A indústria mais competitiva do país

No sector mais competitivo do país a precariedade laboral é total. Qualquer um pode perder o emprego de um dia para o outro e não existem contratos sem termo. Não existem progressões automáticas e o normal até é um trabalhador ganhar menos a partir de certa idade. Quase não existem greves. Os conflitos são resolvidos por orgãos de justiça próprios, estando pouco expostos à lentidão normal da justiça portuguesa. A desigualdade salarial é extrema, porventura a maior de qualquer indústria, mesmo dentro da mesma empresa (ou sociedade anónima desportiva). É um sector onde as offshores são usadas livremente, estando quase imune à crítica por parte dos sectores políticos habituais. É também um dos sectores que mais facilita a mobilidade social. A meritocracia reina. Coisas como apelidos e redes de contactos são muito menos importantes do que noutras indústrias. Sem quotas, conta entre o grupo de melhores e mais bem pagos trabalhadores com muitas pessoas de raça negra, etnia cigana, madeirenses, açorianos e muitos jovens pouco qualificados. É das poucas indústrias privadas que floresce em Portugal. Foi, mais uma vez, uma indústria vencedora em 2016. Que sirva de lição.

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Tempo novo nas urgências hospitalares

Em Janeiro de 2015 morreram, no espaço de 3 semanas, 5 pessoas nas urgências do Hospital Garcia da Horta. Ficam aqui algumas das reacções:

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Em Dezembro de 2016, morreram 6 pessoas no espaço de 5 dias no Hospital Santa Maria. Fica aqui a única referência de capa:

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Em defesa das feiras de gado

vacaquerieO ministro dos negócios estrangeiros, Augusto Santos Silva, comparou, em conversa privada, a concertação social a uma feira de gado. Quem, julgando estar a falar em privado, não fosse capaz de uma metáfora destas que atire a primeira pedra. Da minha mão, nem um grão de areia terei coragem para atirar.

O representante da Confederação Agrícola Portuguesa já veio dizer que não achava “apropriada” a comparação. Tem razão. A comparação é, obviamente, injusta para as feiras de gado por diversos motivos:

– Nas feiras de gado cada um representa-se a si próprio. Na concertação social, pequenos e médios empresários são representados por pessoas que pouco ou nada partilham dos seus interesses. Desempregados, os principais afectados de muitas das decisões aí tomadas, não são representados por ninguém.

– Nas feiras de gado quem vende e compra tem como objectivo apenas o lucro e sofre directamente se tomar decisões erradas. Na concertação social, os sindicatos representam os interesses do PCP e de uma pequena parte de trabalhadores (os funcionários públicos) que, na sua maioria, não suportam os custos das decisões aí tomadas.

– Nas feiras de gado, os preços e termos de troca são decididos livremente por compradores e vendedores. A concertação social é um exercício de fixação e controlo de preços e termos de troca por representantes dos interesses instalados.

– As feiras de gado estão abertas a novos intervenientes no sector. A concertação social está vedada à entrada de novos participantes.

– Nas feiras de gado, são os compradores e vendedores com mais sucesso que mais peso têm nos preços finais de mercado. Na concertação social, os membros participam todos os anos por defeito e por decisão centralizada, independentemente da sua representatividade ou performance passada. Membros sem representatividade no sector estão presentes na concertação social por atribuição central, apesar de não representarem nenhum dos principais afectados pelas decisões.

BE e PISA, uma relação difícil

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No voto de condenação* (?!) do BE pelos resultados dos alunos portugueses no teste de PISA, os deputados do Bloco afirmam o seguinte:

Estes resultados e, em particular, os resultados do PISA 2015 são reflexos de contínuos progressos na Escola Pública ao longo de muitos anos e que, por isso, não podem nem devem ser tidos como produto da ação de um só ministro, de um só governo, de um só conjunto de medidas políticas.

Voltemos atrás e vejámos o que dizia o orgão de informação do Bloco de Esquerda quando saíram os resultados do PISA 2012:

O Bloco teme também queda futura no relatório PISA, com a política educativa do governo PSD/CDS-PP.(…) Sobre os resultados do relatório PISA 2012, conhecidos nesta terça-feira, Luís Fazenda assinala “uma imagem do progresso da escola pública em Portugal, salientando “que este relatório mal abrange este governo”. O Bloco realça que “temos bons resultados” “com uma Escola Pública que tinha um investimento privilegiado (…) “Hoje o que temos com o atual Governo? Um desinvestimento para metade da escola pública e uma tentativa de destruição da escola pública. Tememos que os resultados que aí venham no futuro sejam bastante inferiores com aquilo que tem sido a atual política educativa“, disse Luís Fazenda.

