Yes, we can… make America great again

8ff0d815659061fbf57e8a0a307fedd51762f6daNo meu artigo do Sol esta semana falo de Trump, Obama e da eterna tendência do eleitorado em querer acreditar no homem providencial que sozinho resolverá todos os problemas do Mundo…

“(…)Ainda antes de conseguir decorar os códigos de lançamento do arsenal nuclear, já Obama tinha sido condecorado com o prémio Nobel da Paz.
Com expectativas tão elevadas, não era difícil antecipar que viriam a ser defraudadas. O mundo novo prometido por Obama é hoje o mundo do Estado Islâmico, dos refugiados a morrer no Mediterrâneo e dos aviões russos a brincarem às escondidas com os radares europeus. Berlim, o primeiro local de culto de Obama na Europa, é hoje local de paragem para autocarros de refugiados sírios. A tão aguardada América pós-racial de Obama é afinal um país em que negros e forças policiais têm uma desconfiança mútua que, de vez em quando, resulta em mortos de ambos os lados. Até Guantánamo ainda está por fechar após quase 8 anos de mandato.(…)

Podem ler o resto aqui.

Nem foi Trump que ganhou, nem a globalização que perdeu

obama-supporters-turn-against-himDe tantas vezes repetida, a teoria já ganhou laivos de verdade absoluta: Trump ganhou graças a uma classe trabalhadora branca e analfabeta que ficou a perder com a globalização. Esta teoria tem vários problemas:

Clinton ganhou entre as classes mais baixas e Trump entre as mais altas
Os grupos de trabalhadores mais afectados pela globalização foram os negros e latinos, que têm qualificações mais baixas e taxas de desemprego mais altas. Estes não votaram em Trump.
– Trump teve mais ou menos o mesmo número de votos que Romney em 2012 e McCain em 2008, dois candidatos que perderam de forma expressiva as suas eleições

Trump ficou à frente porque, apesar de todos os seus problemas, conseguiu manter o eleitorado McCain/Romney (eventualmente com alguns ganhos e perdas cruzadas), enquanto Clinton perdeu 10 milhões de votos em relação à primeira eleição de Obama. Portanto arrisco-me a dar uma razão para este resultado menos politicamente correcta e que, por isso, não verão repetida em mais lado nenhum: a base sociológica que elegeu Obama não se deu ao trabalho de ir votar para eleger uma mulher branca.

Presidente Trump. Habituem-se.

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Tanto a Pensylvania como o Michigan podem tender para Trump. Ele só precisa de um e até pode ganhar perdendo ambos. Ou seja, Trump ganhou as eleições.

New Hampshire também a cair para Trump

Os primeiros counties fechados, embora pequenos, indicam um aumento brutal de votos em Trump em relação a 2012:

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Ohio também a tender para Trump…

…de forma brutal nos primeiro county a fechar. Uma nota: pode definitivamente não ser representativo, mas é uma indicação de tendência de voto brutal.

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Olhos agora para Carolina do Norte

Na Carolina do Norte, o primeiro county fechado indica uma melhoria tremenda de Trump em relação ao Romney (que até ganhou o estado em 2012). Sendo demasiado cedo, parece indicar também a vitória de Trump em mais este swing-state.

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Florida

Até agora duas tendências que vão em direcções opostas:

– Nos counties em que os Republicanos já eram fortes, Trump consegue reforçar a votação de Romney
– Nos counties mais urbanos, Clinton parece também reforçar (embora nenhum esteja fechado ainda)

Neste momento está muito apertado, mas arrisco-me, contra aquilo que é dito na CNN, a prever a vitória de Trump na Florida.

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Narrativa über alles

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Nem só de rasgar de contratos e impostos indiretos se faz o tempo novo. O governo decidiu voltar a inovar, desta vez na apresentação do orçamento. Nesta altura do ano é suposto um governo já ter uma ideia de quanto irá gastar no presente exercício e disponibilizar esses números na proposta de orçamento para o próximo ano. A honestidade, a ética política, e uma coisa de menor importância chamada Lei de Enquadramento Orçamental, exigem que esses números sejam disponibilizados para a discussão na Assembleia da República. No entanto, Mário Centeno só acedeu a disponibilizá-los quando a Comissão Europeia assim o exigiu. As prioridades de Centeno fazem sentido: a Comissão Europeia representa um grupo de credores com dinheiro e poder, enquanto que o parlamento representa um grupo de desvalidos sem soberania a que se dá o nome de povo português. (…)

Podem continuar a ler aqui.

