Do Mal

A propósito dos PECs 2010-2011 e a malvadez da troika, no que respeita às privatizações, o PEC IV remete para o PEC III de 18 de Março de 2010 (!) onde isto na imagem estava previsto. Os que culpam o chumbo do PEC IV pelos males do Mundo, deviam lê-lo.

 

Estava prevista, por exemplo, a redução da compensação por despedimento (por parte do empregador) de 30 dias por cada ano de trabalho para 10 dias (mais outros 10 pagos por um Fundo que pagamos todos os meses e que não sei bem para onde vai o dinheiro, para indemnizações não parece ser). Alguém que tenha sido despedido durante ou após a governação da troika recebeu os tais 10 dias de indemnização por cada ano de trabalho vindo do Fundo de Compensação? Tanto quanto sei desde 2014 a indemnização é de 12 dias por cada ano de trabalho, as empresas pagam todos os meses para o tal Fundo de Compensação, alguém recebeu alguma coisa vinda daí?

Jota Cristo

“Beneath this mask there is more than flesh, beneath this mask there is an idea Mr Creedy and ideas are bullet proof” – V in V For Vengeance

 

Podemos ser agnósticos, ateus, podemos ser adeptos das teorias do Dan Brown e afins, milenaristas, gnósticos ou cépticos. No que respeita a Cristo nada disso interessa. O que interessa é a ideia de Cristo e, meus caros, nunca houve ideia tamanha neste vale de lágrimas, que mudasse o Mundo e que nos mudasse a nós como a ideia de Cristo mudou. A liberdade, o livre arbítrio, a redenção (escaparmos à fatalidade do erro), a igualdade, o que faz de nós pessoas e fatalmente imperfeitas, devemo-lo à ideia de Cristo. Nem que seja só por isso, celebremo-lo junto dos nossos na certeza que só com eles que cumprimos essa ideia. Um Santo Natal para todos.

Da ética republicana

Acabo de assistir à entrevista do ex-Secretário de Estado da Saúde à TVI. É confrangedor, uma dor d’alma assistir a um homem submeter-se a tamanha humilhação pública. Sem ponta de dignidade, sem um mínimo de sentido de honra e amor-próprio. E o meu país não pode ser feito disto, de gente assim, se for, resta-nos o destino dos lémures. Se possível sem que a rataria nos siga.

Coisas raras, muito raras, raríssimas até

Em 1984 li este fenomenal artigo do Vasco Pulido Valente e nunca mais me esqueci. A propósito da indignação du jour ocorreu-me e reencontrei-o publicado pela Margarida Bentes Penedo no Gremlin Literário. Até o ano é muito bom, como me fez notar alguém no facebook, parece que tudo o que tem 1984 no título é encarado como um manual. Se era assim há 33 anos, imagine-se o que anda por aí em 2017. Se começam a escavar tudo o que aí anda financiado pelo Estado, quotas e doações, não sobra ninguém nem para amostra. A ler, o VPV em 1984: Continue a ler “Coisas raras, muito raras, raríssimas até”

Não têm vergonha? II

Pelos vistos, a pessoa que fez as perguntas à deputada Margarida Balseiro Lopes na imagem do post anterior (aqui abaixo), fê-las no papel de “advogado do diabo” para que as respostas fossem (muito bem) o que foram. Não me parece que, perante o recorte apenas, eu tenha feito uma interpretação abusiva das perguntas, até porque estou demasiado escaldado. Mas parece que sim, que a intenção de quem as fez não era a que eu entendi. E assim aqui ficam as minhas desculpas e não, não é um imbecil. Para já.

Não têm vergonha?

 

(correcção em post mais acima)

É raro acontecer-me mas não creio que a língua do Camões e do Bocage me faculte vernáculo suficiente para isto.

Quando ontem vi um post da deputada Margarida Balseiro Lopes (PSD) em que esta dizia que os deputados do Partido do Pote de Sebo, da boneca Chuckie e do Avô Cantigas e respectivo apêndice tinham votado contra uma proposta de isentar de IMI em 2017 e 2018 as pessoas que perderam as casas nos incêndios deste ano da (des)Graça de 2017, não quis acreditar. Achei que era talvez um lapso, ou parte da politiquice. Já me habituei a ser céptico quanto ao que dizem os políticos e ardinas, excepção feita a dois ou três que conheço. Fui saber e é mesmo verdade.

