A figura do actual partido socialista ideologicamente mais próxima de António Guterres

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Insurgente memória: a privatização dos CTT

histeriaFoi há 3 anos que se iniciou a privatização dos CTT. Na altura não faltaram comentadores de esquerda e alguns elementos do Partido Socialista a anunciar o desastre que aí viria. Recordo por exemplo, este artigo do Daniel Oliveira entitulado “um crime sem perdão”:

Em vésperas de férias, o governo decidiu iniciar o processo de privatização de 100% dos CTT. Nenhum razão financeira o justifica. (…) Os Correios são um instrumento de coesão social e territorial. Aos privados interessará apenas o que dá lucro: Lisboa, Porto e cidades mais populosas. Ou abandonam as regiões mais remotas do país, ou fazem preços diferenciados, ou o Estado financia o que não rende (como faz hoje com várias empresas privatizadas). Ou seja, privatiza o lucro e mantem o prejuízo nacionalizado. Em qualquer um dos casos, ficamos a perder.

Este discurso era recorrente: assim que fossem privatizados, os CTT deixariam de entregar correio nas aldeias, o investimento na qualidade diminuiria e os trablhadores seriam todos despedidos. Já os lucros disparariam, alimentando accionistas estrangeiros. Os CTT estavam a ser vendidos baratos e o dinheiro não fazia verdadeiramente falta (diziam isto 2 anos depois do estado português quase ter ido à bancarrota).

Três anos depois o que realmente aconteceu? Nada de mais. As cartas continuam a chegar às aldeias como antes. Com um grande custo para os accionistas, o projecto do banco postal avançou, oferecendo hoje a alternativa mais barata do mercado para ter uma conta bancária (com menos comissões ainda que as do banco público). Muitos dos trabalhadores que poderiam ter sido despedidos devido à queda de necessidades no ramo postal, foram treinados para trabalhar no novo negócio da banca. O ano passado, os CTT distirbuiram 9 milhões de euros em bónus pelos trabalhadores. Mas a melhor notícia para a esquerda é que as acções já estão abaixo do preço a que o estado as vendeu. Se o dinheiro não fazia efectivamente falta, podem agora nacionalizar os CTT, recomprando as acções a um preço ainda mais baixo do que o venderam, e ainda ficam com mais um banco público.

Mas não o vão fazer, nem veremos pessoas como o Daniel Oliveira a defendê-lo. E sabem porquê? Porque hoje todos aceitam que o dinheiro da venda faz mais falta e que os CTT privados são uma mais-valia para o país. Porque estas histerias demagogas têm prazo de validade. Os comentadores sabem que podem fazer este tipo de previsões, porque assumem que quando se provar estarem errados já ninguém quererá saber do assunto. Na maioria das vezes têm razão.

Pós-graduação em Escola Austríaca da Economia no Porto

Fartos de fórmulas mágicas que prometem crescimento e só trazem dívida? Fartos dos economistas que falam nas televisões, mas que não passam de versões menos divertidas do Professor Karamba? Arrisque-se a aprender algo novo, 2 dias por semana no Porto a partir de Fevereiro de 2017. Venha conhecer alguns dos mais ilustres liberais de Portugal e do Brasil. As incrições estão abertos e os lugares são limitados. Podem inscrever-se aqui.

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Geringonça confirma: o campo político português está inclinado para a esquerda

screen-shot-2016-09-30-at-10-28-29-pmHá uma corrente de comentadores e políticos que gosta de contar a história de que o PSD e o CDS viraram à direita. Alguns mais excitados, gostam mesmo de dizer que o PSD se radicalizou. Este é um argumento que dá jeito a muita gente. Dá jeito aos líderes do PS porque assim podem afirmar que o enorme buraco ideológico que se criou entre PSD e PS desde Guterres não foi pela seu próprio processo de bloquização, mas pela radicalização dos outros. Interessa também aos aspirantes a oposição dentro do PSD que assim se podem afirmar como alternativa “moderada” e receber a benção de uma certa imprensa.

