“o seu povo o elegerá como o maior de entre os seus”

As palavras que nunca te direi. Por Michael Seufert.

Já afastado do dia-a-dia da liderança do país que tanto lhe deve, não deixou de estar no coração do seu povo, que tanto chora a sua morte, e que continuava a acreditar na sua liderança e na sua entrega abnegada. A sua morte,após invulgar resistência contra a doença, abre caminhos para novas reformas no regime e a melhoria de relações com o exterior, o que se saúda. O seu povo, enlutado, não o esquecerá e certamente se daqui a 40 anos a televisão quiser fazer a retrospectiva da sua vida o seu povo o elegerá como o maior de entre os seus, muito na frente daqueles que, derrotados pela história, lhe fizeram frente.

“A história não absolverá Fidel Castro”

Vargas Llosa: “A história não absolverá Fidel Castro”

“Espero que essa morte abra um período de abertura, tolerância, democratização em Cuba. A história fará um balanço destes 55 anos que acabam agora com a morte do ditador cubano. Ele disse que a história o absolverá. E eu tenho certeza que a história não absolverá Fidel”.

Vargas Llosa foi um dos intelectuais latino-americanos que viram na Revolução Cubana uma luz democratizadora. Chegou a fazer parte do grupo de escritores que visitavam Castro, mas logo se decepcionou. A perseguição aos dissidentes o horrorizou. Havia represálias, lembra o Nobel, não apenas pelas ideias políticas, mas também pela orientação sexual: mesmo que fossem partidários do regime, “Castro chamava os homossexuais de enfermitos (doentinhos)”.

Recordar Fidel

Não apaguem a memória. Por Zita Seabra.

Fidel e Raúl criaram os tristemente famosos campos de reabilitação UMAP, de trabalhos forçados e tortura onde eram internados os chamados «aberrantes». Aqui, foram internados milhares de «marginais», entre os quais padres, como o arcebispo de Havana D. Jaime Ortega. Nestes tristemente famosos UMAP, foram internados todos os homossexuais denunciados para sua reeducação até acabar com «os maus vícios» que propagavam. Estes presos foram usados ao longo de décadas como mão de obra em trabalhos forçados, para construir cadeias, universidades e numerosas obras públicas. Em Cuba, como na Rússia estalinista, ou na China da Revolução Cultural.

Todos foram ao longo dos anos da longa ditadura comunista apanhados ou denunciados pela polícia política, conhecida em Havana pela Gestapo Vermelha, ou entregues pelos informadores que no ano 2000 eram cerca de 50.000 pessoas. Desde 1959 mais de 100 mil cubanos conheceram os campos, as prisões ou as frentes abertas. Entre 15000 e 17000 pessoas foram fuziladas («Livro Negro do Comunismo», coord. Stephan Courtois, Quetzal).

Em defesa da municipalização da Carris

O meu artigo desta semana no Observador: Em defesa da municipalização dos transportes.

É indiscutível que a manutenção a 100% da dívida no Estado é profundamente injusta mas importa reconhecer que passar empresa com défice significativo e passivo avultado não seria fácil de outra forma. O mais importante — vale a pena realçar novamente — é que a responsabilidade pelas obrigações futuras incorridas pela nova gestão fiquem estritamente circunscrita ao nível da autarquia de Lisboa, sem ajudas estatais ou possibilidade de bailouts.

Fidel e a Comissão Europeia a que temos direito…

Trump e a esquerda

Qual é o problema da esquerda com Trump? Por Rui Ramos.

Qual é, afinal, o problema das esquerdas com Trump? Trump propôs-se rasgar tratados de comércio, reduzir compromissos militares, aumentar o défice. Não é isso, num mesmo patamar de demagogia, que desejam os inimigos do “neoliberalismo” e da “austeridade”? Muitos eleitores da esquerda americana não viram onde estava o problema, e votaram Trump. São racistas, diz-se agora. Mas em 2008, quando elegeram Obama, também foram racistas?

