‘Cause Christmas ain’t the time for breaking each other’s hearts

Confesso que a história de Cristo me fascina, quer se creia que Deus existe quer não, a ideia de Cristo é uma ideia de redenção que não me deixa indiferente e não creio que possa deixar indiferente seja quem for que reflicta sobre ela.
Não sei se o homem cá andou para nos salvar ou não, não sei se não passou de uma fraude, mas sei duas ou três coisas. Sei que é com Cristo que a espécie se liberta do jugo dos deuses, sei que é com ele que se cria esse extraordinário conceito do livre arbítrio, sei que é com ele que pela primeira vez os homens se tornam iguais, sei que é na ideia de Cristo que pela primeira vez os homens se libertam de um destino pré determinado. E sei também que é com Cristo que todas as portas se abrem a todos, ricos, pobres, criminosos, santos, mulheres, homens, prostitutas e beatas. E isto é uma coisa extraordinária de cuja importância raramente nos apercebemos se é que alguma vez nos ocorre.
Não meus caros, o Natal, em que bem ou mal se celebra o nascimento deste personagem extraordinário, não é uma época de hipocrisia, pelo contrário, é um dia em que quase todos estamos predispostos à bondade, à celebração dos nossos e à presença do outro. Um dia em que ateus, crentes e agnósticos (excepção feita a tolos) nos abrimos aos outros. E nem que seja só isso, nem que seja só um dia em 365, é bom. Não apaga todas as cagadas que fazemos nos outros 364 dias, mas redime-nos. E tudo por causa de um gajo que viveu há 2 mil anos e nunca viajou mais de 100km. Não sei vocês, mas gosto da ideia e conforta-me. Um Feliz Natal para vocês todos, os que me gramam e os que não me gramam também, bem hajam.

Doce de maçã

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Uma conversa que tive hoje sobre a importância do contexto sócio económico dos estudantes enervou-me ligeiramente. Antes de mais, trabalho por necessidade desde os onze anos e não recebo lições de pobreza de ninguém, sei bem o que é ser pobre. Depois, estou-me cagando nos estudos nas ciências sociais, dão para tudo mais um par de botas e são o melhor exemplo de tortura de dados para dar o resultado que o “cientista” quer. Chegam a meter carne de um lado e do outro sai doce de maçã. Até nas ciências duras já é assim (ver o “hockey stick” do Michael Mann), nas ciências sociais é um fartar de vilanagem. Cansado que estou de trinta anos a ler “estudos” e papers sobre assuntos que me interessam só há uma conclusão possível: não conheço nenhum grupo onde haja tanta corrupção intelectual como nos grupo dos “cientistas sociais”. Não conheço um estudo, um sequer em que possa confiar, por cada um que chega a uma conclusão há dois que chegam à conclusão oposta exactamente com os mesmos dados. A única coisa em que confio é na minha experiência pessoal (que já é alguma) e capacidade dedutiva, mais nada. “Cientistas sociais” e “estudos” não passam, todos, rigorosamente todos, de venda de banha da cobra e prostituição pura e dura.

Dito isto, quando se fala no contexto sócio económico dos miúdos, misturam sempre correlação com causalidade, como se um puto pobre fosse obrigatoriamente um idiota filho de imbecis, como se os “cientistas sociais” soubessem melhor que o puto e respectivos pais o que é melhor para ele, como se os pobres não quisessem melhorar de vida, como se ser pobre fosse uma deficiência genética que condena as pessoas a serem falhas de inteligência, honra e ambição. Como se por ser pobre não se possa ser inteligente, trabalhador ou ter vontade. Mais que qualquer outra coisa é um insulto aos milhões de pobres que são gente trabalhadora, que lutam para melhorar de vida, que cuidam dos filhos e se sacrificam por eles. Não, para os bem nascidos, pobre é um untermensch, alguém inferior a eles próprios, um diminuído ao sabor das circunstâncias, sem as capacidades que reconhecem neles mesmos. Pois agarrem nos “estudos” que “provam” os vossos preconceitos de bem nascidos, façam um rolinho e enfiem-nos no recto, de resto, quanto aos pobres, saiam-lhes da frente, não os estorvem.

