What this is about is bad ideas

Não sei se é por ser um gajo porreiro se é por ser um liberal que acha que todos, absolutamente todos, têm direito ao pensamento e expressão livre, sou amigo de gente from all walks of life e que professam (o termo é este mesmo) as mais variadas ideologias. Desde gajos que se acham fascistas, nazis, social-democratas, socialistas, conservadores, comunistas ao raio que os parta. E todos sem excepção são gente boa que aprecio e cuja amizade agradeço. Todos eles são capazes de discutir comigo, argumentar e debater, todos eles sabem do que falam, leram conhecem de Hegel e Fichte a Marx e Engels com os outros todos pelo meio. Só não consigo ser amigo de imbecis, isso não consigo nem tenho nenhum.

O Imbecil é uma espécie em expansão, o Imbecil não pensa, “sente”, o Imbecil, de tanto amar a Humanidade é incapaz de amar uma pessoa. O Imbecil não vê pessoas, vê conjuntos. O Imbecil é perfeitamente capaz de concordar comigo se eu disser “cada pessoa é única e insubstituível” e que não se substituiu um pai, uma mãe, um filho, um amigo. Mas, logo a seguir, o Imbecil defende o extermínio de uma categoria qualquer, seja ele cristão, judeu, muçulumano, nazi, fascista, comunista, capitalista ou “inimigo do povo”, só porque sim. O Imbecil vive num organismo borg com dificuldades sinápticas e encontra-se cada vez mais entre social-democratas, SJWs e tolerantes, dos que se dizem fartos de intolerância. Dois exemplos: um amigo meu americano, boa gente p’a caralho, com tendências leninistas, está exasperado com a intolerância com isto dos supremacistas de Charlottesville e, no Facebook, oferece ajuda a quem precisar, excepto a homens brancos heterossexuais. É incapaz de pensar em pessoas, tudo se resume a categorias que são o que define as características de cada um. Para ele, por definição, um homem branco heterossexual não merece ajuda. Ainda por definição, homem branco heterossexual (como ele próprio) é culpado seja lá do que for que lhe apeteça. Outro exemplo é o da foto acima. No tempo em que participava do twitter este gajo era um tipo razoável, socialista, um gajo porreiro. Vem agora apelar que se matem os que ele acha que são nazis. A ver: que se matem pessoas por causa de diferenças ideológicas, diz que é legítima defesa. Noutro tweet bloqueia uma das melhores pessoas que conheço, meu amigo, liberal, porque diz ele, se comparam nazis e “estalinistas”, uma maneira de ele próprio (reduzido à imbecilização) e de forma pouco subtil, branquear o comunismo que foi a menção que o meu amigo fez devidamente contextualizada.

Enfim, a imbecilização em curso é com certeza uma coisa muito humana. Não sei porquê chateia-me, não consigo aturar O Imbecil e cada vez há mais. A este ritmo morro sem amigos. Já agora, ide, ide ler este artigo do Jeffrey Tucker de onde retirei o título:

The Violence in Charlottesville

De caminho recomendaria o extraordinário (sou o rei das hipérboles)

“Freedom and Its Betrayal: Six Enemies of Human Libertydo Isaiah Berlin

talvez lendo consigam olhar-se ao espelho e ter vergonha na cara, sejam vocês social-democratas, fascistas, nazis, socialistas, comunistas ou o raio que vos parta. E perceber porque arriscam a serem vocês próprios a encarnação d’O Imbecil.

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Insert brain

Parece que o Dr Pedro Nuno Santos, que se tornou famoso pela putativa capacidade de pôr as pernas dos banqueiros alemães a tremer, terá afirmado que confia que o Dr Pote D’Unto…perdão, Dr Alguidar de Banha…ai, perdão, Dr António Costa “voltará” a ganhar as eleições em 2019. Que mal pergunte, quando é que o Dr Pote D’…perdão, Dr António Costa ganhou as eleições para que possa “voltar” a ganhá-las?