Felizmente nos últimos dias foi a própria propaganda da Geringonça que veio destruir este mito. Eles recordaram declarações passadas do líder do PSD e de um ex-secretário de estado do CDS que poderiam facilmente ser atribuídas a elementos de partidos socialistas europeus. Hoje foram também recuperar um vídeo do PSD de 2005 que demonstra novamente esse plano inclinado. A Geringonça confirma aquilo que andamos a dizer no Insurgente há mais de 10 anos: o panorama político português está inclinado para a esquerda. E foi essa inclinação que esteve na origem de quase 20 anos de estagnação, e também da bancarrota de 2011.

Inadvertidamente, a máquina de propaganda da Geringonça destruiu o mito da radicalização da direita que tinha tentado criar. Na verdade, teria sido bom para o país que PSD e CDS tivessem abraçado mais a economia de mercado como muitos dos seus partidos irmãos na Europa fizeram, com bons resultados para os países que governam. Mas não. O PSD e o CDS estão onde sempre estiveram: naquele convívio entre o socialismo e a economia de mercado, variando ligeiramente entre um lado e o outro de acordo com as circunstâncias e a situação do país. Se há hoje um buraco ideológico entre PS e PSD, ele foi criado pela radicalização do PS. Sem querer, a Geringonça comprovou isto nos últimos dias.

Quem não deve, ainda assim teme

percepcaoNão nutro grande simpatia por Cavaco Silva. O melhor que posso dizer sobre ele é que sempre que concorreu a eleições, a alternativa era pior. No último suspiro de Bárbara Reis como directora, o Público resolveu revelar que Cavaco deveria ter pago mais IMI durante 15 anos. O valor patrimonial da sua casa esteve subavaliado durante anos, algo que, como sabemos, é raríssimo acontecer em Portugal.

Mas a notícia é principalmente interessante pelo contexto. Nas últimas semanas tem-se discutido bastante o IMI e a forma como o governo PS-BE-PCP quer aumentar as receitas de impostos sobre património imobiliário. É evidente para todos que o governo, especialmente a sua componente BE, tem perdido esse debate na opinião pública. A notícia de um antigo líder do PSD ter tido o seu património subavaliado não poderia ter vindo, certamente por coincidência, em melhor altura. Depois há outro aspecto interressante: os pagamentos de IMI só são conhecidos por quem os paga e pela administração fiscal. Fica assim por saber se foi Cavaco ou a administração fiscal a passar a notícia ao Público. Provavelmente foi Cavaco que teve um lapso e contou tudo ao Público, porque a alternativa (que alguém na administração fiscal quis fazer um favor ao governo, revelando informação confidencial) é demasiado má para ser verdade.

Percebem agora a importância de manter a administração fiscal fora das contas bancárias?

Lições da crise grega – para quem quiser aprender

Lessons from the Greek crisis (#1): The worst enemy for the Left is the Left in power.

Lessons from the Greek crisis (#2): “Dignity” is a catchy ethnopopulist term to feed the masses. But at some point they’ll need actual food.

Lessons from the Greek crisis (#3): The greater the lies and populist BS that propel you to power, the greater your (inevitable) downfall.

Lessons from the Greek crisis (#4): When you have absolutely no arguments to use, just blame neoliberalism. It’s easy. And it always works.

Lessons from the Greek crisis (#5): Never make an egomaniac fool with a narcissistic personality disorder your Finance Minister. Just, no.

Lessons from the Greek crisis (#6): The starkest anti-establishment critics turn into the fiercest establishment proponents, once in power.

Lessons from the Greek crisis (#7): The political transition from a decades-long two-party status-quo to a multiparty one can be very messy.

Lessons from the Greek crisis (#8): There is no better refuge for an extreme populist with no arguments than a good conspiracy theory.

Lessons from the Greek crisis (#9): When many people distrust media/pollsters/politics, polls often fail to grasp true anti-establishment vote.

Lessons from the Greek crisis (#10): In the age of post-truth politics, facts don’t win elections. Sentiment and perceptions do.

Lessons from the Greek crisis (#11): Old media that depend on vitriolic sensationalism will eventually be confronted w/ sensational vitriol.

Lessons from the Greek crisis (#12): Every half-decent extreme populist politician has an armada of conspiracy-hungry trolls backing him up.

Lessons from the Greek crisis (#13): Overestimating power of status-quo & underestimating width of anti-establishment vote = very dangerous.

Lessons from the Greek crisis (#14): Chronically weak institutions can do very little to counter ideological whims of new populist govts.

Podem ver a sequência aqui.

