Portugal é o único país da sua liga económica a crescer menos de 2%

O ministro dos Negócios Estrangeiros Santos Silva defendeu hoje como “grande objetivo para 2020 manter o ritmo do crescimento económico”.

Quem o ouve até pensa que temos um crescimento monstruoso que é necessário manter. A realidade colocando em perspectiva com países que já estão ao nosso nível é a seguinte:

Portugal, o país do poucochinho…

O Orçamento da Mentira

Centeno disse que a carga fiscal não iria aumentar. Mas a carga fiscal vai mesmo subir. O Governo mentiu.

Como expliquei ontem neste texto, o Governo mentiu. E vários dos seus membros já mentem, sobre diversos assuntos, há muitos anos. Mas agora terão alguém a dizer na rua, sem medos, que mentem.

A Mentira de Centeno: carga fiscal sobe mesmo e é a maior de sempre

Resumo rápido:

1 – O primeiro documento do relatório do OE 2020 apontava para uma carga fiscal de 34,7% em 2019 e de 35% em 2020. Um aumento. Centeno de manhã disse que a carga fiscal não aumentava. Estava a mentir. Mas depois o governo disse que havia erros no relatório e, por isso, havia a possibilidade de Centeno afinal não estar a mentir (e ser o relatório a estar errado).

2 – No entanto, na versão corrigida do documento, a carga fiscal ainda subiu para um valor maior. O Governo prevê agora uma carga fiscal de 34,9% este ano e de 35,1% no próximo ano. Centeno mentiu mesmo. E é relevante dizer que esta será a maior carga fiscal de sempre.

Notícia Sábado

Lição para o Governo, escrever 100x no quadro:

“Eu não minto mais”

Centeno mentiu de manhã. Orçamento diz que a carga fiscal aumenta. Agora Governo diz que houve um erro.

Isto parece realmente uma anedota, mas não é. Nem num trabalho da faculdade isto acontece. E o que aconteceu? Aconteceu que o documento mais importante do Governo está cheio de erros. Alguns nem sei se propositados ou não.

Estava eu muito bem a ouvir o Ministro das Finanças a garantir que a carga fiscal não subia durante a conferência de imprensa quando decidi ir pegar no documento para confirmar. E lá fui eu à página 60 do relatório do OE ver a tabela mais importante do documento mais importante do governo:

E ali está. Somar a linha 1 e linha 5 da coluna da “2020 Previsão, % do PIB” e dá 35% de carga fiscal para 2020. Somar a linha 1 e linha 5 da coluna da “2019 Estimativa, % do PIB” e dá 34.7%. Como 35 é maior do que 34.7, o governo prevê um aumento da carga fiscal e o ministro mentiu quando disse que não iria haver aumento de carga fiscal.

Confrontado com isto, o Ministério já assumiu que há um erro. E não só há um erro, como com o passar das horas já se identificaram variados erros no documento. Como é que o documento mais importante do Governo está cheio de erros é uma coisa que nem me passa pela cabeça, sobretudo quando a data de entrega até foi escolhida pelo próprio governo.

O governo quis tanto entregar na data prometida, cumprir o que tinha prometido, que acabou por nada entregar em condições. Agora vai ter de corrigir o documento e enviar nova versão. Sintomático dos socialistas. Parece um país a brincar isto.

RTP: um canal que depende de financiamento do Estado nunca será independente

Alguém ainda acredita que se pode garantir a independência de um canal que depende de financiamento do Estado?

RTP em pé de guerra deixa direção no limbo :

O diferendo que opõe a equipa do Sexta às 9 à direção de informação é antigo e, nas últimas reuniões do Conselho de Redação, tem ficado a saber-se de outras histórias comprometedoras para as responsáveis máximas do canal público: desde uma notícia sobre os prémios a dirigentes e funcionários da TAP que ficou na gaveta (a história foi revelada pelo jornal i, na edição de 6 de junho)  até à famosa peça do lítio que ficou em stand by, esperando pelo fim da campanha eleitoral e pelos resultados das legislativas, tudo tem sido debatido nas reuniões do CR, muitas vezes num tom que o responsável pela redação da ata da reunião se diz incapaz de reproduzir. «A audição da jornalista Sandra Felgueiras decorreu num ambiente muito tenso, com interpelações sucessivas entre a jornalista e a diretora de informação que dificultaram a transcrição. Por isso, e no sentido de melhor aclarar este caso, anexamos documento assinado por toda a equipa do Sexta às 9 em que detalha pormenorizadamente o que sucedeu».

