Antes que comecem a queimar livros

Eu conheço a história do Vale Santiago (quem esteve na FACECO de há um par d’anos viu lá exposta a porta deitada abaixo no assalto à casa do lavrador). Quando era gaiato ser chamado maltes era seguido dumas palmadas por me ter portado particularmente mal. Sei que ainda há malteses que assaltam e roubam reformas dos velhos, roubam vacas, porcos ou pilhas de cortiça. Conheço em primeira mão as histórias de suicídio lá da serra de Sabóia ou de Sta Clara. Conheço em primeira mão o alcoolismo da solidão de novos e velhos. Das drogas dos tempos mais recentes. Dos baraços amarrados à trave do tecto, do 605 forte, da caçadeira usada ao contrário. A solidão e a quietude de esperar pela sossega. Do fatalismo que aceita e é natural como respirar. Do calhando, seja o que Deus quiser.

Que o Alentejo também é isso estamos conversados – não é só isso felizmente, claro. Mas nao é por vergonha ou total desconhecimento de quem põe uma samarra aos ombros, bebe um copo com uma linguiça e um panito e acha que o cante é uma cantoria alegre e folclórica dum povo bonacheirão (como o é este vosso criado), que a história muda ou é reescrita.

O cante, aliás, canta bem as histórias mais tristes. Uma espécie de blues (a ver se os suburbanos e neoalentejanófilos percebem) que ainda hoje me aperta o coração porque ainda recordo como era cantado lá na venda e por quem era cantado e como era regado.

Parece que no Portugal do Séc. XXI publicar um livro, qualquer um, não é actividade livre de risco e de perseguição. Era bom que a Liberdade fosse um valor acarinhado em Portugal e a ignorância não fosse desculpa para a estupidez.

Henrique Raposo:
Os jovens da zona que retrato não conheciam, por exemplo, a revolta do Vale de Santiago (de onde saiu o homem que matou Sidónio). É um pouco estranho, mas parece que é a primeira vez que um geração de alentejanos está a ouvir falar do problema do suicídio (que existe), da cultura dos malteses fora-da-lei (que existiu), do abuso sexual da criada e da ceifeira às mãos dos marialvas e do consequente número generoso de bastados (que existiu), etc., etc. Como nunca ouviram falar disto, como nunca leram nada sobre isto, reagem contra o mensageiro. É normal. A negação é o primeiro passo do conhecimento.

Já agora: maltes não é o mesmo que maltês.

O Diabo está nos detalhes

A 10 de janeiro de 2005:
“Sócrates promete criar 150 mil empregos se for primeiro-ministro”

A 19 de Agosto de 2015:
“PS promete a criação de 207 mil empregos até 2019”

A 20 de Agosto de 2015:
“Eu não prometo 207 mil postos de trabalho, eu comprometo-me com um conjunto de medidas de política que tendo por prioridade a criação de emprego têm um estudo técnico a suportá-lo que estima um conjunto de resultados, na dívida, no crescimento, na redução do défice e também no emprego” (…) “convém não confundir promessas com aquilo que são estimativas dos resultados das promessas”

Sobre as “estimativas dos resultados das promessas”, o Carlos levantou já questões pertinentes.
Quanto à criação de emprego, tem António Costa razão em clarificar a diferença face a anteriores candidatos do PS. Ele não pode prometer o que apenas os empresários podem realizar. São eles que investem e criam empregos. Os governos ajudam não expoliando empresários e trabalhadores, saindo da frente, não aumentando mas diminuindo o número e valor dos vencimentos e estipêndios estatais e outros consumos da riqueza e poupança produzidas.
Não tenho a certeza que o PS de 2015 já tenha adquirido total compreensão deste pormenor diferenciador entre o papel do governo e dos empresários.

Só são bons para pagar

É isto que me apoquenta nesta gente. A culpa do estado a que isto chegou é de quem não aproveitou, aproveita ou aproveitará (porque os tempos próximos serão de dilúvio gastador com certeza).

