A Saúde É Um Direito… Mas O Preconceito Ideológico E A Agenda Política Estão Primeiro

A saúde é um direito“. Este slogan é muito bonito, mas na altura de passar das palavras aos actos, a esquerda privilegia o seu preconceito ideológico e a sua agenda política.

Qual deve ser o objectivo do ministério da saúde? Parece-me óbvio que é deve ser fornecer o melhor serviço de saúde possível (em qualidade e tempo de resposta) ao utente, não descurando a racionalização de custos (uma vez que nada é na realidade gratuito). Do lado do utente, quando este precisa de serviços de saúde o que é que ele pretende? O melhor serviço de saúde possível (em qualidade e tempo de resposta) ao melhor preço.

Quer do ponto de vista do ministério da saúde quer do utente, deveria pois ser irrelevante se os recursos humanos e materiais que prestam os serviços de saúde são públicos ou privados. Não consigo perceber de todo o argumento de que, se for possível prestar o mesmo (ou melhor) serviço numa entidade privada a um preço equivalente (ou mais baixo) que este deve ser recusado por parte do ministério da saúde. Objectivamente neste caso, o ministério da saúde não está a servir o utente, está a servir exclusivamente o preconceito ideológico e a agenda política dos partidos de esquerda.

Sobre os partidos de esquerda que curiosamente são os que mais berram defendem que “a saúde é um direito“, vejamos o seu sentido de voto no passado dia 20 de Fevereiro sobre a proposta abaixo do CDS-PP (fonte).

De referir que a proposta refere que apenas nos casos em que é ultrapassado o Tempo Máximo de Resposta que é definido pelo próprio ministério da saúde, que o estado deve permitir aos utentes aceder a essa consulta noutro hospital à sua escolha, seja este público, privado ou social.

Isto é, não só o ministério da saúde não consegue cumprir os tempos máximos de resposta que ele próprio define, como não aceita recorrer a outros hospitais (públicos, privados ou sociais) já depois dos tempos máximos de resposta terem sido ultrapassados para providenciar os serviços de saúde ao utente – ainda que o custo seja o mesmo. No entanto, “a saúde é um direito”.

Os políticos de esquerda, esses, continuarão a recorrer aos hospitais privados quando precisarem de serviços de saúde. O socialismo é muito bom… …mas para os outros.

23 pensamentos sobre “A Saúde É Um Direito… Mas O Preconceito Ideológico E A Agenda Política Estão Primeiro

  1. Cacim Bado

    A saúde não passa de um delírio como tudo o que brota do governo Costa.
    Atingido o limite do descaramento quando vociferou sem se envergonhar que não é no meio da guerra que se mudam os generais, quando
    fez por ignorar calando-se para não fazer tremer as pernas ao seu ministro de encomenda que não se mudam as leis enquanto há jogo.
    E a tudo isto Marcelo assiste do alto do seu palavroso patamar de mero e inerte comentador de bancada.

  2. ATAV

    Pois. Se eu fosse um liberal, não me metia na questão do SNS. É um ponto fraco facilmente explorável.

    Afinal, a direita liberal teve a oportunidade de definir a saúde consoante os seus princípios em 1979 e recusou liminarmente. O CDS e PSD podiam muito bem ter-se juntado ao PS e montado um sistema tipo “single payer” em que o financiamento é público e os prestadores são privados ou então um sistema de seguros de saúde “Bismarckiano” como o holandês.

    Mas como os liberais e os conservadores não gostam que os pobres tenham acesso a uma saúde decente, fugiram da questão como o Diabo foge da cruz.

    Resultado: Como o PS não conseguiu apoios à direita foi buscá-los à esquerda que foram fiéis aos seus princípios e exigiram um sistema “Beveridgiano” ou seja 100% público . E assim foi, aprovado com os votos favoráveis do PS, PCP e UDP (o antecessor do Bloco).

    Resumindo: lutaram com todas as suas forças contra a implementação do SNS e agora vêm com conversas de treta para que seja privatizado aos bocados e de forma sub-reptícia. Nem têm tomates para o admitir publicamente… E as lágrimas de crocodilo são aviltantes.

    E como argumento politico é uma enorme parvoíce. Sabendo que os tempos máximos de resposta não estão a ser cumpridos e é preciso corrigir isso gastando mais dinheiro, não será legitimo um governo de esquerda optar por usar esses recursos para reforçar o sector público?

    “A saúde é um direito” repete cinicamente o João Cortez. Mas é mesmo um direito. Só não diz que se dependesse dele, deixaria de ser um direito e passaria a ser um produto no mercado a que só os ricos teriam acesso, como era antigamente.

  3. Filipe Bastos

    Antes de mais, algo que devia ser evidente: o preconceito ideológico e a agenda política não são exclusivos da esquerda.

