Marisa Got Talent

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Pequena entrevista a pessoa de grande mérito intelectual

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Após a confirmação por email, foi com enorme prazer que O Insurgente enviou o seu repórter Bel’Miró para um conversa com o Doutor Baptista da Silveira, especialista em várias coisas. Figura reconhecida nos meandros da ONU e Hollywood, é naturalmente convidado para participar em programas de debate televisivo sempre que o Doutor Adão e Silva mete férias ou não pode participar. Felizmente, e até ao momento, a sua participação nunca foi necessária. Bel’Miró encontrou o Doutor Baptista da Silveira no seu acolhedor pré-fabricado nos arredores da Fonte da Telha, em frente à lareira improvisada na praia onde já arde com gosto o primeiro Fiat Uno.

É sabido que a IIIª Guerra Mundial começou, mas ninguém sabe exactamente quando vai terminar. Poderá o conflito bélico afectar o normal funcionamento das jornadas restantes na 1ª liga?

Com o papel que Portugal tem na NATO, é expectável que sim. Como sabe, brancos sem educação universitária votaram no Trump. Ora, esta minoria social será, obviamente, chamada a combater no terreno, quer pela tendência bélica demonstrada no dia das eleições americanas, quer por serem essencialmente estúpidos. Onde encontra, em Portugal, a maior concentração de brancos sem educação universitária? Lá está, nos clubes da primeira liga, principalmente os que estão nos últimos dois terços da tabela classificativa.

Isto da IIIª Guerra Mundial, além da tragédia inevitável da chacina, também pode afectar a nossa saúde?

É provável que sim. Houve um grande desinvestimento em tanques híbridos e tanques eléctricos. São extremamente poluentes, reconhecidos emissores de elementos que comprovadamente causam cancro. Além disso, geram muito ruído, o que é extremamente desagradável para esta e para gerações vindouras. Pense nas grávidas que querem e precisam repousar, por exemplo. Mas não é só isso: o nível de pressão sonora de uma simples bomba de hidrogénio pode ultrapassar, com facilidade, os 85 dB, o limite tolerável por lei para os anúncios televisivos.

Como podemos sobreviver a esta hecatombe?

Quando a sociedade era dada a crenças religiosas, podia-se dizer que a solução é rezar. Porém, agora que evoluímos ao ponto de tolerar a Catarina Martins a manipular o governo, a nossa única hipótese é mais Europa. Pelos meus cálculos, só ali na zona do Golfo da Biscaia, cabia à volta de 300.000 km2 de Europa. Repare, estamos a falar de 30 milhões de hectares de Europa. Mas não vê ninguém a falar disto, pois não? Os interesses instalados não estão interessados em mais Europa. Ou acha que é porque o mar faz falta? A maior parte do planeta é mar!

Estamos mesmo perdidos?

Não, é fácil. Suba ali aquela pequena duna e já vê a estrada. Depois vire à esquerda e encontra logo a rotunda com as placas.

Quadro musicado: Nexus (2017)

Homem, tu que tremes
por ofensas em palavras,
Esconde bem esse pénis
Cobiçado pelas cabras.
E se em teu corpo tanto pesa
O que das irmãs se diz,
Porque a achas tão tesa
Se a moleza o contradiz?

Panasca, paneleiro,
Rabeta e bicha são
Palavras do cancioneiro
Que te causam aversão.
Porém, se te incomoda
Esta riqueza lexical,
Acalma-te numa foda
Extra-matrimonial.