Optimismo antropológico

Os nomes das pessoas que morreram nos incêndios em “segredo de justiça” é das desculpas mais esfarrapadas que me lembro de ler ou ouvir. Como é que as doações chegam às famílias, como é que as Seguradoras indemnizam quem devem se os dados destes estão em “segredo de justiça”? Mas pronto, é sempre possível descer mais baixo, é sempre possível que quem nos pastoreia atinja níveis de miséria insuspeitos de poder sequer existir. Sou um optimista antropológico mas às vezes fica difícil.

My ass II

E o socorro às vítimas da negligência e incompetência do Estado e do Governo em Pedrógão? Onde páram os milhões que a generosidade dos portugueses e estrangeiros entregaram? Já agora, quantos funerais houve relacionados com aquele desastre? Em que estado estão os feridos? E as empresas destruídas e respectivos trabalhadores (não tarda os patrões arruinados estão a ser acusados de se apropriarem do IRS e da TSU dos trabalhadores)? Bem sei, o que interessa são as conclusões dos focus groups e as masturbações dos imberbes aprendizes de feiticeiro. Isto dá vontade de morrer, já dizia o outro, e dá mesmo.

(Não sai já um chorrilho de palavrões porque enfim)

My ass

“If you don’t read newspapers you are uninformed, if you read them, you are misinformed” – Samuel Clemens aka Mark Twain

Desde o início desta história do “assalto” ao paiol de Tancos que a explicação mais plausível sempre me pareceu um problema de inventário. Não me lixem, não conheço pessoalmente o Cmdt do RE1 (embora tenha boas indicações dele por terceiros) mas salvo raras excepções tenho a melhor das ideias acerca do Oficiais de Engenharia e de uma coisa que nenhum dos que conheci pode ser acusado é de falta de rigor. São tão Engenheiros como qualquer um saído do IST ou da FEUP. Aliás são o mais antigo curso de engenharia em Portugal.

 

As Unidades do Exército têm vários Depósitos; de bares onde estão as bebidas e outros produtos destinados aos bares e messes, de fardamento, disto e daquilo. E têm paióis. No limite do pessoal, nenhum Cmdt de um Regimento, mas nenhum mesmo, deixa de ter a noção das prioridades da Guarda. Entre armas e explosivos ou fiambre e cerveja não têm dúvidas. Assim desde que a história aparece, convenientemente logo a seguir ao desastre de Pedrógão, que tresanda. As torres de vigia estavam vazias mas é os tomates. O problema foi isto ter escalado e na Central de Informação não terem percebido a gravidade da versão (pudera, naqueles lados a Defesa é um detalhe do papel do Estado e pouco importante) que puseram a circular. Quem se lixaria no fim seriam uns Oficiais e uma ou outra alforreca com umas estrelas nos ombros e Pedrógão e a inacreditável incompetência do Governo, do Estado e das instituições operacionais geridas por enfermeiros e professores primários passaria à História. Pois, só que lá fora, isto de material de guerra desaparecido é levado a sério.

 

A ver, os tais 44 “lança granadas” são umas merdas que pesam 2,5Kg cada um (em cada pelotão há um certo número de soldados que leva às costas três LGFs – neste caso parece ser M72 LAW que é a mesma merda – Google it, embora não me lembre de quantas munições leva um cunhete, 1495 munições é ridículo; granadas de gás lacrimogénio e ofensivas? E granadas defensivas nem uma? É que quem quiser fazer estragos a sério usa granadas defensivas (bem sei que é contra intuitivo, Google it). Mais uns cordões e umas merdices e está o filme feito.

Ora bem, para haver um problema de inventário que é a única explicação plausível há duas hipóteses, uma envolvendo corrupção outra negligência.

 

  1. Periodicamente há material que tem que ser destruído por ultrapassar o prazo de validade e há, ou havia, vários métodos de o fazer. Basta o tipo encarregue de contar o material a abater fazê-lo sem rigor nenhum (em vez de contar , digamos 364 LGFs contou 320 meio a olho, em vez de 52 cunhetes de munições contou 51, etc. ). Passado uns tempos há uma inspecção e o inventário está todo gatado. Vocês sabem qual é a percentagem que as grandese profissionalíssimas cadeias de supermercados usam para desaparecimentos antes de os produtos chegarem às prateleiras: 7%. E não é só por roubos, é também e essencialmente por erros de contagem.
  2. Outra hipótese é o material ter sido encomendado (imaginemos 1500 LGF), pago e parte nunca ter sido entregue e alguém se abotoa com a diferença que, honestamente, são trocos. Claro que vai dar asneira mais cedo ou mais tarde, mas muita gente metida nestas coisas não prima pela inteligência (ver o caso recente na FA e os mantimentos).

