Esta Europa pode acabar em Nice

Rui Ramos no Observador

Foi assim, explorando a impotência do Estado russo perante o terrorismo checheno, que Vladimir Putin edificou a sua autocracia. Mas não se evita o autoritarismo securitário denunciando simplesmente o autoritarismo securitário. Evita-se, lidando com as dificuldades. Àqueles que, muito justamente, receiam por esta Europa em que nascemos e temos vivido, é preciso dizer: é muito mais provável que o fim comece com atentados como o de Nice, se ficarem sem resposta efectiva, do que nas negociações dos acordos comerciais do Brexit.

Déjà vu

Observador

O Banco Central Europeu (BCE), através do Banco de Portugal, travou a fundo nas compras de dívida portuguesa nos últimos meses, segundo cálculos feitos por bancos de investimento como o alemãoCommerzbank a partir da informação divulgada pelo próprio BCE. O país tem uma “situação específica” que, devido a limites auto-impostos por Mario Draghi no seu programa de quantitative easing,complica o acesso pleno de Portugal a este programa decisivo — sobretudo depois de o programa ter sido prolongado no tempo e nopoder de fogo. O Commerzbank recomenda, por isso, “cautela”aos investidores que apostem na dívida portuguesa e diz que o acesso aos mercados está em risco. Mas o Banco de Portugal garante,ao Observador, que os objetivos serão cumpridos.

Católica vê Portugal crescer menos de 1% este ano

Jornal de Negócios

Segundo as previsões actualizadas do Núcleo de Estudos sobre a Conjuntura da Economia Portuguesa (NECEP), o produto interno bruto (PIB) deverá crescer apenas 0,9% em 2016, metade do valor inscrito pelo Governo no Orçamento do Estado. E mesmo esta estimativa apresenta riscos descendentes, conclui a Folha Trimestral de Conjuntura do NECEP.

Estes 0,9% representam uma revisão em baixa de 0,4 pontos percentuais face à previsão realizada pelo NECEP há apenas três meses e é mais pessimista do que as últimas estimativas de organizações internacionais. Ao contrário do que se esperava, depois de um primeiro trimestre bastante frágil, o NECEP não vê a economia nacional recuperar entre Abril e Junho. O PIB deverá ter crescido apenas 0,1% em cadeia e 0,7% em termos homólogos.

O que significa que “a economia está praticamente estagnada desde o segundo semestre de 2015”, referem os economistas da Católica. “Os riscos para a economia são agora predominantemente descendentes, destacando-se uma forte preocupação com a evolução do investimento que voltou a recuar no início do ano, sugerindo que o processo de recuperação da economia portuguesa sofreu uma interrupção.”

Além de uma primeira metade do ano muito frágil, o NECEP sublinha que a sua revisão em baixa do crescimento reflecte também os riscos internos relacionados com o sistema financeiro e o controlo orçamental, bem como o impacto do Brexit. O défice orçamental não ficará abaixo do limite de 3% exigido para sair do Procedimento dos Défices Excessivos (PDE).

Esperemos que entretanto cheguem a alguma decisão

António Costa diz que não vai haver medidas extraordinárias para evitar sanções

Governo promete medidas eficazes na carta a Bruxelas

Convinha que deixassem de brincar aos governos. Isto, se pretendem mesmo evitar sanções.

Descubra as diferenças

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Comissão. Multas vão depender das garantias do Governo

As sanções que a Comissão Europeia vai propor que se apliquem a Portugal vão depender dos passos que o governo estará disposto a dar para “recolocar as contas públicas no caminho certo”, afirmou o vice-presidente para a Comissão Europeia, que deixou em aberto a possibilidade de a multa ser zero e de os dois países conseguirem fazer o que lhes é exigido antes de a suspensão dos fundos europeus se tornar efetiva.

Espanha apresenta medidas para evitar sanções. Aumento do imposto sobre as empresas em 2017

“Vamos propor uma medida para o imposto sobre empresas (…), uma medida forte” para conseguir uma receita adicional de 6 mil milhões de euros, declarou, numa conferência de imprensa em Bruxelas, ao apresentar os seus argumentos para evitar uma multa da Comissão Europeia.

