Centeno Dr. Jekyll vs. Centeno Mr. Hyde

Coisas que não se inventam:

O Eurogrupo, o conselho informal dos ministros das Finanças da zona euro, que é presidido por Mário Centeno, o ministro português, decidiu censurar o projeto de plano orçamental português para 2020, o chamado esboço orçamental, que o próprio Centeno enviou para Bruxelas em meados de outubro último.

A notícia e imagem acima foram retiradas daqui.

Portugal com o Terceiro Menor Investimento Público Per Capita da União Europeia

Portugal uma vez mais na cauda da Europa, desta vez no que diz respeito ao investimento público. Por comparação, a Irlanda regista um investimento per capita cerca de quatro vezes maior, a Estónia cerca de três vezes maior e a Letónia cerca de duas vezes maior.

Também no investimento público em relação ao PIB, Portugal aparece no fim da lista (imagem retirada daqui).

Este nível de investimento, assinale-se, fica abaixo do nível de investimento do governo liderado por Passos Coelho que teve que cumprir um duro programa de ajustamento (fonte).

Mas não é a esquerda que defende as virtudes do investimento público com o seu efeito multiplicador na economia?

Os Contribuintes TAPam os Prejuízos

Para a esquerda, a TAP é uma empresa “estratégica” e uma empresa “de bandeira“. Não sei bem o que é que estes lirismos significam bem. Ainda que a TAP simplesmente desaparecesse de um dia para o outro, seria uma questão de tempo até outras companhias aéreas preencherem esse espaço. A beleza do capitalismo é que onde existe uma necessidade, o mercado a irá satisfazer. Também há vários países, inclusivé na Europa, onde não existem empresas de aviação públicas e os seus cidadãos não ficam privados de voarem para onde quiserem.

Ora bem, Passos Coelho esteve mal em não privatizar a empresa a 100%, mas António Costa ainda esteve bem pior quando assegurou 50% do capital da empresa aos contribuintes com direito a 50% dos prejuízos mas apenas a 5% dos lucros e sem controlo estratégico da mesma (fonte).

Esta semana saiu a notícia de que entre Janeiro e Setembro deste ano a TAP registou 111 milhões de euros de prejuízos (fonte). É impressionante que uma empresa que está em falência técnica há dez anos continue a operar e a registar prejuízos sucessivamente.

Recorde-se que para a administração da TAP, António Costa nomeou entre outros o seu grande amigalhaço de longa data e homem de mil ofícios, Diogo Lacerda Machado.

Registe-se ainda que em 2018 quando a TAP teve 118 milhões de euros de prejuízos, a empresa decidiu distribuir 1,171 milhões de euros de bónus por 180 pessoas tendo sido a mulher de Fernando Medina comtemplada com um bónis no valor foi de 17.800 euros (fonte).

E é ao menos a TAP uma companhia aérea de excelência? Para quem tem que viajar na TAP, os atrasos sistemáticos são um suplício. De facto, segundo a Bloomberg no início deste ano, a TAP é a companhia de aviação que mais se atrasa no mundo (fonte).

De facto, o que é precisco é que os contribuintes TAPem os olhos e também TAPem os prejuízos. Afinal de contas, o bolso do contribuinte não tem fundo quando se trata de financiar os delírios dos políticos.

O Estado E Outros Ensaios de Frédéric Bastiat

Encontra-se já disponível aqui o livro “O Estado E Outros Ensaios” de Frédéric Bastiat que além de uma introdução de Henry Hazlitt contém também uma introdução do André Azevedo Alves ao ensaio “A Lei” – que continua tão actual hoje como quando foi escrito em 1850. Este pequeno livro é uma obra fundamental para qualquer liberal e libertário, e ainda mais essencial para qualquer socialista – sobretudo o ensaio “O que se vê e o que não se vê“. Este livro, organizado pelo Pedro Almeida Jorge, será com certeza uma óptima prenda de Natal.

A lei pervertida! A lei – e com ela todas as forças colectivas da nação – a lei, dizia eu, desviada não somente do seu objectivo mas utilizada para perseguir um objectivo totalmente contrário! A lei tornada no instrumento de toda a cobiça em vez de constituir o seu travão! A lei consumando a iniquidade que ela própria tem por missão castigar! Tudo isto, a existir, constitui, sem dúvida alguma, um facto grave sobre o qual me deve ser permitido chamar a atenção dos meus concidadãos.

O Milagre Liberal da Estónia

Vale a pena ler o artigo de opinião O “milagre” liberal por Luís Areias, no Observador sobre a Estónia:

[…] Ocupada pela URSS até 1991, o PIB per capita em 1995 era de uns míseros 5.292 euros o que compara com os 12.116 euros de Portugal no mesmo ano. Volvidos 23 anos, o PIB per capita estónio era de 25.087 euros que compara com os 23.397 euros portugueses.

Refira-se que a Estónia apenas aderiu à União Europeia em 2004, isto é, 18 anos após a entrada de Portugal. Não obstante Portugal ter partido de uma base de riqueza de mais do dobro da Estónia, de ter beneficiado de fundos europeus por mais 18 anos que a Estónia e da dívida per capita em Portugal ser quase 15 vezes superior a da Estónia (23.831 euros vs 1.624 euros), em 23 anos a Estónia é hoje um país mais próspero e mais desenvolvido que o nosso.

