Best of

Na sequência do fim de ciclo na minha colaboração regular com o Observador, pareceu-me oportuno registar os 10 artigos que mais partilhas tiveram. Aqui fica a lista:

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Trump e Hollande

Trump parece estar a ter um efeito muito positivo nos socialistas franceses: Presidente francês avisa que protecionismo económico é a “pior das respostas”

“O protecionismo é a pior das respostas”, insistiu o chefe de Estado francês, considerando que, em última instância “o que impede o comércio prejudica o crescimento e afeta o emprego”, inclusive em países que o defendem.

Jared Kushner e Bobby Kennedy

Justiça diz que Trump pode nomear genro para cargo na Casa Branca

Robert F. Kennedy

Trump, as sondagens e o futuro

O artigo que marca o fim de ciclo na colaboração regular com o Observador que mantive, com muito gosto, desde o início do projecto: O Presidente Trump, as sondagens e o futuro.

O enviesamento, arrogância e sobranceria com que a sua candidatura e os seus apoiantes foram sistematicamente analisados dificultaram e muito a compreensão do fenómeno Donald Trump.

Candidaturas IEP-UCP – Até 20 de Janeiro

Encerram a 20 de Janeiro de 2017 as candidaturas para os programas de MA in Governance, Leadership and Democracy Studies e de Mestrado e Doutoramento em Ciência Política e Relações Internacionais do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa.

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The Obama legacy

On the Worst President. Por James V. Schall, S.J.

Much will be written of the Obama legacy. He will no doubt quickly sign a lucrative contract to produce a book explaining the glory of these past eight years, awful as they were. While most folks have understood that things were falling apart at the most basic levels, Mr. Obama, in his own mind, saw them progressing from one success to another. He flew over it but he never really saw America. His basic character was pretty accurately described by Plato and Aristotle. Like Mr. Clinton, he probably would have been elected for a third and fourth term were it not for the reaction to, yes, Franklin Roosevelt and the two-term limitation.

I will pass over his religious views. His is a popular leftism that identifies religion as politics. Catholics were slow to recognize the efforts Mr. Obama made to identify religion and positive law. No leeway was left. Religion could not stand in the way of social “progress.” Who could have imagined even a decade ago that the freedom of speech and the freedom of religion traditions would be under fire for holding back the social engineering that Mr. Obama and his friends foisted on the country’s embassies, laws, military, healthcare, medicine, schools, environment, and even in the food we can’t eat.

Ramón Díaz (1926-2017)

Morreu hoje Ramón Díaz, Presidente da Mont Pelerin Society entre 1998 e 2000 e defensor incansável da liberdade.

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Ramon Diaz on F. A. Hayek’s Liberalism

Leitura complementar: Cuando un hombre hace historia; Ramon Diaz and the Spread of Liberal Ideas in Uruguay.

Uber: partilha ou rent-seeking?

O meu artigo de hoje no Observador: Uber: economia de partilha ou rentismo?

Combater um paradigma político de economia extractiva assente em múltiplos processos de rent-seeking exige, infelizmente, bastante mais do que novas plataformas tecnológicas e slogans atractivos.

Um modelo totalitário de educação sexual

Educação para a Sexualidade: Desafios à Liberdade em Portugal. Por Fernando Adão da Fonseca.

O facto de uma determinada escola poder desenvolver determinado tipo de abordagens à sexualidade com as quais as famílias discordem, sem que estas, por seu turno, tenham sequer o direito básico de trocar os seus filhos para outra escola onde porventura pudessem encontrar uma abordagem a esta questão que estivesse em linha com aquilo que desejam para os seus educandos, é pura e simplesmente uma forma encapotada de ditadura que desrespeita de forma muito perigosa aquela que é a principal conquista que a revolução de 74 pretendeu garantir aos portugueses: a liberdade.

O conceito de “Estado Educador”, que constrange através do seu poder político e financeiro as liberdades filosóficas, estéticas, políticas, ideológicas ou religiosas dos portugueses, opõe-se à própria liberdade, assumindo totalitariamente o seu desprezo pelo direito constitucional à liberdade de educação dos alunos e das suas famílias.

Se isto é claro e linear no que diz respeito ao direito de ser livre para ensinar e para aprender, mais claro é ainda quando aplicado a matérias fracturantes como é a da sexualidade, por se tratar de uma área estruturante e essencial na formação da personalidade humana e na identidade futura dos alunos portugueses.

O complexo político-financeiro

O dinheiro dos portugueses e o poder dos políticos. Por Rui Ramos.

