Mensagem aos novos adultos do século XXI

No dia em que se vai falar tanto de liberdade quero realçar o seguinte: este ano começaram a chegar à idade adulta quem já nasceu neste século.

Quero não só dar-lhes os meus parabéns por esta nova fase da vida como, mais importante, deixar um aviso: vocês têm uma monumental dívida para pagar!

Não vos quero assustar. No entanto, como recém-adultos, é melhor enfrentar a realidade o quanto antes. Pois que, quando nasceram, o Estado português tinha títulos de dívida em “vosso nome” de cerca de € 6.300. Hoje esse valor é de € 24.000, quase quatro vezes mais.

Caleb Wilkerson, “Couch!”, @Flickr (creative commons; edited)

E esta é apenas a dívida titularizada, que representa a parte financeira dos excessos orçamentais do passado (ou seja, o montante acumulado de décadas de gastos públicos superiores às receitas fiscais, i.e. défices). Têm ainda de somar a dívida “social”. Esta espelha-se essencialmente na necessidade de pagar pelas pensões e cuidados de saúde de pais e avós (não apenas os vossos). Sim, são vocês quem pagará a maior porção. Os progenitores pouca riqueza têm para o fazer. Governos anteriores não só lhes retiraram capacidade de poupança (através de impostos) como também, pelo contrário, os “incentivaram” ao consumo prometendo que o Estado Social lhes daria qualidade de vida durante os anos de velhice. Como? Via impostos… que de futuro vos terá de cobrar.

Se, após estes 18 anos do século XXI, Portugal fosse um país mais produtivo talvez o horizonte próximo não fosse tão preocupante. Mas assim não aconteceu. Hoje, o PIB é somente 1,60 superior. Já não se lembram quanto subiu a dívida pública? Voltem ali acima.

Soluções? Não esperem pelas decisões dos mais velhos. É que benefícios são maioritariamente deles mas custos serão vossos. Também não sigam o facilitismo dos populistas. O caminho pela frente é duro e complicado. Quem vos prometer o contrário só vos está a “vender” ilusões. Sejam realistas, informem-se e, sobretudo, defendam a vossa liberdade. Liberdade para pensar, falar, escrever, discutir e decidir. Vocês são adultos. A partir de agora, outros decidirem por vocês é uma forma de submissão ou escravidão. Se não forem os primeiros a lutar pela vossa liberdade, ninguém mais o fará.

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The Big Short (“A Queda de Wall Street”) 2

Viram o filme “A Queda de Wall Street”? Baseia-se na história de gestores de fundos que apostaram na queda do mercado imobiliário. Mas essa previsão não era assim tão rebuscada. No seguinte video até os bancários americanos que trabalhavam nesse sector podiam ter lucrado. Se tivessem ouvido Peter Schiff:

The Big Short (“A Queda de Wall Street”) 1

Esta noite (21:55), no canal AXN, podem (re)ver uma boa obra cinematográfica sobre como a ignorância de muitos durante a expansão do mercado imobiliário nos primeiros anos deste século acabou por beneficiar em 2007 alguns melhor informados.

O filme, em cerca de duas horas, consegue introduzir temas complexos de uma forma – apesar de simplista – bastante eficaz. Não aborda a maior causa desta crise financeira (assunto para outro post) mas, mesmo assim, é muito recomendável.

PS: o título em português foi má escolha; claramente Wall Street não “caiu”, somente tropeçou. E os erros do passado continuam…

Menos 1 hora de sono

Porque ainda há quem acredite que somos mais produtivos quando nos obrigam a mudar hora do relógio duas vezes por ano.

SATA: lições sobre “serviço público”

Hoje, no “Primeiro Jornal” da SIC, vi reportagem sobre acumulação de dívida na companhia aérea SATA/Azores Airlines. Passou de €5 milhões em 2007 para €250 milhões em 2017.

Francisco César, deputado PS Açores, filho do líder parlamentar do PS Carlos César, admite ter sido uma opção política para “prestar serviço público” em época de crise a fim de “garantir fluxos turísticos à região”.

Só que easyJet e Ryanair conseguiram aumentar tais fluxos com muito menores custos… Ou seja, os contribuintes açoreanos (e do Continente) agora têm de pagar pelos “voos políticos” do Governo de Carlos César.

