Ter que governar com o dinheiro que há é uma chatice

Na oposição

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No governo

invpub(Fonte: DGO, contas consolidadas da Administração Pública)

Bem lembrado por Catarina Martins

Sucesso a mais, empregos a mais, dinheiro a mais: estão aí as consequências trágicas do liberalismo no turismo

Vale a pena ouvir esta declaração do Adolfo Mesquita Nunes do princípio ao fim. Como é que freguesias com algumas dezenas de pessoas em 2011 ficaram desabitadas após a lei das rendas e do alojamento local (em 2012 e em 2014). Como a criança que abandona o brinquedo semanas a fio mas faz birra porque o irmão decidiu brincar com ele, há um grupo de pessoas que, numa cidade de 100 quilómetros quadrados decidiu há 2/3 anos que queria viver naqueles dois quilómetros quadrados onde nunca ninguém quis viver antes, apenas porque agora está cheio de turistas.

O desfalque de 150 milhões

antonio_costa_jose_socratesEm Maio de 2010 a crise financeira internacional já estava a todo o vapor, Cavaco pedia ponderação nos compromissos de investimentos e o governo preparava-se para apresentar o primeiro plano de austeridade no parlamento. Insuficiente, claro, já que o país haveria de chegar perto da bancarrota apenas um ano depois. Foi nesse mês que, numa cerimónia discreta, o PS de José Sócrates assinou um contrato com um consórcio de construtoras, incluindo o Grupo Lena, comprometendo-se com um investimento a rondar os 1300 milhões de euros numa linha de TGV. Onde é que um país falido iria buscar 1300 milhões de Euros para um investimento não-prioritário? Não se sabia. A verdade é que a construção não chegou a arrancar e dois anos depois foi declarada a morte do investimento que todos sabiam que nunca avançaria. As consequências desse acordo assinado à pressa que se saberia não haver dinheiro para cumprir chegaram hoje: 150 milhões de euros que serão atribuídos às construtoras (entre as quais o Grupo Lena do generoso Carlos Santos Silva) sem nunca terem colocado um carril.

Em 2010, no dia da assinatura do acordo, Luis Rocha no Blasfémias já previa o que aí viria:

Neste momento, estará a decorrer a assinatura do contrato de concessão do troço Poceirão – Caia do TGV. Isto depois de Sócrates ter ontem em Bruxelas “virado o bico ao prego” (sabe-se lá se por pressão da Comissão Europeia ou por “chantagem” de Teixeira dos Santos), disponibilizando-se para adiar as grandes obras “com excepção das que já tiverem sido adjudicadas”.

Quer-me parecer que os compromissos se estabelecem com a assinatura de um contrato, pelo que se pode questionar a pressa em contratualizar já a obra do TGV que, à semelhança de outras já em curso, será fatalmente paralisada por falta de financiamento.

Seria de todo o interesse que o contrato hoje assinado fosse tornado público, designadamente as cláusulas de penalização por incumprimento. Um assunto que deveria merecer a atenção do Parlamento, do Tribunal de Contas e da Procuradoria.

Sanções? Vêm tarde.

9159818005_54ea602f1b_b 1. Os números do défice para efeitos de sanções não são uma ciência exacta. A margem de manobra é escassa, mas podem subir ou descer umas décimas de acordo com o que as equipas dos governos nacionais e entidades europeias negociarem incluir no valor final.

2. Um outro governo teria provavelmente conseguido colocar o défice de 2015 abaixo dos 3% nessas negociações (lembremo-nos que o défice foi de 2,8% sem ajudas a bancos, o que poderia facilmente ter sido negociado). Mas não era esse o interesse de António Costa, a quem importava empolar o défice de 2015 para que os valores de 2016 não pareçam tão maus. E se um país se decide atirar para a espada das sanções, não é a comissão europeia o irá impedir.

3. Mal ou bem, Portugal está no Euro e, pelas mesmas razões pelas quais provavelmente não deveria ter entrado, também não deve sair agora.

4. Foi a leveza com que as regras do euro foram tratadas antes de 2009 que levaram à crise que quase acabou com o euro nos últimos anos. Sem regras, o euro acabará numa próxima crise que até nem precisa de ser tão severa como a anterior.

5. Regras sem sanções não serão nunca levadas a sério.

6. Se Portugal tivesse sofrido sanções no período de 2004-09, provavelmente teria invertido o caminho e estado melhor preparado para a crise financeira. O ajustamento posterior teria sido menor e teríamos, por isso, evitado algum sofrimento pós-crise. Não teria sido patriótico rejeitar as sanções nessa altura e continua a não sê-lo agora.

7. Portugal ajustou seriamente o défice nos últimos anos, pelo que qualquer sanção que não passe por uma “pena suspensa” seria de uma profunda idiotice das entidades europeias, principalmente para um país que foi em grande parte governado pelas instituições europeias desde a crise.

PAN quer proibir caça ao pokemon

025Pikachu_XY_anime_3Segundo o dirigente do PAN, “A caça ao pokemon ensina as crianças desde cedo que capturar animais para uso recreativo é uma actividade aceitável e nós não podemos promover isso”.

Isto podia ser verdade, mas não é. Não se conhece ainda qualquer reacção do PAN à caça ao Pokemon, mas certamente não tardará. Mas no campo dos políticos lunáticos, há outras declarações ainda mais incríveis que são mesmo verdadeiras. Numa altura em que a economia portuguesa trava a fundo, em que há destruição de emprego e investimentos adiados; numa altura em que já nem Centeno acredita que o país atingirá sequer metade do crescimento económico que ele prometia ainda há apenas 6 meses, António Costa vem dizer que é tudo mentira, que os números estão errados e que está tudo a correr às mil maravilhas.

Em meados do ano passado, existia uma forte incerteza em relação às eleições e ao que saíria delas. Muitos investimentos foram atrasados e empregos ficaram por criar na expectativa do que aconteceria no período pós-eleitoral. Esta incerteza é má para a economia, mas quando ela desaparece, seria de esperar que a economia recuperasse. Não foi isso que aconteceu. E não foi isso que aconteceu precisamente porque aquilo que os investidores e empresários receavam que sucedesse, acabou por suceder: o país acabou com um governo inimigo do crescimento económico e da iniciativa privada. As razões que levaram os investidores a atrasarem a criação de emprego, concretizaram-se, não tendo havido a reversão que se esperaria com o retorno à estabilidade política. Todos os números reais que vão saindo, contam essa mesma história. Que o PS se agarre a inquéritos de intenções não concretizadas e com um péssimo histórico a prever crescimento só demonstra a ausência de dados sólidos que contem outra história que não o declínio económico do país.