Literatura de cordel

Há cerca de dois meses estava em casa de um grande amigo meu, um homem de fé, cristão (não católico) e, por curiosidade, perguntava-lhe acerca da fé e da religião dele, como encaravam Cristo, os Santos, católicos, judeus, etc. Às tantas, a meio da conversa confessei-lhe: “Já tive Fé, já soube o que é tê-la e ter esse conforto na Fé que tu tens. E pergunto-me muitas vezes como a perdi, não faço ideia” e ainda eu não tinha acabado responde-me ele: “Não sabes como a perdeste? Não é óbvio? Perdeste-a porque não a praticaste”
Meu, aquilo bateu-me. Poucas vezes nesta minha não tão curta vida ouvi tanta sabedoria numa coisa tão simples. Porque é assim em tudo, rigorosamente tudo.
Como perdemos a paixão pelos/as parceiros/as que escolhemos? Não praticamos essa paixão. Como lhes perdemos o amor? Não o praticamos. Como perdemos amizades? Não as praticamos.
No meio disto, há esta coisa muito new age do direito a sermos felizes, nada mais interessa, “eu quero ser feliz”, “eu tenho o direito a ser feliz”, eu, eu, eu, eu isto, eu aquilo e no meio, perdemos completamente a noção do que é importante e do que nos faz realmente felizes. Que não é mais que isto: praticar a paixão, praticar o amor, praticar as amizades, praticá-las sempre. Isto implica muito mais que o eu, eu, eu, eu.
Bem sei que falar é fácil e ainda por cima não sou exemplo de coisa nenhuma. Mas aquela afirmação deste meu amigo sobre a fé, fez mais pela minha visão do Mundo e pela noção do que é a felicidade verdadeira (que não é um estado, são momentos, a felicidade como estado não existe) do que os milhares, sim milhares, de livros que já li e que todas as experiências porque passei.
Por isso, não me venham com merdas, lembrem-se da epifania do Kevin Spacey em A Beleza Americana quando tem a miúda, amiga da filha, nua na cama. E deixem-se de merdas de ir à procura da felicidade noutro sítio diferente daquele em que vocês estão. Aí onde vocês estão exactamente agora, quando lêem isto, vocês praticam o que vos faz felizes, a paixão que já conheceram, o amor que já tiveram por quem anda por aí à vossa volta? Aposto que não. E nem dais conta e eu idem. Foda-se lá a burrice.

Da Ética e da Érica

kafka2Este é um Mundo complicado, calculo que nem os gigantes a que se referiu Newton tenham imaginado quanto isto se podia complicar. É claro que há uma forma ética de um gajo se conduzir na vida e é uma discussão tão antiga como a civilização (desde que foi possível às pessoas ter outras preocupações além da próxima refeição e da próxima queca e de como evitar ser morto inopinadamente), seja como for, hoje em 2016 e mesmo que mais ninguém o faça, eu disputo que essa forma Ética de viver seja superior a uma forma outra  Érica de viver.
Se a Ética nos diz o que deve ser, a Érica diz-nos o que é e o que é tem muita força (embora usualmente apenas durante alguns minutos, com sorte). A Ética não é uma categoria superior à Érica e se há muitas interpretações da Ética (de Platão a Aristóteles a Kant a Rand a Hegel e assim), se há milénios de discute este ramo da filosofia, quiçá o mais importante, Érica há só uma. A Érica é a fonte de si mesma, aliás é todas as Fontes de si mesma e alheias.
Assim, decidi em plena e sã consciência abdicar da Ética objectivista/aristotélica e passar a conduzir-me como as Fontes da Érica nos ensinam: de acordo com os pressupostos da Érica vale tudo menos arrancar olhos. E assim é que está bem.

Retrospectiva de sofrimento

Há quinze dias, parei de fumar. Não fumava cigarros, fumava cigarrilhas (20 a 25 por dia) e a última que fumei faz amanhã 15 dias cerca das 20:00. Entretanto tem sido giro. Fica abaixo a descrição destes dias que fui publicando na rede sociopata aqui ao lado. À medida que ia fazendo copy-paste percebi que escrevi muito mais do que imaginava. Mas é a única solução: ser teimoso como um burro e escrever, escrever todos os dias. A saga continua. A história até agora aqui abaixo. Continue reading “Retrospectiva de sofrimento”

Banda de tributo ao Duo Ouro Negro por…

….Picareta da República e Alguidar de Banha.

