Kenneth Arrow (1921-2017)

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Kenneth J. Arrow, one of the most brilliant economic minds of the 20th century and, at 51, the youngest economist ever to win a Nobel, died on Tuesday at his home in Palo Alto, Calif. He was 95.(…)
What Professor Arrow proved in his book “Social Choice and Individual Values” (1951) was far more sweeping. Not only would majority-voting rules prove unsatisfactory; so, too, would nonvoting systems of making social choices if, as was fundamental to his way of thinking, those choices were based on the preferences of the individuals making up the society. (Professor Arrow’s rules did not allow for dictators.)

The Arrow “impossibility theorem” ricocheted around the social sciences, noteworthy for its use of abstract mathematical concepts to generate a conclusion of sweeping applicability.

Professor Arrow’s research opened the academic field of social choice — a literature that ranges from a countries picking presidents to corporate boards picking business strategies. Having learned from him that no system works entirely well, academics turned to challenging follow-up questions, like whether some voting systems were better than others.(…)

(Fonte: NYT)

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Uma lição para o PSD

ps-psdDificilmente o país poderia ter um governo mais à esquerda do que este. O governo é liderado pelo PS mais ideologicamente extremado de sempre. É um PS que se confunde com o BE de há 10 anos na retórica, e cujos deputados apoiam abertamente partidos de esquerda radical noutros países. Nunca o PS esteve tão à esquerda desde os tempos do PREC. A somar a isto, o PS apenas governa graças ao aval de dois partidos histórica e assumidamente de extrema esquerda: o Partido Comunista Português e o Bloco de Esquerda. Todos estes factores juntos, tornam este o governo ideologicamente mais à esquerda desde o 25 de Novembro.

Mas a realidade não se coaduna com ideologias. Assim, é este governo ideologicamente tão à esquerda, apoiado pelo PCP e BE, que não aumentou a função pública em 2017, manteve o congelamento de carreiras e continua a limitar o pagamento de horas extraordinárias. Fora um governo de direita a fazê-lo e haveria greves todos os dias. A certas alturas na nossa democracia, houve muito mais greves por muito menos do que isto.

Imaginemos um hipotético cenário em que PSD e CDS tinham tido maioria absoluta nas eleições de 2015 e eram hoje governo. Que diferenças relevantes se notariam? Vejamos:

– Não teriam sido feitas reversões nos transportes
– A deriva ideológica na educação não teria acontecido
– Não teria existido uma queda tão abrupta do investimento público de forma a devolver mais rapidamente os salários da Função Pública
– O Salário Mínimo talvez fosse 10-15 euros mais baixo
– A Caixa teria sido recapitalizada com capitais privados (muitas dúvidas aqui) e a resolução do BANIF talvez tivesse custado menos aos contribuintes

O leitor consegue pensar em mais alguma diferença de política relevante? Dificilmente. Mas convém não nos esquecermos de uma coisa: este governo não é mais à esquerda, não por falta de vontade, mas porque a realidade não o permite. E, para lá das palavras, é dentro dos limites da realidade que se pode fazer política.

Portanto, nós temos o governo mais à esquerda que a realidade permite e, mesmo assim, não se notam muitas diferenças em relação ao que teriam feito PSD e CDS. Isto é preocupante, tanto para os portugueses em geral como para o PSD em particular. Para os portugueses é preocupante porque se apercebem de que não existem grandes alternativas no espectro político. Não existe um projecto político alternativo que não esteja no mesmo cantinho da realidade em que os partidos portugueses se colocam. Mas isto é também uma enorme preocupação para o PSD. Os eleitores começam a aperceber-se que entre o PSD e uma alternativa apenas ligeiramente pior, mas que consegue paz social, talvez não valha a pena o esforço de votar no PSD. Entre a social-democracia do PS e a social-democracia do PSD, pelo menos a primeira garante alguma paz social. Aqueles que, dentro do PSD, querem encurtar ainda mais o espaço entre eles e o PS, talvez devessem pensar melhor. Se a realidade empurra PS-PCP-BE para o mesmo espaço do PSD, talvez seja altura de olhar para o meio da sala.

