Incerteza até ao fim

Pedro Magalhães que há escassos 10 dias garantia uma “vitória tranquila de Hillary Clinton” não arrisca agora mais que “uma provável vitória de Hillary Clinton”.

Governo desmente-se ao fim de alguns meses

No Público

Governo assume que manuais grátis não serão, na maioria, reutilizados. Crianças podem riscar, pintar e colar autocolantes. Ministério quer novos livros feitos para mudarem de mãos.

Conforme qualquer encarregado de educação com filhos no 1º anos sabia (tinham sido avisados por circular da DGEstE) emborga publicamente o governo continuasse a negá-lo, existem poucas hipóteses dos manuais entregues este ano serem reutilizados por alunos do ano que vem. Tratou-se apenas de passar o custo dos agregados com filhos no 1ºano para os contribuintes em geral. Chama-se a isto “anestesia fiscal”, “propaganda” ou “mentir descaradamente”.

Chamar os “abrantes” pelos nomes

“Em Abrantes, tudo como dantes” de Pedro Rolo Duarte (SAPO24)

Mais do que um fantasma, Miguel Abrantes foi uma sombra e arma de arremesso a coberto de um pseudónimo, e um realíssimo aldrabão para pessoas de boa-fé, como foi o meu caso. Fácil, eficaz, e mais barato do que um contrato com uma agência de comunicação: usar as mesmas armas, mas sem dar a cara. Isto diz muito sobre a forma como José Sócrates encarou o poder, os media, e a opinião publica.

Infelizmente, não esteve sozinho – e quando se questionou a existência de tal blogger, uma jornalista militante da ética, da verdade e da deontologia, chegou-se à frente. Chama-se Fernanda Câncio e, no blog Jugular, no dia 22 de Fevereiro de 2008 – e posteriormente editado a 7 de Novembro de 2008, foi peremptória: “Eu, como a maioria das pessoas que escreveu no blogue “sim no referendo”, conheço o miguel abrantes. vi-o, jantei com ele, sei onde trabalha. e sei que não é assessor do governo. Mas, sendo as coisas e as acusações o que são, este meu affidavit não deve servir de muito ao miguel abrantes (nem a mim, for that matter). Paciência — é a verdade”.

Oito anos depois, começamos a perceber a noção de verdade que cercava Sócrates, o seu núcleo duro e alguns jornalistas ditos “de referência”. Não surpreende. Pior é quando alguém se lembra de ligar a ventoinha da memória mesmo em frente da lama…

Investimento público: propaganda e realidade

“Investimento Público: uma comparação alternativa” de Pedro Romano (Desvio Colossal)

“O Investimento Público vai crescer 22% em 2017 (…) O ministro do Planeamento e das Infra-estruturas, Pedro Marques, garantiu esta terça-feira, 18 de Outubro, que o investimento público vai aumentar no próximo ano em 750 milhões de euros face à execução estimada em 2016.”

Isto é verdade e bate certo com o que está no OE 2017; mas não é nada óbvio que a execução de 2016 seja o melhor termo de comparação. Afinal de contas, em 2016 o Investimento Público (IP) deve ficar bem abaixo do orçamentado – e o valor orçamentado já era, ele próprio, o mais baixo de sempre.(…)

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Ah, e se a comparação for feita tendo como referência o ano de 2015, então o IP até cai ligeiramente, como se vê na imagem.

A nova “lista VIP”

Numa entrevista ao DN, o SE dos Assuntos Fiscais desenterra o “caso Galp” que António Costa bem tentou enterrar. Perante esta revelação e a bem do escrutínio público dos governantes torna-se imperativo que essa lista seja publicamente revelada

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Outra vez o fado do desgraçadinho

Em mais um episódio da tragédia “nos somos bonzinhos, os outros é que são malvados”, Manuela Ferreira Leite terá afirmado que “Enquanto houver tratado orçamental, Portugal [e outros países europeus que estão na mesma situação] não vai crescer“. Será verdade? Para nos ajudar a perceber isso, O Paulo Ferreira divulgou elaborou um elucidativo gráfico (elaborado pelo Pedro Bráz Teixeira) com o crescimento do PIB acumulado de 2000 a 2015.

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Comecemos pelo início. O Tratado Orçamental começou a ter efeitos a 01/01/2013. O crescimento anémico do PIB português começou nessa data? Parece que não.