A banca é uma das actividades privadas mais reguladas e supervisionadas por entidades públicas em todo o Ocidente. Em Portugal, tem sido também uma das mais instrumentalizadas pelo poder político. (…) O complexo político-financeiro desenvolvido a partir dos anos 90 promoveu uma explosão de crédito barato, permitida pelos recursos externos disponíveis com a entrada no euro e incentivada pelas bonificações e benefícios fiscais dos governos. Foi assim que a oligarquia compensou a quebra do crescimento económico. A banca garantiu os consumos que fizeram a felicidade dos eleitores, ao mesmo tempo que serviu aos governos para inventar “projectos” e mandar nas empresas. Basta lembrar o ataque ao BCP ou a defesa da PT, organizados a partir da CGD e do BES durante a situação Sócrates-Salgado. A propriedade da banca foi irrelevante. A CGD correu mais riscos que os bancos privados, e alguns bancos privados estiveram tão alinhados com os governos como a CGD.

Fernando Holiday

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Fernando Holiday: um nome a fixar para o futuro da política brasileira: Vereador Holiday diz que pretende revogar Dia da Consciência Negra

No terceiro dia como vereador de São Paulo, Fernando Holiday (DEM), de 20 anos, disse que vai apresentar uma proposta para revogar o Dia da Consciência Negra, data celebrada em 20 de novembro. Em entrevista à TV Câmara nesta quarta-feira, 4, o jovem afirmou ainda que vai propor o fim das cotas raciais em concursos públicos municipais da capital.

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Enquanto seguimos cantando e rindo…

Juros da dívida superam os 4%, o limite do “conforto” da agência DBRS

Os juros da dívida portuguesa superaram esta quinta-feira os 4% no prazo a 10 anos, o nível mais elevado desde fevereiro do ano passado e que supera o nível que a agência de rating DBRS, a que segura Portugal nas compras de dívida do BCE, considerou em entrevista ao Observador que seria o limite a partir do qual deixaria de estar confortável com a notação atribuída à dívida portuguesa (a única acima de lixo).

(…)

Depois de um pequeno alívio na sessão de quarta-feira, os juros da dívida a 10 anos voltaram hoje a subir e estão a aumentar 12 pontos-base para 4,02%. Em contraste, a dívida espanhola a 10 anos está com juros de 1,5% e a italiana com taxas inferiores a 2%.

Vídeo da expulsão de Danilo Pereira

Mais um grande momento do futebol português.

Moreirense x FC Porto: Vídeo da expulsão de Danilo Pereira

O colapso do sistema estatal de saúde na Grécia

Felizmente, o Syriza está no poder e austeridade acabou pelo que nada disto interessa: ‘Patients who should live are dying’: Greece’s public health meltdown

Seven years of austerity have seen hospitals become ‘danger zones’, doctors say, with many fearing worse is to come

Since 2009, per capita spending on public health has been cut by nearly a third – more than €5bn (£4.3bn) – according to the Organisation for Economic Co-operation and Development. By 2014, public expenditure had fallen to 4.7% of GDP, from a pre-crisis high of 9.9%. More than 25,000 staff have been laid off, with supplies so scarce that hospitals often run out of medicines, gloves, gauze and sheets.

In early December Giannakos, a nurse by training, led a protest march, which started at the grimy building housing the health ministry and ended outside the neoclassical office of the prime minister, Alexis Tsipras. At the ministry, hospital technicians erected a breeze-block wall and from it hung a placard with the words: “The ministry has moved to Brussels.”

Few advanced western economies have enacted fiscal adjustment on the scale of Greece. In the six years since it received the first of three bailouts to keep bankruptcy at bay, the country has enforced draconian belt-tightening in return for more than €300bn in emergency loans. The loss of more than 25% of national output – and a recession that has seen ever more people resorting to primary health care – has compounded the corrosive effects of cuts that in the case of public hospitals have often been as indiscriminate as they are deep.

Pressure to meet creditor-mandated budget targets means that in 2016 alone, expenditure on the sector has declined by €350m under the stewardship of Syriza, the leftist party that had once railed against austerity, said Giannakos, citing government figures.

More than 2.5 million Greeks have been left without any healthcare coverage. Shortages of spare parts are such that scanning machines and other sophisticated diagnostic equipment have become increasingly faulty. Basic blood tests are no longer conducted at most hospitals because laboratory expenditure has been pared back. Wage cuts have worsened the low morale.

Niall Ferguson – The Decline and Fall of History

The Decline and Fall of History

Leitura complementar: Pela liberdade, resistir ao lobby LGBT.

People Who Laughed at Trump

Uma pequena mas significativa amostra da ignorância e arrogância esquerdistas que ajudaram decisivamente a eleger Donald Trump.

People Who Laughed at TRUMP… and said he would never be President

As feiras de gado e a concertação social

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O meu artigo desta semana no Observador: Em defesa de Augusto Santos Silva (e das feiras de gado).

