As origens da pobreza

Há não muito tempo Portugal e a Irlanda estavam juntos na cauda do pelotão europeu. Hoje a Irlanda é um dos países mais ricos da Europa, com um salário médio que é mais do triplo do português. Os motivos desta divergência são complexos, mas podemos usar um pequeno exemplo recente para perceber porquê.

Nos últimos anos, a Apple beneficiou de isenções fiscais acordadas com o governo Irlandês. Graças a essas isenções fiscais, a Apple criou milhares de empregos qualificados na Irlanda beneficiando milhares de jovens qualificados. Indirectamente, ajudou ao crescimento de uma indústria de tecnologias da informação sem paralelo na UE. Mas a Comissão Europeia julgou essas isenções ilegais e condenou a Apple a pagar 13 mil milhões de Euros à Irlanda em impostos devidos. Para termos uma ideia, 13 mil milhões é mais do que Portugal gasta num ano no SNS ou na Educação. Seria uma lotaria para o governo Irlandês que, já tendo os empregos, ainda ficaria com a receita fiscal. Mas a Irlanda, principal beneficiária imediata, recorreu: não quer receber os 13 mil milhões de euros. Loucura? Não. A Irlanda percebe o quão importante é a sua credibilidade externa. Prefere abdicar de 13 mil milhões de euros para assegurar que no futuro investidores internacionais não suspeitem da boa fé do governo irlandês.

Voltemos a Portugal. Há uns meses, o governo português tinha assinado contratos com investidores estrangeiros para a concessão de redes de transportes públicos. Mal ou bem, havia um contrato assinado com investidores internacionais. A primeira coisa que este governo fez foi voltar atrás nesse contrato por motivos estritamente políticos (foi condição do PCP para apoiar o governo). O governo decidiu atirar a credibilidade do país para o charco apenas para agradar a um dos partidos da coligação. Não irá receber nada em troca e até é provável até que acabe por ter que pagar uma indemnização.

Ou seja, de um lado temos um país disposto a abdicar de 13 mil milhões de euros para manter a sua credibilidade perante os investidores, porque sabe o quanto isso é importante no futuro do país. Do outro, um país que se descredibiliza perante os investidores internacionais à borla por motivos políticos.

A cereja no topo do bolo foi a reacção do governo português à decisão da Comissão Europeia sobre a Irlanda. Enquanto a maior beneficiária imediata da decisão recusa receber os 13 mil milhões de euros, Portugal já disse que ia tentar ver se teria direito a alguma pequena parte daquele bolo. Enquanto a Irlanda se senta à mesa a defender a sua credibilidade perante os investidores, Portugal gatinha por debaixo da mesa na esperança de lamber umas migalhas.

Escolhas

NogueiraEm 2015 havia duas escolas secundárias no concelho de Caminha. Nenhuma das duas fazia selecção de alunos e ambas custavam o mesmo ao contribuinte. Ambas tinham ensino profissional e serviam alunos do mesmo estrato social. A Ancorensis foi a 134ª no ranking nacional das escolas secundárias e a Escola Básica e Secundária Sidónio Pais foi a 199ª, mais de 60 lugares abaixo. Em 2016, o Ministério da Educação decidiu que só havia capacidade para uma. A Ancorensis fechou. Motivo: a outra tinha mais afiliados na FENPROF. Os 67 trabalhadores que fizeram daquela escola a melhor de Caminha ficaram todos sem emprego. O custo e a qualidade do ensino ficam para segundo plano. Objectivo atingido.

“Ao serviço dos trabalhadores e do povo”

Diz o PCP a propósito da isenção de IMI do seu património de 15 milhões de euros:

“O papel reconhecido constitucionalmente aos partidos e sua atividade política deve continuar a ter expressão no regime tributário. O PCP considera que a sua atividade e objetivos inteiramente postos ao serviço dos trabalhadores e do povo justificam esse reconhecimento.”

Vou dar de barato que todo o património do PCP isento de IMI (os tais 15 milhões de euros, quase tanto como os outros grandes partidos juntos) estão “ao serviço dos trabalhadores e do povo”. Vou dar de barato que todo aquele património são sedes do partido pelo país fora onde se realiza trabalho político. Mesmo aceitando isto, o que está mais ao “serviço do povo”: as sedes do PCP ou as casas em que esse povo vive? Estarão as sedes do PCP mais ao “serviço do povo” do que as casas onde esse mesmo povo vive? Estando ambas ao serviço do povo, porque é que as sedes partidárias estão isentas de IMI e as habitações primárias de cada um não? Estará o PCP a querer dizer que as suas sedes servem mais o povo do que a própria casa das pessoas?

Novidades da acção governamental do PCP

O representante do PCP no governo acabou de admitir 7306 funcionários com contrato precário. A questão que fica é: se é tão fácil contratar sem termo (como normalmente defende a esquerda quando se fala de empresas privadas) porque é que um ministério oficiosamente gerido pelo PCP não contrata estes professores directamente para os quadros? O que os impede de o fazer?