E se homem falta faz
Para no estio acasalar
Vê lá se te satisfaz
Outras palavras assassinar.
Se não fosse tanto gelo
– e já que és tão popular –
Alegrarias o grelo
Que começa a mirrar.

poema

Análise ao poema de Boaventura Sousa Santos, “a ti, Fidel, quero-te mais que o mel” (2016)

Originalmente intitulado “Fidel, melhor que Pantagruel”, finalmente renomeado para “Na morte de Fidel”, este poema épico em língua Portuguesa representa o rumo da pós-modernidade na sua encarnação encarnada de cor encarnada da literatura séria lusitana posterior a 22 de Setembro de 2002 ou até, afirmo com arrojo, superior a tudo publicado e não publicado após 14 de Junho de 2001, altura em que Bel’Miró lançou o seu livro “Z: o fim inevitável do alfabeto”. Escrito em verso hiper- e subsilábico que desafia os cânones literários e neurológicos, o seu autor, Boaventura Sousa Santos, oscila deliberadamente entre a devoção sentida ao comunismo, assassínio de homossexuais e revoluções culturais à lareira e a propensão para o capitalismo suga-contribuinte que o emprega, permitindo a proliferação de discípulos que avançam a ciência em áreas tão vastas como a hegemonia do ser branco não-instruído nos clubes de xadrez não federados da Lapónia ou da divisão infinitesimal do eu fragmentado sem recurso a Super Cola 3. Tão importante obra carece de uma crítica que a enquadre, que a emoldure para a plebe inculta por desprovida de jargão científico para a compreensão da hipersensibilidade do id perante a inferioridade pluriracial do Mr. Ed. É exactamente isso que Bel’Miró se propõe a fazer. Avante!

É urgente um verso vermelho
que suspenda a animação deste desastre
pensado para durar depois do inverno

O autor chama a atenção para a problemática do verso cor-de-rosa, nunca devidamente reconhecido pela Academia de Versos Azuis. O desastre pensado para durar depois do inverno [sic] refere-se à sua própria existência como ser público e académico, que pretende manter por muitos e bons anos, haja dinheiro para mandar cantar um cego.

É urgente um verso vermelho
com todas as cores do arco iris
e o vento natural do universo

O “arco iris” [sic] refere-se à bandeira dos movimentos LGBT, posteriormente denominados LGBTIOPASDJHSKWGnPC^|DFA€‰±GGONA*?=3-RT. O autor afirma que o universo tem um vento natural, não um criado pela luxúria humana, e que é necessário um verso, uma ordem, de cor vermelha, de sangue, que assegure a naturalidade do vento universal. Sugere então o autor que se assassinem os homossexuais, como Fidel Castro, a quem o poema é dedicado.

É urgente um verso vermelho
que ponha de novo em movimento os comboios da imaginação
azeite puro em manivelas de razão quente
o peso da história de novo levíssimo
a rodar sobre perguntas livres e ruínas vivas
a paisagem mudar primeiro lentamente
enquanto vão entrando vozes ainda submersas
e corpos mal refeitos da desfiguração da guerra e do comércio
das crateras e promoções

O autor propõe aqui o uso de azeite e sangue para movimentar os comboios da imaginação, como é natural. A dificuldade nos primeiros quatro versos está no significado de “comboio” que, para quem não sabe, é uma prática sexual em grupo exclusivamente masculino com a excepção da locomotiva, que não tendo que acoplar, sendo apenas acoplada, pode ser do género feminino, efectivamente, sem moralizar. Com o uso de “ruínas vivas”, o autor entra na auto-crítica introspectiva, sentindo as dores da dualidade entre os seus princípios filosóficos e a desfiguração do comércio que é alguém dar dinheiro a este homem para ele pensar. As “crateras e promoções” trazem o tema de volta para o sexo homossexual, com alusões pouco dissimuladas a esfíncteres e doenças venéreas, adquiridas gratuitamente através da vil sodomia que o autor pretende extinguir.

É urgente um verso vermelho
que desate os nós da memória e do medo
e resgate os rios da rebeldia
a palavra cristalina inabalável
inconfundível com as mordaças sonoras
à venda nos supermercados da ordem

Esta mordaz estrofe evidencia a vergonha que são as universidades portuguesas, verdadeiros supermercados da ordem onde vendedores de memória e medo vendem as mordaças sonoras que tornam o autor e outros pacientes do género em cristalinas figuras inabaláveis no seu domínio total pela opinião pública.

