Oscar Perez

“You only have power over people so long as you don’t take everything away from them. But when you’ve robbed a man of everything, he’s no longer in your power – he’s free again.” Aleksandr Solzhenitsyn

A boneco Chucky e amigos bem podem limpar as mãos à parede, têm-nas sujas de sangue e hão-de ter.
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Meat wallet

Miguel Tiago smacked his rocks off grandma’s meat wallet feverishly before shooting his moon cheese up the great divide.

Ents

Há muitos anos que acho os comunistas, regra geral, os tipos mais divertidos de debater porque tendem a ser intelectualmente honestos. Defendem aquilo em que acreditam e não fazem juízos de intenções, ao contrário de socialistas light e social democratas que fazem da desonestidade e da dissimulação um modo de vida. Continuo a acreditar nisto, embora ache que à medida que os velhos comunistas vão morrendo, os que os substituem têm um problema de solidão neuronal na caixa craniana. A prova é o exemplo do jovem deputado Miguel Tiago cujo solitário neurónio não dá para mais que para babar-se enquanto balbucia alarvidades. Creio que os velhos comunistas que conheci, já falecidos, teriam até vergonha da descendência.

Diz o hiposináptico deputado, entre dois fios de baba, que taxar os Partidos é taxar pessoas, que os Partidos não são como a Igreja que é um ente.

Ora bem, temos então dois tipos de pagadores de impostos: entes e pessoas (às tantas é má interpretação da imprensa e refere-se aos Ents, pastores de árvores do Tolkien). Segundo hiponeuronal deputado, quem paga o IMI não sou eu, é a casa (ganha bem o estupor do apartamento); quem pagou o IA e o IVA das viaturas cá de casa não fomos nós, foi uma coisa com quatro rodas, uma carcaça e um motor; quem paga o IRS não é a minha família, é a conta bancária; quem paga o IRC da empresa não sou eu, as pessoas que trabalham comigo ou os nossos clientes, é um ente-outro, é um papel escriturado, reconhecido por um Notário e com um número no Registo Comercial; quem paga o IVA quando vou ao supermercado não sou eu, são as maçãs, o pão e o os iogurtes (no que em parte está bem acompanhado, é isso que dizem o legislador e o fisco). Tudo entes (ou Ents pastores de árvores) que não são pessoas.

Na esperança que ainda haja tempo para que nasça um segundo neurónio que lhe permita meia sinapse e o torne décimo-digno dos antecessores, diria ao hipocognitivo deputado:

  • Para aprender a ler;
  • Que quem paga impostos são sempre pessoas, não há entes-outros que o possam fazer enquanto não formos invadidos por extra-terrestres que se sujeitem às alarvidades do mentalmente desafiado deputado e amigos;
  • Que, com o devido respeito a um deputado da nacinha (mesmo que balbuciante e com dificuldades cognitivas), se vá pôr num porco, mamar na quinta pata de um boi.

Do Mal

A propósito dos PECs 2010-2011 e a malvadez da troika, no que respeita às privatizações, o PEC IV remete para o PEC III de 18 de Março de 2010 (!) onde isto na imagem estava previsto. Os que culpam o chumbo do PEC IV pelos males do Mundo, deviam lê-lo.

 

Estava prevista, por exemplo, a redução da compensação por despedimento (por parte do empregador) de 30 dias por cada ano de trabalho para 10 dias (mais outros 10 pagos por um Fundo que pagamos todos os meses e que não sei bem para onde vai o dinheiro, para indemnizações não parece ser). Alguém que tenha sido despedido durante ou após a governação da troika recebeu os tais 10 dias de indemnização por cada ano de trabalho vindo do Fundo de Compensação? Tanto quanto sei desde 2014 a indemnização é de 12 dias por cada ano de trabalho, as empresas pagam todos os meses para o tal Fundo de Compensação, alguém recebeu alguma coisa vinda daí?

