A resposta à Covid-19: um primeiro balanço

Mal feito:
-desvalorização inicial da ameaça
-utilização de modelo da gripe (baseado na transmissão durante período sintomático) para estruturar resposta inicial quando COVID-19 é transmissível por assintomáticos
-maus exemplos de PM e PR
-colapso da Linha Saúde 24
-desorientação nas guidelines sobre quarentenas (pessoas com origem em zonas afetadas, etc).
-falta de equipamentos de proteção individual para o pessoal de saúde
-discurso sobre visitas aos lares
-falta de testes para contactos (idosos e pessoal de saúde)
-falta de camas de cuidados intensivos e ventiladores
-pacote legislativo mal estruturado e objeto de sucessivas correções (4 versões, pelo menos, no lay-off simplificado) o que dificulta o entendimento das regras e atrasa as decisões (já se perderam 2 semanas) num momento em que é urgente agir
-incoerência nos dados divulgados diariamente pela DGS e omissão de informação sobre o número de testes efetuados
-discurso político assente na mentira: “não faltou nada, nem vai faltar”.
Bem feito:
-encerramento dos estabelecimentos de ensino apesar do parecer da CNSP, mas a reboque das iniciativas avulsas de direções das instituições e das decisões dos pais que começaram a tirar os filhos das escolas.

15 pensamentos sobre “A resposta à Covid-19: um primeiro balanço

  1. Filipe Bastos

    -desvalorização inicial da ameaça

    Mau: o especialista residente, o Sr. Engº Francisco Miguel Colaço, assegura-nos que é apenas UMA CONSTIPAÇÃO. Qual ameaça?

    Cito: «uma merdice chinesa que acabou como uma boa parte dos produtos chineses: a fazer mais mal que bem.»

    Pelo contrário, o governo xuxa até fez de mais: vejam a Suécia, por amor da santa!

    Em que ficamos? O governo xuxa fez de mais ou de menos?

    E produzir tudo na China, o magnífico capitalismo aqui incensado desde sempre, afinal é bestial ou uma besta?

  2. Velho do Restelo

    Ainda que concorde com a análise apresentada, e pense que alguns itens (ex. pacote legislativo), podem ser mais aprofundados, a questão de fundo começa por ser:
    – Qual é de facto a estratégia em uso ?
    contenção por distanciamento social (DS) ou imunidade de grupo (IG) ?
    – O UK e Holanda terão apostado na IG embora agora o UK mudou para DS.
    – O Kosta, artista na arte da ilusão, finge apostar na DS, mas na prática, aquilo que parecem erros, podem ser medidas que visam a IG.
    » Quarentena voluntária para regressados do estrangeiro. Quem fiscaliza ?
    » Quarentena obrigatória (na residência) para alguns infectados. Quem fiscaliza ? O responsável da PC de Gondomar pediu a lista (para fiscalizar), mas levou nega da Temida! Tem de passar pelo MAI ! Curiosamente, quando entrámos na fase da mitigação, parecia que a PC ficava com mais liberdade de acção, mas foi só fumaça !

  3. Filipe Bastos

    Ó insurgentes, que tal um filme? https://netflix.com/pt/title/81128579

    Uma prisão numa torre com um buraco a meio. Em cada piso estão dois prisioneiros. Todos os dias desce uma plataforma pelo buraco, que traz a única comida do dia. Nos pisos superiores, os prisioneiros têm um festim ao seu dispor: tudo do bom e do melhor. Se cada um comesse apenas uma pequena porção, chegaria para todos. Mas nunca chega.

    Os dos pisos acima alambazam-se, os dos pisos intermédios comem os restos. Ninguém se preocupa com os pisos abaixo de si. E ninguém sabe realmente quantos pisos existem: parece haver sempre mais. Há sempre alguém pior do que nós.

    A ordenação dos prisioneiros é aleatória: certo dia acordam num piso acima, noutro podem acordar muito abaixo.

    Quando se vêem num piso superior empanturram-se a dobrar, como que para se vingarem dos tempos difíceis. Jamais pensam nos outros que estão agora nessa situação. Só pensam em si mesmos.

    A certa altura alguém tenta apelar aos do piso acima e aos do piso abaixo. Ambos se riem. Ambos defecam, metafórica e literalmente, nos pisos mais abaixo. Querem lá saber. É cada um por si. Talvez amanhã acordem num piso acima…

    Lembra-vos alguma coisa? Merecia ou não um post?

  4. É pior. Muito pior. O post é fraco por isso isso mesmo.

    Não há máscaras quando são essenciais . Para todos. Todos.
    UV’s e outros métodos para desinfecção. Todos os estabelecimentos os devem ter à entrada como os hospitais.

    Compra de ar condicionados com UV’s. – que comprovadamente matam ou a sua instalação.
    Medições generalizadas de temperaturas à população
    Testes generalizados à população com o objectivo de detectar centros de focos e atacar em 24 horas.

    Zonas no pais fechadas só nas áreas com perigo.

    Não o fazem, temos a destruição económica em curso. E claor a fome que vai chegar.

    Pois é os recursos desviados para o “aquecimento global”…

  5. Perigoso Neoliberal

    Filipe, o filme é bom, obrigado pela dica. O problema é que não é uma metáfora da nossa civilização, como certas pessoas de visão míope e maniqueísta podem ser levadas a crer.