    A direita tem também os seus preconceitos e a sua agenda. Os posts do Sr. Cortez reflectem também a sua ideologia. Só que esta é apresentada como a ordem natural das coisas, ou algum mandamento divino.

    Defendo que o acesso universal à saúde é, mais que um direito, parte da civilização. Parece-me algo tão discutível, tão opcional como o direito à vida ou à liberdade. É tão primitiva e desprezível uma sociedade que assassina as pessoas ou que as escraviza como uma que lhes nega o acesso à melhor saúde disponível.

    O custo devia ser irrelevante. Nada é tão importante como a saúde. Sem esta nada importa. Tudo o resto que fazemos, produzimos ou vendemos é menos importante. Pelo menos 90% dos trabalhos são bullshit jobs. Andamos só a entreter-nos uns aos outros. O comunismo até podia ser pior, mas este capitalismo é insano. Não chega, não serve.

    A teoria dos privados complementarem o público é bonita, mas é mentira. O privado retira recursos ao público – dinheiro e profissionais. Médicos mercenários só querem mamar no privado. Dinheiro gasto no privado podia estar a ir para o público. É um zero-sum game, sim senhor.

    O privado até se pode gerir melhor, mas privilegiará sempre o lucro. Tem investidores e accionistas. Na saúde não há lugar para lucro: se sobrar um euro, é sinal que não se fez tudo o que se podia. Temos é de gerir melhor o público. Não substituí-lo pelo privado.

    As generalizações selectivas da direita: quando alguém sugere algo levemente esquerdista, vem logo a litania da URSS, da Coreia do Norte, etc. Então e a saúde privada – que tal olharem para a montanha de trampa que é o sistema de saúde dos vossos caros EUA?

  4. As unidades prestadoras de serviços de saúde, pública ou privada divergem sobretudo na Missão.
    Os públicos têm a missão de dotar a população do país de serviços de saúde que melhorem a saúde pública, que mantenham todos os cidadãos saudáveis, no limite ( diminuição da mortalidade infantil, aumento da esperança de vida, etc.) cumprindo um orçamento que faz todos os anos uma previsão estatística da procura e que orçamenta os custo de satisfação dessa procura. Está no Orçamento de Estado. Porém, nos últimos anos, a capacidade instalada dos estabelecimentos públicos tem sido toda utilizada, e ainda é necessário aumentá-la. Daí as filas de espera…
    Os privados têm como missão prestar serviços de saúde a quem tiver necessidade de os consumir, a preços fixados de acordo com uma margem de lucro máxima possível, porque é necessário remunerar o capital que os acionistas investiram. Assim, os clientes que necessitam de serviços de saúde que não são lucrativos no privado (ou são demasiado caros para o bolso do cliente médio) são aconselhados a procurar hospitais públicos. O caso mais conhecido é o de bebés nascidos em hospitais privados e que têm necessidades especiais de reanimação, são metidos em ambulâncias e enviados para hospitais públicos. Com certos idosos passa-se o mesmo.

    Estando o SNS a trabalhar no limite da capacidade instalada é natural que pense em contratar serviços externos para diminuir as filas de espera ou repor o tempo máximo de resposta. Mas, quer essa contratação seja feita a preços unitários iguais aos praticados no SNS, quer a preços inferiores, essa contratação extra significa sempre um desvio positivo na execução orçamental.

    Existem PPPs da Saúde porque o Estado aceitou a certa altura dar aos privados os seus doentes, proporcionando às empresas privadas a possibilidade de diluírem custos fixos, vendendo a custos fixos (ou com margens baixas) ao Estado serviços que o Estado definiu que seriam prestados por privados. Foi uma forma de tornar positivos os balanços que os privados teriam fatalmente negativos se não fossem as PPPs.

    Por isso costumo dizer que um bom sinónimo de PPP é “Contrato de Lucro Mínimo Garantido”.

  5. Carlos Guerreiro

    ATAV

    O SNS não começou em 79. O SNS começou com as “Caixas de Previdência” do Marcello (mas o Caetano…). Muito trabalhou a esquerda para o povo deixar de dizer vou à caixa (mas não era as dos depósitos.). A propósito convém recordar que nesses tempos, nas caixas existiam consultas de especialidade (medicina dentária, ginecologia, pediatria…), tudo direitos que a esquerda tratou de “desadiquirir”, mas isto são coisas para perguntar aos pais do SNS…

    Filipe

    “Pelo menos 90% dos trabalhos são bullshit jobs. Andamos só a entreter-nos uns aos outros.” – 100% de acordo, a trollaria entretém, diz umas piadas giras, mas é um consumo de recursos desnecessário, Como diria o Costa, mais valia empregarem o tempo a limpar as matas…
    “Na saúde não há lugar para lucro” – Filipe para si, em nada tem lugar o lucro (são os “produtos essenciais”, a habitação…), mas que actividade empresarial desenvolve? Fico curioso.
    Toda esta gente que fala mal dos privados esquece algo, quem usa os privados paga o uso que não faz do SNS e o serviço dos privados. Quanto poupa o estado devido ao serviço prestado pelos privados? O estado ainda ganha com os impostos que cobra… E quem contrata os seguros de saúde são principalmente as classes média e baixa, aquelas que a esquerda diz proteger (https://www.jn.pt/nacional/classes-media-e-baixa-sao-as-que-contratam-mais-seguros-de-saude-11556959.html ).