Manifesto: Pela elevação do estatuto legal do embrião humano ao de animal de estimação

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Nos últimos dois anos o país progrediu imenso na defesa dos direitos dos animais de estimação. Seres indefesos e totalmente dependentes da vontade humana para sobreviverem, muitos destes animais são maltratados, violentados e até mortos quando os donos decidem que não desejam mais submeter-se ao esforço de os manter. O combate a esta imoralidade ganhou contornos legais nos últimos anos, passando a existir legislação que protege estes seres indefesos, apesar de não terem o mesmo estatuto legal dos seres humanos. Não mais o dono de um animal doméstico poderá argumentar que o animal é seu e a casa é sua e que, portanto, pode fazer o que quiser com ele. Não mais se poderá desculpar com o argumento de que não lhe dá jeito agora ter um animal ou de que não tem condições para cuidar dele. O direito ao bem-estar e à vida de seres indefesos passou a ser defendido pela nossa legislação.

Fora desta protecção legal ficou uma outra categoria de seres vivos indefesos: os embriões humanos. Um em cada seis embriões humanos com menos de 10 semanas é abandonado à sua morte nos hospitais portugueses. Muitos argumentarão que os embriões humanos são seres vivos inferiores a, por exemplo, uma tartaruga ou um gato, e por isso merecedores de uma menor protecção legal. Mas outros aceitarão que é uma injustiça que estes seres vivos não sejam protegidos tão bem como um periquito.

É em nome da igualdade de tratamento legal entre animais domésticos e embriões humanos que surge este manifesto. Se acredita que os embriões humanos são tão importantes e merecedores da mesma protecção legal que o seu hamster de estimação, pode assinar este manifesto na caixa de comentários. Junte-se a mais esta causa progressista, na defesa dos direitos dos mais fracos.

Porque é que os senhorios preferem alugar apartamentos a turistas em vez do rendimento certo de alugar a residentes permanentes?

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Os turistas ficam pouco tempo, não votam, ninguém tem pena deles nem tentam fazer política social com as poupanças dos senhorios. E não, a notícia não é de 1960. É mesmo de hoje.

O PCP tem orgulho na sua propriedade privada (mas só na sua)

19740811_ataque_ct_braga_pcpO PCP é o partido português com mais propriedade privada. No total, 15 milhões de euros ao serviço, entre outras coisas, de festivais de Verão e utilizado para gerar rendimentos para o partido sem que seja sujeita a impostos (a começar pelo IMI). Jerónimo de Sousa disse ontem que o património do PCP não se deve a “favores do Estado, nem de nenhum grupo económico-financeiro. Foi a contribuição de militantes e amigos do partido, de muitos democratas e amigos da festa”. Resta saber que tipo de contribuições é que estamos a falar. Foram contribuições em dinheiro ou sob outra forma? Quanta da actual propriedade do PCP foi “adquirida” antes de 1980? Quantos contratos legais de compra e venda tem o PCP referentes à sua propriedade privada antes de 1980? Quanta resultou de ocupações ilegais que o regime tratou de esquecer e nem coragem tem para taxar?

Da justiça fiscal e decisões em causa própria

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Da próxima vez que ouvirmos o PCP falar nas grandes fortunas que fogem aos impostos, saberemos que falam com conhecimento de causa.

O erro da proibição do burqini

3984240-thumb-300xauto-3475730No século VII, com o Islão a expandir-se em zonas maioriatiramente judaicas, cristãs e pagãs, o poeta cristão árabe Al-Akhtal fez questão de reagir recusando comer carne Halal e apelando a que outros fizessem o mesmo. O próprio Islão proibiu o álcool para se proteger dos hábitos pagãos. Nos EUA durante a segunda guerra, restaurantes japoneses eram fechados por representarem culturalmente o inimigo. A coca-cola e outras referências capitalistas eram fortemente restringidas na URSS. A história está cheia de civilizações que tentam proibir ou afastar do público símbolos do inimigo cultural e religioso.

É assim que deve ser interpretado a proibição do burqini. Por isso fazem pouco sentido os paralelos com fatos de surfistas ou com a forma como as freiras se banham na praia.Não se conhece na história recente nenhum grupo de surfistas que tenha chacinado pessoas num concerto ou nenhum grupo de freiras que tenha conduzido um camião na direcção de esplanadas cheias tentando matar e decepar o maior número de pessoas. Mas alguém já o fez em nome do Islão radical. E a associação do Burqini a esses eventos, ao inimigo, é inevitável. O burqini e o fato de surfista podem ser semelhantes no que tapam mas não no que representam. E é no que representam e na forma como os outros o vêem e sentem que está o problema. Com as devidas distâncias ir de burqini a uma praia de Nice causará o mesmo impacto nos presentes (tendo em conta as devidas proporções) que entrar numa sinagoga com uma suástica tatuada. É apenas por aqui que deveremos entender esta proibição.

