A verdade costuma vir ao de cima

Em Janeiro escrevi uma crónica no ‘i’ sobre o desaparecimento de 5 proprietários de uma livraria/editora em Hong Kong. Um deles regressou esta semana a casa e contou como foi.

E agora, Catarina Martins?

“A banca é um assunto sério demais para ser deixado nas mãos de banqueiros privados.” – Catarina Martins não se referia à Caixa Geral de Depósitos.

CGD, Brexit e sanções a Portugal no Económico TV

A Caixa Geral de Depósitos precisa de 4 mil milhões de euros, para se manter; Portugal pode ser punido por défice excessivo e o Brexit terá consequências gravissímas para o nosso país. Enquanto isso, Marcelo e Costa riem e tiram selfies em Paris. É verdade que o povo gosta de ser entretido (Salazar percebeu isso muito bem), mas há limites. Os meus comentários hoje às 12 horas no Económico TV.

Desbloquear a direita

Em vez de servir os cidadãos, o Estado explora-os. Ora, não foi para isso que se limitou o poder político com a liberdade dos indivíduos e a democracia. O meu artigo no Diário Económico de hoje.

Desbloquear a direita

O argumento que o Governo usou para alterar as regras de matrículas nos colégios com contratos de associação com o Estado é contabilístico. Dito de outra maneira, vai ao encontro de uma das maiores preocupações da direita em Portugal: baixar a despesa pública. A jogada é brilhantemente cínica porque, ao mesmo tempo que impõe uma visão ideológica do que deve ser, no seu ponto de vista, a educação, a esquerda mais extremada justifica-se com um argumento da direita.

Façamos um ponto prévio: é indispensável que os orçamentos de Estado sejam excedentários. Mais: é imprescindível que tal se obtenha com uma redução da despesa pública para que se baixem os impostos. Estes objectivos têm de ser obtidos, não só para que haja confiança, previsibilidade na política fiscal, se invista e se criem postos de trabalho, mas também porque um Estado que exige à população elevadas contribuições para satisfação de interesses que sustentam o poder político, põe em causa a sua legitimidade política. Em vez de servir os cidadãos, o Estado explora-os. Ora, não foi para isso que se limitou o poder político com a liberdade dos indivíduos e a democracia.

Mas a direita não se pode reduzir a um discurso meramente contabilístico. Melhor: a direita só explica a redução da despesa pública com um projecto verdadeiramente libertador e que passa por reformas não superficiais do que devem ser as funções essenciais do Estado; de como deve ser organizado o Estado. De modo a que a não se limite a ser um mero cobrador das promessas da esquerda, a direita deve apresentar um discurso político muito claro em áreas muito concretas: na questão dos estivadores e do Porto de Lisboa; na saúde; na segurança social; na área laboral; na descentralização fiscal, com os municípios a assumirem a cobrança das receitas municipais e fazerem depender daí as suas despesas. E também na educação.

Porque a questão essencial nos contratos de associação com os colégios não é contabilística, mas ideológica. Se o que está em causa para a esquerda é o controlo da educação, para a direita é a liberdade de escolha. A liberdade dos pais escolherem a escola dos seus filhos independentemente de serem ricos ou pobres. Terem mais ou menos dinheiro. A liberdade é algo de que esta esquerda que governa o país tem a boca cheia mas de que tem medo quando se concretiza. Não é novidade nenhuma. Vimos como foi nos regimes comunistas; sabemos como é na Venezuela e em Cuba. Mas em Portugal não pode ser assim. Temos de ser mais exigentes. E é por isso que a direita tem de estar à altura dessa maior exigência.

A direita não deve punir as pessoas com os erros de governação da esquerda. O Estado está à beira da bancarrota? Muito bem. É preciso equilibrar as contas; mas baixar a despesa, não só cortando salários (o que numa situação dramática é necessário) mas com uma governação que reduza despesa, porque ao restituir a liberdade aos cidadãos, reduz os encargos do Estado. Como também do lado da receita, não taxando o capital e a poupança porque são estes que permitem investir, criar emprego e pagar melhores salários.

