RTP: um canal que depende de financiamento do Estado nunca será independente

Alguém ainda acredita que se pode garantir a independência de um canal que depende de financiamento do Estado?

RTP em pé de guerra deixa direção no limbo :

O diferendo que opõe a equipa do Sexta às 9 à direção de informação é antigo e, nas últimas reuniões do Conselho de Redação, tem ficado a saber-se de outras histórias comprometedoras para as responsáveis máximas do canal público: desde uma notícia sobre os prémios a dirigentes e funcionários da TAP que ficou na gaveta (a história foi revelada pelo jornal i, na edição de 6 de junho)  até à famosa peça do lítio que ficou em stand by, esperando pelo fim da campanha eleitoral e pelos resultados das legislativas, tudo tem sido debatido nas reuniões do CR, muitas vezes num tom que o responsável pela redação da ata da reunião se diz incapaz de reproduzir. «A audição da jornalista Sandra Felgueiras decorreu num ambiente muito tenso, com interpelações sucessivas entre a jornalista e a diretora de informação que dificultaram a transcrição. Por isso, e no sentido de melhor aclarar este caso, anexamos documento assinado por toda a equipa do Sexta às 9 em que detalha pormenorizadamente o que sucedeu».

Acontece que a ata referente à reunião de 11 de dezembro acabou por não reproduzir a versão da equipa do Sexta às 9, que se sentiu injustiçada e, na sequência da mesma, distribuiu um comunicado à redação, com o título «Esclarecimento urgente à redação face a algumas omissões e imprecisões na ata do Conselho de Redação», onde diz que Flor Pedroso admitiu que interferiu na reportagem sobre o ISCEM. Nesse mesmo comunicado, a equipa do Sexta às 9 dá a sua versão sobre o que se passou no caso ISCEM e afirma que «a diretora de informação garantiu ter falado, no dia 8 de outubro, presencialmente com Regina Moreira no seu gabinete do ISCEM». Só depois de a repórter Ana Raquel Leitão ter falado com Regina Moreira sobre a reportagem é que Flor Pedroso contou à equipa de investigação que lecionava no instituto.

Nota: convém acrescentar que o modelo de governance da RTP foi alterado durante o governo de Passos, porque o anterior modelo era uma festa de poder do Governo.

25 pensamentos sobre “RTP: um canal que depende de financiamento do Estado nunca será independente

  1. ATAV

    Um canal financiado pelo estado será mais independente do que os dos privados. É por causa disso que os liberais querem à viva força a sua privatização.

  2. Nunca será independente do Estado,

    Um jornal que seja financiado por uma empresa estatal chinesa nunca será independente do Estado Chinês.

    Por definição só existe independência quando há autonomia económica baseada em receitas geradas pela atividade da empresa.

  3. Os estenógrafos da RTP devem ter mesmo problemas de transcrição das reuniões.

    Imagino que na chafarica RTP (Rataria Tem Poiso) não haja quem saiba utilizar equipamento de gravação de áudio e de vídeo, nem tenham por lá câmaras e microfones para captação de som, mesmo dos de telefone celular que qualquer adolescente ou funcionário em quaisquer outras empresas tem, e que um dos deputados do PS adora roubar a jornalistas.

  4. ATAV,

    «Um canal financiado pelo estado será mais independente do que os dos privados. É por causa disso que os liberais querem à viva força a sua privatização.»

    Viu-se a independência.

    Está na génese destes problemas a falta de lítio e de vergonha. A falta de lítio dá lugar a graves problemas no funcionamento do cérebro. A falta de vergonha dá lugar a problemas existenciais na carteira dos outros.

    O lítio é usado no tratamento de doenças bipolares. Como as do PS: alegria perene e indisputível cá dentro e malditos estrangeiros, desde que sejam do Norte da Europa.

  5. Manuel Vicente Galvão,

    «Um jornal que seja financiado por uma empresa estatal chinesa nunca será independente do Estado Chinês.»

    Um jornal publicado na China, seja financiado por quem seja, nunca será independente do Estado Chinês. Se o for, será apenas uma vez.

    Os jornais críticos do governo chinês em mandarim são publicados em Taiwan.

  6. ATAV

    Francisco Miguel Colaço

    “Viu-se a independência.
    Está na génese destes problemas a falta de lítio e de vergonha. A falta de lítio dá lugar a graves problemas no funcionamento do cérebro. A falta de vergonha dá lugar a problemas existenciais na carteira dos outros.”

    Prefere a independência da Fox News? E se for da MSNBC? E dos média Húngaros ou Turcos?