Entendendo-a mesmo assim é um erro fazê-lo. A proibição faz muito pouco para combater o terrorismo islâmico e até será contra-produtiva, servindo para alimentar a ideia de que a Europa iniciou uma guerra cultural contra todo o Islão. Mesmo os mais radicais que defendem que essa guerra deveria existir, dificilmente defenderão que se deveria iniciar despindo mulheres na praia. Em segundo lugar, porque viola os mesmos princípios ocidentais que deveríamos estar a defender e coloca o Ocidente mais próximo daquilo que dizemos combater. A própria imagética de ter agentes da autoridade a despir mulheres na praia é um enxovalho à cultura ocidental e os paralelos com o que se faz noutros países com culturas diametralmente opostas à nossa é inevitável.

A proibição do Burkini é um erro porque demonstra a incapacidade do Ocidente lidar com o Islão radical de uma forma mais efectiva
. É um erro porque dá uma mais uma excelente arma de propaganda para o recrutamento de terroristas. É um erro porque, inadvertidamente e sem efeitos prácticos, se deu um ascendente moral (relativo, temporário e ligeiro, convém sublinhar) ao Islão radical.

Da série: “Se fossem coerentes, não seriam socialistas”

Notícia de hoje:

Governo quer quotas por sexo no sector público e nas empresas da Bolsa
Dez anos depois da introdução das quotas mínimas nas listas eleitorais, o ministro Adjunto defende o alargamento do princípio ao sector público e à Bolsa. No futuro quer abraçar a paridade pura.

Escolhas do mesmo governo que quer impor quotas a empresas privadas:

Ministros no governo:
13 homens
4 mulheres

Administradores da Caixa Geral de Depósitos (escolhidos pelo governo)
18 homens
1 mulher

Aniversário do Plano Macroeconómico do PS

Celebra-se por estes dias o 1º aniversário do plano Macroeconómico detalhado que o PS apresentou a eleições. O plano foi louvado pela imprensa e muitos comentadores como algo inovador, como a demonstração da preparação técnica do PS para governar. Os leitores mais frequentes do blog lembrar-se-ão que, por inúmeras vezes, pedimos aqui que fosse disponibilizado o modelo que deu origem ao plano, sempre sem sorte. Na altura, coloquei aqui em causa se os pressupostos e resultados eram realistas. Passado quase 1 ano da sua apresentação, podemos hoje verificar como está a correr a implementação desse plano.

Nos gráficos abaixo podem ver na primeira coluna aquilo que os economistas do PS previam que iria acontecer em 2016 se o PS fosse governo. Na segunda coluna, aquilo que os economistas do PS previam que iria acontecer em 2016 se o PSD/CDS se mantivessem no poder. Na terceira coluna, podem ver o que está realmente a acontecer até ao final do 2º semestre.

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Os gráficos falam por si: Os números homólogos indicam que temos um terço do crescimento, um terço do emprego criado e um crescimento da dívida pública em vez da pevista queda. Não só a economia está bastante pior do que o plano original do PS, como está bem pior do que o PS previa que iria estar se PSD/CDS fossem governo. Reparem que isto não são números do PSD ou do CDS. São os próprios números do PS que dizem que a economia estaria melhor se eles não tivessem sido governo. Veremos se os próximos 6 meses reverterão a situação. Cá estaremos para acompanhar.

Para além de Mário Centeno, estiveram envolvidos na elaboração desse plano as seguintes pessoas:

Vítor Escária
Fernando Rocha Andrade
Francisca Guedes de Oliveira
João Nuno Mendes
João Leão
Manuel Caldeira Cabral
Paulo Trigo Pereira
João Galamba
José Vieira da Silva
Elisa Ferreira
Sérgio Ávila

Emprego: uma história de segundos trimestres (2)

O Pedro Romano respondeu aqui ao meu artigo sobre a evolução do emprego nos segundos trimestres de cada ano. Ele evidenciou que, corrigindo pelo número de desempregados em programas ocupacionais (que baixou mais este ano que no ano passado), a criação de emprego foi semelhante em 2015 e 2016, apesar da diferença de crescimento económico. Vou excluir a hipótese, não de todo improvável, de que há uma nova categoria de ocupados mais difícil de identificar estatisticamente e assumir que de facto a criação de emprego é a mesma.

Seria de facto um puzzle interessante a economia estar a crescer menos que no ano passado, mas a criar o mesmo número de empregos (excluindo ocupados). A questão é que a ligação a ser feita não é entre a economia e o número de empregos, mas entre a economia e o número de horas trabalhadas. Criar 2 empregos de 30 horas semanais não é o mesmo para a economia que dois empregos de 40 horas. Para percebermos isto, convém olhar para as horas de trabalho efectivo dos emrpegados em Portugal. No próximo gráfico poderesmo ver a evolução homóloga do número de empregados com duração efectiva da semana de trabalho superior a 30 horas:

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Antecipando o comentário do Pedro Romano, podem também ver em baixo a mesma evolução corrigida de programas ocupacionais (utilizando o pressuposto conservador de que todas as pessoas em programas ocupacionais trabalhavam mais de 30 horas semanais).