  6. Carlos Guerreiro

    O João Cortez esquece um “pormaior”, as listas de espera é uma forma de cativação, de controlar os gastos. Para o Semtino não são suficientes e cativa ainda mais, daí o estado em que o SNS se encontra, às listas de espera cada vez maiores, faltam equipamentos e consumíveis essenciais, as instalações estão cada vez mais degradadas…

  7. ATAV

    Carlos Guerreiro

    “O SNS não começou em 79. O SNS começou com as “Caixas de Previdência” do Marcello (mas o Caetano…).”

    As caixas de previdência não abrangiam toda a gente nem providenciavam os serviços todos do SNS. E os mais pobres geralmente recorriam às misericórdias. Mas houve programas que iniciaram-se durante o estado novo, nomeadamente o programa de vacinações universal e de saúde materno-infantil. O sistema público existente na altura estava mais focado na prevenção da propagação de doenças infecto-contagiosas.

    Mas sim, para montagem do SNS, aproveitou-se uma parte do que foi feito durante a época marcelista pelo Baltazar Rebelo de Sousa. Tal como a educação universal da população portuguesa iniciou-se na primeira república, continuou no estado novo e foi expandida na democracia.

    Mas seguindo a sua lógica de que qualquer sistema público que abranja uma grande parte da população é um SNS, nesse caso o serviço nacional de saúde iniciou-se na 1º Republica com seguros de saúde obrigatórios, associações de socorros mútuos e mutualistas privadas. Mas este sistema não cobria a totalidade do território, as mutualistas privadas aproveitavam-se do isolamento e desespero dos doentes para excluir pessoas de forma arbitrária e cobrar preços exorbitantes. Resumindo, é o sistema de sonho dos liberais.

    Mas a grande diferença ideológica entre os dois sistemas é esta: se alguém actualmente precisar de cuidados de saúde e não os obtiver é uma falha do estado. A sociedade falhou como um todo. No sistema do estado novo seria apenas uma questão pessoal. Agora é um direito que as pessoas podem exigir, antigamente era uma benevolência do estado que podia ser retirada a qualquer altura se o pessoal levantasse muito a crista.

    Mas na essência é esta a saúde que a extrema-direita quer: o acesso à saúde das pessoas estar à mercê dos humores de um ditador qualquer…

    “A propósito convém recordar que nesses tempos, nas caixas existiam consultas de especialidade (medicina dentária, ginecologia, pediatria…), tudo direitos que a esquerda tratou de “desadiquirir”, mas isto são coisas para perguntar aos pais do SNS…”

    Esses serviços continuam a ser providenciados nas consultas externas hospitalares. E em populações isoladas os médicos das várias especialidades vão aos Centros de Saúde.

    “Muito trabalhou a esquerda para o povo deixar de dizer vou à caixa (mas não era as dos depósitos.).”

    Que estupidez! Lá porque você encara tudo na perspetiva de propaganda, não quer dizer que os outros sejam iguais. E se assim fosse, então os Centros de Saúde que são do estado novo teriam tido nova denominação!

  8. Carlos Guerreiro

    Manuel Vicente

    “Os públicos têm a missão de dotar a população do país de serviços de saúde que melhorem a saúde pública”
    A saúde pública é definida pela políticas de saúde do governo e assembleia da república. A Suíça não tem serviços públicos de saúde mas tem uma política de saúde mais eficaz que a nossa…

    “O caso mais conhecido é o de bebés nascidos em hospitais privados e que têm necessidades especiais de reanimação, são metidos em ambulâncias e enviados para hospitais públicos.”
    Os bébés que necessitarem de reanimação nos hospitais privados e aí não forem reanimados, também não vão fazer nada ao hospital público (santa ignorância…). Os custos de tratamento de um recém nascido (reanimado!) numa unidade de cuidados intensivos é elevada (no público e no privado), se não tiver seguro contratado (ou seja os pais não fizeram o seguro da criança durante a gravidez) esse custos não estão cobertos pelo seguro da parturiente e os pais solicitam a transferência para um hospital público (mas com o bébé reanimado e estabilizado e que tenha condições de transporte). O que a ideologia distorce…

    “Estando o SNS a trabalhar no limite da capacidade instalada é natural que pense em contratar serviços externos para diminuir as filas de espera ou repor o tempo máximo de resposta. Mas, quer essa contratação seja feita a preços unitários iguais aos praticados no SNS, quer a preços inferiores, essa contratação extra significa sempre um desvio positivo na execução orçamental.”
    O que foi chumbado foi também a utilização de outros hospitais do SNS (ou seja racionalização da “capacidade instalada”).