 

Agora, ninguém, mas mesmo ninguém me convence que houve assalto algum ao paiol de Tancos. Mas é que não mesmo. Eh pá! Qualquer paiol está cheio de granadas defensivas. Alguém que quer fazer estragos ou ganhar guita as deixa lá ficar e leva mei a dúzia de ofensivas e de gás lacrimogéneo? Olhem, quem inventou esta história bem pode ir gozar com o raio que o parta. Pedrógão não vai ser esquecido e teve o lado bom de permitir identificar as alforrecas ao serviço do poder.

Nem era preciso PJ, bastaria a PJM agarrar em todos os inventários e ir andando para trás e facilmente chegaria ao buraco. Mas pronto, quem poderia explicar está constitucionalmente impedido de falar (e ainda sabe o que é a honra), quem pode falar está a salvar a pele, a própria e a de outros porque isto escalou. Os imberbes da Central de Informações são uns meninos cheios de maquiavelismo livresco mas sem noção nenhuma do Mundo.

 

Na imagem um M72 LAW, 2,5kg, 640€ cada um. Segundo os espanhóis são 44 coisas daquelas que faltam.

Só resta a tristeza

Tudo isto é triste, tudo isto é fado. Bem sei que há Fundos pra isto e praquilo, que não faltam leis a proibir a discriminação (até individual, go figure) de tudo mais um par de botas, que não faltam leis a regular o açúcar nas bebidas, leis a regular a abertura e fecho dos tupperware dos tomates e das alfaces nos restaurantes, o sal no pão, as promoções e saldos no comércio. Que não faltam direitos adquiridos, punição fiscal de uns comportamentos e incentivo de outros, que o Estado até na cozinha e na alcova já nos entrou. Sei isso tudo.
Também sei que na razão primeira que lhe legitima a existência, a protecção das pessoas e da respectiva propriedade, falha todos os dias e, às vezes, de forma trágica como se viu nestes dias. Mas isso não interessa nada pois não?
Isto já nem chateia, só entristece. É triste, demasiado triste, mas enquanto se conseguirem pagar umas migalhas aos velhos e umas mordomias aos funcionários bem pode todos os dias morrer gente por incúria, desleixo e corrupção do Estado. Porque falha exactamente onde não pode falhar e deslegitima-se, mas a maioria de nós há-de continuar a não perceber e não adianta. E não, não é só em catástrofes, é todos os dias. Quem me dera não saber nada nem de nada, já só me resta esta tristeza.

O Sebastião Pereira…

…sou eu. É desta que vou para o gulag? Ou Caxias, vá?

Deputedo lunático?

Aqui há uns tempos a.g. (Antes da Geringonça) um eminente deputado da ala lunática socialista afirmava que o Estado não faz crowding out do crédito disponível.

Em Fevereiro deste ano, a dívida das empresas não financeiras aumentou em 1,4 mil milhões de euros, destes 1,4 mil milhões as empresas públicas são responsáveis por 1,3 mil milhões e têm nesta altura 43% do stock total de dívida das ditas empresas. Ah! Mas a Carris é nossa! Ora merda pra isto mais os lunáticos.

Filipe Marques

O Filipe Marques é um visual artist de Vila do Conde que tive a sorte de conhecer há pouco tempo. Não sei porquê ao longo da vida tem-me caído do céu gente extraordinária (a maioria nem sabe que o é). O Filipe dá-me sempre lições de cultura, bondade e humildade. E faz coisas destas, não são fotos, são desenhos a grafite. Ó rais parta isto.

 

 

 

 

 

WTF?

