A institucionalização do “erro de percepção mútuo”

Auditoria às contas de Belém afinal ficou na gaveta

Confrontado pelo DN com a contradição, o porta-voz oficial de Marcelo invoca um “eventual erro de perceção, provavelmente mútuo”, uma vez que “nunca houve uma auditoria do ponto de vista formal”

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CDS escolhe Mesquita Nunes para a Câmara da Covilhã

Diário de Notícias

“A Comissão Política Concelhia do CDS-PP da Covilhã torna público, após aprovação por unanimidade no plenário concelhio realizado na última sexta-feira, que formalizará nesta data convite ao covilhanense Adolfo Mesquita Nunes para encabeçar a candidatura”, refere o comunicado hoje enviado à agência Lusa.

Na nota de imprensa, o CDS mostra-se convicto de que a candidatura de Adolfo Mesquita Nunes será “verdadeiramente credível, agregadora e mobilizadora para Covilhã” e que permitirá iniciar “definitivamente a afirmação” da cidade no contexto regional e nacional.

A experiência política profissional e também a ligação de Adolfo Mesquita Nunes à Covilhã são características apontadas pelos centristas para fundamentarem esta escolha, cujo desafio a Comissão Política acredita que terá resposta positiva.

Mais respeitinho, sff

“Pela pureza da raça” de Vítor Cunha (Blasfémias)

No Facebook, inadvertidamente, abri um link de um jornal do PS onde acabei por ler um artigo de senhora cuja fotografia de ar esbaforido – que não conclui ter origem em químicos ou em falta de discernimento. Reconheço-a: é aquela pessoa que tanto chinfrim armou por dizerem ser namorada do Sócrates e que só a pretensão de não restar vivalma no país sem o saber justificaria tamanha indignação. É, para além disto, a responsável do departamento de recursos humanos no âmbito de colunistas para o Diário de Notícias, o sucessor noticioso que é mais buraco que o próprio Acção Socialista (doutora Edite Estrela, não se ganham todas). Percebi, de imediato, que o artigo pretendia ser uma espécie de resposta a um artigo do André Azevedo Alves n’O Observador sobre o lobby gay e fui ler. Pelo que consegui perceber, é suposto não se fazer piadas com homossexuais, só com “pessoas normais” (palavras da autora). Diz-nos, numa escrita irónica que domina com uma argúcia de wonderbra, que “toda a gente sabe que o que tem graça é fazer pouco de quem está em situação de inferioridade ou de menos poder, dos indivíduos ou grupos com os quais a maioria não se identifica. Qual a graça de fazer pouco de homens hetero brancos de classe média, por exemplo?” E tem razão. Seria muito mais útil fazermos piadas com homens hetero brancos de classe média, com católicos brancos de classe baixa e – porque não? – com mulheres solteiras de meia-idade levadas de férias por homens de negócios e da política que acabam suspeitos de corrupção. Eu incentivo.

Maus tempos para a liberdade

1. Como no caso aqui citado, os artigos do André ou da Maria João no Observador (ou os do João Miguel Tavares do Público ou do César das Neves no DN) provocam, por regra, toda a série de comentários exaltados e inapropriados. Apesar de tudo muitos são irrelevantes tal como os anónimos que os escrevem. O que é relevante são as constantes ameaças de processos por “delito de opinião”. Certos espécimes acham-se o paradigma da tolerância desde que os outros concordem com eles ou remetam a sua discordância ao silêncio.

2. Apesar do parecer contrário da CNPD devido às ameaças à privacidade dos doentes o governo vai mesmo avançar com o “registo oncológico”. Este lembra que “o Parlamento é soberano”. Mesmo contras os direitos dos indivíduos que dizem representar. A Bem da Nação. Como escreveu James Bovard “Democracy must be something more than two wolves and a sheep voting on what to have for dinner.”. Devia mas não é.

3. O líder da oposição cambodjana (no exílio) foi recentemente condenado in absentia a 5 anos de prisão por espalhar notícias falsas no Facebook. Uma excentricidade asiática? Nem por isso. Ainda esta semana Jean-Claude Juncker avisou o Facebook e o Twitter que devem combater notícias falsas. Caso contrário irão sofrerão as consequências. O que é na versão comunitária uma “notícia falsa”? Será a UE autoritária? Chiu…

Incerteza até ao fim

Pedro Magalhães que há escassos 10 dias garantia uma “vitória tranquila de Hillary Clinton” não arrisca agora mais que “uma provável vitória de Hillary Clinton”.

Governo desmente-se ao fim de alguns meses

No Público

Governo assume que manuais grátis não serão, na maioria, reutilizados. Crianças podem riscar, pintar e colar autocolantes. Ministério quer novos livros feitos para mudarem de mãos.

Conforme qualquer encarregado de educação com filhos no 1º anos sabia (tinham sido avisados por circular da DGEstE) emborga publicamente o governo continuasse a negá-lo, existem poucas hipóteses dos manuais entregues este ano serem reutilizados por alunos do ano que vem. Tratou-se apenas de passar o custo dos agregados com filhos no 1ºano para os contribuintes em geral. Chama-se a isto “anestesia fiscal”, “propaganda” ou “mentir descaradamente”.

Chamar os “abrantes” pelos nomes

“Em Abrantes, tudo como dantes” de Pedro Rolo Duarte (SAPO24)

Mais do que um fantasma, Miguel Abrantes foi uma sombra e arma de arremesso a coberto de um pseudónimo, e um realíssimo aldrabão para pessoas de boa-fé, como foi o meu caso. Fácil, eficaz, e mais barato do que um contrato com uma agência de comunicação: usar as mesmas armas, mas sem dar a cara. Isto diz muito sobre a forma como José Sócrates encarou o poder, os media, e a opinião publica.

Infelizmente, não esteve sozinho – e quando se questionou a existência de tal blogger, uma jornalista militante da ética, da verdade e da deontologia, chegou-se à frente. Chama-se Fernanda Câncio e, no blog Jugular, no dia 22 de Fevereiro de 2008 – e posteriormente editado a 7 de Novembro de 2008, foi peremptória: “Eu, como a maioria das pessoas que escreveu no blogue “sim no referendo”, conheço o miguel abrantes. vi-o, jantei com ele, sei onde trabalha. e sei que não é assessor do governo. Mas, sendo as coisas e as acusações o que são, este meu affidavit não deve servir de muito ao miguel abrantes (nem a mim, for that matter). Paciência — é a verdade”.

Oito anos depois, começamos a perceber a noção de verdade que cercava Sócrates, o seu núcleo duro e alguns jornalistas ditos “de referência”. Não surpreende. Pior é quando alguém se lembra de ligar a ventoinha da memória mesmo em frente da lama…