“Apoio” às Empresas

Caros membros do governo,

Tenho assistido a um número record de conferências de imprensa, anúncios, entrevistas e comunicados, sempre na esperança de saber como irão apoiar a mim e a outros empresários. Até agora, não ouvi uma única medida real de apoio às empresas.

Analisemos pois as medidas até agora apresentadas:

  1. IRC – O pagamento especial por conta, que em circunstâncias normais teria de ser efetuado durante este mês de março, pode ser efetuado até 30 de junho de 2020.
  2. IRC – Entrega da declaração de rendimentos do IRC (Modelo 22) relativa ao exercício de 2019 pode ser feita até 31 de julho, 2 meses depois do habitual.
  3. Trabalhadores independentes – Fraccionamento de IVA, IRC e IRS.
    (ou seja, continuam a ter de pagar tudo até o último cêntimo).
  4. Segurança Social – Pagamentos devidos entre março e maio de 2020 pode ser reduzido a 1/3 ( mas deverá depois ser pago mais tarde).
  5. Segurança Social (TSU) – o ministério respectivo decidiu suspender a data de pagamento da TSU no dia em que terminava o prazo (20 de março)
  6. Execuções Fiscais – suspensão, por três meses, dos processos de execução fiscal e contributiva… que depois continuarão.
  7. Salários, rendas, energia, água, telecomunicações e outros encargos fixos, podem pedir dinheiro emprestado aos bancos, mas terão de o devolver (e com juros).

Nestes meses, zero entradas, zero impostos.
Nos próximos, entradas baixas, impostos altíssimos.

Ou visto de outra forma, o Estado não abdica de 1 cêntimo.
Com base no cenário de que no 2º trimestre hão-de vir os clientes que faltaram no 1º trimestre.

A União Europeia vai apoiar o Estado com 1.800 milhões de Euros. Que o Estado Português deverá devolver num prazo negociável e nunca inferior a 5 anos (60 meses).
E destes 405 milhões (22%) nem terá de devolver. São dados.
O Estado Português vai apoiar as empresas com uma fração desse valor, a devolver em 3 meses.

Querem evitar o crescimento do desemprego? Sabem o que ajudava mesmo?
1 mês de contribuições para a Segurança Social oferecida por Bruxelas.

17 pensamentos sobre ““Apoio” às Empresas

  1. Sérgio Gonçalves

    O Ricardo é um mamão, devia ter vergonha vir pedir dinheiro do estado para comprar carros novos.

    É disto que vai ouvir, prepare-se.

    Quanto ao que escreveu tem toda a razão. Toda.

    Boa sorte para o seu negócio, bem vai precisar dela.

  2. O que ajudava mesmo era o estado pagar tudo o que deve aos fornecedores, zerar essa conta. Não dava nada e não fazia mais que a sua obrigação.

  3. Filipe Bastos

    Muito bem, Ricardo Magalhães: geralmente somos fanáticos do ‘mercado’ e queremos que o Estado vá morrer longe… mas agora estamos à rasca e queremos batatinhas.

    Claro que a receita fiscal também cairá a pique; e o Estado continua a ter de pagar pensões, salários, saúde, etc. Esse dinheiro não terá de vir de algum lado?… Mas o Estado é grande, que se amanhe, n’é verdade?

    Uma vez que já não pode criar dinheiro, pois delegou isso em Frankfurt, quero dizer, em Bruxelas, a troco das esmolas dos últimos 35 anos – e que bem apliquei em vários BMWs, num monte em Serpa e num apartamento em Albufeira – parece que a UE inventou praí uns milhões.

    Eu acho mal: só a Banca e os ‘mercados’ deviam poder criar dinheiro assim do ar, quando lhes apetece. Mas enfim, até aceito desde que seja para poupar o meu rabinho direitalha. Tenho de pagar as prestações do Cayenne, depois o colégio (privado) dos miúdos… ‘pera aí: será que eles não me podiam também perdoar umas massas?

    E o caro Mamão Mexia? A EDP deve estar a mamar como nunca… e não perdoam um cêntimo na luz? E a Galp, sempre com lucros chorudos? A Vodafone, a Altice, a NOS? A Netflix não oferece umas borlas?

    Para esses não há post, ó Ricardo?

  4. o Estado não abdica de 1 cêntimo

    Se o Estado abdicasse dos seus cêntimos, ficaria sem dinheiro para pagar as suas responsabilidades (em particular, as reformas dos idosos e os salários dos funcionários públicos). Isso mais não seria do que espalhar o mal pelas aldeias.

