Indignados de pacotilha

Parece que o Exmo Senhor Professor Doutor Jorge Miranda é contra os “despedimentos arbitrários”. Como o percebo. Um homem que nunca criou um emprego na vida, preferindo passá-la bem aconchegado na sua redoma tranquila da Faculdade de Direito de Lisboa a doutrinar e estupidificar os portugueses para as tretas do regime, dificilmente conseguiria perceber o que está em causa nesta matéria. A imposição de uma ‘justa causa’ para um despedimento só consegue ser defendida por socialistas, burocratas e por ‘intelectuais de regime’ como ele. Nada de novo, portanto.

guardião de regime

A coerência de um intelectual-artista

Começa com uns nomes simpáticos a quem não concorda com a cultura subsidiada, chamando a estes “tontos”, “filisteus”, “taberneiros”, “analfabetos”.

Continua, na caixa de comentários deste post:

Se o Pedro Mexia tivesse algum argumento não precisaria de recorrer ao insulto.

Comentário por JoaoMiranda — Julho 13, 2010 @ 11:03

(…) Em vez de argumentar contra esse tal contra-argumento (que se calhar ninguém defende, mas que lhe dá jeito para caricaturar o oponente) o Pedro Mexia trata de forma depreciativa quem não concorda consigo.

Comentário por JoaoMiranda — Julho 13, 2010 @ 11:40

João, quem é que não trata de forma depreciativa quem não concorda connosco? Talvez o Kant, mas daí para baixo não há discussão sem agressividade. Veja, nesta caixa de comentários, a bela alusão do seu colega às putas.

Comentário por Pedro Mexia — Julho 13, 2010 @ 11:45

E continua assim, uns dias depois:

Irkutsk

Sou como o Miguel Strogoff: tenho que chegar a Irkutsk, e para cumprir essa missão aguentarei em silêncio insultos e chicotadas. Estou obrigado a uma missão e a um segredo, e nada me desviará disso. Irkutsk nunca esteve tão perto.

às 11:42

Concentração

Ocorre durante o fim-de-semana a concentração motard de Faro. Para os comerciantes e população farenses são 3 dias de festa e alegria*, tão raros na cidade desde que o S.C. Farense desceu às divisões inferiores. So lets ride…

Live to Ride, Ride to Live

Programa do festival no acampamento, aqui.

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*inclusive para os penetras do costume, que teimam em tentar estragar o ambiente (e ganhar umas massas, já agora)

A burca, o espaço público e a liberdade

Faz sentido que o estado proíba as burcas no espaço público? Tanto como proibir as mulheres de andarem com as mamas à mostra fora das praias. Numa sociedade livre, o conceito de ‘espaço público’ seria obviamente absurdo, visto que todo o espaço teria um proprietário bem definido. Ora, é precisamente este conceito que enviesa todo o debate à volta deste assunto. À falta de um proprietário/gestor bem definido, legítimo e responsabilizável pessoalmente, temos o ‘espaço público’, gerido pelos burocratas do estado (câmaras ou governos). Aqueles que argumentam que o estado pode proibir burcas na rua estão implicitamente a legitimar o estado a gerir o dito ‘espaço público’. Esta não é uma visão liberal, mas quem a defende tem pelo menos a obrigação de ser coerente e aceitar qualquer decisão do gestor estado em representação (mais ou menos fidedigna) da maioria das pessoas. Quem defende esta ideia – de que o gosto da maioria deve ditar as regras dentro dos espaços não-privados como as estradas ou ruas, praias ou praças – entra em contradição quando protesta face a pretensos abusos do estado, alegando violações às liberdades individuais. Ou os indivíduos têm liberdades inalienáveis ou não têm, não podem é ter consoante os casos, segundo a conveniência e o gosto pessoal de quem discute. Defender que os polícias possam multar uma mulher que vista uma burca é incompatível com protestos contra a instalação de vídeo-vigilância ou contra que se fume nas ruas. Pensar que esta contradição é irrelevante, e dizer que se deve ser moderado e ‘discutir caso a caso’, é abrir a porta a todos os abusos (o que aliás tem acontecido, para contentamento dos governantes)

Há quem diga que é uma questão de bom senso. Este argumento é pouco sério. Primeiro, ninguém sabe o que é isso do bom senso. O que é bom senso para uns será extravagante para outros e vice-versa. Depois, aquilo que é visto como ‘de bom senso’ vai evoluindo com o tempo. Ou seja, o bom senso não é palpável, não se distingue com rigor e confronta-se com a liberdade das minorias dissonantes dos códigos do momento (que podem ter hábitos vestimentares proibidos porque retrógrados ou vanguardistas). É por exemplo irracional impedir mulheres mais vanguardistas de andarem de bikini nas praias (parece que é moda na América). Apesar de Portugal ser um país muito católico e conservador pode ser que a moda pegue – nunca se sabe… – e as pessoas comecem a aceitar essa peça de roupa na praia. Eu cá acho que o bikini deve deixar de ser proibido.

