Com a elegância típica de quem se vê forçado a uma posição de condescendência, o Ministro holandês dos Assuntos Europeus esteve num encontro em Lisboa com as nossas “autoridades” para uma lição sobre como se gere um Estado, sempre frisando que a Holanda também comete erros e que melhores dias virão:
- É preciso recuperar confiança e isso significa mostrar à população, ao mundo, aos mercados e à União Europeia de que são capazes de gerir a vossa dívida.
- Se um país viveu acima das suas possibilidades durante décadas, tem agora de pagar o preço.
- A ideia de que não há um preço é tentadora para um político usar perante o eleitorado, em véspera de eleições, mas não é verdade.
- Se um país acumula défices grandes e não tem um crescimento económico forte, a certa altura isso vira-se contra ele.
- A sua vontade de emprestar depende muito de sentirem ou não que esse dinheiro está a ser bem gasto e essa confiança só se conquista com melhorias na governação da zona euro e se países como Portugal agirem de acordo com as regras que todos decidimos.
Não é que os holandeses não nos queiram emprestar, mas, como diz o senhor do Norte, temos de certificar-nos que o dinheiro que emprestamos não é consumido pelas chamas. Claro que aí ele devia estar a pensar na Grécia. O nosso estilo em Portugal é mais afogá-lo em poços sem fundo.