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Os valores para a variação em cadeia podem ser vistos abaixo e contam exactamente a mesma história:

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Tanto num caso como noutro é claro que há menos empregos a ser criados com duração efectiva de trabalho acima das 30 horas. Ou seja, mesmo que o número de empregos esteja a ter uma subida semelhante à do ano anterior, o número de horas trabalhadas terá tido um aumento bastante inferior, provavelmente em linha com o crescimento da economia.

Mentirómetro: análise a João Galamba

Ontem em discussão com o deputado ex-deputado Luis Menezes, João Galamba escreveu o seguinte:

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Vemos aqui dois argumentos:

1. Há um ano o número de ocupados em programas do IEFP estava a aumentar
2. A população activa está a aumentar este ano e estava a cair no ano passado

Olhemos então para os números para testar se João Galamba diz a verdade.

1. Número de ocupados

Podemos começar pelos número de ocupados em programas do IEFP que o João Galamba diz que estavam a “disparar”. Em baixo podem ver a evolução do número de ocupados em 2015 por esta altura:

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(Fonte: IEFP, dados originais aqui)

Dificilmente alguém olha para este gráfico e diz que o número de ocupados estava a “disparar” em 2015. Qualquer pessoa sensata usaria mais facilmente o verbo “descer”. No entanto, João Galamba não refere em relação a que período de tempo é que o número de ocupados estava a “disparar”. Vamos então dar o benefício da dúvida a João Galamba e olhar para a mesma evolução mas em relação ao mês anterior (variação em cadeia) e ao mesmo mês do ano anterior (variação homóloga). Analisemos a evolução do número de ocupados em Julho de 2015 em relação a 3 pontos distintos de tempo:

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(Fonte: IEFP, dados originais aqui)

Em qualquer período de referência, o número de ocupados estava a descer. De “descer” a “disparar” vai a distância de uma enorme mentira.

2. População activa

João Galamba diz que a população activa está a aumentar este ano e não estava no ano passado. Mais uma vez João Galamba não diz em relação a que período de tempo a população activa sobe este ano quando caía no ano passado. Dando novamente o benefício da dúvida, vou analisar aqui a evolução da população activa em relação a 3 pontos de referência: o trimestre anterior, o princípio do ano e o mesmo trimestre do ano anterior:

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(Fonte: INE, dados originais aqui)

Se João Galamba se referia ao trimestre anterior, então disse uma meia verdade: a população activa está mesmo a crescer. Mas no ano passado por esta altura também cresceu, e até um pouco mais. Pelo que “e a população activa caía; agora aumenta” é falso. Ainda mais falso se olharmos para o que aconteceu desde que o governo tomou posse. Desde o princípio do ano a população activa caiu em Portugal. No mesmo período do ano passado tinha subido. Exactamente o oposto do que afirma João Galamba. Mais uma enorme mentira.

Emprego: uma história de segundos trimestres

O segundo trimestre de cada ano tende a ser o melhor para os números de empregos (algo que o INE corrige, em parte, nos valores ajustados pela sazonalidade). É um trimestre onde costuma haver mais criação de emprego, especialmente temporário. Nos 3 últimos anos tem existido uma recuperação contínua no emprego, com os números de pessoas empregadas a crescer constantemente. Portanto, ter o emprego a subir não é novidade. Ter o emprego a subir no 2º trimestre ainda menos. Para entendermos se as notícias sobre o emprego são efectivamente boas, convém comparar este segundo trimestre com os segundos trimestres de anos anteriores.

Olhemos então para o primeiro gráfico. Aqui está representado o aumento de empregos do 2º trimestre em relação ao mesmo trimestre do ano anterior:

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Não é muito difícil de perceber que a criação de emprego este ano esteve bastante abaixo dos dois anos anteriores. O ano passado, em termos homólogos, criaram-se 3 vezes mais empregos do que em 2016. Em 2014, 4 vezes mais. Claro que esta variação tem também em conta o que aconteceu nos 3 trimestres anteriores. Para eliminar este efeito, podemos olhar apenas para a variação do 1º para o 2º trimestre em cada um dos anos:

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A variação do número de empregos do 1º para o 2º trimestre foi, este ano, bastante inferior à do ano passado e em linha com 2014. O mesmo padrão encontra-se quando se analisa a variação nos dois primeiros trimestres do ano:

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Entre o último trimestre do ano passado e o 2º trimestre deste ano foram criados cerca de metade do número de empregos que no ano passado no mesmo período. O crescimento do emprego este ano está em linha com o que aconteceu em 2014. Nesse ano a economia cresceu 0,9%. O Orçamento de estado para este ano apontava para 1,8% e o plano macroeconómico de Centeno para 2,4%. Se os números do emprego do 2º trimestre são indicadores de alguma coisa é de que a economia está a desacelerar e de que está a ser perdida capacidade de criar emprego. Veremos o que acontecerá nos dois próximos trimestres.