“Olá companheiro
Do fato rasgado
Não estendas a mão
Foge do passado”

duoouronegro

 

 

 

(obrigado ao Vitor Cunha)

Um burro com um diploma

el-burro-y-al-familia

Vamo lá a ver. O escândalo todo que se montou à volta da licenciatura do Relvas teve que ver exclusivamente com uma coisa: a possibilidade de parte substancial da RTP ser privatizada concorrendo com TVI e SIC pelo mercado publicitário. E isso não podia acontecer. Foi um trabalho bem feito, sendo certo que o erro foi por um lado da lei que permitia equivalências absurdas, por outro da Universidade de faz de conta que as concedeu. No entanto, o Relvas não mentiu, não aldrabou, não cometeu qualquer ilegalidade. Mas não tinha o cartão do partido certo, já sabemos.

Já a do Coiso, que mete exames ao Domingo e o caralho, é outro assunto. Configura aldrabice pura do “licenciado” e de um dito “professor” que fez de conta que o suposto “aluno” teria feito as cadeiras que não fez.

Fast forward para o caso recente de dois burros, inacreditavelmente burros, dois calhaus com olhos absolutamente surreais. Tanto o Rui Roque como o Nuno Félix se há coisa que revelam é a total e absoluta falta de inteligência, leva-me a duvidar sequer se podem ser considerados vida inteligente ou se são uns vegetais, tipo alfaces com pernas. Então o segundo, p’amordedeus! Duas licenciaturas? E o primeiro que com, foda-se, 4 cadeiras feitas reencaminha a dúvida para a Universidade de Coimbra? Como é que é possível ser tão, mas tão burro? (Embora vá, tudo isto pareça é uma guerra intestina dentro do PS entre socretinos e adeptos do Alguidar de Banha.)

Enfim, enquanto durou só deu mordomias, se calhar mantêm amigos (e o ministro da educação sai disto como?) in high places que lhe continuarão a garantir o sustento. Já não percebo nada disto, eu tinha vergonha sequer de sair à rua após uma merda destas. Não sei como é que estes gajos encaram amigos, vizinhos ou família. Não percebo, de todo.

Vou contar-vos uma história. Andei três anos a pastar no IST, fiz umas quantas cadeiras (essencialmente matemáticas) mas aquilo não era pra mim, não pedi adiamento e fui incorporado no Exército. Há uns anos quando me convidaram (através deste blogue) para escrever no Diário Económico telefonaram-me do jornal uma data de vezes porque não acreditavam que a profissão junto ao nome fosse “comerciante”. Fartei-me de explicar que não, não sou licenciado, sei umas cenas, sou curioso e gosto de estudar e de ser ensinado. Não acreditavam, era Dr praqui, Dr prali. Tive quase que exigir que em frente ao nome pusessem “comerciante”. Ora foda-se mais o sr doutor. Mandem-me gestores licenciados, pode ser que aprendam alguma coisa porque do que vejo não valem grande coisa nem se percebe o que lhes ensinam. E cheira-me que se o Observador e outros merdia desatam a indagar meia AR demite-se.

Uma exegese de merda

corvos

 

 

 

 

O personagem à direita neste quadro exibe a cara de um absoluto imbecil que, aflito, inadvertidamente cagou nas cuecas sem querer; o senhor do meio, pela subtil imperturbabilidade e ligeira inclinação dos ombros diria que se está mesmo a largar de fininho para o seu lado direito, o que se confirma pela expressão de estupor da fêmea de corvo que aparece do lado esquerdo à frente no quadro, expressão de quem está a ouvir o assobio do peido e espera que lhe chegue o cheiro ao nariz a qualquer momento. Lá atrás à esquerda, outro integrante da vara ouve o mesmo peido do Joaquim, mira-o com censura mal disfarçada e não se dá conta que a ruminante que o ladeia faz o que pode para, no limite, segurar o traque que a aflige e pode explodir a qualquer momento. A outra dorme e o seguinte inclina-se ligeiramente para diante, num momento de vingança contra o cheiro exalado pela cavalgadura à frente dele, caga-se alto e bom som. Os outros mamíferos, não sei. Mas que isto é uma história de merda, é.