Também se ouve o argumento da segurança. Debaixo de uma burca pode estar um/a fugitivo/a ou mesmo um barbudo com explosivos ao peito. Acontece que um fugitivo ou um barbudo se podem dissimular de várias maneiras. A mais simples é logo usar um boné de basebol e óculos escuros. Vai-se proibir a conjugação destes dois acessórios? O barbudo também pode esconder os explosivos por baixo de uma parka. Proibição das parkas?

Quem não gosta de ver mulheres de burca na rua (haverá mais do que 10 ou 20 mulheres que diariamente usarão burca em Portugal?) não deve exigir do estado que as persiga. Isso não é liberal. O mais inteligente, justo e liberal é deixar que elas andem nas ruas e esperar que a censura social e a rejeição se exerçam livremente sobre elas (através do insulto ou da discriminação privada no dia-a-dia).

Irão abre bancos a investimento estrangeiro

Em contraste com o proteccionismo do governo português, patente no uso da ‘golden share’  para inviabilizar um negócio privado, o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad, face às novas sanções impostas pelos EUA, parece optar pelo caminho inverso. Decidindo acabar com a limitação ao investimento estrangeiro nos bancos iranianos, mostra uma faceta liberal que merece registo e satisfação.

The Iranian government has lifted a cap on the percentage of shares in Iranian banks that can be owned by a foreign individual or company, reports Bloomberg.

President Mahmoud Ahmadinejad signed an order on June 27 for government departments, including the Ministry of Economy and Finance, to implement the banking law amendment approved by the parliament in May, added Bloomberg.

The original law, which applied to both Iranians and foreigners, restricted the amount of shares in a bank that a single company could own to 10 percent and an individual to 5 percent. Iranian ownership of banks is still subject to the limits, Bloomberg reports.

The US Congress on June 24 approved sanctions on Iran that bar access to the American financial system for banks that do business with the country. The measures also punish foreign suppliers of gasoline to Iran.

Face às sanções injustas e criminosas* de que o seu país é alvo, gestos como este, de paz e liberdade, mereciam pelo menos uma breve referência por parte dos nossos ‘media’ (sempre prontos a destacar-lhe as frases bombásticas e provocações insignificantes). Ainda estão a tempo…

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*Limitações à importação de energia ou ameaças de boicote a empresas que negociem com empresas iranianas, como todas as sanções económicas, prejudicam em primeiro lugar a população do país visado. Estas sanções são tanto mais inaceitáveis que, segundo foi dito na altura das últimas eleições presidenciais no Irão, a maioria da população desaprova as políticas do actual presidente. Ou seja, pagarão os inocentes pelo pecador. Mais: se ao que dizem o presidente iraniano é mesmo um louco, autista e prepotente, é de esperar que nada faça perante as sanções, tal como agiu Saddam Hussein durante anos. Sabe-se que os líderes de regimes encurralados e ameaçados, raramente recuam face a sanções (ver casos de Cuba, Iraque ou Coreia do Norte) e que muitas vezes a aplicação destas pretende, na verdade, dar um primeiro passo em direcção a um ataque militar. Se calhar é mesmo esse o objectivo.

Abramos alas para as ideias

O nível intelectual dos jovens, contrariamente ao discurso dos trogloditas e velhos do Restelo do costume, está muito bem e recomenda-se. Como exemplo temos a circular pelo país uma magnífica redacção sobre a crise actual (está disponível na internet, para os interessados) de uma jovem estudante, ao que parece, do ensino básico, de seu nome Inês Medeiros [será familiar da actriz e cineasta Maria de Medeiros?]. A redacção é sobre a crise, a política, as ideias, a sórdida mesquinhez do salazarismo ou sobre a esquerda do Século XXI, entre outros assuntos. Vale a pena ler pois, apesar da juventude aparente, dá uma lição a muitos ignorantes que escrevem umas coisas disparatadas sobre a presente crise. Aqui ficam uns excertos do texto da Inês:

Continue a ler “Abramos alas para as ideias”

Deputados vão receber mais dinheiro para viagens e transportes

Tenho a certeza de que só uma explicação não-demagógica e bem argumentada poderá justificar que deputados continuem a mamar tenham decidido aumentos encapotados em proveito próprio.

Até lá, vou continuar a pensar que os deputados deviam de ser pagos voluntariamente por quem os elege. Quem sabe não viessem a ganhar mais do que actualmente…