É urgente um verso vermelho
para anunciar barco polifónico da dignidade
pronto a navegar
os rios libertos das barragens calcinadas
dos sistemas de irrigação industrial da alma

Nesta estrofe, o autor limita-se a dizer que quer um aumento, que já não aguenta pensar pela plebe por tão poucos milhares de euros mensais.

É urgente um verso vermelho
uma luz manual portátil que vá connosco
sem esperar a que virá no fundo do túnel se vier
porque a cegueira da viagem é sempre mais perigosa
que a da chegada
talvez só entrega
talvez só paragem

Aqui, o autor exige desenvolvimento tecnológico, uma espécie de laser que lhe apontem aos olhos para que perca a cegueira da viagem e atinja rapidamente a plenitude da entrega na paragem, eufemismo para a morte. O autor desafia o leitor a que o mate, sabendo que não o fará, para que atingisse a luz ao fundo do túnel, evidenciando, como Fidel Castro, que a vida humana só tem significado quando a plenitude fraterna não é perturbada por dissidências desnecessárias.

É urgente um verso vermelho
que trace um território inacessível
aos vendedores de mobílias espirituais
e turismo de acomodação

O autor quer enjaular-se num território inacessível para vendedores de coisas que considera indignas, como a estabilidade espiritual e o conforto, o que é bonito e aconselhável, haja um médico que o leia.

É urgente um verso vermelho
vinho de bom ano para acompanhar
sonhos sãos e saborosos
preparados em brasas de raiva e a brisa da alegria

Aqui, o apelo à bebedeira mas de vinho não capitalista, aquele que é feito com brasas de raiva e brisa de alegria. Uma alegoria para explicar que não é necessário álcool para alguém, como o autor, pareça bêbado.

É urgente um verso vermelho
sem solenidades nem códigos especiais
para devolver as cores ao mundo
e as deixar combinar com a criatividade própria dos vendavais

A coda, o fim, o “fui ver era o Otávio”, a conclusão obviamente revolucionária para que, se o leitor achar que o autor é um parasita, entre por lá dentro e ocupe a universidade com a criatividade própria dos vendavais, colorida e solene, sem códigos especiais, como os dez mandamentos ou qualquer outra súmula da moralidade humana. É uma versão moderna de um “Rape Me” do grunge, finalmente substituída pela beleza contemplativa da estupidez dos Übermensch.

RIP, Pedro Panão

Pedro Rabolho Panão tinha o bigode mais aparatoso de Pereiró. Amiúde, homens brancos não instruídos do bairro diziam, com esgar mono-dental, que Rabolho Panão tinha pêlo na benta. Só quem se envergonha das humildes origens da Invicta diz os vês em revolta pelo acordo ortográfico não escrito das gentes do norte. Rabolho Panão comia tudo que viesse à rede, fosse carne, fosse peixe, fosse a gorda da Dionísia, a que lhe jurou eterna fidelidade como se a caridade de alma menos enobrecida pela obrigação biológica de propagação dos genes Panões estivesse ao seu dispor.

Aos Sábados, Rabolho Panão frequentava um antro de droga daqueles que floresciam entre as camadas altas da sociedade americana nos anos oitenta, os que caíram em desuso no mundo ocidental em prol da solidão humana que uma mais-que-certa paragem cardíaca exige. Havia sempre pó e pilas à descrição, com gentes dos partidos e as suas putas de ocasião com pretensões a matrimónios de subsistência.

Um dia, Rabolho Panão decidiu que não mais queria ser homossexual. Caiu o Carmo e a Trindade, os velhos conventos do Bairro Alto substituídos pelas ligas de defesa da apalpação de cantores que correm, efectivamente, sem moralizar. Grabbing by the pussy é fisicamente difícil se o grelo não é enrijecido ao ponto de causar dúvidas de género aos inexperientes: grabbing by the cock é que é ética e moralmente aceite, inclusivamente pela lei da elasticidade expansiva das molas.