Vamos lá assumir que os eleitores são burros

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Em Agosto de 2015, o PS apresentou o seu plano macroeconómico em que previa que, com o seu governo, o país cresceria 2,4% em 2016. Quatro meses depois, o PS tomou posse e, no primeiro orçamento de estado enviado para Bruxelas, afirmava que o PIB cresceria 2,1% em 2016. Após negociações com Bruxelas, reduziram a previsão para 1,8%. O ano passa e a economia fica muito longe de crescer em linha com o previsto. No Orçamento para 2017, quando o ano já estava no fim e as previsões para 2016 eram irrelevantes, o governo dizia que o PIB cresceria 1,2%.

A previsão passou de 2,4% para 2,1%, daí para 1,8% e já quase no final do ano, quando era óbvio que não poderia passar dos 1,3%, o governo aponta para 1,2%. O crescimento foi de 1,3%. A notícia foi dada assim:

Observador: PIB cresceu 1,3% em 2016, abaixo de 2015 mas acima da previsão do Governo
Eco: PIB acima da estimativa do Governo, abaixo de 2015
Público: PIB terá crescido menos que em 2015 mas acima das previsões do Governo

Atenção Porto: apresentação do livro “Manifesto anti-Keynes”, amanhã, 19 horas na Universidade Lusófona do Porto

A apresentação contará, para além do autor e de mim próprio, com a distinta presença do Ricardo Lima, Presidente do Instituto Mises Portugal. Haverá também sessão de perguntas e respostas (e um ou outro insulto, se estiverem para aí virados).

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Sondagem de fim-de-semana

Que força política tem estas medidas no seu plano eleitoral:

– Criar uma “economia patriótica”, impedindo que investidores estrangeiros controlem os setores “importantes”,
– Redução “imediata” dos preços do gás e eletricidade em 5%, uma das várias medidas para estimular o poder de compra,
– Diminuição da idade da reforma para os 60 anos (com 40 anos de descontos para uma pensão completa) e aumento dos salários da função pública, mantendo a semana de trabalho de 35 horas,
– Permitir que o Banco Central financie directamente o estado,
– Saída do Euro,
– Abandono do comando militar integrado da NATO.

a) Parrtido Comunista Português
b) Bloco de Esquerda
c) Syriza
d) Partido trabalhista Inglês
e) Frente Nacional Francesa
f) A agenda para a década a ser acordada entre PS, BE e PCP
g) Todos os anteriores

(podem ver a resposta certa aqui)

Donald Trump ordena o assassinato de menina americana e mais 13 potenciais refugiados do Yemen

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President Donald Trump personally approved the U.S. raid in Yemen that reportedly left two Americans dead—a Navy SEAL and an 8-year-old girl. The Guardian reported Wednesday that U.S. military sources confirmed Trump’s ties to the raid, which was launched to obtain intelligence on operations by al Qaeda in the Arabian Peninsula and during which 14 people died. (Daily Beast)

Escolas de degradação rápida

Em Março de 2016, o Ministério da Educação fez um estudo (chamemos-lhe assim) que serviu de base ao fim dos contratos com escolas públicas de gestão privada. Nesse estudo, a Escola Secundária Alexandre Herculano no Porto era indicada como uma alternativa aos alunos que saíssem dessas escolas:

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Dez meses depois, o que aconteceu?

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Lembram-se quando se dizia que a poupança com escolas com contrato de associação ia para a melhoria das condições da escola pública?

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Enquanto alguns alunos têm que frequentar escolas sem condições, há um conjunto de escolas com excelentes condições, mas sem alunos. Alguns chamam a isto defender a escola pública.

Pirro versus Costa

guerra221Quando o rei Pirro do Épiro derrotou os romanos na segunda batalha da Guerra Pírrica, relatos contam que Pirro terá dito que mais uma vitória daquelas o arruinaria completamente. Cunhou assim para a eternidade o termo “vitória de Pirro” que descreve uma situação em que uma vitória acaba por ser prejudicial ao vencedor. Nunca foi criado um termo com o significado oposto. fica então aqui a minha proposta aos historiadores: “Derrotas de Costa”. Costa foi derrotado nas legislativas e saiu delas primeiro-ministro. Foi novamente derrotado nas presidenciais e saiu reforçado. Mais uma derrota destas e acabamos arruinados.