    “Existem PPPs da Saúde porque o Estado aceitou a certa altura dar aos privados os seus doentes, proporcionando às empresas privadas a possibilidade de diluírem custos fixos, vendendo a custos fixos (ou com margens baixas) ao Estado serviços que o Estado definiu que seriam prestados por privados. Foi uma forma de tornar positivos os balanços que os privados teriam fatalmente negativos se não fossem as PPPs.”
    Os relatórios do tribunal de contas diz que o custo de tratamento nas PPP é inferior ao público (deu “lucro” ao estado, neste ponto a esquerdalha pode benzer-se), e a Entidade Reguladora da Segurança Social diz que os cuidados prestados são de de qualidade superior à do serviço público (não PPP).

    Por isso costumo dizer que um bom sinónimo de PPP é “Contrato de Lucro Mínimo Garantido”.”
    Mas mesmo assim o estado poupa mais. Por analogia deve chamar aos hospitais públicos “Esquema de desperdício máximo garantido” ou “Assim os bóis xuxas forram os bolsos”.

    Os defensores do serviço público (e os outros também) deviam perguntar porque motivo tendo o estado centralizado as compras do ministério da saúde, a compra dos mesmos produtos fica agora mais caro aos hospitais (seguir o rasto do dinheiro). Curiosamente a ministra Temida veio de lá, punham-lhe a internacional a tocar e o relaxe era tanto que não via nada…

  9. Carlos Guerreiro

    ATAV

    “Que estupidez! Lá porque você encara tudo na perspetiva de propaganda, não quer dizer que os outros sejam iguais. E se assim fosse, então os Centros de Saúde que são do estado novo teriam tido nova denominação!”
    E não é que tiveram, deixaram de se chamar Caixas de Previdência para chamarem Centros de Saúde… E com menos valências também!

    “Esses serviços continuam a ser providenciados nas consultas externas hospitalares. E em populações isoladas os médicos das várias especialidades vão aos Centros de Saúde.”
    No estado novo existiam nos hospitais e nas caixas de previdência.
    Boa sorte para arranjar uma consulta de medicina dentária num hospital público, e se tiver a sorte de ter (num dos poucos hospitais que têm a especialidade), será preciso uma sorte ainda maior para os equipamentos e o material necessário aos tratamentos ser deste século…

  10. Assim se demonstra como a esquerda do ATAV e Filipe Bastos está-se nas tintas para a Saúde e quer simplesmente o Poder Político que advém de existir um SNS.

    Se estivessem a favor da saúde estariam-se nas tintas para quem a fornece desde que com a mesma qualidade.
    Veja-se se lá como um dos privilégios que que não abrem mão é a ADSE para os funcionários públicos – aqueles privados que trabalham no estado – fugirem sem grandes custos ao SNS…

  11. ATAV

    lucklucky

    “Se estivessem a favor da saúde estariam-se nas tintas para quem a fornece desde que com a mesma qualidade.”

    Então não são os liberais que dizem sempre que o estado deve sair da economia para minimizar a corrupção? As PPPs com as suas negociações e renegociações é só oportunidades para corromper decisores políticos e contratos manhosos blindados. Se for um hospital público não há possibilidade disso. Então como é? Vocês deviam ser os primeiros a querer um sistema público.

    “Veja-se se lá como um dos privilégios que que não abrem mão é a ADSE para os funcionários públicos – aqueles privados que trabalham no estado – fugirem sem grandes custos ao SNS…”

    Bem pelo contrario! Não tenho problemas nenhuns em acabar com a ADSE. O Passos Coelho ao torná-la opcional feriu-a de morte.

    Deixa-se de descontar o 3.5% dos salários dos funcionários públicos, aumenta-se o IRS e pega-se no dinheiro e financia-se o SNS convenientemente. Os Mello é que são capazes de não achar muita piada a isso.

    Faça a petição Lucky e prometo-lhe que serei o primeiro a assiná-la.

  12. Filipe Bastos

    “Assim se demonstra como a esquerda do ATAV e Filipe Bastos está-se nas tintas para a Saúde”…

    Lucky, sei que isto cairá em saco roto, mas não sou de esquerda. Vou repetir: não sou de esquerda.