Os alhos e bugalhos de Costa

A máquina de comunicação do PS tem um mérito notável de colocar toda a gente a discutir coisas óbvias. No período pré-eleitoral conseguiu, por exemplo, lançar uma discussão sobre o partido que tinha trazido a Troika para Portugal. O objectivo não é mudar a opinião de ninguém, mas criar uma confusão suficientemente grande para gerar a dúvida no eleitor menos atento.

O último grande feito foi o de colocar muitos comentadores a discutir se as previsões do orçamento podem ou não ser comparadas com a execução do ano em vigor. Em termos muito simples, a teoria é a seguinte: o orçamento da educação derrapa todos os anos, pelo que irá derrapar também em 2017, portanto os números do orçamento (ainda sem derrapagem) não podem ser comparados com números reais (que incluem a derrapagem). A vontade de rejeitar o corte é tão grande que nem se apercebem da gravidade em dizer que vai haver derrapagem num orçamento que ainda nem sequer foi aprovado! Ou seja, que o governo está, assumidamente, a suborçamentar as despesas da educação.

Mas voltemos dois anos atrás. Na proposta de orçamento para 2015 foi, como todos os anos, apresentada a tabela comparando o valor orçamentado com a execução do ano em vigor. A tal tabela que é apresentada todos os anos e que o PS acha, este ano, que não serve para nada. Podem ver a tabela abaixo:

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Havia entre a execução de 2014 e o orçamento de 2015 uma diferença de 700 milhões de euros para a educação. Segundo a nova teoria do PS, estes valores não são comparáveis e não devem ser usados para falar em cortes na educação. No entanto, não foi bem essa a posição do PS nessa altura:

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Nessa altura António Costa afirmou textualmente que o orçamento para a educação iria baixar em 700 milhões de euros, comparando a execução do ano em vigor com o orçamentado para o ano seguinte. Parece que houve uma altura em que valia a pena misturar “alhos com bugalhos”. Era uma altura em que um governo em funções não vinha a público defender que um orçamento não aprovado estava já destinado a derrapar. Mesmo que, para o bem e para o mal, todos saibamos que é verdade.

Governo fora da lei

Aparentemente, o ministério das finanças continua a rejeitar fornecer as estimativas da execução orçamental de 2016. A UTAO já veio dizer que este é um retrocesso em termos de transparência orçamental. Alguns mais ousados já se vieram questionar sobre o que terá o ministério a esconder.

Entende-se que Centeno hesite em fazer novas previsões, depois de ter falhado clamorosamente as duas que fez em Agosto do ano passado e em Fevereiro deste ano em relação ao PIB de 2016. Mas há boas razões para não hesitar desta vez em dar à Assembleia da República (incluindo aqueles chatos da oposição) os números previstos da execução orçamental para 2016. O primeiro motivo é que já vamos em Outubro, pelo que o espaço para falhar é pequeno. Compreende-se a humildade de quel falhou de forma tão clamorosa, mas agora seria complicado fazê-lo. O segundo motivo, também importante, é que o governo é obrigado por lei a fazê-lo. De acordo com o artigo 40º da Lei de enquadramento orçamental, o governo é obrigado a entregar um conjunto de demonstrações orçamentais e financeiras.
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E que demonstrações orçamentais e financeiras são essas? Podemos ver o artigo 43º.

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Uma delas é precisamente a estimativa para o ano em curso do desempenho orçamental. Ou seja, Centeno que tanto se voluntariou no passado para encher os olhos dos eleitores com a sua capacidade de previsão tem agora uma oportunidade de fazê-lo novamente. Ao contrário das outras vezes, que teria feito bem em evitar fazê-las, desta vez não só pode fazê-las como deve. Até lá, a proposta de orçamento é ilegal e ficaremos todos na dúvida sobre o que está Centeno a tentar esconder.