Notícias do PREC

10032051. Mariana Mortágua veio-se defender ontem, insistindo na justiça de uma taxa sobre grandes patrimónios. Ela ainda não percebeu que o seu problema não está no imposto. O imposto será inócuo porque, como adiantou Mariana Mortágua ontem na TVI, só há cerca de 8 mil pessoas com património acima de 1 milhão de euros. Destes provavelmente 2-3 mil livrar-se-ão desse património, ou dividi-lo-ão, assim que o imposto for lançado, restando 5-6 mil a pagá-lo. O problema é que mesmo que esses 5-6 mil paguem 20 mil euros de impostos adicionais todos os anos, não dará para mais do que 3% das despesas com a segurança social: uma gota no oceano. É ilusório pensar que o estado social português se pode alimentar da contribuição de milionários. Há poucos, e com este imposto haverá ainda menos. Mas entretanto já aceitamos a ideia de que “é preciso ir buscar dinheiro a quem o está a acumular”. O limite baixará para 500 mil, depois para 200 mil e por aí abaixo à medida que os de cima se forem livrando do património, os preços baixando e o governo apercebendo-se de que é preciso baixar o limite porque as receitas do imposto são demasiado baixas. O problema não é o imposto no seu formato actual: o problema é que o princípio de “ir buscar dinheiro a quem o está a acumular” não conhece limites mínimos.

2. O PCP apresentou uma proposta no parlamento para indexar salários do sector privado ao salário do primeiro-ministro. Mais uma medida populista que pode privar empresas portuguesas de quadros qualificados que bem necessita para o desenvolvimento em áreas relevantes à economia. Mas aqui eu proponho o seguinte: que tal testarmos essa medida no futebol? Testamos durante dois anos e vemos o efeito nos clubes. Se as previsões do PCP se concretizarem, os clubes não terão nenhum problema de competitividade internacional e o dinheiro que se poupará no salário de jogadores dará para aumentar o salário de roupeiros e apanha-bolas. O leitor consegue vislumbrar o que pode correr mal? O PCP não consegue. Antes de implodirmos a economia toda, testemos a ideia no futebol então. Pode ser?

Rumores maliciosos sobre Passos Coelho (2)

Passos desobrigou-se de ir apresentar o livro de José António Saraiva depois de o ler. Até o autor, num momento escasso de lucidez, admitiu que é a atitude mais sensata. No final, como previsto, Passos não irá apresentar aquele esgoto literário. Teremos agora a oportunidade de perceber quem é que estava genuinamente preocupado com aquele esgoto literário, e quem se estava nas tintas para o conteúdo do livro tendo apenas visto ali uma oportunidade para fazer política partidária.

Agora só fica a faltar que outro rumor malicioso posto a circular nos jornais seja também desmentido.

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Honra e carácter

Vale a pena ler o Sebastião Bugalho, no jornal Sol:

(…)Se José António Saraiva fosse diretor deste jornal, eu, como membro desta redação, poderia acreditar que revelar conversas privadas com políticos – que são fontes do nosso trabalho – não seria a melhor estratégia ou opção. Se José António Saraiva fosse diretor deste jornal, eu teria ido direitinho ao seu gabinete com o dito livro nas mãos e informado que, para mim, a vida pessoal dos políticos é isso mesmo: pessoal. Que nós, sociedade, só temos alguma coisa a ver com isso se o político como nosso representante surgir publicamente acompanhado pelo cônjuge. Que não se usa o filho morto de alguém para expor a vida privada do filho vivo. Que não se utiliza jornalismo para atacar a família de figuras públicas.

Como colunista, tenho apenas a dizer que é grave se Passos Coelho – protocolar e institucionalista – vá mesmo apresentar uma obra sobre alegados segredos de alguém que liderou um governo com ele. Não há honra nenhuma em manter a presença se, ainda por cima, nem sabia do seu conteúdo ao aceitar o convite. Honra seria assumir que errou e voltar atrás.

