Que significa “se as eleições fossem hoje”? (2)

Convém relembrar o que “diziam” as sondagens cerca de um ano antes do governo PS levar o país à beira da bancarrota e ter de pedir um resgate (meus destaques). Em 2010:

Quase 60% dos portugueses acham que José Sócrates mentiu no Parlamento sobre o seu desconhecimento do negócio PT/TVI.

(…)

Mas nem essa “mentira” nem a alegada ligação de José Sócrates a escândalos recentes lhe retiram condições para governar. Aliás, se as eleições fossem hoje, o PS voltava a ganhar e reforçava mesmo a sua votação, ficando à beira da maioria absoluta.

As eleições afinal não foram naquele dia da sondagem. Acabaram por ter lugar no ano seguinte (2011) e PS nem esteve próximo da maioria absoluta.

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Que significa “se as eleições fossem hoje”?

«Se as eleições fossem hoje». Esta é a habitual introdução das sondagens sobre as preferências políticas dos inquiridos no momento. Nesta última o PS estaria próximo da maioria absoluta.

Porém, considerem o seguinte: uma legislatura tem duração de 4 anos. Ainda só passou 1 ano. Se as eleições fossem hoje algo teria acontecido para Governo de António Costa ter caído em desgraça. Com tal em mente, se as eleições fossem hoje acham que estaria mesmo PS próximo da maioria absoluta?

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Trazer a Tesla Gigafactory para Portugal?

À hora que escrevo este post, o grupo no Facebook “Bring Tesla Gigafactory to Portugal!” já supera os 30 mil membros. No início do mês o Web Summit trouxe a Lisboa milhares de empreendedores e despertou a curiosidade (mediática!) dos portugueses. Ora, num país com tanto socialista, é de louvar o recente entusiasmo pela actividade empresarial.

"Tesla Model S headlight" - Yahya S. @flickr.com (creative commons, edited)
“Tesla Model S headlight” – Yahya S. @flickr.com (creative commons, edited)

No entanto, faço aqui um desafio àqueles que estão a tentar convencer o presidente e fundador da Tesla Motors, Elon Musk, a construir uma fábrica de baterias em Portugal: usem todos argumentos disponíveis mas não peçam ao Estado para beneficiar UMA empresa, o Estado deve tratar TODAS as empresas como iguais. E há cerca de 1 milhão de empresas em terras lusas!

Elon Musk certamente poderá ser mais facilmente convencido pelo Primeiro-Ministro António Costa se este lhe prometer avultados benefícios fiscais. E, politicamente, o secretário-geral do PS até conseguiria “comprar” bastantes votos com tal notícia (criação de postos de trabalho, seria o slogan imediatamente ecoado nos órgãos de comunicação social). Mas e as centenas de milhares de empresários portugueses (e estrangeiros) que todos os dias lutam para criar valor para os seus clientes? Não merecem eles igual tratamento? Quantos postos de trabalho seriam assim criados?

Sondagem: SMN (4)

Hoje o inquérito pretende sondar a vossa opinião sobre qual deveria ser o valor do salário mínimo nacional (SMN) para 2017.

Sondagem: SMN (3)

Desta vez a sondagem aos leitores d’ O Insurgente pretende saber a opinião sobre as melhores alternativas para ajudar um desempregado menos qualificado a encontrar emprego (resposta múltipla).

Sondagem: SMN (2)

Nova sondagem insurgente sobre o Salário Mínimo Nacional:

Sondagem: SMN (1)

Salário Mínimo Nacional (SMN). Entre as duas seguintes opções qual escolheriam?

#EleiçõesEUA2016: dividir uma América dividida

Com a eleição de Donald Trump para a presidência dos EUA, reanimaram os esforços de secessão na Califórnia e Oregon. O mesmo tinha acontecido no Texas durante o governo de Barack Obama.

Em qualquer democracia haverá sempre descontentamento nos governantes. Até mesmo de quem neles votou. Nestas eleições americanas mais de metade dos eleitores (cerca de 53%) não votou em Trump (apesar de contagem dos votos não estar ainda finalizada, Hillary Clinton, a candidata democrata, obteve uma ligeira vantagem sobre o adversário republicano e os representantes dos restantes partidos obtiveram quase 5%). É caso para dizer que a América (EUA) está dividida. Mas isso não é novidade. Mesmo durante a presidência de Obama (que ganhou com maiores diferenças de votos) o sentimento era semelhante.