Rejeitado pelos amigos que sempre enalteceram sensações olfativas envolvendo dois dedos, pelas vampes mugueiras que capturam peixe que só serve de isco para pesca graúda, pela comunicação social dos coros grândoladeiros e pela Ordem dos Psicólogos, que – valha-nos Deus – bem precisa de uma consulta, Pedro desapareceu no esquecimento virtuoso da esclerose basal de intelectualidade lusitana.

Morreu há três semanas. Alguém terá que contar a sua história. Na lápide só diz que “Pedro Panão morreu em vão – passou de verdadeiro à vil ilusão”.

Não deixe de me amar, vai

chibaozinho-e-xerereAmôr
É ‘cê qui mi faïz felíz
É cum ‘cê qui quero istár
Amôr, vai
Quero’ocê cumo sempri quïz
Num deixê di m’amar,
Vai.

Carta de um leitor: “Como António Costa não sai, saio eu”

Publico, tal como a recebi, uma carta de importante membro do PS desiludido com a direcção do partido, para que a imprensa possa publicar amanhã, como costuma fazer nestas circunstâncias. Obrigado.

Como António Costa não sai, saio eu

Tomei a decisão de me filiar no Partido Socialista a 28 de Fevereiro de 1982. Desempenhei funções de terceiro vogal (suplente) no 6º congresso da distrital de Beja, fui membro da associação de pais de uma escola primária e desempenhei funções de assessoria na candidatura do doutor Adalberto Gervásio à junta de freguesia de São Bento de Ana Loura, eleições que este viria a perder para a direita mais conservadora de sempre a gerir as remissões de campas no cemitério da aldeia. Em 1990, tive oportunidade de desejar boa sorte ao engenheiro Guterres na estação de serviço da Mealhada para as legislativas que viriam a derrubar o regime cavaquista e passei na Marinha Grande uns meses antes de o doutor Soares fazer história na zona com a sua candidatura à Presidência da República.

O meu socialismo é o de Pol Pot, o de Enver Hoxha, o do Grande Nicolae Ceausescu, não esta aberração em que se tornou o Partido Socialista, com a malfadada Geringonça, a tentar manter a revolução sob paninhos quentes enquanto chupa na teta do neoliberalismo mais atroz. A história do partido, com o doutor Mário Soares, homem com visão que, fingindo meter o socialismo na gaveta, abriu caminho ao afastamento dos comunistas de meia tigela que detêm propriedade e vegetam no PCP rumo à verdadeira comunhão entre os homens de boa fé, como o engenheiro Sócrates. É, para mim, doloroso ver toda esta perseguição ao engenheiro Sócrates por parte dos fascistas enquanto António Costa, o pior líder socialista de sempre, se limita a entregar a responsabilidade da revolução às megeras do Bloco de Esquerda, esse partido burguês de betos e betas do teatro que até deu à luz um Rui Tavares no Parlamento Europeu.

Se António Costa não sai, dando lugar a um líder sério e na linha do designo histórico do Partido Socialista, como a Fernanda Câncio ou o João Galamba, então saio eu. Este já não é o partido que me motivou e me deu força a partir os dentes do opressor. Este é um partido que brada frases inflamadas de progresso enquanto afaga os vícios do heteropatriarcado e manifesta indiferença social ao bem estar dos seus. Foram 34 anos e múltiplas funções exercidas, como a de assessor do sub-secretário do chefe de gabinete da delegação regional da direcção distrital do partido. EU NÃO DIGO HOJE, AMANHA E SEMPRE ao facto de o meu partido patrocinar páginas do Facebook que pretendem pressionar a imprensa a enaltecer a Geringonça. Eu continuarei socialista, como sempre, agora independente, a defender o interesse da minha terra e do meu país, através da nacionalização de toda a banca, continuando a lutar pela separação entre a política e os negócios, pela moralização da vida política e pública e pela libertação do preso político José Sócrates.

Pedro Manuel Silva

Salvaram o Jorge!