(Texto completo na página online do Jornal Sol)

PSD de luto

Até hoje não sabia quem era o Paulo Vieira da Silva, mas segundo a imprensa é um militante importante do PSD. Aparentemente o Pedro Viana da Silva foi membro do conselho nacional, uma posição importantíssima que só 900 militantes do PSD já tiveram a honra de assumir. Apenas 900, e o Pedro Vieira de Sousa foi um deles. O Paulo Viana de Sousa demitiu-se de militante do PSD porque não gosta de Pedro Passos Coelho. Pedro Vieira da Silva sai por causa de Pedro Passos Coelho apesar de há menos de um ano ainda achar que ele era “um homem honesto, corajoso, está na politica para servir e não para se servir. É exactamente o mesmo homem que chegou a primeiro-ministro, apenas mais velho, com mais rugas e menos cabelo, certamente fruto das muitas preocupações que carrega todos os dias nas suas costas. Mostrou ser um político com sentido de Estado.”. O mundo mudou. Ou simplesmente Pedro Viana da Silva queria voltar a ver o seu nome no jornal e não sabia como. Mas conseguiu-o. O seu nome ficará para a posteridade: Paulo Viana de Sousa, o militante que saiu do PSD porque um homem “honesto e corajoso” era presidente.

Karma is a bitch

MR - Manuel Roberto - 23 Maio 2014 - Portugal - Porto - Campanha eleitoral para as eleicoes europeias - Bloco de Esquerda - BE - Marisa Matias É evidente que Mariana Mortágua defende uma ideologia economicamente totalitária e que muitas das interpretações dadas às suas palavras estão alinhadas com o que ela realmente pensa. É evidente que, no mundo ideal de Mariana Mortágua, ninguém poderia poupar ou deter capital e meios de produção. Essa é a ideologia de Mariana Mortágua, de boa parte do BE e, hoje em dia, de muitos nos lugares de topo do PS. Mas eles sabem que este (ainda?) não é o momento de vir a público com essas ideias. Portanto limitam-se a falar dos 1%, dos muito ricos dentro do contexto português (1% em Portugal é alguém que ganhe o correspondente a dois salários mínimos do Luxemburgo). Lidas as declarações dentro do contexto, foi deles que ela falou nas suas já famosas declarações. Que o tenha dito da forma que disse, só revela o pequeno monstro totalitarista a querer fugir, mas a verdade é que falava mesmo nos 1%.

Os comentadores pegaram nas declarações de Mariana Mortágua e extrapolaram para campos que ela não disse textualmente. O BE indignou-se. Mariana Mortágua indignou-se com essa interpretação. Tudo isto é de uma ironia sublime. Comentar declarações sem o contexto, fazer extrapolações hiperbólicas, demonizar o adversário, utilizar argumentos ad hominem e dividir o mundo entre bons e maus foram prácticas recorrentes do Bloco de Esquerda ao longo de 20 anos. Foi assim que cresceu e se fez partido. Mas agora estão no poder. Karma is a bitch.

Contos infantis para bloquistas – A cigarra e a formiga

mosca-e-formigaNum reino não muito distante havia uma cigarra e uma formiga. Chegado o Verão, a formiga desatou a trabalhar mais do que 35 horas por semana. Sempre a carregar migalhas dia e noite. Enquanto a parola self-made-bug da formiga trabalhava, a muito culta cigarra expressava-se artisticamente, mantendo viva a cultura do país. Chegado o Inverno, a cigarra, vendo-se sem comida, foi bater à porta da formiga:

– Oh formiga, não tens aí uma migalha?
– O que é que fizeste o Verão todo enquanto eu trabalhava?
– A culpa não foi minha. O Mundo mudou. Ninguém esperava que chegasse o Inverno. Para além disso, eu sou uma representante da cultura. Se não me deres as tuas migalhas, eu vou cantar para o Brasil e nunca mais volto.
– Então, faz boa viagem – disse a formiga

Passado um dia, a cigarra regressa, desta vez com a Mariana Mortágua.

– Oh formiga, passa lá metade do que acumulaste que isto é uma democracia e eu ganhei as eleições. Para além disso, este teu ninho apanha sol por todos os lados e não te vejo a pagar o que devias.

A formiga não teve outra opção e lá deu aquilo que tinha acumulado. No Verão seguinte foi apanhar migalhas para a Holanda e nunca mais voltou. A cigarra bem bateu à porta da formiga, mas ninguém atendeu. Sem outra hipótese de sobrevivência, vestiu uma mini-saia e foi ganhar a vida para um bar de gafanhotos. No final do mês lá veio a Mariana Mortágua sacar-lhe metade do que tinha ganho: “Agora que a formiga se foi embora, tens que ser tu a pagar.”.