Jota Cristo

“Beneath this mask there is more than flesh, beneath this mask there is an idea Mr Creedy and ideas are bullet proof” – V in V For Vengeance

 

Podemos ser agnósticos, ateus, podemos ser adeptos das teorias do Dan Brown e afins, milenaristas, gnósticos ou cépticos. No que respeita a Cristo nada disso interessa. O que interessa é a ideia de Cristo e, meus caros, nunca houve ideia tamanha neste vale de lágrimas, que mudasse o Mundo e que nos mudasse a nós como a ideia de Cristo mudou. A liberdade, o livre arbítrio, a redenção (escaparmos à fatalidade do erro), a igualdade, o que faz de nós pessoas e fatalmente imperfeitas, devemo-lo à ideia de Cristo. Nem que seja só por isso, celebremo-lo junto dos nossos na certeza que só com eles que cumprimos essa ideia. Um Santo Natal para todos.

Da Igreja dos Últimos Dias…

…(sem desprimor para esta, se existir). E parabéns aos eleitores da nacinha, bem podem rastejar para debaixo dos calhaus de onde saíram.

Da ética republicana

Acabo de assistir à entrevista do ex-Secretário de Estado da Saúde à TVI. É confrangedor, uma dor d’alma assistir a um homem submeter-se a tamanha humilhação pública. Sem ponta de dignidade, sem um mínimo de sentido de honra e amor-próprio. E o meu país não pode ser feito disto, de gente assim, se for, resta-nos o destino dos lémures. Se possível sem que a rataria nos siga.

Coisas raras, muito raras, raríssimas até

Em 1984 li este fenomenal artigo do Vasco Pulido Valente e nunca mais me esqueci. A propósito da indignação du jour ocorreu-me e reencontrei-o publicado pela Margarida Bentes Penedo no Gremlin Literário. Até o ano é muito bom, como me fez notar alguém no facebook, parece que tudo o que tem 1984 no título é encarado como um manual. Se era assim há 33 anos, imagine-se o que anda por aí em 2017. Se começam a escavar tudo o que aí anda financiado pelo Estado, quotas e doações, não sobra ninguém nem para amostra. A ler, o VPV em 1984: Continue reading “Coisas raras, muito raras, raríssimas até”

Não têm vergonha? II

Pelos vistos, a pessoa que fez as perguntas à deputada Margarida Balseiro Lopes na imagem do post anterior (aqui abaixo), fê-las no papel de “advogado do diabo” para que as respostas fossem (muito bem) o que foram. Não me parece que, perante o recorte apenas, eu tenha feito uma interpretação abusiva das perguntas, até porque estou demasiado escaldado. Mas parece que sim, que a intenção de quem as fez não era a que eu entendi. E assim aqui ficam as minhas desculpas e não, não é um imbecil. Para já.

Não têm vergonha?

 

(correcção em post mais acima)

É raro acontecer-me mas não creio que a língua do Camões e do Bocage me faculte vernáculo suficiente para isto.

Quando ontem vi um post da deputada Margarida Balseiro Lopes (PSD) em que esta dizia que os deputados do Partido do Pote de Sebo, da boneca Chuckie e do Avô Cantigas e respectivo apêndice tinham votado contra uma proposta de isentar de IMI em 2017 e 2018 as pessoas que perderam as casas nos incêndios deste ano da (des)Graça de 2017, não quis acreditar. Achei que era talvez um lapso, ou parte da politiquice. Já me habituei a ser céptico quanto ao que dizem os políticos e ardinas, excepção feita a dois ou três que conheço. Fui saber e é mesmo verdade.

Os que votam e apoiam a solução que nos pastoreia não têm vergonha? São capazes de olhar um espelho sem uma vontade irreprimível de suicídio? Conseguem dormir? Passam os dias nessa insuportável posição de superioridade moral, na suposta defesa dos mais frágeis e desfavorecidos, a apregoar um suposto humanismo e suposta preocupação com os que menos podem e são capazes de aprovar uma barbaridade destas? O que isto vem mais uma vez demonstrar (como se fosse preciso) é que nesse mundinho adolescente da eterna luta do Bem contra o Mal, são V Exas as bestas. Isto é maldade pura. Continue reading “Não têm vergonha?”