Da série “Acabou a austeridade”*

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*Mas só para os reformados com pensões acima de 5000€ e funcionários públicos com salários acima de 1500€.

Uma questão de dignidade

img_890x500$2016_04_02_00_36_53_281751Quando surgem casos como os das viagens ao Europeu existe a tendência de comparar o incomparável. Não é a mesma coisa um secretário de Estado cuja tutela está em litígio com uma empresa aceitar um presente de grande valor dessa empresa, e um outro secretário de estado sem relação directa com a empresa fazer o mesmo. Por isso, a situação de Rocha Andrade é diferente da dos outros dois secretários de estado e a situação dos três é diferente da dos deputados do PSD. Mas a realidade é que os três deputados do PSD, mesmo pagando, não foram convidados pelo empresário Joaquim Oliveira pela cor dos seus olhos, mas pela posição que têm e, acima de tudo, pela que podem vir a ter. A desculpa da práctica habitual não se coloca porque estamos numa fase da vida política em que muitas das prácticas habituais estão, e bem, a ser eliminadas. O líder do seu partido, a quem não terão certamente faltado convites, resolveu viajar por conta própria e afastar-se das zonas VIP, reconhecendo exactamente a necessidade de acabar com as “prácticas habituais”.

A forma como justificaram as faltas ao parlamento, e a forma como o líder parlamentar as aceitou, só agrava o problema. Presidente e vice-presidente da bancada deveriam ter a dignidade de aproveitar o novo ano parlamentar para darem o seu lugar de liderança a outros e seguirem o seu percurso como deputados. Não tendo cometido um pecado capital, nem tendo cometido uma falta sequer próxima da dimensão da de Rocha Andrade, os dois deveriam assumir o erro. É no assumir de pequenas faltas que se vê a dignidade de um político e, acima de tudo, é assim que um partido pode marcar a diferença ética em relação aos outros. O PSD e os dois deputados têm aqui uma oportunidade de ouro de marcar a diferença. Que Luis Montenegro e Hugo Soares tenham essa dignidade.

BE: o partido que nunca pede demissões em público

Questionado sobre se o BE pediria a demissão do secretário de estado dos assuntos fiscais, o deputado Pedro Filipe Soares garantiu que o BE “não faz sugestões públicas desse cariz”. Portanto, o BE nunca pede demissões no governo em público? Vamos lá consultar o Google para ver se houve uma ou outra excepção no passado:

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Código de conduta da administração fiscal

Podem ler na íntegra o código de conduta da administração fiscal, disponível aqui.

Ficam aqui algumas alíneas do ponto 4:

Os trabalhadores devem desempenhar as suas atividades públicas e privadas de modo a reforçar a confiança na integridade, objetividade e imparcialidade do serviço público que representam. (…)

Os trabalhadores devem conjugar o exercício dos seus deveres profissionais e das suas atividades ou interesses privados de forma a prevenir o surgimento de conflitos de interesses reais ou potenciais. (…)

Os trabalhadores não devem pedir ou aceitar presentes, hospitalidade ou quaisquer benefícios que, de forma real, potencial ou meramente aparente, possam influenciar o exercício das suas funções ou colocá-los em obrigação perante o doador. A aceitação de ofertas ou hospitalidade de reduzido valor (objetos promocionais, lembranças, …) não é censurável se não for frequente, estiver dentro dos padrões normais de cortesia, hospitalidade ou protocolo e não for suscetível de comprometer, de alguma forma, ainda que aparente, a integridade do trabalhador ou do serviço

E, não menos importante, o ponto 3:

Os dirigentes e chefias têm a especial responsabilidade de, através das suas ações e comportamentos, constituir exemplo dos valores de serviço público, de os incutir em todos os aspetos do trabalho e da organização dos serviços e de encorajar e manter o diálogo sobre os valores de ética profissional e de serviço público.

Sincronia

A seleção de andebol da França chegou aos Jogos Olímpicos de Atlanta com o título mundial mas não foi além do quarto lugar.

O selecionador, Daniel Costantini, justificou o fracasso com o facto de os jogadores terem passado mais tempo na companhia das atletas da natação sincronizada na Aldeia Olímpica do que a treinar e lançou uma previsão: «Ao menos, teremos uma boa equipa de polo aquático daqui a vinte anos».

No Rio de Janeiro, vinte anos depois, França terá a equipa masculina de polo aquático nos Jogos Olímpicos pela primeira vez desde 1992

(Retirado da nova, e muito recomendável, página do facebook do É Desporto)

Notas sobre as viagens pagas ao Europeu

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1. É evidente que ter empresas a pagar viagens e outros benefícios a políticos não é algo recente em Portugal, nem exclusivo de qualquer partido político.