Cá se fazem, cá se pagam

Marcelo foi hoje à televisão mostrar a Passos que quem coloca em causa as oligarquias em Portugal acaba severamente castigado. Mais do que isso, foi lançar o aviso a quem o tentar fazer no futuro.

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Manifesto Anti-Keynes – Apresentação, dia 18 às 19.00 no Grémio Literário, Lisboa

Um livro corajoso de Carlos Novais que será apresentado esta quarta-feira no Grémio Literário. Nas palavras dos autor, o livro pretende refutar o Keynesianismo em que o consumo cria a própria produção, o investimento cria a própria poupança e a despesa cria o seu próprio rendimento. A apresentação será feita pelo Adolfo Mesquita Nunes e por mim, que também tive o prazer de escrever o prefácio. Apareçam.
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O Novo Banco não será nacionalizado

Fica aqui a minha aposta pessoal. Por vezes, os comentadores parecem subestimar a capacidade negocial e manipulativa de António Costa. Tornar a nacionalização num cenário credível (e nisto, o BE e o PCP têm tido uma intervenção bastante útil) dá poder negocial nas discussões com os compradores. Se eu tiver razão, António Costa está a fazer um favor ao país, e a si próprio, ao deixar este cenário pairar no ar. E está também a usar a ingenuidade dos parceiros de coligação da melhor forma possível.

A fantochada dos “Movimentos Cívicos” em Portugal

6396575_rmim0 Cada vez que há uma qualquer polémica em torno de uma decisão política, os jornalistas correm a ouvir os representantes de movimentos cívicos com alguma ligação à decisão. Compreende-se: é uma forma de poupar tempo e dar a aparência de se ouvir os representantes dos afectados. A esquerda percebeu isso há algum tempo e foi criando movimentos cívicos um pouco por todo o lado, principalmente durante o último governo. Se tivessemos jornalismo crítico, esses movimentos só seriam ouvidos se cumprissem dois critérios:

1) Os movimentos serem independentes de partidos que beneficiem das suas posições

2) Os movimentos terem de facto alguma representatividade no grupo em questão (medido, por exemplo, pelo número de membros)

Na maioria dos casos, isto não acontece. Tomemos o exemplo da APRE, que se diz representante dos reformados. A APRE foi criada há 4 anos e, de acordo com o único plano anual publicado, tem cerca de 6000 membros (menos de 0,2% do total de reformados). A presidente é militante do Partido Socialista e, coincidência ou não, quando este governo tomou posse, o seu filho foi nomeado motorista do Ministério da Agricultura. O filho, claro, pode ser um excelente condutor e merecer o cargo por mérito, mas se a APRE representasse efectivamente os reformados, estes já estariam a questionar a possibilidade de conflito de interesses. E os jornalistas que tomam a APRE como representantes credíveis talvez começassem a pensar duas vezes.

Tempo novo para os reformados

Em 2014, o governo aumentou as pensões mínimas em 2,60€ por mês. Esta foi a reacção de Rosário Gama da APRE (Associação de Pensionistas e Reformados).

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A representante dos reformados acrescentou ainda:

“Apesar de haver uma reposição da legalidade com o fim da CES, a verdade é que o poder de compra não vai aumentar, porque aumentando os combustíveis aumentam os transportes e aumentando os transportes aumentam os bens de consumo” (Fonte)

Em 2017, o governo aumenta o complemento solidário para idosos em 2,11€ por mês. Fica aqui a reacção de Rosário da Gama:

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Problemas de calibração

Há quase um ano, o governo anunciou um aumento do ISP. O argumento utilizado na altura era o da neutralidade fiscal. O aumento do ISP iria apenas compensar a descida recente do preço do petróleo e respectivo efeito negativo no IVA. Relembro aqui as declarações de Centeno na altura:

O Governo vai atualizar o imposto sobre os combustíveis este ano, uma medida que Mário Centeno justifica com a necessidade de acomodar a descida dos preços do petróleo, que resultou numa queda do encaixe do IVA. “A queda de receita associada à diminuição do ISP é de 5 cêntimos na gasolina e 4 cêntimos no gasóleo”, afirmou o ministro, esta sexta-feira na apresentação do draft do Orçamento, assegurando que o imposto irá acrescentar exatamente aquilo que se perdeu: mais cinco cêntimos à gasolina e mais quatro cêntimos no diesel. O princípio é o da neutralidade fiscal. (…)
“O que estamos a fazer é conjugar a redução de receita fiscal que se obtém por efeito de obtenção do imposto e do IVA”, acrescentou, assegurando desta forma que esta nova taxa tem uma neutralidade fiscal face aos anos anteriores. (Fonte)

O porta-voz do PS, João Galamba, ao seu estilo, apresentava o mesmo discurso nas redes sociais:

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Um ano depois, o que aconteceu?

Segundo os dados da DGEG, entre 1 de Janeiro de 2016 e 1 de Janeiro de 2017, o preço do gasóleo subiu 20 cêntimos por litro e o da gasolina 16 cêntimos. Mais subidas são esperadas nos próximos dias. E, no entanto, a taxa adicional de ISP continua lá. Segundo a lógica, até deveria ter havido uma redução do ISP face ao que existia em Janeiro de 2016. Ficaremos a aguardar que se cumpra a promessa do PS:

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A democracia sob chantagem

paulo-macedoTem muita razão o André em defender Augusto Santos Silva que, numa conversa privada, usou uma expressão que, no contexto, não tem nada de errado. Escusado será dizer que se tivesse sido um ministro de outro partido a fazê-lo não se pediria menos do que a sua cabeça (porventura, o próprio Augusto Santos Silva estaria a fazê-lo). Também não encontraríamos nenhum comentador de esquerda a escrever um artigo como este do André.

Na mesma linha, o ministro da Saúde tem razão ao afirmar que mortes nas urgências em período de Inverno são normais. É evidente que são. Ninguém vai para as urgências por estar bem de saúde, por isso é normal que morram mais pessoas nas urgências do que no Solinca da Foz. Há dois anos quando afirmámos isto aqui neste blog e nas redes sociais, fomos acusados de insensibilidade. As mortes nessa altura não eram normais, eram o resultado da austeridade. A gritaria e o histerismo eram ensurdecedores.

Isto podem parecer notas sem grande importância, mas são sintomas de uma democracia doente em que diferentes situações despertam diferentes reacções consoante os actores no poder. Chegamos ao ponto em que há eleitores que preferem um governo um pouco pior a troco de paz social. É esse exactamente o objectivo de movimentos sindicais politicamente dominados e orgãos de imprensa ideologicamente enviezados. Isto não é política, é chantagem social. Não vai acabar bem.

A indústria mais competitiva do país

No sector mais competitivo do país a precariedade laboral é total. Qualquer um pode perder o emprego de um dia para o outro e não existem contratos sem termo. Não existem progressões automáticas e o normal até é um trabalhador ganhar menos a partir de certa idade. Quase não existem greves. Os conflitos são resolvidos por orgãos de justiça próprios, estando pouco expostos à lentidão normal da justiça portuguesa. A desigualdade salarial é extrema, porventura a maior de qualquer indústria, mesmo dentro da mesma empresa (ou sociedade anónima desportiva). É um sector onde as offshores são usadas livremente, estando quase imune à crítica por parte dos sectores políticos habituais. É também um dos sectores que mais facilita a mobilidade social. A meritocracia reina. Coisas como apelidos e redes de contactos são muito menos importantes do que noutras indústrias. Sem quotas, conta entre o grupo de melhores e mais bem pagos trabalhadores com muitas pessoas de raça negra, etnia cigana, madeirenses, açorianos e muitos jovens pouco qualificados. É das poucas indústrias privadas que floresce em Portugal. Foi, mais uma vez, uma indústria vencedora em 2016. Que sirva de lição.

