O meu voto: CDS

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Para um liberal, o voto é um ato de compromisso, e não uma manifestação de vanguarda ou entusiasmo. Os partidos são organizações necessárias para resolver problemas e assegurar a representação dos cidadãos, devendo um liberal olhá-los sempre com uma epistemológica desconfiança no momento da sua escolha e seleção, entre o cardápio que lhe é exibido no boletim de voto.

Os partidos com aspirações de Poder devem desejavelmente ter uma mundividência suficientemente ampla que lhes permita acomodar várias sensibilidades e correntes, por vezes até relativamente conflituantes, mas suficientemente abrangentes e representativas de uma sociedade que se deseja necessariamente plural. Partidos demasiado consensuais, com soluções lineares, não são interessantes para o exercício da governação, pois anulam o pluralismo que é a marca de qualidade das sociedades democráticas saudáveis.

Numa altura em que a nossa democracia vive momentos difíceis, com uma degradação significativa da vida pública, o CDS, nos seus inúmeros defeitos, é o partido que mais garantias me dá de poder protagonizar um programa de ação política distinto daquele que a Geringonça impôs ao país. Assinalo com tristeza o afastamento do PSD do seu eleitorado, enfraquecendo a frente de resposta ao socialismo em Portugal. Em sentido inverso, Assunção Cristas merece uma palavra de elogio, pela capacidade que tem demonstrado em procurar construir um CDS menos entrincheirado, liderante de uma direita mais cosmopolita onde haja espaço para todos os que, com mundividências distintas, procuram soluções para os problemas do país a partir de uma matriz mais próxima do humanismo, da liberdade, e do respeito pela propriedade. O CDS lidera hoje a oposição ao socialismo, sem hesitações, mais orientado para as soluções, de uma forma mais aberta e ampla do que aquilo que é a matriz histórica do partido, em benefício da direita em Portugal. Foram fundamentalmente estas as razões que me levaram a votar CDS, no domingo passado.

Um liberal não deixa de apreciar a existência de escolha, e por isso assinalo com simpatia o alargamento de possibilidades que a presente eleição apresenta aos eleitores, em particular no espaço político com o qual me identifico. Não antecipo longa vida ao Aliança, por não me parecer que este venha acrescentar nada de novo, nem no quadro das soluções, nem dos protagonistas. Não tendo particular apetência por vanguardas partidárias, e estando convencido que o caminho das ideas se faz na sociedade civil, e não nos partidos, tão pouco bebo do entusiasmo juvenil de muitos Insurgentes pela “Primavera Liberal”, nem estou disposto a entregar o meu voto a um partido que encerre ou capture as possibilidades do liberalismo. Mas a existência destas duas alternativas, onde não faltam pessoas de valor, que admiro e por quem tenho amizade, são ainda assim positivas e podem servir para combater em favor da direita o maior inimigo da democracia: o derrotismo e a abstenção. Ajudam também a reforçar a oposição ao socialismo, que dificilmente será bem sucedida com os votos num só partido.

Por isso, no domingo, espero que possamos todos olhar com satisfação para os resultados, e que CDS, IL, e Aliança, possam ter scores que ajudem a consolidar uma frente de resposta consistente ao marasmo que se instalou em Portugal.

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Da responsabilidade orçamental

Costa a queixar-se do CDS/PSD por irresponsabilidade orçamental, faz-me lembrar aquele bom pai de família, o verdadeiro tuga da estirpe macho latino, que depois de ter torrado o plafond do mês com o PCP/Bloco de Esquerda em copos e gajas, ameaça ir-se embora de casa porque descobriu que a mulher – “essa grande p…” – esteve a flirtar sem consequências com o carteiro, e lhe prometeu umas gorjetas lá para o Natal.

