Ando distraído

Não me apercebi da criação de um novo partido, o PE (partido da esquerda). A minha falha assume proporções mais graves já que o PE pode vir a atingir a maioria absoluta! Só é pena que aa desatenção da CNE porque teríamos poupado uma pipa de massa em tinta nos boletins de voto, trocando três ou mais linhas por uma única.

Das “loucuras” financeiras

Na sequência da anunciada contratação de Jorge Jesus como treinador do Sporting e da preocupação que tal levantou (nos sportinguistas e, estranhamente, em adeptos de outros clubes) quanto à racionalidade financeira desta decisão pelos valores que aparentemente estarão envolvidos, importa não perder de vista a situação actual do Sporting, por si só e em comparação com Benfica e Porto.
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Para uma análise mais aprofundada, podem ser consultadas as informações submetidas à CMVM (SCP, SLB e FCP).

Mais um que não engana

Marinho Pinto em entrevista ao Observador:

Nós no PDR estamos a estudar a possibilidade de instituir um salário máximo nacional.
Admite que possa haver pessoas numa empresa e que ao fim do ano recebam dois milhões de euros? Um dos objetivos políticos fundamentais de um partido republicano é eliminar as desigualdades em Portugal. E o que é escandaloso nem é tanto os baixos salários que se praticam. O que é obsceno em alguns casos são os altos salários com que as elites se remuneram a si próprias.
Pessoas que recebem num ano o que as pessoas que recebem mil euros (ao mês) receberiam em 180 ou 200 anos. Eles não acrescentam valor que justifique essas remunerações.

Da minha parte, a resposta à primeira questão é sim, claro que sim. Mas só em empresas privadas, já que nas públicas não confio que o estado/governo assegurasse que o proveito extraído do trabalho dessa pessoa seria superior à remuneração paga. Em empresas privadas, esse controle é naturalmente exercido por accionistas/credores que, achando disparatado, não investem/financiam.
Para além de carregado de chavões populistas (as elites, o ganhar num ano o que os pobres trabalhadores ganham em 200), o discurso de Marinho Pinho não consegues esconder o socialismo/estatismo que consciente ou inconscientemente o guia. Ele está presente na vontade de eliminar as desigualdades nivelando por baixo, na preocupação com o que os privados fazem entre si de livre vontade e na arrogância com que se julga saber mais e melhor do que os envolvidos.

O Jorge Jesus que se cuide…

PS: Informo que segui à risca o referido pelo próprio no site do PDR: “Nunca acredites no que dizem que eu disse, mas acredita sempre, naquilo que me ouviste dizer…” (vírgulas de acordo com o original)

Piedosos samaritanos

Comentário do leitor Baptista da Silva ao post do Miguel “Uma boa razão para privatizar urgentemente o Metro e a Carris“:

Os trabalhadores dos transportes públicos fazem greve para defender a qualidade do serviço que prestam à comunidade, os professores fazem greve para defender o ensino público, os médicos fazem greve para defender os pacientes, até os pilotos fazem greve para defender a segurança dos passageiros. Portugal é uma borrasca de piedosos samaritanos, cheios de vontade de oferecer as suas vidas e o seu trabalho pelo bem da pátria.

Marinho Pinto strikes again

Em entrevista à Rádio Renascença, Marinho Pinto evidencia o brutal desfasamento com o Povo que diz querer servir.

[RR] O senhor ganhava dez salários mínimos.
[MP] Não sei. Recebia líquido 4.800 euros por mês.

[RR] Acha que é um salário digno para a função de um bastonário?
[MP] Para quem vivia em Lisboa, sim. Acho que não permite grandes coisas. Não permite ter padrões de vida muito elevados em Lisboa.

Portanto, se alguém gastar €75 em refeições todos os dias (€5 ao pequeno-almoço, €20 ao almoço e €50 ao jantar), pagar uma renda de €1.550 (seja do empréstimo à habitação ou da renda) e ainda tiver €1.000 todos os meses para despesas diversas, será que não são “grandes coisas”? Não esquecer que ainda sobram o 13º e o 14º meses, que darão para uma simpática viagem anual e para poupança/investimentos. Se calhar terei que concluir que os meus padrões de vida são mesmo muito baixos.

Ao lado

«A abstenção não é solução, não contribui para melhorar as condições de vida dos portugueses, não contribui para o progresso do país», afirmou o chefe de Estado, Aníbal Cavaco Silva, em declarações aos jornalistas depois de ter votado para as eleições europeias, em Lisboa.

Daqui.

O problema é que os partidos em quem votamos têm contribuído pouco para a melhoria da vida dos portugueses e para o progresso do país.

Típico

O meu texto de hoje no Diário Económico.

Ciclicamente, quando o timing político parece acertado, surgem pedidos de eleições antecipadas, sempre mascarados das melhores intenções: que o governo da altura é mau, que não cumpre o prometido, que se criou um fosso entre eleitores e eleitos, que, enfim, o mundo irá acabar com a continuação da política vigente.
Na semana passada, calhou a Ferro Rodrigues sugerir que, em caso de vitória clara do PS nas eleições europeias, estarão criadas as condições para Cavaco Silva dissolver a assembleia. A ideia, para além de pouco original, tem vários defeitos.
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