Gestão estatal dos supermercados

Supermercados venezuelanos limitam venda a clientes registados na zona onde residem

Supermercados de Caracas estão a exigir aos clientes que apresentem um cartão de inscrição nos conselhos comunais da zona ou nos recém-criados Comités Locais de Abastecimento e Produção (Clap), para poderem comprar produtos básicos que escasseiam no mercado venezuelano.
“Cada vez que nos chegam produtos básicos, há centenas de pessoas a fazer fila para comprar, mas muitas delas não sabemos quem são. A ideia é impedir que quem viva noutra zona compre as coisas que são para os clientes que vivem na nossa área”, explicou o administrador de um supermercado à agência Lusa(…)Para os comerciantes a apresentação de um cartão dos Clap pode ajudar a solucionar a falta de abastecimento e a revenda ilegal de produtos, principalmente nos supermercados onde as autoridades ainda não instalaram um sistema de identificação biométrico.
Mas alguns cidadãos queixam-se de que estão a ter dificuldades para fazer a inscrição e dizem temer que mais tarde os seus dados possam ser usados com fins políticos. “Na minha zona (Los Cedros), é apenas às terças-feiras, das 17h00 às 19h00 horas, que fazem as inscrições. Eu trabalho longe não posso estar aí a essa hora, disse Diamela Castellanos à Lusa, manifestando-se preocupada porque tem que mais um contratempo: vive num prédio alugado e os serviços públicos estão no nome da proprietária do imóvel.

Na Venezuela o estado domina o sector do retalho de alimentação, com os resultados que se podem ver na notícia. Os serviços estão limitados aos clientes da zona geográfica do supermercado, há escassez de produtos de qualidade, os mais ricos conseguem obter os produtos de qualidade fora da rede controlada pelo estado, as pessoas têm que se inscrever nas autoridades locais para conseguirem os serviços, e algumas aldrabam a morada para acederem aos melhores estabelecimentos. Será consensual dizer que esta situação do retalho alimentar na Venezuela é um cenário de horror. No entanto, com as devidas adaptações, é exactamente a mesma situação do sector educativo em Portugal, também ele controlado pelo estado. Lá, como aqui, é tudo em nome do bem comum.

Curtas sobre Durão Barroso

1. Durão Barroso já tinha poder limitado sobre a UE quando era presidente da Comissão. Hoje, fora do cargo, tem ainda menos.

2. Se a Goldman Sachs coloca Durão Barroso numa posição tão alta em busca de influência no poder político é porque, para começar, não tem tanto poder assim como dizem.

3. A contratação de Durão Barroso deverá ter mais um efeito sinalizador aos actuais líderes políticos, dando-lhes um incentivo a não levantarem muitas ondas na perspectiva de lhe sucederem no cargo.

4. Como sempre, os comentadores tiram a lição errada disto. O problema não é antigos líderes irem para empresas devido à sua influência política. O problema é as empresas privadas sentirem que têm alguma vantagem em contratar antigos políticos. Quanto maior o poder do estado na economia, mais as empresas sentirão necessidade de obter influência política. Quanto maior o cão, mais pulgas terá.

A avaliação dos ministros – prova de recurso

A propósito do debate do Estado da Nação, alguns colaboradores do Observador uma avaliação dos ministros do governo das esquerdas. Como me pareceu em muitos casos demasiado pessimista, deixo aqui uma avaliação que me parece mais justa:

antonio-costaPrimeiro-ministro (16)

Conseguiu convencer muitos portugueses que acabou com a austeridade sem aumentar a despesa do estado, que baixou os impostos sem afectar a receita fiscal e que adoptou uma política de crescimento apesar de o país estar estagnado. Provou assim que, tal como os socialistas sempre defenderam, ainda há muito investimento a fazer no ensino da matemática em Portugal. Levou o país à final da Europeu, coisa que apenas Durão Barroso tinha conseguido.

Centendo beiçoMinistro das finanças (6)

A maioria das pessoas que passa por um proceso de recrutamento e é rejeitado, deixa uma mensagem agressiva no Facebook e passa para outra. Mas Mário Centeno não é uma pessoa qualquer. Jamais perdoou ter visto uma promoção rejeitada no Banco de Portugal e, qual Uma Thurman, assumiu como missão de vida de vingar essa situação. Para isso, emprestou a sua credibilidade académica a António Costa, sabendo que ele nunca mais a devolveria. Aceitou aldrabar um plano macroeconómico e desenvolver um orçamento que atira para os últimos trimestres de 2016 os custos do “fim da austeridade”. Reza todos os dias por uma crise internacional, tal como o aluno preguiçoso reza para que o mau tempo feche a escola no dia do exame.

NogueiraMinistro da Educação (18)

Patrão fora, dia santo na escola. Enterraram-se as avaliações dos professores e os exames aos alunos no final de ciclo que permitiam avaliar o efeito das escolas na aprendizagem. A seu tempo, eliminar-se-à toda a concorrência das escolas privadas na prestação do serviço público. Temos um serviço público em que nem escolas nem professores são devidamente avaliados, e sem concorrência para comprovar que é possível fazer mais com menos. Os bons professores perceberão rapidamente que não vale a pena esforçarem-se tanto. Há alguma justiça nisto: os miúdos que hoje têm 6 anos nunca irão saber o que é viver sem internet e provavelmente nunca terão que tirar a carta. É bom que sofram com alguma coisa.

Retrato_Oficial_de_Augusto_Santos_SilvaMinistro dos Negócios Estrangeiros (14)

Um bom prémio de carreira para quem esteve sempre lá disponível para todos os líderes do PS. Está na posição certa para sair dali para um cargo internacional onde se pagam salários de alemão com horários de trabalho à francesa. Um prémio merecido: com as suas capacidades, muito poucos se disponibilizariam a fazer o que ele fez ao longo de anos.

Maria-Manuel-Leitao-MarquesMinistra da Presidência e da Modernização Administrativa (16)

Graças a ela, iremos poder deixar de preencher o papel X para o procedimento Y, bastando para isso preencher o papel Z. Conseguiu transformar um conjunto de directivas europeias em medidas de um novo simplex. Manteve-se firme ao lado do seu primeiro-ministro enquanto ele exibia uma bugiganga que comprou num aeroporto na apresentação do seu programa mais importante, demonstrando uma lealdade à prova de bala. Sem ir ao google, alguém se lembra do nome dela? Não? É bom sinal.