“Ideologia do género”, ou a nova vanguarda rumo ao socialismo

Numa frase apenas, Joana Mortágua dá-nos a razão que justifica uma forte oposição à auto-proclamada “ideologia de género”, e mostra-nos porque motivação essa oposição não se traduz em nenhum “retrocesso civilizacional”, como tantas vezes nos querem fazer crer os promotores de tão estranha “vanguarda”:

A compreensão dos papéis feminino e masculino como uma construção social que interage com os outros sistemas de poder, de dominação social e de exploração, seja o capitalismo, o colonialismo ou o racismo, foi essencial para desnaturalizar a desigualdade de género.

(via Jornal i, aqui)

Para estas pessoas, a desigualdade entre homens e mulheres é uma construção social do capitalismo, do colonialismo e do racismo. A ideologia do género não é assim uma forma de promoção da igualdade de direitos de homens e mulheres, ou da possibilidade de afirmação da identidade sexual de cada um, em liberdade, mas uma captura destas ideias legítimas para promover o socialismo. Pois para estas pessoas, só em sociedades socialistas e marxistas deixarão de existir os tais “sistemas de poder e de dominação social” que oprimem as mulheres. Por isso, não sejamos ingénuos: defender a igualdade entre sexos, e a liberdade sexual, não se faz na promoção da ideologia de género, nem no apoio a quem representa partidos, ONG’s e outras organizações como o Bloco de Esquerda e seus satélites, por uma razão muito simples: como podem defender a liberdade, os maiores inimigos da liberdade?

O que é estranho é que tantos se deixem capturar por este paradoxo do extremismo, promovido por um núcleo minoritário radical. Em clara chantagem cultural, qualificam-se de “retrógrados”, “ultras” e “extremistas” todos os que não alinhem na sua construção social artificial. Para se afirmar, não lhes basta ampliar as possibilidades – que seria o caminho adequado num cenário de pluralismo -, não, estas minorias querem desconstruir as bases da nossa sociedade (não apenas as ideias de família ou parentalidade, que obviamente numa sociedade plural podem ser fluídas, mas também as bases do sistema económico, cultural e social), impondo sem debate uma sociedade socialista, um modelo de sociedade que está nos antípodas das sociedades tolerantes e plurais ocidentais, que valorizam um ideal de liberdade que é compatível, quer com a tradição judaico-cristã da Europa, quer com os valores laicos nascidos da Revolução Francesa. Chega a ser impressionante como o eixo da moderação, assente no pluralismo e na liberdade, está a ser dilacerado e classificado de radical, por minorias ruidosas e militantes, terraplanando dessa forma o espaço do debate e as soluções que fariam sentido em sociedades abertas.

É fundamental encontrar caminhos para a igualdade de direitos entre homens e mulheres, e garantir que num quadro de pluralismo e tolerância todos têm um espaço de liberdade para a afirmação da sua identidade sexual, sem que isso resulte de uma transformação radical da sociedade europeia, ou corresponda à destruição dos laços e raízes que nos unem, por imposição de uma vanguarda que, em todas as sociedades onde conseguiu implementar as suas ideias, apenas trouxe pobreza, desigualdade, e destruição moral. Basta, a esse título, ver o que nos reporta a insuspeita Newsweek, sobre a saída que o regime socialista da Venezuela trouxe para as mulheres locais: a prostituição em massa como fórmula de sobrevivência.

Pensem nisso, quando vos venderem o socialismo e a destruição da sociedade plural e livre que a tanto custo construímos nos últimos duzentos anos, como solução para a afirmação da mulher, ou vos oferecerem soluções bizarras que se apresentam como fórmula para projetar supostas identidades individuais. E leiam o artigo da Joana Mortágua com atenção. Está lá tudo isto, sem disfarces ou maquilhagem.