Nunca gostei de democratas encartados e cada vez gosto menos. Passam a vida a demonstrar que têm um entendimento muito particular da democracia e que se resume já nem sequer à vontade geral do estropício do Rousseau, mas se limita à vontade deles próprios. Hoje chega-nos mais um exemplo pela boca do pastor do Primeiro Ministro que nos governa.
Na nossa democracia representativa elegemos 230 burros para nos representar. O papel deles é por nós controlarem governo e o poder, é suposto serem um dos poucos checks and balances da acção governativa, um travão aos abusos de um eventual estupor que lá apareça. Hoje, o chamado Primeiro Ministro resolveu que não tem satisfações a dar aos deputados!! Rais parta isto. E nós engolimos, a imprensa e os indignados profissionais do costume estrebucham com os pobres dos cães que mordem crianças. Um coiso que nem eleito foi, decide pacificamente que não tem que dar satisfações a quem é eleito para representar quem lhe paga o salário e que numa democracia com um mínimo de decência é soberano e é o silêncio quase generalizado. Que merda é esta?

Desejo de morte I

Quando do fuzilamento do Ceaucescu e da Elena fiquei impressionado com o ar de espanto (mais que do medo) do ditadorzinho nas fotos que apareceram. Olhava os executores com o que me pareceu um sincero ar de espanto, de que não podia acreditar que aquilo lhe estava a acontecer, a ele que teria feito tudo pelos romenos que, por sua vez, lhe pagavam fuzilando-o. Não será caso único, os bolcheviques assassinados publicamente por ordem do Lenine e do Estaline devem ter sentido mais ou menos o mesmo. Vem isto a propósito de quê?
Por mais que o tempo passe, parece que há um desejo de morte atávico nas pessoas, não aprendemos nada. Não tenho qualquer espécie de dúvida que, com todos os defeitos, a democracia liberal como a conhecemos desde a WWII é o melhor sistema político que alguma vez existiu neste vale de lágrimas. Nunca fomos tão livres de pensar, dizer ou fazer o que quisermos. E sempre que houve um sistema político que permitia mais liberdade, as pessoas comuns acabaram a abomina-lo e, em consequência, levaram com coisas infinitamente piores. Agora não é diferente. Não faltam entusiastas dos autoritarismos/totalitarismos que vão de coisas como o Bloco, Podemos, Corbyn ou Siriza até ao Wilders, Le Pen ou AfD. O status quo democrata-liberal é uma merda não é?
Os vencedores das revoluções não costumam perdoar a quem os põe no poder. Por muito que os tais entusiastas dos totalitarismos se imaginem a comandar batalhões em parada calçados de botas de montar, ou se masturbem com julgamentos sumários dos capitalistas e burgueses, podem bem acabar com um picador de gelo espetado na testa ou pendurados em bombas de gasolina. É uma tradição dos que recusam a liberdade e lhe preferem a Nacinha ou a igualdade.
Meus caros, a liberdade que nos permite estar aqui a mandar bojardas, não é garantida. E é um bem demasiado precioso para andar com merdas, vejam lá se não vai o bebé com a água do banho, costuma ir.

 

Merde d’socialiste

Um governo socialista procede assim: pega em duas coisas; uma saudável e em bom estado; outra feita num oito sem ponta por onde se lhe pegue; juntas as duas e fica com duas coisas feitas num oito sem ponta por onde se lhe pegue. É o que se está a armar com a Santa Casa e o Montepio. Junta-se um balde de água e um balde de merda seca, fica-se com dois baldes de merda húmida.