Se por vezes numa reunião de condomínio há dificuldades de entendimento imaginem então um “condomínio” de milhões!

Como refere o artigo linkado acima, conseguir a secessão da Califórnia é extremamente difícil. Mas seria o melhor para todos. É que, a acontecer, nenhum candidato democrata conseguiria, num futuro próximo, vencer as eleições presidenciais sem os 55 votos do colégio eleitoral atribuídos àquele Estado (passava a ser necessária uma maioria de 242 votos do colégio eleitoral, em vez dos actuais 270). E isso significaria a saída de ainda mais Estados “democratas”, o que só ajudaria a reduzir o número de descontentes em cada eleição presidencial.

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Se processo constitucional de secessão nos EUA é complicado/improvável/impossível, a redução dos poderes presidenciais já não tanto. Os californianos deviam é começar por defender a eliminação de muitos dos departamentos (“ministérios”) federais como, por exemplo, a Educação, Transportes, Habitação, Segurança Social, Saúde, etc. Em contrapartida, cada Estado implementava soluções governativas diversas, contribuindo para a melhoria da democracia americana ao limitar poder do presidente e, consequentemente, atenuando o descontentamento actual. Mas tal nunca será bem visto por estatistas.

PS: Reduzindo-se o tamanho do “condomínio” americano, diminuíam os conflitos. Sim, mas porquê ficar no nível estadual? Até mesmo dentro da Califórnia há “divisões”. Veja-se a distribuição dos votos vencedores por condado.

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#FeelTheBern

Se Donald Trump eventualmente vencer a presidência dos EUA os democratas só têm de culpar os líderes do partido que boicotaram a campanha de Bernie Sanders. É que este, apesar de mais à esquerda que Hillary Clinton, tinha, mesmo assim, muito menos “bagagem”.

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Turbulência nos mercados

Com maiores perspectivas de vitória de Trump e partido Republicano, os mercados de futuros antecipam perdas.

EUA vermelha?

Neste momento New York Times prevê vitória do partido Republicano (nos mapas, de cor vermelha) na Presidência, Senado e Câmara de Representantes:

Atenção ao Senado

As atenções mediáticas focam-se, nas eleições americanas, sobre qual será o candidato eleito presidente. Clinton vs. Trump. Mas, neste dia, não se vota apenas para as presidenciais.

Se na Câmara de Representantes não parece haver grandes dúvidas quanto à maioria de congressistas do partido Republicano, já no Senado há expectativas de um resultado mais equilibrado. Dos 34 lugares em disputa (não há eleições para os 100) 9 são os mais incertos. 

Se Clinton vencer presidência, ao partido Democrata terá de ganhar apenas 4 daqueles lugares para atingir 50 senadores. É que o vice-presidente seria, em caso de empate, o voto vencedor. Caso Clinton perca, então já terão de vencer 5 “corridas” para obterem maioria.

Clinton terá uma geringonça americana

Nos EUA parece não haver grande incerteza sobre a Câmara de Representantes ficar com maioria de congressistas do partido Republicano. Vencendo Hillary Clinton a presidência, esta terá de negociar à direita as suas políticas. Uma espécie de geringonça ao centro.

E a grande vantagem de terem presidente do partido Democrata será evidente quando vier próxima crise. É que lá, como cá, quanto mais à esquerda tiver o governante mais fácil é aplicar a austeridade. Veja-se o exemplo de António Costa. A maioria do mexilhão até aplaude!

Apelo a motoristas em Lisboa

Nas últimas horas tem sido notícia a dificuldade dos participantes do Web Summit em se deslocarem para o local do evento. Se transportes públicos e obras municipais já não conseguiam oferecer serviço de qualidade aos residentes na zona metropolitana, pior ficou com o acréscimo de procura prevista para estes dias. Nem a recente oferta da UberPool é suficiente.

Não sei se, no ano passado, o governo de Passos Coelho deu aos organizadores garantias de maior oferta de meios de transporte. No entanto, é claro para todos que isso não está a acontecer.

Em vez de nos queixarmos da incompetência de António Costa, Fernando Medina, responsáveis da Carris/Metro/CP ou organizadores do Web Summit, há ainda a oportunidade de “salvar” a face e mostrar aos milhares de empreendedores que participam neste evento que os portugueses têm excelente capacidade de resolução de problemas.

