O Efeito Centeno

Esta semana, Mário Centeno em entrevista ao Financial Times, alertou os mercados que “[Portugal] não estava a ser tratado de forma justa”.

Três dias depois destas declarações de Mário Centeno, as taxas de juro da dívida pública portuguesa a 10 anos no mercado secundário encontram-se em grande subida, superando o valor de 4,2% (na altura em que escrevo este post) e aproximando-se de máximos de três anos.

É caso para falar do “Efeito Centeno”.

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Deve Ser Isto O Virar Da Página Da Austeridade

No ano de 2016 registou-se a maior carga fiscal de sempre em Portugal – 34,7% do PIB. Ainda bem que está virada a página da austeridade!

cargafiscal

No gráfico, a carga fiscal inclui impostos diretos, indirectos e contribuições sociais efectivas.

Nacionalizado ao facebook e twitter do Jorge Costa.

Notícias Sobre Transferências Para Offshores: Descubra as Diferenças

Jornal Público28 de Abril de 2016, há cerca de quase um ano atrás.

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Jornal Público, 20 de Fevereiro de 2017, há três dias atrás.

offshores_fevereiro_2017

Quanto ao timing desta notícia e as proporções que a mesma tem tomado, deixo as razões à imaginação dos caros leitores.

Alternative Facts

No dia 1 de Setembro de 2015, Antóno Costa afirmava que era uma ilusão que a resolução do BES não acarretaria custos para os contribuintes (fonte).

costa_setembro_2015

Já o mesmo António Costa, no dia 22 de Fevereiro de 2017 (ontem) contradizia o António Costa de Setembro de 2015 (fonte), afirmando com a mesma cara de pau expressão que o estado em caso algum perderá qualquer parcela dos 3900 milhões de euros.

costa_fevereiro_2017

Tudo normal, portanto.

Entretanto Numa República Das Bananas…

Não só o governo concordou que os advogados de António Domingues criassem uma lei à medida do próprio (algo que por si só é um atentado à democracia e que tem merecido muito pouca atenção mediática), como quem pagou a conta a estes advogados foi o próprio banco do estado, a Caixa Geral do Contribuinte de Depósitos (fonte).

caixadomingues

Dever ser por isto que é tão estratégico para o interesse nacional manter um banco público.

Portugal Com Menos Liberdade Económica em 2016

Já está disponível o 2017 Index Of Economic Freedom da The Heritation Foundation que analisa 180 países de acordo com um índice de Liberdade Económica constituído por quatro factores:

  1. Estado de Direito – direitos de propriedade, corrupçao
  2. Tamanho do Estado – saúde fiscal, despesa pública
  3. Eficiência Regulatória – liberdade comercial, liberdade laboral, liberdade monetária
  4. Mercados Abertos – liberdade de comércio, liberdade de investimento, liberdade financeira

Em 2017, Portugal encontra-se na posição 77 entre 180 países analisados com 62.6 pontos. O valor do indíce Português baixou 2,5 pontos em relação ao mesmo índice de 2016 tendo Portugal descido 13 lugares no ranking econtrando-se agora em termos de liberdade económica entre a República Dominicana e a Namíbia. Na região Europa, Portugal desce três posições e encontra-se agora na posição número 33 entre 44 países analisados.

portugalfreedomindex2017

Abaixo deixo alguns dados específicos do índice de liberdade económica Português. Os indicadores onde Portugal tem menos liberdade económica são nos gastos governamentais (posição 168 entre 180 países), saúde das finanças públicas (posição 151 entre 180 países) e flexibilidade laboral (posição 162 entre 180 países).

economicfreedomscore

freedomindex12freedomindex34

Caso tenham curiosidade, aqui fica o Top 10 e o Bottom 10. Sem surpresa, os países onde há menos liberdade económica no mundo são todos eles paraísos socialistas.
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É Preciso Virar a Página Deste Ciclo De Austeridade. Podemos Crescer 2,6% Ao Ano Com Uma Nova Política.

O título deste post bem podia ter sido Economia Cresce 1,4% em 2016 e Supera Expectativas para dar continuidade a todo o spin do governo e da comunicação social.

Conhecido que é o valor do crescimento do PIB para 2016 – 1,4%, com o todo o spin à volta das expectativas superadas do governo (tendo por base o valor corrigido pelo governo de 1,2% em Outubro de 2016, já bem no final do ano) recupero e actualizo este post.