2016-04-05-jose-azeredo-lopes-ministro-da-defesa-2016

Jorge é franzino, aparentando estar doente mesmo nos raros períodos sem pieira ou alergia a algo que existe além do conhecimento médico actual. Católico por filiação, sente que a sua verdadeira afinidade sócio-cultural é com os seres chocados no Pokemon Go. Jorge, sem perspectivas em Portugal como cantor de ópera, o seu único talento natural e alívio para os sons irritantes que emanam do nariz, decide inscrever-se no curso para comandos. Azeredo Lopes, homem com capacidade inata para fazer sempre o contrário do que é apropriado, manda fechar o curso para comandos, “temporariamente”, até que possa perceber que o melhor a fazer é reverter silenciosamente a decisão anterior.

Jorge não entrou no curso de comandos esta semana. Dificilmente entrará na próxima ou noutra qualquer da sua nasalada vida. Porém, Jorge pode ficar feliz por saber que o ministro se preocupa com ele. E, ainda bem que assim é: sem Azeredo Lopes, lá teriam que rejeitar Jorge no curso de comandos. Assim, com Azeredo, pode evitar-se o trauma para o pequenino Jorge. “Não entras tu nem entra ninguém”.

Seria útil ter alguém para nos proteger dos Azeredos Lopes. Agora, só não serão os novos comandos a fazê-lo.

Bel’Miró passa a andar de comboio

Bel’Miró nunca teve a oportunidade de conhecer o Ministro da Cultura e, a partir desse momento, ser nomeado curador do Museu Nacional de Arte Antiga ou de outro museu qualquer, que Bel’Miró não é esquisito e aceita qualquer arte em plena igualdade artística.

 

Bel’Miró informa que passará, doravante, a andar de comboio.

Manifesto infesto em defesa acessa do artista modista menor

Caras leitoras, caros leitores, caras leitores, caros leitoras, caros e caras outros e outras, baratos e baratas, senhor Presidente da República e lambisgóias,

Bel’Miró é um homem ou mulher justo ou justa. Neste caso é homem, mas podia ser mulher ou outra coisa qualquer, que Bel’Miró não discrimina nada nem ninguém, deixando sempre em aberto as múltiplas possibilidades de existência para si próprio ou própria, incluíndo as não aplicáveis, visto nem ser maricas, coisa que não teria mal e que, ao mesmo tempo, Bel’Miró lamenta não conseguir ser, para seu benefício, já que lhe auferiria uma autoridade vastamente superior à de artista pós-estruturalista, que assim não tem, lamentavelmente, neste país feio, que não respeita a diferença de quem, por exemplo, não pega de empurrão enquanto é vítima de violência doméstica ou comentador de televisão, como se fosse muito diferente, eh eh eh, não que tenha piada, a violência é uma coisa muito séria.

Pacheco Pereira, tal como Bel’Miró, apesar de em menor escala, é um artista maldito, preso à incerteza inerente da crítica mordaz e colorida a açafrão, sem tempero ou caril, vítima deste antro maldito que obriga à arte durante o dia e à prostituição durante a noite, coisa que Pacheco não faz, que não foi isso que eu disse, atenção!, que ele até tem sorte, é só Bel’Miró que vem de família pobre sem herança para pagar contas, infelizmente, meu Deus, Papa Francisco, isco, isco, e Pacheco não, que não precisa, ou sim, talvez, que a frase é de difícil finalização, acho, sim, é mesmo, difícil de finalizar, isto é, pois.

Pacheco luta pela sua arte, como nós todos e todas, artistas, enquanto os neoliberais da direita radical insultam o badocha do Costa com racismo, chamando-lhe “chamuças” em vez de queque de feijão ou pastel de Tentúgal, mostrando, portanto, que o gajo é indiano ou lá daquela zona, portanto, branco, não preto, evidenciando o meta-racismo do racismo propriamente dito, mas ao contrário, se é que me faço entender na descodificação de Pacheco. Faz sentido. É, é. Letra C depois da B e tudo.