Malcolm Young 1953-2017

Well done Malcolm, I’ll have that drink on you. \m/

 

Miserável

Numa conferência a propósito do Dia Internacional da Erradicação da Pobreza, organizada esta terça-feira em Lisboa pelo Montepio, o presidente executivo da CGD, Paulo Macedo, disse que, dos 2,6 milhões de euros angariados pelo banco público para as vítimas do incêndio que deflagrou em junho em Pedrógão Grande, alastrando a outros concelhos e deixando mais de 60 mortos e que estão a ser geridos pela Fundação Calouste Gulbenkian, “uma parte já foi para projetos concretos e cerca de 500 mil euros vão ser aplicados junto de instituições de saúde para equipar as que tem ajudado as populações, quer nas unidades de queimados quer noutras, na zona de Coimbra”.

 

A ver se consigo fazer perceber ao Dr Paulo Macedo uma coisa muito simples: o dinheiro doado pelos portugueses em Junho deste ano para ajudar quem sofreu com os incêndios de Pedrógão, não foi doado para ajudar o Orçamento de Estado. Foi para ajudar pessoas concretas, que perderam família, casas, meios de sustento, etc. Equipar os Hospitais é responsabilidade do Estado por via dos impostos e orçamento do Ministério da Saúde. Usar o dinheiro da solidariedade dos portugueses com as vítimas de Pedrógão para cobrir buracos do OE ou incapacidade do Ministério, que ainda há dois anos dirigia, é abaixo de cão (embora qualquer cão mereça mais respeito que o CEO da CGD depois disto), é miserável, é inqualificável. A lata, a tremenda lata de mais de que pensar ou executar uma enormidade destas é ser capaz de o referir como um acto razoável (sequer). Nem eu tenho vernáculo suficiente para isto. Isso, continuem a doar para contas geridas por gente desta estirpe. E nem quero imaginar, nem muito menos saber, o que são os tais “outros projectos”.

Pó car….

Estive a ler com atenção o artigo do Dr Paulo Rangel e fico, como dizê-lo, nas horas do diabo (evito recorrer ao vernáculo portuense).

Caso o Dr Paulo Rangel não tenha ainda percebido aqueles que mobilizaram o PSD (e não os que o PSD mobilizou) estão em vias de extinção há muitos anos, com a prestimosa colaboração do Partido Socialista Desorientado desde pelo menos o Professor Doutor Cavaco. O que tem é uma massa enorme de funcionários, pensionistas e subsídio-dependentes a quem o PPD não tem nada a propor. O PS trata deles. Já nem o PCP tem seja o que for a propor-lhes.

Este parágrafo “A liberalização não é nem pode ser a operação através da qual os interesses que opacamente colonizam o Estado passam abertamente a colonizar a sociedade. Por isso não somos liberais.” se não fosse indigente seria digno de um marxista com menos de três neurónios funcionais. O Dr Paulo Rangel que procure debaixo do calhau de onde saiu ou, se tiver tempo, neste calhau que roda à volta do Sol onde existem esses liberais ou esse liberalismo que promovem a colonização do Estado e da sociedade. Nós, os que nos consideramos liberais, sabemos há muito, há mais de 250 anos que o rent seeking e o capitalismo de compadrio é apanágio do socialismo-democrático, não do liberalismo. Se não sabe para mais, ou se é parvo, ou vá aprender ou que passe pela Sede Social ali no Cristo Rei que a gente explica-lhe. Entretanto vá encher-se de pulgas e mentir lá no assento dourado que alguns infelizes fizeram questão de lhe atribuir em Bruxelas, ou lá onde for onde se governa.

Aturo de tudo, burros ou vigaristas intelectuais, não aturo. De todo. Prefiro vigaristas e ladrões no sentido normal dos termos, pelo menos existe alguma honra nestes últimos.

Um dia destes o Dr Rangel acorda e dá-se com três Partidos: o Partido Dono do Regime (o PS pode já mudar a sigla para PDR), o Bloco dos intelectuais lisboetas do eixo Cais do Sodré-Santa Apolónia e do Eleven e do Tavares mais o CDS da lavoura, dos pobrezinhos e da caridade institucionalizada. Que venha com conversas de merda sobre a liberalização e a liberdade é um sintoma da decadência tanto do tal Partido de que fala (qual Partido?) como dos que o mobilizaram nos anos 70.