O país precisa urgentemente de um Estado que atribua menos subvenções, se liberte dos interesses corporativistas que o amarram, não interfira nos negócios para satisfação de alguns empresários; de um Estado que cobre menos impostos e deixe as pessoas, em liberdade, escolher o que fazer com o fruto do seu trabalho, planear o seu futuro e delinear o rumo a dar à educação dos seus filhos. Apenas com uma mudança programática será possível que o próximo governo de direita, com medidas ainda por cima posteriormente revertidas, faça muito mais que corrigir os erros da esquerda.

Hoje às 12 horas no ETV

Bruxelas admite a recapitalização da CGD se o investimento do Estado for considerado como privado. Estranho? Nem por isso, agora que as vacas voam. O governo é contra as sanções de Bruxelas a Portugal porque o anterior governo deve ter feito um bom trabalho. Isabel dos Santos na Sonangol, para controlar o BCP e comprar o Novo Banco? E por fim, as 35 horas no sector público. Porque as vacas voam e tudo se suporta e se paga. Sem dramas.

Estes são os temas para os meus comentários na Edição das 12 de hoje do Económico TV.

 

Quando a extrema-esquerda é fascista

Nuit Dedout é um movimento de extrema-esquerda que, desde finais de Março, se instalou todas as noites na Praça da República, em Paris, para protestar. A ideia é que qualquer um possa discursar em liberdade.

Alain Finkielkraut é um filósofo francês que ultimamente tem inspirado uma corrente de opinião, oriunda de intelectuais mais jovens, de direita, não liberais mas que não nutrem especial simpatia pela concepção gaullista do Estado francês

Finkielkraut decidiu, em Abril, ir à Praça de República discursar. O que não lhe foi permitido. Em vez disso, expulsaram-no do local. Mas o mais interessante é quando no segundo 39 deste filme, Finkielkraut se vira para trás e chama fascistas aos extremistas de esquerda que não o deixaram falar.

Depois de dias a ler artigos oriundos da esquerda portuguesa que, durante anos, apelidaram de fascista quem usasse pensar diferentemente, mas quando José Rodrigues dos Santos lhes pagou na mesma moeda, se enredaram em preciosismos para se defenderem, a acusação de Finkielkraut é mais que um grito: é uma lufada de ar fresco numa praça que devia ser de liberdade.

O congresso do PS e os extremismos de que depende para mudar a Europa

António Costa já afirmou que Bruxelas deve fazer tudo para manter o Reino Unido na União Europeia, mas que há limites. No fundo, o Reino Unido é desejável, mas não sem muito espaço para a concepção britânica de uma Europa de mercados livres e menor centralização política. Porque a União que este PS defende é uma Europa politicamente centralizada, embora permissiva a nível orçamental. É como que uma troca: Bruxelas existe, envia dinheiro, garante a estabilidade possível, uma moeda forte, claro está, mas deixa que a classe política que o PS considera legítima possa gastar o dinheiro dos contribuintes como bem lhe aprouver. Foi assim desde 1986. Para quê mudar?

Leia-se este artigo de Porfírio Silva, defendendo uma geringonça para a Europa. Ou ouça-se Pacheco Pereira dizendo no Congresso do PS que é necessário rasgar o Tratado Orçamental sob pena de os partidos socialistas e sociais-democratas, bem como o projecto europeu desaparecerem. É óbvio que com o euro o socialismo devia ter mudado, mas não mudou. O socialismo devia ter deixado de encarar a governação como um mero meio de distribuição de dividendos, mas não o fez. Ora, para Pacheco Pereira, e para o PS, o que é que está mal? A Europa que criou uma moeda forte que dá estabilidade de preços e, se em aproveitada, empregos, ou o socialismo que não se adaptou aos novos tempos? Infelizmente já conhecíamos a reposta.

O problema do PS é que não está refém do extremismo político apenas em Portugal. Para mudar a União, o PS precisa de contar com um bom resultado do Podemos em Espanha. Precisa de contar com a colaboração do Syriza e da extrema-direita grega; conta com bom resultado do movimento 5 estrelas em Roma; necessita de uma vitória de Marine Le Pen, em França. O PS está refém do extremismo em toda a Europa, seja este de esquerda ou de direita.

Não se adaptando, o socialismo precisa de destruir. E para destruir, urge unir-se não apenas aos comunistas do PCP e do BE. Costa terá de fazer uma frente comum com outros extremismos europeus. O socialismo é uma corrente político-ideológica muito ampla; já deu para tudo. Assim, o que o governo de António Costa andar a defender na Europa nos tempos mais próximas até pode ser socialismo. Mas não será, de certeza, aquilo que foi, noutros tempos, o PS.