Azeredo LopesMinistro da Defesa (12)

Portugal tem uma tropa mansa e apática. Azeredo Lopes conseguiu irritá-los, o que pode dar jeito numa futura intervenção militar. Se a NATO não nos quiser atribuir outra função, o nosso exército pode ser sempre responsável pela organização da primeira parada gay no Iraque. As pernas do ISIS até tremem.

imagegen_96176031Ministro da administração interna (12)

Abriu a porta do país aos refugiados, mas poucos quiseram vir. Dos poucos que vieram, muitos já se refugiaram noutros países europeus, onde há mais mesquitas e onde podem ter aquilo…como se diz… ah… sim… empregos.

Van DunenMinistro da Justiça (20)

Toda a gente conhece na faculdade aquele aluno mais calado, que não vai às festas e no qual ninguém repara, mas que acaba por ter a melhor média do curso. O objectivo de nomear uma antiga procuradora do ministério público para a justiça será entendido em breve. Aguardemos.

Gov-MinistroAdj-EduardoCabrita

Ministro adjunto (15)

Ficou conhecido por roubar o microfone a um secretário de estado. É portanto o homem certo para roubar a cadeira a alguns gestores públicos para lá colocar as pessoas certas. É colega de trabalho da mulher e por isso merece a solidariedade de todos nós.

vieiradasilvaMinistro da Segurança Social (14)

Tem como única função convencer a geração dos que nasceram depois dos anos 70 de que irão ter uma pensão aos 65 anos. Conseguiu que fosse eliminada a taxa sobre as pensões milionárias que tanto preocupou os comentadores televisivos em pré-reforma.

Adalberto_Campos_FernandesMinistro da Saúde (12)

É o puto pequenino de óculos do recreio do governo. Quando é preciso alguém para apanhar porrada (leia-se, ter os fundos cortados) será sempre a primeira vítima. Não por liderar um sector pouco importante, mas porque aqueles que sofrem com os cortes na saúde têm menos capacidade para protestar. Ainda não conseguiu evitar que morram pessoas nas urgências dos hospitais, um sítio que, como todos sabem, só é frequentado por pessoas cheias de vitalidade.

Retrato_oficial_Pedro_MarquesMinistro do planeamento e das obras públicas (8)

Não há dinheiro e o país já está mais coberto por asfalto do que o Quaresma por tatuagens. Mas havia um gabinete vazio e era chato um governo PS não ter um ministério para as obras públicas. Está no topo do ranking português do Minecraft e do Fruit Ninja.

mm-ana-paula-vitorino_2-610x310Ministra do Mar (12)

Em visitas oficiais, dorme no mesmo quarto de hotel do ministro adjunto, o que deve ter poupado o suficiente para pagar o Mercedes do Costa. Só por isso já valeu a pena as dezenas de milhares de Euros que o país perdeu desde o dia em que ela disse que o conflito com os estivadores estava sanado (em Janeiro) e o dia em que ficou mesmo resolvido (em Junho).

Retrato_oficial_Caldeira_CabralMinistro da Economia (18)

Um cargo honorário, já que os destinos da economia se decidem em todos os outros ministérios. No ministério do nada, só se pede a um ministro que não estrague e é isso que tem feito. Acrescentou uma valiosa linha ao currículo e será o centro das atenções nos jantares de família nos próximos 30 anos. Objectivo cumprido. Se o governo se mantiver tempo suficiente, o mais certo é dar o lugar a outro com as mesmas aspirações.

Hoje é dia de futebol, ou como é conhecido pelo governo: “Dia de dar notícias sobre a Caixa”

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Ferro recusa auditoria externa à Caixa pretendida pela direita
O Presidente da Assembleia da República aceitou o parecer, feito por um deputado o PS, que dizia ser inconstitucional o pedido de auditorias externas à CGD e ao Banif propostas pelo PSD e CDS.

As contas públicas estão controladas

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Perdão, esta notícia é de Janeiro de 2011. Outro ano em que estava tudo bem.

Deixem-me então colocar uma imagem das contas públicas mais recente. Aqui está:

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A ilusão da esquerda com o Brexit (2)

O Reino Unido vai mesmo sair. Na sequência do meu último artigo sobre o assunto, e para quem tinha ilusões de que uma crise na União Europeia poderia resultar em mais dinheiro e mais tolerância para as contas públicas dos países do sul, fica a evolução do valor das dívidas públicas depois de anunciado o resultado:

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Países do norte com dívida a valorizar e do sul com dívida a desvalorizar. No fundo dos que mais perdem: Grécia, Chipre e Portugal.
Depois de uma fase inicial, a tolerância para com os países do sul vai diminuir drasticamente. Para a maioria dos países da UE, em especial aqueles com mais laços comerciais com o Reino Unido, a UE é demasiado suave com a Grécia e Portugal. Os países do norte ganharam poder negocial dentro da UE com este resultado. Os eleitorados alemão, dinamarquês, finlandês, sueco, etc querem mais dureza no tratamento e não menos. Será para esses eleitorados que a UE se irá virar, nem que isso signifique perder um país do sul. Convinha estarmos conscientes disso, para não sermos nós o cordeiro do sul a sacrificar.

500 Euros a cada português

pickpocket-crimeSe vive numa casa com mais 3 pessoas, hoje sairam-lhe 2 mil euros do bolso para alimentar a Caixa Geral de Depósitos. Provavelmente não reparou porque o governo fê-lo mesmo antes do jogo com a Hungria. Enquanto estava distraído, Mário Centeno anunciou que cada português, incluindo crianças, irá dar 500 euros à Caixa Geral de Depósitos para compensar as perdas em empréstimos para projectos como o do Vale do Lobo ou a fábrica da La Seda em Sines.
Para percebermos melhor as dimensões, esta injecção de capital na Caixa corresponde a cerca de 500 vezes mais o que o governo diz que vai poupar com contratos de associação.

