Skin In The Game

Um dos grandes problemas dos dias de hoje é que a classe política tem o poder de tomar decisões que têm grande risco e impacto na vida dos cidadãos, sem que o risco e o resultado dessas decisões tenham um impacto da mesma forma nessa mesma classe política. Isto é, a classe política não tem “skin in the game“.

A expressão “skin in the game” tem sido popularizada por Nassim Taleb e é o título do seu próximo livro. A propósito deste livro, deixo um extracto de uma entrevista recente com o autor:

Nassim Nicholas Taleb: Okay, but let me tell you one thing here. If you think that there should be a minimum wage, then you should pay–people who think there should be minimum wages should voluntarily pay everybody around them the difference between whatever they are getting and that minimum wage. And, when you go to McDonald’s, you should leave a $3 tip or $4 tip to the person. If that’s really what they want to do, they should do it themselves. I’ve discussed in a book that the [?] behavior on the part of people who always have ideas of how things should be but in fact don’t pay for it themselves. Like, they argue about privilege, class privilege, but they themselves privileged; and they don’t pass their wealth to others. They want higher taxes on others but not–they don’t want to give more to charity.

Russ Roberts: I think their defense would be–I don’t find it, I’m not sure I find it compelling, but they’ll argue, ‘Well, I’m willing to chip in as long as other people are forced to, and then I’ll be happy doing it.’ So, that would be their claim.

Nassim Nicholas Taleb: Yeah, but that’s a weird argument. Virtue should be unconditional. It should not be conditional. In other words, ‘I’m going to save people from drowning only if other people save people from drowning.’ That’s not an argument that can stand on [?]. I don’t know any ethical system that is based on something like that.

Ainda a propósito do conceito de “skin in the game“, termino este post com uma citação de Thomas Sowell.

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Sua Santidade, o Governo

Leitura muito recomendada de Manuel Carvalho, hoje no jornal Público: Sua Santidade, o Governo:

[…] Pedir silêncio quando o Estado falha e o país arde é um absurdo a menos que tenha uma finalidade sub-reptícia: dar argumentos às hostes que defendem com unhas e dentes o Governo. Ou seja, de criar uma narrativa. Já sabemos como isso funciona. É munir os sapadores políticos dos partidos da coligação com uma cartilha: não se pode falar dos erros no combate aos incêndios; não se deve pedir a demissão da ministra; o Governo virou mesmo a “página da austeridade” porque é uma estrela que veio do firmamento para nos salvar da troika; a união de facto entre os partidos da esquerda é uma maravilha da política contemporânea celebrada pelo mundo fora e só rejeitada entre portas por causa da proverbial estupidez e inveja dos indígenas.

[…] Hoje Portugal começa a viver debaixo de uma impiedosa rede de vigilância montada pelos intelectuais do Bloco, pelos apparatchiks do PCP e pela intelligentsia socialista que se investiu da missão de purgar as mentalidades dos perigos desviantes. Só se pode falar do Governo e das suas políticas com perfume de incenso e mãos juntas em jeito de oração. Pouco a pouco, foram sendo criados os códigos, as palavras e as frases que podemos dizer e citadas as questões da actualidade que podemos criticar. Quem não o fizer quebra consensos ou faz fretes a obscuras forças nacionais ou estrangeiras. Ou se é a favor do Governo, ou se é “pafiano” ou “troikiano” ou, como agora, entra no “aproveitamento político de tragédias” que estrafega os “consensos nacionais”.

Como é que o comunismo ainda é popular nos dias de hoje?

Depois de:

  • todas as teorias e previsões de Marx terem sido refutadas e demonstradas como sendo erradas
  • todo o historial de fome, miséria e pobreza generalizada em todos os países que tentaram implementar o comunismo
  • toda a violência, da supressão de todas as liberdades básicas e dos muitos milhões de mortos causados directamente pelos regimes comunistas – regimes esses que tinham que construir muros para impedir que as pessoas fugissem deles (e mesmo assim, com pessoas a arriscar a vida para lhes escapar)

…algo que não consigo compreender é como é possível que o comunismo ainda seja popular nos dias de hoje e que em Portugal os partidos que defendem esta ideologia tenham consistentemente entre 15 a 20% dos votos?

Partido Libertário

Para todos os leitores deste blogue que não se revêm no espectro político existente – em que todos os partidos competem entre si por diferentes graus de socialismo – serve este post para divulgar o Partido Libertário – que se encontra actualmente em processo de constituição como partido oficial.