Álvaro Almeida, obviamente

Que tenha memória, das poucas vezes que votei, só uma votei pela positiva e já lá vão 26 anos. O meu voto é sempre essencialmente “contra”, nada do que me propõem há mais de 30 anos merece a minha aprovação, sou regularmente impedido de votar a favor seja do que for, se votar é contra. Há quatro anos já nem me lembro se votei ou não, mas se o fiz votei seguramente no Rui Moreira. Qualquer coisa me servia excepto a tralha socrática-trotskista ou o despautério menezista. Já há muitos anos em Gaia votei na Ilda Figueiredo pela mesma razão, porque o resto era inenarrável, votei contra esse resto com uma convicção inabalável que ainda hoje continua igual.

Seja como for não me lembro de me sentir tão traído nestas merdas como quando vi o actual Presidente da CMP entrega-la direitinha nas mãos dos lunáticos de parto socrático. Às tantas não percebeu porque foi eleito. Eu explico-lhe: foi eleito porque não era o Menezes nem o PS socrático. Só por isso, até o Emplastro lhes tinha ganho. Dito isto, estava convencido que desta vez não ia votar, as opções que tenho são um pavão vaidoso sem ponta por onde se lhe pegue, uma chusma de lunáticos e um grupo de inábeis que devem ter dificuldade em atar os atacadores e mascar pastilha elástica ao mesmo tempo. Não discuto sequer que o grupo do actual Presidente seja o mais sério no meio disto, mas tenho dificuldade em aturar inúteis vaidosos com confidence issues e falta de resiliência. Se não sabe, repito, eu explico: quem se mete com putos sai mijado. O que está a acontecer é o resultado de se ter metido na cama com as MILFs do PS. Agora é tarde para abortar, aguente-se. Não sei se já repararam mas passou um mandato inteiro com boa imprensa que de um momento para o outro lhe tirou o tapete. Bastou romper com a associação de malfeitores a quem se aliou há quatro anos.

Vou votar e vou votar convicto. Vou votar no Álvaro Almeida que do que sei é decente, não é um inútil, não é o Rui Moreira, nem faz parte do gang socrático-trotskista. Por muito que o PSD local seja um antro mal frequentado.

 

Nota: há pouco mais de uma semana tinha decidido não votar. Quando a primeira sondagem do CESOP deu um empate técnico entre Moreira e Manuel Pizarro (de quem tenho boa ideia como pessoa) pensei: “Bem, lá tenho que ir votar no Rui Moreira” (contra os lunáticos do PS e a Quinta Coluna trotskista). Após esta segunda sondagem e a reacção do dito, ai vou votar vou. Mas não voto em gente que revela esta falta de carácter e resiliência. É nos apertos e quando a corrente é contra, que se vê quem os tem no sítio. De frouxos e mimados já estamos bem servidos. Um voto no Álvaro Almeida, sei-o bem, é um voto contra a chusma de imbecis que nos pastoreiam, a mim chega-me. E também sei que o meu voto não interessa para nada, que se lixe.

The fascists of the future…

…will call themselves anti-fascists. – Winston Churchill

Segundo a Rita Ferro Rodrigues “São imensas as publicações sexistas disponíveis no mercado” e eu concordo absolutamente. Já se for para as denunciar e “recomendar” que se retirem do mercado, sugiro começar pela “Odisseia” do Homero onde a pobre da Penélope, fiel ao marido, espera pelo herói Ulisses durante vinte anos a tecer e a desfazer um sudário. Daí, sei lá, é ir por aí fora, denunciar a literatura clássica quase toda, o Shakespeare (Romeu e Julieta? Otelo?), o Camões (“Andando, as lácteas tetas lhe tremiam” – Camões, ‘Os Lusíadas’, canto II, estância 36), a Jane Austen (que raio de personagem é aquele cavalheiro Mr Darcy?), o Bocage, o Jorge de Sena (aquilo do Sinais de Fogo é hipersexismo), a Sophia (a Fada Oriana? Qué isso?), ao Kafka (qual Josef K.? Mude-se o nome para Josefina K.), Corin Tellado, aos livros da “Anita”, do “Lucky Luke”, o “50 Shades of Grey”, o Harry Potter, o Tolkien, o Nabokov e praí 98,3% da literatura desde Homero. Pronto, tudo denunciado à CIG e “recomendado” que se retire das livrarias. Ficamos, que sei eu, com as obras da Rita e do Boaventura esses vultos gigantescos da literatura Mundial. Ah! E com o “A Doutrina do Fascismo” do Benito Mussolini e do Giovanni Gentile, claro. Na mesinha de cabeceira da Rita, pelo menos.