2. A própria demora nas reacções de alguns partidos aos casos recentes demonstra a existência de telhados de vidro ou, pelo menos, a necessidade de um momento de prospecção para garantir que esses telhados de vidro não existem.

3. Apesar de tudo, o caso de Rocha Andrade é diferente dos outros dois secretários de estado e dos deputados que aceitaram convites de empresas, por dois motivos de ordem diferente.

4. O primeiro motivo é o facto de Rocha Andrade ser responsável por uma área onde existe um conflito de interesses entre o Estado e a Galp. Isso exigiria o cuidado da parte da GALP em não o convidar, mas, acima de tudo, o cuidado do próprio em não aceitar. Só este motivo basta para justificar a sua demissão e não a dos outros 2 secretários de estado.

5. Mas há um segundo motivo importante política e eticamente. Rocha Andrade é secretário de Estado de uma área que tem nos últimos anos pugnado pela firmeza absoluta na aplicação da lei, mesmo contra algumas prácticas e convenções sociais. Um secretário de Estado não pode exigir inspecções a vendedores de bolas de Berlim que não passem factura e ao mesmo tempo dizer que é socialmente aceite viajar à conta de empresas com as quais tem conflito de interesses. Não podemos ter uma aplicação da lei à norueguesa e ética política à brasileira.

6. Sempre que existem casos destes, gosto de regressar ao motivo original deles existirem: temos um estado grande e intrusivo em que políticos relativamente mal pagos tomam decisões que têm um grande impacto nas contas de grandes empresas. A tentação de um lado e do outro é demasiado grande e esquemas destes apenas se tornarão mais sofisticados e escondidos ao longo do tempo. Quanto maior o elefante, mais pulgas terá.

Vendedor de bolas de berlim multado. E o Secretário de Estado Rocha Andrade?

(Adenda: o Jornal de Notícias confirmou a versão de que a pessoa na imagem é um repórter seu e não um fiscal das finanças. Ficam as minhas desculpas ao repórter e ao Jornal de Notícias que compreenderá melhor que ninguém os riscos de confiar em fontes pouco credíveis. A fiscalização a vendedores de bolas de Berlim aconteceu mesmo e foi ordenada pela tutela de Rocha Andrade. O texto continua a aplicar-se a todos os vendedores que foram efectivamente multados, mas dos quais não ficou registo fotográfico)

Anda a circular nas redes sociais uma imagem de um fiscal das finanças a multar um vendedor de bolas de berlim na praia por, aparentemente, não passar factura (o sistema de passar facturas deve ser bastante fácil de transportar na praia).
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O mesmo secretário de estado que ordenou a fiscalização dos vendedores de bolas de berlim parece que aceitou um presente de valor elevado de uma empresa com a qual o estado tem uma disputa fiscal. Esperemos que seja condenado a pagar, no mínimo, a mesma multa que o vendedor de bolas de berlim.

O elogio da cegueira

deaf-blind-mute-monkeys1Sairam por estes dias os resultados das provas de aferição. Ficamos a saber hoje que as dificuldades dos alunos a matemática aumentam ao longo do percurso escolar. Quer dizer: nós achamos que é isso, mas também pode simplesmente ser o facto de que são provas que não contam para a nota e os alunos mais velhos percebem isso melhor que os mais novos e não se preocupam tanto com esses testes. A partir deste ano também deixaremos de perceber o efeito das escolas na aprendizagem, porque as provas são todas feitas a meio do ciclo, impedindo qualquer avaliação séria do efeito de escolas e professores no ensino. As provas que até agora davam informação preciosa para a gestão da rede escolar são, a partir deste ano, desenhadas para esconder o mais possível. Deixaremos de saber como evolui a performance dos alunos ao longo dos anos e como professores e escolas contribuem para isso. As melhores escolas não saberão que os seus métodos funcionaram e as piores não saberão o que têm que melhorar. As provas que deveriam servir para avaliar, hoje servem apenas para dar a ilusão de avaliação. Os efeitos de colocar um fantoche do PCP no ministério da educação sentir-se-ão por muitos anos.

A importância da liberdade de escolha

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A maioria dos pais em Portugal não tem capacidade para colocar os filhos num colégio privado. A única opção que lhe resta é a escola pública. Dentro da escola pública existe muito pouca liberdade de escolha, e toda ela é garantida pelas escolas com contrato de associação que ainda vão tendo alguma independência, com o benefício acrescido de até serem mais baratas para o erário público. Num misto de inveja e ignorância sobre os custos da escola pública, uma maioria de portugueses concordou que se eliminasse parte da pouca liberdade de escolha que existe. O argumento falacioso da duplicação de custos convenceu mesmo aqueles que não costumam alinhar com os extremismos de PCP e BE.