Terá sido culpa do Euro? Será exclusivo de países do Sul? Terão sido outros choques externos? Vemos ali no gráfico países que cabem nas duas primeiras categorias com taxas de crescimento bastante superiores à nossa (também não é preciso muito). E não consta que sejamos só nós a apanhar com os efeitos dos choques externos.

O que se retira dali é que perante uma conjuntura externa comum temos um grave problema que leva a que estejamos exactamente no mesmo lugar há 15 anos. Alguns países quase duplicaram a riqueza criada anualmente. Na Irlanda aumentou 75%. A Espanha, aqui ao lado, cresceu 25%. O pior a seguir a nós (a Dinamarca) cresceu 3 vezes mais. Só Grécia e França conseguiram fazer pior.

Portanto, se ainda não perceberam eu repito. Enquanto os outros evoluem nós, perante uma conjuntura externa comum, padecemos de um grave problema que leva a que estejamos exactamente no mesmo lugar há 15 anos. Ainda acham que a culpa é dos outros?

Do enorme aumento de impostos

Adolfo Mesquita Nunes no Público

A tese era simples: a direita, no seu desprezo pelos mais necessitados, forjou uma política de enorme e desnecessário aumento de impostos que, além de sufocar os que menos tinham, era incapaz de trazer crescimento. O país crescia 1,6% em 2015, era muito pouco, era preciso virar a página.(…)

O governo das esquerdas aprovou então o seu primeiro Orçamento. Baixou o IRS? Não. Baixou o IRC? Não. Baixou o IVA? De relevante, só parcialmente o da restauração. Baixou o IVA da eletricidade e do gás? Não. Baixou o IMI? Não. Criou novos impostos? Sim. Aumentou impostos que incidem sobre a classe média, como o automóvel ou o da gasolina? Sim. Eliminou a sobretaxa? Não.(…)

E eis que o Governo das esquerdas apresenta o seu segundo Orçamento, segunda oportunidade de acabar com o enorme aumento de impostos. Baixou o IRS? Não. Baixou o IRC? Não. Baixou o IVA? Não. Baixou o IVA da eletricidade e do gás? Não. Baixou o IMI? Aumentou. Criou novos impostos? Sim. Manteve ou reforçou o aumento dos impostos verificado no ano anterior? Sim. Eliminou a sobretaxa como prometido? Não.

Dir-se-á que se mantém a reposição de rendimentos, nomeadamente nos pensionistas, muito abaixo do prometido e sobretudo nas pensões mais altas (sim…). E qual é o resultado que se prevê? Um crescimento de 1,5%, muito abaixo dos prometidos 3,1% do Plano Centeno, abaixo do crescimento deixado pelo PSD/CDS. E porquê? Porque tudo o resto que nos faz crescer tem sido descurado pelo governo.

A isto chama-se austeridade. Este Orçamento não só não acaba com o enorme aumento de impostos como anuncia que vamos crescer menos. É o tal virar de página.

O infindável aumento de impostos e uma estratégia falida

Miguel Morgado no Público

Com um governo indisponível para poupar na despesa corrente do Estado, e absolutamente hostil a qualquer ideia de reforma, o País entrou num ciclo de vagas sucessivas de aumentos de impostos. Sacrificando o desenvolvimento futuro, e deixando-nos no radar do risco financeiro, o governo vasculha todo o nosso quotidiano para tributar. Segundo as contas do governo, pagaremos mais 3 mil 600 milhões em impostos e contribuições em 2017 face a 2015.

Sobre o OE2017

Pelos novidades que fomos sabendo durante o dia é justo reconhecer que autores do OE2017 são dotado de uma imaginação extremamente fértil. Acho que só se esqueceram de criar um novo imposto sobre as pedras da calçada (é melhor não dar ideias). O espírito que os parece ter conduzido foi “If it moves tax it, if it doesn’t tax it anyway”

Esta também foi de mestre

Pensavamos nós que a segurança social estava bem de saúde. (Aparte outros “salvadores”, só o actual ministro já garantiu a sua sustentabilidade em defintivo por 3 ou 4 vezes.) Afinal não é bem assim. Ficamos hoje a saber que o governo pretende consignar a receita do novo imposto anti-investimento imobiliário à segurança social.

O governo estima uma receita de 170 milhões (o que dada a receita do imposto de selo que será extinto significa um acréscimo de apenas 70 milhões, mas isso são economicismos que não interessam). Para quem não está a vislumbrar o alcance da medida significa garantir anualmente mais 5 ou 6 dias de pensões. Um disparate. É o mesmo que tentar tapar o buraco no caso do Titanic com um remendo para triciclo.