Pós-graduação em Escola Austríaca – candidaturas abertas

Continuam abertas as candidaturas para frequência da pós-graduação em Economia Austríaca a realizar no Porto dirigida por José Manuel Moreira e Rui Albuquerque. Para além deles, tem como docentes alguns escribas que se habituou a acompanhar neste blogue, como o Mário Amorim Lopes, o Rodrigo Adão da Fonseca, o Ricardo Campelo de Magalhães e este que vos escreve. Contará também com a presença de Hélio Beltrão, o presidente do Instituto Mises Brasil e do professor Ubiratan Llorio, um dos maiores estudiosos da Economia Austríaca do Mundo. É uma oportunidade única no nosso país. Funcionará em regime pós laboral, dois dias por semana. Inscrição limitadas.

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Comer a fruta, cuspir o caroço

acordo-bloco-ps-1060x594O BE ganhou a luta ideológica em Portugal. Hoje é a sua ideologia que governa o país através do PS. O PS da economia social de mercado, da terceira via, morreu. Como o Pedro Nuno Santos defendeu há uns dias, hoje é a ala mais radical (leia-se, o grupo de ex-bloquistas) do PS que manda e determina as políticas do partido. Mas o que pareceriam boas notícias para o BE pode, de facto, não o ser.

No Reino unido, existiu uma história semelhante. Em 1999, quando o UKIP elegeu pela primeira vez deputados para o parlamento europeu, o seu presidente defendia aquilo que era na altura impensável: a saída da União Europeia. Mas a ideia foi avançando, até que em 2016 atingiram o seu objectivo: os britânicos votaram a sua saída da UE. Foram isto boas notícias para o UKIP? Para o partido UKIP, esvaiu-se a sua razão de existir. As suas ideias tinham sido tão absorvidas pelo mainstream que uma maioria simples de eleitores aprovou-as em referendo. As semanas que se seguiram foram tumultuosas e é muito provável que o partido se apague do mapa eleitoral britânico.

O BE corre um risco semelhante. As ideias venceram, penetraram fundo no PS e hoje governam o país. Mas isso tornou o partido redundante. Apesar da teatralidade, dos desentendimentos fingidos, o PS hoje distingue-se muito pouco do Bloco de Esquerda e, por isso, o Bloco tem muito pouco de novo a oferecer ao eleitorado. O BE não se “sujou” com cargos governativos e continua a ter boa imprensa o que lhe poderá garantir a sobrevivência no curto prazo. Mas a manter-se a actual deriva ideológica do PS, e a terem que continuar a apoiar o PS em futuros governos, o BE (partido) está em risco.

Esta realidade não escapa ao PS. Comido que está o fruto da ideologia, sobra o caroço do partido. António Costa, com a sua reconhecidade habilidade, não perderá a primeira oportunidade que lhe for dada para cuspir esse caroço. Veremos se o BE tem engenho para se safar deste destino.

Competitividade, acordos de comércio e o futuro do país

Este não é um daqueles fogachos demagógicos que tanto sucesso faz nas redes sociais e nos telejornais das 8. É um discurso longo, mas que vale a pena ouvir com atenção, pelo menos para quem se preocupe com o futuro do país para além da próxima campanha eleitoral. A partir do segundo minuto, o Miguel Morgado fala sobre dois dos principais desafios do país, da Europa e do país na Europa. Vale a pena ouvir para daqui a 5 anos não nos voltarmos a queixar das crises que, apesar de internacionais, parecem incidir sempre mais sobre Portugal. Ficam avisados.

Sim, havia alternativa

catarina_martins_e_antonio_costa_assinam_acordo20375132Afinal, havia outra. Alternativa, claro está. A Geringonça está a demonstrar que havia uma alternativa à austeridade. Ao contrário do que prometeram, essa alternativa não passa pelo consumo interno e pelo crescimento, porque aí falharam redondamente. A alternativa à austeridade reformista chama-se compra de votos. Para comprar votos é preciso fingir que as pessoas têm mais dinheiro (em particular funcionários públicos e pensionistas), mesmo que depois o gastem noutro lado ou sofram de outra forma. Para isso, corta-se nas carruagens para pagar mais aos maquinistas, cobra-se aos donos de casas para aumentar uma miséria aos reformados, corta-se nos funcionários das escolas para pagar mais aos professores, enfim deterioram-se os serviços públicos para colocar mais dinheiro numa faixa do eleitorado.