As feiras de gado – à semelhança das feiras em geral – têm também a seu favor o facto de assentarem em transacções voluntárias. A exigência do livre consentimento das partes envolvidas constitui aliás uma muito melhor garantia dos efeitos socialmente benéficos das trocas do que a realocação de recursos por via centralizada com base na tomada de decisões colectivas na esfera política. É certo que, como em outras actividades, também no comércio há negociantes desonestos. E que, em casos nos quais haja fraude, má fé ou outras práticas não éticas os benefícios do comércio ficam em causa.

Mas, como já há alguns séculos atrás assinalava o escolástico Domingo de Soto, devemos ter presente que os vícios dos comerciantes não são próprios do comércio, mas das pessoas que o exercem. Nessas situações é importante que o sistema judicial actue de forma célere e eficaz e também que os mecanismos de sanção reputacional sejam potenciados ao máximo para penalizar os maus comerciantes. Em qualquer caso, é geralmente menos difícil penalizar e responsabilizar os comerciantes desonestos do que os políticos desonestos. Também por isso não seria necessariamente mau que a concertação social e outros processos de decisão colectiva por via política fossem mais parecidos com feiras de gado.

O totalitarismo ideológico da ideologia de género

Müller denuncia el «totalitarismo ideológico» que quiere imponer la ideología de género en el mundo

Durante la entrevista, el Cardenal Müller recordó que “corresponde a los Obispos y, sobre todo, al Papa, que tiene una misión específica por la unidad y salvaguarda de la fe, pero que también es el intérprete supremo de la ley moral natural, denunciar” las amenazas contra la sociedad de la pretensión de extender determinadas ideologías de corte totalitario, en concreto, ideologías como la de género.

Leitura complementar: Pela liberdade, resistir ao lobby LGBT.

Fátima persiste

Fátima, cem anos depois. Por João César das Neves.

Em 2017 Portugal era governado pela extrema-esquerda e vivia uma das maiores crises da sua história. Foi então que na serra de Aire, no meio do país mais profundo e atrasado, aconteceu alguma coisa. Ninguém pode negar que ali, naquele canto perdido da nação rural, aconteceu alguma coisa. Nem sequer a elite intelectual, então no poder, que se negou a aceitar o sucedido, o consegue negar. O povo, que a extrema-esquerda tanto despreza como crédulo, boçal, supersticioso, acorreu em massa, junto com as classes abastadas, também desprezadas. Mas até a imprensa do regime divulgou o acontecimento extraordinário. Fátima aconteceu.

Passaram cem anos. Portugal é de novo governado pela extrema-esquerda e vive uma das maiores crises da sua história. O país já não é rural e atrasado, e a serra de Aire deixou de ser um canto perdido. É mesmo a maior atração internacional de uma economia onde o setor do turismo é dos poucos dinâmicos. Neste ano, em maio, de novo em Fátima, vai acontecer alguma coisa que ninguém, nem sequer a elite intelectual e a imprensa do regime, pode negar. Multidões de todo o mundo vão confluir para aquele cantinho da serra. São pessoas tão variadas que ninguém pode classificar como povo boçal ou classe abastada. Fátima persiste.

Rui Tavares viu 2017, e vai ser só homens

A previsão de Rui Tavares – um dos raros casos de colunistas bem colocados em Portugal que é uma jovem mulher negra – para 2017.

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Zizek, o Islão e a decadência intelectual da esquerda

Miguel Morgado sobre O Islão é Charlie?, de Slavoj Žižek: Crítica de livros: O Islão é Charlie?

Curiosamente, Zizek inicia este pequeno manifesto com uma crítica cerrada à correcção política que caracteriza a chamada esquerda democrática. Zizek diz com todas as letras que as atenuantes com que a esquerda nos brinda sempre que ocorre uma atrocidade a cargo do fundamentalismo islâmico – os muçulmanos são oprimidos e explorados, os EUA com a sua política no Médio Oriente são os responsáveis pelos atentados, falta tolerância multiculturalista – são uma demonstração da falência intelectual dessa esquerda. Diz Zizek com notável discernimento: “quanto mais os left wing liberals ocidentais se culpabilizarem, mais serão acusados pelos muçulmanos fundamentalistas de hipócritas que apenas tentam esconder o seu ódio pelo Islão”. Para Zizek não há atenuantes para um fundamentalismo que é um fanatismo “racista, religioso e sexista”. Dá bem ideia da decadência actual da esquerda não revolucionária que seja preciso Zizek para lhe dizer isto.