A cigarra aprendeu a sua lição. Chegado o Verão, foi também para a Holanda. Arranjou um emprego na empresa da formiga e viveram felizes para sempre.

A traição do PS

Há aquela anedota fraquinha da mulher que descobre a traição do marido com a vizinha de cima. Confrontado pela mulher, o homem atrapalhado limita-se a tentar negar tudo e responde-lhe: “Tudo mentira! Nem eu te traí, nem foi com a vizinha de cima”.

Lembrei-me desta quando li as declarações do deputado João Galamba sobre o incentivo ao confisco das poupanças dos portugueses feita por Mariana Mortágua num encontro do PS, seguido de um enorme aplauso na sala:

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Reparem na última frase. Segundo João Galamba, nem a Mariana Mortágua disse aquilo que os vídeos mostram, nem a assistência do PS aplaudiu (aquilo que ela não disse).

Por muito que tentem esconder, este PS há muito traiu o eleitorado moderado que lhe deu vitórias em eleições no passado. Aquele eleitorado que acredita que alguém que trabalha, que ganhou o seu dinheiro de forma legítima pagando os respectivos impostos, não deve recear ver as suas poupanças levadas por uma deriva ideológica. Um eleitorado que acredita que poupar e, cruzes credo, enriquecer de forma legítima não é pecado merecedor de punição. Alguns continuaram a votar PS por lealdade clubística, mas não tardará perceberão aquilo em que o PS se tornou.

Manifesto Liberal Portugal 2016

Tendo um sistema partidário infestado de socialistas, Portugal precisa de mais liberais. Precisa deles em todos os quadrantes políticos. É por isso de saudar a chegada da Iniciativa liberal. O manifesto liberal está disponível aqui e a primeira reunião aconteceu na passada sexta-feira. A acompanhar com atenção.

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Rui Moreira sobre o imposto Mortágua

Além da paternidade de um novo imposto, há outra questão que me preocupa ainda mais. Sucede que a lei Mortágua, como vai sendo conhecida, mais não é que uma sobretaxa sobre o IMI. Ora o Imposto Municipal sobre os Imóveis é a principal fonte dos orçamentos autárquicos. Um imposto cuja receita deveria ter aumentado mas que, afinal, diminuiu com as novas regras, e por erro de cálculo do Ministério das Finanças e dos seus abastados e pouco competentes consultores.

A verdade é que, mesmo sendo uma receita municipal, já se percebeu que o Governo não irá flexibilizar a aplicação do IMI, não pretende dar às autarquias autonomia nessa matéria, nem informá-las sobre a origem e composição da coleta que recebem, inibindo-as de utilizar este imposto como instrumento da sua política económica. E, agora, também não pretende entregar às autarquias esta sobretaxa sobre um imposto municipal, já que a receita servirá apenas para engordar o depenado Orçamento do Estado.

Este pseudo-imposto Mortágua é, portanto, um saque. Um saque aos contribuintes, mas também aos municípios, que deveriam ter a possibilidade de definir, livremente, as taxas, sobretaxas, discriminações e isenções de um imposto cuja receita, por definição, é sua e deveria poder ser usada de acordo com as suas estratégias de desenvolvimento.

Solto das amarras do Partido Socialista na Câmara do Porto, Rui Moreira começa a fazer sentido. Ler mais aqui.

A importância da autoridade moral

Head in HandsO país anda há anos a empobrecer. Com excepção de 2014 e 2015, nunca teve um crescimento decente que fosse feito sem recorrer a dívida externa. Não há investimento privado e, consequentemente, há pouco emprego qualificado. O pouco que existe é oferecido muitas vezes em condições miseráveis e até abusivas. Para que haja mais investimento, mais empregos e mais crescimento é necessário tornar o país atractivo para o investimento, nomeadamente o investimento estrangeiro. Portugal precisaria de uma revolução fiscal que diminuisse bastante a carga fiscal das empresas e de uma legislação laboral que diminuisse os riscos de contratar. O grande problema é que a maioria destas soluções são contraintuitivas para o português médio. É difícil convencer um português já sobrecarregado de impostos que o melhor para o país é baixar impostos sobre as empresas. É difícil convencer um grupo de pessoas que já se sentem (justamente) maltratadas pelos seus empregadores que Portugal precisa de flexibilidade laboral para poder criar mais e melhor emprego. Se é difícil convencer as elites disto, ainda mais difícil será de convencer o português médio, por muitos exemplos que se apontem de sucesso destas políticas. Para existir algum tipo de apoio político às reformas que são tão necessárias como incompreendidas, elas têm que ser empurradas por uma pessoa em quem as pessoas acreditem. Não podendo explicar com arugmentos técnicos que o eleitor médio não entende, essas reformas precisam de ser empurradas por uma pessoa com autoridade moral.