Abril de 2015. A pedido de António Costa, um grupo de sábios economistas abaixo assinava e publicava o documento Uma Década Para Portugal. O Partido Socialista baseava toda a sua narrativa neste documento para se apresentar como alternativa:

Este documento foi revisto em Agosto de 2015 com o Estudo Sobre O Impacto Financeiro Do Programa Eleitoral do PS e serviu de base para toda a tese da campanha eleitoral do PS e da sua apresentação enquanto alternativa de governação.

Este documento foi várias vezes questionado e criticado aqui neste blog (ver aqui, aquiaqui ou aqui). Foi feito também um apelo para a disponibilização do modelo subjacente (que entre outras coisas previa que fossem criados 466 empregos em 2019 devido aos efeitos da “promoção da lusofonia“) que nunca foi tornado público.

Nada como testar e avaliar o modelo e a sabedoria dos sábios que elaboraram o tal documento contra a realidade. Para tal, referencio os seguintes documentos:

Vejamos então as previsões e o valor real do crescimento do PIB para 2016 no gráfico abaixo.

crescimento_pib_2016

Dos 2,4% de crescimento do PIB previstos para 2016 no Plano Macro económico do PS inicial, e que mesmo em Janeiro de 2016 foi revisto para 2,1%, o próprio governo prevê  em Outubro de 2016 apenas 1,2%. O valor final acaba por ser de 1,4%, abaixo quer do valor registado em 2015 (1,6%) quer do valor previsto pelo próprio Partido Socialista caso a coligação Portugal à Frente se mantivesse no governo (1,7%).

No entanto, qual é o grande destaque da comunicação social? O crescimento foi de 1,4%, duas décimas acima do valor corrigido em grande baixa pelo próprio governo em Outubro de 2016. Este spin merecia grande destaque nos Truques da Imprensa Portuguesa.

Analisemos então o desempenho dos sábios economistas para 2017.

crescimento_pib_2017

Dos 3,1% de crescimento do PIB previstos para 2017 no Plano Macro económico do PS inicial, o governo prevê agora em Outubro de 2016 apenas 1,5% – menos de metade do valor previsto inicialmente; e mais uma vez, abaixo quer do valor verificado em 2015 (1,6%), quer do valor previsto pelo próprio Partido Socialista caso a coligação Portugal à Frente se mantivesse no governo (1,7%).

Finalmente, para prestar a devida homenagem e tributo aos sábios economistas do PS, deixo aqui um gráfico que contem os valores do crescimento do PIB previstos entre 2016 e 2019 no seu cenário macro económico revisto em Agosto de 2015 com três séries:

  1. A cor de rosa, a previsão do crescimento do PIB entre 2016 e 2019 com as medidas propostas pelo Partido Socialista
  2. A laranja, a previsão do Partido Socialista para o crescimento do PIB entre 2016 e 2019 caso a coligação Portugal à Frente continuasse no governo
  3. A vemelho, os últimos valores registados para 2016 e previstos pelo Partido Socialista para 2017.

crescimento_pib_2016_2019

Com tal desempenho, é apenas justo que os portugueses reiterem a sua confiança no governo da geringonça; e que os venerados autores do documento Uma Década Para Portugal sejam promovidos a ministros, secretários de estado e a reputadíssimas figuras destacadas dentro do partido socialista, e que mais tarde sejam colocados nas universidades para ensinarem estes modelos tão bonitos aos estudantes àvidos de conhecimento.

A única coisa que consegue tramar o socialismo é a realidade.

Ó Daniel Oliveira, Afinal Em Democracia Manda Quem?

A coerência de Daniel Oliveira, tecnicamente designada de conveniência, fica aqui revelada em duas crónicas. Esta de Outubro de 2015:

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esta, de Fevereiro de 2017:

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Um Longo Efeito Temporário

No dia 9 de Janeiro quando os juros da dívida portuguesa a dez anos ultrapassaram os 4%, Mário Centeno, afirmava que a subida dos juros da dívida portuguesa podia ser explicada pelos riscos e incertezas na zona euro e que não haveria motivos para alarme porque a subida seria temporária (fonte).

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Para os leitores mais atentos deste blog, qualquer afirmação de Mário Centeno num determinado sentido deve ser entendida como uma quase certeza de que acontecerá precisamente o oposto. Já hoje, os juros a 10 anos no mercado secundário superaram o valor de 4,25% – sendo preciso recuar até Março de 2014 para obter um valor tão elevado.

