Presidente da ANIL Responde ao Ministro Santos Silva

Reproduzo aqui a carta aberta de José Alberto Robalo, Presidente da ANIL – Associação Nacional dos Industriais de Lanifícios, ao ministro Santos Silva.

Caros colegas empresários portugueses,

São do conhecimento geral, as afirmações polémicas do senhor ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, no GRAPE em Coimbra, tendo-se pronunciado acerca da “fraquíssima qualidade da gestão das nossas empresas.” Entretanto penitenciou-se, uns dias depois, dizendo que não pretendia denegrir as empresas portuguesas., afirmando, “que essas declarações parecem indicar que fiz uma generalização que seria abusiva e, se o efeito foi esse, penitencio-me por isso.”

Na minha modesta opinião, o problema deste país é “a fraquíssima qualidade da gestão dos nossos governantes.” Não sendo minha intenção denegrir os governos portugueses e sabendo que esta afirmação corre o risco de ser generalizada, penitencio-me imediatamente por isso.

Já com a penitência feita, gostaria de sublinhar aquilo que parece ser, para o senhor ministro, a fraquíssima qualidade da nossa gestão. Na nossa qualidade de “fraquíssimos gestores empresariais” suportamos a maior carga fiscal dos últimos anos, pagamos das facturas de energia e combustíveis mais caras da Europa, uma rede rodoviária cara sem alternativas viáveis e mesmo assim estamos na primeira linha nos esforços para a sustentabilidade, inovação e desenvolvimento.

Por outro lado, não vejo que seja uma conclusão particularmente sagaz e inovadora, defender a contratação de quadros qualificados, atrevo-me aliás a dizer, que ao fim de quase quatro décadas na indústria, nunca ouvi algum colega afirmar que não estaria interessado em contratar bons quadros para a sua empresa. Mais uma vez, um governante contribui, com muita qualidade, para a noção errada de que são as empresas que não querem contratar especialistas.

Não será antes a falta de empresas, que são levadas ao encerramento devido à nada fraquíssima carga fiscal, de que são paradigmas as fraquíssimas políticas económicas que consecutivamente sufocam e bloqueiam o desenvolvimento, principalmente nas zonas periféricas e do interior, condenadas ao esquecimento? Ou, como parece crer o senhor ministro, numa esperança sebastianica de que surja uma multinacional estrangeira (a quem os nossos governos dão todas as oportunidades, negadas às empresas portuguesas) que salve essa comunidade, sem que o nosso governo tenha que activamente contribuir com políticas pró-activas para o desenvolvimento económico?

É caso para perguntar, caros colegas, que se nós somos fraquíssimos, quais serão os qualificativos adequados para a gestão dos nossos governantes? Penitenciando-me pela generalização, desde já.

José Alberto Robalo, Presidente da ANIL – Associação Nacional dos Industriais de Lanifícios

20 pensamentos sobre “Presidente da ANIL Responde ao Ministro Santos Silva

  1. Carlos

    Sr. Robalo, desde já me penitencio, mas creio que o governo está-se cagando para a sua carta aberta. A carga fiscal altíssima que refere é apenas para pagar ao Pedro Cabrita Reis. E se não concorda, é porque a sua cultura está nivelada por baixo.

  2. Alex.soares

    Governantes ??? Nós, Portugal, entregou a gestão do seu condomínio a um bando de gatunos que em conluio roubam descaradamente tudo quanto podem.
    Depois, quando for a hora de fazer e acertar contas, vamos ver quem é que fica para pagar.
    Eles, os administradores “costas” e os quarenta e quatro ladrões vai-se a ver e tinham umas tias no Brasil que sabiam o segredo da árvore das patacas. É tudo de e em família, pois já as mães tinham cofres recheados com notas de “contos” de rei.
    Arre, agarra que são ladrões.

  3. Rão Arques

    Com conhecimento aos doutores sempre em pé Costa e Marcelo, bem como ao jornalismo que arquiva os assuntos incómodos que lhe toldam a voz e entopem a caneta..
    Já agora!.

  4. Se eu fosse empresário (que não sou, ou antes, fui durante um ano apenas e vi que a vida de empregado por conta de outrém me assentaria muito melhor) pretenderia fundamentalmente obter A MAIOR RENTABILIDADE POSSÍVEL (obviamente, dentro da lei); não me importando muito se o conseguisse via indústrias de ponta ou da idade da pedra, ou se os meus funcionários tivessem altas ou baixas qualificações.