Nesse sentido, sugiro, a quem tenha carro próprio e algum tempo livre, que instale no seu telemóvel a aplicação BlaBlaCar e comece a partilhar boleias com o pessoal do Web Summit. Penso que podem definir quanto cada passageiro paga da viagem e, quem sabe, até podem conhecer o(a) próximo(a) Mark Zuckerberg😉

Quando a mentira não tem consequência

Tiago Brandão Rodrigues, ministro da Educação, disse dias atrás, em entrevista à SIC, que não tinha interferido na gestão da equipa do seu ex-secretário de Estado João Wengorovius Meneses.

Sabemos agora por notícia no Jornal i que tal não é verdade:

Ao contrário do que afirmou, esta terça-feira em direto na SIC, Tiago Brandão Rodrigues tentou intervir ativamente na equipa do ex-secretário de Estado, João Wengorovius Meneses. Foram várias as vezes que o ministro, oralmente e na presença de várias pessoas do gabinete, terá exigido a João Meneses como sinal de confiança política que exonerasse a sua adjunta sem qualquer fundamento aparente.

Foi também o ministro que terá escolhido Nuno Félix – que João Meneses até aí não conhecia – para chefe de gabinete da secretaria de Estado da Juventude e Desporto e que travou a sua exoneração (que a dado momento passou a ser considerada essencial pelo ex-secretário de Estado).

Quem mente sobre assunto tão banal como os amigos do partido terem tratamento especial, que devemos nós pensar da veracidade das palavras do ministro quando tiver de esclarecer, por exemplo o Parlamento, sobre questões bem mais importantes?

Tiago Brandão Rodrigues manterá certamente o cargo. É que “pequena” mentira revela algo sobre o carácter de uma pessoa mas, não sendo caso isolado na classe política, fica fácil deixar passar.

RadioTaxis obrigada a pagar salário mínimo

Dias atrás foi notícia que tribunal britânico condenou Uber a pagar salário mínimo e férias aos motoristas que usam esta plataforma. Considerou que aqueles não eram entidades independentes. Já se fala de acções judiciais em vários outros países…

Espera-se, portanto, que proprietários que usam o Airbnb para angariar hóspedes recebam daquela uma renda mínima. Hotéis listados no Booking.com passarão a ter direito a lotação garantida de 69%(?). Quem usa BlaBlaCar para partilhar custo da viagem terá automaticamente direito a cheque mensal de abastecimento combustível. E, mais importante, em Portugal a RadioTaxis vai, à semelhança da decisão britânica, assegurar um salário mínimo a todos os taxistas. Urra!!!:/

Na ADSE não esperam meses

É destaque hoje no Diário de Notícias que a espera para a realização de ressonância magnética pode chegar a 16 meses. 

Se médicos pedem tal exame não é porque paciente apresenta sintomas de micose. Exige-se alguma urgência no diagnóstico. A notícia revela que há falta de profissionais e pobre manutenção dos equipamentos (resultado das cativações no Ministério da Saúde?).
Há, contudo, um segmento do Estado que não tem de se preocupar com esta parca qualidade de serviço no SNS: os funcionários públicos. É que os nossos impostos servem para pagar-lhes comparticipação daqueles exames no sector privado (não sei se total ou parcial). O Zé Povinho terá de pagar por inteiro. Até ao dia em que exiga ter igualdade de tratamento àqueles a quem paga salário.

A sobretaxa não acaba em 2017

A sobretaxa em 2017 é apenas reduzida! O Orçamento de Estado para o próximo ano prevê que a retenção na fonte deste imposto extraordinário (sobre rendimentos do trabalho) irá ser sequencialmente eliminada, durante o ano, por escalões, do mais inferior para o superior. Quando, em 2018, os contribuintes portugueses tiverem de, para efeitos de cálculo de IRS,  apresentar declaração de rendimentos respeitantes ao ano de 2017, o valor da sobretaxa será cobrado. A percentagem desta será inferior a anos anteriores, mas não nula. Se, em alternativa à eliminação durante o ano da retenção na fonte, tivesse sido anunciada a redução da sobretaxa, o efeito final teria sido o mesmo.

Portanto, o primeiro-ministro António Costa mente quando diz que sobretaxa acaba em 2017. Mas isso não devia ser novidade para os mais atentos.

Adenda: sobretaxa IRS será, em 2017, reduzida em 9/12 (2° escalão), 6/12 (3° escalão), 3/12 (4° escalão) e 1/12 (5° escalão). Não é eliminada!!!