O Brexit pode salvar a geringonça

Com o alerta da UTAO, a realidade começa a abater-se sobre a geringonça. Mas real é também o risco do Reino Unido sair da União Europeia e as consequências que daí advirão para Bruxelas e as suas relações directas com países como a Grécia e Portugal.

É que o Brexit pode ser pior para a Europa que para o Reino Unido, mas excelente para a esquerda que sustenta a geringonça.

No Fio da Navalha

A minha crónica de hoje no ‘i’.

A ansiedade de Marcelo

O livro de Maria João Avillez “Francisco Sá Carneiro: Solidão e Poder”, que se distingue das outras obras sobre o fundador do PSD por ter sido escrito ainda nem um ano depois de Camarate, descreve um episódio muito interessante passado com Marcelo Rebelo de Sousa.

Em finais de maio de 1975, em plena recuperação da operação realizada em Londres, Sá Carneiro vem secretamente a Lisboa para o conselho nacional do PSD. De acordo com a autora, fica em casa de Rui Machete. Ainda cansado, Sá Carneiro deita-se cedo. De repente ouve um burburinho vindo da sala. Alguém abre a porta e é Marcelo Rebelo de Sousa, azougado e lépido, que entra pela casa dos Machete como um furacão. Ouviu que Sá Carneiro está em Portugal, mas não sabe se é verdade. Ninguém se descose e Marcelo sai de orelha murcha. Conta-se que Sá Carneiro se riu perante a dúvida ansiosa de Marcelo.

Este episódio é revelador da personalidade do Presidente da República. Não interessa aqui apreciá-la, se boa ou má. Apenas constatar que assim é: ansioso. E goste-se ou não, o seu mandato será, está a ser marcado por essa particularidade. Foi a rapidez com que aceitou a demissão do chefe de Estado- -Maior do Exército, no seguimento da discriminação dos alunos homossexuais no Colégio Militar. Foram as afirmações dúbias sobre a duração da presente legislatura. Marcelo fala demais, mexe-se demais. Diz-se um Presidente hiperactivo. Eu, que nunca fui cavaquista, preferia os silêncios de Cavaco, que não comprometiam, mas punham o dedo na ferida.

Boas notícias para a geringonça

Uma saída do Reino Unido da União Europeia retira força à Comissão para impor um combate firme ao défice das contas públicas. Na Grécia, como em Portugal. O referendo no Reino Unido, mais as eleições em Espanha, três dias depois, podem mudar o rumo dos acontecimentos na Europa. Mais que apresentar boas contas, Costa, Jerónimo e Catarina Martins esperam pelo fim de Junho.

Não é a esquerda que quer mudar a Europa por dentro?

No país dos sovietes

Os contratos de associação dos colégios e a vontade da 5 de Outubro controlar o ensino e os professores; a greve dos estivadores e o controlo que os sindicatos, nas mãos do PCP, não querem perder. Entretanto, Marcelo visitou Berlim e diz-nos que Merkel nos compreende. Os meus comentários hoje, às 12 horas, no Económico TV. Afinal, também compreendo o que se está a passar.

A técnica da conversa de surdos

O governo tem dito que não devem ser aplicadas sanções a Portugal porque o défice de 2015 só não foi 3% do PIB, devido ao BANIF.

O Presidente do Eurogrupo tem dito que poderão ser aplicadas sanções devido à actual situação do país, ou seja, porque o governo não mostra vontade firme no combate ao défice.

O governo volta à carga dizendo que não devem ser aplicadas sanções a Portugal porque o défice de 2015 só não foi 3% do PIB, devido ao BANIF.

O Presidente do Eurogrupo já repetiu vezes sem conta que poderão ser aplicadas sanções devido à actual situação do país, ou seja, porque o governo não mostra vontade firme no combate ao défice.

Entretanto, Marcelo vai à Alemanha defender que não devem ser aplicar sanções a Portugal porque o défice de 2015 só não foi 3% do PIB, devido ao BANIF.