Para todos aqueles que têm pudor em atribuir o mérito destes resultados a Crato (com alguma razão porque existem vários factores, muito sem influência dele), tentem imaginar o que se diria hoje de Crato se em vez de subir, os resultados tivessem descido.

(*nota para os mais excitados: é evidente que o voto de “condenação” foi uma gralha do autor. Uma gralha engraçada, possivelmente um lapso freudiano, mas apenas isso.)

Trump e Mariana Mortágua: a mesma luta

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A dirigente do Bloco de Esquerda (BE) Mariana Mortágua afirmou hoje que o “protecionismo” económico pode ajudar a defender o Interior, designadamente no que concerne a setores vitais nestas regiões como o têxtil ou a agricultura.
“O protecionismo ou elementos de protecionismo podem ser políticas necessárias para proteger o Interior e a sua economia produtiva”, afirmou.
(…)
“Quando estou a falar de protecionismos estou ainda a falar de coisas como, por exemplo, impedir que seja assinado um acordo de comércio transatlântico com os Estados Unidos: isto é uma medida de protecionismo que é uma boa medida porque vai proteger a produção nacional”, acrescentou.
(Fonte: Diário de Notícias)

Por acaso, a melhor forma de proteger o interior era impor barreiras alfandegárias aos produtos vindos do litoral, que é de longe a região do Mundo de onde o interior mais importa. Vamos a isso?

Um dia histórico para a esquerda portuguesa

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A esquerda portuguesa em bloco chumbou ontem limites aos salários de banqueiros. PCP, BE e PS disseram ontem alto e em bom som que administradores de bancos públicos devem ganhar mais (muito mais) do que o primeiro-ministro que os escolhe e que o ministro que os tutela. Defenderam alto e em bom som que o presidente da administração da Caixa deve ganhar 20 vezes mais do que a empregada de limpeza da sucursal de Vila Real. Tiveram ontem a oportunidade de diminuir essa desigualdade, mas perceberam que o melhor para a Caixa era não o fazer.

Foi um dia histórico para a esquerda portuguesa. Ontem, finalmente, aceitaram que para certas posições se justificam salários elevados para que as empresas possam ter acesso aos melhores quadros. Digo finalmente porque ainda há pouco tempo defendiam ideias desastrosas como o limite dos salários dos executivos de empresas privadas. Ainda há pouco tempo achavam imorais os salários dos executivos.

Ontem foi diferente: a esquerda aceitou a desigualdade salarial como forma de premiar e garantir a boa gestão de uma empresa. Celebremos este passo único na literacia económica dos partidos de esquerda. Governar é o melhor antídoto contra o populismo.
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Alunos versus FENPROF

Pense por uns moments quais os ministros mais criticados pela FENPROF dos últimos 20 anos? Dois nomes vêm logo à mente: Maria de Lurdes Rodrigues e Nuno Crato. Devido às suas reformas, foram fustigados por Mário Nogueira e respectivo rebanho e acusados de estarem a querer destruir a educação. Agora observem o gráfico abaixo com a evolução dos resultados de PISA, o principal teste internacional de aprendizagem dos alunos portugueses, que é realizado de 3 em 3 anos. Desde 2000, houve apenas dois triénios em que os resultados melhoraram significativamente. Os triénios em que Maria de Lurdes Rodrigues e Nuno Crato eram ministros.

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O resultado da exigência na educação

A OCDE publicou hoje o resultado dos testes internacionais de PISA realizados no final de 2015. Pela primeira vez desde que são feitos, Portugal está acima da média em todas as áreas do conhecimento: matemática, literatura e ciências. Foi um dos países que mais melhorou entre 2012 e 2015, mesmo tendo feito cortes na despesa com educação nesse perído. Está de parabéns Nuno Crato, que combateu com coragem o eduquês num ambiente difícil. Veremos como se sai o ministro Mário Nogueira nos próximos 3 anos.

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Não é pesar, é homenagem

Ao contrário do que diz Passos Coelho, rejeitar um voto de pesar não se equipara, de todo, a festejar uma morte.