O silêncio dos surdos

Silence of the lambs

O silêncio

I’m just doing what I can

Uma #merdia, é o que é

transf-p-offshores

Entre 2010 e 2015 foram transferidos quase 29 mil milhões de euros para os chamados off shores a partir de Portugal. Desses, quase 23 mil milhões por entidades não residentes (estrangeiros, portanto).
Dos 23 mil milhões transferidos por entidades estrangeiras, 99% foram-no por empresas, 93% do que transferiram foram para contas de terceiros (provavelmente importações*) e apenas 7% para contas próprias (provavelmente lucros já tributados).
Dos restantes 6 mil milhões das transferências de residentes, 5,3 mil milhões, ou 87%, foram transferidos por empresas sendo que 89% disto foram para contas de terceiros (mais importações) e este valor é distorcido pelos anos de 2012 e 2015 onde houve um volume maior de transferências para contas próprias por parte destas empresas, se não o valor seria inferior. Em 2012 e 2015 deverá ter ocorrido algo diferente – investimento no estrangeiro?
Não fosse o analfabetismo e a má fé nos #merdia, a geringonça não teria assunto. Assim, fazem-se grandes títulos, lança-se a desconfiança e enganam, mentem e aldrabam as pessoas, sabe-se lá em nome de quê. Vamos pagar tudo isto bem caro.
Fonte: Autoridade Tributária e Aduaneira
Nota: NIF 45 e 71 são de entidades não residentes

Adenda 1: corrigido, a coluna dos montantes transferidos por residentes não somava o ano de 2010

Adenda 2: O Luiz Rocha explica a que respeitam as transferências dos NIFs 45 e 71 aqui

 

Botões de rosa

ascensoIsto tem duas explicações:

  1. É sarcasmo;
  2. É a sério e o autor ou comeu cogumelos (dos que fazem rir) estragados, ou ao acordar enfiou com os cornos na mesinha de cabeceira e perdeu o tino.

A tentação totalitária

johnny_cash_flipping_the_bird_middle_fingerQuanto ao artigo no jornal Público, papel mais barato e concorrente da Renova, a que chamam imprensa de referência, sobre a coisa dos offshores, mais o artigo do director do dito papel duplo, macio e absorvente, mais a newsletter do mesmo director  (newsletter que nunca subscrevi – à atenção de quem dirige o Observador cuja newsletter sim subscrevi) resta-me informar que “the amount of energy necessary to refute bullshit is an order of magnitude bigger than to produce it”. Quero bem que lá no Edifício Diogo Cão em Alcântara continuem em sessões de onanismo. Bem afirmou o Samuel Clemens aka Mark Twain, nascido nove anos depois da morte do Thomas Jefferson,: “if you don’t read newspapers you are uninformed, if you read them, you are misinformed”

‘Cause Christmas ain’t the time for breaking each other’s hearts

Confesso que a história de Cristo me fascina, quer se creia que Deus existe quer não, a ideia de Cristo é uma ideia de redenção que não me deixa indiferente e não creio que possa deixar indiferente seja quem for que reflicta sobre ela.
Não sei se o homem cá andou para nos salvar ou não, não sei se não passou de uma fraude, mas sei duas ou três coisas. Sei que é com Cristo que a espécie se liberta do jugo dos deuses, sei que é com ele que se cria esse extraordinário conceito do livre arbítrio, sei que é com ele que pela primeira vez os homens se tornam iguais, sei que é na ideia de Cristo que pela primeira vez os homens se libertam de um destino pré determinado. E sei também que é com Cristo que todas as portas se abrem a todos, ricos, pobres, criminosos, santos, mulheres, homens, prostitutas e beatas. E isto é uma coisa extraordinária de cuja importância raramente nos apercebemos se é que alguma vez nos ocorre.
Não meus caros, o Natal, em que bem ou mal se celebra o nascimento deste personagem extraordinário, não é uma época de hipocrisia, pelo contrário, é um dia em que quase todos estamos predispostos à bondade, à celebração dos nossos e à presença do outro. Um dia em que ateus, crentes e agnósticos (excepção feita a tolos) nos abrimos aos outros. E nem que seja só isso, nem que seja só um dia em 365, é bom. Não apaga todas as cagadas que fazemos nos outros 364 dias, mas redime-nos. E tudo por causa de um gajo que viveu há 2 mil anos e nunca viajou mais de 100km. Não sei vocês, mas gosto da ideia e conforta-me. Um Feliz Natal para vocês todos, os que me gramam e os que não me gramam também, bem hajam.