Sanções: Costa afirma que Portugal vai contestar decisão

O primeiro-ministro diz que Portugal vai responder nos próximos 10 dias, formalmente, à decisão do Ecofin de aplicar sanções ao país, alegando que são “injustificadas” e “altamente contraproducentes”

10 dias

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Financial Times

EU finance ministers confirmed on Tuesday that Spain and Portugal have failed to take “effective action” to rein in their budget deficits, leaving the two countries with a 10-day window to convince Brussels that they shouldn’t be fined.

De volta à realidade

MCeRMF

Índice de Volume de Negócios nos Serviços apresentou variação homóloga mais negativa – Maio 2016 (INE)

Exportações continuam a abrandar (Jornal de Negócios)

Dijsselbloem: Lisboa tem que apresentar medidas a tomar antes de decisão sobre sanções (Jornal de Negócio)

LEITURA COMPLEMENTAR: Barclays duvida que Portugal consiga evitar novo resgate

Barclays duvida que Portugal consiga evitar novo resgate

Observador

O Barclays Capital tem dúvidas sobre se Portugal será capaz de evitar um novo resgate, porque o país “está novamente sob escrutínio apertado dos mercados” e as condições económicas “estão a virar para pior“. O crescimento da economia, diz o banco britânico, não excederá os 0,7% este ano e os 0,3% em 2017. Estes são alguns dos fatores que preocupam o Barclays Capital, juntando-se uma “crise bancária sistémica” e a “falta de um plano convincente” para equilibrar as contas públicas.

E a montanha pariu um Centeno

Mesmo esperando muito pouco, a  falta de honestidade do ministro das finanças continua a surpreender. O famoso “desvio de 3 mil milhões de euros” na CGD resume a isto:

CGD: O “desvio” de 3.000 milhões é afinal hoje de 1.350 milhões de euros

Juros negativos explicam “desvio” na Caixa

 

Comissão sanciona Portugal por défice excessivo

Diário Económico

A Comissão Europeia lançou hoje processos de sanções a Portugal e Espanha, ao concluir que os dois países não tomaram “medidas eficazes” para corrigir os seus défices excessivos, passando a palavra aos ministros das Finanças da União Europeia.

 

“O único país que me preocupa é Portugal”

Excerto da entrevista a Klaus Regling, presidente do Fundo Europeu de Estabilização Financeira (tradução de Pedro Moreira)

The only country I am worried about is Portugal, independently of Brexit. The government there is rolling back the reforms. As the European institutions noted after their recent country surveillance mission, Portugal is becoming less competitive again as a result of this. The lack of competitiveness was one important reason for the crisis in Portugal. Now Portuguese politicians have raised the minimum wage and salaries in the public sector again and they have shortened the working hours again. There could also be new budgetary risks if the government solves the problems in the banking sector with state aid. We have to pay a lot of attention to what happens.

FMI corta previsões de crescimento para Portugal

TVI24

Instituição liderada por Christine Lagarde diz que o Produto Interno Bruto português vai crescer 1% este ano contra os 1,4% que tinha previsto em abril. E só sobe até 1,1% em 2017

Schäuble diz e recua. Novo programa para Portugal?

Observador

A agência Bloomberg citou declarações de Wolfgang Schäuble que diziam que Portugal iria “pedir novo programa” e que iria tê-lo. Mas, minutos depois, o ministro alemão voltou atrás e indicou que “Portugal tem de cumprir as regras ou corre o risco de precisar de um novo programa de ajuda”.

A realidade não passa por ali

Hoje em entrevista ao Público, Mário Centeno finalmente admitiu que não vai ser possível atingir a taxa de crescimento prevista no OE e que irá ser necessário rever a previsão. Para quanto? Não diz. Quando? Também não. Vai obrigar a medidas adicionais? Dá-nos um nim.