    Tenho valores ou quero coisas que coincidem com a esquerda, mas francamente enjoa-me esta falsa dicotomia esquerda-direita, este benfica-sporting político que contamina qualquer discussão. Há muito que as ideologias, em Portugal e não só, são meras cantigas para embalar carneiros.

    Por mim a ADSE acabava ontem. O SNS deve ser o único serviço de saúde, igual para todos. Igualzinho, Lucky.

    O arrumador de carros ali de Belém, se tiver um ataque cardíaco, deve ser atendido no mesmo hospital e pela mesma equipa que atenderá o Mamão Salgado quando este escorregar no seu iate. Até devem ficar no mesmo quarto. Claro que o arrumador poderá sentir-se ofendido pela companhia, é compreensível, mas temos pena.

  13. ATAV

    “E não é que tiveram, deixaram de se chamar Caixas de Previdência para chamarem Centros de Saúde… E com menos valências também!”

    O quê? As caixas foram convertidas em Centros de Saúde pela reforma Gonçalves Ferreira em pleno Marcelismo. A democracia não lhes mudou o nome.

    “No estado novo existiam nos hospitais e nas caixas de previdência.
    Boa sorte para arranjar uma consulta de medicina dentária num hospital público, e se tiver a sorte de ter (num dos poucos hospitais que têm a especialidade), será preciso uma sorte ainda maior para os equipamentos e o material necessário aos tratamentos ser deste século…”

    A sério? Havia a prestação desses serviços todos nos Centros de Saúde. E quem é que os prestava? No final do Estado Novo (1974) havia apenas 10 000 médicos. Nos anos 40 eram cerca de 5000. Para comparação no inicio dos anos 80, após duas intervenções do FMI e em menos de uma década de democracia já eram 20 000. Agora são mais de 50 000.

    E durante o Estado Novo a profissão médica era essencialmente liberal e o estado pagava mal. Ou seja só apareciam no Centro de Saúde quando não tinham pacientes no privados. Portanto esses serviços todos prestados no centros de saúde nunca foram reais.

  14. Carlos Guerreiro

    ATAV

    “A sério? Havia a prestação desses serviços todos nos Centros de Saúde. E quem é que os prestava? No final do Estado Novo (1974) havia apenas 10 000 médicos. Nos anos 40 eram cerca de 5000. Para comparação no inicio dos anos 80, após duas intervenções do FMI e em menos de uma década de democracia já eram 20 000. Agora são mais de 50 000.”
    Depois dos anos 40, tivemos mais 30 anos de fasssisssmo.
    Nas caixas de previdência havia médicos dentistas (estomatologista na altura). Agora nem nos hospitais públicos (em Lisboa só H. Santa Maria e H. D. Estefânia). O equipamento está ultrapassadíssimo, e não têm material adequado para, por exemplo, uma reconstrução dentária.
    Os hospitais privados todos têm medicina dentária com equipamentos e materiais adequados. Tenho pena de toda a esquerdalha do PS, BE e PCP que apenas se podem tratar no público…

    “E durante o Estado Novo a profissão médica era essencialmente liberal e o estado pagava mal.”
    Parece que agora também não paga nada de especial, não conseguem pediatras para a urgência do Garcia da Orta. Para onde foram os pediatras formados no Garcia da Orta? Para os privados, pois então…

    “Ou seja só apareciam no Centro de Saúde quando não tinham pacientes no privados.”
    Eu tinha cá uma sorte. Fui tratado na caixa, e sempre estava um médico dentista quando a minha mãe fazia a marcação. Tinha sorte de ter consulta quando ele não tinha pacientes no privado…

  15. Carlos Guerreiro

    Filipe Bastos

    “Lucky, sei que isto cairá em saco roto, mas não sou de esquerda. Vou repetir: não sou de esquerda.”
    Eu acredito, mas eu também acredito no Pai Natal

    “Por mim a ADSE acabava ontem. O SNS deve ser o único serviço de saúde, igual para todos. Igualzinho, Lucky.”
    Agora é que fiquei na dúvida, isto não é de esquerda radical ou caviar-radical?
    Não tarda nada e já está a propor que o SNS seja em exclusivo para os membros do Partido.

    “O arrumador de carros ali de Belém, se tiver um ataque cardíaco, deve ser atendido no mesmo hospital e pela mesma equipa que atenderá o Mamão Salgado quando este escorregar no seu iate. Até devem ficar no mesmo quarto.”
    Este é o exemplo do SNS de país xuxa que o Filipe defende. Coloca um doente com um “ataque cardíaco” a ser tratado pela mesma equipa (e no mesmo quarto) com um doente que caíu… Um SNS de excelência colocaria o arrumador a ser tratado no serviço de cardiologia por médicos cardiologistas e o Salgado que caiu num serviço de ortopedia a ser tratado por Ortopedistas…

  16. ATAV

    Carlos Guerreiro

    “Nas caixas de previdência havia médicos dentistas (estomatologista na altura) Agora nem nos hospitais públicos (em Lisboa só H. Santa Maria e H. D. Estefânia). O equipamento está ultrapassadíssimo, e não têm material adequado para, por exemplo, uma reconstrução dentária.” .

