já em Fevereiro.

Tudo como previsto – Porque é que a Grécia sai do Euro já em Fevereiro

Tudo corre como previsto. A Grécia não cede um milímetro nas suas pretensões. A Alemanha também não. Apesar do que jornalistas e opion makers possam dizer, este resumo é claro para quem quiser ler o que está e o que não escrito na proposta grega e na reação não oficial alemã.

A razão para que tantos que leram em primeira mão os documentos tenham feito uma leitura diferente é a agenda. Existe uma parte significativa da opinião, especialmente dos países de sul da Europa, que acreditam que o caminho passa pela mutualização da dívida, alguns sendo a favor da centralização das políticas orçamentais, outros não. Se os países do Norte, que não acreditam que a monetização da dívida é o caminho para o crescimento, aceitassem a proposta Grega, estariam a cair na armadilha e a entrar no caminho para a mutualização e irresponsabilidade fiscal.

Tudo a correr como previsto, estando claras as posições, o início da saída da Grécia do Euro tal como ele existe está por dias, senão for mesmo este fim de semana. Sabem o que acontece no final do mês? Salários, subsídios e pensões.

Links via BZ em Golpe de mestre?

O substracto – Porque é que a Grécia sai do Euro em Fevereiro

Nos artigos de há 3 semanas escrevi porque é entendia que a Grécia sairia do Euro até ao final do mês. As coisas correm como previsto. O governo grego não quer cumprir com os acordos previamente estabelecidos e quer ter soberania fiscal. Ao mesmo tempo precisa de dinheiro, porque o socialismo e a xenofobia ganham eleições mas não pagam contas. Das contrapartes Europeias a resposta é a esperada. Não há dinheiro se não quiserem cumprir com os acordos. Não há dinheiro se não quiserem políticas de responsabilidade fiscal.

O que está na base desta situação são duas visões incompatíveis sobre qual poder deve ter o Estado sobre a moeda. Em resumo, deve o Estado poder financiar-se com emissão de moeda própria ou não. A Alemanha lidera o bloco que defende que não. Neste momento a Grécia é o bloco que diz claramente que sim. É esse o caminho alternativo para o crescimento que Syrizas, Podemos e PS preconizam. Se o bloco fiscalmente responsável do Norte da Europa emprestar dinheiro à Grécia, será para patrocinar a implementação desta visão com que não concordam. A Grécia seria o foco de uma infecção que destruiria o Euro tal como ele foi desenhado. Esta é a razão central para ter a certeza de que a Grécia sai do Euro. E sai do Euro em Fevereiro porque a partir do momento em que estiver claro que não vão ter o dinheiro que precisam para aplicar as políticas populistas com que se comprometeram têm tudo a ganhar em controlar a moeda e o fluxo de capitais. Não vai ser bonito para a Grécia, mas a democracia e a soberania têm destas coisas. Por isso é que vale a pena pensar bem antes de ir votar ou de ficar em casa, aceitando o resultado do voto alheio.

Porque é que a Grécia sai do Euro já em Fevereiro…

Tsipras o inimigo da liberdade?

“(Não) me engana que eu (não) gosto” – Porque é que a Grécia sai do Euro em Fevereiro (2)