The experts…

All The Experts are generally wrong. In the 1920s, they were for returning to gold at the pre-war rate. In the 1930s, they were for appeasement. In the 1940s, they were for nationalisation. In the 1950s they were for state planning. In the 1960s, they were for child-centred teaching. In the 1970s, they were for price controls. In the 1980s, they were for the ERM. In the 1990s they were for the euro. (…)

Maybe, just maybe, it’s time to stop trusting the people who got us into this mess.

Daniel Hannan

Tresloucadas justificações

Só a histórica complacência com que a opinião pública e publicada brinda o PS permite que as recentes e tresloucadas derivas socialistas (o Michael Seufert faz aqui um bom apanhado) na tentativa de justificar o estado a que a sua governação desde 1995 nos trouxe passem, nos dias que correm, por declarações políticas aceitáveis ou sequer normais. 

Apostado em beneficiar da mesma complacência que o autorizou a multiplicar-se em nomeações políticas de fim de festa ou que o autorizou a manter na vice-presidência da bancada socialista, por desejo do moderado Francisco Assis, um ladrão de gravadores de jornalistas, o PS  acha-se agora no direito de inventar as mais absurdas desculpas para fugir às suas responsabilidades. E nesse jogo vale tudo, até mesmo comparar a Alemanha de Merkel à Alemanha de Hitler.

O problema do PS, enquanto actor de soluções para os problemas do país, não é apenas, embora bastasse já, o apoio e a manutenção de Sócrates no Governo. O problema do PS está, acima de tudo, na sua insuportável tentação para se sentir dono e herdeiro do regime, a quem os portugueses devem, em nome de glórias passadas, prestar vassalagem. As tresloucadas justificações são um mero retrato disso mesmo.

As explicações de quem acha que não tem nada a explicar

Vale bem a pena ler a resposta do INPI à notícia hoje publicada no Correio da Manhã, com o seguinte título: 20 mil euros para estar no Twitter. E vale bem a pena porque, no meio de justificações meramente formais próprias de quem acha que não tem grandes explicações a dar, a despesa em causa se torna absolutamente injustificável para quem saiba o que é o twitter, quer nos tempos que correm, quer tendo em conta os serviços desenvolvidos ao abrigo do contrato assinado que poderiam, e deveriam, ser assegurados pelos funcionários do próprio INPI. Se o INPI não sabe o que pode interessar divulgar, no âmbito da propriedade intelectual, quem mais poderá?

The End

Tolerante como poucos, o português aceita ser iludido, ludibriado e governado por incompetentes, razão pela qual em Portugal os governos não chegam ao fim por terem iludido, mentido ou governado mal. Mas se há coisa que o português não suporta é sentir-se injustiçado pelo governo. O crescente sentimento de injustiça, e não qualquer outra coisa, é a sentença de morte do Governo Sócrates.

O Estado Frei Tomás

É deliciosa esta ideia de Teixeira dos Santos de que a PT deve preocupar-se mais com as contas do desvario socialista do que com o interesse dos seus accionistas, atrasando o pagamento de dividendos só para pagar mais imposto. Mas se a coisa é mesmo para levar a sério, porque é que o Estado não decide, também ele, e sob as mãos de Teixeira dos Santos, dar o exemplo e atrasar todos os seus consumos para 2011, para pagar mais IVA e assim ajudar às continhas da Nação? Será porque a coisa não faz qualquer sentido?

Carta Branca

Nunca me convenceu essa teoria de que um mau Orçamento é sempre preferível a Orçamento nenhum. Mas mesmo que lhe visse méritos, e não vejo, sempre disse que essa não era a verdadeira opção que tínhamos em cima da mesa: “o desafio que nos espera não é a escolha entre um péssimo Orçamento ou Orçamento nenhum. É a escolha entre permitir que estes irresponsáveis continuem a executar Orçamentos, sejam eles quais forem, ou travar este desvario despesista enquanto é tempo“. 