Acontece que a ata referente à reunião de 11 de dezembro acabou por não reproduzir a versão da equipa do Sexta às 9, que se sentiu injustiçada e, na sequência da mesma, distribuiu um comunicado à redação, com o título «Esclarecimento urgente à redação face a algumas omissões e imprecisões na ata do Conselho de Redação», onde diz que Flor Pedroso admitiu que interferiu na reportagem sobre o ISCEM. Nesse mesmo comunicado, a equipa do Sexta às 9 dá a sua versão sobre o que se passou no caso ISCEM e afirma que «a diretora de informação garantiu ter falado, no dia 8 de outubro, presencialmente com Regina Moreira no seu gabinete do ISCEM». Só depois de a repórter Ana Raquel Leitão ter falado com Regina Moreira sobre a reportagem é que Flor Pedroso contou à equipa de investigação que lecionava no instituto.

Nota: convém acrescentar que o modelo de governance da RTP foi alterado durante o governo de Passos, porque o anterior modelo era uma festa de poder do Governo.

Não esquecer: PSD ajudou a (re)eleger Ferro Rodrigues. Rui Rio até bateu palmas

Convém não esquecer que o PSD não apresentou candidato à Presidência da Assembleia da República. O PSD não apresentou candidato ao lugar para a segunda figura na hierarquia institucional do Estado.

Convém não esquecer que “As candidaturas para Presidente da Assembleia da República devem ser subscritas por um mínimo de um décimo e um máximo de um quinto do número de Deputados” e, por isso, o PSD era o único partido da oposição em condições para fazer. O que se tira daqui é que o PSD não quer ser oposição forte ao PS.

Convém não esquecer que boa parte da bancada do PSD votou a favor da reeleição de Ferro Rodrigues para Presidente da Assembleia da República. Convém não esquecer que Rui Rio até bateu palmas!

Do meu lado, louvor aos deputados que não votaram a favor.

Vergonhosa ineficiência parlamentar: uma hora gasta em votos da treta (e 3 votos errados do Chega)

Publiquei ontem o texto que deixo em baixo no twitter (adiciono agora algumas notas importantes no fim!). Como algumas pessoas me pediram para partilhar este mini texto noutras redes (pelo desconhecimento que há sobre o assunto) deixo aqui também no blog:

“No Parlamento há votações das iniciativas legislativas e depois há também Votos (algo simbólico). Os votos devem ser usados para temas com verdadeiro simbolismo. No entanto, só no plenário de hoje há + de 40 votos! Assistimos a uma banalização total dos votos.

Dou alguns exemplos:

  • Votos do Chega, PCP e BE a congratular/saudar os trabalhadores da Autoeuropa
  • Voto do PAN sobre os elefantes no Camboja
  • Votos de saudação a uma porrada de aniversários e dias internacionais disto e daquilo vindos do CDS, PS, PAN, PSD, BE e até uma saudação pelo Dia Mundial do Solo vinda do Livre

A Iniciativa Liberal felizmente não apresenta voto algum hoje. Podia apresentar como já o fez em casos que achamos terem importância. Não vamos apresentar votos por tudo e por nada. Não vamos contribuir para a brincadeira. Estamos aqui para trabalhar a sério. Não é para fingir que trabalhamos. Não trabalhamos para falsas estatísticas.”

Vamos às importantes notas adicionais:

Nota 1: O tempo perdido com os votos é uma ineficiência brutal na actividade parlamentar. Só ontem foi quase uma hora no plenário (somado às horas que os deputados e respectivos staffs perderam a ler e analisar os votos antes do plenário).

Nota 2: Ontem, das cerca de 4 dezenas de votos quase metade – 17 – eram do Chega e sobre variados temas. Destes 17, no mínimo 3 deveriam ter sido rejeitados por terem erros, o que demonstra que a falta de preparação técnica do Chega continua (como já tinha acontecido noutros casos, embora sem grande eco na imprensa). A identificação destes 3 erros foi, e bem, explicada aqui. No entanto, dos 3 votos do Chega com erros apenas 1 foi rejeitado pela mesa presidida por Ferro Rodrigues. Neste caso Ferro até ajudou Ventura.

Nota 3:  Já há a hipótese pública – com a qual concordo – de introduzir nos trabalhos de revisão do regimento da Assembleia da República um mecanismo de triagem aos votos. Actualmente qualquer voto por mais estúpido que seja vai ao plenário, sem passar por qualquer comissão, sem haver qualquer limite ao seu número e sem necessidade de consenso entre deputados/grupos parlamentares (daí que haja muitas vezes vários votos sobre o mesmo tema e na maioria dos vezes o próprio tema é, a meu ver, ridículo. Como saudar o dia internacional disto e daquilo). Acho muito bem que se introduza um filtro no processo, caso contrário isto vai continuar. E isto, também, é uma vergonha.