Esta técnica de não ouvir o que o outro lado diz, porque não lhe interessa é, infelizmente, muito usada. Volta não volta deparo-me com ela quando, enquanto advogado, faço negociações. É irritante à brava e se Schäuble for tão persistente quanto eu a ida de Marcelo a Berlim foi mais um episódio de uma conversa de surdos que vai ter alguma graça acompanhar.

No Fio da Navalha

A Caixa Geral de Depósitos precisa de 4 mil milhões de euros. Vindos de quem? Do contribuinte, claro. Ou não fosse o banco público. À semelhança do que aconteceu com os bancos privados, os lucros da CGD escondiam uma enorme factura. E por muito que nos digam o contrário, os prejuízos da CGD são públicos, mas os lucros foram privados. Foram utilizados num modelo político de desenvolvimento no mínimo questionável. O meu artigo ontem no ‘i’.

Os donos disto tudo

Sabia que, desde 2008, o Estado já injetou na Caixa Geral de Depósitos (CGD) cerca de 2700 milhões de euros? Que, em 2012, ainda recebeu mais 900 milhões de euros? Que, ao contrário dos outros bancos, ainda não reembolsou esse valor, o que nos custa 100 milhões por ano? Sabia que a CGD precisa de mais 4 mil milhões de euros? Sabe quanto custou o Novo Banco? 3,9 mil milhões.

Sabia que, em 2010, a CGD teve um lucro de 250 milhões? Que em 2009, registou um lucro de 469 milhões, o que foi uma quebra de 46% relativamente a 2008? A esquerda tem dito que, quando os bancos são públicos, os lucros são de todos. Sabia? Então onde está esse dinheiro? Eu não recebi. O leitor recebeu? Pois.

A banca pública é tanto nossa como os palácios que são propriedade do Estado: são de todos, mas só alguns lá podem entrar. Quanto aos bancos do Estado, os lucros são de todos, mas só alguns têm acesso a estes, às linhas de investimento público. O PCP e BE andam ansiosos por nacionalizar os bancos, o que dentro do PS também se discute, como se isso resolvesse os problemas de má gestão e pusesse termo às ligações perigosas entre os poderes político e económico.

Sabe qual é a justificação para tudo isto? Que a CGD é o pilar estrutural do capital financeiro em Portugal. O habitual. Porque, como habitualmente, há os que pagam para que o banco público seja o pilar que estrutura uma economia dependente dos poderes político e económico que, como em qualquer sociedade socialista que se preze, são os donos disto tudo.

Vamos espreitar o abismo?

O meu artigo no Diário Económico.

Vamos espreitar o abismo?

O leitor já olhou para o calendário eleitoral previsto por esse mundo fora? Se ainda não o fez, devia. António Costa já, e começou a fazer contas. Ora, vejamos: a 23 de Junho temos o referendo no Reino Unido sobre o Brexit e três dias depois há eleições em Espanha; em Novembro, no dia 8, a votação do futuro presidente dos EUA e, em Abril e Maio do próximo ano, as eleições presidenciais francesas.

Tenho-me dado ao trabalho de acompanhar estas últimas através da imprensa francesa e foi quando me deparei com as sondagens que dão preferência a Alain Juppé, numa segunda volta com Marine Le Pen, que dei conta do calendário que descrevi em cima. É que o que acontecer até Maio de 2017 pode mudar tudo. E é com essa mudança que António Costa e Catarina Martins contam.

Comecemos pelo princípio: na Espanha, o Podemos, que estava em queda nas sondagens, surpreendeu com uma aliança com os comunistas da Esquerda Unida e luta agora pelo segundo lugar, à frente do PSOE e logo atrás do PP. Se tal acontecer, ou a instabilidade continua, mas com uma extrema-esquerda ainda mais forte, ou Mariano Rajoy consegue governar com o PSOE e os Ciudadanos, deixando os comunistas confortavelmente sozinhos na oposição.

Três dias depois, o Brexit. Numa crónica há dias no L’Express, o economista francês Jacques Attali dizia com alguma graça que se o Reino Unido saísse da UE era porque o projecto europeu lhes causava tanta repulsa que preferiam o suicídio. Mas Attali, como continental que é, esquece que o Brexit também será fatal para a União. As ondas de choque darão força à Grécia e retirarão estímulo às instituições europeias. Se a Espanha tiver mergulhado na instabilidade e com a Itália a ver de onde sopra o vento, o Verão será terrivelmente instável.