    Estomatologistas ainda existem. São médicos com especialidade em estomatologia. Médico-dentista é alguém licenciado em medicina dentária. Mais conhecidos por dentistas. E quantos é que havia no Estado Novo? A Ordem dos Médicos Dentistas tinha cerca de 2500 membros quando foi criada em 98. Agora são 11 000. Portanto a pergunta permanece. Se só agora é que há profissionais em numero suficiente quem prestava esse serviço antigamente? Mistério…

    Os cuidados dentários nunca foram prestados pelo estado português em larga escala. Apenas para as crianças e com imensas falhas de cobertura. Foi por isso que foi criado o cheque-dentista. E também estão a entrar dentistas para os quadros da administração pública para melhorar a cobertura e o acesso ao serviços. Só muito recentemente começaram a aparecer dentistas nos Centros de Saúde para prestarem serviço a todos os utentes.

    “Parece que agora também não paga nada de especial, não conseguem pediatras para a urgência do Garcia da Orta. Para onde foram os pediatras formados no Garcia da Orta? Para os privados, pois então…”

    Ora então aqui está uma bela justificação para aumentar a quantidade de médicos formados e deixar de andar a sustentar os privados com financiamento e profissionais de saúde já formados. A promiscuidade dá nisto…

    “Eu tinha cá uma sorte. Fui tratado na caixa, e sempre estava um médico dentista quando a minha mãe fazia a marcação. Tinha sorte de ter consulta quando ele não tinha pacientes no privado…”

    Eu venho de uma família de médicos. O meu pediatra era amigo pessoal do meu avô. Ele vinha-me a casa sempre que era necessário e não levava um tostão. Portanto se eu tinha estas excelentes condições, todos os outros miúdos também tinham… Ou será que havia alguém que não tinha amigos da família que eram médicos ou que não estavam cobertos pela caixa, que era um essencialmente um sistema de seguros de saúde pelo trabalho? Humm… Não, impossível. Todos tinham acesso à saúde…

    “Depois dos anos 40, tivemos mais 30 anos de fasssisssmo.”

    Eu já sabia que você era um adepto do Estado Novo. Escusava de mo confirmar de forma tão peremptória.

  17. Carlos Guerreiro

    ATAV

    De troll tem a escola toda.
    De que serve saber quantos dentistas/estomatologistas existiam no Estado Novo? E a sua comparação com o presente? Eram menos, como eram menos enfermeiros, advogados, economistas… E antes do 25 de Abril também na Alemanha, França, Bélgica, Inglaterra, mesmo sem ditadura, tinha menos licenciados que actualmente.
    Mas no Estado Novo existiam dentistas nas Caixas de Previdência, e hoje, mesmo com mais licenciados, nem nos hospitais existe essa especialidade (Centros de Saúde nem os vêem).

    “Ora então aqui está uma bela justificação para aumentar a quantidade de médicos formados e deixar de andar a sustentar os privados com financiamento e profissionais de saúde já formados. A promiscuidade dá nisto…”
    Que saudades do tempo da URSS, em que estes malandros, mesmo contra a sua vontade, iam trabalhar onde lhe mandassem caso contrário iam de férias para os Gulag (uma espécie de Tarrafal mas com maior eficácia no tratamento dos mais renitentes).

  18. ATAV

    Carlos Guerreiro

    “De que serve saber quantos dentistas/estomatologistas existiam no Estado Novo?”

    Como é que se presta um serviço universal sem profissionais suficientes? Há outras pessoas para além do seu umbigo…

    Já agora, como é que se prestava serviço de Ginecologia nos Centros de Saúde de Beja, Bragança ou Vila Real com zero médicos dessa especialidade?

    https://repositorio-aberto.up.pt/bitstream/10216/115450/2/284083.pdf


    página 99

    “Eram menos, como eram menos enfermeiros, advogados, economistas… E antes do 25 de Abril também na Alemanha, França, Bélgica, Inglaterra, mesmo sem ditadura, tinha menos licenciados que actualmente.”

    Mas esses países já tinham muito mais licenciados que Portugal. Os países de Leste também. Aliás, continuam a ter.

    “Mas no Estado Novo existiam dentistas nas Caixas de Previdência, e hoje, mesmo com mais licenciados, nem nos hospitais existe essa especialidade (Centros de Saúde nem os vêem).”