Enfim, lá seguimos nós cantando e rindo rumo ao abismo.

 

Happy birthday Maggie

Margaret Hilda Thatcher, ex-Primeiro Ministo britânica que iniciou o desmantelamento do socialismo do pós-guerra e construiu as bases do ressurgimento britânico nascia hoje há 91 anos.

(HT: Hélder)

Ligeirinho, assim como uma manada de bisontes

Primeiro começa-se por “soprar” para os jornais que a taxa sobre o alojamento local vai ter um aumento “brutal” de 400%. Um tipo lê isto mal se levanta e até fica mal disposto. Umas horitas depois lá vem a correcção. O aumento já não vai ser “brutal”. Feitas as contas serão uns “ligeiros” 133%. E até vamos almoçar mais bem dispostos sabendo que afinal os tipos da geringonça não são as sanguessugas que julgávamos.

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Mário Centeno aprsionado numa realidade alternativa

10 de Outubro: Mário Centeno diz que DBRS considera contas públicas “muito robustas”

Vejamos o que disse a DBRS a semana passada (06/10): A agência de notação financeira DBRS considera que a economia portuguesa está presa num “ciclo vicioso” de dívida elevada, baixo crescimento e adiamento de reformas económicas

O ministro das finanças está extremamente optimista e adianta que a ““expectativa do governo é que eles não irão alterar nem o rating nem o outlook [perspetiva futura]”

Se é pouco provável que se verifique, para já, uma alteração no rating, o mesmo não pode ser dito acerca do outlook. Ou o governo cede consideravelmente nas fantasias do OE2017 ou vai ter uma surpresa desagradável.

Momento Insurgente Memória (2)

13/02/2014: PS diz que perdão fiscal tirou credibilidade ao Governo para “lançar propostas para o futuro”PS diz que perdão fiscal tirou credibilidade ao Governo para “lançar propostas para o futuro”

06/10/2016: Governo anuncia novo perdão fiscal

 

DBRS avisa que Portugal está preso num “ciclo vicioso”

Jornal de Negócios

A duas semanas de rever o rating de Portugal, a DBRS avisa que a economia está presa num “ciclo vicioso” de dívida, baixo crescimento e adiamento das reformas.

A agência de notação financeira DBRS considera que a economia portuguesa está presa num “ciclo vicioso” de dívida elevada, baixo crescimento e adiamento de reformas económicas.

Ao Financial Times, Fergus McCormick, economista-chefe da agência canadiana, explicou que o crescimento desacelerou e os juros da dívida pública subiram, colocando uma “pressão descendente” sobre o rating.

Será pouco provável que a próxima revisão traga já um “downgrade” da notação da dívida soberana. Mas é cada vez mais provável a revisão do “outlook” para negativo.

Acabou a austeridade!

Resumo da entrevista de António Costa ao Público: Mais impostos, menos crescimento, menos investimento, não há aumentos.

Eventualmente, pá

Manuel Heitor, Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior e um espécime representativo da geringonça

“Não há cursos a mais, há eventualmente estudantes a menos”

A propósito de violações da privacidade

“Quem não deve não teme? Snowden discorda” de Graça Canto Moniz (i)

Quando se defende a privacidade, o que se visa proteger é o direito que cada um tem de construir o seu próprio ser, em diálogo consigo mesmo, assente na faculdade – mas não na obrigatoriedade – de partilhar com o mundo quem é, como é e como quer ser, para que o mundo compreenda, exclusivamente através e a partir de si, quem se quer ser ou quem já se é. Prima facie, esta é uma escolha exclusiva que compete a cada um definir: o que partilha, o que diz, o que mostra, como se dá a conhecer aos outros, sem que daí se deva concluir pela ilegitimidade da ação ou omissão. Podemos admitir não ser este um valor absoluto, como não são em sociedade todos os restantes valores estruturantes da pessoa humana, como a liberdade ou a propriedade.

As suas limitações, porém, devem ser excecionais e bem justificadas, em função e à luz dos princípios da proporcionalidade e da necessidade. A privacidade traduz-se também no direito que temos de controlar a nossa imagem, a forma como a projetamos no mundo, e a nossa identidade. É esse controlo que nos permite escolher as relações que temos com os outros, de amor, de amizade, de partilha de sonhos, dúvidas, inseguranças, pensamentos e ideias. É isso que nos permite ter controlo sobre a construção da nossa personalidade.