Twilight zone

Meu, isto é a sério. A sério, não, foda-se, aconteceu mesmo. Não é montagem, um gajo destes (destes p’amordedeus!) é convidado por um canal de televisão para falar de um livro de que é o suposto plumitivo autor sabendo nós (p’amordedeus!) que não o escreveu, pá. Está tudo doido? Aquela merda na TVI funciona a LSD? Isto não é possível, não é. Ponto.

coiso

Putas, descendentes e abduzidos

recycled-toilet-paper-4613202Ali pelos idos de 1992, num programa de televisão o Fernando Alves (TSF) afirmou que os jornalistas eram, à época, “uma classe de putas”. Foi há cerca de vinte e quatro anos pelo que podemos com alguma segurança dizer que os actuais são os filhos das ditas sem medo de falhar por muito.
Por exemplo, naquele jornal (?) que concorre com os rolos de Renova (folha simples e macia) uma filha dilecta da geração de 92 (conforme definida pelo Fernando Alves) de nome Margarida qualquer-coisa escreveu isto sobre a Associação“Joãozinho” e a cedência ao Continente de uns terrenos junto ao Hospital de São João.  O Pedro Arroja, Presidente da dita Associação conta todo o processo aqui e aqui. No pasquim concorrente com os rolos de marca branca do Continente (packs de 3, folha picotada) não existe vergonha na cara? Caro Fernando (Alves) as putas do teu tempo deixaram descendência mas mais rasca que as mães. Uma merdia é o que é.
E o David Dinis? Desaprendeu? Arranjou quem lhe pague melhor? Foi abduzido e substituído por um clone alienígena?

Não importa onde um gajo vá

dfilhoA Câmara Municipal de Lisboa vai transformar um jardim no Campo Grande em parque de estacionamento. É óbvio que os ecologistas, os veganistas, os PAN(eleiros), os bem-aventurados progressistas do Vhils, ao Zé “que faz falta”, à arquitecta Roseta, aos meus amigos verdes de Lisboa, a todos os idiotas que se atiram ao ar por causa de um pedaço de erva daninha, por uma alcachofra africana, pelo mosquito da Barrinha de Esmoriz ou pela lesma do grelo de nabo, desta vez ainda são capazes de participar numa manifestação de apoio ao portuense que os pastoreia e ao abate de dezenas de árvores no Campo Grande. A bem de um parque de estacionamento. Bem hajam todos. E as mães também que ao menos ganham a vida honestamente.

Eminem ou Philip Roth. Qual é a dúvida?

el-burro-y-al-familiaHá tipos que escrevem maravilhosamente (Lobo Antunes). Outros que são grandes contadores de histórias (Eça), outros ainda (tantos) que juntam as duas coisas (Tolkien, Roth, Borges, Vargas Llosa, Auster, Waugh, Allende, Amado, Sena, Garcia Marquez, Twain). Depois há os que não sabem escrever (tantos) mas que se desenrascam e vendem. Há poetas que cantam (Dylan, Morrison, Van Morrison, Borland, Morrissey, Curtis, Cohen, Waters, The White Buffalo) e letristas que poetisam (Tê). Há ainda outros que nem sabem escrever nem contar histórias (Saramago, Pinter, Júlio Magalhães, eu) Mas a Grande Literatura (assim, com maiúscula) é uma constante da humanidade há milhares de anos. Há hoje, em 2016, escritores que serão os clássicos do futuro e não deixa de ter a sua piada que exactamente 100 anos (nem mais um ano nem menos um) após o nascimento do dadaísmo em 1916 no Cabaret Voltaire em Zurique, a Academia Sueca o tenha adoptado.
Quando leio, há uma de duas coisas que me fascinam, ou a escrita ou a história (quando se juntam ambas entro num Mundo que não se explica, vive-se). Há livros que me “colam” só pela escrita, em alguns casos tão bem escritos que me dá vontade de chorar só pela beleza da composição das frases (um grande, grande escritor em português, para mim, é o Francisco José Viegas). Quanto à língua só leio duas e ler Roth, Twain ou Auster no original é um fascínio dificilmente ultrapassável, só comparável a Sena ou Pessoa no domínio da coisa. Como contadores de histórias, Tolkien e os russos, que considero imbatíveis e tenho pena de só conseguir ler as traduções, e há-de nascer quem os bata a contar uma história (um dia destes aprendo russo só para poder ler Tolstoi ou Dostoievski no original). Dito isto, se 100 anos depois o dadaísmo é tendência na Academia Sueca, sugiro Eminem, um letrista fantástico (10-0 ao Dylan), Ice Cube ou Kendrick Lamar. No limite, sugiro darem-me o Nobel pelos meus “tuítes” ou posts no Facebook, mais dadaísta é difícil. De resto os grandes letristas do rock já morreram todos, se não eu abdicava.