Para lançar reformas populares não é necessária autoridade moral. Para lançar as reformas que o país precisa, é. Ao associar-se a uma das peças literárias mais nojentas e imorais já publicadas em Portugal, Passos fica mais distante de ter essa autoridade moral. É uma pena, porque não se vislumbram grandes alternativas.

Rumores maliciosos sobre Passos Coelho

Depois de ler a notícia sobre a possibilidade de Passos Coelho ir apresentar o livro de José António Saraiva, fiquei com curiosidade de o ler. De certeza que não poderia ser tão mau quanto dizem. Depois de um par de horas na FNAC, posso concluir que estava enganado: o livro é bastante pior do que pensei.
Para ser justo, 95% do livro não diz absolutamente nada. É simplesmente entediante. Tem, por exemplo, uma página inteira dedicada à história de como uma pessoa qualquer entrou no gabinete do ministro Medina Carreira enquanto este apanhava uma injecção, e lhe viu o rabo. Para entenderem o tédio que é o livro, esta é a história mais interessante entre aquelas que podem ser verificadas por testemunhos vivos. Mas depois há uma outra parte do livro que resulta exclusivamente de testemunhos de pessoas que já morreram. Toda esta parte é simplesmente nojenta. Sendo o resultado de testemunhos em segunda mão (que o próprio autor não pode confirmar) de pessoas que já morreram (que não podem desmenti-los), é particularmente covarde. O livro parte de rumores de tasca, atribui a sua confirmação a conversas privadas com pessoas que já morreram e chama a isso “revelações”. Fiquei com a ideia que muitas “revelações” serão simplesmente mentiras escritas para humilhar os alvos e vender mais uns livros. Em baixo podem ver o teor de uma dessas “revelações”:

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Dei o meu tempo como perdido. Nem o livro é interessante, nem Passos certamente o irá apresentar. Do que se conhece da sua imagem pública, Passos nunca se associaria a um livro que, pela boca de testemunhos já falecidos, fala dos desejos privados do seu antigo colega de coligação ou da cobiça que um ex-líder do PSD tinha pela mulher de outro. Podem-se fazer muitas críticas a Passos Coelho, mas nem no imaginário da esquerda radical, Passos Coelho tem o tipo de carácter que leva alguém a querer associar-se a este tipo de esgoto “literário”. Suspeito que a notícia de que irá apresentar o livro será mais uma a ser desmentida em breve.

Bloquenomics

Os bloquistas, os do BE e os do PS, são especialistas em pegar em tecnicalidades contabilísticas e torná-las em verdades económicas. Ontem à tarde no parlamento, Mariana Mortágua disse o seguinte:

“Se eu comprar uma casa, eu não estou a contribuir para o investimento do PIB. A casa já foi construída. Eu estou a comprar um bem que já foi investido.”

Tecnicamente, é verdade. Claro que se ninguém comprar casas, ninguém quererá investir para as construir, reconstruir ou reabilitar (isto sim é, tecnicamente, investimento). Se transformarmos a frase acima nesta, talvez se entenda melhor a enormidade:

“Se eu comprar uma bicicleta, não estou a contribuir para o consumo do PIB. A bicicleta já foi produzida. Eu estou a comprar um bem que já foi produzido”

A nuvem de fumo do orçamento

dom-quixote-2O governo prepara-se para subir impostos indirectos que recaem desproporcionalmente sobre os mais pobres e a classe média. Mas essa é uma discussão que não importa ter. Por isso, foi lançada esta ideia do imposto adicional sobre o património acima de 500 mil euros. Ao que se sabe excluirá primeira e segunda habitação, assim como património industrial. Ou seja, incidirá sobre aquelas pessoas que depois de descontada a primeira e a segunda habitação, mais as propriedades colocadas em nome de empresas, ainda têm mais de 500 mil euros. As 7 pessoas nestas circunstâncias tremem de medo e já se devem estar a preparar para vender esse património e colocar o dinheiro fora do país.