Mas mesmo isto era demasiado para a geringonça. Antes a bancarrota que admitir qualquer erro no seu plano quinquenal. E prontamente o grande chefe geringonço António Costa veio desmentir o seu ministro das finaças. Revisões? Talvez mas só para o ano. Este ano está tudo a correr pelo melhor. E Centeno lá vai amochar, novamente. Sim, chefe

Autismo

O PS acompanhou com muita atenção a campanha eleitoral em Espanha e enviou felicitações ao PSOE pelo resultado alcançado depois de uma campanha eleitoral exigente e onde continua a liderar as forças políticas progressistas

Num lacónico e inusitado comunicado sobre as eleições espanholas o PS felicita o “partido-irmão” (que ao contrário da Grécia não é a extrema-esquerda mas os seus camaradas do PSE e da IS) pelo pior resultado da sua história. Para além disso imagina o PSOE como líder de um suposto bloco progressista que nos últimos meses e com uma distribuição de mandatos bem mais favorável foi incapaz de concretizar e que depois dos “mimos” trocados nos últimos meses e do resultado de ontem se torna ainda mais improvável.

Notas breves sobre as eleições espanholas

Com mais de 98% dos votos contados não resta qualquer dúvida sobre a vitória do PP. Algumas notas:

– Contra todas as expectativas, sondagens e “opinadores” Rajoy vence claramente e reforça a maioria. Mais 14 deputados e meio milhão de votos. Depois da atrapalhação com o “brexit”, os tudólogos terão nos próximos dias a difícil tarefa de explicar este resultado.
– O PSOE obtém o seu pior resultado de sempre mas detém o avanço da extrema-esquerda e mantêm-se o 2º partido mais
votado. Será duvidoso é que isto chegue para Pedro Sanchez se manter na liderança. Embora fragilizado continua a poder determinar (ainda que pela abstenção) o futuro governo espanhol.
– O Podemos (agora aliado à IU) não consegue mais que manter o mesmo nº de deputados que os dois membros do UP haviam obtido separadamente nas eleições anteriores. Perde mais de um milhão de votos mas continua assustador o peso destes adoradores da autocracia venezuelana. Embora matematicamente possível uma coligação que os leve ao poder é politicamente menos plausível.
– O Ciudadanos continua a desiludir. Perde votos e deputados para o PP. A sua recusa em formar governo com Rajoy poderá ter sido determinante.

Cameron’s resignation statement

Conservative home

We should be proud of the fact that in these islands we trust the people with these big decisions.

We not only have a parliamentary democracy, but on questions about the arrangements for how we are governed, there are times when it is right to ask the people themselves – and that is what we have done.

The British people have voted to leave the European Union and their will must be respected.(…)

The will of the British people is an instruction that must be delivered. It was not a decision that was taken lightly, not least because so many things were said by so many different organisations about the significance of this decision.

So there can be no doubt about the result.

 

Afinal é possível

O ministro das Finanças, Mário Centeno, anunciou esta quinta-feira que o Governo pediu uma auditoria independente à Caixa Geral de Depósitos.

…e parece que já não afecta a credibilidade nem o processo de recapitalização. E nem é preciso pedir um parecer à PGR.

O preço da geringonça

Esta notícia é de 2ª feira mas passou praticamente despercebida. Faz parte do custo que o PS nos fará pagar para conseguir o apoio da extrema-esquerda e conseguir chegar ao governo.

Tal como já fizeram a Alsa e a Transdev, para contestar a reversão dos contratos de subconcessão da STCP e da Metro do Porto (respectivamente), também a ADO/Avanza, que tinha ganho o concurso público para ficar com subconcessão conjunta do Metro de Lisboa e da Carris, avançou com a impugnação da anulação dos contratos assinados com o Governo Português. “Preocupa-nos a insegurança jurídica do investimento estrangeiro e as consequências que possa ter nas relações bilaterais entre México e Portugal”, escreve Luís Fernando Lozano, o presidente da empresa, num comunicado enviado às redacções.