“O erro está na insuficiência do nosso tecido empresarial em aproveitar

António Costa não percebe que não são, nunca foram, os marcianos a financiar o messianismo despesista característico do socialismo . Não percebe que ou aumenta logo os impostos ou cria dívida e alguém irá cobrar mais impostos no futuro  – não menos, como dirá a todos nos meses até às eleições.

Entre os pagadores (vulgo contribuintes) estão os insuficientes empresários que investem, trabalham e dão trabalho. Os insuficientes e os seus trabalhadores só são bons para pagar impostos. Se deixados sozinhos nem a roda tinham inventado, quanto mais lembrar-se de pôr um par delas num eixo. Para lhes dizer o que fazer com o seu próprio dinheiro está lá António Costa e os demais socialistas (da direita à esquerda).

Eles sim são e sempre foram inovadores.

Nada mudou. Nada vai mudar, parece-me.

Versão culturalista da petição do fabricantes de velas

Mais uma prova que Bastiat continua actual é o que pode ver e ouvir no Prós & Contras, sobre a lei da cópia privada.
A indústria de velas vai mal? Taxe-se o Sol.
Haja regulação e taxas para pagar o culturalismo.

Actualização: Podem ler a “Petição” em português no site do Instituto Ludwig von Mises Portugal.

Preocupam-me os brancos e nulos.

Somando a totalidade de eleitores inscritos que sejam candidatos e que destes sejam cônjuges, irmãos, pais, primos, tios, cunhados, padrinhos, vizinhos-do-lado-e-de-cima, colegas de escola primária e secundária e antigos co-membros da tuna, … será, talvez!, possível chegarmos aos 25% de votos.

Agora vejam lá o que justifica alguns deles terem votado em branco ou nulo.

Frédéric Bastiat

Lorsque la Spoliation est devenue le moyen d’existence d’une agglomération d’hommes unis entre eux par le lien social, ils se font bientôt une loi qui la sanctionne, une morale qui la glorifie.

Nascido a 30 de Junho de 1801.
Continuar tão actual no Portugal de 2013 diz muito sobre o que escreveu e do estado a que este país chegou.

Bocejo

Na sequência da posição oficial do PS segundo a qual serão outros a resolver o que Sócrates legou (base para o seu programa de putativa alternativa governamental), o Sr. socialista que portou a voz de António Seguro, disse:
”                                                     .”

A sério. Foi isso que não ouvi.

Pode ser que venha por aí, abrindo caminho pelo nevoeiro

No PS a luta pela herança do anterior Secretário-Geral aquece estes dias de nevoeiros matinais. Talvez a meteorologia explique estes acessos de saudosismo socialista que leva aos jogos florais que vamos vendo entre a Frente dos Verdadeiros Herdeiros de Sócrates e a Verdadeira Frente de Sócrates Herdeira. Ao intervalo o resultado é um empate, mas o espectáculo de falta de vergonha de muitos dos que colaboraram, apoiaram e governaram com o estudante parisiense promete mais e melhores jogadas desenhadas pelos estrategas de ambas as equipas, perdão…, Frentes.
O PS não aprendeu nada com os passados 10 anos e anseia pelo Messias que emergindo do nevoeiro volte a prometer criar (qual devindade de poderes infinitos) 150.000 novos empregos numa só legislatura e levante em êxtase o Nobre Povo.

Entretanto, caso os Verdadeiros Crentes não tenham reparado, de tão distraídos que andam com estes jogos florais, os impostos continuam a aumentar (leia-se “factura sobre a despesa estatal que era suposto ser paga pelos marcianos“). Já me disseram que tenho de deixar de dizer “esbulho” porque torno-me incompreensível para os socialistas de todos os partidos.