Face à situação financeira da SATA, Governo dos Açores procura um “parceiro estratégico” para adquirir 49% do capital. Estratégico? O termo mais adequado é masoquista.

Socialistas (de todos os quadrantes políticos) justificam sempre prejuízos como a necessidade de oferta de “serviço público”. Numa economia de mercado (capitalismo) as trocas são voluntárias. Só ocorrem quando todas as partes acreditam poder beneficiar da transacção. Quando políticos decidem manipular esse harmonioso equilíbrio, alguém terá de ser involuntariamente prejudicado para que outros possam beneficiar. Não é só em política que tal acontece. Só que a essas outras situações chamamos de roubo!

Legionella: governo admite culpa

Leio que Governo vai fazer uma “avaliação e gestão do risco” de todas as unidades de cuidados de saúde públicas. Esta acção traduz-se numa de admissão de culpa.

É que i) não sabem se foram realizadas manutenções regulares aos sistemas de ar-condicionado (negligência), ii) têm informação que tudo foi feito mas querem gastar uns euros para mostrar alguma resposta activa (populismo) ou iii) cativações orçamentais para compensar aumentos salariais reduziram os gastos em serviços de manutenção (crime). Espero que seja só populismo.

Destes seguranças não consigo livrar

A notícia-sensação dos últimos dias centra-se na violência de seguranças de uma discoteca da qual sou livre de escolher nela não entrar. E depois das imagens divulgadas, penso que muitos outros consumidores fariam agora semelhante escolha.

Tenho uma história pior. Destes seguranças não consigo livrar. Eles parecem estar em todo lado e, se não lhes dou o dinheiro que exigem, têm inúmeras formas de me obrigar. Ameaça de violência está implícita na oferta (obrigatória!) de variados serviços de segurança mas, claro, nunca arrisquei chegar ao ponto de recusar pagamento. Tendo consciência de que não consigo defender-me, entrego-lhes todos os euros que me exigem. E a cada ano que passa querem cada vez mais.

Sei que não é só comigo. Acontece com tantos outros. Maioria já se resignou. Não há como lutar, eles são demasiado fortes. É baixar a cabeça e aceitar. Aceitar? Muitos até os defendem, ou porque querem fazer parte daquele grupo ou porque – como que sofrendo do Síndrome de Estocolmo – pensam que, apesar do que nos tiram, até que são uns seguranças porreiros e bonzinhos.

Dou-vos exemplo do quão “fácil” para eles é roubar: considerem que uma empresa quer pagar-me €1.000 de salário mensal. É valor que nunca vou ver. Logo à partida eles obrigam a empresa a “descontar” 23,75% para o que designam de Segurança Social. Consequentemente, já contando com essa taxa, a empresa só me oferece contrato de trabalho de €808,08.

Porém, a história de roubo ainda mal começou. Daquele valor exigem que a empresa, antes de qualquer transferência para minha conta bancária, retire ainda mais 11% (€88,89) e 8,5% (€68,69) para, respectivamente, Segurança Social e Imposto sobre Rendimentos de Singulares. Levo para casa €650,50. 65% do que a empresa estava disposta a pagar-me. E furto ainda não parou. Eles querem tirar mais, e conseguem-no.

Compro alimentos para comer, roupa para vestir, água para tomar banho, gás para aquecer, electricidade para fazer funcionar electrodomésticos? Pago IVA. Tenho casa? Pago IMI. Tenho carro? Quando o comprei foi IVA em cima do Imposto Automóvel e, agora para poder deslocar-me, é IVA em cima do Imposto sobre combustíveis (ISP).

No fim, se ainda sobrar algum euro talvez consiga fazer depósito a prazo para precaver futuro incerto. No entanto, dos futuros juros a receber uma coisa é certa: eles cobram-me mais 28%. Taxa liberatória!

Cheguei ao fim desta história de pilhagem? Quase. É que eles também me obrigam a usar apenas uma moeda para efectuar transacções comerciais com outros. Moeda que podem imprimir, retirando aos poucos o valor do salário que recebo. Economistas chamam-lhe inflação. Palavra técnica para roubo.

Com tanto que estes seguranças roubam, ainda há quem fique contente quando deles recebem algo de volta. Eu não! Quero ser livre para escolher o meu destino. Mas destes seguranças não consigo livrar…