Como maximizar a imigração ilegal do México para os EUA

Um artigo brilhante de Tyler Cowen: What If Trump Wanted More Illegal Immigration? Wait, He’s On It!

Imagine that a new U.S. president, different from the one we just elected, set out to maximize the number of illegal Mexican immigrants. Maybe he or she saw electoral advantage in this, or maybe just thought it was the right thing to do. But how to achieve that end? Imagine also that I was called into the Oval Office to give advice.

I would start by recommending an enormous new program of fiscal stimulus and construction. Let’s rebuild our roads, bridges and power grids, and put up some new infrastructure as well, including perhaps an unfinished border wall. That will require a lot of labor, and Mexican labor, including that of the illegal variety, is common in the construction business. The financial crisis, and the resulting freeze-up in the housing market, was a major reason why Mexican migration to the United States went into reverse, so a new building program might counteract that trend.

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Trump and higher education

Higher education is awash with hysteria. That might have helped elect Trump. Por George Will.

Many undergraduates, their fawn-like eyes wide with astonishment, are wondering: Why didn’t the dean of students prevent the election from disrupting the serenity to which my school has taught me that I am entitled? Campuses create “safe spaces” where students can shelter from discombobulating thoughts and receive spiritual balm for the trauma of microaggressions. Yet the presidential election came without trigger warnings? (…) Academia should consider how it contributed to, and reflects Americans’ judgments pertinent to, Donald Trump’s election. The compound of childishness and condescension radiating from campuses is a reminder to normal Americans of the decay of protected classes — in this case, tenured faculty and cosseted students. (…) Institutions of supposedly higher education are awash with hysteria, authoritarianism, obscurantism, philistinism and charlatanry. Which must have something to do with the tone and substance of the presidential election, which took the nation’s temperature.

23 e 24 Novembro: “Rawls and Nozick on Justice and Redistribution”

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Entrada livre, mas sujeita a inscrição.

Os foguetes e a dura realidade

Estamos tão afogados em boas notícias que nem notamos que estamos… afogados. Por José Manuel Fernandes.

(…) a dura verdade é que estes números permitem que o crescimento fique, muito provavelmente, pelos 1,2% da mais recente previsão do Governo, ou seja, metade do que o PS prometera no seu programa eleitoral e um terço menos do que estava inscrito no Orçamento do Estado, que já fora revisto em baixa. Mais: 1,2% ou mesmo 1,3% de crescimento em 2016 compararão sempre com os 1,6% de 2015. Deitar foguetes quando se falha tão estrondosamente os objectivos não deixa de ser paradoxal. Como paradoxal é o quase silêncio com que este falhanço tem sido recebido pelos que no passado fustigavam qualquer desvio de 0,1% nas previsões económicas.

A melhor arma contra a diabetes é o socialismo (2)

A minha vizinha anda a acumular um proto-fascismo que põe em risco o elevador. Por Vitor Cunha.

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Steve Bannon sobre cristianismo e capitalismo

How Donald Trump’s chief strategist thinks about capitalism and Christianity

Soon after winning the election, President-elect Donald Trump created waves of controversy by naming Steve Bannon, his former campaign CEO, as chief strategist and Senior Counselor in the new administration.

Yet while Bannon’s harsh and opportunistic brand of political combat and questionable role as a catalyst for the alt-right are well-documented and rightly critiqued, his personal worldview is a bit more blurry. Much has been written of Bannon’s self-described “Leninist” political sensibilities and his quest to tear down the GOP establishment, but at the level of more detailed political philosophy (or theology), what does the man actually believe?

Offering a robust answer to that question, BuzzFeed recently unearthed a transcript from an extensive Skype interview Bannon gave to a conference held inside the Vatican in 2014. Though the topics range from ISIL to Russia to the racial tensions within the conservative movement, Bannon spends the bulk of his initial remarks on the intersection of economics and Christianity, offering what’s perhaps the most detailed insight to Bannon’s own thinking that I’ve found.