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Tempo novo nas urgências hospitalares

Em Janeiro de 2015 morreram, no espaço de 3 semanas, 5 pessoas nas urgências do Hospital Garcia da Horta. Ficam aqui algumas das reacções:

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Em Dezembro de 2016, morreram 6 pessoas no espaço de 5 dias no Hospital Santa Maria. Fica aqui a única referência de capa:

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Em defesa das feiras de gado

vacaquerieO ministro dos negócios estrangeiros, Augusto Santos Silva, comparou, em conversa privada, a concertação social a uma feira de gado. Quem, julgando estar a falar em privado, não fosse capaz de uma metáfora destas que atire a primeira pedra. Da minha mão, nem um grão de areia terei coragem para atirar.

O representante da Confederação Agrícola Portuguesa já veio dizer que não achava “apropriada” a comparação. Tem razão. A comparação é, obviamente, injusta para as feiras de gado por diversos motivos:

– Nas feiras de gado cada um representa-se a si próprio. Na concertação social, pequenos e médios empresários são representados por pessoas que pouco ou nada partilham dos seus interesses. Desempregados, os principais afectados de muitas das decisões aí tomadas, não são representados por ninguém.

– Nas feiras de gado quem vende e compra tem como objectivo apenas o lucro e sofre directamente se tomar decisões erradas. Na concertação social, os sindicatos representam os interesses do PCP e de uma pequena parte de trabalhadores (os funcionários públicos) que, na sua maioria, não suportam os custos das decisões aí tomadas.

– Nas feiras de gado, os preços e termos de troca são decididos livremente por compradores e vendedores. A concertação social é um exercício de fixação e controlo de preços e termos de troca por representantes dos interesses instalados.

– As feiras de gado estão abertas a novos intervenientes no sector. A concertação social está vedada à entrada de novos participantes.

– Nas feiras de gado, são os compradores e vendedores com mais sucesso que mais peso têm nos preços finais de mercado. Na concertação social, os membros participam todos os anos por defeito e por decisão centralizada, independentemente da sua representatividade ou performance passada. Membros sem representatividade no sector estão presentes na concertação social por atribuição central, apesar de não representarem nenhum dos principais afectados pelas decisões.

BE e PISA, uma relação difícil

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No voto de condenação* (?!) do BE pelos resultados dos alunos portugueses no teste de PISA, os deputados do Bloco afirmam o seguinte:

Estes resultados e, em particular, os resultados do PISA 2015 são reflexos de contínuos progressos na Escola Pública ao longo de muitos anos e que, por isso, não podem nem devem ser tidos como produto da ação de um só ministro, de um só governo, de um só conjunto de medidas políticas.

Voltemos atrás e vejámos o que dizia o orgão de informação do Bloco de Esquerda quando saíram os resultados do PISA 2012:

O Bloco teme também queda futura no relatório PISA, com a política educativa do governo PSD/CDS-PP.(…) Sobre os resultados do relatório PISA 2012, conhecidos nesta terça-feira, Luís Fazenda assinala “uma imagem do progresso da escola pública em Portugal, salientando “que este relatório mal abrange este governo”. O Bloco realça que “temos bons resultados” “com uma Escola Pública que tinha um investimento privilegiado (…) “Hoje o que temos com o atual Governo? Um desinvestimento para metade da escola pública e uma tentativa de destruição da escola pública. Tememos que os resultados que aí venham no futuro sejam bastante inferiores com aquilo que tem sido a atual política educativa“, disse Luís Fazenda.

Para todos aqueles que têm pudor em atribuir o mérito destes resultados a Crato (com alguma razão porque existem vários factores, muito sem influência dele), tentem imaginar o que se diria hoje de Crato se em vez de subir, os resultados tivessem descido.

(*nota para os mais excitados: é evidente que o voto de “condenação” foi uma gralha do autor. Uma gralha engraçada, possivelmente um lapso freudiano, mas apenas isso.)

Trump e Mariana Mortágua: a mesma luta

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A dirigente do Bloco de Esquerda (BE) Mariana Mortágua afirmou hoje que o “protecionismo” económico pode ajudar a defender o Interior, designadamente no que concerne a setores vitais nestas regiões como o têxtil ou a agricultura.
“O protecionismo ou elementos de protecionismo podem ser políticas necessárias para proteger o Interior e a sua economia produtiva”, afirmou.
(…)
“Quando estou a falar de protecionismos estou ainda a falar de coisas como, por exemplo, impedir que seja assinado um acordo de comércio transatlântico com os Estados Unidos: isto é uma medida de protecionismo que é uma boa medida porque vai proteger a produção nacional”, acrescentou.
(Fonte: Diário de Notícias)

Por acaso, a melhor forma de proteger o interior era impor barreiras alfandegárias aos produtos vindos do litoral, que é de longe a região do Mundo de onde o interior mais importa. Vamos a isso?