O Centenário das Aparições de Fátima e a peregrinação do Papa Francisco

Uma curiosidade interessante, a juntar-se a outras em torno desta peregrinação a Fátima que não será visita de Estado a Portugal: Presidência adianta-se a anunciar visita do Papa e omite referência aos bispos

O comunicado que anuncia a visita do Papa a Fátima foi escrito com o acordo dos bispos portugueses, do Vaticano e da Presidência da República e ficou combinado entre todos que a sua divulgação seria feita esta sexta-feira, conjuntamente, às 11h00 – hora em que sai o boletim diário da sala de imprensa da Santa Sé.

Só que a Presidência portuguesa antecipou-se e publicou o comunicado um dia antes do que estava combinado, retirando do texto a referência aos bispos.

A precipitação, que já tinha acontecido também nos tempos de Cavaco Silva, já mereceu um pedido de desculpas à nunciatura e aos bispos, apurou a Renascença.

Ainda assim, o mais importante a assinalar é sem qualquer dúvida a visita do Papa Francisco por ocasião do Centenário das Aparições de Fátima.

O Natal era melhor antigamente?

O melhor texto de Vasco Pulido Valente desde que começou a escrever no Observador: 24 de Dezembro, 2016.

O BCE está a gerar subprime político

Um artigo que chama a atenção para o essencial: O BCE é uma ameaça maior do que o populismo. Por Rui Ramos.

Há anos que o BCE usa dinheiro barato para poupar Estados, bancos e empresas à realidade da falência e à necessidade de reformas. O resultado tem sido perverso. Em 2008, explicaram-nos que o capital financeiro erguera um castelo de cartas. Mas como descrever o actual castelo europeu de dívidas e de défices alimentados pelo BCE? Sabemos como o abuso do crédito acabou da última vez. Irá agora acabar de maneira diferente? O BCE está a gerar na Europa uma espécie de subprime político, cuja ruptura, um dia, poderá precipitar a primeira grande viragem do século.

Muita gente nos avisa, com alguma razão, contra os riscos do populismo e do proteccionismo. Mas neste momento, os mecanismos inventados para impedir que alguma coisa aconteça são talvez uma ameaça maior: são eles, ao acumular problemas, que podem verdadeiramente abrir a porta ao proteccionismo e ao populismo. Porque quando alguma coisa tiver de cair, cairá de mais alto.

O lobby LGBT como ameaça à liberdade (2)

Foi com especial satisfação que constatei que o meu artigo desta semana no Observador (Pela liberdade, resistir ao lobby LGBT) suscitou grande interesse tendo sido um dos mais lidos de todo o site nos últimos dias e atingido cerca de 2.000 partilhas nas redes sociais.

Mais do que o (limitado) mérito pessoal do autor, creio que este sucesso evidencia que tanto o tema como a abordagem suscitam interesse por parte de muitos leitores, ainda que as patrulhas do politicamente correcto prefiram silenciar sempre que possível as vozes críticas e não se coíbam de usar todos os meios que têm à sua disposição, incluindo apelos à censura, insultos e ameaças de vária ordem.

O caso de Luis Peral

Luis Peral, diputado provida y muy crítico con la ley LGTB de Cifuentes, deja su escaño en Madrid

Leitura complementar: Pela liberdade, resistir ao lobby LGBT.

Frederico Lourenço

Uma espécie de milagre. Por José Tolentino Mendonça.

Frederico Lourenço é uma espécie de milagre no contexto português. Pense-se no que ele teve de contrariar para entregar-se a empresas tão desproporcionadas, na ambição e no brilho, empresas no fundo tão humílimas e necessárias, como traduzir sem perder o fôlego o cancioneiro homérico, uma parte da lírica grega e agora adentrar-se no mare magnum que é o repositório bíblico. E realizar isso nas condições possíveis em Portugal, onde a erosão de uma área disciplinar fundamental como a dos estudos clássicos parece um desastre em vias de consumar-se. Certamente é fantástico aquilo que António Barreto sublinhou em nome do júri do Prémio Pessoa que agora lhe foi atribuído, e de que ele é inteiramente merecedor: “Frederico Lourenço é responsável por um fenómeno raro: tornou a ‘Odisseia’ e a ‘Ilíada’ best-sellers entre nós.” Mas como se faria outra justiça ao trabalho do nosso miglior fabbro se, por exemplo, as edições dessas obras pudessem ser ao mesmo tempo best-sellers e bilingues como noutras paragens? Ninguém como Frederico Lourenço lamenta que “a língua de Homero, Platão e do Novo Testamento se tenha tornado, em Portugal, aquilo que em três mil anos de história nunca chegou verdadeiramente a ser: uma língua morta”. Contudo, ele não desiste. Dá o seu melhor. Dá-nos chão. Amplia-nos. Transcende-nos.