Para memória futura

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Estamos em Junho de 2016 e estas 4 pessoas estão absolutamente alinhadas nas decisões que estão a ser tomadas para o país. Bloco e PS governam e o PCP organiza manifestações de apoio ao governo e aos seus ministros. Marcelo apadrinha cada decisão. Para que daqui a uns anos não haja a tentação de alguma destas pessoas se vir a desresponsabilizar pelas consequências, fica aqui a nota. Neste momento, em Junho de 2016, Portugal é harmoniosamente governado por uma união das esquerdas: da esquerda comunista à esquerda social-democrata de Marcelo. A geringonça é sólida, harmoniosa e solidariamente responsável por tudo, de bom e de mau, que venha a acontecer.

De que tem medo a famiglia Geral de Depósitos?

simpsonsA família Espírito Santo, e respectivo banco, que andou anos a desviar recursos da economia para os seus negócios, caiu com estrondo. A família Geral de Depósitos anda há dias atarantada com a possibilidade de haver uma Comissão Parlamentar de Inquérito à Caixa. Da esquerda à direita nota-se o desconforto com a proposta de Passos. Deputados do PS e do Bloco de Esquerda desdobram-se em debates e declarações, tentanto atribuir outras intenções à Comissão Parlamentar de inquérito, tudo para convencer a opinião pública de que o melhor é dar mais 4 mil milhões e não fazer muitas perguntas. Jornais amigos repetem notícias sobre aquilo que Passos conhecia ou não, como se os créditos problemáticos não fossem conhecidos de todos. Sócrates, que é falado dia sim dia não por vários outros motivos, sentiu a necessidade de sair da toca para se opor a esta comissão. A família Espírito Santo já caiu. Será que a família Geral de Depósitos tem receio que lhe aconteça o mesmo se o banco for devidamente investigado? Será que o BES foi uma pequena cortina de fumo a esconder algo bastante maior?

Os dois modelos de escola pública, segundo os seus utentes

burning_euroHá dois modelos de escola pública: um gerido centralmente pelo ministério da Educação e dominado pela FENPROF (a escola estatal), e um segundo representado pelos contratos de associação, gerido de forma descentralizada pelas administrações dos colégios e respectivos professores. O primeiro até custa um pouco mais, mas vamos assumir agora que recebem o mesmo para saltar essa discussão.

O segundo modelo (dos contratos de associação) foi acusado de dar luxos desnecessários aos alunos (piscinas, aulas de equitação, etc) e é, geralmente, o preferido pelos pais nas zonas onde se implementa (se não fosse, a questão dos contratos de associação nem se poria). Já o modelo de escola estatal que, lembremo-nos, recebe o mesmo dinheiro por turma, foi ontem descrito assim por um seu aluno:

“Passei por quatro escolas públicas. E em todas há matérias que ficaram por dar porque não havia material, visitas de estudo que não se fizeram porque não havia dinheiro. (fonte)

Curiosamente, este aluno defendia que o dinheiro da escola pública deve ficar com quem deixa matérias por dar do que para quem dá a matéria toda e ainda lhes sobra dinheiro para piscinas e aulas de equitação. A defesa da escola pública obtém-se transferindo dinheiro de quem gere melhor para quem deixa matérias por dar por falta de material. Se calhar, o problema da escola pública é mesmo não haver uma disciplina de economia logo no 5º ano.

Casos da vida real: as vítimas do AirBnB

arrumador_alges– Bom dia, como é que se chama?
– Tó Zé.
– Qual é a sua profissão?
– Drogado.
– A sua profissão é drogado? Não tem um emprego, não estudou?
– Sim, eu tenho um doutoramento em sociologia. Podia dizer que sou sociólogo, mas para não passar vergonhas digo só que sou drogado.
– E então, você era um jovem morador aqui no centro do Porto?
– É verdade. Está a ver aquela casa ali pintada de novo, com aquelas portas vermelhas? Era ali que eu morava. Que saudades de ter ali a pedra à vista e umas tábuas de madeira em vez de uma porta. Isso é que eram tempos. Foi uma sorte que eu tive: o gajo que ocupava aquilo antes de mim, morreu de overdose mesmo na altura em que eu estava à procura. É que fica mesmo aqui junto ao melhor canto para arrumar carros.
– Mas o dono não se importava que você estivesse ali? Não chamava a polícia?
– Não, que eu pagava renda. Quando ele vinha cá, dava-lhe sempre 1€ pela renda e ele não se importava. Depois vim a saber que ele nos andava a enganar porque a velha de cima só pagava cinquenta cêntimos. Sabe como é: as pessoas vêem que nós somos novos e aproveitam-se. Mas ele gostava muito de nós. Estava sempre a brincar connosco: “Se vocês mataram a velha dou-vos 500€”, ou “Então, mataram a velha?”, “Eu estava a falar a sério, dêem uma porrada na velha”. Enfim, tinha piadas um bocado repetitivas, mas estava sempre na brincadeira.
– E havia muitos jovens como você aqui na baixa do Porto?
– Sim, éramos muitos. Casa sim, casa não, era um drogado. Bons tempos. Durante o dia roubávamos carteiras na Foz. À noite vinhamos para aqui roubar-nos um aos outros. Era uma espécie de esquema de redistribuição. Éramos uma verdadeira comunidade. Depois de tomarmos a dose, deixávamos a seringa na rua para o próximo que viesse não tivesse que gastar dinheiro numa nova.
– E depois o que aconteceu?
– Depois veio a AirBnB e começaram a alugar casas a turistas aqui na zona. No princípio até foi bom. Vieram mais turistas o que nos facilitou a vida. Tínha-mo-los aqui mesmo à porta, não precisávamos de ir para a Foz roubar carteiras. Era só esperar que chegassem ao alojamento à noite e pumba: tínhamos o dia feito. Mas era demasiado bom para ser verdade. Um dia chegou cá um homem que disse que nós tinhamos que sair da casa para ele a renovar. Parece que o dono vendeu o prédio, velha incluída, a um emigrante que queria alugar a turistas.
– E a baixa mudou muito?
– Muito. Hoje já não se vê um jovem drogado à noite. Nem uma seringazita no chão a lembrar os bons velhos tempos. Depois de anoitecer isto está sempre ocupado, cheio de gente, já não há canto escuros sem gente para roubar um turista sem ser apanhado. Costumava ser um sítio tão sossegado… Depois do pôr-do-sol, a baixa era toda nossa.
– Então e o que é que fez?
– Tive que me mudar para outra zona. Hoje já só consigo palmar as carteiras de uns estudantes, mas eles não têm tanto dinheiro como os turistas e vão à polícia mais vezes. Enfim, de vez em quando lá apanho um Erasmus para lembrar os bons velhos tempos, mas não é a mesma coisa.
– Tem alguma mensagem que gostaria de enviar ao governo?
– Sim, gostaria de apelar ao governo para acabar com a AirBnB, devolver as baixas das cidades a jovens como eu, que sempre habitaram aqui. Ou, vá lá, que me dêem uma bolsa de pós-doutoramento para compensar.