Incapazes

“A book is a loaded gun in the house next door. Burn it. ” Ray Bradbury, “Fahrenheit 451”

Dedicado a meninas Incapazes….

….incultas e neo-fascistas.

“Surely you remember the boy in your own school class who was exceptionally ‘bright,’ did most of the reciting and answering while the others sat like so many leaden idols, hating him. And wasn’t it this bright boy you selected for beatings and tortures after hours? Of course it was. We must all be alike. Not everyone born free and equal, as the Constitution says, but everyone made equal. Each man the image of every other; then all are happy, for there are no mountains to make them cower, to judge themselves against. So! A book is a loaded gun in the house next door. Burn it. Take the shot from the weapon. Breach man’s mind. Who knows who might be the target of the well-read man? Me? I won’t stomach them for a minute.”

 

 

Dedicado à deputada Isabel Moreira e às meninas Incapazes

Dois vídeos, ambos protagonizados por essa figura maior do heteropatriarcado homofóbico

 

 

What this is about is bad ideas

Não sei se é por ser um gajo porreiro se é por ser um liberal que acha que todos, absolutamente todos, têm direito ao pensamento e expressão livre, sou amigo de gente from all walks of life e que professam (o termo é este mesmo) as mais variadas ideologias. Desde gajos que se acham fascistas, nazis, social-democratas, socialistas, conservadores, comunistas ao raio que os parta. E todos sem excepção são gente boa que aprecio e cuja amizade agradeço. Todos eles são capazes de discutir comigo, argumentar e debater, todos eles sabem do que falam, leram conhecem de Hegel e Fichte a Marx e Engels com os outros todos pelo meio. Só não consigo ser amigo de imbecis, isso não consigo nem tenho nenhum.

O Imbecil é uma espécie em expansão, o Imbecil não pensa, “sente”, o Imbecil, de tanto amar a Humanidade é incapaz de amar uma pessoa. O Imbecil não vê pessoas, vê conjuntos. O Imbecil é perfeitamente capaz de concordar comigo se eu disser “cada pessoa é única e insubstituível” e que não se substituiu um pai, uma mãe, um filho, um amigo. Mas, logo a seguir, o Imbecil defende o extermínio de uma categoria qualquer, seja ele cristão, judeu, muçulumano, nazi, fascista, comunista, capitalista ou “inimigo do povo”, só porque sim. O Imbecil vive num organismo borg com dificuldades sinápticas e encontra-se cada vez mais entre social-democratas, SJWs e tolerantes, dos que se dizem fartos de intolerância. Dois exemplos: um amigo meu americano, boa gente p’a caralho, com tendências leninistas, está exasperado com a intolerância com isto dos supremacistas de Charlottesville e, no Facebook, oferece ajuda a quem precisar, excepto a homens brancos heterossexuais. É incapaz de pensar em pessoas, tudo se resume a categorias que são o que define as características de cada um. Para ele, por definição, um homem branco heterossexual não merece ajuda. Ainda por definição, homem branco heterossexual (como ele próprio) é culpado seja lá do que for que lhe apeteça. Outro exemplo é o da foto acima. No tempo em que participava do twitter este gajo era um tipo razoável, socialista, um gajo porreiro. Vem agora apelar que se matem os que ele acha que são nazis. A ver: que se matem pessoas por causa de diferenças ideológicas, diz que é legítima defesa. Noutro tweet bloqueia uma das melhores pessoas que conheço, meu amigo, liberal, porque diz ele, se comparam nazis e “estalinistas”, uma maneira de ele próprio (reduzido à imbecilização) e de forma pouco subtil, branquear o comunismo que foi a menção que o meu amigo fez devidamente contextualizada.

Enfim, a imbecilização em curso é com certeza uma coisa muito humana. Não sei porquê chateia-me, não consigo aturar O Imbecil e cada vez há mais. A este ritmo morro sem amigos. Já agora, ide, ide ler este artigo do Jeffrey Tucker de onde retirei o título:

The Violence in Charlottesville

De caminho recomendaria o extraordinário (sou o rei das hipérboles)

“Freedom and Its Betrayal: Six Enemies of Human Libertydo Isaiah Berlin

talvez lendo consigam olhar-se ao espelho e ter vergonha na cara, sejam vocês social-democratas, fascistas, nazis, socialistas, comunistas ou o raio que vos parta. E perceber porque arriscam a serem vocês próprios a encarnação d’O Imbecil.

