Miserável

Numa conferência a propósito do Dia Internacional da Erradicação da Pobreza, organizada esta terça-feira em Lisboa pelo Montepio, o presidente executivo da CGD, Paulo Macedo, disse que, dos 2,6 milhões de euros angariados pelo banco público para as vítimas do incêndio que deflagrou em junho em Pedrógão Grande, alastrando a outros concelhos e deixando mais de 60 mortos e que estão a ser geridos pela Fundação Calouste Gulbenkian, “uma parte já foi para projetos concretos e cerca de 500 mil euros vão ser aplicados junto de instituições de saúde para equipar as que tem ajudado as populações, quer nas unidades de queimados quer noutras, na zona de Coimbra”.

 

A ver se consigo fazer perceber ao Dr Paulo Macedo uma coisa muito simples: o dinheiro doado pelos portugueses em Junho deste ano para ajudar quem sofreu com os incêndios de Pedrógão, não foi doado para ajudar o Orçamento de Estado. Foi para ajudar pessoas concretas, que perderam família, casas, meios de sustento, etc. Equipar os Hospitais é responsabilidade do Estado por via dos impostos e orçamento do Ministério da Saúde. Usar o dinheiro da solidariedade dos portugueses com as vítimas de Pedrógão para cobrir buracos do OE ou incapacidade do Ministério, que ainda há dois anos dirigia, é abaixo de cão (embora qualquer cão mereça mais respeito que o CEO da CGD depois disto), é miserável, é inqualificável. A lata, a tremenda lata de mais de que pensar ou executar uma enormidade destas é ser capaz de o referir como um acto razoável (sequer). Nem eu tenho vernáculo suficiente para isto. Isso, continuem a doar para contas geridas por gente desta estirpe. E nem quero imaginar, nem muito menos saber, o que são os tais “outros projectos”.

Pó car….

Estive a ler com atenção o artigo do Dr Paulo Rangel e fico, como dizê-lo, nas horas do diabo (evito recorrer ao vernáculo portuense).

Caso o Dr Paulo Rangel não tenha ainda percebido aqueles que mobilizaram o PSD (e não os que o PSD mobilizou) estão em vias de extinção há muitos anos, com a prestimosa colaboração do Partido Socialista Desorientado desde pelo menos o Professor Doutor Cavaco. O que tem é uma massa enorme de funcionários, pensionistas e subsídio-dependentes a quem o PPD não tem nada a propor. O PS trata deles. Já nem o PCP tem seja o que for a propor-lhes.

Este parágrafo “A liberalização não é nem pode ser a operação através da qual os interesses que opacamente colonizam o Estado passam abertamente a colonizar a sociedade. Por isso não somos liberais.” se não fosse indigente seria digno de um marxista com menos de três neurónios funcionais. O Dr Paulo Rangel que procure debaixo do calhau de onde saiu ou, se tiver tempo, neste calhau que roda à volta do Sol onde existem esses liberais ou esse liberalismo que promovem a colonização do Estado e da sociedade. Nós, os que nos consideramos liberais, sabemos há muito, há mais de 250 anos que o rent seeking e o capitalismo de compadrio é apanágio do socialismo-democrático, não do liberalismo. Se não sabe para mais, ou se é parvo, ou vá aprender ou que passe pela Sede Social ali no Cristo Rei que a gente explica-lhe. Entretanto vá encher-se de pulgas e mentir lá no assento dourado que alguns infelizes fizeram questão de lhe atribuir em Bruxelas, ou lá onde for onde se governa.

Aturo de tudo, burros ou vigaristas intelectuais, não aturo. De todo. Prefiro vigaristas e ladrões no sentido normal dos termos, pelo menos existe alguma honra nestes últimos.

Um dia destes o Dr Rangel acorda e dá-se com três Partidos: o Partido Dono do Regime (o PS pode já mudar a sigla para PDR), o Bloco dos intelectuais lisboetas do eixo Cais do Sodré-Santa Apolónia e do Eleven e do Tavares mais o CDS da lavoura, dos pobrezinhos e da caridade institucionalizada. Que venha com conversas de merda sobre a liberalização e a liberdade é um sintoma da decadência tanto do tal Partido de que fala (qual Partido?) como dos que o mobilizaram nos anos 70.

Álvaro Almeida, obviamente

Que tenha memória, das poucas vezes que votei, só uma votei pela positiva e já lá vão 26 anos. O meu voto é sempre essencialmente “contra”, nada do que me propõem há mais de 30 anos merece a minha aprovação, sou regularmente impedido de votar a favor seja do que for, se votar é contra. Há quatro anos já nem me lembro se votei ou não, mas se o fiz votei seguramente no Rui Moreira. Qualquer coisa me servia excepto a tralha socrática-trotskista ou o despautério menezista. Já há muitos anos em Gaia votei na Ilda Figueiredo pela mesma razão, porque o resto era inenarrável, votei contra esse resto com uma convicção inabalável que ainda hoje continua igual.