Gente séria é outra coisa

Que se saiba, a Presidência de República ainda não se pronunciou sobre a promulgação da infame lei que arrasa o sigilo bancário. Pode até já ter dado a conhecer ao PM a sua intenção mas, publicamente, ainda não se pronunciou.

Pois bem. Demonstrando um enorme sentido de estado, a Ministra da Presidência dá admite publicamente que espera o veto do diploma e, pasme-se, exige explicações a Marcelo Rebelo de Sousa

ADENDA: O único aspecto positivo é admissão (contrariamente ao que diziam os propagandistas da geringonça) que a quebra automática do sigilo bancário não resulta de directivas comunitárias mas resulta de uma iniciativa governo.

Sobre as novas regras de sigilo bancário

Não serei certamente o maior fã de Clara Ferreira Alves mas não posso deixar de subscrever as razões por ela invocadas para rejeitar as novas regras do sigilo bancário.

E nem um manifesto ou uma providência cautelar…

A geringonça prepara-se para concessionar a privados um conjunto de edifícios históricos. Não quero imaginar o rasgar de vestes se isto tivesse sido feito pelo governo anterior. Teriamos já os indignados do costume (alguns dos quais agora no governo) a encher os telejornais e a prometer morrer na batalha contra a prostituição do património histórico e cultural.

Nota: Quanto à intenção de concessionar os edifícios nada contra, não é segredo que o estado não tem capacidade e recursos para gerir património que frequentemente (como é o caso de muito destes que agora se fala) se encontram degradados. Ficarão muito melhor se entregues a privados. Aliás, poderiam inclusivamente ser alienados em definitivo.

Um verdadeiro símbolo do socialismo

António Costa e o PS homenagearam no Domingo passado João Cravinho. Um dos ideólogos do esquerdismo socialista e um dos artífices do nosso atraso estrutural e contribuinte directo para as bancarrotas.

A propósito da “obra” de João Cravinho, recordo um post do Luís Rocha no Blasfémias

Se nos pusermos num exercício culpabilizante e quisermos aferir que cabeças deverão rolar por conta dos investimentos faraónicos que nos arruinaram e hipotecaram a próxima geração, a de João Cravinho será a primeira a ir para o cutelo, destacadíssima de todas as restantes.

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Mais um aviso

Desta vez da UBS: Portuguese bonds: still not worth the risk

Credit analysts at UBS have taken a decidedly cool verdict on the former eurozone bailout nation which has found itself in the midst of a bond sell-off in recent weeks.

“Portuguese bonds don’t offer compelling risk-reward” says Lefteris Farmakis at the Swiss bank, noting the country’s deteriorating economic fundamentals provide a considerable downside for investors, despite the relatively juicy yield of over 3 per cent on its 10-year bonds.

Quem perde a vergonha, não tem mais que perder

Artigo de Adolfo Mesquita Nunes na Visão de 22/09/2016

Sim, a classe média está a pagar a agenda das esquerdas. Sim, estamos em 2016 a discutir ideias que nunca resultaram em parte alguma do Mundo. Mas o mais incrível de tudo isto não é que um partido trotskista diga coisas destas. É que o diga arrancando aplausos aos socialistas, é que o diga condicionando o nosso governo, é que o diga porque António Costa escolheu depender do Bloco para governar

Na integra aqui.
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O Insurgente foi novamente censurado no Facebook

Desta vez não gostarem que tivéssemos revelado a origem do infame “quem não deve não teme” de António Costa

A bloquização do PS

André Azevedo Alves no Observador

Em 2016, o primeiro-ministro António Costa já não tem qualquer pudor – Mariana Mortágua certamente terá aplaudido a falta de vergonha – em descrever o seu modelo de sociedade usando deliberadamente terminologia marxista e o PS parece estar num processo de bloquização acelerada. Pelo caminho, o PS atira para o caixote do lixo o seu próprio legado na construção do actual regime democrático contra a mesma extrema-esquerda revolucionária de que passou a depender para se manter no poder. Um caminho que pode arrastar Portugal para um desfecho bem mais grave do que um segundo resgate.

 

Mau sinal

Governo acima da meta europeia com défice de 2,8% no primeiro semestre

Recordo que o orçamento só entrou em vigo no 2º trimestre tendo nos primeiros 3 meses vigorado o regime de duodécimos que atrasou a política de “reversões” deste governo.  Recordo ainda que o limite do governo permanece inalterado nos 2.2% e que a “linha vermelha” da CE são os 2.5%