Words give the means to meaning

A propósito desta notícia.

Numa das minhas encarnações, a de militar, houve uma altura que durante o fim de semana fazia um cartoon, a que chamava “Nota de Culpa”, a gozar com alguém, segunda feira afixava-o na Messe de Oficiais do Regimento e por lá ficava durante uma semana. Não deve haver nenhuma instituição com uma hierarquia mais rígida e respeitada que as Forças Armadas. Invariavelmente os cartoons gozavam com algo que um superior hierárquico meu tivesse feito na semana anterior. Nunca nenhum achou mal ou mandou retirar o cartoon, pelo contrário, cheguei a ouvir de mais que um, superiores meus, porque raio nunca eram visados. Acabavam por ser, deixavam ficar a “Nota de Culpa” afixada durante uma semana e na seguinte pediam-me se podiam ficar com ela. Até o Comandante do Regimento lá esteve e divertiu-se. Quase todos os alvos dos cartoons os levaram para casa. Ninguém se importava de ser gozado, achavam piada (só houve um Oficial que nunca me atrevi a gozar, sabia que ele ia levar a mal, mas enfim há de tudo) e nunca nenhum ficou incomodado.

Há uns 10 a 12 anos fiz uns cartoons que fui publicando neste blogue. Na altura criei o personagem “Doh!” a gozar com o Daniel Oliveira e confesso que alguns (poucos) tinham piada e quanto mais violentos fossem para o visado mais piada tinham. Um dia tive meia surpresa: o próprio republicou um ou dois desses cartoons no blogue dele (na altura o Arrastão) e escreveu sobre o assunto em termos elogiosos e divertido. Continue reading “Words give the means to meaning”

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II – La nostra formula è questa: ….

….tutto nello Stato, niente al di fuori dello Stato, nulla contro lo Stato.

Empresa exportadora e com IVA a receber. Antes de se apresentar à falência a empresa formalizou um pedido de acerto das dívidas ao Estado com o acerto do conta corrente, que saldava a dívida. As finanças recusaram. No processo de falência o gestor de falência volta a utilizar o valor do IVA a receber, para acertar o conta corrente. O tribunal aceita a intenção é dá como saldada a dívida. As finanças recorrem para anular a decisão, vão até às últimas instâncias perdendo sempre. Quando deixaram de ter hipóteses de recorrerem da anulação da dívida, as finanças viram-se então para o processo crime contra os sócios. O tribunal ilibou em primeira e segunda instância os sócios, apoiando- se no facto da empresa ter formalizado a tentativa de saldar a dívida e porque no processo de falência o tribunal considerou que a empresa sempre teve saldo a seu favor. Perdendo em 1 e 2 estância o que faz as finanças? Recorrem novamente… Tudo isto, o pedido de falência, iniciou em 1997, faz com que 20 anos depois ainda os sócios todos octagenários, ainda possam ir parar na cadeia.

La nostra formula è questa: ….

….tutto nello Stato, niente al di fuori dello Stato, nulla contro lo Stato.

Há este senhor que já com 72 anos, sócio-gerente de uma empresa, que na altura do estoiro da crise houve um mês ou mais que por não ter recebido ainda dos clientes, não conseguiu pagar o IVA das vendas a tempo. A Autoridade Tributária espetou-lhe com o processo normal nestas coisas, ele ainda meteu uma pipa de massa do bolso dele para liquidar parte, mas a coisa seguiu para Tribunal. A custo, safou-se de uma pena de prisão mas acabou condenado.

Ora acontece que a empresa era credora de reembolso de IVA por parte do Estado, ou seja, o Estado devia-lhe mais de IVA do que o que ele não pagou a tempo e horas mas nem o juiz nem ninguém quis saber.
O homem não devia nada ao Estado, era credor e acabou condenado e a empresa fechada. O advogado dele aconselhou-o a recorrer e levar a coisa até aos tribunais europeus mas, com a idade que tinha, não esteve para isso, liquidou a dívida, fechou a empresa e foi descansar. Fez ele muito bem, os que se queixam de gente como ele que criem riqueza e emprego.

Aperitivo

Por Paulo Tunhas

Uma concepção alargada da liberdade só pode ser obtida, e sempre provisoriamente, através de um diálogo com a tradição. E a tradição não apresenta nunca o carácter de um sistema. Quer isto entre outras coisas dizer que uma tradição alargada da liberdade não pode assentar sobre uma teoria sistemática da sociedade.

 

À comunidade insurgente

Dia 4 de Maio mais uma Tertúlia liberal promovida pela Oficina da Liberdade na Comissão de Viticultura das Regiões do Vinho Verde, no Porto. O Paulo Tunhas e a Zita Seabra vão discutir o 25 de Abril e a Liberdade moderados pelo Michael Seufert. A não perder. Antes da Tertúlia há um jantar privado com os oradores e ainda há 4 lugares disponíveis. Os interessados no jantar, por favor enviem mail para tertulialiberal@gmail.com. Para a Tertúlia, a entrada é livre. Apareçam.

 

Há dias assim

Em vez de cortar árvores…

…talvez não fosse má ideia castrar os que escrevem as leis.

Bem sei que há as minhas pessoas e os meus animais (os meus Ozzy, Mimi e Angie por exemplo) mas há duas coisas que me obrigam sempre a parar, quase em contemplação, como que numa espécie de ascese. O granito gasto pelos passos das pessoas, como os degraus na entrada da Igreja da terra da minha mãe que há mais de 400 anos são caminhados e estão longe da forma original, só e apenas à custa dos passos dos fiéis. As pedras dos muros e pontes romanas em Trás-Os-Montes, que gosto de tocar e imaginar os legionários que por ali marcharam há dois mil anos. E as árvores, as árvores que resistem há gerações, que resistiram aos fogos, às tempestades, ao vento e à chuva, ao abate indiscriminado para criar pasto e vinha. As pedras e as árvores são as testemunhas silenciosas do que sou e de quem sou. Gosto dos imponentes carvalhos, castanheiros e salgueiros transmontanos, dos pinheiros mansos e amendoeiras algarvios, dos cedros e camélias do Minho, das oliveiras e sobreiros alentejanos, gosto de árvores. Gosto do embondeiro angolano, do matapalo costa-ricense, das sequóias californianas. Gosto de estar no 17 de Vidago e ver à esquerda do green aquele velho cedro que me convida. Cada árvore abatida, cada pedra arrancada, cada fraga partida é um bocadinho de mim que desaparece. É uma coisa tolkieniana muito minha. Quem dera houvera Ents. Puta que pariu os Orcs que nos pastoreiam, legislam, arquitectam e engenham.