Seja como for não me lembro de me sentir tão traído nestas merdas como quando vi o actual Presidente da CMP entrega-la direitinha nas mãos dos lunáticos de parto socrático. Às tantas não percebeu porque foi eleito. Eu explico-lhe: foi eleito porque não era o Menezes nem o PS socrático. Só por isso, até o Emplastro lhes tinha ganho. Dito isto, estava convencido que desta vez não ia votar, as opções que tenho são um pavão vaidoso sem ponta por onde se lhe pegue, uma chusma de lunáticos e um grupo de inábeis que devem ter dificuldade em atar os atacadores e mascar pastilha elástica ao mesmo tempo. Não discuto sequer que o grupo do actual Presidente seja o mais sério no meio disto, mas tenho dificuldade em aturar inúteis vaidosos com confidence issues e falta de resiliência. Se não sabe, repito, eu explico: quem se mete com putos sai mijado. O que está a acontecer é o resultado de se ter metido na cama com as MILFs do PS. Agora é tarde para abortar, aguente-se. Não sei se já repararam mas passou um mandato inteiro com boa imprensa que de um momento para o outro lhe tirou o tapete. Bastou romper com a associação de malfeitores a quem se aliou há quatro anos.

Vou votar e vou votar convicto. Vou votar no Álvaro Almeida que do que sei é decente, não é um inútil, não é o Rui Moreira, nem faz parte do gang socrático-trotskista. Por muito que o PSD local seja um antro mal frequentado.

 

Nota: há pouco mais de uma semana tinha decidido não votar. Quando a primeira sondagem do CESOP deu um empate técnico entre Moreira e Manuel Pizarro (de quem tenho boa ideia como pessoa) pensei: “Bem, lá tenho que ir votar no Rui Moreira” (contra os lunáticos do PS e a Quinta Coluna trotskista). Após esta segunda sondagem e a reacção do dito, ai vou votar vou. Mas não voto em gente que revela esta falta de carácter e resiliência. É nos apertos e quando a corrente é contra, que se vê quem os tem no sítio. De frouxos e mimados já estamos bem servidos. Um voto no Álvaro Almeida, sei-o bem, é um voto contra a chusma de imbecis que nos pastoreiam, a mim chega-me. E também sei que o meu voto não interessa para nada, que se lixe.

The fascists of the future…

…will call themselves anti-fascists. – Winston Churchill

Segundo a Rita Ferro Rodrigues “São imensas as publicações sexistas disponíveis no mercado” e eu concordo absolutamente. Já se for para as denunciar e “recomendar” que se retirem do mercado, sugiro começar pela “Odisseia” do Homero onde a pobre da Penélope, fiel ao marido, espera pelo herói Ulisses durante vinte anos a tecer e a desfazer um sudário. Daí, sei lá, é ir por aí fora, denunciar a literatura clássica quase toda, o Shakespeare (Romeu e Julieta? Otelo?), o Camões (“Andando, as lácteas tetas lhe tremiam” – Camões, ‘Os Lusíadas’, canto II, estância 36), a Jane Austen (que raio de personagem é aquele cavalheiro Mr Darcy?), o Bocage, o Jorge de Sena (aquilo do Sinais de Fogo é hipersexismo), a Sophia (a Fada Oriana? Qué isso?), ao Kafka (qual Josef K.? Mude-se o nome para Josefina K.), Corin Tellado, aos livros da “Anita”, do “Lucky Luke”, o “50 Shades of Grey”, o Harry Potter, o Tolkien, o Nabokov e praí 98,3% da literatura desde Homero. Pronto, tudo denunciado à CIG e “recomendado” que se retire das livrarias. Ficamos, que sei eu, com as obras da Rita e do Boaventura esses vultos gigantescos da literatura Mundial. Ah! E com o “A Doutrina do Fascismo” do Benito Mussolini e do Giovanni Gentile, claro. Na mesinha de cabeceira da Rita, pelo menos.

Dedicado a meninas Incapazes….

….incultas e neo-fascistas.

“Surely you remember the boy in your own school class who was exceptionally ‘bright,’ did most of the reciting and answering while the others sat like so many leaden idols, hating him. And wasn’t it this bright boy you selected for beatings and tortures after hours? Of course it was. We must all be alike. Not everyone born free and equal, as the Constitution says, but everyone made equal. Each man the image of every other; then all are happy, for there are no mountains to make them cower, to judge themselves against. So! A book is a loaded gun in the house next door. Burn it. Take the shot from the weapon. Breach man’s mind. Who knows who might be the target of the well-read man? Me? I won’t stomach them for a minute.”