 

Louçã, o bom pai de família

Há algo que me chamou a atenção na Convenção do Bloco: o papel assumidamente tutelar de Louçã, que se desmultiplicou em intervenções, recomendações e afirmações, qual pater familias, a explicar-nos o que o Bloco é, deve ser, e irá ser. Menorizando a liderança, retirando-lhe palco, enaltecendo as virtudes dos que são @s seus/suas discipul@s preferid@s. Toda esta performance teve lugar num ambiente de reverência embevecida dos media, que nunca questionaram Louçã pelo exercício desta magistratura honorária e quase aristocrática. Pensei para com os meus botões: “imaginem o que seria se Cavaco Silva, Passos Coelho, Paulo Portas, ou até José Sócrates ou Carlos Carvalhas, assumissem idêntico papel nos seus partidos“. Pois é, o Bloco pode querer ser Governo, e até vir a ser Governo, mas o seu Congresso mostrou-nos uma organização que ainda funciona como um Kindergarten, em que políticos-mirim são levamos à escola pela mão do papá.

“Com a verdade me enganas”

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Há um dito da sabedoria popular portuguesa que resume bem um tipo de notícias que grassa por aí, como a que procurou passar a ideia que Paulo Portas seria, afinal, um adepto de Bolsonaro e das suas políticas: “com a verdade me enganas“. Não sendo tecnicamente “fake news“, na  prática, neste tipo de notícias, o que se faz é retirar uma frase do seu contexto, destacá-la, dando-lhe um sentido diferente e muitas vezes contrário ao que o seu autor lhe deu ou quis dar, no momento em que a proferiu.

Há muitas razões para que isso seja feito, por exemplo, para fazer um título apelativo, ou até para deliberadamente criar um facto político relevante, como parece ter sido o caso. As técnicas associadas ao “clickbait” nasceram inicialmente para gerar receitas online, mas rapidamente se tornaram num elemento relevante para gerar tráfego ou induzir pessoas em erro. No caso da desinformação, tal parte do princípio – correto – que muitos dos que hoje interagem com este tipo de notícia, não as lê, ou até, se deixa levar apenas pelo sentido perverso da manipulação do título.

Hoje, é preciso uma dupla atenção na leitura e reprodução do que quer que seja, pois, se a maioria das fake news são fáceis de identificar, na sua inverosimilhança, o mesmo já não ocorre com este tipo de manipulações subtis, associadas ao clickbait, ou, como se diz em português, “com a verdade me enganas“.

O mundo está perigoso. Como estava enganado Fukuyama quando decretou o fim da História…

Vodafone: Publicidade hipster ou enganosa?

Nunca percebi porque razão certas marcas optam por mensagens publicitárias que são depois inconsistentes com as características do produto ou do serviço oferecido. Em especial, faz-me confusão quando a promessa é feita nuns anúncios publicitários onde o humor e a sátira são a base da comunicação, com uns atores muito pós-modernos e fofinhos que nos procuram convencer que, afinal, no caso da marca X, as coisas funcionam obviamente de forma diferente.

A Vodafone lançou há uns tempos uma campanha super-agressiva onde nos procura convencer, com recurso ao humor, que ainda estamos a queixar-nos na net, e “eles” já estão à porta de nossa casa. Pois bem, viram aquele anúncio em que a Vodafone promete que aparece num instante? No meu caso, não apareceram. Nem avisaram. Nem recebi qualquer feedback. Depois de assinar o contrato, foram comprar tabaco e nunca mais voltaram. Em duas semanas, e após horas gastas em litigância com um call center, não consegui da Vodafone duas coisas simples: que me instalassem internet no escritório, e que me trocassem um smart router em casa.

O mais irritante é que os algoritmos passam a vida a propor-me a visualização do anúncio acima, o qual insiste igualmente em aparecer, diversas vezes, quando ao fim do dia, procuro desligar dos problemas do dia-a-dia.

Assim se destroem marcas ou, pelo menos, se atira dinheiro para publicidades desnecessárias, que só servem para criar falsas expectativas nos consumidores. Vou obviamente desligar o serviço, e entregar-me nas mãos de um fornecedor igualmente mau. Irei, em qualquer caso, escolher um operador que divulgue os seus produtos e serviços de uma forma sóbria, para não me sentir gozado quando vir a publicidade hipster da marca.