✈️ TAP e a história do dinheiro dos contribuintes a voar

O meu artigo hoje sobre a TAP aqui.

Uma coisa relevante que não disse no artigo: A grande maioria dos países do mundo não tem uma companhia aérea controlada pelo Estado. Aqui não deveria ser diferente. Não temos de salvar a empresa outra vez e ver várias centenas de milhões de impostos a voar.

E espero que a gestão da TAP já esteja a preparar um plano para trocar dívida dos credores por equity, porque isto não pode ser só andar a pedir dinheiro dos contribuintes.

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11 pensamentos sobre “✈️ TAP e a história do dinheiro dos contribuintes a voar

  1. André Silva

    Nenhum fornecedor da TAP no seu perfeito juízo trocará debt por equity. Por várias razões:
    – seria shareholder de uma empresa totalmente falida, com permanentes conflitos laborais (na realidade, os únicos verdadeiros beneficiários líquidos da TAP são os seus trabalhadores, em particular os pilotos e a restante tripulação) e num sector com extraordinariamente difícil de conseguir fazer o turnaround e tornar a empresa sustentada e consistentemente lucrativa (ou, no mínimo, com free cash flow positivo)
    – enquanto o Estado Português (leia-se, o otário do contribuinte tuga, seja de que forma for e sem poder decidir ou sequer opinar) garantir que haverá sempre cash disponível para sustentar uma empresa inviável como é a TAP.
    Na realidade, este autêntico circa já dura há grosso modo 45 anos, e neste país de atrasados mentais a rodos durará no mínimo outros tantos.

  2. um plano para trocar dívida dos credores por equity

    Isso seria uma reestruturação da dívida, seria ilegal a menos que fosse feito de acordo com (a maioria d)os credores. Ou seja, não é algo que dependa somente da administração da TAP.

  3. Não temos de salvar a empresa outra vez e ver várias centenas de milhões de impostos a voar.

    Deve-se recordar que a TAP é possivelmente (ou provavelmente) a maior exportadora portuguesa. E, em relação aos impostos, deve-se recordar que é normal os países cederem centenas de milhões de impostos às empresas exportadoras que aceitam instalar-se neles.

  4. A grande maioria dos países do mundo não tem uma companhia aérea controlada pelo Estado. Aqui não deveria ser diferente.

    A questão não é tanto se a companhia aérea é ou não é controlada pelo Estado. Os Estados gostam de ajudar as suas grandes empresas, mesmo que elas não sejam controladas pelo Estado. Creio que diversos Estados europeus irão ajudar companhias aéreas que são importantes para as suas economias, mesmo que essas companhias aéreas não sejam controladas pelo Estado.

    A questão não é tanto se a TAP é ou não é controlada pelo Estado, mas sim se o Estado português deve deixar a TAP falir, sabendo o que isso implicará para a economia portuguesa.

  5. LUIS LAVOURA : “… a TAP é possivelmente (ou provavelmente) a maior exportadora portuguesa (…) é normal os países cederem centenas de milhões de impostos às empresas exportadoras que aceitam instalar-se neles.”

    Diz-se que a maior exportadora portuguesa é a Auto Europa. Até poderia não ser a maior mas é certamente uma das muitas empresas exportadoras que não têm capitais públicos e, muitas vezes, nem sequer portugueses. As receitas da exportação de serviços de transporte aéreo podem muito bem ser obtidas por uma ou mais empresas portuguesas sem capitais portugueses, privados ou públicos.

    Quanto aos beneficios fiscais concedidos pelo Estado português a empresas estrangeiras para que se instalem em território português, estes só são necessários porque (1) os impostos sobre as empresas em geral em Portugal são excessivos e não são competitivos com os de muitos outros paises alternativos e porque (2) Portugal tem ainda outras desvantagens competitivas (um Estado pesado e muito burocrático e ineficiente, uma justiça incerta e lenta, uma legislação laboral demasiado rigida, mercados com falta de concorrência etc, etc).
    Ou seja, o que o pais precisa para favorecer o investimento, tanto nacional como estrangeiro, são reformas económicas que permitam (1) baixar os impostos em geral e (2) melhorar a eficiência global do “sistema” nacional.

  6. LUIS LAVOURA : “A questão não é tanto se a TAP é ou não é controlada pelo Estado, mas sim se o Estado português deve deixar a TAP falir, sabendo o que isso implicará para a economia portuguesa.”

    Há muitas e muitas outras empresas portuguesas que correm um elevado risco de falência ou, pelo menos, de um considerável “down sizing”, com sérias implicações para a economia portuguesa, até muito mais gravozas no que se refere a empregos e rendimentos.
    O Estado português não deve deixar todas estas empresas falirem ou mingarem ?…
    Como ?… Nacionalizando a economia e deste modo bloqueando por muito tempo o necessário processo de ajustamento nos mercados ?
    Com que dinheiro ?… Não tendo qualquer “almofada financeira”, (1) por estar já sobre-endividado e (2) por ter desperdiçado os últimos anos de condições externas e internas favoráveis para a corrigir a situação e (3) estando por isso hoje dependente e limitado pelas esmolas que os paises “virtuosos” possam vir a dar aos paises “irresponsáveis” !…

  7. Olympus Mons

    Acima de tudo para o Bernardo Blanco.
    Não trabalho na TAP mas sou amigo de vários, inclusive nas finanças da TAP. Existe uma coisa, nesta conversa da TAP, que me chateia e que talvez o Bernado (ou outro) me possa explicar estes pontos:

    a. A TAP (entidade e trabalhadores) paga por ano 120 milhões de euros para a segurança Social. Acresce mais 120 milhões dos empregados em IRS = 240 Milhões só nestes dois impostos (fora IVA, fora Impostos sobre combustíveis, etc.) e a solução do Bernardo seria fechar a companhia, não receber esses 240 milhões?

    b. Não, estas pessoas não arranjavam outro emprego. Não durante a vigência do fundo de desemprego…não conhece muitas companhias aéreas em Portugal, pois não? Pois então some ao meter os 10,000 empregados a receber cerca de 300 milhões de euros em fundo de desemprego. (ordenado médio na TAP é 2700 euros).

    c. Por isso, nessa conversa que considero demente, sendo o estado e os empregados da TAP os beneficiados da existência da empresa … Mas que custa mesmo ao estado avalizar empréstimo de 500 milhões de euros de uma empresa que nunca entrou em default com os bancos que aliás só 200 milhões dos 800 é que possuem aval do estado? – Qual o custo? Porque o Estado não vai meter dinheiro na TAP… o estado não pode meter dinheiro na TAP desde 1997…por isso o único custo para o estado será o aumento dos juros soberanos do estado.

    A minha pergunta, ao bernardo, é: tendo conta que a TAP é mais de 2.3% do PIB do país (auto europa só agora chegou aos 1.5%) Diga lá dos atuais % de juros que o estado paga a 5 anos, qual acha que seria o incremento dos juros da dívida soberana com o avalizar dos empréstimos á TAP? Isso sim, os portugueses pagariam. Concordo. Mas quanto será? 1 milhão? — vamos lá perder 500 milhões para não gastar 1 milhão? é isso?

    Obrigado.

  8. Sérgio Gonçalves

    A tap corresponde a 2% do PIB logo tem de ser ajudada pelo estado. O PIB é o contributo de todas as empresas e pqrticulares. Haverá, seguramente, um segmente de empresas de um determinado sector de atividade que juntas correspondem a 3% do PIB logo não podem falir e tem de ajudar. E assim cíclicamente até ao infinito.

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