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Confortemo-nos nas palavras do presidente da república – esse comentador sempre optimista e multi-disciplinar que em meados de Janeiro afirmou que “não há motivo para alarme” com os juros da dívida uma vez que “Depois da emissão, os juros nos mercados desceram abaixo de 4%”; e também que “Quando comparamos 4,2% deste ano com 3,2% do ano passado, temos de ter presente que no ano passado a inflação estava a 0% e agora a inflação está algures entre 0,6% e um pouco acima, a caminho de 1%. Portanto, isso tem de ser abatido ao valor da taxa nominal”.

Yes You Did (2)

Aproveitemos este último dia da presidência Obama para relembrar as vítimas (que incluem civis e crianças) dos ataques de drones ordenados pelo presidente laureado com o prémio Nobel da paz.

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Leitura complementarObama’s covert drone war in numbers: ten times more strikes than BushGet the data: Drone wars

Yes You Did

Sendo hoje o último dia da administração Obama, recordemos a evolução da dívida pública americana desde o dia da sua posse (20 de Janeiro de 2009). Como se pode observar no gráfico abaixo (criado a partir de dados daqui) verificamos que entre Janeiro de 2009 e Janeiro de 2017 a dívida pública americana aumentou de 10,6 de triliões de dólares (triliões americanos – 10^12) para 20 trilões de dólares. Um aumento em termos de relativos de 88% e em valores absolutos de cerca de 9,4 triliões dólares.

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Em termos do rácio dívida / PIB, a dívida pública americana encontra-se também num valor recorde para tempos de paz, num valor próximo de 105%.

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Obama By Nassim Taleb

Nassim Taleb, autor dos muito recomendados livros: The Black Swan, Fooled By Randomness e Antifragile faz esta descrição muito crítica de Obama na sua conta do twitter:

Votos De Boas Festas E Cordiais Saudações Socialistas

Camaradas, de que é que estão à espera?

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Leitura complementar: Hoje o Partido, Amanhã o País

Não É Para Produzir EBITDA, É Para Produzir Prejuízos Para Serem Pagos Pelo Contribuinte

A geringonça orgulha-se de ter anulado a subconcessão dos transportes públicos de Lisboa e do Porto (anulação essa cujas indemnizações, pagas pelo contribuinte, irão a tribunal).

António Costa também anunciou alto e bom som que as o objectivo das empresas de transportes (neste caso a Carris) não é produzir EBITDA, mas sim “transportar pessoas“.

As empresas de transporte parecem ter seguido as indicações de António Costa à risca, e eis que no primeiro semestre deste ano apresentaram prejuízos 33% acima do previsto:

A Carris registou um resultado líquido negativo de 19,2 milhões, mais 4,8 milhões (ou 34%) do que está orçamentado, enquanto na STCP os prejuízos de 20,2  milhões superam em 56% (7,2 milhões) o estimado. No caso da Metro do Porto, as perdas ultrapassam os 123,9 milhões, superando em 41,5 milhões (50%) o objectivo. E no Metropolitano de Lisboa, o prejuízo era em Junho de  47,4 milhões, superior em 92% ao previsto.

Regogizemo-nos como contribuintes (sobretudo aqueles não utilizam transportes públicos) porque apesar de termos de pagar mais esta factura, temos a consolação e a satisfação de sabermos que os transportes públicos servem para “transportar pessoas“.

Porreiro, pá!

Dez Milhões De Lesados

Aparentemente, António Costa prepara-se para anunciar com a pompa e circunstância habitual uma solução para os “lesados do BES”.

Esta solução passará pela criação de um fundo que será financiado por um empréstimo bancário, garantido pelo Estado e pelo Fundo de Resolução. Isto é, a conta será paga muito provavelmente pelos contribuintes (esse bolso interminável e sem fundo).

De salientar que quem aplicou o seu dinheiro em papel comercial do Grupo Espírito Santo estava a aplicar o seu dinheiro num produto com maior risco à procura de uma melhor remuneração do seu capital quando comparado por exemplo com um depósito a prazo. Risco significa precisamente perda potencial do capital.

Mais uma vez, são lesados dez milhões de contribuintes para a socialização das perdas de alguns milhares de investidores.

Porreiro, pá.