Mas a eficácia desta estratégia depende em muito de uma crença profunda que parece existir à esquerda: a de que os portugueses são burros. A Geringonça acredita que um pensionista com mais 5€ no bolso não se importará em esperar mais 10 minutos pelo metro ou mais 6 meses por uma operação. A Geringonça acredita que a troco de mais 20€ por mês os professores não se importarão de ficar mais uns minutos nas escolas a arrumar o lixo. A Geringonça acredita que os maquinistas lhes agradecerão nas urnas o dinheiro extra, mesmo que este acabe por voltar ao estado quando estes abastecem os seus automóveis ou pagam o IMI das suas casas. A Geringonça acredita, e provavelmente bem, que os comentadores televisivos com reformas milionárias agradecerão as centenas de euros a mais no final do mês com comentários positivos à sua actuação.

A seu tempo veremos se estas crenças se revelarão correctas. Mas o que é certo hoje é que a alternativa está à vista de todos e não é o crescimento: é a compra de votos a preparar 2018.

A Uber tornou a regulação obsoleta

marcelotaxiOs defensores dos méritos da regulação estatal tinham no sector dos táxis uma boa bandeira. Num sector concorrencial normal será de esperar que a concorrência entre os diversos prestadores de serviços baixe os preços e aumente a qualidade do serviço. Mas se o sector estiver de tal forma pulverizado que a probabilidade de o mesmo cliente poder escolher o mesmo prestador de serviço duas vezes é muito pequena, então a concorrência exercerá pressão no sentido oposto. Era isto que acontecia no sector dos táxis. Como era um sector de quasi-concorrência perfeita com muitos prestadores e muitos clientes, em muitas localizações, a probabilidade de um cliente poder punir/premiar um mau/bom prestador de serviços no futuro era próxima de zero. Ao contrário dos modelos teóricos de concorrência perfeita, isto dava um incentivo aos taxistas para prestarem um mau serviço porque nunca veriam aquele cliente novamente. O cliente também não podia saber à partida a qualidade do motorista do táxi para o qual estava a entrar. Isto era particularmente relevante nas zonas turísticas, onde os turistas, ainda menos que os locais, têm poucas possibilidades de antecipar a qualidade dos taxis e a rota que devem tomar.

Sem regulação, isto levaria a que apenas os piores motoristas sobrevivessem: aqueles que mais roubassem os clientes e gastassem menos na manutenção do automóvel teriam mais lucros, expulsando do sector os taxistas honestos. Por isso, a regulação fazia algum sentido para melhorar a qualidade do serviço e criar punições. Cursos e testes psicológicos faziam sentido. Não ajudou muito, é verdade, mas terá contribuído alguma coisa para que o serviço não fosse ainda pior.

Mas a chegada da Uber alterou tudo isso. Os motoristas são avaliados no final de cada viagem, a rota e preço fica registada na base de dados, garantindo que os motoristas desonestos ficam sem negócio e que apenas sobrevivem aqueles que prestam o melhor serviço ao menor preço. Deixou de fazer qualquer sentido a regulação que existia antes. Um mau motorista que entre no negócio, rapidamente sairá dele porque nenhum cliente quer um motorista com más avaliações, nem aceitará uma rota/preço diferente daquela surgerida pela app. As praças de táxi deixaram de ser necessárias, o que também eliminou a necessidade de limitar as licenças. Poderá fazer sentido terem seguro para passageiros, mas toda a restante regulação tornou-se obsoleta. É isso que taxistas e governantes deveriam entender. E, a bem da circulação nas cidades, quanto mais rápido o entenderem, melhor.