No Outono teremos outro teste. Trump ou Hillary, ou sabe lá Deus se não mesmo Sanders. Os dois homens são proteccionistas e contra os acordos de parceria transatlântica e trans-pacífico que Obama tem andado a negociar. Uma possível hostilidade vinda de Washington pode ser mais uma machadada na união da Europa. O leitor recorda-se do que foi a invasão do Iraque em 2003? Agora imagine o que será um presidente norte-americano determinantemente provocador e com tendência para o absurdo?

E enquanto estas tempestades se desenrolam, a UE discute o terceiro resgate à Grécia, impõe medidas suplementares a Portugal, fecha os olhos a Itália e leva as mãos à cabeça quando olha para Espanha. Sem esquecer Putin a erguer-se sobre a Ucrânia, o terrorismo a matar nas ruas e cafés da Europa e os refugiados a baterem à porta, recordando-nos algo que pensávamos ter deixado para trás há 70 anos.

É neste ambiente que chegamos a Abril de 2017. Não sabemos ainda se a direita apresentará Juppé, Sarkozy ou mesmo Bruno Le Maire. Mas o certo é que também não sabemos como será a atmosfera política francesa nessa altura. Melhor: não conseguimos antever as consequências que os possíveis acontecimentos descritos em cima poderão originar. Talvez tudo fique na mesma, ou talvez não. Se calhar, dá-se um extremar de posições e Marine Le Pen, muito mais cautelosa que o seu pai, consegue vencer.

Iglesias em Espanha, Le Pen em França, o Reino Unido fora da União e Trump (ou Sanders) na Casa Branca. O leitor espreitou o abismo e tremeu? Ainda bem. Significa que ainda tem um tino de discernimento, o que vai rareando nos tempos que correm. É que António Costa e Catarina Martins fizeram o mesmo mas, em vez de tremerem, viram a sua chance.

Infelizmente para o país, a sustentação deste Governo depende de uma catástrofe europeia. Essa será a única forma das forças de esquerda vencerem o braço-de-ferro com as instituições europeias. Dobrando a Europa, a extrema-esquerda e a extrema-direita, cada uma a partir do seu país, mas juntas na Grécia, colocarão em marcha o destino de um mundo novo. À esquerda resta-lhe aguentar até lá. O sucesso político de António Costa será a nossa desgraça.

6 meses de geringonça

6 meses de governo. É este o tema para os meus comentários de hoje, às 12, no Económico TV.

No Fio da Navalha

Mais importante que discutir se as obras em Lisboa são boas ou más, positivas ou negativas, é perceber porque é que se fazem. O meu artigo hoje no jornal ‘i’.

O défice democrático em Lisboa

Como lisboeta que sou, também acho que o espaço que vai do Marquês ao Campo Pequeno ou, como agora se gosta de chamar, o eixo central, ficará melhor com as obras. Ou, pelo menos, mais bonito. Acho que a questão é indiscutível, pelo que não é a ela que me refiro nesta crónica. O ponto é outro.

Desde Jorge Sampaio que a presidência da Câmara de Lisboa é utilizada como trampolim para voos maiores. Sampaio foi para Presidente da República, Santana Lopes e António Costa para primeiros–ministros. O resultado é a autarquia acabar por ser gerida por políticos de segunda linha, não eleitos para o cargo e que veem nessa fortuna uma oportunidade para se afirmarem.

Um pouco à semelhança do que sucedia com o rotativismo na segunda metade do século xix, o exercício do poder político em Lisboa encontra-se viciado, com o futuro presidente que acaba por vencer as eleições previamente indicado no exercício daquelas funções. E é aqui que entram as obras na cidade: para ajudar a legitimar eleitoralmente o que foi decidido num gabinete.

É ótimo que Lisboa fique mais bonita. Mas é igualmente importante que os próximos presidentes da autarquia sejam devidamente eleitos, cumpram o mandato até ao fim e, mais que obras, de que os lisboetas estão cansados, apesar de Lisboa continuar desarrumada, se preocupem em ter as contas em ordem. Em ordem, as contas transmitem estabilidade, segurança e paz. Ao poder público cabe-lhe fazer isto dentro das regras do jogo democrático. Sonhos de grandeza, deixem-nos para as pessoas que cá vivem.