Doce de maçã

kafka2

Uma conversa que tive hoje sobre a importância do contexto sócio económico dos estudantes enervou-me ligeiramente. Antes de mais, trabalho por necessidade desde os onze anos e não recebo lições de pobreza de ninguém, sei bem o que é ser pobre. Depois, estou-me cagando nos estudos nas ciências sociais, dão para tudo mais um par de botas e são o melhor exemplo de tortura de dados para dar o resultado que o “cientista” quer. Chegam a meter carne de um lado e do outro sai doce de maçã. Até nas ciências duras já é assim (ver o “hockey stick” do Michael Mann), nas ciências sociais é um fartar de vilanagem. Cansado que estou de trinta anos a ler “estudos” e papers sobre assuntos que me interessam só há uma conclusão possível: não conheço nenhum grupo onde haja tanta corrupção intelectual como nos grupo dos “cientistas sociais”. Não conheço um estudo, um sequer em que possa confiar, por cada um que chega a uma conclusão há dois que chegam à conclusão oposta exactamente com os mesmos dados. A única coisa em que confio é na minha experiência pessoal (que já é alguma) e capacidade dedutiva, mais nada. “Cientistas sociais” e “estudos” não passam, todos, rigorosamente todos, de venda de banha da cobra e prostituição pura e dura.

Dito isto, quando se fala no contexto sócio económico dos miúdos, misturam sempre correlação com causalidade, como se um puto pobre fosse obrigatoriamente um idiota filho de imbecis, como se os “cientistas sociais” soubessem melhor que o puto e respectivos pais o que é melhor para ele, como se os pobres não quisessem melhorar de vida, como se ser pobre fosse uma deficiência genética que condena as pessoas a serem falhas de inteligência, honra e ambição. Como se por ser pobre não se possa ser inteligente, trabalhador ou ter vontade. Mais que qualquer outra coisa é um insulto aos milhões de pobres que são gente trabalhadora, que lutam para melhorar de vida, que cuidam dos filhos e se sacrificam por eles. Não, para os bem nascidos, pobre é um untermensch, alguém inferior a eles próprios, um diminuído ao sabor das circunstâncias, sem as capacidades que reconhecem neles mesmos. Pois agarrem nos “estudos” que “provam” os vossos preconceitos de bem nascidos, façam um rolinho e enfiem-nos no recto, de resto, quanto aos pobres, saiam-lhes da frente, não os estorvem.

Literatura de cordel

Há cerca de dois meses estava em casa de um grande amigo meu, um homem de fé, cristão (não católico) e, por curiosidade, perguntava-lhe acerca da fé e da religião dele, como encaravam Cristo, os Santos, católicos, judeus, etc. Às tantas, a meio da conversa confessei-lhe: “Já tive Fé, já soube o que é tê-la e ter esse conforto na Fé que tu tens. E pergunto-me muitas vezes como a perdi, não faço ideia” e ainda eu não tinha acabado responde-me ele: “Não sabes como a perdeste? Não é óbvio? Perdeste-a porque não a praticaste”
Meu, aquilo bateu-me. Poucas vezes nesta minha não tão curta vida ouvi tanta sabedoria numa coisa tão simples. Porque é assim em tudo, rigorosamente tudo.
Como perdemos a paixão pelos/as parceiros/as que escolhemos? Não praticamos essa paixão. Como lhes perdemos o amor? Não o praticamos. Como perdemos amizades? Não as praticamos.
No meio disto, há esta coisa muito new age do direito a sermos felizes, nada mais interessa, “eu quero ser feliz”, “eu tenho o direito a ser feliz”, eu, eu, eu, eu isto, eu aquilo e no meio, perdemos completamente a noção do que é importante e do que nos faz realmente felizes. Que não é mais que isto: praticar a paixão, praticar o amor, praticar as amizades, praticá-las sempre. Isto implica muito mais que o eu, eu, eu, eu.
Bem sei que falar é fácil e ainda por cima não sou exemplo de coisa nenhuma. Mas aquela afirmação deste meu amigo sobre a fé, fez mais pela minha visão do Mundo e pela noção do que é a felicidade verdadeira (que não é um estado, são momentos, a felicidade como estado não existe) do que os milhares, sim milhares, de livros que já li e que todas as experiências porque passei.
Por isso, não me venham com merdas, lembrem-se da epifania do Kevin Spacey em A Beleza Americana quando tem a miúda, amiga da filha, nua na cama. E deixem-se de merdas de ir à procura da felicidade noutro sítio diferente daquele em que vocês estão. Aí onde vocês estão exactamente agora, quando lêem isto, vocês praticam o que vos faz felizes, a paixão que já conheceram, o amor que já tiveram por quem anda por aí à vossa volta? Aposto que não. E nem dais conta e eu idem. Foda-se lá a burrice.