Continua a correr tudo bem

ionline

O défice do Estado no final de abril atingiu os 1633,6 milhões, quase o dobro do verificado nos primeiros três meses do ano, 823,9 milhões. Já as receitas do IVA baixaram 2,7%

O governo continua a humilhar os desempregados

08/01/2016: O Bloco de Esquerda entregou hoje na Assembleia da República um projeto de lei para acabar com a obrigatoriedade de apresentação quinzenal dos desempregados para terminar com o que o partido considera ser uma “humilhação inútil”.

22/06/2016: Governo rejeita proposta do BE para acabar com apresentação quinzenal de desempregados

Um bom resumo da comunicação de Mário Centeno sobre a CGD

CGD: Estava à espera dos números de Centeno? Então continue

Acham que foi por causa disso que o ministro escolheu apresentar o “plano” mesmo antes do jogo com a Hungria? Seus maldosos…

Quando o estado se põe a brincar aos negócios

há cerca de 6 anos, após o atribulado processo que levou à venda da participação da PT na Vivo e à compra forçada de uma participação na Oi falava desta forma o nosso então PM:

“A defesa intransigente do interesse estratégico foi absolutamente essencial para que a PT pudesse fazer um excelente negócio.” O primeiro-ministro congratulou-se com o acordo e a alternativa alcançada à presença da Portugal Telecom [PT] na Vivo. Mais do que os valores da venda de metade da empresa brasileira, José Sócrates destacou a entrada na Oi, uma empresa “com mais clientes e mais facturação”.

Na mente do líder do Executivo estão as possibilidades de crescimento da Oi em termos de banda larga no Brasil. Para Sócrates fica salvaguardada “a dimensão internacional da PT, a escala da PT, a presença da PT num mercado tão importante como o brasileiro e, sobretudo, confirma-se a vocação internacional da PT e a sua vocação para desenvolver projectos industriais e de inovação tecnológica neste sector.”

Ainda que a Vivo seja a empresa dominante em termos de comunicações móveis, a convicção do Governo é que será a Oi a liderar a expansão dos serviços de Internet no Brasil, permitindo assim à PT manter-se como um “actor global no mercado da América Latina”.

Após o que se sabe do processo quase destruição da PT levada a cabo por um “accionista de referência” promovido pelo governo em nome da manutenção dos “centros de decisão nacional” eis outra “boa” notícia

A operadora brasileira Oi, que ficou responsável pelo pagamento da dívida da antiga Portugal Telecom, avançou com um pedido urgente de recuperação judicial. Esta decisão é aprovada a pouco mais de um mês do reembolso de uma emissão de obrigações de retalho colocada junto de pequenos investidores portugueses. Em risco estão cerca de 230 milhões de euros que deveriam ser reembolsados a 26 de julho.

Tudo isto poderia avisar-nos contra a intromissão do estado no mundo empresarial mas pelo que se tem visto a tendência do actual governo é a inversa. O que nos vale é que nesta altura existem menos recursos à disposição dos políticos.

Faltaram os “emojis”

Observador

Ao Observador, a deputada do PS já tinha dito que o tweet “foi um desabafo” e que falara de forma “informal” e “descontraída”. Ao Expresso, Canavilhas reitera que não apelou ao despedimento da jornalista do Público. “Não pedi nem apelei. Apenas perguntei. Se tivesse terminado com uns emojis como é meu hábito teria tido esse efeito?“, questiona.

LEITURA COMPLEMENTAR: Falta de vergonha

Motivos para rejeitar a CPI à CGD

Os actuais governantes e os adeptos mais ferrenhos da geringonça têm-se esforçado por nos convencer que uma CPI vai “minar a credibilidade da Caixa” (parece que esta é garantida pela ausência de uma investigação e não pela qualidade da gestão) e que nas CPI não se apura nada (o que não obstou a que tenham defendido anteriores CPI).

Já José Sócrates, no habitual estilo egotista, vê a CPI como “um ataque pessoal” o que tendo em conta seu impoluto registo pessoal e político constitui uma sólida razão para esquecermos de vez qualquer investigação e nos prontificarmos a abrir a carteira e uma vez mais recapitalizar a CGD