A partir do próximo ano haverá menos liberdade de escolha. Mais alunos não terão outra opção que não o ensino estatal. Se esta política continuar, a hegemonia do ensino estatal deixará a esmagadora maioria sem outra opção que não a escola estatal controlada politicamente por quem estiver no governo e nos sindicatos. O artigo de há dois dias sobre a forma como o BE educa os seus jovens talvez sirva de aviso. Um dia, as filhas e as netas pré-adolescentes daqueles que hoje aplaudem os “cortes aos colégios” irão chegar a casa e informar os pais que agora tomam banho no mesmo balneário que os meninos. Um dia, os filhos e os netos pré-adolescentes chegarão a casa e informarão os pais que o professor lhes pediu para beijar e tocar outros meninos para provar que o afecto não conhece género. Um dia, filhos e netos chegarão a casa e dirão aos pais que desejam mudar de sexo depois de uma aula sobre identidade de género dada por activista transgénero. Um dia, filhos e netos chegarão a casa felizes e sorridentes, mas sem saber ler nem escrever porque agora a escola não se importa com esse tipo de coisas. Quando isto acontecer, já será tarde para querer de volta escolas independentes na rede pública. Elas já terão desaparecido. Quem não tiver dinheiro, vai-se sujeitar à visão de educação do partido ou grupo de partidos que governar, por mais extremista que seja. A do BE já sabemos qual é.

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(nota: tal como a imagem do post sobre o acampamento, esta é da peça teatral “Macaquinhos”, que representa de forma sublime a visão do Mundo e da natureza humana partilhada por pessoas como as que organizam o acampamento de jovens do BE.)

Imposto sobre as janelas

Nos séculos XVIII e XIX, alguns países europeus (notoriamente a Inglaterra e a Irlanda) impunham um imposto sobre o número de janelas que uma casa tinha. Foi considerado um dos impostos mais estúpidos de sempre e teve algumas consequências arquitectónicas que resistem até aos nossos dias.

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Um acampamento de um partido de governo

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A jornalista Maria João Lopes do Público escreveu uma peça sobre a universidade de Verão do Bloco de Esquerda que decorre há já 13 anos. O Bloco de Esquerda é hoje um partido de governo e que insiste em ter todas as escolas sob supervisão do estado. É importante por isso ver o que o Bloco de Esquerda ensina aos seus jovens. Comecemos então a analisar a peça do Público:

“No acampamento construímos um pouco a realidade que queremos no mundo – uma realidade alternativa, livre de opressões.”

O mundo aguarda impacientemente a realidade alternativa livre de opressões que está a ser construída em Oliveira do Hospital.

Há, no entanto, algumas regras: não se permite sexismo, homofobia, ou racismo, por exemplo.

Não se permite? Mas não era suposto o acampamento ser livre de opressões? Se um dos participantes quiser fazer uma piada com loiras, vê esse desejo oprimido?

Depois há questões de funcionamento que implicam partilha de tarefas como limpeza ou segurança.

Também há voluntariado ou, como diz Catarina Martins, “uma treta” que só serve para roubar empregos a sério.

É um acampamento que se assume anticapitalista. E são cinco dias em que os participantes vivem o mundo que gostariam que existisse lá fora. De tal forma que, “quando se regressa do Liberdade, há quase um choque, de regressar à realidade”

Quando se regressa do acampamento anticapitalista há um choque: podem voltar a usar o iPhone, a beber coca-cola e não precisam de esperar 5 horas para comprar um rolo de papel higiénico. Deve ser aquele choque que sentem os cubanos quando dão à costa na Flórida.

“Ricardo Gouveia recorda que, numa das edições, experimentaram tornar as casas-de-banho e os balneários mistos. “

Jovens mulheres forçadas a partilhar um espaço de intimidade com homens? Que grande ideia! Não consigo vislumbrar nenhum potencial problema com isto…

“Tivemos uma situação em que uma rapariga se sentiu desconfortável com rapazes que usaram esta experiência para olhar para elas.”

Ahhh, que surpresa! Desta ninguém estava à espera. Então colocam homens e mulheres jovens nus no mesmo espaço e os homens olham para as mulheres? A malvada natureza humana sempre no caminho das utopias de esquerda. Imagino que tenham desistido dessa ideia de vez, certo?

“Voltámos às casas-de-banho separadas, mas continuamos a ter no nosso horizonte chegar um dia e poder dizer que vamos tornar isto misto, porque queremos mesmo desafiar os limites do género e os papéis de género e os pudores”

Traduzindo: um dia esperamos ter só homens impotentes e gays no acampamento. Mas para já são só 50%.

Naquele espaço verde, com praia fluvial, música, festas e debates, tudo é política. Até a intimidade e as experiências que se partilham em espaços de conversa, como o feminista ou o LGBTQIA+.

Tudo malta muito aberta, mas continuam a discriminar 16 letras do alfabeto.