Todos os dias morrem centenas de pessoas em Portugal. Centenas de milhar pelo Mundo fora. A Assembleia da República não aprova votos de pesar por todas elas. Isso não quer dizer que os deputados daquela casa não lamentem a perda humana que essas mortes representam ou que festejem essas mortes. A Assembleia da Rapública não apresenta votos de pesar por todos os portugueses que morrem porque um voto de pesar não é uma forma de demonstrar tristeza pela morte de alguém. É sim uma forma de homenagear o seu percurso de vida. Quando um voto de pesar passa na Assembleia da República, os portugueses ficam a saber que os deputados daquela casa aprovaram por maioria uma homenagem à vida do falecido. Fidel Castro não merecia essa homenagem. Pese embora entenda o raciocínio de Passos, o PSD deveria ter votado contra a homenagem a Fidel em vez de ter alinhado no branqueamento da ditadura. Ao fazê-lo, desrespeitou a memória das dezenas de milhares de pessoas assassinadas por Fidel, que nunca tiveram direito a voto de pesar. E nisto (pelo menos nisto) o PSD deveria ser diferente.

Insurgente Memória: a vitória de Hollande

Hollande anunciou ontem que não se irá recandidatar à presidência francesa, acabando o seu mandato como o presidente francês mais impopular de sempre. Com excepção de Le Pen (socialista de extrema-direita) e Melenchon (socialista da extrema esquerda), todos os prováveis candidatosde esquerda e direita  (Fillon, Macron e Valls) querem liberalizar a economia, flexibilizar o mercado de trabalho e baixar impostos, ou seja, perceberam todos que a única política que pode fazer a França crescer é aquilo que em Portugal se gosta de chamar “austeridade que mata”. Porque a história é importante e, nestes casos, bastante divertida, olhemos então para 2012 quando Holande foi eleito para percebermos quem esteve sempre do lado certo (e errado).

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O PSD na pocilga ideológica que homenageia ditadores

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Já era suficiente mau ter partidos na Assembleia da República capazes de propor votos de pesar por um dos últimos déspotas assassinos do século XX. Mas pior do que isso é ter um partido que deveria ser alternativa a optar por não se opor à homenagem a um tirano que matou dezenas de milhares de pessoas e condenou milhões à pobreza. Sim, o PSD absteve-se nessa votação. A pocilga ideológica que permite este tipo de coisas em Portugal também se faz destes silêncios cúmplices. Um dia negro na história do PSD. Uma nódoa difícil de tirar.

(Nota: 5 deputados (cinco!) do PSD tiveram a honorabilidade de votar contra. Foram eles: Pedro do Ó Ramos, Emília Cerqueira, Bruno Vitorino, Costa da Silva e Pedro Alves. 13 deputados do PSD apresentaram declaração de voto condenando a ditadura Cubana, mas ainda assim abstiveram-se. Foram eles: Duarte Marques, Miguel Morgado, Andreia Neto, Margarida Balseiro Lopes, António Leitão Amaro, Inês Domingos, Simão Ribeiro, Bruno Coimbra, Nuno Serra, Carlos Costa Neves, Margarida Mano, Rubina Berardo, Ricardo Leite)

Voto de pesar do Partido Socialista pela morte de um ditador que assassinou mais de 20 mil pessoas