    Objectivamente falso. Há estomatologistas nos serviços públicos.

    https://www.sns.gov.pt/wp-content/uploads/2017/03/RRH-Estomatologia-Para-CP-1.pdf

    E eu pessoalmente conheço dois dentistas que trabalham em Centros de Saúde. Mas não há dentistas em todos os Centros de Saúde. É uma falha que tem de ser corrigida.

    E donde vieram esses dentistas todos que estavam nas caixas? Se em 98 só havia 2000 em Portugal…

    “Que saudades do tempo da URSS, em que estes malandros, mesmo contra a sua vontade, iam trabalhar onde lhe mandassem caso contrário iam de férias para os Gulag (uma espécie de Tarrafal mas com maior eficácia no tratamento dos mais renitentes).”

    Tal como os médicos que eram despachados para o ultramar sem ter uma palavra a dizer?

    Mais acusações de militância comunista? A sua argumentação resume-se a isso? Todos aqueles que não concordam consigo só podem ser comunas não é? *bocejo*…

  19. Carlos Guerreiro

    ATAV

    Tenha calma, ainda tem um enfarte, vai a um hospital público e o Filipe põe-o numa enfermaria de Ortopedia só para fazer pirraça ao Salgado.
    Na região da grande Lisboa só existem medicina dentária no Hospital de Santa Maria (com urgência até às 20h00) e no Hospital D. Estefânia até às 18h00. Mas o que podem fazer está muito limitado pelos equipamentos obsoletos e falta de material. Um caso prático, qualquer criança de uma escola pública, que sofra uma traumatismo com fratura de dentes precisa de passar num hospital público, com medicina dentária. Para ser tratado? Não para obter uma declaração em que não pode fazer o tratamento no sistema público e assim poder ser tratado no privado com os custos suportados pelo seguro escolar…
    E com isto voltamos ao ponto central do post, o fanatismo ideológico da esquerda que prefere que os doentes não sejam tratados do que proporcionar que sejam tratados pelos privados, muitas vezes com custos inferiores ao sector público.

  20. ATAV

    Carlos Guerreiro

    “Tenha calma, ainda tem um enfarte, vai a um hospital público e o Filipe põe-o numa enfermaria de Ortopedia só para fazer pirraça ao Salgado.”

    Calma? Para quê? Não sou que está constantemente a meter a pata na poça e a ser corrigido. Olhe mais uma. Um paciente cardíaco pode ser colocado na mesma enfermaria que um paciente da ortopedia. Basta terem múltiplas doenças para serem enfiados na Medicina Interna. Claro que há um esforço para colocar doentes com doenças semelhantes na mesma enfermaria, mas quando a casa está cheia é onde houver vaga.

    “Na região da grande Lisboa só existem medicina dentária no Hospital de Santa Maria (com urgência até às 20h00) e no Hospital D. Estefânia até às 18h00. Mas o que podem fazer está muito limitado pelos equipamentos obsoletos e falta de material.”

    Outra vez com isso? Já lhe demonstrei que não é assim. Por muito que você feche os olhos, bata com os calcanhares e repita “não há dentistas ou estomatologistas no SNS” não significa que vá tornar-se verdade.

    “caso prático, qualquer criança de uma escola pública, que sofra uma traumatismo com fratura de dentes precisa de passar num hospital público, com medicina dentária. Para ser tratado? Não para obter uma declaração em que não pode fazer o tratamento no sistema público e assim poder ser tratado no privado com os custos suportados pelo seguro escolar…”

    Nesse casa a criança daria entrada na urgência pediátrica do hospital mais perto e seria reencaminhada para cirurgia maxilo-facial pediátrica para tratamento. Caso não exista esse departamento nesse hospital, iria para um hospital fim-de-linha que tivesse esse serviço. Como o Hospital Santa Maria ou São João.

    “E com isto voltamos ao ponto central do post, o fanatismo ideológico da esquerda que prefere que os doentes não sejam tratados do que proporcionar que sejam tratados pelos privados, muitas vezes com custos inferiores ao sector público.”

    Fanatismo é andar todo indignado a exigir que um governo de esquerda reforce um serviço de saúde “Beveridgiano” subcontratando aos privados em vez de o fazer directamente. Seria expectável que um governo de direita o fizesse, mas um de esquerda? Por amor de Deus…

    Custos mais baixos? Como? Se os médicos ganham mais no privado, se o poder negocial do estado é superior porque compra mais quantidades de consumíveis e medicamentos conseguindo assim obter preços mais baixos nas negociações e se os privados têm que dar lucro como é que conseguem fazer preços mais baixos?

    Fanatismo é querer implodir um serviço de saúde que funciona bem só para o substituir por outra coisa qualquer que não se sabe como vai ficar (igual ao dos EUA provavelmente) só porque é mais compatível com a sua ideologia.

