Opções

Como alguns dos leitores já sabem sou mais um daqueles que recentemente optou por “votar com os pés” e ir dar uma volta para um qualquer local onde não fizessem questão de me roubar tanto. Por razões profissionais, e pela politica fiscal praticada para com as empresas (more on that later), acabei por vir parar à Irlanda um país que por enquanto me tem surpreendido pela positiva a vários níveis.

Uma das coisas que me surpreendeu foi precisamente ter de contratar um serviço de recolha de lixo. Essas coisas dos contentores do povo por aqui não existem e depois de falar com vários colegas sobre as experiências que eles tinham acabei finalmente hoje por contratar uma empresa para me fazer a recolha do lixo. Tinha quatro por onde escolher aqui na minha área cada uma com varias opções no que toca a tarifários dependendo obviamente do volume de lixo que pretendo produzir e despachar. Lá escolhi a empresa que mais se adequa às minhas necessidades e à minha carteira, com internet foi coisa para demorar uns 20 minutos porque também não há pressa.

Em Portugal dizem os iluminados que se não for o Estado a recolher o lixo é o caos e o país ficaria transformado numa lixeira a ceu aberto. Por aqui ainda não encontrei o tipico lixo (de simples sacos porque o contentor estava cheio aos colchões de cama envelhecidos) espalhado pelo passeio a que já estava habituado.

Ou seja, evita-se o lixo e os impostos o que é bastante bom. Já evitar os iluminados não tem preço.

Ainda os estados de alma

O Estado do país, é sabido, vai de mal a pior e o estado de alma dos portugueses teve uma grande viragem com as medidas anunciadas por Passos Coelho na última sexta que foram ampliadas ontem com a intervenção do Ministro das Finanças. Desde o anúncio do Primeiro Ministro a ferramenta que mais tenho usado para acompanhar o espirito dos portugueses tem sido mesmo o facebook, consigo ter acesso ao que pensam os amigos, os amigos dos amigos, os colegas, os conhecidos e até aqueles que longe do meu circulo se dedicam a escrever nas páginas públicas dos actuais membros do governo e o sentimento, genericamente falando, vai de mal a pior.

Usando a tal rede social tenho visto um pouco de tudo, desde o insulto ligeiro (que até será merecido vista a forma como os governantes nos insultam a inteligência todos os dias) aos apelos à violência passando por ameaças veladas de revolução ou até o simples activismo de sofá com frases como “Portugal está de luto”… o que tem a sua verdade. Pelo menos o sonho socialista morreu.

E o meu próprio estado de alma? É um misto de tristeza com um de justiça cumprida, afinal de contas o país não tem nada mais do que aquilo que merece.

Eu vejo os protestos contra a TSU mas vejo muito poucos a queixar-se que ela subiu para 36%. Só vejo choramingas a queixarem-se da repartição mais igual que há agora entre empregado e empregador e eu, meus amigos, tenho pouca paciência para isto. Eu não vi esta gente preocupada com a TSU quando “o grande capital” andava a pagar 23,75% de TSU do bolso deles asfixiando as empresas que lutaram para construir para encher os bolsos do Estado. Mais, vi alguns destes que agora reclamam os 18% de descontos a pedir (com sucesso) uma taxa especial para os ricos que a classe política teve o mau gosto de chamar “taxa de solidariedade”. Temos um país que, a pedido dos portugueses, tem uma taxa de IRS de 46%… e os meninos queixam-se de uma TSU de 18% ? Cry me a river. Diz o povo que “ladrão que rouba ladrão tem 100 anos de perdão” e por esse prisma a pena de PPC deve ser mais leve do que muitos julgam.

Estamos a falar de um país que elegeu o penultimo Primeiro Ministro com base num programa de governo que prometia o TGV entre outras loucuras financeiras. Isto não é brincadeira nem é passado longinquo. Isto aconteceu em Portugal apenas há 3 anos. Um país completamente alheado da realidade que o rodeava e por vontade própria, estas coisas não aconteceram sozinhas nem sem aviso prévio. Não há espelhos em casa dos portugueses? Mas nessa altura quem pagava a conta era os ricos, portanto estava tudo bem. Passam a vida a gritar contra “o grande capital” e agora admiram-se que não há capital para investir no país? Que as empresas fecham em vez de abrir? E querem resolver isso como? Com uma manif anti-troika? Mas anda tudo bêbado? Acham que sem a troika o dinheiro cai do céu?

Anda um clueless na televisão a dizer que estas medidas são a favor do capital (que vai levar com outros impostos e vai perder clientes) sem a mínima noção do que está a dizer e há um português que se lembra de abrir uma página de apoio para elevar este odio às empresas, de que o país precisa como de pão para a boca, a Primeiro Ministro? Estamos a falar da mesma pessoa que praticamente gozava o Medina Carreira quando este o avisava que o país estava falido. Perdeu tudo a cabeça?

Não, eu não consigo ter pena pena de Portugal. Fico triste por ver estes episódios mas pena não consigo ter. Um dia perguntaram a Francisco D’Anconia o que aconteceria ao mundo se continuasse na mesma trajectória de sempre e ele respondeu “Nada mais nem nada menos do que aquilo que o mundo merece”. E é esse o meu estado de alma, fiquem com o vosso que este país não tem emenda.

A moralidade do Capitalismo

Quanto mais perto estamos do fundo mais fácil é perceber que o nosso principal problema não é económico mas moral. Foi a rejeição da moralidade (do que é correcto fazer e porquê) que nos conduziu à situação actual. O recente roubo anunciado por Passos Coelho é apenas mais um degrau descido no caminho nem diria para a imoralidade mas para a amoralidade. Na Grécia as coisas vão já mais avançadas como podemos ver nesta sondagem que coloca Comunistas e Nazistas, passe o pleonasmo, com 42% do total dos votos mostrando a velocidade com que a decadência moral está a atingir a Europa.