    Há sempre tentativas de condicionamentos tanto no público ou no privado, mas é nos canais estatais das democracias a sério que temos maior probabilidade de encontrar mais independência.

  7. ATAV

    Manuel Vicente Galvão

    “Por definição só existe independência quando há autonomia económica baseada em receitas geradas pela atividade da empresa.”

    Está equivocado. Os média dependem das receitas dos seus anunciantes, especialmente das grandes empresas, portanto tentam não pisar esses calos.

    Eu lembro-me que quando havia uma investigação jornalística que incomodasse o Ricardo Salgado, ele ameaçava cortar a publicidade do BES, PT e EDP desse órgão de comunicação social. Os jornalistas geralmente baixavam as orelhas e iam farejar para outro lado.

  8. “RTP: um canal que depende de financiamento do Estado nunca será independente”

    A RTP tem financiamento coercivo dos contribuintes, mesmo dos que não vêem nem o querem.

  9. «Há sempre tentativas de condicionamentos tanto no público ou no privado, mas é nos canais estatais das democracias a sério que temos maior probabilidade de encontrar mais independência.»

    O seu problema é ter um executivo da RTP a dizer que nunca houve tanta ingerência na RTP quanto no tempo do PS de Sócrates e de Costa.

  10. Um canal que depende de financiamento privado também não é independente – depende desse privado.
    E, por sinal, atualmente, com a Cofina, temos um grupo de comunicação social extremamente poderoso.

  11. Ó Luky lá está o senhor a confundir os cofres do Estado com o dinheiro dos contribuintes!
    Isso é o mesmo que dizer que o dinheiro dos Belmiro é o dinheiro dos clientes da Sonae.
    Os impostos são o pagamento de serviços prestados pelo Estado aos cidadãos e empresas.
    Uma vez quebrados os impostos o dinheiro é do Estado.
    Eu sei. Divulgar essa confusão dá muito jeito a muita gente…

  12. ATAV

    “O seu problema é ter um executivo da RTP a dizer que nunca houve tanta ingerência na RTP quanto no tempo do PS de Sócrates e de Costa.”

    Quem? O único que conheço que falou sobre isso disse que não havia nada desde a criação do Conselho Geral Independente em 2014. Mas como foi o Nuno Artur Silva que disse isso não tenho muita confiança no testemunho.

    Há ainda o caso da Maria Flor Pedroso, mas essa foi muito justamente colocada no olho da rua por causa daquilo com a Sandra Felgueiras e o Sexta às 9.

  13. Filipe Bastos

    Ambos os lados têm a sua razão, não será?

    Se uma TV depende do Estado e este está às ordens de um governo, a TV fica às ordens desse governo. Se algum director se opõe, o que é improvável – pois são geralmente tachistas nomeados pelo governo – é simplesmente afastado.

    Se uma TV vive de anunciantes fica refém destes, pois precisa desse dinheiro. Mais ainda se for comprada por algum grupo, que naturalmente não deixará a TV ir contra os seus interesses.

    Tal como nos jornais, sem mudar algo no sistema, não há uma solução ideal. O financiamento directo dos utilizadores poderia ser essa solução, mas por regra não é suficiente. Diga-se também que os media se habituaram a luxos muito além da realidade das empresas.

  14. “Maria Flor Pedroso é jornalista há mais de 30 anos, sem mácula”, uma “jornalista exemplar”, “reconhecida e respeitada pelos pares” e “uma das mais sérias profissionais do jornalismo português”.

    A invocação do argumentário de autoridade, reflecte bem como a defesa do comportamento ético de MFP tem pés de barro. Muito provavelmente, as grandes lojas do avental trabalham incessantemente para encostar às margens do esquecimento uma equipa de reportagem muito inconveniente para os poderes instalados que nos querem apagar a individualidade.

  15. ATAV

    Filipe Bastos

    “Ambos os lados têm a sua razão, não será?

    Se uma TV depende do Estado e este está às ordens de um governo, a TV fica às ordens desse governo. Se algum director se opõe, o que é improvável – pois são geralmente tachistas nomeados pelo governo – é simplesmente afastado. ”

    Sim. ambos os lados têm razão se estivermos a falar de ditaduras ou “democracias iliberais”. Aí os jornalistas estão às ordens de quem lhe paga ou de quem controla o governo.

    Mas há um caso especifico em que isso deixa de ser equivalente: numa democracia a sério os políticos têm renitência em fazer saneamentos políticos e os jornalistas sabem que se fincarem os pés os políticos irão ter medo de despoletar um escândalo.