O Partido Libertário tem como princípios fundamentais a defesa do direito à Vida, à Liberdade e à Propriedade de todos os seres humanos.

Naturalmente na defesa da liberdade individual, o Partido Libertário defende um estado muito mais pequeno e muito mais limitado. Em vez da coerção ditada e imposta centralmente pelo estado, o Partido Libertário defende relações e organizações de adesão livre, voluntária e para mútuo benefício de todas as partes.

Mais Uma Página Da Austeridade Virada

Muito bem o governo da Geringonça a virar mais uma página da austeridade, arrecadando um nível recorde de impostos per capita em 2016: 3751 euros por cidadão.

Junto também um gráfico da PORDATA com dados desde 1972.

E Agora, Para Algo Completamente Diferente…

Se a estrada não existisse, as pessoas também não tinham morrido naquela estrada“. – Pedro Silva Pereira

Via twitter do Telmo A. Fernandes

Imposto É Roubo

Por muitos argumentos e justificações que se apresentem (“é o preço a pagar uma sociedade civilizada”, “é o modelo de sociedade que temos”, “a maioria concorda”, “a constituição assim o diz”, “se discordas, muda de país”, “mas sem o estado, quem construiria as estradas?”), há que reconhecer e denunciar os impostos por aquilo que são: a apropriação de forma coerciva e ilegítima por parte estado de uma parcela da propriedade dos cidadãos.

É hoje geralmente aceite que todo o nosso rendimento pertence ao estado e que o estado é magnânimo ao ponto de nos deixar ficar com uma parte. Nem gera grande sobressalto que o trabalhor português em média trabalhe quase metade do ano apenas para cumprir com as suas obrigações fiscais.

Assim, recomendo a visualização deste vídeo da audição de Toine Manders , fundador do partido libertário holandês, sobre evasão fiscal.

Os Truques D’Os Truques Da Imprensa Portuguesa

Caros leitores deste blogue: existe uma conta paródia no Twitter d’Os Truques Da Imprensa com o endereço https://twitter.com/ostruques 

Não se deixem enganar! A conta verdadeira é esta: https://twitter.com/0struques Apenas esta conta continuará a denunciar de forma absolutamente imparcial e completamente anónima o enviseamento para a direita da comunicação social portuguesa. Apenas esta conta contém elementos que não fizeram ou não fazem parte de juventudes ou partidos políticos. Apenas esta conta se rege pela procura incansável e inabalável pela verdade doa a quem doer.

O Insurgente apela ao seguimento da conta verdadeira https://twitter.com/0struques.

Quanto à conta paródia, O Insurgente defende a liberdade de expressão e como tal pede explicitamente que não bloqueiem nem denunciem a conta https://twitter.com/ostruques

Quotas, Quotas e Mais Quotas

Por entre tanto socialismo, é cada vez mais difícil distinguir os partidos portugueses.

Que o estado queira impor quotas de género nas administrações das empresas públicas – como cidadão e contribuinte, acho mal. Os únicos critérios que me parecem apropriados no caso do estado são exclusivamente a competência e o mérito.

Algumas pessoas poderão pensar que propositadamente um género é discriminado em relação a outro. O género é apenas um critério – facilmente observável é um facto – mas existe do mesmo modo uma inúmera outra quantiade de critérios mais ou menos observáveis subjacentes a cada pessoa.

Que se queira à força da lei, impor qualquer composição por quotas das administrações das empresas públicas já é mau. Que o estado, que não é prima pela gestão das suas empresas e administrações, pretenda também por força da lei se intrometer na liberdade da gestão das empresas privadas é algo que como libertário acho profundamente repugnante e por si só uma razão forte o suficiente para mudar a sede de uma empresa deste país. Amanhã, o estado terá legitimidade para impor quotas por raças, etnias, faixas etárias, orientações sexuais, religiões ou outra coisa arbitrária que um grupo de interesse qualquer consiga trazer para a agenda do dia.

Algumas questões que podem ser colocadas sobre esta lei:

  • Porquê apenas quotas de género? Porque não quotas para outro tipo de característica pessoal (raça, etnia, faixa etária, religião, orientação sexual)?
  • De onde vem o número mágico de 33,3% – e não 32% ou 34%? Existe algum estudo que este é o número mínimo ideal de composição mínima para elementos do sexo feminino em empresas de todas as indústrias (por exemplo construção civil) e de todas as actividades económicas?
  • Se uma empresa tiver uma gestão composta na sua grande maioria por pessoas do sexo feminino, terão estas também que preencher quotas de 33,3% de pessoas do sexo masculino?
  • Porquê quotas de género apenas nas administrações de topo? Porque não na gestão intermédia ou até em todos os níveis?
  • Porquê quotas de género apenas em empresas cotadas em bolsa? Porque não em todas as empresas?
  • E finalmente, que direito fundamental está a ser violado, que exige a intromissão do estado, reduzindo a liberdade da gestão das empresas privadas?

