Da libra em Genebra às regras de Basileia

“A mudança que hoje se sente na actividade financeira, em particular na banca, é motivada pelas novas tecnologias, mas também pela regulação bancária.”

Destaque do meu artigo de hoje no ECO – Economia Online. Sobre as mudanças no sector financeiro e o financiamento da economia.

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Depois de Draghi, a internet da moeda

“Depois de os Estados terem salvado os bancos da falência e de os Estados terem sido salvos pelos bancos centrais, receio que não haja quem venha a salvar os bancos centrais se tal for necessário.”

Destaque do meu artigo de hoje no ECO – Economia Online. Sobre as medidas não convencionais dos bancos centrais e a emergência das “altcoins”.

A Iniciativa Liberal e eu

Quando, no final de Fevereiro, anunciei que era candidato ao Parlamento Europeu pela Iniciativa Liberal, abracei o desafio da política activa de corpo e alma, com entusiasmo e convicção. Foi o início de uma caminhada que terminaria a 26 de Maio, durante a qual me coloquei à prova, batendo-me pelas ideias nas quais acredito. Tendo sido a minha primeira experiência na política e o primeiro acto eleitoral da Iniciativa Liberal, só posso estar imensamente grato às quase 30.000 pessoas que votaram nas ideias liberais e a todos aqueles que comigo percorreram o caminho das europeias. Bem hajam.

Foi com orgulho e muita satisfação que, pela primeira vez na democracia portuguesa, levámos a palavra liberal a votos, sem quaisquer pruridos, com todas as suas letras e com todo o seu significado. Pela primeira vez, que eu tenha visto em Portugal, pessoas juntaram-se para defender sem hesitações, e à vista de todos, o liberalismo. A votação obtida, com maior expressividade nos concelhos de Lisboa, do Porto e, também, no estrangeiro – as três áreas do País nas quais superámos a fasquia dos 2% -, permitiria encher um estádio da primeira divisão e fazer a festa liberal. É uma imagem que ficará no espírito e que certamente constituirá estímulo para o futuro.

Sempre entendi que a política deve ser vivida com convicção, mas também com independência. Foi assim, como independente, que me candidatei e é assim, como independente, que agora saio de cena. A razão é simples e cristalina: depois de me ter dedicado intensamente à Iniciativa Liberal, é agora minha obrigação regressar à vida privada, reconstituir a vida profissional, e cuidar da minha família que continua a crescer. Faço-o acreditando que valorizei o partido e que contribuí para a sua emergência no panorama político-partidário nacional.

Foi sob o desígnio da “política de futuro sem os políticos do passado” que assumi o compromisso das europeias junto do Carlos Guimarães Pinto, a quem presto homenagem pela liderança e inspiração que tem proporcionado ao partido. O Carlos, um amigo e um companheiro, é o John Galt da política portuguesa. É, pois, minha convicção de que, sob o mesmo desígnio, a Iniciativa Liberal vencerá os próximos desafios, trazendo para a política portuguesa pessoas que, tal como eu, aspiram à mudança. As pessoas são a prioridade da política e são a força da Iniciativa Liberal. Quanto a mim, continuarei na batalha pelas ideias liberais. A forma será diferente, mas a convicção será a mesma.

Com um abraço, do Ricardo Arroja.

O czar das finanças

“Centeno: recursos públicos devem ser usados sabiamente.” (via Negócios 10/05)

A intervenção do ministro das Finanças sintetiza a sua filosofia política: ele é o sábio. Na minha opinião, trata-se de uma abordagem muito perigosa e manifestamente anti-liberal, por várias razões. Primeiro, porque legitima a opacidade que inviabiliza o escrutínio da governação. É uma crítica que se aplica inteiramente a este ministro em particular, conhecidos que são os seus truques governativos. Segundo, porque permite ao sábio das finanças a centralização da despesa do Estado que, constituindo uma prática não-democrática, submete a execução do Orçamento do Estado aos humores do ministro. É também uma forma de nada fazer pela gestão descentralizada da administração pública. Terceiro, em resultado de um e de dois, porque distancia o Estado dos contribuintes, que são a base da legitimidade governamental. Em suma, é uma filosofia anti-liberal ou, dito de outra forma, czarista.

A crítica anterior em nada invalida o mérito e a necessidade dos especialistas. Recordo-me, aliás, de uma obra, publicada há uns anos, intitulada “A morte da competência” de Tom Nichols, que apontava a necessidade de valorizar o conhecimento específico, numa sociedade em que qualquer um facilmente se sente um especialista. A sociedade precisa dos seus especialistas, isso é indiscutível, e os especialistas também precisam de manter as suas reputações. Mas a valorização do conhecimento especializado numa sociedade aberta e democrática não se faz com os especialistas em bicos de pés. Faz-se com informação, discussão e deliberação. Um processo em que é o especialista que procura persuadir o cidadão, que seguidamente lhe passa o cheque depois de passado o crivo. Mas em Portugal temos o inverso. Temos a soberba do especialista, que sequestra os recursos do cidadão com mais e mais impostos, mas a quem os cidadãos devem ouvir e obedecer passivamente. Temos um czar.

O polígrafo para este homem!

“Não há corte nenhum de 7% e também não há aumento nenhum porque trata-se de uma proposta. É uma das mentiras desta campanha, a ideia de que Portugal aceitou um corte de 7% nos fundos de coesão.”, no Negócios de hoje 10/05.

Podem começar por aqui (p.29). O ex-ministro do desinvestimento, que em representação do governo português negociou a dita proposta (que inclui um corte de 7%, sim senhor), é agora o candidato da desinformação.