Um abraço que sufoca

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Este abraço entre Julio Anguita e Pablo Iglesias pode abanar a Espanha com eleições daqui a um mês e António Costa, Jerónimo de Sousa e Catarina Martins contam com isso. O objectivo da geringonça é aguentar o mais possível até que a União Europeia, como a conhecemos hoje, esteja reduzida a cacos. A partir daí, é governar sem freios.

As 35 horas semanais num país cada vez mais pobre

Os meus comentários hoje sobre a reposição das 35 horas semanais na Função Pública e os défices excessivos.

Durante muito tempo os sucessivos governos foram tomando medidas que agradavam a certos sectores do eleitorado, em detrimento do país no seu todo.

Actualmente, a margem é cada vez menor, mas os custos, os sacrifícios que se impõem, são maiores e mais dolorosos. As pessoas apercebem-se da deterioração geral, mas sentem as medidas particulares que as vão favorecendo e compensando. Que compram o seu silêncio e conivência.

Hoje às 12 no Económico TV

Como é habitual vou estar hoje na Edição das 12 do Económico TV. Os temas são, desta vez, a reposição das 35 horas semanais, com que o BE entalou o PS e a possível aplicação de multas a Portugal devido aos défices excessivos do Estado, que entala o país há anos.

Economia cresceu apenas 0,1% no primeiro trimestre

Pior que os arautos, só mesmo os fazedores da desgraça.

 

O socialismo no seu melhor

António Costa, como bom socialista que se preze, consegue congratular-se com um défice inferior a 3% do PIB, ao mesmo tempo que não reconhece que esse feito foi conseguido com a austeridade, que diz ter sido negativa.

No Fio da Navalha

O meu artigo hoje no ‘i’.

A inércia é o que dá cabo disto tudo

Se há algo que me irrita é a inércia. O que não é o não fazer nenhum durante um período limitado de tempo. A inércia é pior porque, a maioria das vezes, disfarça-se de atividade, de excesso de energia. De um andar de um lado para o outro sem sentido nenhum. A inércia, quando exercida por um profissional, é uma verdadeira arte.

É dizer que se faz sem se fazer; é embrulhar, ou como agora se diz, mastigar o assunto. Deixá-lo seguir por si, como que a vaguear por aí, esperando que alguém, desesperado e necessitado, lhe pegue, para ser novamente enrolado na teia que envolve o assunto que o inerte tem em mãos.

A inércia surge do nada, entranha-se na nossa vida quando se pede ou contrata alguém para um serviço, para algo, e passado tempo nos vemos embrulhados numa miríade de assuntos, problemas, perfeitamente lógicos, esmiuçados em reuniões inúteis e tantas vezes adiadas, esquemas dilatórios, dias que se prolongam por semanas e, quando damos por isso, já são meses.

Podemos dar um murro na mesa. Podemos. Mas e depois? Quem nos garante que a inércia não ataca outra vez, infiltrada noutra pessoa? Quem nos garante que a gestão do tempo, em que nós somos o compasso de espera, não nos bate sub-repticiamente à porta e nos ilude, apesar do olhar que já temos a obrigação de conhecer de ginjeira? A inércia, disfarçada de boa vontade, de ação desproporcionada, de pedidos desnecessários, de omissões pontuais, de truques na transmissão do ónus, cansa, aborrece, transtorna, desconcentra, destrói. A inércia é o que dá cabo disto tudo.

Valls vs. Macron

Manuel Valls repreende Emanuel Macron em pleno hemiciclo. Foi ontem.

Conforme tive oportunidade de referir na semana passada, Hollande chama os advserários para que se queimem.

A ética individual de um liberal

O meu artigo no Diário Económico de hoje.

A ética individual de um liberal

A leitura do artigo do Luís Aguiar-Conraria, no Observador, sobre a direita que se diz liberal e intitulado “Onde está a direita liberal em Portugal?”, obriga-me a dirigir-lhe uma resposta. Mas, porque sou de direita e liberal, não farei como o Luís. Não vou generalizar falando em nome da direita, ou dos liberais, mas apenas em meu nome. Não farei como o Luís que fala de quem não conhece. Falarei de mim que, como liberal, é o que aqui interessa e o que vale: o meu ponto de vista.