Given the growing mystery of the man and his newfound position of influence in the next administration, it’s well worth reviewing his views on the matter.

A esquerda progressista e a proibição de jornais nas Universidades

Trigger warning: students vote to ban ‘offensive’ newspapers at journalism school

Although journalism is a competitive field, students at City University — which boasts one of the country’s top journalism departments — have today taken action to narrow the field further. Students have voted for a campus ban on the Sun, Daily Mail and Daily Express. Why? The student union has deemed the views expressed by these popular papers unacceptable — claiming their editorial lines fuel ‘fascism, racial tension and hatred in society’.

Na saúde, os preconceitos ideológicos podem ficar muito caros

Na saúde o dinheiro nunca chega. Por Miguel Gouveia.

Não é fácil resolver todos estes problemas, mas talvez começar por não os agravar seja uma boa estratégia, por exemplo não gastando mais do que atualmente para ter os mesmos serviços. No caso da saúde, as posições assumidas por algumas forças políticas perante as parcerias público-privadas (PPP) correspondem a um preconceito ideológico que pode custar bastante caro. Os estudos recentes de algumas PPP indicam que o Estado teria custos mais elevados se prestasse diretamente os mesmos serviços. A evolução do Hospital Amadora-Sintra após o término da gestão privada indicia um aumento substancial dos custos. Quem tem o poder de decisão pode resolver gratificar inclinações ideológicas, é essa a prerrogativa do poder. Se ao menos depois houvesse dinheiro para os cuidados continuados, para a saúde mental, para reequipar hospitais ou para ter médicos de família para todos…

Sobre o alarmismo anti-Trump

Casa Branca 2016: Afinal, o “sistema” não estava “viciado”. Por João Carlos Espada.

Não há por isso, em meu entender, motivo para todo este alarme que vai por aí.

Em primeiro lugar, não vejo motivo para auto-críticas do chamado “establishment” que era contra Trump: o facto de alguém ganhar eleições não implica que todos os derrotados passem a concordar com ele. Apenas têm de aceitar a derrota e… continuar a criticá-lo, se acharem que ele merece ser criticado. Só nas ditaduras é que a vitória de um candidato implica a unanimidade nacional em torno do vencedor.

Pelo mesmo motivo, em segundo lugar, são descabidos os ataques ao presidente eleito que o descrevem como fascista e que anunciam a iminente conversão da América ao fascismo.

Esses ataques com efeito fazem recordar os ataques que as esquerdas americana e europeia lançaram contra Ronald Reagan, em 1980. Também nessa altura foi dito que o presidente eleito era ignorante, populista e até mesmo fascista. Reagan provou ser um grande presidente. E, com Margaret Thatcher, derrubou pacificamente o comunismo, promovendo uma ordem mundial fundada no comércio livre e inspirada pelo ideal democrático.

If everyone is Hitler, then no one is Hitler (2)

Uma ajuda imprescindível para compreender o “debate” na generalidade da comunicação social portuguesa (e não só!…).

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Every Republican Presidential Candidate Is Hitler

McGovern had set a record for comparing Nixon to Hitler, which made him very popular with the left, but he hadn’t originated it. Comparing any Republican presidential candidate to Hitler had been a standard Democratic political tactic for some time no matter how inappropriate it might be.

Before McGovern was comparing Nixon to Hitler, he was comparing Barry Goldwater to Hitler. Goldwater had a Jewish father and a distaste for Socialism, which would have made him unwelcome in the ranks of the racially and politically pure National Socialists, but that didn’t stop the Hitler accusations from being hurled by the Democratic party and its political allies in the press.

Governor Pat Brown of California said, “Goldwater’s acceptance speech had the stench of fascism. All we needed to hear was Heil Hitler.” Mayor Jack Shelley of San Francisco claimed that Goldwater strategists got all their ideas from Mein Kampf.