Os que votam e apoiam a solução que nos pastoreia não têm vergonha? São capazes de olhar um espelho sem uma vontade irreprimível de suicídio? Conseguem dormir? Passam os dias nessa insuportável posição de superioridade moral, na suposta defesa dos mais frágeis e desfavorecidos, a apregoar um suposto humanismo e suposta preocupação com os que menos podem e são capazes de aprovar uma barbaridade destas? O que isto vem mais uma vez demonstrar (como se fosse preciso) é que nesse mundinho adolescente da eterna luta do Bem contra o Mal, são V Exas as bestas. Isto é maldade pura. Continue a ler “Não têm vergonha?”

Miserável

Numa conferência a propósito do Dia Internacional da Erradicação da Pobreza, organizada esta terça-feira em Lisboa pelo Montepio, o presidente executivo da CGD, Paulo Macedo, disse que, dos 2,6 milhões de euros angariados pelo banco público para as vítimas do incêndio que deflagrou em junho em Pedrógão Grande, alastrando a outros concelhos e deixando mais de 60 mortos e que estão a ser geridos pela Fundação Calouste Gulbenkian, “uma parte já foi para projetos concretos e cerca de 500 mil euros vão ser aplicados junto de instituições de saúde para equipar as que tem ajudado as populações, quer nas unidades de queimados quer noutras, na zona de Coimbra”.

 

A ver se consigo fazer perceber ao Dr Paulo Macedo uma coisa muito simples: o dinheiro doado pelos portugueses em Junho deste ano para ajudar quem sofreu com os incêndios de Pedrógão, não foi doado para ajudar o Orçamento de Estado. Foi para ajudar pessoas concretas, que perderam família, casas, meios de sustento, etc. Equipar os Hospitais é responsabilidade do Estado por via dos impostos e orçamento do Ministério da Saúde. Usar o dinheiro da solidariedade dos portugueses com as vítimas de Pedrógão para cobrir buracos do OE ou incapacidade do Ministério, que ainda há dois anos dirigia, é abaixo de cão (embora qualquer cão mereça mais respeito que o CEO da CGD depois disto), é miserável, é inqualificável. A lata, a tremenda lata de mais de que pensar ou executar uma enormidade destas é ser capaz de o referir como um acto razoável (sequer). Nem eu tenho vernáculo suficiente para isto. Isso, continuem a doar para contas geridas por gente desta estirpe. E nem quero imaginar, nem muito menos saber, o que são os tais “outros projectos”.

Pó car….

Estive a ler com atenção o artigo do Dr Paulo Rangel e fico, como dizê-lo, nas horas do diabo (evito recorrer ao vernáculo portuense).

Caso o Dr Paulo Rangel não tenha ainda percebido aqueles que mobilizaram o PSD (e não os que o PSD mobilizou) estão em vias de extinção há muitos anos, com a prestimosa colaboração do Partido Socialista Desorientado desde pelo menos o Professor Doutor Cavaco. O que tem é uma massa enorme de funcionários, pensionistas e subsídio-dependentes a quem o PPD não tem nada a propor. O PS trata deles. Já nem o PCP tem seja o que for a propor-lhes.

Este parágrafo “A liberalização não é nem pode ser a operação através da qual os interesses que opacamente colonizam o Estado passam abertamente a colonizar a sociedade. Por isso não somos liberais.” se não fosse indigente seria digno de um marxista com menos de três neurónios funcionais. O Dr Paulo Rangel que procure debaixo do calhau de onde saiu ou, se tiver tempo, neste calhau que roda à volta do Sol onde existem esses liberais ou esse liberalismo que promovem a colonização do Estado e da sociedade. Nós, os que nos consideramos liberais, sabemos há muito, há mais de 250 anos que o rent seeking e o capitalismo de compadrio é apanágio do socialismo-democrático, não do liberalismo. Se não sabe para mais, ou se é parvo, ou vá aprender ou que passe pela Sede Social ali no Cristo Rei que a gente explica-lhe. Entretanto vá encher-se de pulgas e mentir lá no assento dourado que alguns infelizes fizeram questão de lhe atribuir em Bruxelas, ou lá onde for onde se governa.

Aturo de tudo, burros ou vigaristas intelectuais, não aturo. De todo. Prefiro vigaristas e ladrões no sentido normal dos termos, pelo menos existe alguma honra nestes últimos.

Um dia destes o Dr Rangel acorda e dá-se com três Partidos: o Partido Dono do Regime (o PS pode já mudar a sigla para PDR), o Bloco dos intelectuais lisboetas do eixo Cais do Sodré-Santa Apolónia e do Eleven e do Tavares mais o CDS da lavoura, dos pobrezinhos e da caridade institucionalizada. Que venha com conversas de merda sobre a liberalização e a liberdade é um sintoma da decadência tanto do tal Partido de que fala (qual Partido?) como dos que o mobilizaram nos anos 70.