Insert brain

Parece que o Dr Pedro Nuno Santos, que se tornou famoso pela putativa capacidade de pôr as pernas dos banqueiros alemães a tremer, terá afirmado que confia que o Dr Pote D’Unto…perdão, Dr Alguidar de Banha…ai, perdão, Dr António Costa “voltará” a ganhar as eleições em 2019. Que mal pergunte, quando é que o Dr Pote D’…perdão, Dr António Costa ganhou as eleições para que possa “voltar” a ganhá-las?

Optimismo antropológico

Os nomes das pessoas que morreram nos incêndios em “segredo de justiça” é das desculpas mais esfarrapadas que me lembro de ler ou ouvir. Como é que as doações chegam às famílias, como é que as Seguradoras indemnizam quem devem se os dados destes estão em “segredo de justiça”? Mas pronto, é sempre possível descer mais baixo, é sempre possível que quem nos pastoreia atinja níveis de miséria insuspeitos de poder sequer existir. Sou um optimista antropológico mas às vezes fica difícil.

My ass II

E o socorro às vítimas da negligência e incompetência do Estado e do Governo em Pedrógão? Onde páram os milhões que a generosidade dos portugueses e estrangeiros entregaram? Já agora, quantos funerais houve relacionados com aquele desastre? Em que estado estão os feridos? E as empresas destruídas e respectivos trabalhadores (não tarda os patrões arruinados estão a ser acusados de se apropriarem do IRS e da TSU dos trabalhadores)? Bem sei, o que interessa são as conclusões dos focus groups e as masturbações dos imberbes aprendizes de feiticeiro. Isto dá vontade de morrer, já dizia o outro, e dá mesmo.

(Não sai já um chorrilho de palavrões porque enfim)

My ass

“If you don’t read newspapers you are uninformed, if you read them, you are misinformed” – Samuel Clemens aka Mark Twain

Desde o início desta história do “assalto” ao paiol de Tancos que a explicação mais plausível sempre me pareceu um problema de inventário. Não me lixem, não conheço pessoalmente o Cmdt do RE1 (embora tenha boas indicações dele por terceiros) mas salvo raras excepções tenho a melhor das ideias acerca do Oficiais de Engenharia e de uma coisa que nenhum dos que conheci pode ser acusado é de falta de rigor. São tão Engenheiros como qualquer um saído do IST ou da FEUP. Aliás são o mais antigo curso de engenharia em Portugal.

 

As Unidades do Exército têm vários Depósitos; de bares onde estão as bebidas e outros produtos destinados aos bares e messes, de fardamento, disto e daquilo. E têm paióis. No limite do pessoal, nenhum Cmdt de um Regimento, mas nenhum mesmo, deixa de ter a noção das prioridades da Guarda. Entre armas e explosivos ou fiambre e cerveja não têm dúvidas. Assim desde que a história aparece, convenientemente logo a seguir ao desastre de Pedrógão, que tresanda. As torres de vigia estavam vazias mas é os tomates. O problema foi isto ter escalado e na Central de Informação não terem percebido a gravidade da versão (pudera, naqueles lados a Defesa é um detalhe do papel do Estado e pouco importante) que puseram a circular. Quem se lixaria no fim seriam uns Oficiais e uma ou outra alforreca com umas estrelas nos ombros e Pedrógão e a inacreditável incompetência do Governo, do Estado e das instituições operacionais geridas por enfermeiros e professores primários passaria à História. Pois, só que lá fora, isto de material de guerra desaparecido é levado a sério.

 

A ver, os tais 44 “lança granadas” são umas merdas que pesam 2,5Kg cada um (em cada pelotão há um certo número de soldados que leva às costas três LGFs – neste caso parece ser M72 LAW que é a mesma merda – Google it, embora não me lembre de quantas munições leva um cunhete, 1495 munições é ridículo; granadas de gás lacrimogénio e ofensivas? E granadas defensivas nem uma? É que quem quiser fazer estragos a sério usa granadas defensivas (bem sei que é contra intuitivo, Google it). Mais uns cordões e umas merdices e está o filme feito.