 

 

What this is about is bad ideas

Não sei se é por ser um gajo porreiro se é por ser um liberal que acha que todos, absolutamente todos, têm direito ao pensamento e expressão livre, sou amigo de gente from all walks of life e que professam (o termo é este mesmo) as mais variadas ideologias. Desde gajos que se acham fascistas, nazis, social-democratas, socialistas, conservadores, comunistas ao raio que os parta. E todos sem excepção são gente boa que aprecio e cuja amizade agradeço. Todos eles são capazes de discutir comigo, argumentar e debater, todos eles sabem do que falam, leram conhecem de Hegel e Fichte a Marx e Engels com os outros todos pelo meio. Só não consigo ser amigo de imbecis, isso não consigo nem tenho nenhum.

O Imbecil é uma espécie em expansão, o Imbecil não pensa, “sente”, o Imbecil, de tanto amar a Humanidade é incapaz de amar uma pessoa. O Imbecil não vê pessoas, vê conjuntos. O Imbecil é perfeitamente capaz de concordar comigo se eu disser “cada pessoa é única e insubstituível” e que não se substituiu um pai, uma mãe, um filho, um amigo. Mas, logo a seguir, o Imbecil defende o extermínio de uma categoria qualquer, seja ele cristão, judeu, muçulumano, nazi, fascista, comunista, capitalista ou “inimigo do povo”, só porque sim. O Imbecil vive num organismo borg com dificuldades sinápticas e encontra-se cada vez mais entre social-democratas, SJWs e tolerantes, dos que se dizem fartos de intolerância. Dois exemplos: um amigo meu americano, boa gente p’a caralho, com tendências leninistas, está exasperado com a intolerância com isto dos supremacistas de Charlottesville e, no Facebook, oferece ajuda a quem precisar, excepto a homens brancos heterossexuais. É incapaz de pensar em pessoas, tudo se resume a categorias que são o que define as características de cada um. Para ele, por definição, um homem branco heterossexual não merece ajuda. Ainda por definição, homem branco heterossexual (como ele próprio) é culpado seja lá do que for que lhe apeteça. Outro exemplo é o da foto acima. No tempo em que participava do twitter este gajo era um tipo razoável, socialista, um gajo porreiro. Vem agora apelar que se matem os que ele acha que são nazis. A ver: que se matem pessoas por causa de diferenças ideológicas, diz que é legítima defesa. Noutro tweet bloqueia uma das melhores pessoas que conheço, meu amigo, liberal, porque diz ele, se comparam nazis e “estalinistas”, uma maneira de ele próprio (reduzido à imbecilização) e de forma pouco subtil, branquear o comunismo que foi a menção que o meu amigo fez devidamente contextualizada.

Enfim, a imbecilização em curso é com certeza uma coisa muito humana. Não sei porquê chateia-me, não consigo aturar O Imbecil e cada vez há mais. A este ritmo morro sem amigos. Já agora, ide, ide ler este artigo do Jeffrey Tucker de onde retirei o título:

The Violence in Charlottesville

De caminho recomendaria o extraordinário (sou o rei das hipérboles)

“Freedom and Its Betrayal: Six Enemies of Human Libertydo Isaiah Berlin

talvez lendo consigam olhar-se ao espelho e ter vergonha na cara, sejam vocês social-democratas, fascistas, nazis, socialistas, comunistas ou o raio que vos parta. E perceber porque arriscam a serem vocês próprios a encarnação d’O Imbecil.

Insert brain

Parece que o Dr Pedro Nuno Santos, que se tornou famoso pela putativa capacidade de pôr as pernas dos banqueiros alemães a tremer, terá afirmado que confia que o Dr Pote D’Unto…perdão, Dr Alguidar de Banha…ai, perdão, Dr António Costa “voltará” a ganhar as eleições em 2019. Que mal pergunte, quando é que o Dr Pote D’…perdão, Dr António Costa ganhou as eleições para que possa “voltar” a ganhá-las?

Optimismo antropológico

Os nomes das pessoas que morreram nos incêndios em “segredo de justiça” é das desculpas mais esfarrapadas que me lembro de ler ou ouvir. Como é que as doações chegam às famílias, como é que as Seguradoras indemnizam quem devem se os dados destes estão em “segredo de justiça”? Mas pronto, é sempre possível descer mais baixo, é sempre possível que quem nos pastoreia atinja níveis de miséria insuspeitos de poder sequer existir. Sou um optimista antropológico mas às vezes fica difícil.