Esta crise resulta de uma falha de Estado, e não de Mercado

O governo nesta fase deveria procurar não acicatar os ânimos, para poder recolher a base de apoio alargado necessária para rapidamente encontrarmos uma saída para o pandemónio em que caímos por causa da pandemia do novo coronavírus. Como escrevi na semana passada, em artigo publicado no Observador, em conjunto com o André Azevedo Alves, o regresso à normalidade terá necessariamente de ocorrer antes da pandemia estar erradicada, pelo que é fundamental que haja boa comunicação, sobriedade, e capacidade de liderança.

Ora, durante o debate parlamentar, António Costa não resistiu à pequena picardia de sinalizar como iliberal, no contexto desta crise, a procura de respostas por parte do Estado para o problema económico resultante das medidas draconianas de isolamento e restrição à circulação e à liberdade económica que foram decretadas como resposta à pandemia do novo Coronavírus.

As afirmações do senhor primeiro ministro – que alinham com as de muitos que à esquerda ainda não perceberam as raízes desta crise – convidam-me a recordar que esta crise em nada se deve a uma falta de resposta da economia, que estava a funcionar sem problemas, sendo antes politicamente motivada, sobretudo por decisões de governantes europeus e norte-americanos a quem cabe assegurar a Saúde Pública, prevenir a resposta a pandemias, combater as fake news, e manter a normalidade. Vale a pena lembrar que outras economias de mercado – como a Coreia do Sul, ou o Japão, vítimas da pandemia várias semanas antes do que nós, na Europa, e na América do Norte – foram capazes de encontrar soluções de resposta bastante mais equilibradas, e causadoras de bastante menos prejuízos e restrições do que as que temos vindo a sofrer.

Esta crise resulta de uma falha de Estado, e não de Mercado.

Temos estado todos pacientes e bastante unidos, a arcar com os prejuízos de decisões que terão o seu tempo certo para serem analisadas e avaliadas. Mas atenção, não há nada de iliberal em o Estado incluir nas medidas de resposta à crise soluções para as empresas que estão simplesmente impedidas de laborar, por decisão estatal cujos méritos todos temos aceitado nesta fase não questionar ou discutir. Grande parte da irresponsabilidade política desta crise nem sequer se deve, por esta vez, à nossa governação, podendo ser endereçada a outros países com bastantes mais responsabilidades globais, e de quem se exigia mais. Portugal tem por isso ainda mais razões para se manter coeso, e sem entrar em divisões artificiais.

Portugal precisa de lideranças sóbrias para sobreviver, não à pandemia, mas ao pandemónio que entretanto se montou à volta deste vírus. Haverá um tempo de balanço, para em serenidade avaliarmos o que falhou. Até lá, temos de tentar em conjunto, todos, salvar o máximo e minimizar os danos, no que seja possível. Tal passa por o Estado organizar o mais depressa possível a resposta hospitalar, os centros de rastreio que necessita, e os planos de contingência para os diversos cenários, para poder voltar a libertar a sociedade, que permanece aprisionada, com prejuízos inevitáveis que, sejamos realistas, dificilmente o Estado conseguirá cobrir. O que se pede ao senhor primeiro ministro é que, além de liderar, devolva em civismo aquilo que tem sido o apoio de todos na resolução de um problema que os poderes políticos criaram, e que todos estamos a ter de suportar.

13 pensamentos sobre “Esta crise resulta de uma falha de Estado, e não de Mercado

  1. Filipe Bastos

    “…Estado Socialista. No caso o Americano”

    Só por curiosidade (mórbida), Lucky: para si o que não é socialista?

    O Faroeste? A lei do mais forte? A lei da selva? Clavas e cavernas? A Ayn Rand em cuecas? Sem cuecas? Genghis Khan? Átila o Huno?

  2. Um Estado que se dedique às funções essenciais Defesa, Justiça, Segurança, Catástrofes.

    O Faroeste e a Lei da Selva, Ghengis Khan, Atila o Huno são excelentes exemplos do tipo de poder absoluto que Socialistas, pessoas como você ambicionam:
    Não há respeito pela propriedade privada e não há liberdade.

    Leu o artigo?

  3. ATAV

    Lucklucky

    Eu lembro-me disso das aulas de história. Átila o Socialista se bem me lembro. Comandou um exército de proletários pela europa oriental e central enquanto combatia burgueses.

    Se bem me lembro o Imperador romano pagou-lhe uma boa maquia para que Atila não nacionalizasse os meios de produção.

  4. Filipe Bastos

    Li o artigo. Até concordo que o corona tem sido empolado, como se 20.000 mortes em 3 meses, no mundo inteiro, fossem uma catástrofe muito maior do que é.

    Morrem de fome 25.000 pessoas por dia, 9 milhões por ano. Morrem de diabetes 1,40 milhões, de tuberculose 1,20 milhões. A estrada mata 1,25 milhões. Até a normalíssima gripe sazonal mata incontáveis milhares todos os anos.

    Falam da gripe espanhola. Esta matou 50 milhões, ou mais, ninguém sabe, num mundo com quatro vezes menos população. É como comparar o Barcelona com o Barreirense.

    Só que o autor usa esse aparente distanciamento para cantar as habituais loas ao ‘mercado’. No fundo, quer manter tudo na mesma, os mamões a mamar. Decerto trabalha para eles.

    Conheço o tipo. Deve ser ‘consultor’ ou parecido, sempre com buzzwords na boca tipo ‘disrupção’ e ‘sinergias’, pronto a encher o rabo à Banca e afins.

  5. Filipe Bastos

    O Lucky queria um Estado só com tropa, polícia, tribunais e uma espécie de ‘task force’ para emergências. Isto sem impostos, claro: talvez pago com contribuições voluntárias?