Leitura complementar: Um Insulto Às Mulheres E Um Atentado Aos Acionistas

Feliz Dia Da Libertação De Impostos 2017!

Assumindo que a carga fiscal é sensivelmente igual à do ano passado (e uma vez que não consegui encontrar nenhum estudo relativamente a 2017), celebra-se hoje em Portugal, dia 15 de Junho, O Dia da Libertação de Impostos. O Dia da Libertação de Impostos representa o dia em que em média os trabalhadores deixam de trabalhar para o estado (apenas para pagar impostos e assim cumprir as suas obrigações fiscais) e passam a trabalhar para si. Na prática, somos todos trabalhadores do estado durante quase meio ano.

O gráfico abaixo representa a evolução do número de dias de trabalho necessários apenas para o pagamento de impostos desde 2000 (fonte, fonte, fontefontefonte, fonte e fonte).

Porque É Que Corbyn Não Foi Arrasado?

Muito recomendado este vídeo de Daniel Hannan que explica porque é que Corbyn teve tão boa votação nas últimas eleições no Reino Unido.  As pessoas votam em quem lhes promete oferecer coisas grátis, mas o dinheiro não cresce nas àrvores e alguém tem que pagar por elas (espera-se sempre que sejam “os outros” a pagar). A austeridade não é uma escolha sádica de políticos, mas uma necessidade de equilibrar as contas públicas.

O Efeito Centeno

Esta semana, Mário Centeno em entrevista ao Financial Times, alertou os mercados que “[Portugal] não estava a ser tratado de forma justa”.

Três dias depois destas declarações de Mário Centeno, as taxas de juro da dívida pública portuguesa a 10 anos no mercado secundário encontram-se em grande subida, superando o valor de 4,2% (na altura em que escrevo este post) e aproximando-se de máximos de três anos.

É caso para falar do “Efeito Centeno”.

Deve Ser Isto O Virar Da Página Da Austeridade

No ano de 2016 registou-se a maior carga fiscal de sempre em Portugal – 34,7% do PIB. Ainda bem que está virada a página da austeridade!

cargafiscal

No gráfico, a carga fiscal inclui impostos diretos, indirectos e contribuições sociais efectivas.

Nacionalizado ao facebook e twitter do Jorge Costa.

Notícias Sobre Transferências Para Offshores: Descubra as Diferenças

Jornal Público28 de Abril de 2016, há cerca de quase um ano atrás.

offshores_abril_2016

Jornal Público, 20 de Fevereiro de 2017, há três dias atrás.

offshores_fevereiro_2017

Quanto ao timing desta notícia e as proporções que a mesma tem tomado, deixo as razões à imaginação dos caros leitores.

Alternative Facts

No dia 1 de Setembro de 2015, Antóno Costa afirmava que era uma ilusão que a resolução do BES não acarretaria custos para os contribuintes (fonte).

costa_setembro_2015

Já o mesmo António Costa, no dia 22 de Fevereiro de 2017 (ontem) contradizia o António Costa de Setembro de 2015 (fonte), afirmando com a mesma cara de pau expressão que o estado em caso algum perderá qualquer parcela dos 3900 milhões de euros.

costa_fevereiro_2017

Tudo normal, portanto.

Entretanto Numa República Das Bananas…

Não só o governo concordou que os advogados de António Domingues criassem uma lei à medida do próprio (algo que por si só é um atentado à democracia e que tem merecido muito pouca atenção mediática), como quem pagou a conta a estes advogados foi o próprio banco do estado, a Caixa Geral do Contribuinte de Depósitos (fonte).

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Dever ser por isto que é tão estratégico para o interesse nacional manter um banco público.