Edward Snowden On The Election Of Trump

Uma declaração de Edward Snowden sobre a eleição de Donald Trump que subscrevo inteiramente:

“This is the thing I think we begin to forget when we focus too much on a single candidate. The current president of the United States, President Barack Obama, campaigned on a platform of ending mass surveillance in the United States. He said no more warrantless wiring tapping. He said he’d investigate and end criminal activities that had occurred under the prior administration…. And we all put a lot of hope in him because of this. Not just people in [the United States]…but people in Europe and elsewhere around the world. It was a moment where we believed that because the right person got into office everything would change. But unfortunately, once he took that office we saw that he actually didn’t fulfill those campaign promises.”[…]

“We should be cautious about putting too much faith or fear into elected officials. At the end of the day, this is just a president.”[…]

“If people want to change the world, they should look to themselves instead of putting their hopes or fears in a single person. This can only be the work of the people. If we want to have a better world we can’t hope for an Obama, and we should not fear a Donald Trump, rather we should build it ourselves.”

É Preciso Virar a Página Deste Ciclo De Austeridade. Podemos Crescer 2,6% Ao Ano Com Uma Nova Política.

A Comissão Europeia publicou hoje as suas previsões económicas de Outono de 2016 de onde é retirada a tabela abaixo (clicar na imagem para ampliar).

economicforecast_autumn_2016

As previsões de crescimento para Portugal para 2016, 2017 e 2018 são respectivamente 0,9%, 1,2% e 1,4%, abaixo da média da previsão quer para a Zona Euro (1,7%, 1,5% e 1,7%) quer para a União Europeia (1,8%, 1,6% e 1,8%).

As previsões de crescimento da Comissão Europeia de 0,9% para 2016 e 1,2% para Portugal em 2017 contrastam com as previsões do governo que constam no orçamento de estado para 2017 que são de 1,2% para 2016 e de 1,5% para 2017. De notar ainda que o valor de crescimento previsto no plano macroeconómico do PS era de 2,4% em Abril e Agosto de 2015 (ver tweet acima); e de 1,8% no orçamento de estado de 2016 apresentado em Fevereiro deste ano.

Além disso, em relação ao défice, a previsão da Comissão Europeia é de 2,7% em 2016  – um valor acima quer do valor de 2,2% para 2016 (que constava no orçamento de estado para 2016) quer do valor de 2,4% (que consta do orçamento de estado para 2017). Para 2017, a Comissão Europeia prevê um défice de 2,2% bem acima do valor de 1,6% que consta do orçamento de estado para 2017.

Para Que Serve Um Banco Público?

Para que serve um banco público? Entre outras coisas para seguir “orientações políticas” por parte dos nossos ilustres, iluminados, isentos e super-competentes governantes usando o dinheiro dos contribuintes – Caixa Geral de Depósitos arrisca perdas de 900 milhões no caso La Seda.

Há precisamente dez anos, a Caixa recebeu orientações políticas para entrar numa aventura industrial luso-espanhola que se revelou um erro. Investimentos e créditos dados dentro do comportamento de risco que na época eram habituais no sector. E hoje chegou a factura.

Mário Centeno: “Não há falta de números, há é falta de números que agradem à Comissão Europeia”

Mário Centeno, no debate parlamentar hoje referente ao Orçamento de Estado para 2017, respondeu à exigência de mais informação  por parte da oposição nos seguintes termos:

“Não há falta de números, há é falta de números que agradem à oposição.”

Bem pode Mário Centeno tentar responder da mesma forma ao mesmo pedido da Comissão Europeia depois desta ter identificado riscos e discrepâncias no Orçamento de Estado para 2017 e de ter solicitado informação adicional:
comissaoeuropeialetter

Carga Fiscal Inalterada Em 2017

A página da austeridade é uma página que custa a virar. Depois de Mário Centeno, António Costa e o Governo repetirem sucessivamente em alta e viva voz que se iria verificar uma redução da carga fiscal em 2017, a UTAO veio afirmar ontem que:

“Para 2017, encontra-se projetada uma manutenção da carga fiscal, mantendo-se também inalterada face a 2016 a estrutura da carga fiscal.”

Leitura ComplementarUma grande martelada no OE2017

Descredibilidade Colossal

Abril de 2015. A pedido de António Costa, o grupo de sábios economistas abaixo assinava e publicava o documento Uma Década Para Portugal:

  • Mário Centeno (coordenador)
  • Fernando Rocha Andrade
  • Sérgio Ávila
  • Manuel Caldeira Cabral
  • Vítor Escária
  • Elisa Ferreira
  • João Galamba
  • João Leão
  • João Nuno Mendes
  • Francisca Guedes de Oliveira
  • Paulo Trigo Pereira
  • José António Vieira da Silva

O Partido Socialista fazia deste documento a sua grande bandeira para se apresentar como alternativa:

Este documento foi revisto em Agosto de 2015 com o Estudo Sobre O Impacto Financeiro Do Programa Eleitoral do PS e serviu de base para toda a tese da campanha eleitoral do PS e da sua apresentação enquanto alternativa de governação.