    Repito, o objectivo fundamental seria a maior rentabilidade do investimento e, como sou um ser humano normal, que tudo isso pudesse ser equilibrado com a melhor relação possível com todos os stockholders, fossem eles empregados, fornecedores, reguladores, clientes, etc e que, conscientemente, não estivesse a prejudicar o próximo, de acordo com os valores com que fui educado. Não sou santo, não sou um marginal, sou uma pessoa normal.

    Mas eu não sou empresário, não tenho qualidades para isso e o texto acima até o confirma, por isso a minha opinião de pouco vale.

  5. A. R

    Como diz o actual e um dos maiores presidentes do EUA este Sr. Silva “está claramente sobrevalorizado”.

    Só resolve os problemas a cantar a Internacional: já vem de longe. O patriarca resolvia os seus problemas com as malitas cheias de dinheiro que vinham de Macau

  6. E ainda se esqueceu de referir que os nossos excelsos governantes – sempre pelas mãos dos mesmos cãomunistas-socialistas – ainda conseguiram a extraordinária proeza de levarem a empresa-país, pela qual são responsáveis, à falência e por 3 vezes no curto espaço de 35 anos!

  7. Filipe Bastos

    Bom. A questão são na verdade três:

    O Santos Silva. A pulhítica, como o nome indica, está cheia de pulhas; mas poucos tão porcos como o Santos Silva. Só o Partido Sucateiro, esse esgoto a céu aberto, podia manter este cão-de-fila do 44 por tanto tempo.

    O presidente da ANIL. Claro que tem razão sobre a classe pulhítica e o mete-nojo Silva. Mas quando se fala de lanifícios, textêis, sapatos, essas fábricas do norte e centro, pensa-se em Ferraris, subsídios e salários mínimos. Ferraris e subsídios, i.e. esmolas europeias, para os bravos empresários. Salários mínimos para quem lá realmente produz.

    A reverência direitista. Aos ‘empreendedores’, claro. Mas o direitalha típico, ironicamente como o esquerdalha típico, só gosta do que é grande: o pequeno negócio não reflecte o ‘sucesso’ endeusado pela direita. Esta gosta é de Mexias e Bavas, ‘gestores’ à séria, de grandes empresas e multinacionais.
    Tão elástica e subserviente é a sua adoração a mamões que até inclui trafulhas como o Trampa, que já nasceram milionários, ou a máfia financeira, esses parasitas.

    A verdade verdadinha, é que muitos dos nossos empresários e pulhíticos merecem-se uns aos outros. Quantos bólides alemães, quantos montes no Alentejo e apartamentos no Algarve foram comprados com subsídios da UE? E quanto maior a empresa, maior o compadrio – veja-se a Tecnoforma ou a Mota-Engil.

  8. Carlos Guerreiro

    Filipe
    Lá vem vossemecê com a caldeirada do costume onde nunca falta o tempero Trump ou Passos Coelho.
    O Santos Silva já estava no governo do Costa que foi apoiado pela esquerda fóssil do PCP e a esquerda caviar das esganiçadas do Bloco.
    Quanto aos Ferrari não está a referir-se à corrida entre o Ferrari e o burro do Costa?

  9. Filipe Bastos

    Não, Carlos, refiro-me mesmo aos Ferraris dos senhores empresários, muitos deles mamadores profissionais de subsídios, enquanto pagam o mínimo a quem lhes faz os sapatos e as farpelas.

    Quando a coisa dá para o torto, são meses de salários em atraso até à mui chorada falência. Mas mantêm os Ferraris. Passado um tempo, às vezes dias, abrem ao lado com outro nome. E toca a mamar outra vez.

    Fora as fugas ao fisco, cuja legalidade é geralmente proporcional à dimensão do trafulha, aos assessores e offshores que possui. Eu, que não sou santo, às vezes incluo itens pessoais nas despesas da empresa. É mais relaxe; não me dou ao trabalho de os separar. Mas são coisas pequenas. Comparado a muita, muita gente, até pareço santo.

    Pergunto outra vez: quantos carrões, quantos montes no Alentejo e apartamentos no Algarve comprados com esmolas da UE? A investigar-se a sério, a arrestar-se e a prender-se os chulos e trafulhas deste país, quantos empresários e bens de luxo restavam? Acha que 10%?

  10. “Não é assim tão impressionante visto que os grandes empresários e gestores são um pouco avessos a frequentar a escola:”

    E têm toda a razão para isso, veja lá que esses super qualificados trabalhadores “são avessos” a criar empresas que ganhem aos broncos empresários.
    Parece que perdem a vontade na escola publica socialista.

  11. EMS

    LUCKLUCKY,
    Será uma questão de tempo até a nova geração indoutrinada pela escola publica socialista comece a retirar do mercado esses bravos empresários.