Portugal Com Menos Liberdade Económica em 2016

Já está disponível o 2017 Index Of Economic Freedom da The Heritation Foundation que analisa 180 países de acordo com um índice de Liberdade Económica constituído por quatro factores:

  1. Estado de Direito – direitos de propriedade, corrupçao
  2. Tamanho do Estado – saúde fiscal, despesa pública
  3. Eficiência Regulatória – liberdade comercial, liberdade laboral, liberdade monetária
  4. Mercados Abertos – liberdade de comércio, liberdade de investimento, liberdade financeira

Em 2017, Portugal encontra-se na posição 77 entre 180 países analisados com 62.6 pontos. O valor do indíce Português baixou 2,5 pontos em relação ao mesmo índice de 2016 tendo Portugal descido 13 lugares no ranking econtrando-se agora em termos de liberdade económica entre a República Dominicana e a Namíbia. Na região Europa, Portugal desce três posições e encontra-se agora na posição número 33 entre 44 países analisados.

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Abaixo deixo alguns dados específicos do índice de liberdade económica Português. Os indicadores onde Portugal tem menos liberdade económica são nos gastos governamentais (posição 168 entre 180 países), saúde das finanças públicas (posição 151 entre 180 países) e flexibilidade laboral (posição 162 entre 180 países).

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Caso tenham curiosidade, aqui fica o Top 10 e o Bottom 10. Sem surpresa, os países onde há menos liberdade económica no mundo são todos eles paraísos socialistas.
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É Preciso Virar a Página Deste Ciclo De Austeridade. Podemos Crescer 2,6% Ao Ano Com Uma Nova Política.

O título deste post bem podia ter sido Economia Cresce 1,4% em 2016 e Supera Expectativas para dar continuidade a todo o spin do governo e da comunicação social.

Conhecido que é o valor do crescimento do PIB para 2016 – 1,4%, com o todo o spin à volta das expectativas superadas do governo (tendo por base o valor corrigido pelo governo de 1,2% em Outubro de 2016, já bem no final do ano) recupero e actualizo este post.

Abril de 2015. A pedido de António Costa, um grupo de sábios economistas abaixo assinava e publicava o documento Uma Década Para Portugal. O Partido Socialista baseava toda a sua narrativa neste documento para se apresentar como alternativa:

Este documento foi revisto em Agosto de 2015 com o Estudo Sobre O Impacto Financeiro Do Programa Eleitoral do PS e serviu de base para toda a tese da campanha eleitoral do PS e da sua apresentação enquanto alternativa de governação.

Este documento foi várias vezes questionado e criticado aqui neste blog (ver aqui, aquiaqui ou aqui). Foi feito também um apelo para a disponibilização do modelo subjacente (que entre outras coisas previa que fossem criados 466 empregos em 2019 devido aos efeitos da “promoção da lusofonia“) que nunca foi tornado público.

Nada como testar e avaliar o modelo e a sabedoria dos sábios que elaboraram o tal documento contra a realidade. Para tal, referencio os seguintes documentos:

Vejamos então as previsões e o valor real do crescimento do PIB para 2016 no gráfico abaixo.

crescimento_pib_2016

Dos 2,4% de crescimento do PIB previstos para 2016 no Plano Macro económico do PS inicial, e que mesmo em Janeiro de 2016 foi revisto para 2,1%, o próprio governo prevê  em Outubro de 2016 apenas 1,2%. O valor final acaba por ser de 1,4%, abaixo quer do valor registado em 2015 (1,6%) quer do valor previsto pelo próprio Partido Socialista caso a coligação Portugal à Frente se mantivesse no governo (1,7%).

No entanto, qual é o grande destaque da comunicação social? O crescimento foi de 1,4%, duas décimas acima do valor corrigido em grande baixa pelo próprio governo em Outubro de 2016. Este spin merecia grande destaque nos Truques da Imprensa Portuguesa.

Analisemos então o desempenho dos sábios economistas para 2017.

crescimento_pib_2017

Dos 3,1% de crescimento do PIB previstos para 2017 no Plano Macro económico do PS inicial, o governo prevê agora em Outubro de 2016 apenas 1,5% – menos de metade do valor previsto inicialmente; e mais uma vez, abaixo quer do valor verificado em 2015 (1,6%), quer do valor previsto pelo próprio Partido Socialista caso a coligação Portugal à Frente se mantivesse no governo (1,7%).