Este documento foi várias vezes questionado e criticado aqui neste blog (ver aqui, aquiaqui ou aqui). Foi feito também um apelo para a disponibilização do modelo subjacente (que entre outras coisas previa que fossem criados 466 empregos em 2019 devido aos efeitos da “promoção da lusofonia“) que nunca foi tornado público.

Nada como testar e avaliar o modelo e a sabedoria dos sábios que elaboraram o tal documento contra a realidade. Para tal, referencio os seguintes documentos:

Vejamos então as previsões para o crescimento do PIB para 2016 no gráfico abaixo.

crescimento_pib_2016

Dos 2,4% de crescimento do PIB previstos para 2016 no Plano Macro económico do PS inicial, e que mesmo em Janeiro de 2016 foi revisto para 2,1%, o próprio governo prevê agora em Outubro de 2016 apenas 1,2%, muito abaixo quer do valor verificado em 2015 (1,6%), quer do valor previsto pelo próprio Partido Socialista caso a coligação Portugal à Frente se mantivesse no governo (1,7%).

Analisemos então o desempenho dos sábios economistas para 2017.

crescimento_pib_2017

Dos 3,1% de crescimento do PIB previstos para 2017 no Plano Macro económico do PS inicial, o governo prevê agora em Outubro de 2016 apenas 1,5% – menos de metade do valor previsto inicialmente; e mais uma vez, abaixo quer do valor verificado em 2015 (1,6%), quer do valor previsto pelo próprio Partido Socialista caso a coligação Portugal à Frente se mantivesse no governo (1,7%).

Finalmente, para prestar a devida homenagem e tributo aos sábios economistas do PS, deixo aqui um gráfico que contem os valores do crescimento do PIB previstos entre 2016 e 2019 no seu cenário macro económico revisto em Agosto de 2015 com três séries:

  1. A cor de rosa, a previsão do crescimento do PIB entre 2016 e 2019 com as medidas propostas pelo Partido Socialista
  2. A laranja, a previsão do Partido Socialista para o crescimento do PIB entre 2016 e 2019 caso a coligação Portugal à Frente continuasse no governo
  3. A vemelho, os últimos valores previstos pelo Partido Socialista quer para 2016 quer para 2017.

crescimento_pib_2016_2019

Com tal desempenho, é apenas justo que os portugueses reiterem a sua confiança no governo da geringonça; e que os venerados autores do documento Uma Década Para Portugal sejam promovidos a ministros, secretários de estado e a reputadíssimas figuras destacadas dentro do partido socialista, e que mais tarde sejam colocados nas universidades para ensinarem estes modelos tão bonitos aos estudantes àvidos de conhecimento.

A única coisa que consegue tramar o socialismo é a realidade.

Momento Insurgente Memória (3)

Corria a longínqua data de 26 de Janeiro de 2016 quando o João Galamba, um dos sábios economistas que assinou o Cenário Macroeconómico do PS defendia assim no twitter a discrepância entre a previsão do crescimento do PIB por parte de outras instituições com a previsão do crescimento do PIB por parte do governo, que na altura ainda se encontrava nos 2,1%.

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No mesmo dia, o sábio João Galamba confirma um impacto positivo das medidas do orçamento de estado do governo da geringonça de pelo menos 0,5% do PIB em 2016.

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Essencialmente, a teoria do reputadíssimo economista João Galamba é que as empreas de rating Fitch e Moody’s se baseavam num cenário base (de um governo PaF) para um crescimento do PIB entre 1,6 e 1,7%; e que não contabilizavam o impacto positivo das medidas do orçamento de estado do governo da geringonça.

No dia em que o PS concede que o crescimento do PIB em 2016 ficará pelos 1,2% do PIB, abaixo do cenário base e bem abaixo das previsões do governo; podemos confrontar a tese de João Galamba com a realidade e concluir que as medidas do orçamento de estado do governo da geringonça tiveram de facto um impacto no crescimento do PIB;  só que em vez do impacto positivo no valor de +0,5% do PIB previsto pelo João Galamba, o impacto foi na realidade negativo no valor de exactamente -0,5% do PIB; isto é, um efeito multiplicador com 100% de precisão, mas com sinal errado.