As virtudes da gestão pública da banca

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Fica aqui uma pequena pista sobre a razão pela qual o Bloco de Esquerda e o PS não querem uma comissão parlamentar de inquérito a um banco que custará mais aos contribuintes que BES e BANIF juntos.

28 de Junho de 2007

Governo aprova dois contratos de investimento no montante total de 535 milhões

O Governo aprovou hoje, em Conselho de Ministros, as minutas de dois contratos de investimento, num total de 535 milhões de euros. As empresas em causa são a Pescanova e a La Seda. Os dois projectos vão criar 350 postos de trabalho.

13 de Março de 2008

Sines: Sócrates promete investimentos públicos para acompanhar privados
“São obras decisivas não apenas para Sines, mas para o País”
, disse José Sócrates,(…)
O chefe do governo, que falava na cerimónia de lançamento da primeira pedra na nova fábrica de plásticos — Artenius Sines — da grupo espanhol La Seda referiu ainda como prioridade a ligação ferroviária a Sines, em fase de avaliação de impacte ambiental.

10 de Junho de 2009

Caixa assegura viabilidade financeira de curto prazo da espanhola La Seda
A Caixa Geral de Depósitos injectou 25 milhões de euros na espanhola La Seda(…)

10 de Julho de 2009

La Seda pede 488 milhões de euros à CGD para viabilizar fábrica de Sines

7 de Agosto de 2009

La Seda penhorou acções de nove empresas por 25 milhões da CGD
Em plena crise financeira, já com várias unidades temporariamente encerradas por falha de tesouraria, a La Seda de Barcelona acordou em Junho um empréstimo de 25 milhões de euros do accionista Caixa Geral de Depósitos (CGD)

28 de Outubro de 2009

CGD cede mais 10 milhões à La Seda para continuar Sines

3 de Agosto de 2010

La Seda assegura colocação total do aumento de capital
Período de subscrição preferencial captou 75 milhões de euros, acima dos 50 milhões que eram pretendidos pela empresa espanhola, onde a CGD é o maior accionista.

5 de Agosto de 2010

Fábrica da La Seda em Sines recebe crédito de 226,5 milhões
A fábrica de PTA da Artenius Sines, subsidiária a 100% da La Seda de Barcelona, tem financiamento garantido. É essa a conclusão que a própria petroquímica tirou, ao anunciar que o primeiro desembolso do “projecto finance” contratado com um sindicato bancário liderado pela Caixa Geral de Depósitos está disponível a partir de hoje.

28 de Julho de 2011

A fábrica da Artlant em Sines, a antiga Artenius, entrou na fase de testes, que precede o arranque da operação comercial, previsto ainda para este ano.
A fábrica, cujo investimento foi iniciado pela La Seda de Barcelona e ascende a 500 milhões de euros, arrancou com a realização de testes a todos os equipamentos instalados, o que deverá durar três meses, informou a empresa

29 de Fevreiro de 2012

La Seda quer construir nova fábrica em Sines

18 de Junho de 2013

Caixa perde mais de 120 milhões com investimento na La Seda

3 de Fevereiro de 2014

Justiça decreta liquidação e dissolução da La Seda

21 Fevereiro de 2015

Trabalhadores da Artlant PTA em Sines em regime de `lay-off` nos próximos meses

14 de Junho de 2016

 

2,3 mil milhões de empréstimos estão em risco na Caixa
O maior devedor é o grupo Artlant – com 476 milhões
– que planeava construir em Sines um dos maiores projectos industriais de Portugal.

 

O direito à posse de arma: a história do milionário e da mulher que não era prostituta

Screen Shot 2016-06-13 at 12.01.21 PMExiste uma piada sobre um milionário que se aproxima de uma mulher num bar e lhe promete 10 milhões de euros a troco de uma noite de sexo. A mulher, habitualmente casta e reservada, não resiste à tentação de resolver de vez a sua vida naquela noite e aceita o pedido. Chegados ao quarto, o milionário diz que mudou de ideias e só está disposto a oferecer 50€, ao que a mulher indignada responde: “Acha que eu sou uma prostituta?”. O homem calmamente responde: “Isso já estabelecemos no bar, agora vamos discutir o preço”.

Há na discussão sobre a legalidade da posse de arma um binarismo que a polui e a torna inconclusiva. Vamos então por partes:

“Proibir armas, sim ou não”

Ninguém no seu perfeito juízo aceitaria que, se tal fosse possível, qualquer pessoa pudesse comprar uma bomba nuclear. Não faz sentido à sociedade correr esse risco em nome da liberdade ou do direito a auto-defesa. Também ninguém no seu perfeito juízo aceita que se imponham restrições à posse de objectos potencialmente fatais como facas de carne, motosserras eléctricas ou candelabros. Ou seja, nesta história ninguém é prostituta, nem casta. Tentemos então encontrar o preço certo.

“Não são as armas que matam, são as pessoas”

Aí está uma grande verdade, com uma enorme falácia implícita. A falácia está em pensar de forma binária nas pessoas: há umas capazes de matar e outras incapazes. As capazes encontrarão sempre o instrumento certo, nem que seja por via ilegal, pelo que a maior disponibilidade de armas não afecta essa possibilidade. A verdade é que o ser humano é instável com diferentes propensões a agir violentamente. Pessoas normalmente calmas e pacíficas podem ter momentos de explosão (influenciados pelo álcool, por uma discussão mais acesa, por um desgosto amoroso, por uma depressão etc). Nesses momentos (que podem durar alguns dias ou apenas alguns segundos), os meios disponíveis durante esse período contam bastante para as consequências. O aluno que é humilhado pelos colegas de escola tanto pode esfaquear um deles se tiver acesso a uma faca, como atirar sobre dois ou três se tiver acesso a um revólver manual, como assassinar 30 se tiver acesso a uma arma semi-automática. O amante apanhado em flagrante tanto pode acabar com um olho negro como numa poça de sangue juntamente com os vizinhos e mais umas pessoas que por acaso passavam em frente à janela do hotel, dependendo dos meios ao dispor do marido traído no momento em que os apanha. Por isso, é verdade que são as pessoas que matam, não as armas, mas a disponibilidade de armas é fulcral para a resolução de situações extremas.