  6. O Rui Rocha considera o encerramento das escolas como bom, eu considero-o mau.
    As crianças não têm nada que ser vitimizadas por uma doença que só afeta os seus avós e, na pior das hipóteses, pais. Elas deviam poder continuar a ter aulas.
    Acho inaceitável que as crianças não possam ter aulas, mas as fábricas de automóveis ou de tijolos continuem a funcionar.
    O combate à epidemia deveria concentrar-se em proteger os grupos de risco – os idosos e os adultos – e não em incomodar grupos que não têm risco, como as crianças.
    É verdade que as crianças podem transmitir a doença, mas muitíssimo mais o podem os adultos, que mais dificilmente combatem o vírus nos seus corpos. É por isso moralmente inaceitável que se comece o combate à doença por chatear as crianças.

  7. Filipe Bastos

    “Não há máscaras quando são essenciais. Para todos. Todos.”

    Para todos? Todos?! Não. Para os que podem pagar.

    E quanto mais pagarem, mais máscaras podem ter. Faltam para outros? Azar dos outros. Pagassem mais. Não há almoços grátis.

    Porra. Até v. já anda armado em comuna, Lucky?

  8. Filipe Bastos

    Perigoso Neoliberal,

    OK. E o que falta ao filme para ser uma metáfora da nossa civilização, mais propriamente do capitalismo que a rege?

    Se não é uma metáfora disso, então do que é?

  9. Velho do Restelo

    O marxista de serviço Filipe Bastos, incansável defensor das classes oprimidas, quer por-nos a ver filmes …
    Confesso que não vi o seu filmezinho, e basta-me a sua descrição para lhe colocar algumas questões :
    – ainda bem que a distribuição é aleatória, senão já estava a imaginar a “direitalha” no último piso, e o proletariado nos restantes.
    Mas ainda assim ia ser complicado ! Quem ficava no penúltimo piso e quem ficava no R/C ?
    – A história que conta é perfeitamente plausível. Ficaria surpreendido sim se os “presos” conseguissem entender-se, assumindo comportamentos socialmente adequados, pois nesse caso era estranho que estivessem presos.
    – Nem vou perguntar porque é que estão presos, mas pergunto porque raio é que a prisão foi construída na vertical ?
    Afinal quem manda na prisão? Para o exemplo ser consistente, seriam os presos !
    Por isso, tratem de deitar abaixo a torre, e construir uma prisão dum só piso, e assim já escusam de andar a cagar uns por cima dos outros!
    Oh Filipe, veja se arranja melhor material didático para tentar demonstrar os seus pontos de vista, porque este não resultou grande coisa.

  10. Velho do Restelo

    O Sr. Luis Lavoura, mais uma vez esqueceu-se da inteligência na taska !
    – Ninguém está a “vitimizar” crianças, está sim a protegê-las e ao agregado familiar.
    – Afinal o Sr. admite que as crianças podem transmitir o vírus, só não refere (porque eventualmente desconhece) que uma criança é menos responsável (em princípio ) que um adulto, e por isso pode assumir comportamentos de risco !
    – Quando digo que as crianças são menos responsáveis, devo admitir que há excepções, como o Sr. que sendo supostamente “adulto”, defende aqui posições que chocariam muitas crianças !

  11. ATAV

    Eu sei que estou a meter-me na conversa, mas tenho que o perguntar: é impressão minha ou o utilizador Velho do Restelo acabou de defender o comunismo logo após chamar marxista a outra pessoa?

    “– Nem vou perguntar porque é que estão presos, mas pergunto porque raio é que a prisão foi construída na vertical ?
    Afinal quem manda na prisão? Para o exemplo ser consistente, seriam os presos !
    Por isso, tratem de deitar abaixo a torre, e construir uma prisão dum só piso, e assim já escusam de andar a cagar uns por cima dos outros!”

  12. Filipe Bastos

    Velho,

    Não sendo propriamente marxista, reconheço razão e valor a Marx, talvez dos pensadores mais à frente do seu tempo.

    No filme a distribuição dos presos é aleatória para demonstrar a sua reacção em situações diferentes: quando estão em baixo e quando estão nos pisos acima. E também, suponho, para imitar a vida – ao contrário do que pregam os direitalhas, o ‘sucesso’ tem muito de acaso.

    Alguns estão presos por crimes, outros estão lá voluntariamente. Se vir o filme percebe. A administração da prisão é uma entidade obscura que ninguém realmente conhece – como no mundo real.

    Por que raio a prisão é vertical… o Velho sabe o que é uma metáfora, certo? Esta foi a metáfora que encontraram. Creio que funciona.

  13. Se fosse para os que podem pagar já as haveria. A inércia e entropia da cultura Socialista-Aristocrata.

    Ainda não construíste a tua comuna Filipe.

  14. Se acabamos com a civilização ocidental por causa de uma constipação, decididamente não merecemos a civilização ocidental.

    Filipe Bastos, receio que temerá arrepender-se um dia de que o seu desejo de uma sociedade compulsivamente mais solidária se tornará realidade. Nessa sociedade, sobem os Kruchev e as Cacarinas. E o resto paga e aguenta. Solidariamente, claro!

    Como se costuma dizer: com papas e bolos se enganam os tolos. E o tolo, compraz-me pouco dizer, é o Filipe. Empanturre-se enquanto pode. Na sua sociedade solidária, apenas a miséria é distribuída por quase toda a população.

  15. «Não sendo propriamente marxista, reconheço razão e valor a Marx, talvez dos pensadores mais à frente do seu tempo.»

    Também os coveiros e os guardas prisionais e os esbirros. Esses reconhecem muito valor a Marx.

    Já li O Capital. É uma autêntica análise da treta. Porque ninguém faz tartes sem receitas da tarte, sem que alguém arranje a cozinha e os utensílios e sem que se estabeleçam circuitos para escoar as tartes. Disso o Marchão não trata. Porque, como qualquer filósofo, nada sabe do mundo real.

    Nem os avençados do PS. O diabo nunca se apresentou como o diabo.

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