Das sançoes

kafka2Disclaimer: nesta coisa algumas teclas foram a vida.

Ha alguns meses quando se falava das possiveis sançoes a Portugal em virtude do defice de 2015 e dada a trapalhada de contabilizaçao do mesmo (o Eurostat validou 2,8%, outros que foi de 3,2%, outros ainda de 4,4%), escrevi um mail ao ECFIN a pedir esclarecimentos. Na cacofonia que por ai andava sempre me pareceu que ninguem sabia do que estava a falar, por muitas regras e artigos de Tratados que invocassem. Do ECFIN tiveram a gentileza de me responder alguns dias depois e presumo que posso tornar a resposta publica. Ja o devia ter feito antes, mas aqui vai. Pelo menos da proxima vez seremos uns quantos a saber mais um bocadinho em vez de papaguear asneira.

Nota: poucos posts fizeram da imagem acima (um desenho do Kafka) tao apropriada.

Dear Mr. Hélder Ferreira,

Continue reading “Das sançoes”

Carta à Ministra das Finanças

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Exma Sra Doutora Ministra das Finanças Mariana Mortágua, dado que pelo cheiro VExa aparenta ter abandonado os cueiros há pouco, e o filho que tenho já ser suficientemente crescido para que me tenha esquecido como se explicam as coisas às crianças, não sei bem como lhe começar a explicar as particularidades da vida das pessoas normais. Mas tentarei e faço-o com a melhor das intenções. Creia que quero ajudá-la.

Sabe, alguns de nós na minha geração e mais velhos, por vicissitudes da realidade, tivemos que começar a trabalhar muito jovens ainda (no meu caso aos 11 anos). Aprendemos desde cedo a virtude do esforço e da poupança, aprendemos a adiar prazeres e a ter uma perspectiva de vida. Aprendemos que não seríamos sempre jovens e um dia iríamos precisar de algum suporte que só nós mesmos, com esforço, inteligência e foco no futuro poderíamos garantir. Depois fomos pais e esse foco cresceu, a nossa esperança de vida aumentou e o futuro prolongou-se. Creio que quando formos avós estas coisas tornar-se-ão ainda mais importantes.

Cara Doutora Ministra das Finanças, VExa diz que têm que “perder a vergonha de ir buscar a quem acumula dinheiro”. Não sei o que o senhor seu pai lhe terá ensinado. A viver à custa de outrem? A aproveitar-se do esforço alheio? A fazer tábua rasa da vida de pessoas que não conhece e para cujo bem estar nunca contribuiu? Se o fez, lamento informá-la mas isso tem um nome e não é bonito.

Repare: não ando há décadas a trabalhar com honestidade e rigor para que VExa e os infelizes que a aplaudem venham após todo este tempo tirar-me o que me custou sangue, suor e lágrimas a acumular; não ando há décadas a fazer das tripas coração para que VExa e respectivo séquito me roubem o que já foi várias vezes tributado para a sustentar a si e a outros semelhantes. Note que se a Sra Doutora Ministra das Finanças algum dia provar o que eu e muitos outros provamos há décadas, terei todo o gosto em ganhar respeito pelas suas opiniões, até lá, perdoe mas oiço-a como ouvia o meu filho quando ele acabava de molhar a fralda. Somada alguma irritação que ele, pelo amor que lhe tenho, não me provocava, evidentemente.

 

Com cordialidade

 

Helder Ferreira, Profissão: desgraçado.

Long dark train

darktrain.jpgÀ custa do Fernando Melro dos Santos redescobri este tema do Adrian Borland (The Sound) que não consigo deixar de ouvir em loop. Eu que nunca fui de “ouvir” letras tenho como com raras excepções o Morrison e o Borland, dois poetas, e parei nesta. Até porque sou pai. Pai de um que está close to the chance to leave this train. Não sei bem o que isto significa, mas quando um pai tem como aspiração maior que um filho vá para longe não deve significar coisa boa. A shattered land?

Long Dark Train, Adrian Borland (Youtube)

This long dark train
For years it’s rolled
We cry in vain

The doors stay closed
Driven for the few
By sleight of hand
It runs the length
Of this shattered land
But soon the chance will come
The chance to leave this train
And don’t forget, don’t forget, NO, NO
To never come this way again

Death on the tracks
It rattles down
Past silent yards
Through ghostly towns
Past disused towers
It powers by
It runs on time
It runs on lies

I think I hear the scream of brakes
And just up ahead the buffers wait
The terminal for this long dark train

 

Audaces Fortuna Juvat

portuguesearmycommandoslogoNão sou Comando mas sei o suficiente e conheço e convivi com “cabeças de fósforo” suficientes.