Fala-se de sexualidade, de poliamor. “Costumo dizer que tudo é político”, diz Ana Rosa.

Portanto, a sexualidade e o poliamor são política. Então e as festas?

As próprias festas são pensadas para que sejam também políticas.

Ah, já entendi (wink wink😉 ). Há um clube de swingers no Barreiro que também faz umas festas “políticas” porreiras.
Mas olhemos então ao programa de debates do acampamento:

Alguns exemplos dos debates e dos temas que estão no programa deste ano: ‘(…) Desobediência civil (Irina Castro e Ricardo Martins);

Como aquela dos pais que inscrevem os filhos nas escolas com contrato de associação apesar dos cortes? Ou como a dos camionistas que vão abastecer a Espanha depois do aumento do imposto sobre combustíveis?

A Guerra dos Tronos e os Tratados Europeus (Pedro Filipe Soares);

Subtemas: “A troika de dragões e o austeritarismo dos Stark”, “Separação entre estado e religião – por Cersei Lannister” e “Whitewalkers: invasores ou refugiados?”

Houve mesmo descobrimentos? A história alternativa da expansão portuguesa (Bruno Góis e Carlos Almeida);

Mas o Bloco quer-nos tirar a única parte da história que temos alguma razão para nos orgulhar? Já imagino o tema do próximo ano: “Ganhamos mesmo o Euro2016? A história alternativa do golo do Éder”. O melhor é voltarmos às festas. Então, que festas haverá?

Haverá um “espaço feminista”, uma “festa feminista”, uma “festa LGBTQIA+”.

A festa do abecedário parece chata, mas esta festa feminista tem algum potencial. Em que é que consiste?

Numa festa feminista como esta não há espaço para sexismo nem machismo. Optou-se por ter DJ mulheres ou mulheres transgénero. Músicas com letras machistas, “nem pensar”, avisa Ana Rosa. Uma das DJ só vai passar músicas de bandas de raparigas.

Portanto, Quim Barreiros está definitivamente excluído, certo? E também há jogos e cowboiada?

“Quanto aos jogos, há um em que duas pessoas do mesmo género (binário ou não) trocam uma laranja com o pescoço. “Normalmente cai. É um desastre sempre, mas é divertido,”

Fazer cair a laranja é um desastre, mas é divertido. Isto deve dar para alguma metáfora política que agora não consigo vislumbrar.

Também fazem um “comboio de massagens” – as pessoas têm de fazer massagens nas costas de outra pessoa ou na cintura.

“É só uma massagem”, o truque mais antigo da história.

Não há stress

O BCP anunciou ontem os resultados do stress test feito pelo BCE à sua estrutura de capital. Um teste de stress deveria, pelo menos, considerar o pior cenário económico recente (preferencialmente piorá-lo um pouco). Atentemos então ao cenário considerado nos testes de stress:

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Ainda não passaram 10 anos desde a altura em que as taxas de juro da dívida portuguesa a 10 anos ultrapassaram os 10%. No entanto, o cenário de teste de “stress” não considera um cenário superior a 4%. Ainda não passaram 10 anos desde que a taxa de desemprego tocou nos 20%, mas o cenário de teste não considera mais de 15,2%. Também não faltam casos próximos de nós de quedas anuais do PIB superiores a 5%, mas o cenário não considera mais de 2,6%. Este teste tem tanto stress como uma funcionária do departamento de pescas de Castelo Branco. Ficamos assim a saber que uma crise como a de 2009-13 acabaria com o BCP. E não seria certamente o único.

O piquinho no desemprego

Pedro Bação fala na Destreza das dúvidas de um “pico do desemprego” em Setembro de 2015, o que é tecnicamente verdade (o desemprego em Setembro de 2015 foi maior do que em Agosto e Outubro, pelo que tecnicamente é um pico). Agora fica aqui esse pico no contexto apropriado:

desempregados

Com alguma boa-vontade, talvez lhe possamos chamar o piquinho do desemprego. Pode ser?

Irritar a esquerda

fe18ff5a-a7b0-4231-b280-e9e345e6f81a_LARGEHá muitas coisas boas que irritam a esquerda: o empreendorismo, a liberdade de escolha, a matemática, a Thatcher e o facto de todos os exemplos de milagres económicos terem ocorrido depois de políticas amigas do mercado. Mas também há coisas que não são boas, que também irritam a esquerda: a fome, uma fábrica de celulose à porta e o Trump. Por muito que me agrade ver certa esquerda irritada, não consigo desejar ter uma fábrica de celulose à porta. Por muito que uma certa esquerda sobrestime, minta e manipule a opinião pública sobre os efeitos para o ambiente de uma fábrica de celulose, continuo sem desejar ter uma fábrica de celulose à porta. Mesmo que a construção da fábrica de celulose seja uma vitória sobre o alarmismo, sobre a manipulação da opinião pública e sobre o histerismo mediático, continua a ser uma fábrica de celulose. E não a quero ter à minha porta.