Ora bem, para haver um problema de inventário que é a única explicação plausível há duas hipóteses, uma envolvendo corrupção outra negligência.

 

  1. Periodicamente há material que tem que ser destruído por ultrapassar o prazo de validade e há, ou havia, vários métodos de o fazer. Basta o tipo encarregue de contar o material a abater fazê-lo sem rigor nenhum (em vez de contar , digamos 364 LGFs contou 320 meio a olho, em vez de 52 cunhetes de munições contou 51, etc. ). Passado uns tempos há uma inspecção e o inventário está todo gatado. Vocês sabem qual é a percentagem que as grandese profissionalíssimas cadeias de supermercados usam para desaparecimentos antes de os produtos chegarem às prateleiras: 7%. E não é só por roubos, é também e essencialmente por erros de contagem.
  2. Outra hipótese é o material ter sido encomendado (imaginemos 1500 LGF), pago e parte nunca ter sido entregue e alguém se abotoa com a diferença que, honestamente, são trocos. Claro que vai dar asneira mais cedo ou mais tarde, mas muita gente metida nestas coisas não prima pela inteligência (ver o caso recente na FA e os mantimentos).

 

Agora, ninguém, mas mesmo ninguém me convence que houve assalto algum ao paiol de Tancos. Mas é que não mesmo. Eh pá! Qualquer paiol está cheio de granadas defensivas. Alguém que quer fazer estragos ou ganhar guita as deixa lá ficar e leva mei a dúzia de ofensivas e de gás lacrimogéneo? Olhem, quem inventou esta história bem pode ir gozar com o raio que o parta. Pedrógão não vai ser esquecido e teve o lado bom de permitir identificar as alforrecas ao serviço do poder.

Nem era preciso PJ, bastaria a PJM agarrar em todos os inventários e ir andando para trás e facilmente chegaria ao buraco. Mas pronto, quem poderia explicar está constitucionalmente impedido de falar (e ainda sabe o que é a honra), quem pode falar está a salvar a pele, a própria e a de outros porque isto escalou. Os imberbes da Central de Informações são uns meninos cheios de maquiavelismo livresco mas sem noção nenhuma do Mundo.

 

Na imagem um M72 LAW, 2,5kg, 640€ cada um. Segundo os espanhóis são 44 coisas daquelas que faltam.

Só resta a tristeza

Tudo isto é triste, tudo isto é fado. Bem sei que há Fundos pra isto e praquilo, que não faltam leis a proibir a discriminação (até individual, go figure) de tudo mais um par de botas, que não faltam leis a regular o açúcar nas bebidas, leis a regular a abertura e fecho dos tupperware dos tomates e das alfaces nos restaurantes, o sal no pão, as promoções e saldos no comércio. Que não faltam direitos adquiridos, punição fiscal de uns comportamentos e incentivo de outros, que o Estado até na cozinha e na alcova já nos entrou. Sei isso tudo.
Também sei que na razão primeira que lhe legitima a existência, a protecção das pessoas e da respectiva propriedade, falha todos os dias e, às vezes, de forma trágica como se viu nestes dias. Mas isso não interessa nada pois não?
Isto já nem chateia, só entristece. É triste, demasiado triste, mas enquanto se conseguirem pagar umas migalhas aos velhos e umas mordomias aos funcionários bem pode todos os dias morrer gente por incúria, desleixo e corrupção do Estado. Porque falha exactamente onde não pode falhar e deslegitima-se, mas a maioria de nós há-de continuar a não perceber e não adianta. E não, não é só em catástrofes, é todos os dias. Quem me dera não saber nada nem de nada, já só me resta esta tristeza.

O Sebastião Pereira…

…sou eu. É desta que vou para o gulag? Ou Caxias, vá?

Deputedo lunático?

Aqui há uns tempos a.g. (Antes da Geringonça) um eminente deputado da ala lunática socialista afirmava que o Estado não faz crowding out do crédito disponível.