Estou indignadíssimo

Com quem ajudou a que o resultado do esforço de quem trabalha, investe, poupa e paga impostos tenha sido malbaratado durante décadas. Estou indignado com muitos dos que hoje, esta semana, este ano, descobriram este adjectivo. Tivessem memória e estariam indignados com as escolhas que fizeram, quando puderam optar e votaram nas utopias e falácias que lhes ofereciam sem etiqueta de preço. Tivessem memória e lembrar-se-iam dos muitos que sempre avisaram que chegaríamos a este estado de penúria se não se tentasse atalhar caminho noutra direcção. Faço, por isso, minhas as palavras que ouvi há pouco a um exaltado manifestante: “tenham vergonha, pá!”.

Indignados ou não, serão os mesmos de sempre a pagar a factura deixada pelos incompetentes que saciaram a ambição de poder e as suas clientelas penhorando o dinheiro dos contribuintes.

Coisas que me apoquentam numa manhã de Verão

Alertado pelas numerosas entrevistas televisivas com futuros ex-Governadores Civis dou-me conta que o fim destas repartições estatais e dos correspondentes cargos de representação do estado central pode levar ao caos.
Sem Governadores Civis como se aprovarão os concursos (sorteios promocionais)? Que será das muitas instituições, associações, agremiações várias que recebiam transferências das empresas, vindos das sobras não entregues desses concursos (vulgo reversões) de acordo com a escolha dos serviços dos G.C.?
Sim, era (também e quase só) para isto que serviam os governos civis.

A semântica da oposição

Aposto que nos próximos tempos a palavra “economicista” vai estar constantemente na boca de socialistas e comunistas, pronunciada sempre com um esgar e em tom de desprezo.

Coisas que me fazem esfregar as mãos de contentamento

Fernando Nobre será presidente da Assembleia da República.
Será a segunda figura do Estado.
Estou exultante.

Já haverá bilhetes à venda?

Maoistas, leninistas, estalinistas, trotskistas, marxista e sei lá mais quantos.
No BE os próximos tempos podem voltar a reviver o tempo em que esta recomendável gente se odiava e lutava entre si.

Adios, Adieu, Auf Wiedersehen, Goodbye

Infelizmente foi preciso irmos cano abaixo primeiro para darmos conta de quem foi a principal responsabilidade do estado a que isto chegou.

Isto promete

Depois da entrada (falta-me o adjectivo) em estúdio de José Eduardo Moniz, lá vai Fátima Campos Ferreira em digressão pelo mesmo estúdio da RTP. É um gosto ver o meu dinheiro tão bem gasto.

And counting…

O INE, em sintonia com o Eurostat, anunciou esta tarde uma revisão da notificação relativa ao Procedimento dos Défices Excessivos enviava a Bruxelas no final de Março. Agora, o défice de 2010, que já fora revisto em alta para 8,6 por cento do PIB, passa a ser de 9,1 por cento, por causa de três contratos de Parcerias Público Privadas (PPP).

How is it working for you?

A Assembleia Constituinte afirma a decisão do povo português (…) de abrir caminho para uma sociedade socialista, no respeito da vontade do povo português, tendo em vista a construção de um país mais livre, mais justo e mais fraterno.

Mais um discurso vencedor

Fernando Nobre tem menos 240.000 votos em 2011 do que Mário Soares teve em 2006 (dados do site da RTP a esta hora). Ambos ficaram em 3º lugar.

Razões para comemorar?

Estão de parabéns os socialistas portugueses, de todos os partidos democráticos, pela reeleição do Prof. Aníbal Cavaco Silva.
Amanhã o país seguirá o caminho da estabilidade, cano abaixo.

Contributo para o movimento grevista

Só para não me chamarem amarelo, cá vai.

Não fiquem em casa a ver os piquetes pela TV, de pantufas e robe ou esparramados no sofá só porque se nota uma ligeira humidade no ar. Saiam para rua!
A luta molhada é uma luta abençoada.

Do you remember what day it is today?

Remember, remember:

There is something terribly wrong with this Country, isn’t there?

I WANT EVERYONE TO REMEMBER WHY THEY NEED US