“Se todos tiverem armas, os verdadeiros criminosos terão mais dificuldades em levar a cabo assassinatos em massa”

É bastante provável que isto seja verdade. Se houvesse gente armada (do lado das vítimas) no Bataclan ou em Orlando, é provável que tivessem morrido menos pessoas. Claro que esta posição esquece um custo implícito, que já vem mencionado acima. Enquanto que ter muitas pessoas armadas provavelmente evitaria grandes assassinatos em massa, também causaria mais pequenos assassinatos em momentos de explosão (em que o(s) interveniente(s) não pensa(m) tanto nas consequências das suas acções). Permitir armas em ambientes de aglomeração também exponencia as consequências de momentos de tensão. Tanto o Bataclan como o bar gay de Orlando eram zonas onde as armas eram proibidas o que facilitou o assassinato em massa. Permitir a entrada de pessoas armadas em estabelecimentos deste género talvez evitasse grandes assassinatos em massa, mas permitiria muitos mais pequenos assassinatos pela disponibilidade pronta e generalizada de armas. Todos os dias milhões de estabelecimentos nocturnos e salas de espectáculos operam sem assassinatos em massa, mas com momentos de exaltação extrema que acabam em pequena violência. A disponibilidade de armas, mesmo de pequeno porte, nestas situações poderia multiplicar muitas vezes o número de mortes, mesmo que evitasse algumas nos raros casos de assassinatos em massa.

Mas afinal que armas deveriam ser permitidas?

Como qualquer aluno de uma licenciatura de economia sabe, os monopólios tendem a gerar subprodução do produto monopolizado, o que é normalmente mau para a sociedade. No caso da violência, isso não é necessariamente mau. Dar ao estado o monopólio da violência foi um dos passos fundamentais para a pacificação das sociedades ocidentais. Claro que o estado não é (e ainda bem) omnipresente. Há sempre uma componente da defesa individual que não pode ser deixada ao estado. É concebível pensar em ocasiões em que ter um revólver manual possa ser útil para a defesa individual. Já ter uma arma semi-automática capaz de disparar 20 tiros num minuto sem recarregar não entra nessa categoria. As situações em que um indivíduo precisa de disparar 20 tiros num minuto para se defender serão aquelas situações (guerras, conflitos de rua, etc) em que cabe ao estado fazer essa defesa. Inevitavelmente, essas armas acabam por ser utilizadas maioritariamente em situações de ataque e não de auto-defesa. Este parece ser um nível razoável onde colocar o limite no direito à posse de arma: aquelas armas que servem para defesa individual em locais e situações onde o estado não possa ter esse papel.

A ilusão da esquerda com o Brexit

Nordic_cross_flags_of_Northern_Europe.svgAnda por aí algum entusiasmo entre a esquerda portuguesa perante a possibilidade de uma saída do Reino Unido da União Europeia permitir mais desvarios internos. Esse entusiasmo resulta de uma fraca compreensão da origem da insatisfação de alguns países do norte europeu com a União Europeia. Os ingleses, e outros, não estão insatisfeitos com a União europeia porque esta impõe austeridade aos países do Sul. Entre outros aspectos mais relevantes (como imigração ou a legislação europeia), os países do norte da Europa estão insatisfeitos por a UE não ser mais dura com os países do sul. O eleitorado (aqui convém sublinhar que é acima de tudo o eleitorado e não Schauble ou Merkel) dos países do norte da Europa não quer pagar mais bail-outs, não quer subsidiar mais os défices de Portugal, Espanha e Grécia. A fonte da insatisfação de Alemães, Holandeses, Finlandeses (já para não falar de países do leste da Europa) não é com a austeridade imposta aos países do sul, mas com a benevolência com que, a seus olhos, países como Portugal e a Grécia são tratados.

Se o Reino Unido sair da União Europeia, a União Europeia fará tudo para manter os países escandinavos (os próximo na fila para saír – ver aqui, aqui, e aqui) satisfeitos. Convencê-los a ficar não passará por mais benevolência com os países do sul, com mais atirar de dinheiro dos contribuintes desses países para as contas públicas da Grécia e de Portugal. Será precisamente o oposto. A União Orçamental, já hoje politicamente improvável, passará a ser impossível.Não se sabe mesmo se prescindir de 1 ou 2 países do sul para não os ter que subsidiar eternamente até não será um custo que a União Europeia estará disposta a incorrer para manter o resto da União Europeia, principalmente a Zona Euro, unida.

É preciso ter muito cuidado com aquilo que se deseja.

Onde há hospitais públicos, não se paga a clínicas privadas

a043d532aa872ef4677ae59727d6fd97Saúde-se a coerência do Bloco de Esquerda, que agora quer cortar na linha de salvação de muitos utentes do Sistema Nacional de Saúde: as cirurgias e os exames realizados no sector privado. Com hospitais públicos e centros de saúde ali ao lado, certamente com salas vazias durante algumas horas por dia, não se percebe porque não podem fazer mais operações e colonoscopias nos hospitais públicos. Não queres esperar um ano para aliviar essa dor profunda que te atormenta? Queres escolher um hospital privado? Então paga! Senão, espera no público como os outros. Não importa que os privados façam a coisa mais barata e mais rápida. Ainda para mais, muitas destas clínicas e hospitais privados são de ordens religiosas. Os doentes ainda se arriscam a fazer um TAC não laico ou ter que encarar uma imagem de São Justino enquanto fazem uma colonoscopia.

No ano passado foram 36 milhões de Euros (0,4% do orçamento do SNS!) em vales cirurgia apenas para pessoas que já esperavam há mais 6 meses. Não significasse isto que algumas pessoas irão morrer e outras ficarão com mazelas para a vida (já para não falar no custo para os contribuintes) por causa de uma obsessão ideológica, e eu diria para avançar. Talvez os 80% de portugueses que acham muito bem que se feche boas escolas da rede pública, apenas por serem geridas por privados, percebessem que a oferta de educação não são 4 paredes, que ter uma escola pública ao lado não significa que haja oferta educativa, da mesma forma que oferta de serviços de saúde também não são 4 paredes. Talvez alguns comentadores moderados entendessem que gerir bem a coisa pública é garantir que os serviços públicos são da melhor qualidade possível ao melhor preço, independentemente de quem os presta. Ao contrário da má gestão do sector da educação, no sector da saúde os resultados da má gestão são imediatos e palpáveis. Talvez isso modere a Geringonça nesta questão.