Brochnyziev, uma vez, disse que “se formos lá não ficamos cá”, provando, imediatamente, a falácia da física quântica. Mas não é disso que vim aqui falar e sim de Pacheco Pereira: acho que devíamos ouvir mais o que diz Pacheco Pereira, a sério, já que Pacheco Pereira também ouve o que nós, os artistas malditos, dizemos dele. E, portanto, parafraseando Svetlana Kurić, que até vota Bloca, “desliga o forno, senão queima”.

Pim! Morra o Dentes! Pum!

Bel’Miró, artista
Hoje, cá em casa

Cultura no bom caminho, entre homem e ser

É com extremo prazer que vejo ser reconhecido o talento de poeta de Luís Filipe Castro Mendes com o mais prestigiado prémio literário que se pode ambicionar: um ministério. Homem culto, de uma erudição que transcende amarras de género em arrebatamento pan-humano e paixões suspiradas num obscurantismo que ainda julga e prende com grilhetas de aço as vicissitudes do transpanhumanismo de espécie, é o poeta ideal para a regulação e institucionalização da cultura nacional.

Em “Os Amantes Obscuros”, a referência ao néctar viril de homem (“o sabor breve pela escuridão”), que percorre a uretra da compreensão do leitor, preparando-a para a imagética que se segue (“quem oferece frutos nessa neve?”), culminando numa candura ejaculatória sobre o quente terreno fértil (“quem rasga com ternura o que foi verão?”), demonstra, eloquentemente, uma sensibilidade gourmet para a diplomacia. Em “Regras de Protocolo”, o autor vai mais longe no banquete de prazer, sugerindo uma regulação que é desejada – ansiada, até – pelos participantes no banquete colectivo de humanismo (“os que não têm lugar à mesa devem rodar delicadamente para trás”), uma anuência ao retrocesso corporal que permite a penetração da ideia projectada no poema anterior.

Em “Regresso”, o autor confessa que a poesia é um “caminho estreito entre a solidão e a vida”, um “jardim onde as flores crescem para dentro de si próprias”, uma hemorroida sem destino visível excepto por esforço, uma força desmedida que projecta a adivinhação de “promessas no terror dos tempos”, uma antevisão do seu período ministerial, quando “continuamos a andar como se houvesse caminho”.

“Voltar à poesia para estar mais longe do que sou”. E quem é Luís Filipe Castro Mendes? A resposta pode ser encontrada no “Soneto da Infidelidade”: “toda a poesia é feita de traição e ao que somos fieis já sabemos: da terra que vimos só retemos memórias que nos duram sem razão”. A opressão territorial, a pequena aldeia, os preconceitos ultramontanos da direita conservadora e beata que oprimem, afligem, e obrigam ao armário onde “escondemos na poesia o que não sabe seu nome nem seu canto na memória: escondemos na poesia não vitória, mas restos de viver, o que não cabe”, um relato fiel das dificuldades dos primeiros encontros passivos, da inversão de fluxo numa dinâmica externo-intestinal, que gera embaraço antes do arrebatamento final, “na fria tábua rasa da experiência destilando sem fim na consciência o mais fino licor da emoção”.

Carta ao mon ami doutor Soares

Mon ami João Soares,

Como homem de imensa cultura, Bel’Miró, artista, sente que é sua obrigação cívica e cultural – dois sinónimos naturais -, intervir publicamente, ao abrigo do movimento pós-estruturalista, na defesa do direito natural de um artista à criação de happenings culturais de pugilato com um dos intervenientes participando involuntariamente.

João Soares, homem culto, erudito, oriundo das melhores famílias do mecenato internacional, autor de obras consagradas no universo do esgalhamento como El Síndrome de la Hormiga, tem e deve ter todo o direito a, como ministro, oferecer batatada a quem bem entender. A direita, habituada a conceitos ultrapassados como o decoro, já veio condenar o direito de expressão cultural do doutor Soares, como se estalos não fossem, por natureza, passíveis de serem arte, cultura, luz e vida.