Táxis: separar o trigo do joio

Nem todos os taxistas são as bestas semelhantes aos que se vêem aqui a danificar uma viatura (não sei – nem interessa saber – se é pertença de motorista que usa a Uber ou Cabify para angariar clientes):

Nas plataformas colaborativas de transporte pessoal (como a Cabify e a Uber) também haverá motoristas menos profissionais. Mas aquelas permitem aos seus utilizadores classificar a qualidade do serviço, para que o próximo passageiro tenha um pouco mais de tranquilidade na sua escolha . Está na hora dos maus taxistas também serem responsabilizados. E quem prefere viajar de táxi já tem uma solução: a aplicação myTaxi.

Jogar no 801 mil

Em termos de marketing, o título acima nem de perto se aproxima do nome escolhido para o novo jogo da Santa Casa de Misericórdia de Lisboa: “M1lhão“.

Apesar de não ser apelativo, “801 mil” seria o mais honesto. É, afinal, o real valor que cabe ao vencedor.

Depois da Santa Casa já ter ficado com cerca de 56,95% da “receita ilíquida de apostas” (€2.322.675,90) o Estado cobra, em imposto de selo, 20% dos prémios acima de €5.000. No final, esta semana entidades estatais arrecadaram 65,51% do total do dinheiro dos apostadores portugueses. Regra de todos jogos de sorte azar: “a Casa ganha sempre”

Não esquecer: são todos socialistas

Começou ontem a circular pelas redes sociais video que revela o PSD (e seu líder!) pelo que realmente é: um partido de base socialista. Tal revelação não devia ser surpresa. E a banda sonora daquele está muito bem escolhida (o discurso não destoaria se fosse feito por Assunção Cristas, António Costa, Catarina Martins ou Jerónimo de Sousa).

O que difere PSD do partido da Ministra das Finanças deputada Mariana Mortágua (Bloco de Esquerda; BE) é apenas o grau de socialismo. Uma importante diferença.  PSD deseja a criação de riqueza a fim de confiscar uma parte, via Estado, para as suas clientelas (que dependem deste ser, eventualmente, Governo). BE, um partido declaradamente anti-capitalista, pretende que todos sejam iguais via eliminação dos ricos. Todos iguais na pobreza, como se pode comprovar em várias “experiências” semelhantes ao longo da história (a última, na Venezuela).

E o Partido Socialista? Ideologicamente está mais próximo do PSD. Mas a necessidade de manutenção do poder (as suas clientelas assim o exigem) “obrigam” Governo de António Costa a ir cedendo às políticas do BE e PCP, que vão acabar por matar a “galinha” (que ainda vai pondo uns ovos, apesar de não serem de ouro).

Que incentivo há para a criação de riqueza se, depois, um empreendedor não pode dela beneficiar? PSD e PS(?) sabem que há limites ao confisco, apesar de os irem testando. BE e PCP têm uma visão/modelo diferente. Pensam que conseguem gerir a economia para benefício exclusivo dos trabalhadores. Cerca de 15% dos votantes concorda com eles. Não seria assim tão preocupante se PS não tivesse na liderança um (politicamente) invertebrado.

A geringonça já esqueceu a reestruturação da dívida?

Talvez seja só eu, mas tenho notado que, dos partidos que apoiam o Governo de António Costa (a dita “geringonça”), apenas o Partido Comunista tem continuado a falar da necessidade de uma reestruturação da dívida, a fim de canalizar financiamento para outras rubricas de despesa no Orçamento de Estado. Nos media nada se ouve do PEV e PAN, provavelmente devido à reduzida representatividade parlamentar. Porém, o Bloco de Esquerda tem sido bastante tímido nas afirmações sobre o assunto.

Já sabemos que, agora no Governo, o Partido Socialista descartou a opção de uso da “bomba atómica” que faria “tremer as pernas dos banqueiros alemães”. Ora, ao dizerem, de antemão, que tal estratégia é um “bluff”, a eficácia da mesma torna-se imediatamente nula. Pois… e ainda dizem que percebem de poker!

Voltemos ao tema da reestruturação da dívida. Porque não, para começo do debate, recusar o pagamento de juros? É basilar no argumento dos comunistas o uso de exemplo do valor pago em juros da dívida ser suficiente para financiar as despesas no Serviço Nacional de Saúde (SNS). Infelizmente, perante tal exemplificação, os jornalistas nunca lhes pedem para desenvolver a proposta.