O elefante

elephantNos últimos 10 anos, o buraco da Caixa foi maior do que o do BES e BANIF juntos. Num momento em que se preparam para levar mais uma injecção de 4 mil milhões, o Bloco de Esquerda não vê razões para comissão de inquérito à Caixa e o governo vai decidir hoje o fim do tecto salarial aos administradores da Caixa. Mais umas semanas, e lá virão os do costume defender que a banca deve ser gerida pelo Estado, que nas mãos de privados é um perigo para os cofres públicos.

Vacas aladas, cabeças…

h6XhKm7TNs-6Estava eu a passear pela cidade, quando um pombo me presenteou com uma daquelas coisas com que os pombos por vezes presenteiam as pessoas que se passeiam cá por baixo. Sem alternativa consolei-me no facto de, pelo menos, não ter sido uma gaivota ou outro animal voador maior.
Houve um tempo em que parecia que as vacas voavam em Portugal. Que se poderia gastar até ao infinito, dar tudo a todos, agradar a todas as corporações, fazer tudo sem custos. Ciclicamente, os portugueses acreditam mesmo que vacas aladas é garantia de leite fresco a jorrar dos céus. Mas os portugueses que têm os pés assentes na terra sentiram na sua cabeça o peso das consequências de ter vacas a voar. Tenho dúvidas que queiram voltar a ser presenteados dessa forma, mas, se calhar, sou optimista.
Foi nessa altura que me lembrei de um slogan genial para a situação política que ciclicamente se abate sobre Portugal. Apressei o passo para vir para casa escrever-vos esta prosa e colocar esse slogan no título. Como tantas vezes acontece com as boas ideias, esqueci-me do genial slogan antes de conseguir tocar no teclado. Vacas aladas, cabeças… hummm… Bem, deixarei à criatividade dos leitores completar o slogan.

Portugal start-up – António Costa convence empresário a investir em Portugal

startupFoi lançado estes dias o programa start-up Portugal, tendo em vista atrair investidores em start-ups tecnológicas. Na fotografia, temos António Costa discursa na sessão de inauguração. O que ficou por divulgar foi o diálogo que António Costa teve com um investidor logo a seguir à conferência. As nossas fontes conseguiram gravar o diálogo. Fica aqui em exclusivo mundial no Insurgente António Costa a tentar convencer um investidor estrangeiro a instalar-se em Portugal:

António Costa: Boa tarde, senhor investidor! Pronto para trazer o dinheiro para Portugal?

Investidor: Sim senhor, o país é fantástico, cheio de sol e tenho grandes ideias de investimento.

António Costa: Conte-nos tudo. Nós estamos aqui para ajudar.

Investidor: Eu vi que alguns táxis são fraquinhos, enganam os clientes, e é impossível saber de antemão se os condutores são bons ou não. Tenho um sistema fantástico que permite que os clientes saibam logo quanto irão pagar pela viagem, em que podem ver as avaliações do condutor dadas pelos anteriores clientes, e onde é possível saber sempre onde estão os carros mais próximos. Para além disso, qualquer pessoa pode inscrever-se e ganhar algum dinheiro extra ao fim-de-semana quando são precisos mais táxis, bastando ter um telemóvel e uma carta de condução. Não é uma grande ideia?

António Costa: Pois… Isso já vai ser difícil. Sabe que em Portugal são precisas licenças para essas coisas e nós não estamos a dá-las, senão os taxistas, sabe como é que é… Não tem outra ideia?

Investidor: Sim, sim, também vi aquelas casas abandonadas nos centros das cidades. E se as pessoas pudessem alugar a casa na internet como se fosse um hotel? Tenho a certeza que muitas iriam requalificar essas casas para alugar a turistas. Outras ainda podem alugar a sua própria casa de vez em quando para ganhar algum dinheiro extra. Dá sempre jeito, em vez de ter a casa vazia.

António Costa: Ahhh… Lamento. Nós queremos ver se acabamos com isso. Sabe, temos turistas a mais e os hoteis queixam-se de concorrência desleal. Não tem outra ideia?

Investidor: Está difícil… Já sei! Eu vi que o seu governo gasta imenso com educação e os resultados não são por aí além. E se eu montasse uma rede de escolas de melhor qualidade ao mesmo preço? O governo só precisava de me pagar aquilo que já paga pelos alunos na escola pública e, olhe, pelas minhas contas ao fim de alguns anos com esse dinheiro que vocês gastam com a escola pública, até piscinas conseguiríamos ter em todas as escolas. Ensino de topo, boas infraestruturas, apenas com o mesmo dinheiro que já gastam agora. Uma proposta irrecusável!! O que diz?

António Costa: Pois, isso também não vai dar. Sabe que o Mário Nogueira só gosta de negociar connosco. Diz que ter escolas privadas é uma chatice, não fazem greve quando ele quer, não pagam quotas do sindicato. Enfim, coitado do homem. Ah, e a Constituição… Sabe que depois de 40 anos descobrimos que a Constituição obriga o estado a ter uma escola estatal em todo o lado? Demoramos 40 anos a perceber isso. Enfim, escrevem a constituição em letras pequeninas, sabe como é….

Investidor: Isto está mesmo difícil… Tenho outra ideia. Eu vi que têm muitos desempregados em Portugal e mesmo alguns empregados altamente qualificados que ganham mal. E se criasse uma plataforma online que permitisse a alguns desses desempregados e a pessoas com salários mais baixos fazerem pequenos trabalhos para todo o mundo a partir de casa? Também era bom para pais em licença parental ou reformados que queiram continuar activos e ter algum rendimento extra. O que acha?

António Costa: Trabalho precário?! Nem pensar! Você é um neoliberal que claramente não entende a cultura portuguesa. Olhe, tenho uma proposta, que tal uma rede social mas só para políticos e militantes de partidos? Assim tipo Linkedin, mas só com boys partidários. Às vezes no governo queremos encontrar um militante do PS que saiba de computadores e somos obrigados a fazer concurso público. Uma chatice. O que acha?

Investidor: Bem, não era o que eu tinha em mente, mas pode ser uma boa ideia e bem adaptada realidade local! Vou já investir! Se a coisa correr bem, irei fazer imenso dinheiro e ficar milionário!