Se por algum acaso o João Galamba ler este post, aproveito para lhe recomendar de forma entusiasta a Pós-graduação em Escola Austríaca da Economia no Porto.

Momento Insurgente Memória

A propósito do crescimento revisto em baixo pelo governo para 1,2% em 2016 e para 1,5% em 2017, O Insurgente Memória recorda um tweet do Partido Socialista quando este se encontrava na oposição e “vendia” uma alternativa que consistia no “virar da página da austeridade” e num ciclo de crescimento virtuoso:

Um Voto de Desconfiança dos Mercados

No momento em que escrevo este post, a taxa de juro nos mercados da dívida pública portuguesa a dez anos supera os 3,5% (fonte) – mais precisamente 3,503% – o que representa um máximo de sete meses.

O gráfico abaixo representa a evolução da taxa de juro a dez anos da dívida pública portuguesa desde que o governo da geringonça tomou posse (o gráfico exclui o dia de hoje).

pt10years

Por comparação, apresento também o gráfico da taxa de juro a 10 anos da dívida pública espanhola durante o mesmo período; e que no momemto em que escrevo este post, regista o valor de 1,018% bem menos de um terço do valor da taxa de juro portuguesa.

spain10years

Mas, Mas… Onde Está o Crescimento Prometido Pela Geringonça?

Eu ainda me recordo da longínqua data de 21 de Agosto de 2015, quando os sábios economistas do PS no seu Estudo Sobre o Impacto Financeiro Do Programa Eleitoral do PS prometiam um crescimento de 2,4% para 2016 e de 3,1% para 2017 como se pode verificar no quadro abaixo.

planops21aug2015

No Orçamento de Estado de 2016, Mário Centeno, então já no governo, reduziu a previsão do crescimento para 2016 para apenas 1,8% (resultado dos acordos à esquerda?). Apesar de todas as previsões de outras instituições que apontavam para um crescimento do PIB perto de 1%, o governo da geringonça sempre defendeu estoicamente as suas metas.

Eis que finalmente, o Excel de Mário Centeno parece ter cedido. De acordo com o Observador (destaques meus):

O Governo espera que a economia portuguesa só cresça 1,2% este ano [2016], menos um terço do que o estimado no Orçamento para 2016 e no Programa de Estabilidade. Este valor é pior que nos cenários mais negativos simulados pelo Governo tanto no orçamento deste ano, como na carta enviada em julho à Comissão Europeia na defesa contra as sanções. No próximo ano [2017], a economia não deve crescer mais que 1,5%, menos que o verificado em 2015 (que foi de 1,6%).

De notar que quer em 2016, quer em 2017, o próprio governo parece admitir que o crescimento será menor do que o crescimento verificado em 2015 com o austeritário governo PaF. De notar ainda, como referiu aqui o Carlos Guimarães Pinto, o próprio Partido Socialista, assumia – ver tabela acima – que com um governo PaF, o PIB cresceria 1,7% em 2016 e 1,7% , um crescimento do PIB superior ao crescimento do PIB previsto agora pela geringonça.

A realidade é de facto tramada para o socialismo.

Costa Descreve O Seu Ideal De Sociedade Usando Definição Comunista

António Costa, no debate quinzenal que se realizou esta Quinta-Feira, definiu o que para ele é uma “sociedade decente” usando a seguinte frase (fonte – recomenda-se a visualização do vídeo):

É uma sociedade onde cada um contribui para o bem comum de acordo com as suas capacidades, e cada um recebe de acordo com as suas necessidades”.

Comparemos pois a frase de António Costa com a frase de Karl Marx:

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Se dúvidas havia sobre o quão à esquerda se encontra o actual PS, creio que estas ficam dissipadas.

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Entretanto Nos Mercados

Retirado da página do facebook da GoBulling:

A dívida da República Portuguesa a dez anos possui uma taxa de juro implicta que corresponde a quase o triplo da Monarquia Espanhola (3.25% versus 1.15%), e o diferencial entre ambas começou a aumentar desde o final do Verão de 2015 e parece caminhar para o máximo de doze meses a 2.28%.

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O que se terá passado no final do Verão de 2015?…  Assim de repente vem me à cabeça um governo começado pela letra ‘G’ e que acaba com ‘onça’.