De facto, o problema do nosso Governo socialista, assim como dos governos socialistas em geral, nunca está no papel. No papel, aliás, é que o socialismo faz todo o sentido, enfeitado que está com a realidade a mudar ao ritmo dos decretos. O problema do nosso Governo socialista está, sempre esteve, na concreta execução orçamental das suas políticas. É por isso que não espanta que os mercados continuem a olhar para este país com o mesmo receio que olhavam na semana passada.

Sejamos sinceros, se nenhum de nós acredita que os incapazes socialistas que nos governam vão ser capazes de lidar com os desafios do futuro, por que razão haveriam os mercados de acreditar em tal capacidade apenas porque foi aprovado um papel?

A viabilização do Orçamento não foi, por isso, um favor feito ao interesse nacional, como os mercados o demonstram. Foi uma carta branca conferida a um Governo que gasta muito e gasta mal para que continue a fingir que executa ou que sabe conter-se nas despesas. Aliás, as recentes declarações de José Sócrates sobre o TGV estão aí para evidenciar até onde vai o autismo do Governo e até onde está José Sócrates disposto a levar a sua iliteracia económica.

Os dois discursos do PSD

Durante a discussão e aprovação parlamentar do Orçamento de Estado para 2011 na generalidade, o PSD recorreu escusada e simultaneamente a dois discursos (e, já agora, a duas estratégias) nem sempre convergentes. Ainda assim, nenhum dos discursos falou verdade.

De facto, de um lado tivemos o PSD que está, que viu vantagem na negociação orçamental, e que se orgulhou de ter minimizado, assim viabilizando, o dramático impacte do Orçamento. De outro lado tivemos o PSD que esteve, que não via qualquer vantagem na negociação orçamental, e que se afirmou penhor do interesse nacional na convicção de que um mau Orçamento é preferível a Orçamento nenhum.

Nem de um lado nem do outro ouvimos aquilo que todos sabem e que não envergonha ninguém. O Orçamento foi viabilizado apenas porque, mercê do nosso particular calendário eleitoral, a sua inviabilização não faria cair o Governo.  Não viria mal ao Mundo que a estratégia fosse assumida e poupava-se o país a um discurso, nos dois dias da discussão do Orçamento, que poucos perceberam e que os próprios mercados não relevaram.

Contra-sensos

O Rui Albuquerque evidencia, com rigor, o contra-senso de alguém poder encarar um governo recheado de venerandas figuras do bloco central como sendo um governo de salvação nacional. Esse contra-senso, alimentado por quem de direito, é apenas o primeiro passo para o objectivo final: outorgar aos obreiros do Estado Social… o estatuto de reformistas do Estado Social.

Na verdade, ao contrário do que seria de supor e de esperar numa ordem política decente, a reforma (vamos, por agora, adoptar o termo “reforma”) do Estado Social não será feita, ou sequer inspirada, por aqueles que, há anos, prevendo e antecipando, defenderam por vários motivos (uns utilitaristas outros não) a falência do modelo. A “reforma” do Estado Social será encomendada, precisamente, aos cultores do dito, os mesmos que se recusaram sequer a perceber os mais dramáticos sinais da sua falência.

E os primeiros sinais já aí estão, com os cúmplices do socratismo a dar o dito por não dito e fazerem-se surpreendidos com as mentiras e omissões do Primeiro-Ministro e Ministro das Finanças. Esses cúmplices, socialistas até à medula, começam já a falar da reforma do Estado Social, prontos a aparecer como os salvadores da pátria. E não duvidemos por um segundo: serão eles, como sempre, se alguém não lhes puser travão, a “reformar” o Estado Social.

É também por isso que, como o Rui Albuquerque bem refere, quanto menos governo, melhor.

Cosmopolitismo de terceiro mundo

Lisboa não resiste às primeiras chuvas e deixa-se afogar como uma pequena povoação de uma qualquer Venezuela chavista. O centro da cidade, que os socialistas querem sem carros e cheio de comércio e vibrante juventude, inundou. O pequeno comércio da Baixa, que os socialistas querem proteger e manter, inundou. O trânsito, que os socialistas querem desviar até se tornar impossível andar de carro no centro, inundou. Este é o retrato de uma Lisboa que gasta milhões em concertos e festas ao melhor espírito cosmopolita mas que se esquece de limpar as sarjetas para prevenir as inundações.