Miserável

“A balbúrdia e a confusão estão instaladas na Segurança Social. A provedora da Justiça já denunciou os atrasos cada vez maiores no pagamento das reformas. As falhas têm aumentado gradualmente e a falta de pagamento devido ao atraso, em muitos casos, supera mais de um ano de espera. O problema é grave e tem-se agudizado como afirmou a provedora da Justiça. Pensões de velhice, invalidez, de sobrevivência e outras prestações por morte não são concedidas em tempo útil e as pessoas desesperam. De que vão viver? De esmolas ou suicidam-se?”, António Cândido Miguéis, Vila Real (nas cartas ao director do Público de hoje 26/04/2019).

O Estado português, e a Segurança Social em particular, é fiel depositário das contribuições sociais que os cidadãos vão fazendo ao longo das suas vidas contributivas. Com a tecnologia que hoje existe na Europa é inaceitável que os pedidos de reforma não sejam despoletados instantaneamente e, pior ainda, que as pessoas sejam enviadas para a fila de espera meses a fio. É destes exemplos que falo quando me refiro ao fracasso do Estado português. Este exemplo é especialmente miserável.

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Salvar o SNS da Ministra da Saúde

A propósito do apagão administrativo nas listas de espera do SNS, confirmado há dias por um grupo de trabalho independente, recupero um artigo que escrevi em Dezembro passado no ECO – Economia Online no qual citei o relatório do Tribunal de Contas (TdC) que despoletou a presente polémica. O texto foi premonitório em tudo: da situação indecorosa retratada pelo TdC à irracional preferência ideológica por um modelo falido de gestão hospitalar. Mas, em vez de “Salvar o SNS da Nova Lei de Bases da Saúde”, deveria ter dado ao artigo o título de “Salvar o SNS da Ministra da Saúde”. Enfim, a conduta da senhora não surpreende. Afinal, esta mesma ministra, quando ainda na ACSS, também assinou um memorando que ainda hoje está na gaveta e que, provavelmente, também um dia será apagado. Uma bandalheira, é o que é.

A imoralidade das subvenções de campanha

“Num tempo em que 75% das pessoas têm acesso à internet e toda a população pode ver televisão, financiar comícios, jantares e brindes só serve para os partidos distribuirem benesses aos seus seguidores”

Destaque do texto de hoje no Observador do Carlos Guimarães Pinto. Não foi por acaso que aceitei ser cabeça de lista do Iniciativa Liberal. Há um John Galt no Carlos.

Harmonização fiscal é o melhor caminho para aumentar os impostos

“Para o candidato do Iniciativa Liberal às Europeias, a UE deve esquecer os ímpetos federalistas e focar-se somente no reforço da integração no plano económico, sem cedências de soberania em matéria fiscal ou orçamental.”

Destaque da minha entrevista de hoje ao Jornal de Negócios.

Costa, o bombo da festa

O cabeça de lista do PS às europeias não tem culpa de ter sido escolhido pelo chefe de família. Mas, ao anunciar ao mundo que o candidato às europeias acabará como comissário europeu da próxima Comissão Europeia, António Costa, e não o candidato, passou a ser o verdadeiro bombo da festa desta campanha às europeias.

O ponto de partida não era famoso. O cabeça de lista do PS às europeias era o ex-ministro do desinvestimento, aquele que mais cedo se demitira das suas funções (mas não do cargo!) no governo de Costa. Por isso, se algum pingo de coerência política restasse, este candidato jamais seria candidato, quanto mais cabeça de lista! Mas a família socialista é assim mesmo.

Entretanto, Costa decidiu projectar o candidato, não às europeias, mas sim a comissário europeu com a pasta dos fundos estruturais. Para além do embuste eleitoral que isto representa, voltou a demonstrar que tipo de lealdade é mais importante no PS. Porque foi este mesmo candidato que, enquanto ministro, negociou os fundos europeus do próximo quadro de apoio comunitário, no qual, segundo o Tribunal de Contas Europeu, Portugal perderá 7% da dotação face ao actual quadro de apoio. Para CV político não está mal…!

Até há poucos dias, o único “soundbyte” que o candidato do PS havia produzido tinha sido uma patética acusação de misoginia aos que acusavam o PS (ie, o país inteiro excepto o PS!) de endogamia política. Este fim de semana produziu um segundo “soundbyte” que, sendo mentiroso, foi igualmente patético. Que segundo momento foi esse? A deturpação do trabalho político de Rangel no Parlamento Europeu, uma deturpação que (com grande pena minha) não resiste a um simples “fact-check”.

O candidato do PS, habituado à opacidade e às cativações do seu governo, esqueceu-se de que estamos na era da transparência e que as classificações do Parlamento Europeu podem ser publicamente consultadas por todos. De resto, saberá o candidato do PS o que quer dizer a expressão “fake news”? Enfim, este é o cabeça de lista que António Costa, em nome do PS, propõe aos portugueses. Viva a partidarite, uma outra espécie de endogamia política.

(Ps: O Paulo Rangel continua sem responder ao meu desafio para o debate. Está com medo de quê?)

A traição socialista

“O Governo foi além da sua própria troika, é facto. Mas esta foi uma troika – constituída pelas bancadas parlamentares do PS, PCP e BE – perfeitamente consciente do que estava a acontecer.”

Destaque do meu artigo de hoje no ECO – Economia Online. Sobre o sucesso orçamental do Governo e suas opções políticas.

A falácia, a amálgama e os impostos europeus

“Na ânsia de aumentar os recursos para a UE, o resultado seria o sufoco dos contribuintes em Portugal.”

Destaque do meu artigo de hoje no Público. Sobre os impostos europeus e o consenso PSD/PS.