    Quando os mamões precisassem de protecção, quando eclodisse uma pandemia ou outra calamidade, as grandes empresas e figurões lá davam uns trocos ao Estado para contratar uns bombeiros (a recibo, só até acabar a emergência) e salvar uns proletários.

    Isto até a AI e os robots darem conta do recado; logo que deixem de precisar de consumidores e de criadagem, se calhar nem isso. A malta que se desenrasque. Né, Lucky?

  6. ATAV

    Filipe Bastos

    O artigo é simplesmente a direita insurgente a seguir o mote dado pelos seus lideres espirituais. O Trump quer que o lockdown acabe porque a bolsa de valores está em queda e os negócios dele foram encerrados. O Bolsonaro é um irresponsável que prefere corpos na morgue a empresários descontentes. Proteger os mais fracos? Se são fracos então não merecem proteção…

    Portanto é isto. Acabar com as quarentenas custe o que custar. Aquela parte do texto que fala em proteger os mais vulneráveis é treta, claro. Só está lá para não dar a ideia que os autores se estão completamente a borrifar para os mais fracos.

  7. Olympus Mons

    Entretanto, após ver os telejornais em Portugal convém lembrar que:
    a. até a CNN mostra que Donald Trump tem nesta altura o maior approval rate desde que chegou ao Poder.
    b. Que a maioria dos americanos dão nota positiva ao modo como está a lidar com a crise (no essencial os independentes aprovam).
    c. Que os estados unidos, bem mais permissivos à China do que a europa continua a ter nível de contaminação muito baixo (190/Milhão) , ratio de mortes de infetados muito baixo (1.4% – Pensei que sem SNS morriam todos) e ratio de Mortes por milhão baixíssimo (2.8/milhão – que é o que interessa e não a macacada do números das tv portuguesas) , praticamente o mesmo da super admirada Alemanha (2.5/Milhão)
    Pois… entretanto é só ligar a televisão e observar o que é o FCE (Fascismo Cultural de Esquerda) que vivemos…!

  8. ATAV

    Olympus Sons

    Que surpresa. Um facho a defender outro facho. Vamos lá então.

    a. O aproval rate dos presidentes americanos dispara sempre em alturas de crise. Infelizmente, você no meio de tanta sapiência, esqueceu-se de comparar o Trump com o último presidente americano em circunstâncias comparáveis: o Bush. O Bush durante o 11 de setembro atingiu valores muito maiores que o “grande líder”. Ups, não se pode pensar em tudo, mesmo aqueles com uma amígdala cerebelosa gigante.
    b. Mais uma vez é outra coisa normal. Outros presidentes tiveram melhores números de desempenho no meio de crises.
    c. Andar a tirar conclusões relativamente actuações de países a meio de um surto é sempre um sinal de imensa inteligência. Ainda por cima para efeitos de propaganda política. Um anão intelectual ficaria calado ou tentaria não fazer muitas afirmações definitivas simplesmente porque não se sabe o suficiente. Resumiria-se a “O que está a acontecer em Itália e Espanha está a ser uma tragédia” ou “A Coreia do Sul parece ter feito boas opções”. Mas você, com o seu QI estratosférico, avança já com as conclusões definitivas. Honestidade intelectual e humildade são para seres inferiores…

    A OMS já veio dizer que os Estados Unidos podem ser o próximo epicentro da epidemia. Esperemos que não. Nem lá nem noutro sítio qualquer.

    Quanto às maravilhas do sistema de saúde americano, dê-se ao trabalho colocar o seu poderoso intelecto a fazer uma verificação da evolução da esperança média de vida nesse país e dos números de mortes evitáveis. Atingem especialmente os estados que recusaram implementar o Obamacare na sua totalidade. E peço-lhe muito encarecidamente que oriente as sua infindável capacidade cognitiva para uma pequena vistoria ao número de pessoas que entram na falência devido a dívidas com gastos de saúde. Sabia que os gastos de saúde per capita dos Estados Unidos são o dobro dos países europeus? Pagam mais e recebem menos. Mas é claro que um colosso intelectual do sua estatura já tinha estes dados todos armazenados no seu córtex pré-frontal hiperplásico. Nem sei porque me dei a este trabalho.

  9. ATAV

    Olympus Mons

    Ah!Já me ia esquecendo: “Fascismo cultural de esquerda”?

    *Sigh* Já nem digo nada. Limito-me a ficar deslumbrado perante semelhante inanidade.

    Alvíssaras para si e para o seu cérebro macivo.

    Não se esqueça de tomar a medicação antes de ir para a cama. Ou melhor, não o faça. É mais divertido para mim quando você vem para aqui delirar. E você tinha razão: 20% da sua demência é responsável por 80% do meu divertimento.

  10. Olympus Mons

    ATAV,
    Quando o meu cão insiste muito em que eu lhe dê atenção, faço questão de mostrar quem é o alfa male. … E acredite um leao da rodésia arraçado de pit é uma combinaçao tramada. Você é um caniche. Annoying.

  11. ATAV

    Olympus Mons

    Alfa male????? AHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!
    Quem é que usa esse termo com uma cara séria?

    Bom, agora a sério. Você tem noção que acabou de admitir que não sabe treinar animais e que maltrata o seu cão? Olhe que isso é crime. Ainda bate com os costados na choça e depois fica a saber logo a saber se é um “alfa male” ou não…

    E fique a saber que os caniches são dos cães mais inteligentes que existem. Portanto isso não é lá grande insulto. Se andasse mais preocupado com leituras e menos com testosteronas saberia isso.

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