Não é Paraquedista, Fuzileiro, Ranger e muitíssimo menos Comando quem quer, só o é quem aguenta e não são todos. No curso de Comandos 127 são 61 instruendos, 61 voluntários pré seleccionados com o rigor possível e desses poucos chegarão ao fim do dito curso. Os Comandos não são um grupo de costureiras cujo maior risco é picarem-se nos dedos se se esquecerem de usar o dedal. São militares de elite, os melhores dos melhores e cansados de o provar desde cenários de guerra a sério, a exercícios da NATO. São uma das melhores tropas de elite do Mundo e os riscos que correm na instrução é real e eles sabem-no. Para o que lhes é exigido e para o nível de eficácia que têm que atingir é extraordinário como não morre meia dúzia em cada curso. O que é que os media e os indignados profissionais julgam que faz um militar de elite? Bolas de Berlim ou crochet?

Quando era instrutor no Exército (Artilharia e Engenharia) houve “semanas de campo” em que estávamos abivacados a menos de 1 km de acampamentos de escuteiros onde miúdos de 12 anos faziam rappel e slide no mato mas nós, militares, homens de barba, estávamos proibidos de o instruir e fazer por causa dos riscos de acidente. Go figure. O ridículo em tudo que tem que ver com a relação dos media e do poder político com as Forças Armadas vem de longe e o erro de casting desta amostra de Ministro da Defesa é só mais um dos episódios, talvez o epílogo da coisa. Até o Comandante Supremo dos gajos, a Picareta da República,  não passa de mais um frouxo sem a mínima ideia de quem são os homens que supostamente comanda. Nunca passou dos cocktails e “Porto de Honra” nem passará.

Mama Sumae!! meus caros camaradas “cabeça de fósforo”, bem hajam.

ALA, ALA! Arriba!

BrasaoRE3Tenho andado aqui calado com a cagada dos incêndios porque não percebo nada do assunto nem tenho opinião que valha a pena. Mas há merdas que, chegados a este ponto de imbecilidade, já me tiram do sério.
Anda por aí muito ignorante indignado por causa da (não) participação dos militares no combate aos incêndios. Meus queridos, vocês ou são ignorantes, ou não sabem do que falam, ou são umas bestas.
No meu tempo no Regimento de Engenharia 3 enquanto Oficial de Dia, recebi várias vezes de madrugada equipas de militares desfeitos, negros de cinza, esfomeados, sedentos e com fardas queimadas por andarem 36, 48, 72 horas a abrir corta fogos no meio de incêndios com máquinas de engenharia sem pregar olho. Os Regimentos de Engenharia devem ser das poucas instituições que fazem prevenção de incêndios o ano todo, limpam estradas florestais e abrem corta-fogos, por exemplo. Quando são solicitados pelas Câmaras Municipais respondem sempre com os meios que têm e no âmbito da missão que lhes foi destinada de apoio ao bem-estar das populações, não porque lhes tenha sido atribuída uma missão específica para incêndios, mas porque se preocupam e colaboram a tempo e horas. Quando ainda ninguém pensa em incêndios já eles andam a preveni-los como podem. E para os políticos, tanto nacionais como autárquicos, é muito conveniente, mostram obra quase de borla (só pagam combustíveis, manutenção das viaturas e máquinas, alimentação e dormida aos militares, mais nada) e ganham votos à custa dos militares. O RE3 de Espinho trabalha, sem alarido nem mediatismo, 365 dias por ano em frentes de trabalho por todo o Norte. Perguntem às pessoas de Castanheira de Pêra, Arouca, Vagos, Cabeceiras de Basto, etc. só que como não fazem publicidade, os betos bem pensantes urbanos e os ardinas dos merdia acusam-nos de não fazerem nada e aos Governos de não os utilizarem. E se esses merdia se lembrassem de dar um salto a Espinho e falar com o CMDT do Regimento? Como nos podem informar se eles próprios não se informam? Já tentaram integrar uma equipa da Engenharia Militar neste combate? Continue reading “ALA, ALA! Arriba!”