Insurgente memória: a privatização dos CTT

histeriaFoi há 3 anos que se iniciou a privatização dos CTT. Na altura não faltaram comentadores de esquerda e alguns elementos do Partido Socialista a anunciar o desastre que aí viria. Recordo por exemplo, este artigo do Daniel Oliveira entitulado “um crime sem perdão”:

Em vésperas de férias, o governo decidiu iniciar o processo de privatização de 100% dos CTT. Nenhum razão financeira o justifica. (…) Os Correios são um instrumento de coesão social e territorial. Aos privados interessará apenas o que dá lucro: Lisboa, Porto e cidades mais populosas. Ou abandonam as regiões mais remotas do país, ou fazem preços diferenciados, ou o Estado financia o que não rende (como faz hoje com várias empresas privatizadas). Ou seja, privatiza o lucro e mantem o prejuízo nacionalizado. Em qualquer um dos casos, ficamos a perder.

Este discurso era recorrente: assim que fossem privatizados, os CTT deixariam de entregar correio nas aldeias, o investimento na qualidade diminuiria e os trablhadores seriam todos despedidos. Já os lucros disparariam, alimentando accionistas estrangeiros. Os CTT estavam a ser vendidos baratos e o dinheiro não fazia verdadeiramente falta (diziam isto 2 anos depois do estado português quase ter ido à bancarrota).

Três anos depois o que realmente aconteceu? Nada de mais. As cartas continuam a chegar às aldeias como antes. Com um grande custo para os accionistas, o projecto do banco postal avançou, oferecendo hoje a alternativa mais barata do mercado para ter uma conta bancária (com menos comissões ainda que as do banco público). Muitos dos trabalhadores que poderiam ter sido despedidos devido à queda de necessidades no ramo postal, foram treinados para trabalhar no novo negócio da banca. O ano passado, os CTT distirbuiram 9 milhões de euros em bónus pelos trabalhadores. Mas a melhor notícia para a esquerda é que as acções já estão abaixo do preço a que o estado as vendeu. Se o dinheiro não fazia efectivamente falta, podem agora nacionalizar os CTT, recomprando as acções a um preço ainda mais baixo do que o venderam, e ainda ficam com mais um banco público.

Mas não o vão fazer, nem veremos pessoas como o Daniel Oliveira a defendê-lo. E sabem porquê? Porque hoje todos aceitam que o dinheiro da venda faz mais falta e que os CTT privados são uma mais-valia para o país. Porque estas histerias demagogas têm prazo de validade. Os comentadores sabem que podem fazer este tipo de previsões, porque assumem que quando se provar estarem errados já ninguém quererá saber do assunto. Na maioria das vezes têm razão.

Pós-graduação em Escola Austríaca da Economia no Porto

Fartos de fórmulas mágicas que prometem crescimento e só trazem dívida? Fartos dos economistas que falam nas televisões, mas que não passam de versões menos divertidas do Professor Karamba? Arrisque-se a aprender algo novo, 2 dias por semana no Porto a partir de Fevereiro de 2017. Venha conhecer alguns dos mais ilustres liberais de Portugal e do Brasil. As incrições estão abertos e os lugares são limitados. Podem inscrever-se aqui.

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Geringonça confirma: o campo político português está inclinado para a esquerda

screen-shot-2016-09-30-at-10-28-29-pmHá uma corrente de comentadores e políticos que gosta de contar a história de que o PSD e o CDS viraram à direita. Alguns mais excitados, gostam mesmo de dizer que o PSD se radicalizou. Este é um argumento que dá jeito a muita gente. Dá jeito aos líderes do PS porque assim podem afirmar que o enorme buraco ideológico que se criou entre PSD e PS desde Guterres não foi pela seu próprio processo de bloquização, mas pela radicalização dos outros. Interessa também aos aspirantes a oposição dentro do PSD que assim se podem afirmar como alternativa “moderada” e receber a benção de uma certa imprensa.

Felizmente nos últimos dias foi a própria propaganda da Geringonça que veio destruir este mito. Eles recordaram declarações passadas do líder do PSD e de um ex-secretário de estado do CDS que poderiam facilmente ser atribuídas a elementos de partidos socialistas europeus. Hoje foram também recuperar um vídeo do PSD de 2005 que demonstra novamente esse plano inclinado. A Geringonça confirma aquilo que andamos a dizer no Insurgente há mais de 10 anos: o panorama político português está inclinado para a esquerda. E foi essa inclinação que esteve na origem de quase 20 anos de estagnação, e também da bancarrota de 2011.