    No sector privado, a independência jornalística também aumenta em democracia mas nunca chega ao nível do sector público. Afinal um escândalo pode atirar o anunciante principal ou a empresa dona do órgão de comunicação à falência e isso coloca o emprego dos jornalistas em risco.

  16. Filipe Bastos

    “numa democracia a sério”…

    Suponho que numa democracia a sério seja diferente, mas pensava que estávamos a falar de Portugal.

    Sabe, uma partidocracia chula, porca e corrupta, a saque por uma classe pulhítica impune, onde um recente PM trafulha acabava com os programas de que não gostava, mesmo de estações privadas?

  17. ATAV

    Filipe Bastos

    “Sabe, uma partidocracia chula, porca e corrupta, a saque por uma classe pulhítica impune, onde um recente PM trafulha acabava com os programas de que não gostava, mesmo de estações privadas?”

    Sim, o Sócrates colocou a nossa democracia em risco. E isso é uma vergonha para o PS. Deviam ter feito algo para limitar as tendências autocráticas desse individuo e serem os primeiros a distanciar-se desse trafulha. Foi indigno de um partido democrático e é uma nódoa indelével nessa instituição…

  18. “Ó Luky lá está o senhor a confundir os cofres do Estado com o dinheiro dos contribuintes!
    Isso é o mesmo que dizer que o dinheiro dos Belmiro é o dinheiro dos clientes da Sonae.”

    Eu não sou obrigado a pagar à Sonae, mas sou obrigado a pagar à RTP.

  19. A. R

    A RTP é um asilo de socialistas e comunistas: basta ver as entrevistas a trabalhadores da RTP. “Já o pai era ..” …” já mãe era” e é obviamente sectária .. muito sectária.

    Segue a mesma independência preconizada pelos socialistas espanhóis a encubar a guerra civil em 1930 no conhecido golpe de Jaca:
    “Como delegado del Comité Revolucionario Nacional, a todos los habitantes de esta ciudad y demarcación hago saber: Artículo único: Todo aquel que se oponga a la palabra o por escrito, que conspire o haga armas contra la República naciente, será fusilado sin formación de causa.”

  20. Filipe Bastos

    “Sim, o Sócrates colocou a nossa democracia em risco. E isso é uma vergonha para o PS. Deviam ter feito algo para limitar as tendências autocráticas desse individuo e serem os primeiros a distanciar-se desse trafulha.”

    E porque acha que não o fez? V. fala como se houvesse outro PS, que é sério e que se distancia de trafulhas. Esse PS esconde-se bem: em 40 e tal anos nunca foi visto!

    ATAV, o PS é isto: um clube de chulos, pulhas e trafulhas unidos por um fim comum. Esse fim é poleiro e mama. Só isto. Quaisquer excepções, como se viu no famoso congresso de Matosinhos, são ínfimas e irrelevantes.

    Não que os outros partidos sejam bons; mas o PS consegue ser o pior, o mais trafulha de todos. Do Chulares ao Costa, do Trafulha ao Farfalha, nada, rigorosamente nada se aproveita. Guterres parecia o menos mau, e foi ele que aceitou e promoveu canalhas como o Trafulha e o Vara.

    E mais uma vez, o Trafulha não colocou ‘a nossa democracia em risco’, pois o Trafulha não é mágico: não pode pôr em risco o que nunca existiu… só cá há uma partidocracia. Podre.

  21. ATAV

    Filipe Bastos

    Já percebi o seu ponto de vista. Portugal não é uma democracia e no PS são todos uns corruptos.

    É a perspectiva do Medina Carreira: “Isto é tudo uma choldra”.

    Só falta andar a dizer mal dos nossos alunos, exigir a baixa imediata do IRC para 10% e querer cortar pensões como ele fazia.

  22. Filipe Bastos

    ATAV, os partidos estão cheios de tachistas e corruptos. Estou a dar-lhe uma novidade? Chegou há pouco tempo a Portugal?

    O PS é tão-só o pior, o que se calhar é natural, por ser o que tem acesso mais directo e constante ao pote. O PSD fica pouco atrás.

    Isto nunca foi uma democracia, porque não decidimos realmente nada. Cada eleição é um cheque em branco. Esta canalha faz o que quer. Note que o Trafulha só está a ser julgado por crimes pessoais; não por enterrar o país em calotes criminosos.

    «É a perspectiva do Medina Carreira: “Isto é tudo uma choldra”.»

    E não é? O que acha que falta para o ser?

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