  12. ATAV

    O Augusto Santos Silva sempre foi um caceteiro sem escrúpulos não obstante ter adoptado recentemente uma postura de estado em virtude do cargo que vem ocupando.

    Esse ministro fez uma generalização abusiva, mas tendo em conta esta resposta, atrevo-me a dizer que no caso do empresário José Alberto Robalo, o ministro acertou em cheio!

    Primeiro o empresário diz que o estado não presta bons serviços e depois queixa-se que os impostos são altos. Ora bem, querer usufruir e não pagar chama-se parasitismo.

    Refere ainda que ele e os colegas dele querem e gostam de contratar quadros qualificados. Então porque não fazem mais amiúde? Simples… Porque oferecem salários pouco superiores ao salário mínimo. Aparentemente não se apercebem que quem paga em amendoins, arrisca-se a ter de trabalhar com macacos. Como diria o Luís Aguiar-Conraria, parece que alguns dos nossos empresários estão viciados em salários baixos…

    Depois há os queixumes do tratamento preferencial das multinacionais e do abandono do interior. Ou seja, está a pedinchar subsídios e protecionismo. Quer o aconchego do “Estado-Papá”.

    Porquê será que um blog liberal está a propagar os apelos de um individuo que está de mão estendida a pedinchar subsídios, protecionismo e que quer viver às custas dos outros contribuintes?

    Uma pessoa mais cínica poderia achar que o liberalismo daqui é basicamente uma capa para a promoção da plutocracia e que os “insurgentes” não passam de lobistas dos empresários…

  13. Tanto rasgar de vestes só por Augusto Santos Silva ter dito algo que é bem sabido e está abundantemente confirmado por estudos efetuados por académicos internacionais.
    A minha mulher, que trabalhou em diversas empresas nacionais e internacionais antes de se casar comigo, contou-me histórias que me criaram a mesma ideia: a gestão na área dos recursos humanos nas empresas portuguesas, incluindo grandes empresas, é péssima. Os trabalhadores (ou gestores), em vez de estarem todos a colaborar para o bem da empresa, são todos postos a lutar uns contra os outros.
    Em vez de castigarem o Augusto Santos Silva fariam bem em olhar para si mesmos e tentarem melhorar a sua gestão.

  14. Filipe Bastos

    Luís Lavoura, por momentos pareceu que v. estaria a defender ou a justificar o Santos Silva, esse grandíssimo pulha, chulo, tachista, FDP, esbirro de sucateiros, cão-de-fila de trafulhas, piaçaba de mafiosos.

    Além de um xuxa, certamente ninguém tentaria justificar esse porco; nem o seu branqueamento de 40 anos de saque, cunha, corrupção e bancarrota da classe pulhítica, e do PS em particular, atirando bocas a quem, melhor ou pior, lhe sustenta o imerecido salário e mordomias, mais os calotes que contrai em ‘nosso’ nome.

    Numa coisa estes pulhíticos são como qualquer taxista: os maus sempre os outros, os que não estão com eles naquele momento. Vão a uma festarola académica, dizem mal das empresas. Numa festarola de empresas, dirão mal da academia. Calcule de quem dirão mal quando estão só entre pulhíticos.

  15. “Primeiro o empresário diz que o estado não presta bons serviços e depois queixa-se que os impostos são altos.”

    Curioso entendimento de causa-efeito, oops nem sequer isso. o que você defende é que paga e cala.

    E isto como se bons serviços não podem ser baratos.

  16. ATAV

    lucklucky

    “Curioso entendimento de causa-efeito, oops nem sequer isso. o que você defende é que paga e cala.”

    O quê?!? Qual causa-efeito? Você deve ter lido um texto diferente daquele que eu li… Se o empresário quisesse mais e/ou melhores serviços teria pedido apenas isso. Caso pretendesse menos serviços ou considerasse que os serviços actuais são demasiado caros, então teria pedido baixas de impostos.

    Mas não… É mais que patente que o que ele quer é usufruir dos benefícios de viver numa sociedade evoluída e espetar a conta em cima dos outros, tal como você…

    Ele é a sua alma gémea, homem! Já pensou em propor-lhe uma sociedade? Podem abrir uma empresa de produção e/ou venda de…hmmm…ora bem… vejamos, e que tal se for de… eletrodomésticos? Sugiro começarem a produzir e vender torradeiras liberais e expandir o negócio a partir daí.

    Até tenho um bom nome para a vossa empresa e tudo: Mammon Appliances Lda. Pode usá-lo à vontade!

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