Por isso fica aqui a minha estimativa sobre a receita fiscal resultante desse imposto em 2017 (arredondada à dezena de milhão): zero. Será uma receita absolutamente irrelevante. No entanto, a discussão nos próximos dias vai-se centrar em muito neste imposto. E a esquerda conseguirá aquilo que procurava: centrar a discussão pública numa taxa sobre milionários que não existem e deixar em segundo plano os aumentos de impostos efectivamente relevantes pagos pela classe média.

Estamos assim numa situação em que a Geringonça finge que Portugal tem milionários para taxar, o eleitorado finge que acredita, e no final, a classe média paga a conta.

Insurgente memória: João Galamba e o “alegado optimismo” do PS

Estávamos no final de Janeiro de 2016. A desaceleração no crescimento do PIB nos últimos dois trimestres de 2015 era conhecida. Discutia-se o orçamento de estado. Muitos, entre os quais este vosso servo, criticavam o irrealismo das previsões de crescimento económico do PS. Na altura (há menos de 8 meses), o PS garantia que o crescimento seria de 2,1% em 2016. Quando o Orçamento chegou às instituições europeias, as malvadas mandaram reduzir a previsão para uns mais realistas 1,8%. O país está por esta altura a crescer 0,9%.

João Galamba jurava a 7 pés que não havia excesso de optimismo nenhum. Na altura, publicou esta mensagem (sublinhados meus):

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CGTP contra FENPROF (da série: “É preciso uma lata do c#$%&&%”)

A FENPROF mandou o ministro da educação acabar com novas turmas em escolas públicas de gestão privada (mais conhecidas como escolas com contrato de associação). O Ministério acedeu. Uma dessas escolas, a Ancorensis, fechou. A FENPROF gostou. Mas a CGTP já reagiu:
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Aguardemos agora pela resposta da FENPROF. (notícia retirada daqui)

A direita faltou à chamada (outra vez)

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“É muito importante não confundir os temas, é muito importante que se apurem as causas, que se apurem os métodos e depois que se possam fazer discussões mais alargadas. Mas eu diria que não se podem confundir as coisas”

Assunção Cristas sobre a ideia bloquista da extinção dos Comandos

Neste caso das mortes na formação dos Comandos, Catarina Martins fez aquilo que o seu eleitorado espera que ela faça. O Bloco tem um eleitorado elitista e deslocado do país real, que esconde algum rancor pelo 25 de Novembro, e que privilegia soluções fáceis e populistas sem consideração pelos efeitos de longo prazo. Tem uma unha negra? Corta o dedo fora. Criou hemorragia? Corta a mão. A cicatriz doi? Arranca o braço.

A razão pela qual o Bloco conseguiu chegar tão longe, ao ponto de dominar ideologicamente boa parte do PS, está na incapacidade da direita em confrontar de forma assertiva as tiradas bloquistas. Em resposta ao apelo de Catarina Martins, Assunção Cristas não primou pela assertividade. Alguém poderá até ler nas suas palavras que não rejeita possibilidade idiota de acabar com os comandos na sequência da investigação. Não é isso que se espera de uma líder de um partido de direita. Mesmo que no caso extremo tenha havido negligência grosseira nas mortes, e os responsáveis tenham que ser punidos, isso não justifica o fim da Instituição. Uma investigação é necessária, mas a existência de uma instituição como esta deveria estar acima do resultado dessa investigação. Cristas perdeu uma oportunidade de, de forma assertiva e directa, defender a posição equilibrada, ponderada, que coloca as necessidades do país à frente da emoção do momento. Perdeu a oportunidade de criar um distanciamento higiénico da posição do bloco. Ou seja, perdeu a oportunidade de ser uma líder de direita.

Catarina Martins fez aquilo que os seus eleitores esperam que ela faça. A direita, mais uma vez, faltou à chamada. Uma direita que tantas vezes falta à chamada não se pode queixar que os seus eleitores façam o mesmo na altura das eleições.

Os comandos instauraram a democracia e evitaram uma guerra civil. Certa esquerda nunca lhes perdoou isso.

“Reconhecer a tragédia exige extinguir o batalhão de Comandos”, defende Catarina Martins