Doutor Soares, Bel’Miró não aceita esta vil restrição ao direito artístico de V. Excelência. Bel’Miró prontifica-se para, no combate ao obscurantismo cultural da nação, oferecer-se para lhe dar dois pares de estalos, perante as câmaras de televisão e os fotógrafos da Taschen. Bel’Miró deixa a V. Excelência a organização do evento e os detalhes logísticos como a gestão da bilheteira.

Ansioso por V. pronta resposta ao repto de criação artística aqui delineado, me subscrevo, com extrema admiração,

Sempre Vosso,

Bel’Miró

Poema: “Um líder isolado”

Bel'Miró - Um líder isolado.PNG

Uma laranja isolada em vasto laranjal
Criada à força em laço neandertal,
Que laranjas só o são com doçura p’ra mim
Como escrevi já tantas vezes sem fim.

Mano, amigo, partilha esta dor,
Ainda não foi desta que matei o estupor.
Que importa a vida sem sentir a paixão,
Mesmo governando por usucapião?

Inventamos semanas p’ró Portugal profundo,
Publicando aqui deste cu do mundo.
Nunca dermos é parte de fraco
Espero, um dia, ser eu o buraco.

Por Bel’Miró, artista multifacetado

Problema com offshore

Um indivíduo que emprega pessoas no continente tem que levar para uma ilha offshore um saco de dinheiro, um socialista e o orçamento de estado. O barco que os transportará só pode levar um item de cada vez, excluindo o empresário. O problema consiste em assegurar que o transporte dos três objectos (um socialista é um objecto) ocorre considerando as seguintes restrições adicionais: 1) se o socialista fica sozinho com o dinheiro, gasta-o; 2) se o dinheiro fica sozinho com o orçamento de estado, o socialista morre.

A solução do problema é a seguinte:
1. O empresário transporta o dinheiro para o offshore, deixando o socialista a brincar com o orçamento de estado;
2. Regressa sozinho;
3. O empresário transporta o socialista para o offshore;
4. Regressa ao continente trazendo o dinheiro, que nunca poderia ficar no mesmo espaço que o socialista;
5. Deixa o dinheiro em terra e transporta o orçamento de estado para o offshore;
6. Regressa sozinho, melhor que mal acompanhado pelo socialista;
7. Leva novamente o dinheiro para o offshore.
8. Tudo sobrevive, graças à astúcia do empresário, o único que sabe navegar.

Quadro: “Plantar um filho, escrever uma árvore, ter um PowerPoint” (2016)

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“Plantar um filho, escrever uma árvore, ter um PowerPoint” (2016) – Galeria Tintos e Tontos, Lisboa, Portugal, Ibéria, Europa

Quadro: “Não PS número 1, 2 e 3” (2016)

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“Não PS número 1, 2 e 3” (2016), Museu Nacional Casa-Museu Amigos de Santos Silva, Bairro Alto, Lisboa.

Poema pós-filo-robótico

Porfirio-poema

Bruxelas despromove aposta de Costa

Margarida Marques foi alvo de um processo disciplinar que já lhe valeu uma despromoção em Bruxelas. O processo foi aberto em outubro de 2013, depois de uma fuga de informação que permitiu à TSF ter acesso a um documento interno da Comissão Europeia. Considerado confidencial e de acesso muito restrito, o relatório foi assinado pelo então chefe da Representação da Comissão Europeia em Portugal, Luiz Sá Pessoa, e fazia parte das informações periódicas que o organismo envia a Bruxelas.

Porfírio Silva: “A direita europeia acaba por ter uma força desmesurada na Comissão Europeia”

O conselheiro de António Costa afirma ainda que “há responsáveis em Bruxelas que têm andado a chamar jornalistas para, em off, envenenar a comunicação social contra Portugal, mostrando documentos que deviam ser reservados e dando pretensas explicações que são afinal falsidades”.

Porfírio Silva é um homem honesto, capaz de denunciar a sua própria mulher.