Voto de pesar n.º 159/XIII, apresentado pelo Partido Socialista
PELO FALECIMENTO DE FIDEL CASTRO
Faleceu no passado dia 25 de Novembro, com 90 anos de idade, Fidel Castro, estadista e dirigente histórico de Cuba, cujo percurso político alterou de forma decisiva o curso da vida do seu país. Ao longo dos anos exerceu inúmeras funções públicas na República de Cuba, como Primeiro-Ministro, entre 1959 e 1976, e Presidente do Conselho de Estado, entre 1976 e 2008, tendo igualmente exercido funções como Primeiro Secretário do Partido Comunista de Cuba de 1965 até 2011.
Desaparece, assim, uma figura de importância central na leitura do século XX e cujo legado na história latino-americana e internacional será certamente objeto de extensa análise historiográfica nas décadas vindouras e, tal como hoje já sucede, de intenso e apaixonado debate entre os que aderem ou se opõem ao seu percurso ideológico e político.
Determinante no aprofundamento das relações diplomáticas e de proximidade entre Portugal e Cuba após a Revolução do 25 de Abril (relações diplomáticas que nunca chegaram a ser interrompidas mesmo no quadro de mudanças de regime em ambos os países) Fidel Castro sempre estimou os laços que unem os dois povos e que, em inúmeros fora internacionais, com especial enfoque para as Cimeiras Ibero-Americanas, permitiu o reforço da cooperação e dos esforços para a estabilização das relações internacionais e para a criação de um espaço de partilha de desígnios de paz e aproximação cultural.
Num momento em que se vislumbram caminhos abertos para a ultrapassagem de bloqueios históricos do relacionamento internacional de Cuba com alguns dos seus vizinhos, cumpre realçar a importância dos caminhos de diálogo abertos, na linha de medidas progressivas de abertura manifestadas em vida pelo próprio Fidel Castro, e que podem contribuir para um futuro de progresso e aprofundamento de direitos fundamentais de todos os cubanos.
Assim, a Assembleia da República, reunida em plenário, expressa ao povo cubano e às instituições da República de Cuba o seu pesar pelo falecimento de Fidel Castro e pelo momento de luto que atravessam, reafirmando as ligações de amizade que unem os dois povos dos dois lados do Atlântico e a cujo o aprofundamento reitera a sua adesão e empenho.
Palácio de São Bento, 28 de Novembro de 2016

Mensagem aos jornalistas sérios

Não morreu um líder histórico, nem um revolucionário, nem um lutador. Morreu, antes de tudo, um ditador sanguinário, responsável directo pela morte de 17 mil pessoas e pela pobreza extrema de largos milhões. A morte de um ditador noticia-se assim:

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E não assim:
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Ainda vão a tempo.

O extremismo que nos deveria preocupar

O conselho de Estado francês decidiu proibir a emissão deste vídeo sobre crianças com síndrome de Down na televisão francesa. O motivo? Poderia importunar mulheres que optaram por abortar embriões com esse problema.

Nesta busca incessante por extremismo nos outros, talvez devessemos parar de vez em quando e olhar para dentro. Um em cada sete embriões humanos são abortados em Portugal. Um embrião humano com menos de 10 semanas tem hoje menos direitos de acordo com a lei do que um peixe de aquário. Só em Portugal foram abortadas 15 mil vidas humanas com o patrocínio estatal no ano passado.

A descredibilização final do plano económico do governo

centeno_galamba_costaO governo tinha um plano para o país: a economia cresceria 2,6% em 2016 graças a um aumento do consumo interno. Ainda há poucos meses Catarina Martins afirmava que o país não poderia crescer de forma sustentável assente nas exportações.

Saem os números do 3º trimestre de 2016 e fica-se a saber que a economia cresceu 1,6% (tanto como no ano passado) e à custa das exportações. O que fazem os apoiantes do governo? Lamentam o crescimento ainda estar bem longe dos 2.6% prometidos para 2016 por Centeno? Comentam que este crescimento não é sustentável por ser assente em exportações? Não: celebram efusivamente o feito. Provavelmente nem eles alguma vez acreditaram naquilo que estavam a prometer e muito menos nos meios para lá chegar. Se havia alguma dúvida sobre isso, a celebração nos últimos dias comprova-o.

Plano Centeno – actualização

Saíram hoje boas notícias para a economia portuguesa. O trimestre de Verão de 2016 evidenciou o maior crescimento em cadeia desde 2013 (cujo 2º trimestre foi o melhor dos últimos 10 anos). Com estes números positivos, vale a pena voltar a olhar para a economia portuguesa e comparar com aquilo que Centeno previa há pouco mais de um ano.

Comecemos então pelo PIB, de onde surgem as boas notícias de hoje. As primeiras duas colunas têm as previsões de Centeno de Agosto de 2015: a coluna cor-de-rosa oq ue ele previa se o PS fosse governo e na coluna azul o que ele previa se o PS não fosse governo. A terceira coluna tem os valores reais.
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Apesar do bom desempenho no Verão, o crescimento do PIB este ano continua abaixo do que Centeno previu que seria sem o PS no governo. E ainda bastante abaixo do que Centeno previu que seria com o PS no governo.

Agora o emprego.

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É no emprego que o governo se tem saído melhor, superando até as expectativas do Plano Centeno. Tal como o PIB, também aqui houve um forte impulso do turismo, que representou 46 dos 86 mil novos empregos, ou seja, mais de metade do emprego criado foi na hotelaria e restauração.