    O Ricardo Campelo tem que ver que, sob as atuais regras, o Estado não pode criar dinheiro. Se o Estado não puder criar dinheiro, então o mais que o Estado poderá fazer será espalhar o mal, mais ou menos espalhado, pelas aldeias, ou então não o espalhar de todo.

    Como Wolfgang Muenchau muito bem defende, o que é preciso para combater a atual crise ecconómica será alterar as regras, conceder ao Estado o poder de criar dinheiro. Ou seja, o Estado não poderá conceder crédito às pessoas e empresas, o Estado terá que DAR dinheiro às pessoas e empresas.

  5. Será que a LAVOURADA criou muitos empregos? Eu não criei nenhum mas compreendo o meu vizinho, Tem 50 empregados parados e não entra dinheiro.
    Conheço também um familiar que vive de projectos e que só terá mais??? diz ele em Julho ??? e os empregados e ele próprio???

  6. Sérgio Gonçalves,
    Se quiserem excluir quem comprou carro o ano passado, estejam à vontade.
    A mim preocupa-me mais o colapso da economia do que a minha situação pessoal, pois não faço investimentos sem ter os pés bem firmes.
    Agora, se fizerem ataques pessoais é porque ganhei o argumento =)

  7. Filipe Bastos,
    Eu sou sempre um “fanático do ‘mercado’” e prefiro que o Estado vá morrer longe. Sublinhe-se que eu pessoalmente não estou à rasca, estou a pedir menos impostos (não estou a pedir que me têm nada, apenas que não tirem), e que estou pessoalmente disposto a que nem me ofereçam esse benefício.

    A receita fiscal cairá apenas no sentido em que algumas empresas, por não aguentarem, vão despedir ou fechar a pique. O Estado amanha-se porque recebe dinheiro da Europa, na verdade do Banco Central Europeu, que o cria: eu lamentavelmente não tenho esse benefício. Aliás, eu refiro esses 1.812 milhões no artigo, se o leu.

    Em relação aos alvos das minhas críticas, eu critico bastante a banca (e os seus salvadores, José Sócrates e António Costa), o António Mexia e todos esses socialistas que tomaram de assalto as grandes empresas nacionais.
    Em relação a essas outras borlas estúpidas que refere, nem comento. Acho apenas curiosos os exemplos que deu, mas isso diz mais sobre si do que de mim, como é óbvio.

    Bem, mas pode ser inconveniente à vontade. Peço apenas que evite sair de casa e lave sempre bem as mãos.
    Votos de boa saúde.

  8. Luís Lavoura,
    Leu o que eu escrevi? O BCE está a imprimir e o Estado Português recebeu uma parte desse dinheiro.

    E espero bem que o estado português não ganhe a capacidade de imprimir. Já basta o que é criado na Alemanha, na sede do BCE. Criar dinheiro aqui era criar uma fonte de entrega de dinheiro aos rentistas do costume (sabe a que me refiro, certo?) e gerar uma alocação de recursos na economia portuguesa ainda mais longe dos agentes económicos mais eficientes.

  9. Ricardo Campelo

    O BCE está a imprimir e o Estado Português recebeu uma parte desse dinheiro.

    Não bem. E O BCE estará talvez a emprestar dinheiro ao Estado português. Mas não emprestará muito, nem o Estado pedirá emprestado muito, porque ambos sabem que o Estado português não terá capacidade de o pagar de volta.

    Se o BCE emprestar dinheiro ao Estado português, o Estado português poderá emprestá-lo às empresas portuguesas. Mas as empresas estarão falidas, não estarão em condições de contrair empréstimos – tal como o Estado português também não está em condições de contrair empréstimos junto do BCE.

    O que eu digo é, resolver esta crise económica será impossível com dinheiro emprestado. Terá que ser com dinheiro dado.

    Como Muenchau muito bem diz num artigo no Financial Times: they need cash, not credit. Tanto o Estado português como as empresas portuguesas necessitarão de dinheiro, e não de empréstimos, para que possamos sair desta crise.

    Ora, o BCE não está a dar dinheiro, está somente a conceder empréstimos. Assim, não iremos lá.

  10. ATAV

    Ricardo Campelo Guimarães

    “Sublinhe-se que eu pessoalmente não estou à rasca, estou a pedir menos impostos (não estou a pedir que me têm nada, apenas que não tirem), e que estou pessoalmente disposto a que nem me ofereçam esse benefício.”

    O Ricardo vive numa sociedade civilizada em que a economia está assente em trabalhadores escolarizados e com acesso à saúde universal, os consumidores têm poder de compra e as empresas e investidores beneficiam de boas infraestruturas e um estado de direito. Tudo isto pago com dinheiros públicos e através da intervenção estatal.