Da Ética e da Érica

kafka2Este é um Mundo complicado, calculo que nem os gigantes a que se referiu Newton tenham imaginado quanto isto se podia complicar. É claro que há uma forma ética de um gajo se conduzir na vida e é uma discussão tão antiga como a civilização (desde que foi possível às pessoas ter outras preocupações além da próxima refeição e da próxima queca e de como evitar ser morto inopinadamente), seja como for, hoje em 2016 e mesmo que mais ninguém o faça, eu disputo que essa forma Ética de viver seja superior a uma forma outra  Érica de viver.
Se a Ética nos diz o que deve ser, a Érica diz-nos o que é e o que é tem muita força (embora usualmente apenas durante alguns minutos, com sorte). A Ética não é uma categoria superior à Érica e se há muitas interpretações da Ética (de Platão a Aristóteles a Kant a Rand a Hegel e assim), se há milénios de discute este ramo da filosofia, quiçá o mais importante, Érica há só uma. A Érica é a fonte de si mesma, aliás é todas as Fontes de si mesma e alheias.
Assim, decidi em plena e sã consciência abdicar da Ética objectivista/aristotélica e passar a conduzir-me como as Fontes da Érica nos ensinam: de acordo com os pressupostos da Érica vale tudo menos arrancar olhos. E assim é que está bem.

Retrospectiva de sofrimento

Há quinze dias, parei de fumar. Não fumava cigarros, fumava cigarrilhas (20 a 25 por dia) e a última que fumei faz amanhã 15 dias cerca das 20:00. Entretanto tem sido giro. Fica abaixo a descrição destes dias que fui publicando na rede sociopata aqui ao lado. À medida que ia fazendo copy-paste percebi que escrevi muito mais do que imaginava. Mas é a única solução: ser teimoso como um burro e escrever, escrever todos os dias. A saga continua. A história até agora aqui abaixo. Continue reading “Retrospectiva de sofrimento”

Banda de tributo ao Duo Ouro Negro por…

….Picareta da República e Alguidar de Banha.

“Olá companheiro
Do fato rasgado
Não estendas a mão
Foge do passado”

duoouronegro

 

 

 

(obrigado ao Vitor Cunha)

Um burro com um diploma

el-burro-y-al-familia

Vamo lá a ver. O escândalo todo que se montou à volta da licenciatura do Relvas teve que ver exclusivamente com uma coisa: a possibilidade de parte substancial da RTP ser privatizada concorrendo com TVI e SIC pelo mercado publicitário. E isso não podia acontecer. Foi um trabalho bem feito, sendo certo que o erro foi por um lado da lei que permitia equivalências absurdas, por outro da Universidade de faz de conta que as concedeu. No entanto, o Relvas não mentiu, não aldrabou, não cometeu qualquer ilegalidade. Mas não tinha o cartão do partido certo, já sabemos.

Já a do Coiso, que mete exames ao Domingo e o caralho, é outro assunto. Configura aldrabice pura do “licenciado” e de um dito “professor” que fez de conta que o suposto “aluno” teria feito as cadeiras que não fez.

Fast forward para o caso recente de dois burros, inacreditavelmente burros, dois calhaus com olhos absolutamente surreais. Tanto o Rui Roque como o Nuno Félix se há coisa que revelam é a total e absoluta falta de inteligência, leva-me a duvidar sequer se podem ser considerados vida inteligente ou se são uns vegetais, tipo alfaces com pernas. Então o segundo, p’amordedeus! Duas licenciaturas? E o primeiro que com, foda-se, 4 cadeiras feitas reencaminha a dúvida para a Universidade de Coimbra? Como é que é possível ser tão, mas tão burro? (Embora vá, tudo isto pareça é uma guerra intestina dentro do PS entre socretinos e adeptos do Alguidar de Banha.)