Ramiel, Arcanjo da Esperança

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Eu no Diário Económico de hoje sobre arcanjos, mafarricos, anjos e nefilim.

O Diabo já passou, diz o suposto primeiro-ministro. Só que o Mafarrico é o mestre da dissimulação e esconde-se nos detalhes. Não, não passou, há-de visitar-nos e não tarda muito.

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Chumbo

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Um dos meus amigos é um senhor com bem mais de 70 anos que há quase cinquenta tem actividade ligada ao comércio (interno) e à exportação. Já teve indústrias e hoje é dono (embora já se tenha afastado da gestão) de uma cadeia de cerca de 80 lojas em Portugal. Um senhor curioso, hiper-activo e que não desiste de pensar.

Contou-me hoje que em Julho de há um ano fez uma experiência que repetiu na semana passada. Em 2015, numa sexta feira cerca das 17 horas, ficou 15 minutos à porta de uma loja Primark a contar o número de sacos que saíam. Em Julho de 2015 contou 188 sacos cheios em 15 minutos. Ficou mais 15 minutos à porta de outras duas lojas, numa contou 27 sacos, na outra 7 sacos. Na sexta feira da semana passada, mais ou menos exactamente um ano depois, fez o mesmo à porta da Primark. Contou no mesmo período de tempo, 81 sacos meio vazios. 81. Uma quebra de 57%.

Bem sei que isto é uma história de um caso que, por si só, significa muito pouco. Mas para quem, como eu, lida com centenas de clientes deste tipo não é surpresa nenhuma. Bem pode o 2º Ministro sorrir enquanto sua abundantemente, bem pode a amostra de Ministro das Finanças exibir o sorriso idiota que o caracteriza, podem os deputados da geringonça estrebuchar, gritar e ameaçar. Não adianta, quem trabalha e tem que sustentar uma família sabe perfeitamente o caminho por onde nos estão a levar: de regresso à bancarrota e desta vez não será tão fácil como foi em 2011, 2012 e 2013.

Mas enfim, sobra-nos a tristeza, uma tristeza que pesa como chumbo porque não há nada que possamos fazer.

Da bela França

Às vezes acontece-me tropeçar em textos tão bem escritos que não sei se me envergonhe de tentar alinhavar letras na língua de Camões se hei-de guardá-los como quem guarda uma preciosa jóia de família. Este aqui abaixo é extraordinário e das coisas mais belas que li nos últimos tempos. Além da beleza da escrita relembra-nos que o que aconteceu ontem é muito maior do que parece.

É a grandeza da França que faz grande a vitória de Portugal. Alguns franceses terão dito que Portugal jogava um futebol nojento. Nem lhes responderia, mas alguns portugueses gritam agora que ganhámos à França de merda. Discordo. Ganhámos à grande e imensa França que guarda os modos de quem já foi Senhora do Mundo e ainda tem na cabeça acordes de Debussy e Bizet, ou não tivesse o hino mais bonito do mundo, no qual o de Portugal se inspirou.

E ganhámos à nossa maneira dramática. Caído o comandante, onze guerreiros portugueses souberam seguir o que o racionalíssimo treinador português – o extraordinário engenheiro – lhes dizia e foram, como um vinho que precisa de estágio, jogando melhor minuto a minuto. Se o jogo tivesse cinco horas, Portugal acabaria a jogar um futebol que nem Pelé ou Maradona saberiam jogar.

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Vírus

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Soube há pouco que um bug informático impede o Ministério das Finanças de transferir os reembolsos do IRS. Fui à procura do problema e descobri que é um vírus informático desenvolvido por um hacker de Venda da Gaita ali perto de Pedrógão Grande. O vírus é conhecido pelo nome “Martelarcontas 2.0.1.6”.

Curiosamente, tentei esta manhã pagar a 2ª prestação do IMI deste ano e o PC não me deixou. O anti-vírus diz que a máquina está infectada por outro vírus (este desenvolvido por um hacker residente em Rego do Azar, Ponte de Lima e chama-se “Atrasarpagamentodeimpostos 0.7.1.6”). Parece que só me deixa pagar o IMI dia 31 às 23:59. Desde já as minhas desculpas ao Senhor Professor Doutor Professor Senhor Mário Centeno.

No Future

kafka2Eu no Diário Económico de ontem sobre défices, Sex Pistols, futuro, falta dele, filhos e netos.