Resultado de imagem para parlamento
Parlamento leva uma hora a deliberar 42 votos de pesar, condenação ou saudação

O Ministério da Verdade

Marcelo está há meses a pedir apoios públicos para a imprensa (sabe bem de quem precisa para ser reeleito). Segundo noticiado, o “Governo lança em 2020 campanha de sensibilização para o consumo de “informação séria””.

Ora, o que é informação séria? Imagino que nas redes sociais e blogues não haja informação séria, apenas na imprensa.

Mas em que imprensa haverá informação séria? Há tanta imprensa diferentes em conteúdo e forma. Há tantos grupos diferentes.

Aliás, quem define o que é informação séria? Quem são os senhores do Ministério da Verdade?

Nem um dinheiro de impostos para a imprensa. A imprensa deve ser o que sempre foi. Um poder independente do Estado e muitas vezes fiscalizador do mesmo, financiado exclusivamente por cidadãos de forma directa.

Resultado de imagem para ministerio da verdade
Ministério da Verdade. Livro 1984

Deus vem ao Parlamento no início de Dezembro

“Deus morreu”. E agora é só pseudo religiões a tentarem oferecer algum propósito à humanidade. Basicamente alguma ordem que substitua a religião. Exemplo principal: o ambientalismo.

A lógica é a seguinte (vejam lá se vos lembra algo). O mundo era o paraíso da natureza. Depois, os humanos foram greedy (maçã) e estragaram tudo. Agora vai haver um dia em que o planeta acaba, dia esse que os fiéis estão sempre a dizer que é daqui a 10 anos (dizem é isto de 10 em 10 anos, claro). É basicamente o grande dia do julgamento final.

Daqui resulta que precisamos de salvar o planeta a todo o custo, espalhar a palavra da sustentabilidade contra o pecado poluidor e o aquecimento global. Resulta que temos de não comer certas coisas, não produzir/consumir outras, usar produtos como as palhinhas de bambu, ir às procissões das manifestações/greves climáticas e, o principal acto da missa, reciclar sempre. Resulta que temos de respeitar e espalhar os seus símbolos, como o logo da reciclagem, os quais devem entrar na cabeça de todos desde muito pequeninos na escolinha.

Depois temos também os apóstolos ou profetas, que podem ser mais locais como algumas influencer digitais aqui da praça ou globais como o DiCaprio e a Greta. Todos andam a espalhar a palavra de Deus… do ambiente, desculpem.

Isto tudo a propósito da vinda da jovem ativista sueca Greta Thunberg (ainda não sei se é Deus, mas imagino que pelo menos para alguns seja), a qual prevê chegar a Lisboa no início de Dezembro (com direito a ir ao Parlamento e até a falar mais tempo que os deputados dos novos partidos).

Realmente nem todas as crianças têm o privilégio de passar férias a dar a volta ao mundo de barco para ir falar em eventos, enquanto as outras estão na escola a estudar, brincar e a fazer amigos. Infelizmente para ela, parece-me bastante mais saudável ser uma dessas outras crianças.

Resultado de imagem para greta parlamento

PS: Não sou anti-ambientalismo, pelo contrário. É uma causa importante à qual os países devem dar importância, sobretudo depois de atingirem um certo estágio de desenvolvimento e riqueza que já lhes permita terem essas preocupações. Sou é contra fiéis extremistas, seja neste “religião” ou noutra qualquer.

Governo Socialista a tentar comprar votos de funcionários públicos

Não sei se foi para agradecer pelos votos das últimas eleições ou se já estão a preparar as autárquicas… mas as medidas para os funcionários públicos continuam. O PS quer fazer crescer o partido do Estado.

No programa de governo são referidos aumentos de 3% ao ano para a função pública, mais progressões na carreira e mais novos funcionários públicos para contratar. Um aumento de despesa ainda maior (!) do que estava estimado há uns meses no programa de estabilidade.

Mas o mais chocante para mim é ”Funcionários públicos que faltem menos ao trabalho vão ser compensados”. No sector privado, quando a pessoa falta há consequências. O normal é ir trabalhar os dias acordados. No público, com dinheiro dos contribuintes, até vamos dar um bónus qualquer a quem faltar menos. É vergonhoso.

Convém ainda referir que esta medida foi justificada com o facto da taxa de absentismo da função pública ser muito alta. Hoje descobre-se que afinal faltam dados e nem se sabe qual é a taxa. Conclusão: governo que é agradar ainda mais à função pública.

Resultado de imagem para comprar votos