Enfim, enquanto durou só deu mordomias, se calhar mantêm amigos (e o ministro da educação sai disto como?) in high places que lhe continuarão a garantir o sustento. Já não percebo nada disto, eu tinha vergonha sequer de sair à rua após uma merda destas. Não sei como é que estes gajos encaram amigos, vizinhos ou família. Não percebo, de todo.

Vou contar-vos uma história. Andei três anos a pastar no IST, fiz umas quantas cadeiras (essencialmente matemáticas) mas aquilo não era pra mim, não pedi adiamento e fui incorporado no Exército. Há uns anos quando me convidaram (através deste blogue) para escrever no Diário Económico telefonaram-me do jornal uma data de vezes porque não acreditavam que a profissão junto ao nome fosse “comerciante”. Fartei-me de explicar que não, não sou licenciado, sei umas cenas, sou curioso e gosto de estudar e de ser ensinado. Não acreditavam, era Dr praqui, Dr prali. Tive quase que exigir que em frente ao nome pusessem “comerciante”. Ora foda-se mais o sr doutor. Mandem-me gestores licenciados, pode ser que aprendam alguma coisa porque do que vejo não valem grande coisa nem se percebe o que lhes ensinam. E cheira-me que se o Observador e outros merdia desatam a indagar meia AR demite-se.

Uma exegese de merda

corvos

 

 

 

 

O personagem à direita neste quadro exibe a cara de um absoluto imbecil que, aflito, inadvertidamente cagou nas cuecas sem querer; o senhor do meio, pela subtil imperturbabilidade e ligeira inclinação dos ombros diria que se está mesmo a largar de fininho para o seu lado direito, o que se confirma pela expressão de estupor da fêmea de corvo que aparece do lado esquerdo à frente no quadro, expressão de quem está a ouvir o assobio do peido e espera que lhe chegue o cheiro ao nariz a qualquer momento. Lá atrás à esquerda, outro integrante da vara ouve o mesmo peido do Joaquim, mira-o com censura mal disfarçada e não se dá conta que a ruminante que o ladeia faz o que pode para, no limite, segurar o traque que a aflige e pode explodir a qualquer momento. A outra dorme e o seguinte inclina-se ligeiramente para diante, num momento de vingança contra o cheiro exalado pela cavalgadura à frente dele, caga-se alto e bom som. Os outros mamíferos, não sei. Mas que isto é uma história de merda, é.

Carrega Pote d’Unto

metroMetro de Lisboa, Cais do Sodré, hoje. #CarregaGeringonça

Twilight zone

Meu, isto é a sério. A sério, não, foda-se, aconteceu mesmo. Não é montagem, um gajo destes (destes p’amordedeus!) é convidado por um canal de televisão para falar de um livro de que é o suposto plumitivo autor sabendo nós (p’amordedeus!) que não o escreveu, pá. Está tudo doido? Aquela merda na TVI funciona a LSD? Isto não é possível, não é. Ponto.

coiso

Putas, descendentes e abduzidos

recycled-toilet-paper-4613202Ali pelos idos de 1992, num programa de televisão o Fernando Alves (TSF) afirmou que os jornalistas eram, à época, “uma classe de putas”. Foi há cerca de vinte e quatro anos pelo que podemos com alguma segurança dizer que os actuais são os filhos das ditas sem medo de falhar por muito.
Por exemplo, naquele jornal (?) que concorre com os rolos de Renova (folha simples e macia) uma filha dilecta da geração de 92 (conforme definida pelo Fernando Alves) de nome Margarida qualquer-coisa escreveu isto sobre a Associação“Joãozinho” e a cedência ao Continente de uns terrenos junto ao Hospital de São João.  O Pedro Arroja, Presidente da dita Associação conta todo o processo aqui e aqui. No pasquim concorrente com os rolos de marca branca do Continente (packs de 3, folha picotada) não existe vergonha na cara? Caro Fernando (Alves) as putas do teu tempo deixaram descendência mas mais rasca que as mães. Uma merdia é o que é.
E o David Dinis? Desaprendeu? Arranjou quem lhe pague melhor? Foi abduzido e substituído por um clone alienígena?