    E finalmente fanatismo é defender o serviço de saúde do Estado Novo que era incompleto e estava cheio de buracos de cobertura comparativamente ao SNS actual.

  21. Mais uma vez o ATAV e Filipe não respondem à objecção sobre o poder do estado. A faltade competição inerente ao sistema, a monocultura de uma burocracia unica.
    E por exemplo não consideram quem vive do estado com renda fixa incluindo funcionários como mamões mas uma PPP já é má. E para mim até há alternativas melhores na maior parte dos casos.

    O ATAV onde falei de PPP? sempre disse que o dinheiro deve ir para a mão das pessoas e elas que escolham qualquer hospital.

    O Filipe é pior, é um totalitário que que obrigar médicos, enfermeiros na ponta da espingarda a trabalhar para o Estado. Depois claro irá atirar-se a todas as empresas que fornecem medicamentos,
    Como bom socialista nunca está presentes na criação, só depois da coisa estar feita depois das empresas, pessoas criarem, inventarem é que vêm defender a violência de dizer qual deve ser o preço.

  22. ATAV

    Lucklucky

    “A faltade competição inerente ao sistema, a monocultura de uma burocracia única”

    Os americanos é que são uns privilegiados em ter a oportunidade de navegar no meio daquelas seguradoras todas em que umas cobrem umas doenças e procedimentos e outras cobrem outras. Também têm que lidar com prestadores que trabalham com umas seguradoras mas não com outras. Que sorte! A verdadeira liberdade de escolha. E como podemos esquecer a sorte que eles têm em poder calcular os seus co-pagamentos durante episódios de dores e tratamentos de cancro ou receberem facturas de milhares de dólares logo após a morte de um familiar. Americanos sortudos!

    “E por exemplo não consideram quem vive do estado com renda fixa incluindo funcionários como mamões mas uma PPP já é má.”

    É sempre melhor que os liberais que defendem que as PPPs recebam cada vez mais enquanto que acham que os funcionários públicos têm que trabalhar de borla. Onde está um administrador ou acionista de uma grande empresa estará um liberal para defender os interesses dele. Claro que, na perspetiva dos liberais, se for alguém que vive do seu trabalho e tenha rendimentos baixos ou médios já é um mamão só porque tem alguma segurança no emprego. E o pequeno empresário ainda está pior visto que não tem segurança no emprego e o liberal despreza-o.

    “O ATAV onde falei de PPP? sempre disse que o dinheiro deve ir para a mão das pessoas e elas que escolham qualquer hospital.”

    A demência do cheque-ensino aplicada à saúde. E o que será que aconteceria às populações isoladas em que o Centro de Saúde local é o único prestador de serviços de saúde? Das duas uma, ou o Centro de Saúde entra no prejuízo para prestar o serviço e terá que fechar eventualmente ou aproveita-se do monopólio para cobrar o que quiser (exactamente o que aconteceu com as mutualistas durante a primeira república). Ahhh! As maravilhas do mercado livre em bens essenciais. A espoliar os mais fracos desde tempos imemoriais.

    E aquelas pessoas que sofrem uma doença ou evento catastrófico que requer imensos cuidados de saúde? Certamente que os custos seriam muito superiores ao valor recebido. Bem, elas poderiam usufruir da liberdade de escolha entre morrer ou endividar-se brutalmente para pagar os custos. Claro que também podem recorrer aquele sistema distópico do GoFundMe como os americanos fazem actualmente. Felizardos!

    Claro que faz todo o sentido enterrar um serviço de saúde que funciona bem para tentar outra coisa qualquer cujo resultado final será sempre uma incógnita e tem grandes probabilidades de correr mal. E fazê-lo apenas por causa da ideológia de meia dúzia de dementes? Claro! E os custos de transição (leia-se o sofrimento das pessoas que ficarão para trás)? Bem, não se fazem omeletes sem partir ovos…

    Liberais, fachos, fundamentalistas, nazis e comunas… Sempre dispostos a sacrificar os outros em nome da ideologia.

    E claro que o objectivo destas propostas é transparente. Se um cheque-tudo fosse aplicado, mal viesse a primeira recessão ou tempos económicos mais difíceis, os liberais vinham logo exigir cortes nos valores a pagar. E congelamentos desses mesmos valores para que a inflação comesse o resto.

    Seria o mesmo “modus operandi” de agora: querem estoirar o défice baixando o IRC e IRS alegando ganhos de “competividade” que irá produzir crescimento económico para pagar tudo, mas depois fazem cara séria e dizem que o défice e a dívida são preocupantes e dizem que são necessários “sacrifícios” (cortes no estado social). Com o cheque-tudo seria muito mais fácil pôr isto em prática.

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