Inadvertidamente, a máquina de propaganda da Geringonça destruiu o mito da radicalização da direita que tinha tentado criar. Na verdade, teria sido bom para o país que PSD e CDS tivessem abraçado mais a economia de mercado como muitos dos seus partidos irmãos na Europa fizeram, com bons resultados para os países que governam. Mas não. O PSD e o CDS estão onde sempre estiveram: naquele convívio entre o socialismo e a economia de mercado, variando ligeiramente entre um lado e o outro de acordo com as circunstâncias e a situação do país. Se há hoje um buraco ideológico entre PS e PSD, ele foi criado pela radicalização do PS. Sem querer, a Geringonça comprovou isto nos últimos dias.

Quem não deve, ainda assim teme

percepcaoNão nutro grande simpatia por Cavaco Silva. O melhor que posso dizer sobre ele é que sempre que concorreu a eleições, a alternativa era pior. No último suspiro de Bárbara Reis como directora, o Público resolveu revelar que Cavaco deveria ter pago mais IMI durante 15 anos. O valor patrimonial da sua casa esteve subavaliado durante anos, algo que, como sabemos, é raríssimo acontecer em Portugal.

Mas a notícia é principalmente interessante pelo contexto. Nas últimas semanas tem-se discutido bastante o IMI e a forma como o governo PS-BE-PCP quer aumentar as receitas de impostos sobre património imobiliário. É evidente para todos que o governo, especialmente a sua componente BE, tem perdido esse debate na opinião pública. A notícia de um antigo líder do PSD ter tido o seu património subavaliado não poderia ter vindo, certamente por coincidência, em melhor altura. Depois há outro aspecto interressante: os pagamentos de IMI só são conhecidos por quem os paga e pela administração fiscal. Fica assim por saber se foi Cavaco ou a administração fiscal a passar a notícia ao Público. Provavelmente foi Cavaco que teve um lapso e contou tudo ao Público, porque a alternativa (que alguém na administração fiscal quis fazer um favor ao governo, revelando informação confidencial) é demasiado má para ser verdade.

Percebem agora a importância de manter a administração fiscal fora das contas bancárias?

Lições da crise grega – para quem quiser aprender

Lessons from the Greek crisis (#1): The worst enemy for the Left is the Left in power.

Lessons from the Greek crisis (#2): “Dignity” is a catchy ethnopopulist term to feed the masses. But at some point they’ll need actual food.

Lessons from the Greek crisis (#3): The greater the lies and populist BS that propel you to power, the greater your (inevitable) downfall.

Lessons from the Greek crisis (#4): When you have absolutely no arguments to use, just blame neoliberalism. It’s easy. And it always works.

Lessons from the Greek crisis (#5): Never make an egomaniac fool with a narcissistic personality disorder your Finance Minister. Just, no.

Lessons from the Greek crisis (#6): The starkest anti-establishment critics turn into the fiercest establishment proponents, once in power.

Lessons from the Greek crisis (#7): The political transition from a decades-long two-party status-quo to a multiparty one can be very messy.

Lessons from the Greek crisis (#8): There is no better refuge for an extreme populist with no arguments than a good conspiracy theory.

Lessons from the Greek crisis (#9): When many people distrust media/pollsters/politics, polls often fail to grasp true anti-establishment vote.

Lessons from the Greek crisis (#10): In the age of post-truth politics, facts don’t win elections. Sentiment and perceptions do.

Lessons from the Greek crisis (#11): Old media that depend on vitriolic sensationalism will eventually be confronted w/ sensational vitriol.

Lessons from the Greek crisis (#12): Every half-decent extreme populist politician has an armada of conspiracy-hungry trolls backing him up.

Lessons from the Greek crisis (#13): Overestimating power of status-quo & underestimating width of anti-establishment vote = very dangerous.

Lessons from the Greek crisis (#14): Chronically weak institutions can do very little to counter ideological whims of new populist govts.

Podem ver a sequência aqui.