Finalmente, a dívida pública:
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Aqui as previsões continuam muito longe da realidade. Apesar de ter previsto que sem o PS no governo a dívida pública baixaria, e previsto que com o PS desceria ainda mais, a dívida pública continua a aumentar e está já 4,5 pontos acima do previsto por Centeno para 2016.

Para não esquecer

Faz hoje 4 anos que a extrema esquerda saiu à rua para atacar a democracia. Uma manifestação organizada inicialmente pela CGTP, acabou em horas de arremesso de pedras da calçada contra a polícia em frente à Assembleia da República. (ver a partir do minuto 2.00)

Yes, we can… make America great again

8ff0d815659061fbf57e8a0a307fedd51762f6daNo meu artigo do Sol esta semana falo de Trump, Obama e da eterna tendência do eleitorado em querer acreditar no homem providencial que sozinho resolverá todos os problemas do Mundo…

“(…)Ainda antes de conseguir decorar os códigos de lançamento do arsenal nuclear, já Obama tinha sido condecorado com o prémio Nobel da Paz.
Com expectativas tão elevadas, não era difícil antecipar que viriam a ser defraudadas. O mundo novo prometido por Obama é hoje o mundo do Estado Islâmico, dos refugiados a morrer no Mediterrâneo e dos aviões russos a brincarem às escondidas com os radares europeus. Berlim, o primeiro local de culto de Obama na Europa, é hoje local de paragem para autocarros de refugiados sírios. A tão aguardada América pós-racial de Obama é afinal um país em que negros e forças policiais têm uma desconfiança mútua que, de vez em quando, resulta em mortos de ambos os lados. Até Guantánamo ainda está por fechar após quase 8 anos de mandato.(…)

Podem ler o resto aqui.

Nem foi Trump que ganhou, nem a globalização que perdeu

obama-supporters-turn-against-himDe tantas vezes repetida, a teoria já ganhou laivos de verdade absoluta: Trump ganhou graças a uma classe trabalhadora branca e analfabeta que ficou a perder com a globalização. Esta teoria tem vários problemas:

Clinton ganhou entre as classes mais baixas e Trump entre as mais altas
Os grupos de trabalhadores mais afectados pela globalização foram os negros e latinos, que têm qualificações mais baixas e taxas de desemprego mais altas. Estes não votaram em Trump.
– Trump teve mais ou menos o mesmo número de votos que Romney em 2012 e McCain em 2008, dois candidatos que perderam de forma expressiva as suas eleições

Trump ficou à frente porque, apesar de todos os seus problemas, conseguiu manter o eleitorado McCain/Romney (eventualmente com alguns ganhos e perdas cruzadas), enquanto Clinton perdeu 10 milhões de votos em relação à primeira eleição de Obama. Portanto arrisco-me a dar uma razão para este resultado menos politicamente correcta e que, por isso, não verão repetida em mais lado nenhum: a base sociológica que elegeu Obama não se deu ao trabalho de ir votar para eleger uma mulher branca.

Presidente Trump. Habituem-se.

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Tanto a Pensylvania como o Michigan podem tender para Trump. Ele só precisa de um e até pode ganhar perdendo ambos. Ou seja, Trump ganhou as eleições.

New Hampshire também a cair para Trump

Os primeiros counties fechados, embora pequenos, indicam um aumento brutal de votos em Trump em relação a 2012:

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Ohio também a tender para Trump…

…de forma brutal nos primeiro county a fechar. Uma nota: pode definitivamente não ser representativo, mas é uma indicação de tendência de voto brutal.

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Olhos agora para Carolina do Norte

Na Carolina do Norte, o primeiro county fechado indica uma melhoria tremenda de Trump em relação ao Romney (que até ganhou o estado em 2012). Sendo demasiado cedo, parece indicar também a vitória de Trump em mais este swing-state.

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Florida

Até agora duas tendências que vão em direcções opostas:

– Nos counties em que os Republicanos já eram fortes, Trump consegue reforçar a votação de Romney
– Nos counties mais urbanos, Clinton parece também reforçar (embora nenhum esteja fechado ainda)

Neste momento está muito apertado, mas arrisco-me, contra aquilo que é dito na CNN, a prever a vitória de Trump na Florida.

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