Even though Goldwater had been an early NAACP member, NAACP leader Roy Wilkins warned, “Those who say that the doctrine of ultra-conservatism offers no menace should remember that a man come out of the beer halls of Munich and rallied the forces of rightism in Germany. All the same elements are there in San Francisco now.”

Leitura complementar: If everyone is Hitler, then no one is Hitler.

If everyone is Hitler, then no one is Hitler

Seguindo uma tradição com décadas na esquerda, o novo Presidente dos EUA já foi oficialmente declarado como o “novo Hitler”. Como em todos os casos passados, quem se atreva a colocar em dúvida a nova verdade oficial chamando a atenção para factos e argumentos só pode ser, naturalmente, um fascista.

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(via Daniel Hannan)

A culpa já será do Trump?

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Juros da dívida entram na “zona de perigo” da DBRS

Juros voltaram a superar a fasquia dos 3,5%, reentrando no intervalo em que o nível de preocupação da agência DBRS aumenta. A partir dos 4%, agência já disse que ficará desconfortável com o “rating”.

Black Trump supporters

Black Trump supporters called ‘racist’, ‘Uncle Tom’ speak out. A call for unity.

Trump: compreender o “impossível”

Leitura complementar: Trump: o bom, o mau e o incerto; Os deploráveis elegeram Trump; O caminho para a vitória de Trump.

Ron Paul on President-elect Donald Trump

Ron Paul ~ Donald Trump Is Going To Continue To Be Himself

Leitura complementar: Trump: o bom, o mau e o incerto.

Trumpismo: o bom, o mau e o incerto

O meu artigo desta semana no Observador: Trump: o bom, o mau e o incerto.

Uma derrota profunda dos meios de comunicação social

MEC deu mais um exemplo (raro em Portugal…) de decência e honestidade intelectual: É amarga, mas justa, a lição que Donald Trump acabou de nos dar. Por Miguel Esteves Cardoso.

Trump ganhou. Nós perdemos. Por nós quero eu dizer os meios de comunicação social dos EUA e da Europa. Segundo as histórias que nós contámos aos leitores e uns aos outros o que acaba de acontecer era impossível.

As nossas sondagens e opiniões – incluindo as minhas – não só se enganaram redondamente como contribuiram para criar um perigoso unanimismo que fez correr uma cortina de fumo digno dos propagandistas oficiais dos estados totalitários.

Eu leio todas as semanas duas revistas conservadoras americanas – The Weekly Standard e National Review. Leio todos os dias o igualmente pro-Republicano Wall Street Journal. Em nenhum deles fui avisado que Trump poderia ganhar.

Sinto-me vítima de uma conspiração – não da parte de Trump mas da parte dos media. Aquilo que aconteceu não foi a cobertura das eleições americanas, mas antes uma vasta campanha publicitária a favor de Hillary Clinton onde até revistas apolíticas como a Variety participaram.

Donald Trump foi sujeito à maior e mais violenta campanha de ataques pessoais que alguma vez vi na minha vida. Todos as principais publicações alinharam entusiasticamente. Sem recorrer a sites de extrema-direita o único site que defendia Trump foi o extraordinário Drudge Report. Foi só através dele que comecei a achar – e aqui vim dizer – que o eleitorado reage sempre mal às ordens paternalistas dadas por uma unanimidade de comentadores, jornalistas e celebridades.

A eleição de Donald Trump foi um triunfo da democracia e uma derrota profunda dos meios de comunicação social.

Análises à vitória de Trump

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Além do meu artigo semanal, tive muito gosto em contribuir para o especial do Observador de análises rápidas sobre a vitória de Trump, que inclui também textos de Jose Manuel Fernandes, Rui Ramos, Alexandre Homem Cristo, Helena Matos, João Marques de Almeida, e Nuno Garoupa. Aqui fica o meu contributo: Os deploráveis elegeram Trump.

O primeiro passo para compreender e lidar com as consequências da eleição de Trump será não repetir os erros, enviesamento e arrogância com que a sua candidatura e campanha foram analisadas.