Se queremos recuperar a nossa prosperidade temos antes que tudo de recuperar os nossos valores. Porque o Capitalismo não é apenas o melhor sistema económico, é também o correcto.

Por falar em respeito ao tribunal constitucional

Just saying… recorrer à autoridade pública parece-me fora de questão.

PS: O artigo por si só até nem está mau, mas tendo em conta todo o contexto em que está inserido, ou seja a constituição da república socialista portuguesa, e se contarmos todos os direitos que nos são devidos pelo documento é de estranhar ainda não andarmos todos à chapada. Por exemplo se a saúde é um direito e quando vamos ao hospital nos metem numa lista de espera parece-me constitucionalmente viável espetar um banano no burocrata que gere a lista até ele nos colocar no topo da mesma para termos acesso à saúde constitucionalmente garantida.

Demasiado rebuscado? Talvez, mas é assim que o socialismo nos vira uns contra os outros. E ainda há tipos que dizem mal do comércio livre, cada um sabe de si mas eu gosto mais de dinheiro do que de pancada.

Desobediência civil

O assunto foi mencionado ontem mas vale a pena trazer de novo para a página principal. Ultrapassar esta medida do governo é possível, de forma legal (por enquanto) e não violenta e estará nas mãos de cada um de nós de avaliar os prós e os contras das soluções mencionadas e informar as entidades patronais das opções disponíveis não só para aumentar o rendimento líquido dos colaboradores mas mais importante que isso reduzir o saque fiscal que querem impor aos portugueses.

A primeira medida seria pedir uma redução do vencimento base bruto à entidade empregadora, como contra-partida negociar vencimentos variaveis atribuídos em ajudas de deslocação ou despesas de representação (we’re all salesmen now!). Apesar de estes rendimentos estarem sujeitos a pagamento de IRS estão isentos de SS e portanto passam ao lado das medidas ontem anunciadas. Poderá ser possível em alguns casos até levar mais para casa líquidos do que anteriormente.

Se anda frequentemente de carro em alternativa ao mencionado acima poderá tentar negociar um cartão GALP Frota ou similar. Mais uma vez pagamentos neste cartão estarão isentos de SS.

Outro subterfugio que muitos portugueses já conhecem é o cartão À la card. Este permite que a entidade empregadora aumente a quantia relacionada com os subsídios de almoço com um menor agravamento fiscal. Tem o inconveniente que o cartão só pode ser usado em restaurantes e supermercados.

Sim, é uma chatice mas fica mais dinheiro no nosso bolso e menos no do Estado.  É uma boa causa para nos chatearmos, fora isto resta só votar com os pés e procurar melhores paragens.

Não é mau, é péssimo!

Discordando de AAA:

1) Ao optar por aumentar os custos totais da SS para os portugueses o governo decidiu alienar toda a população. Se era certo que, viesse o que viesse, a esquerda iria sempre ficar descontente haveria certamente sectores da população (eu incluído) que até aceitariam uma medida destas se no global o peso do Estado fosse reduzido. Mantendo tudo igual ao que foi proposto mas com uma contribuição do empregador de 16% em vez dos 18% a carga geral da SS baixaria para os 34% em vez dos 34,75%. Era muito pouco mas era um sinal positivo, o facto de o governo não querer ou não conseguir fazer uma redução de 0,75% é grave. Mostra incompetência não só orçamental mas também política.

2) O governo na sua preocupação constante pelos mais desfavorecidos (a classe média que pague a crise porque ricos já não moram cá) parece querer que pessoas que não pagam IRS passem a receber IRS. Isto não é mau, é catastrófico. Foi aberta uma caixa de Pandora que só será fechada com a completa falência do Estado português. Se o CDS vai nisto imaginem o que fará com base neste principio uma coligação à esquerda.

3) Se a medida é particularmente positiva para as empresas em apuros e que necessitavam urgentemente de conseguir baixar salários por outro lado é particularmente negativa para as empresas de sectores específicos onde os colaboradores têm bons salários e boa posição negocial. Aqui corre-se o risco de ver a medida em todo o seu esplendor, tomando o exemplo de um colaborador que esteja a auferir 2000€ brutos (o que equivale a 1380€ líquidos) para que o que leva para casa se mantanha os custos do empregador subirão quase 10% o que não é propriamente pouco. Com um aumento destes o poder negocial do colaborador poderá não querer dizer nada e sem dúvida que teremos mais um incentivo à emigração com a perca fiscal que isso implica (além de que, sem estes colaboradores pode não fazer sentido a empresa original continuar a trabalhar e portanto aumentar o desemprego). Com ou sem curva de Laffer mais uma vez vamos assistir a um aumento de impostos que retorna menos receitas. O que fazia falta era realmente liberalizar o mercado de trabalho e não o chico-espertismo apresentado.

4) A nível de despesa continuamos na mesma. Não se resolveu nada nem se mostrou vontade de resolver. Só por isso o país está condenado.

Anedotas

1) O Primeiro Ministro anuncia que conseguiu evitar um aumento generalizado dos impostos ao mesmo tempo avisa que vai haver um aumento generalizado dos descontos para a SS para 36%

2) Antes de nos impingir aumentos nos descontos obrigatórios para o Estado faz questão de nos lembrar que os portugueses são um povo livre.

Livre de emigrar só pode. Vá gozar com o Totta.