[…] A Estónia é uma economia com melhor rating de dívida que Portugal (2019); melhor posicionada no ranking de inovação (2018); com uma taxa de desemprego inferior à portuguesa (3,9% vs 6,6%) (2019) e com desemprego de longa duração muito inferior ao nosso; melhor posicionada no ranking de capital humano (12º vs 43º) (2017); melhor país para se fazer negócios (16º vs 34º) (2019); com mais imigração e menos emigração que Portugal, sinal de maior atractividade; melhor posicionado no ranking global de competitividade (32º vs 34º) (2018); onde a percepção de corrupção é menor (18º vs 30º) (2018); melhor posicionado no ranking mundial de felicidade de 2019 (55º vs 66º); melhor posicionado no índice global de diferênça de genéro em 2018 (33º vs 37º) e com uma taxa de natalidade e um índice de desenvolvimento humano superior ao nosso (2017).

Uma Longa Estagnação Portuguesa

O mercado de capitais de um país reflecte em grande medida o desempenho da sua economia, sendo que a qualquer instante incorpora não só os resultados registados, mas sobretudo as expectativas futuras.

Analisemos então o desempenho por exemplo da bolsa americana nos últimos 20 anos através do índice S&P500. Durante os últimos 10 anos, o índice valorizou uns impressionantes 244%. Quem tivesse investido 1000 dólares no índice S&P500 há 10 anos atrás, teria hoje 3440 dólares.

Vejamos um país europeu mais próximo – a Estónia. Em 10 anos o índice OMX Tallinn passou de 286 para 1262 valorizando uns fenomenais 341%! Quem tivesse investido 1000 euros há 10 anos atrás no índice OMX Tallinn (sendo que a Estónia só aderiu ao Euro em 2011), teria hoje 4410 euros!

Analisemos também a Irlanda. Em 10 anos,o índice ISEQ20 passou de 2044 para 6825, valorizando uns admiráveis 234%. Quem tivesse investido 1000 euros há 10 anos atrás  no índice ISEQ20, teria hoje 3340 euros.

E em Portugal, um país que nem sequer 20 empresas consegue colocar no índice PSI-20? Em 10 anos, o PSI-20 passou de 5680 para 5181, uma desvalorização de 9%. Quem tivesse investido 1000 euros no PSI-20 há 10 anos atrás, teria hoje… 910 euros!

Imagino que a esquerda – que tanto odeia o capital – esteja radiante com esta desvalorização do índice bolsista português. Sempre existirão menos ricos. O objectivo da esquerda é que sejamos todos igualmente pobres para assim acabar com as desigualdades.

As políticas socialistas conduziram e mantiveram-nos presos a esta longa estagnação, com um país incapaz de atrair e reter talentos e capital – absolutamente essenciais para o desenvolvimento. Com as políticas fiscais que se avizinham, esta estaganação continuará por muito mais tempo.

Geringonça Expulsa 100 Mil Portugueses Em Três Anos, Dos Quais 37 Mil Licenciados

Usando a erudita, apurada e sofisticada linguagem de sucateiro (sem intenção de insultar os sucateiros) do actual secretário de estado do lítio João Galamba (ver imagem abaixo) e usando dados oficias do INE retirados daqui, podemos concluir que apenas entre 2016 e 2018 a Geringonça expulsou do país 100 mil portugueses em três anos, dos quais 37 mil são licenciados.

Os dois gráficos abaixo revelam a evolução em termos absolutos e relativos da emigração por grau de escolaridade entre 2014 e 2018 (último ano com dados conhecidos).

Curiosidades:

  • Eu ainda sou do longínquo tempo de 2015 em que António Costa afirmava que “a austeridade pôs em causa a dignidade do país porque obrigou os portugueses a emigrarem” (fonte)
  • Eu ainda sou do longínquo tempo do governo PSD-CDS em que as televisões davam longas reportagens nos aeroportos a cobrir os dramas familiares dos emigrantes; ou cobriam os discursos emocionados das mães de emigrantes nos comícios socialistas (fonte).
  • Eu ainda sou do longínquo tempo de 2018 quando António Costa se vangloriava ao criar um programa de apoio aos emigrantes que sairam do país especificamente entre 2011 e 2015 (quem emigrou durante o período da geringonça que morra longe!) que consistia num apoio de realocação de até 6536 euros e na redução de 50% no valor do IRS durante cinco anos (milagre! o PS reconhece que os impostos baixos servem para fixar e atrair talentos) (fonte). Por curiosidade, dos 500 mil emigrantes que o João Galamba refere acima, a este programa que teve o custo de 10 milhões de euros para o IEFP, candidataram-se apenas 481 pessoas… *suspiros* (fonte).
  • As pessoas licenciadas representam a maior parte fatia da emigração em 2018 (12640 pessoas ou 40% do total), um valor maior em termos absolutos e relativos do que se registou em 2015 (12073 ou 30% do total).
  • Como o João Miranda refere no twitter, 12000 licenciados que emigraram em 2018 representam cerca de um quinto (20%!) de todas as pessoas que se licenciaram em Portugal nesse ano.

Considerando este brain drain terrível para o páis – a perda de pessoas muito valiosas que poderiam dar um grande contributo a Portugal, qual é a estratégia do governo socialista?

Numa altura em que Portugal já tem a quarta maior taxa marginal máxima de todos os países da OCDE no valor de 72% e a quarta maior taxa sobre as empresas  no valor de 27,5% (fonte), o governo prepara-se para aumentar os impostos – com particular violência e agressividade às pessoas mais valiosas, mais talentosas e mais produtivas através: 1) do aumento da progressividade do IRS (fonte); e do englobamento obrigatório (fonte).

Infelizmente com os socialistas, seremos sempre um país cada vez mais pobre.