António Costa: Bem… Nós aqui também não gostamos muito disso. Estamos a lutar contra a desigualdade salarial. No máximo poderá ganhar 5 vezes mais que a sua empregada de limpeza. A prazo, gostaríamos de reduzir este rácio para 1, ou até menos!

Investidor: Mas então quer que eu invista, mas não posso ganhar dinheiro?

António Costa: Parece que já concluímos que a parte de montar empresas, fazer negócio e ter ideias é uma chatice que só incomoda as pessoas. Não quer só enviar o dinheiro para cá e deixar-se dessas coisas?

Investidor: Entendo…OK… Desculpe, o meu telemóvel está a tocar… é um número irlandês. Tenho mesmo que atender…

O enviesamento da SIC e os contratos de associação

De alguns anos para cá vejo muito pouca televisão. Limito o meu tempo em frente ao ecrã a algumas séries e aos 15 minutos de som de fundo quando tomo o café. Por isso até hoje nunca tinha prestado grande atenção ao que as televisões iam dizendo sobre o tema dos contratos de associação. Hoje ouvi a Sic Notícias a tratar precisamente desse assunto a propósito da manifestação à porta do congresso do PS. Num país decente, com comunicação social imparcial, estar-se-ia a discutir duas coisas:

1. Quanto custa ter alunos nas escolas privadas com contrato de associação e quanto custa tê-las na escola pública?
2. Quais as escolas que garantem a melhor educação para os alunos de cada zona?

Em vez disso, ouvi o Bernardo Ferrão dizer que os colégios viviam há muito tempo, e cito, “à mama do estado”. A repórter repetiu incessantemente que era uma manifestação dos colégios privados, como se estivessem ali professores do Colégio Alemão ou do Colégio Moderno, e não de escolas que prestam serviço público há anos, mas que são geridos por privados. Em tom irónico, a repórter ia repetindo que “por coincidência” os manifestantes só faziam barulho quando havia directos. Pelo meio acharam bem noticiar que um orgão do governo estava a investigar dois colégios por manipularem pais e alunos para irem a uma manifestação contra o próprio governo (uma atitude pidesca). Com tantos manifestantes à porta, foram ouvir a opinião de uma militante do Partido Socialista dentro do pavilhão. Uma militante que “por motivos pessoais” até tinha os filhos num colégio privado. Mas que tinha pago com o seu próprio dinheiro, como se a escola pública também não fosse paga com o próprio dinheiro dos contribuintes.

Com a ajuda da imprensa, o governo está a ganhar a batalha das ideias. Não importa que fique mais barato aos contribuintes e que o serviço até seja melhor, o que importa é que “o dinheiro dos contribuintes não é para ir para colégios privados”, mesmo os que andam a prestar serviço público de qualidade há décadas. Não importa que apenas uma ínfima parte do custo do serviço educativo esteja nos edifícios, o que importa é que há ali uma escola pública ao lado e não queremos “duplicação de serviços”. Com o enviesamento da imprensa, com a ajuda de comentadores e políticos com dinheiro para colocar os seus filhos em escolas privadas, o ensino público ficará mais pobre no próximo ano. A FENPROF ganhará mais uns súbditos, a elite política e comentadora continuará a colocar os filhos em escolas privadas e o filho da sopeira que andava no colégio de Lamas voltará ao lugar onde “pertence”: a escola pública.

A prova dos 35

Teenager-doing-math-in-high-school-classroom-750x325Se quisermos conhecer os serviços públicos onde há pessoal a mais, onde não se acrescenta grande valor ou onde os funcionários são mais improdutivos, temos agora uma oportunidade de ouro. Serão todos aqueles serviços onde as 35 horas irão ser implementadas sem custos adicionais, sem disrupção dos serviços habituais ou sem que os cidadãos notem a redução do horário. Um exemplo ainda melhor serão aqueles serviços onde, como defendia alguém do PS ontem na televisão, até dará lucro ao estado reduzir o horário semanal para 35 horas. Chamemos-lhe “A prova dos 35”.

PS lamenta crescimento económico “abaixo do previsto”

É verdade! Num assomo de honestidade, João Galamba reconheceu que o crescimento económico é fraco e ainda lamentou que dependa da procura interna. Podem ver as declarações aqui.

O deputado socialista João Galamba apesar de reconhecer que “é sempre positivo haver um crescimento”, lamenta que este dependa “mais uma vez da procura interna”. Galamba critica ainda que o crescimento de 1,4% do PIB tenha ficado muito abaixo das previsões.

Mas, esperem aí,… 1,4%?… Há alguma coisa aqui que não está certa…. O PIB não cresceu apenas 0,9% este ano? Ah, perdão, esta notícia é de Maio, mas do ano passado. Esqueçam.

Always look at the bright side of life

A economia está estagnada. Os empresários têm medo de investir neste ambiente político e, por isso, nem o emprego nem o produto crescem aquilo que seria esperado (já para não falar nas ilusões do plano macroeconómico de Centeno). Esta é a realidade. Depois há o João Galamba. Atentem neste magnífico retrato da economia que o deputado João Galamba publicou no Facebook:

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Passo a traduzir:

1. Crescemos o dobro (o dobro!) do que tinha sido estimado anteriormente!! Se isto não são boas notícias, não sei o que serão!
2. Cai o investimento, caem as exportações mas o consumo está a subir. Temos finalmente o modelo com que sempre sonhámos: um crescimento económico anémico assente na procura interna. Só pode correr bem. Aliás, não me lembro de alguma vez este modelo de crescimento ter corrido mal…
3. (Esta é a mais fascinante de todas) O crescimento está anémico. A economia não produz, mas não se desiludam, também há boas notícias: as coisas estão mais caras! Vocês continuam a comprar 1 kilo de arroz por semana, mas agora pagam mais por isso. Não são isto boas notícias?! E além disso só falhamos a meta do crescimento do PIB por 6 décimas. O que são 6 décimas no grande esquema das coisas? 6 décimas de crescimento do PIB nem mil milhões de euros são. Isso pouparemos nós nos contratos de associação em apenas 97 anos.
4. O investimento andava a crescer, mas poucochinho. Nós não gostamos de coisas a crescer poucochinho. Por isso chegamos nós e agora cai. Mas só cai porque temos poucas obras públicas. É preciso construir mais. Já vos disse que a A42 beneficiaria muito de mais uma faixa de cada lado?