Um dia histórico para a esquerda portuguesa

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A esquerda portuguesa em bloco chumbou ontem limites aos salários de banqueiros. PCP, BE e PS disseram ontem alto e em bom som que administradores de bancos públicos devem ganhar mais (muito mais) do que o primeiro-ministro que os escolhe e que o ministro que os tutela. Defenderam alto e em bom som que o presidente da administração da Caixa deve ganhar 20 vezes mais do que a empregada de limpeza da sucursal de Vila Real. Tiveram ontem a oportunidade de diminuir essa desigualdade, mas perceberam que o melhor para a Caixa era não o fazer.

Foi um dia histórico para a esquerda portuguesa. Ontem, finalmente, aceitaram que para certas posições se justificam salários elevados para que as empresas possam ter acesso aos melhores quadros. Digo finalmente porque ainda há pouco tempo defendiam ideias desastrosas como o limite dos salários dos executivos de empresas privadas. Ainda há pouco tempo achavam imorais os salários dos executivos.

Ontem foi diferente: a esquerda aceitou a desigualdade salarial como forma de premiar e garantir a boa gestão de uma empresa. Celebremos este passo único na literacia económica dos partidos de esquerda. Governar é o melhor antídoto contra o populismo.
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Alunos versus FENPROF

Pense por uns moments quais os ministros mais criticados pela FENPROF dos últimos 20 anos? Dois nomes vêm logo à mente: Maria de Lurdes Rodrigues e Nuno Crato. Devido às suas reformas, foram fustigados por Mário Nogueira e respectivo rebanho e acusados de estarem a querer destruir a educação. Agora observem o gráfico abaixo com a evolução dos resultados de PISA, o principal teste internacional de aprendizagem dos alunos portugueses, que é realizado de 3 em 3 anos. Desde 2000, houve apenas dois triénios em que os resultados melhoraram significativamente. Os triénios em que Maria de Lurdes Rodrigues e Nuno Crato eram ministros.

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O resultado da exigência na educação

A OCDE publicou hoje o resultado dos testes internacionais de PISA realizados no final de 2015. Pela primeira vez desde que são feitos, Portugal está acima da média em todas as áreas do conhecimento: matemática, literatura e ciências. Foi um dos países que mais melhorou entre 2012 e 2015, mesmo tendo feito cortes na despesa com educação nesse perído. Está de parabéns Nuno Crato, que combateu com coragem o eduquês num ambiente difícil. Veremos como se sai o ministro Mário Nogueira nos próximos 3 anos.

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Não é pesar, é homenagem

Ao contrário do que diz Passos Coelho, rejeitar um voto de pesar não se equipara, de todo, a festejar uma morte.

Todos os dias morrem centenas de pessoas em Portugal. Centenas de milhar pelo Mundo fora. A Assembleia da República não aprova votos de pesar por todas elas. Isso não quer dizer que os deputados daquela casa não lamentem a perda humana que essas mortes representam ou que festejem essas mortes. A Assembleia da Rapública não apresenta votos de pesar por todos os portugueses que morrem porque um voto de pesar não é uma forma de demonstrar tristeza pela morte de alguém. É sim uma forma de homenagear o seu percurso de vida. Quando um voto de pesar passa na Assembleia da República, os portugueses ficam a saber que os deputados daquela casa aprovaram por maioria uma homenagem à vida do falecido. Fidel Castro não merecia essa homenagem. Pese embora entenda o raciocínio de Passos, o PSD deveria ter votado contra a homenagem a Fidel em vez de ter alinhado no branqueamento da ditadura. Ao fazê-lo, desrespeitou a memória das dezenas de milhares de pessoas assassinadas por Fidel, que nunca tiveram direito a voto de pesar. E nisto (pelo menos nisto) o PSD deveria ser diferente.