É certo que, para convencer os mais incautos, basta comparar os valores do “défice” com os de “juros pagos”. Recorrendo à PORDATA verificamos que o défice em 2015 foi de 5,6 mil milhões de euros e a despesa em juros e outros encargos de 7,1 mil milhões de euros. Portanto, se o Estado português não pagar aqueles juros, obteria logo um superavit de 1,5 mil milhões de euros nas suas contas… Parece simples, não?

No entanto, o não pagamento dos juros coloca o Estado numa difícil posição: sem expectativa de remuneração quem continuará a emprestar-nos dinheiro? Alguns podem pensar que, havendo superavit, a necessidade de financiamento público é reduzida ou até mesmo nula. Estariam errados, pois falta contabilizar o refinanciamento da dívida actual. Por exemplo, segundo o boletim mensal do mês de Agosto do IGCP (pdf), o Estado português tem dívidas a atingirem maturidade, só em 2017, superiores a 16,5 mil milhões de euros (pág. 2 – Saldo nominal vivo de BT e OT / Calendário de Amortizações). Empréstimos para custear este refinanciamento implicará que os novos credores exijam, naturalmente, o pagamento de juros.

Primeiro, podemos considerar um cenário em que a União Europeia assumia o papel de financiador a custo zero. Estariam os contribuintes dos vários Estados-membros dispostos a emprestar tão avultados montantes sem quaisquer condições (i.e. mais austeridade)? Tendo como barómetro apenas a opinião da maioria dos portugueses em relação à dívida da Região Autónoma da Madeira, julgo que a resposta é óbvia: claramente não!

Sendo assim, dado que comunistas (e outros socialistas) recusam a aplicação de quaisquer medidas de austeridade, uma proposta de reestruturação da dívida terá, também, de incluir o não pagamento da própria dívida nominal (e não unicamente os juros). Temos, então, de verificar quem são os nossos actuais credores.

Vamos considerar, a priori, o improvável cenário da rejeição de pagamento de toda a dívida detida por não residentes (BCE incluído) evitar sanções/corte de fundos europeus. Restava o pagamento a entidades residentes em Portugal. Ora, no já referido boletim mensal do IGCP constatamos que – fazendo notar a existência de erro nos arredondamentos (soma dos valores equivale a 101%) – 53% da dívida pública está em posse de entidades portuguesas (pág. 3 – Detentores de Dívida Direta do Estado; residentes + Banco de Portugal). Se, de forma simplista, aplicarmos essa percentagem aos 16.526 milhões euros a pagar em 2017 (pág. 2) obtemos a quantia de 8.759 milhões de euros. Como iria o Estado pagar este valor (tendo em conta que não pagar teria graves consequências para a economia portuguesa)? Não podendo recorrer aos mercados (que exigem remuneração mais alta quanto maior o risco de incumprimento!) o Governo “geringonça” só teria uma fonte de financiamento disponível: os contribuintes. Ou seja, austeridade. Eventualmente até podem chamar-lhe outra coisa, mas, no nosso bolso, o resultado será sempre o mesmo.

Sharon Drummond @flickr.com (creative commons)
Sharon Drummond @flickr.com (creative commons)

Socialismo é chic

Tiveram oportunidade de, há cerca de um mês atrás, ver a cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro? Eu não. Mas já tinha lido que a farda oficial da equipa cubana seria desenhada e patrocinada pelo designer de sapatos Christian Louboutin.

Inicialmente, a decisão de patrocinar esta equipa surpreendeu-me. Trata-se, afinal, de um país em que existem muito poucos consumidores com suficientes rendimentos para comprar os famosos sapatos de sola vermelha. São artigos de luxo só acessíveis a mulheres com elevado estatuto dentro do partido comunista cubano (governantes ou, alternativamente, esposas, amantes e familiares de importantes membros masculinos daquele partido) ou cônjuges de motoristas de táxi (que, em Cuba, recebem bem mais do que um médico – video).

Como pode um regime que lutou e, para quase toda a população, conseguiu implementar uma sociedade igualitária na pobreza ser um atrativo investimento? Como podem consumidores desta marca no resto do mundo não ficar chocados? A resposta está no título em epígrafe: socialismo é chic. Do ponto de vista de marketing, Cuba continua no imaginário de milhões de socialistas por todo o mundo (e o que não faltam são socialistas!!!). Apesar de muitos que lá vivem, preferirem fugir dessa ilha… “paradisíaca”.