 

Enquanto os nossos pastores se entretêm na AR e no Governo a discutir de quem é a responsabilidade daquela décima a mais ou a menos no défice, cá fora estamos nós e os nossos filhos, e estes em particular condenados a perder o futuro.

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Mitómanos e progressistas

kafka2Qual é a dificuldade em perceber que sem capital não há emprego? Eu, hoje no Diário Económico

As reacções às palavras do actual primeiro-ministro sobre a possibilidade de emigração dos professores por comparação com as reacções às mesmas palavras do anterior, dizem o suficiente sobre a distorção do debate político à esquerda.

Mas enfim, a eterna e juvenil luta do Bem contra o Mal faz parte da visão socialista do mundo e, quanto a isso, não há grande coisa que possa ser feita. O importante nesta proposta de António Costa não é a hipocrisia ou a ausência de indignação, é o facto de revelar algum bom senso e realismo.

 

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Equus africanus asinus

asno

A ver se encerro, por agora, a minha participação nesta discussão idiota das escolas com Contrato de Associação. É que não tem ponta por onde se lhe pegue.
Estou-me literalmente nas tintas se são melhores que as escolas ESTATAIS ou piores, estou-me ainda mais nas tintas para se o Estado tem capacidade instalada desaproveitada (um tanga jeitosa, quem tiver dois dedos de testa sabe que mesmo que fosse verdade a médio prazo o custo/aluno tenderá para a média, basta não ser burro). Dado o consenso entre vocês e de que eu discordo (outra história) de que o estado deve pagar a educação via impostos a toda a gente, interessam-me duas coisas: o custo por aluno e a escolha das famílias.
Se é para pagar, quero lá saber onde os putos são educados, pelo mesmo preço, os pais que escolham. E nem sequer me interessa se fazem bem ou mal, é a escolha deles e se houvesse nesta choldra um mínimo de decência todos aceitaríamos a escolha desses pais. Custa-nos o mesmo ou menos, não é por estarem na escola ESTATAL que vamos pagar menos impostos, a escolha deles não nos afecta em nada e esta é a definição de estupidez, prejudicar os outros (neste caso impedi-los de escolher) sem que se ganhe rigorosamente nada com isso.
Mais, estou-me ainda mais nas tintas, dada a situação como ela é, se essa hipótese de escolha está acessível a absolutamente todos ou não, nem que fosse só um a ter essa liberdade, para mim seria melhor que não haver nenhum. E não está acessível a todos porque a maioria fica a dever muito pouco ao, comparativamente inteligente, asno.
Viver no meio de tanta mesquinhez, inveja e ignorância tira-me anos de vida. Como disse o outro: isto dá vontade de morrer.

O que está em causa é só e apenas isto que escrevi há duas semanas no Diário Económico. A maioria dos críticos dos Contratos não passa de uma manada de idiotas úteis:

“Tal como as reversões nas concessões dos transportes, toda esta polémica dos contratos de associação se resume a entregar ao PCP, via FENPROF e CGTP, o controlo total do trabalho na educação. São mais de cem mil professores e outros tantos funcionários (incluindo os transportes), um exército formidável que pode ser facilmente instrumentalizado conforme a conveniência do partido.”

 

Lubrificando

keep-calm-and-lube-up

Na impossibilidade de melhor vai-se lubrificando a Geringonça com o que houver à mão. Eu no Diário Económico de hoje.

Lubrificante

Toda esta polémica se resume a entregar ao PCP, via FENPROF e CGTP, o controlo total do trabalho na educação. São mais de cem mil professores, um exército formidável que pode ser facilmente instrumentalizado conforme a conveniência do partido.

O resto no site do DE.

 

Envelhecer

putedoNão me chateia nem me assusta envelhecer. O que me assusta é envelhecer e mesmo antes de ser velho, perder faculdades e começar a bater mal, a ver conspirações, bandidos e espécimes pouco recomendáveis em todo o lado. Nos que me são próximos, nos que me são distantes e nos mais ou menos. Caramba, um tipo podia bem envelhecer e morrer, nem que entrevado, mas com o cérebro a funcionar. Nem sempre é assim, é tramado.

 

Asco

kafka2Eu, a distribuir elogios no Diário Económico.

A blindagem dos estatutos das empresas, especialmente a banca, nunca teve outro objectivo que não fosse proteger certos accionistas à custa de todos os outros, dos consumidores de serviços bancários e dos contribuintes.