Finalmente, para prestar a devida homenagem e tributo aos sábios economistas do PS, deixo aqui um gráfico que contem os valores do crescimento do PIB previstos entre 2016 e 2019 no seu cenário macro económico revisto em Agosto de 2015 com três séries:

  1. A cor de rosa, a previsão do crescimento do PIB entre 2016 e 2019 com as medidas propostas pelo Partido Socialista
  2. A laranja, a previsão do Partido Socialista para o crescimento do PIB entre 2016 e 2019 caso a coligação Portugal à Frente continuasse no governo
  3. A vemelho, os últimos valores registados para 2016 e previstos pelo Partido Socialista para 2017.

crescimento_pib_2016_2019

Com tal desempenho, é apenas justo que os portugueses reiterem a sua confiança no governo da geringonça; e que os venerados autores do documento Uma Década Para Portugal sejam promovidos a ministros, secretários de estado e a reputadíssimas figuras destacadas dentro do partido socialista, e que mais tarde sejam colocados nas universidades para ensinarem estes modelos tão bonitos aos estudantes àvidos de conhecimento.

A única coisa que consegue tramar o socialismo é a realidade.

Ó Daniel Oliveira, Afinal Em Democracia Manda Quem?

A coerência de Daniel Oliveira, tecnicamente designada de conveniência, fica aqui revelada em duas crónicas. Esta de Outubro de 2015:

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esta, de Fevereiro de 2017:

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Um Longo Efeito Temporário

No dia 9 de Janeiro quando os juros da dívida portuguesa a dez anos ultrapassaram os 4%, Mário Centeno, afirmava que a subida dos juros da dívida portuguesa podia ser explicada pelos riscos e incertezas na zona euro e que não haveria motivos para alarme porque a subida seria temporária (fonte).

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Para os leitores mais atentos deste blog, qualquer afirmação de Mário Centeno num determinado sentido deve ser entendida como uma quase certeza de que acontecerá precisamente o oposto. Já hoje, os juros a 10 anos no mercado secundário superaram o valor de 4,25% – sendo preciso recuar até Março de 2014 para obter um valor tão elevado.

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Confortemo-nos nas palavras do presidente da república – esse comentador sempre optimista e multi-disciplinar que em meados de Janeiro afirmou que “não há motivo para alarme” com os juros da dívida uma vez que “Depois da emissão, os juros nos mercados desceram abaixo de 4%”; e também que “Quando comparamos 4,2% deste ano com 3,2% do ano passado, temos de ter presente que no ano passado a inflação estava a 0% e agora a inflação está algures entre 0,6% e um pouco acima, a caminho de 1%. Portanto, isso tem de ser abatido ao valor da taxa nominal”.

Yes You Did (2)

Aproveitemos este último dia da presidência Obama para relembrar as vítimas (que incluem civis e crianças) dos ataques de drones ordenados pelo presidente laureado com o prémio Nobel da paz.

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Leitura complementarObama’s covert drone war in numbers: ten times more strikes than BushGet the data: Drone wars

Yes You Did

Sendo hoje o último dia da administração Obama, recordemos a evolução da dívida pública americana desde o dia da sua posse (20 de Janeiro de 2009). Como se pode observar no gráfico abaixo (criado a partir de dados daqui) verificamos que entre Janeiro de 2009 e Janeiro de 2017 a dívida pública americana aumentou de 10,6 de triliões de dólares (triliões americanos – 10^12) para 20 trilões de dólares. Um aumento em termos de relativos de 88% e em valores absolutos de cerca de 9,4 triliões dólares.

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Em termos do rácio dívida / PIB, a dívida pública americana encontra-se também num valor recorde para tempos de paz, num valor próximo de 105%.

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Obama By Nassim Taleb

Nassim Taleb, autor dos muito recomendados livros: The Black Swan, Fooled By Randomness e Antifragile faz esta descrição muito crítica de Obama na sua conta do twitter:

Auto-Reflexão

O ilustre deputado João Galamba faz no jornal i uma auto-reflexão.

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Votos De Boas Festas E Cordiais Saudações Socialistas

Camaradas, de que é que estão à espera?

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Leitura complementar: Hoje o Partido, Amanhã o País

Não É Para Produzir EBITDA, É Para Produzir Prejuízos Para Serem Pagos Pelo Contribuinte

A geringonça orgulha-se de ter anulado a subconcessão dos transportes públicos de Lisboa e do Porto (anulação essa cujas indemnizações, pagas pelo contribuinte, irão a tribunal).

António Costa também anunciou alto e bom som que as o objectivo das empresas de transportes (neste caso a Carris) não é produzir EBITDA, mas sim “transportar pessoas“.

As empresas de transporte parecem ter seguido as indicações de António Costa à risca, e eis que no primeiro semestre deste ano apresentaram prejuízos 33% acima do previsto:

A Carris registou um resultado líquido negativo de 19,2 milhões, mais 4,8 milhões (ou 34%) do que está orçamentado, enquanto na STCP os prejuízos de 20,2  milhões superam em 56% (7,2 milhões) o estimado. No caso da Metro do Porto, as perdas ultrapassam os 123,9 milhões, superando em 41,5 milhões (50%) o objectivo. E no Metropolitano de Lisboa, o prejuízo era em Junho de  47,4 milhões, superior em 92% ao previsto.