Sou liberal pelas razões que são o oposto daquelas que a maioria tem do liberalismo. Muitos dos meus amigos e conhecidos, que me criticam por ser liberal, referem o capitalismo selvagem, a especulação financeira, a exploração dos mais fracos e o poder das grandes empresas. Não deixa de ser curioso que muitos deles trabalhem para essas mesmas empresas. Eu, pelo contrário, nunca nutri por estas qualquer admiração. Na minha concepção de liberal não aprecio grandes empresas. Como também não aprecio grandes escritórios de advogados. Não é que tenham algo de mal ou feito algo de errado, mas porque gosto da concorrência no seu estado mais puro. Tenho um fascínio por David no seu combate contra Golias. Gosto dos que se levantam e enfrentam o mundo; dos que não se intimidam, mas são humildes; dos que não se impressionam com a opulência, nem com o poder. Esta é a essência do meu liberalismo. É muito individual, eu sei, mas o liberalismo é isso: a liberdade dos indivíduos.

É nesta perspectiva que também desconfio do Estado. Não porque este seja naturalmente mau, mas por ser tendencialmente intrusivo e manipulador. O Estado é algo necessário mas, porque poderoso, deve ser vigiado. É um Golias que os David(s) devem continuamente pôr na linha. E é neste ponto de relação com o Estado que o debate ganha os contornos que são mais conhecidos entre o grande público: o Estado deve ter o monopólio da educação, dos cuidados de saúde e da Segurança Social? Deve controlar, ou regulamentar, a actividade económica? Devem existir empresas públicas? Quais? Qual o limite máximo de impostos que é tolerável pagar? É aceitável que os políticos endividem o Estado e nos enviem depois a conta? Se o Estado for um Golias, não é difícil saber qual é a opinião de um liberal.

Infelizmente, o artigo do Luís não se alargava a estas questões. Cingia-se às consideradas fracturantes, como o casamento homossexual, a adopção por casais homossexuais, a eutanásia e o aborto. Aqui, e esquecendo que as causas são fracturantes porque muito mais complexas que a forma como as abordou no seu artigo – a título de exemplo e no aborto, o direito à vida é um aspecto ainda a ter em conta –, o Luís concluiu que a direita gosta de impor a sua moral aos outros. Mencionava, é verdade, a educação, mas mais como uma tentativa de colar a direita à Igreja que à enumeração de argumentos que os liberais têm sobre a matéria.

O Luís esquece que o motivo subjacente a estas questões visa enfraquecer os alicerces da liberdade individual, sejam a família e as demais instituições, como as escolas privadas. É que se o liberal pugna pela liberdade de cada um, sabe, melhor do que ninguém, que esta não se conquista sozinho mas através do que Burke apelidou de pequenos pelotões da liberdade: a família, a vizinhança, os amigos, as associações de qualquer espécie e feitio feitas por indivíduos à procura do seu espaço no meio de todos. Sem estas, o indivíduo fica sozinho contra o Estado.

Aliás, é precisamente por isso que os socialistas, defensores do fortalecimento do poder público, querem separar a pessoa da comunidade: para a isolar e enfraquecer. É também por essa mesma razão que os socialistas são tão amigos das grandes empresas: porque precisam destas para, em parceria com o Estado, fortalecerem um poder centralizador. Não há nada pior para um socialista, e estimulante para um liberal, que milhões de pessoas individualmente livres. O erro do Luís foi o ter generalizado. Ora, dificuldade do liberalismo é mesma a sua individualidade, que não se compactua com generalizações grosseiras e a redução forçada da discussão pública à dicotomia esquerda-direita, com forças partidárias pelo meio. É um debate intelectual que merece muito mais que aquilo a que o Luís o reduziu.

Grécia, liderança europeia e Brasil

Os meus comentários no Económico TV.

O problema da Grécia não é a dívida, mas o clientelismo que mina o Estado, a economia grega e que está na origem da dívida.

Martin Schulz fala com saudade dos líderes europeus do passado. Quais? Os que aceitaram que a Grécia aderisse ao euro sem que tivesse uma economia europeia preparada para ter uma moeda forte?

E sobre o Brasil, tiro-lhe o chapéu: destituir um presidente na América do Sul, sem recurso à violência e a discutir formalidades jurídicas, é obra.