    Mas ainda tem o topete de vir para aqui dizer que não quer nada do estado. Se assim fosse emigraria para a Somália ou o Sudão onde nada disto existe. Você quer usufruir dos confortos de uma sociedade evoluída e não quer pagar a sua parte. Isso tem um nome: parasitismo.

    Outra coisa, nunca reparou uma parte significativa dos gestores das grandes empresas têm um discurso semelhante ao seu? ” Eu não quero pagar impostos e o tamanho do estado deve ser reduzido (mas não na parte que me toca)”. Discurso socialista, evidentemente. Convém ir às reuniões da IL, do CDS e do CHEGA para os avisar disso mesmo.

    Quando as empresas anunciam lucros fabulosos, os gestores pagos que nem nababos são “criadores de riqueza” e o estado é um mamão. Mas quando há trafulhice, rentismo ou os gestores andam de mão estendida para o estado já passam a ser socialistas. Claro, como seria de esperar…

  11. Filipe Bastos

    “…eu critico bastante a banca (e os seus salvadores, José Sócrates e António Costa), o António Mexia e todos esses socialistas que tomaram de assalto as grandes empresas nacionais.”

    Não, Ricardo: duvido que v. critique a Banca. V. critica, quando muito, o bailout da Banca; mas não a actividade intrinsecamente chula e parasita da Banca, nem o dinheiro que cria do ar, nem o seu casino financeiro, nem a máfia banqueira que efectivamente manda nos governos e no mundo, ou o seu capitalismo mamão.

    Basta ver como chama ‘socialistas’ ao Bosta, ao 44 e, mais absurdo de todos, ao Mamão Mexia. Se isso para si é socialismo, não admira que o veja em toda a parte. Até o Trampa, se calhar, é socialista.

    De resto, acha lindamente encher o rabo a mamões privados, mas cada cêntimo de impostos é-lhe arrancado a ferros. Como já disse o ATAV, quer viver numa sociedade civilizada sem pagar por ela.

    Dirá que o Estado dá pouco em troca do que leva. É verdade, porque é gerido por uma classe pulhítica impune. Mas quando um privado lhe leva a mais, v. bate palmas: então não havia de ter lucro?

    Então agora, Ricardo, em plena calamidade, só o Estado é que tem de abdicar? Então e os mamões privados, não abdicam de nada?

  12. 7anaz

    O Boris, no seu “plano quinquenal” de ajuda à economia, não esteve com meias medidas, e abdicou, sim, é mesmo essa a palavra, abdicou, do IVA até ao final do ano. É a diferença. Por cá isso não pode ocorrer, porque o estado não deve deixar de acorrer aos Lavouras e aos Bastos que nele estão pendurados.

  13. ATAV

    Luis Lavoura

    “Como Muenchau muito bem diz num artigo no Financial Times: they need cash, not credit. Tanto o Estado português como as empresas portuguesas necessitarão de dinheiro, e não de empréstimos, para que possamos sair desta crise.
    Ora, o BCE não está a dar dinheiro, está somente a conceder empréstimos. Assim, não iremos lá.”

    Tem razão. Mas esbarra tudo no mesmo de sempre: a Alemanha e a Holanda não querem mutualizações de dividas nem financiamento do BCE a estados enrascados. Portanto é cada estado por si.

    Como antes, os estados endividam-se agora e, se após a fase aguda da crise, os estados do sul tiverem um novo ataque especulativo às suas dívidas, voltam as conversas do viver acima das possibilidades, do laxismo dos países do sul, da ética de trabalho protestante e afins.

    E depois, austeridade e “reformas estruturais” pela goela abaixo com o aplauso e vivas dos insurgentes. Não é por acaso que os partidos de extrema-direita pela europa fora são os mais vocais a exprimirem a retórica do não à mutualização e o “laxismo do sul”. E é por causa disso que a resposta à crise por parte dos países do sul é insuficiente e assim permanecerá. Aprenderam bem as lições de 2008.

  14. ATAV

    7anaz

    Você é um ignorante! O Boris prescindiu do IVA porque pode. Se o estado ficar sem dinheiro o Banco de Inglaterra imprime mais para pagar e as salários e pensões. É essa a diferença!

  15. ATAV

    7anaz

    Você é um ignorante! E um apoiante de defensores da eugenia aparentemente. O Boris prescindiu do IVA porque pode. Se o estado inglês ficar sem dinheiro para pensões e salários, o Banco central do Reino Unido imprime mais.

    A diferença está aqui!

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