Regogizemo-nos como contribuintes (sobretudo aqueles não utilizam transportes públicos) porque apesar de termos de pagar mais esta factura, temos a consolação e a satisfação de sabermos que os transportes públicos servem para “transportar pessoas“.

Porreiro, pá!

Dez Milhões De Lesados

Aparentemente, António Costa prepara-se para anunciar com a pompa e circunstância habitual uma solução para os “lesados do BES”.

Esta solução passará pela criação de um fundo que será financiado por um empréstimo bancário, garantido pelo Estado e pelo Fundo de Resolução. Isto é, a conta será paga muito provavelmente pelos contribuintes (esse bolso interminável e sem fundo).

De salientar que quem aplicou o seu dinheiro em papel comercial do Grupo Espírito Santo estava a aplicar o seu dinheiro num produto com maior risco à procura de uma melhor remuneração do seu capital quando comparado por exemplo com um depósito a prazo. Risco significa precisamente perda potencial do capital.

Mais uma vez, são lesados dez milhões de contribuintes para a socialização das perdas de alguns milhares de investidores.

Porreiro, pá.

Edward Snowden On The Election Of Trump

Uma declaração de Edward Snowden sobre a eleição de Donald Trump que subscrevo inteiramente:

“This is the thing I think we begin to forget when we focus too much on a single candidate. The current president of the United States, President Barack Obama, campaigned on a platform of ending mass surveillance in the United States. He said no more warrantless wiring tapping. He said he’d investigate and end criminal activities that had occurred under the prior administration…. And we all put a lot of hope in him because of this. Not just people in [the United States]…but people in Europe and elsewhere around the world. It was a moment where we believed that because the right person got into office everything would change. But unfortunately, once he took that office we saw that he actually didn’t fulfill those campaign promises.”[…]

“We should be cautious about putting too much faith or fear into elected officials. At the end of the day, this is just a president.”[…]

“If people want to change the world, they should look to themselves instead of putting their hopes or fears in a single person. This can only be the work of the people. If we want to have a better world we can’t hope for an Obama, and we should not fear a Donald Trump, rather we should build it ourselves.”

É Preciso Virar a Página Deste Ciclo De Austeridade. Podemos Crescer 2,6% Ao Ano Com Uma Nova Política.

A Comissão Europeia publicou hoje as suas previsões económicas de Outono de 2016 de onde é retirada a tabela abaixo (clicar na imagem para ampliar).

economicforecast_autumn_2016

As previsões de crescimento para Portugal para 2016, 2017 e 2018 são respectivamente 0,9%, 1,2% e 1,4%, abaixo da média da previsão quer para a Zona Euro (1,7%, 1,5% e 1,7%) quer para a União Europeia (1,8%, 1,6% e 1,8%).

As previsões de crescimento da Comissão Europeia de 0,9% para 2016 e 1,2% para Portugal em 2017 contrastam com as previsões do governo que constam no orçamento de estado para 2017 que são de 1,2% para 2016 e de 1,5% para 2017. De notar ainda que o valor de crescimento previsto no plano macroeconómico do PS era de 2,4% em Abril e Agosto de 2015 (ver tweet acima); e de 1,8% no orçamento de estado de 2016 apresentado em Fevereiro deste ano.

Além disso, em relação ao défice, a previsão da Comissão Europeia é de 2,7% em 2016  – um valor acima quer do valor de 2,2% para 2016 (que constava no orçamento de estado para 2016) quer do valor de 2,4% (que consta do orçamento de estado para 2017). Para 2017, a Comissão Europeia prevê um défice de 2,2% bem acima do valor de 1,6% que consta do orçamento de estado para 2017.

Para Que Serve Um Banco Público?

Para que serve um banco público? Entre outras coisas para seguir “orientações políticas” por parte dos nossos ilustres, iluminados, isentos e super-competentes governantes usando o dinheiro dos contribuintes – Caixa Geral de Depósitos arrisca perdas de 900 milhões no caso La Seda.

Há precisamente dez anos, a Caixa recebeu orientações políticas para entrar numa aventura industrial luso-espanhola que se revelou um erro. Investimentos e créditos dados dentro do comportamento de risco que na época eram habituais no sector. E hoje chegou a factura.