Em Fevereiro deste ano, a dívida das empresas não financeiras aumentou em 1,4 mil milhões de euros, destes 1,4 mil milhões as empresas públicas são responsáveis por 1,3 mil milhões e têm nesta altura 43% do stock total de dívida das ditas empresas. Ah! Mas a Carris é nossa! Ora merda pra isto mais os lunáticos.

Filipe Marques

O Filipe Marques é um visual artist de Vila do Conde que tive a sorte de conhecer há pouco tempo. Não sei porquê ao longo da vida tem-me caído do céu gente extraordinária (a maioria nem sabe que o é). O Filipe dá-me sempre lições de cultura, bondade e humildade. E faz coisas destas, não são fotos, são desenhos a grafite. Ó rais parta isto.

 

 

 

 

 

WTF?

Nunca gostei de democratas encartados e cada vez gosto menos. Passam a vida a demonstrar que têm um entendimento muito particular da democracia e que se resume já nem sequer à vontade geral do estropício do Rousseau, mas se limita à vontade deles próprios. Hoje chega-nos mais um exemplo pela boca do pastor do Primeiro Ministro que nos governa.
Na nossa democracia representativa elegemos 230 burros para nos representar. O papel deles é por nós controlarem governo e o poder, é suposto serem um dos poucos checks and balances da acção governativa, um travão aos abusos de um eventual estupor que lá apareça. Hoje, o chamado Primeiro Ministro resolveu que não tem satisfações a dar aos deputados!! Rais parta isto. E nós engolimos, a imprensa e os indignados profissionais do costume estrebucham com os pobres dos cães que mordem crianças. Um coiso que nem eleito foi, decide pacificamente que não tem que dar satisfações a quem é eleito para representar quem lhe paga o salário e que numa democracia com um mínimo de decência é soberano e é o silêncio quase generalizado. Que merda é esta?

Desejo de morte I

Quando do fuzilamento do Ceaucescu e da Elena fiquei impressionado com o ar de espanto (mais que do medo) do ditadorzinho nas fotos que apareceram. Olhava os executores com o que me pareceu um sincero ar de espanto, de que não podia acreditar que aquilo lhe estava a acontecer, a ele que teria feito tudo pelos romenos que, por sua vez, lhe pagavam fuzilando-o. Não será caso único, os bolcheviques assassinados publicamente por ordem do Lenine e do Estaline devem ter sentido mais ou menos o mesmo. Vem isto a propósito de quê?
Por mais que o tempo passe, parece que há um desejo de morte atávico nas pessoas, não aprendemos nada. Não tenho qualquer espécie de dúvida que, com todos os defeitos, a democracia liberal como a conhecemos desde a WWII é o melhor sistema político que alguma vez existiu neste vale de lágrimas. Nunca fomos tão livres de pensar, dizer ou fazer o que quisermos. E sempre que houve um sistema político que permitia mais liberdade, as pessoas comuns acabaram a abomina-lo e, em consequência, levaram com coisas infinitamente piores. Agora não é diferente. Não faltam entusiastas dos autoritarismos/totalitarismos que vão de coisas como o Bloco, Podemos, Corbyn ou Siriza até ao Wilders, Le Pen ou AfD. O status quo democrata-liberal é uma merda não é?
Os vencedores das revoluções não costumam perdoar a quem os põe no poder. Por muito que os tais entusiastas dos totalitarismos se imaginem a comandar batalhões em parada calçados de botas de montar, ou se masturbem com julgamentos sumários dos capitalistas e burgueses, podem bem acabar com um picador de gelo espetado na testa ou pendurados em bombas de gasolina. É uma tradição dos que recusam a liberdade e lhe preferem a Nacinha ou a igualdade.
Meus caros, a liberdade que nos permite estar aqui a mandar bojardas, não é garantida. E é um bem demasiado precioso para andar com merdas, vejam lá se não vai o bebé com a água do banho, costuma ir.

 

Merde d’socialiste

Um governo socialista procede assim: pega em duas coisas; uma saudável e em bom estado; outra feita num oito sem ponta por onde se lhe pegue; juntas as duas e fica com duas coisas feitas num oito sem ponta por onde se lhe pegue. É o que se está a armar com a Santa Casa e o Montepio. Junta-se um balde de água e um balde de merda seca, fica-se com dois baldes de merda húmida.