Louboutin_Cuba

Até mesmo nos dias de hoje, em que cada vez há mais indivíduos instruídos, é ainda habitual ver alguém a usar t-shirt com a célebre estampa da face de Che Guevara (ou uma com variantes da imagem da foice e martelo). Há aqui curiosa dicotomia que escapa a muitos socialistas: símbolos comunistas são sucessos comerciais, apesar de representarem catástrofes económicas que transformam uma sociedade consumidora de sapatos Louboutin numa “economia pé descalço”.

Em recente entrevista à revista Visão, Christian Louboutin disse: “Faz parte do charme de Portugal os portugueses não saberem vender-se.” Hmm, não é bem assim. Uns sabem vender-se melhor que outros. Hoje começa a Festa do Avante

Para que serve um código de conduta?

O ministro Augusto Santos Silva, em nome do Governo, disse que o caso do Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Rocha Andrade, “fica encerrado” com o reembolso dos bilhetes. Afirmou ainda que será criado um código de conduta para membros do Governo e altos dirigentes da Administração Pública. Mas esse documento já existia no Ministério das Finanças e não preveniu a conduta daquele secretário de Estado.

Mais do que a existência ou não de documento que impõe limites à conduta de funcionários públicos, é a ética que nos deve guiar as acções. Este caso originou polémica porque muitos de nós acredita que, acontecendo connosco, não teríamos semelhante comportamento. Rocha Andrade provou ter limites éticos inferiores aos nossos. Para o primeiro-ministro António Costa isso não é problema. Tal como não foi meter o amigo em negociações de Estado, sem qualquer vínculo contratual.

Um documento não muda o carácter das pessoas. Apenas obriga-as a encontrar formas mais difusas de o contornar. A permanência de Rocha Andrade no Ministério das Finanças não significa automaticamente que é um governante corruptível. Mas aos olhos da opinião pública já é visto como potencialmente influenciável. E na política as aparências muitas vezes contam mais que os factos…

Batman_Santos_Silva

Lição de ética política

Classe política está tão habituada à promiscuidade entre Estado e empresas [algumas!] que nem percebem os perigos das ofertas em espécie. Ou talvez seja lobbying à portuguesa.

Batman_RochaAndrade

Engolir um sapo: Clinton

Com a nomeação de Hillary Clinton como candidata do Partido Democrata nas eleições presidenciais, muitos eleitores terão de “engolir um sapo” para evitar a vitória de Donald Trump.

Engolir um sapo: Trump

Com a nomeação de Donald Trump como candidato do Partido Republicano nas eleições presidenciais, muitos eleitores terão de “engolir um sapo” para evitar a vitória de Hillary Clinton.

#EstaleiroMunicipal #Lisboa

As próximas eleições autárquicas serão em Setembro/Outubro de 2017. Em Lisboa já se “trabalha” para as habituais inaugurações, sempre agendadas nos meses anteriores ao acto eleitoral. Que certamente contribuirão para o crescimento do “investimento” público. Até pode ser que consigam ajudar o governo geringonça a chegar mais perto do défice orçamentado de 2,2% do PIB…

Deixo aqui um desafio para o Verão: contribuam (no Twitter, Instagram ou Facebook) com fotografias deste frenesim de obras, usando as tags #EstaleiroMunicipal + #cidade. Aqui fica a minha primeira, na Avenida Fontes Pereira de Melo:

Boas fotos!

Orçamento [de Estado] participativo

Leio no Jornal de Negócios que o Governo de António Costa “pretende dar aos cidadãos a possibilidade de apresentar ideias para executar com fundos públicos. Verba total será de três milhões de euros.” 0,004% do Orçamento de Estado.

Se existir a opção de devolução do dinheiro aos contribuintes, podem contar com meu voto.

E se pais tivessem ADSE?

É hoje destaque no Jornal de Notícias caso de negligência médica no Hospital Padre Américo, em Penafiel. Ou uma série de erros humanos (sim, médicos não são perfeitos!).

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Durante 3 anos (entre 2010 e 2013) os pais de uma jovem levaram-na às urgências do hospital em 11 (onze!!!) ocasiões. Apesar de recorrentes queixas de dor de cabeça, sete diferentes médicos diagnosticaram ansiedade, nervos ou falsa gravidez, nunca tendo acedido aos pedidos da mãe para realização de exames adicionais, como TAC/RM ao cérebro. Sara faleceu de um tumor na cabeça a 10 de Janeiro de 2013, aos 19 anos de idade.

Fica aqui a questão que já nada resolve neste caso, mas pode ajudar muitos outros portugueses: e se os pais da Sara tivessem a liberdade de escolha permitida pela ADSE?